Escrevendo O Destino
4 3. Chorando na chuva
Notas iniciais
Eu sabia que vcs iam gostar do capítulo passado, mas que iam odiar o final hihihihi
No final do capítulo de hoje, vcs vão ficar com mais raiva do Ângelo ainda!! Eu fiquei...
E preparem a caixa de lenços... que hoje o capítulo é triste! Mas decisivo pro andamento da história...
Adorei todos os reviews!! Me divirto demais com vcs!! Obrigada, chuchus!!
Boa leitura!
Capítulo 3
Chorando na chuva
Quando acordei, eu estava sozinho no meu quarto.
Não podia ser. Eu não tinha sonhado! Sei que não!
Corri até o espelho. Os arranhões nas minhas costas estavam lá. A Mônica estava aqui comigo.
Pra onde ela foi?
O Ângelo levou ela daqui?
Olhei pela janela. Caía uma chuva fina.
Será que ela estava bem?
Liguei no celular dela. Estava desligado.
Vesti uma camiseta e corri até a casa dela. Não era muito longe. Mesmo assim, quando toquei a campainha, eu já tava ensopado.
Ela abriu a porta, vestida numa roupa elegante.
– Do Contra?!
Segurei o rosto dela.
– Mônica, você tá bem?
Ela me olhou com estranheza.
– Eu tô ótima, DC. Mas você parece que não. Entra, vou pegar uma toalha pra você.
– Mônica, por que você desapareceu daquele jeito? O que aconteceu?
– Do que você tá falando?
Ela só podia estar brincando.
– Eu tô falando de agora há pouco lá em casa, Mônica. Você não imagina o desespero que eu fiquei! Eu achei que o Ângelo tivesse feito alguma coisa com você!
Quando ela escutou o nome do anjo, um brilho de pavou percorreu seus olhos.
– Eu não faço ideia do que você tá falando, DC. Eu não fui na sua casa hoje.
Eu agarrei os dois pulsos dela.
– Mônica, não brinca assim comigo.
– DC, eu… – o rosto dela mostrava uma confusão genuína. Será que ela tinha se esquecido de tudo mesmo?
– Eu não sonhei, Mônica. Você estava lá.
Tirei a camiseta.
– DC, você tá todo arranhado!! Quem fez isso com você?
– Você fez isso, Mônica. Você me arranhou.
O olhar dela era de pura surpresa.
Eu estava desesperado. Segurei o rosto dela.
– Você tava lá, Mônica! Não faz isso comigo.
Um carro buzinou do lado de fora.
– DC, eu não sei do que você tá falando, mas você não tá nada bem. Eu não posso conversar agora. O Cebola acabou de chegar.
– O quê?!?
Eu não podia acreditar no que eu tava ouvindo.
– Você se esqueceu do meu encontro de hoje à noite, DC?
A campainha tocou.
Antes que ela abrisse a porta, eu a puxei pelo pulso pra perto de mim. Me aproximei do rosto dela e olhei bem fundo nos seus olhos.
– Eu não me esqueci do seu encontro. Mas eu acho que o que aconteceu entre a gente hoje muda um pouco as coisas, não?
Ela não respondeu.
– Mônica, eu não sei que espécie de brincadeira é essa, mas eu nunca vou te perdoar. Nunca.
O olhar dela ficou triste.
Ela não estava mentindo.
– Vamos chamar o Ângelo aqui. Ele talvez possa ajudar a gente.
– Isso não!! – ela ficou apavorada com a menção do nome dele. De novo.
– Por que não!? Ele estava lá também, ele sabe de tudo que aconteceu. Com certeza ele sabe explicar o que houve.
– Se tem um conselho de amiga que eu posso te dar nessa vida, seria pra você não confiar em anjos. Principalmente no Ângelo.
– Se você tá falando isso, é porque sabe de alguma coisa que eu não sei.
A campainha tocou de novo.
– DC, amanhã a gente conversa. Eu vou pra sua casa pra gente fazer o trabalho de Literatura, e aí você me explica o que tá acontecendo, pode ser?
– Não, não pode ser!! Você não pode sair com o Cebola. Não depois do que aconteceu hoje. Você ficou louca?!
