Escrevendo O Destino
13 12. Meu erro
Notas iniciais
Estamos entrando na reta final da fic! O capítulo de hoje demorou pra sair, e ficou bem triste, mas acho que vocês já esperavam por isso, né?
Agora que eu coloquei todos os reviews em dia, vou poder responder os comentários de vcs rapidamente! Entáo, comentem, chuchus!
Este capítulo vai ter duas músicas: a que o DC canta é esta: http://www.youtube.com/watch?v=YZibNACT9b8 e a que a banda TMJ toca é esta: http://www.youtube.com/watch?v=7u02MhWROV8
Boa leitura!
Capítulo 12
Meu erro
Vendo os dois ali, se beijando, tive vontade de berrar, de dar um soco na cara daquele ceboludo, sacudir a Mônica pelos ombros e gritar com ela até que minha voz acabasse. Então o que eu tinha que fazer era exatamente o contrário: agir civilizadamente.
Entrei na cozinha e pigarreei pra chamar a atenção dos dois.
Cebola me olhou sem vontade, como se eu estivesse estragando a festa dele. Mônica, por sua vez, me olhou de um jeito que eu não consegui ler. Ou melhor, consegui, mas eu me recusava a acreditar. Era indiferença o que eu vi ali.
No fundo, eu esperava que, pega em flagrante, ela caísse de joelhos, me pedindo perdão, ou pelo menos que dissesse um “eu posso explicar”, mas ela não disse nada. O que só adicionou à minha decepção.
– Mônica, vem comigo. Preciso conversar com você.
– Acho que não preciso, DC.
Ela realmente não ia tentar se explicar? Eu significava tão pouco assim pra ela, que ela nem ia se dar o trabalho? Me senti um pouco zonzo. Eu conheço a Mô desde que somos crianças. E ela nunca foi essa bruxa. Tinha alguma coisa errada.
– Em nome da nossa amizade de dez anos, eu acho que você me deve isso.
– Ô cara, não insiste, não vê que ela não quer conversar com você? Nós estamos ocupados aqui.
– Tudo bem, Cê. Vou conversar com ele. Eu já volto pra gente continuar conversando.
Pra continuar conversando ou se pegando? Eu não queria nem pensar nisso.
Subi as escadas e andei em direção ao quarto da Marina. Mônica veio atrás.
Ela entrou, se sentou na cama e me olhou, esperando que eu começasse o assunto.
– Você tá de brincadeira comigo, Mônica? Qual é o problema com você?
Ela não respondeu. Fiquei olhando pra ela, incrédulo, mas ela continuava muda.
– Você nem sequer vai tentar se explicar?
– Eu não tenho que te dar satisfações, Do Contra.
Eu não conseguia acreditar nos meus ouvidos.
O que mais me restava a dizer, quando ela se recusava a conversar? Eu não ia implorar por uma explicação dela. Meu orgulho jamais permitiria. Eu já tinha me humilhado o suficiente por causa dessa garota.
– Acho então que você me deve desculpas.
– É, isso eu acho que sim. Foi mal, DC.
Ri uma vez, sarcástico.
– “Foi mal”? Isso é o melhor que você consegue fazer?
Ela se levantou, e começou a andar de um lado pro outro, nervosa.
– Desculpa, tá? Eu sei que eu fiz tudo errado. Eu não devia ter deixado isso ir tão longe quando eu não tinha intenção de continuar.
De repente, a compreensão me atingiu como um soco.
– Já entendi seu plano, Mônica. Você deu o fora no Cebola, depois deu o fora em mim, pois assim você fica livre de compromisso e pode ficar com os dois, ou com quem você quiser, quando der vontade.
Ela ficou vermelha.
– Eu… não tava ficando com o Cebola!
– Ah, não? Então o que foi que eu vi? Ilusão de ótica?
– Ele me beijou, e eu fiquei em choque, ok? Não consegui reagir.
– Achei que você não me devia satisfações.
– E não devo mesmo.
Sentei na cama, e enfiei as mãos no rosto.
– Que idiota que eu sou!! Por um momento, eu realmente achei que a gente tava bem, e que você ia me esperar voltar do Japão. Mas você sequer me esperou ir embora!
– Eu te falei tantas vezes que isso era um erro, que a gente não devia ficar, e você não me escutou.
Olhei pra ela, com raiva.
– Então, por que você não se afastou de mim?
Ela baixou a cabeça, e falou tão baixinho, que tive dificuldade de ouvir:
– Porque eu não consegui.
Ela era uma contradição ambulante.
– Você não percebeu ainda, Do Contra? O que você tem que fazer é fugir de mim. Eu sou uma vaca egoísta.
– Acho que eu não posso discordar disso.
No rosto dela, um traço de tristeza.
– Eu errei, e eu lamento muito por isso, e peço desculpas. Eu não devia ter te dado esperanças de nada. Não antes de você ir viajar.
Me aproximei dela e segurei seus ombros.
– Achei que a gente tivesse algo especial, Mônica.
– Eu te falei mil vezes que a gente não podia ter um compromisso, DC. Que a gente ia conversar sobre isso depois que você voltasse.
Me afastei dela e ri sem humor.
– Pois pode ficar tranquila, Mônica. Porque eu vou viajar, e não vou voltar.
Ela pareceu ser pega de surpresa.
– Como assim, não vai voltar?
– Eu tô indo pro lugar deste mundo que é diametralmente oposto ao Limoeiro. É a maior distância que eu consigo estar de você nesta Terra. Então, enquanto você estiver aqui, eu vou ficar no Japão. E, quando inventarem uma residência no espaço, eu vou dar um jeito de ir morar lá, pra poder ficar ainda mais longe de você.
