Escrevendo O Destino
5 4. Maurício
Notas iniciais
Como vou sair hoje à noite, entrei mais cedo pra postar o capitulo de hoje!
Eu não queria que ficasse tão triste esse capítulo, afinal o anterior já foi muito deprê! Mas não teve jeito, saiu assim... Mas sabe que eu gostei dele? (chorei litros escrevendo!!) ^^
Quero muito agradecer a recomendação da Mitzi!!!! Adorei!!! Obrigada, honey!!! Valeuzão!!
Vamos ao capítulo?
Boa leitura!
Capítulo 4
Maurício
Bati na porta do quarto do Nimbus.
– Pode entrar!
– Nimbus, eu preciso de um favor seu.
– Nossa, DC, você tá encharcado! Você tem que se trocar, senão apanha um resfriado.
– Eu preciso que você conjure o Ângelo pra mim.
Ele me olhou com espanto.
– Esse é um pedido muito sério. Eu não posso conjurar um anjo sem um bom motivo.
– Eu tenho um bom motivo. E também tenho um segundo pedido. Que você não faça nenhuma pergunta a respeito.
Ele ficou quieto por um tempo, me olhando. Sei que ele tava avaliando meu pedido, decidindo o que ia fazer. Meu irmão pega muito no meu pé às vezes, mas quando ele vê que a coisa é séria, sempre me dá uma força e respeita meu silêncio. Quando ele viu que eu não tava brincando, resolveu me atender. Fechou os olhos e estendeu as mãos pra frente.
Em poucos segundos, Ângelo se materializou. Ele me olhou com desdém:
– Do Contra. Eu devia imaginar.
Fiz um gesto pra que ele me seguisse até meu quarto.
– Ângelo, eu quero uma explicação.
– De quê?
– De tudo! Por que você fez isso comigo?!
– Não sei do que você tá fal…
– Parou!! Parou!! Não vem com esse papo também não. Já basta a Mônica. Você sabe muito bem do que eu tô falando.
– Não sei, mas se você quiser explicar, sou todo ouvidos.
– Eu tô falando de quando eu tava com a Mônica, num momento… digamos… íntimo. Você interrompeu a gente, levou ela daqui e ainda apagou a memória dela, seu anjo mala. Por que você fez isso?
– Você sonhou isso, Do Contra.
– Não sonhei! Eu posso provar.
Tirei a camiseta.
– Tá vendo esses arranhões aqui? A Mônica que fez em mim.
– Me poupe dos detalhes sórdidos do seu sonho, tá? Arranhões não significam nada. É muito comum que humanos tenham sonhos perturbadores e machuquem a si mesmos durante o sono. Pelo visto, aconteceu com você.
Ele tava determinado a me convencer dessa mentira. Mas o que ele não sabe é que ele deixou escapar um detalhe. Uma prova irrefutável do episódio.
A Mônica tinha razão. Eu não podia confiar nele.
Eu vou fazer o jogo dele, dar corda pro papo dele. Vamos ver até onde isso vai.
– Será mesmo, Ângelo? Não acredito! Pareceu tão real!
– É normal se sentir assim. Alguns sonhos marcam mesmo.
– Mas Ângelo… se a Mônica não se lembra de nada, e é óbvio que ela não se lembra porque não aconteceu, então eu também não quero me lembrar!
Ângelo, por uma fração de segundo, deixou cair a máscara e transpareceu surpresa. Rá! Peguei ele!
– Mas é só um sonho, DC. Você não pode dar muita importância pra isso. Não pode deixar que afete sua vida.
– É complicado, Ângelo. Eu tava acostumado a viver sem a Mônica, mas esse sonho foi muito diferente de todos os outros que eu tive com ela. Por mais impossível que isso seja, agora eu conheço a sensação física de estar com ela, e isso dificulta muito as coisas. Meu sofrimento aumenta muito. A essa altura, ela já disse sim pro Cebola. Eles vão ser felizes pra sempre juntos, e eu sobro. Não tenho nenhuma perspectiva de que meu sonho se torne real. Se ela não se lembra de nada, eu quero seguir com a minha vida também… entende?
– Acho que entendo.
– Você sempre foi nosso anjo da guarda. Você sempre protegeu a gente. Você pode me ajudar com isso, Ângelo? Pode me ajudar a esquecer desse sonho terrível?
Agora ele teria que admitir a verdade.
– Eu compreendo sua situação. Me compadeci de seu sofrimento. Eu posso te ajudar a esquecer se você quiser, DC.
Não era essa resposta que eu esperava. Ele pagou pra ver meu blefe.
– A questão é: você realmente quer se esquecer? Depois que eu apagar a sua memória, não vai ter mais volta. É isso que você quer mesmo? Nunca mais se lembrar da sensação de estar com ela?
Agora foi ele quem me pegou.
Meu primeiro impulso é pensar que, já que a Mônica não se lembra de nada, e que de nada adiantou o que nós vivemos, e que agora ela ia ficar pra sempre com o Cebola, então era melhor esquecer tudo logo. Assim a vida volta a ser exatamente como era antes.
Mas, por outro lado, aquele foi o melhor momento da minha vida. Estar ali com ela, sentir seu gosto, seu cheiro, ver no rosto dela a expressão de puro desejo por mim, sentir o toque dela por todo o meu corpo… Eu sabia que a memória daquele evento seria uma lembrança dolorosa de algo que eu nunca vou ter.
Qual era melhor? A lembrança de um único beijo, um único toque, um curto momento, e o resto de uma vida amarga? Ou uma vida longa e tranquila sem nunca saber como é estar com ela?
Esquecer tudo, sem dúvida, era a saída mais fácil.
Mas eu não gosto de saídas fáceis.
– É, Ângelo. Acho que eu não quero esquecer, não.
– Eu sei que agora esse parece um sonho terrível. Mas, logo logo, você nem vai se lembrar mais disso.
Ele fez menção de ir embora, mas hesitou.
– Tudo acontece na vida na hora certa, DC. Por mais que você não compreenda as coisas como elas são agora, no fim você vai ver que foi melhor assim.
E ele desapareceu.
Tomei um longo banho e vesti meu pijama. Só o que eu queria agora era descansar desse dia surreal.
Apaguei a luz e me deitei. Coloquei meus fones de ouvido. A música era minha única companhia fiel. Ela nunca me deixava desamparado.
Eu gostava de dormir ouvindo Legião Urbana. Me fazia sentir calmo. Minha música favorita era Maurício.
Meu nome.
O Maurício da música me entendia. Ele se sentia exatamente como eu.
Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois, pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim…
Meu desejo tinha se realizado. Eu tive a Mônica em meus braços. Mesmo que tenha sido por um momento, ela foi minha.
E isso bastava.
Tinha que bastar.
Notas finais
E aí, queridinhos?? O que acharam??
Diquinha do ♥: Se vcs juntarem tudo que o Cascão contou na primeira fic, e o que o Ângelo fala na primeira fic também, vcs já vão saber tudo que vai acontecer daqui pra frente! Já tem leitores bem próximos da verdade!! Vamos ver quem acerta!
No próximo capítulo, é a vez de o DC ter uma conversa decisiva com a Mônica! Ele vai contar pra ela da pegação deles!! Será que ela vai acreditar?! E será que ela esqueceu tudo mesmo, ou tá mentindo? O que vcs acham?
Bjokas =*
Fale com o autor