– A louca aqui não sou eu, Do Contra. Eu já disse mil vezes que não sei do que você tá falando. Agora eu preciso ir. Com licença.
Ela soltou o pulso da minha mão sem dificuldade e abriu a porta.
– Oi, Cebola – ela lhe deu um beijo no rosto.
– Oi, Mônica. Você tá linda.
– Você também.
Cebola olhou pra mim.
– Eu não sabia que você estava com visitas, Mô. Nós precisamos ir, o táxi tá ali esperando.
– O DC já tá de saída, né, DC?
Olhei pra ela mais uma vez. Tive vontade de sacudir ela pelos ombros, de gritar com ela até perder a voz, de chamar ela de todos os nomes feios que eu conhecesse. Então o que eu fiz foi simplesmente responder:
– Eu só passei aqui pra desejar boa sorte pra vocês hoje.
Passei pelos dois e saí.
Ouvi a voz da Mônica me chamando:
– DC?
Me virei sem vontade.
– Amanhã às 10h eu passo na sua casa, tá?
Não respondi.
– Pro trabalho de Literatura?...
– Por mim, tanto faz.
– Eu vou sim. Tô super animada pra fazer esse trabalho. Adoro Literatura.
– Você é quem sabe.
Saí andando sem olhar pra trás.
Enquanto caminhava devagar, tentei reunir todas as peças do quebra-cabeça. A Mônica não parecia estar mentindo. Ela pareceu sincera. E, se ela estava dizendo a verdade, eu não podia ter raiva dela. Não podia julgá-la, condená-la por nada.
Mas, ela se lembrando ou não, um fato é incontestável: ela fez aquilo tudo.
A cena se repetiu como um filme na minha cabeça. Ela brigou com a Amanda, brigou comigo, disse que o lugar dela era ao meu lado, me beijou, me arrastou até o quarto, me despiu, me arranhou, me levou à loucura, e disse que era a mim que ela queria, e que eu era a inspiração dela pra tanta desenvoltura na cama.
Me lembro das últimas palavras dela antes que eu apagasse.
Me perdoa, meu amor. Eu não consegui.
Há pouco, ela disse pra que eu não confiasse no Ângelo.
Me lembro do que ele falou quando invadiu o quarto.
Sua tola. Você achou que ia escapar de mim por muito tempo?
Ela estava fugindo dele. Mas por quê?
E, se ela se esqueceu de tudo, como ela sabe que não pode confiar em anjos?
Mas agora era inútil desvendar esse enigma. Ela foi ao Saveur com o Cebola. Ela está nos braços dele agora. Agora e pro resto da vida.
Você perdeu, Do Contra. Game over.
A chuva agora era mais forte. Cheguei a uma pequena praça que ficava no meio do caminho até minha casa. Me sentei num banco e coloquei meu fone de ouvido.
Apertei o play no meu iPod.
Tocou uma música dos Everly Brothers.
Nunca vou te deixar ver
O jeito que meu coração partido está me machucando
Tenho meu orgulho e sei como esconder
Toda a minha tristeza e minha dor
Eu vou chorar na chuva
Se eu esperar por céus nublados
Você não poderá distinguir a chuva das minhas lágrimas
Você nunca saberá que eu ainda te amo tanto
Por mais que as mágoas permaneçam
Eu vou chorar na chuva
Gotas de chuva caindo do céu
Jamais levariam embora minha miséria
Desde que não estamos juntos
Rezo por tempestades
Para esconder estas lágrimas que eu espero que você nunca veja
Um dia, quando meu choro acabar
Vou sorrir e andar ao sol
Posso ser um tolo, mas até lá
Você nunca vai me ver lamentar
Eu vou chorar na chuva
Bem apropriado.
A música tinha razão. Eu não precisava segurar o choro ali, debaixo daquela chuva torrencial.
E então eu chorei.
Notas finais
O Ângelo agora pegou pesado, né galera?
Comentem please!!
Amanhã posto mais um! No próximo capítulo, o DC vai ter uma conversa importante com o Ângelo! E aí, ele deve ou não confiar no anjo da guarda da turma?
Bjokas! =*
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