Ela não conseguiu disfarçar o desconforto ao ouvir minhas palavras. Ótimo. Eu queria que ela se sentisse mal. Continuei:
– Se lembra quando eu disse que eu não queria nenhuma menina além de você? Pois agora é exatamente ao contrário. Agora, eu quero ficar com qualquer menina do mundo, menos você.
Ela ficou lívida.
– A gente não pode ser nem amigos, Do Contra?
Me enfureci e gritei:
– Não, Mônica!! Eu não quero te ver nunca mais!! Você não foi minha amiga quando me arrancou dos braços da Amanda naquele dia e começou essa novela toda. Eu tava quieto no meu canto, quando você veio me perturbar. Durante um mês, você me fez acreditar que sentia algo por mim – soltei um suspiro pesado. – E pensar que eu quase desisti da minha viagem por você!
– Um dia você vai entender o que eu tô fazendo, Do Contra. Vai ser melhor assim pra nós dois.
– Acho que eu já tô cansado de ouvir você falar isso.
Olhei pra ela uma última vez. Tristeza e incerteza se misturavam em seu rosto.
Me virei de costas e saí do quarto depressa, antes que eu desistisse de ter raiva dela.
Subi no palco e peguei o microfone:
– Fala, galera! Eu quero muito agradecer a todos vocês por essa festa tão linda! Magali, Cascão e Xaveco! Por favor, venham pro palco!
Os três, que estavam dançando no meio da galera, atenderam prontamente.
– Eu queria muito tocar uma última música com vocês, TMJ – falei, pegando a guitarra do Cebola. – Você não se importa que eu pegue sua guitarra emprestado, né, Cebola?
Olhei na plateia. Mônica estava ali, de longe, mas sem tirar os olhos de mim.
– Eu queria dedicar esta música a uma pessoa muito especial: a líder desta banda, Mônica. Uma salva de palmas pra ela, pessoal!
O público ovacionou a vocalista.
Tirei da guitarra os primeiros acordes. O resto da banda, reconhecendo a música, me acompanhou. Sem desviar o olhar da Mônica, comecei a cantar:
Eu quis dizer
Você não quis escutar
Agora não peça
Não me faça promessas
Eu não quero te ver
Nem quero acreditar
Que vai ser diferente
Que tudo mudou
Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria
Ah, meu Deus, era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não me abandone
Mesmo querendo eu não vou me enganar
Eu conheço os seus passos
Eu vejo os seus erros
Não há nada de novo
Ainda somos iguais
Então não me chame
Não olhe pra trás
Você diz não saber
O que houve de errado
E o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria
Ah, meu Deus, era tudo o que eu queria
Eu dizia o seu nome
Não, me abandone jamais
Quando a música acabou, a plateia aplaudiu efusivamente. Mônica inclusive. Cebola, ao seu lado, também batia palmas.
No alto do muro, Ângelo observava toda a cena. Notei quando ele lançou um olhar gélido pra Mônica, e a expressão dela se transformou em puro medo por uma fração de segundo. No segundo seguinte, o pavor deu lugar àquela calculada indiferença.
Ângelo abriu as asas e partiu.
Mônica e Cebola subiram ao palco novamente, pra continuar o show da banda.
Me sentei na beira da piscina, sem vontade de prestar atenção ao espetáculo.
Roberto Daniel Júnior sentou do meu lado.
– E aí, cara? Quê que tá pegando?
– Ah, nem é nada. Tá sussa.
– Aposto que é algum problema com as mulheres.
– Como você sabe? Você nunca deve ter tido problema com elas. Todas as mulheres que você quer devem cair aos seus pés.
– Nem sempre foi assim, DC. Eu já sofri muito por causa disso, sabe?
Olhei pra ele, espantado.
– É mesmo? Eu nunca teria imaginado.
– Claro. Todo mundo já passou por isso um dia. Mas, no seu caso, eu não entendo por que você tem que sofrer, já que a menina que você gosta também se amarra em você.
– Acho que a gente não tá falando da mesma pessoa.
– Acho que estamos. Escuta só como ela canta enquanto olha pra você.
Quando olhei pra Mônica, ela fechou os olhos, tentando disfarçar que não tava olhando pra mim. A música era, mais uma vez, triste.
Nós dois sabemos que eu não deveria estar aqui
É errado
E isso está me matando, e a você
Ambos temos que ser fortes
Tenho outro lugar para estar
Promessas a cumprir
– Não é pra mim que ela canta, RDJ.
– Nós, atores, conseguimos ler as pessoas facilmente. Conseguimos saber quando a pessoa está interpretando e quando está sendo verdadeira. E eu posso te assegurar que aquela menina ali, no palco, está cantando com todo o coração.
É a coisa mais difícil que eu jamais terei que fazer
Te olhar nos olhos e dizer que não te amo
É a mentira mais difícil que eu jamais terei que contar
Não mostrar emoção quando você começar a chorar
Eu não posso deixar transparecer o que você significa para mim
Quando estou de mãos atadas e meu coração não está livre
Não devemos ficar juntos
É a coisa mais difícil que eu jamais terei que fazer
Virar as costas e ir embora fingindo que não te amo
Eu queria tanto acreditar nessas palavras.
– Pode ser, cara. Mas com certeza é pra outra pessoa.
– Tem certeza, Do Contra?
– Ela deixou isso bem claro agora há pouco.
– Eu podia jurar que ela gosta de você.
– Se ela gosta, então ela tá fazendo um esforço descomunal pra me convencer de que não. E, em respeito à vontade dela, vou acreditar que é verdade que ela não quer saber de mim e ponto final.
– Tem algo estranho nela... Parece que ela está desesperadamente tentando te mandar uma mensagem.
Sei que vamos nos encontrar de novo
O destino tem tempo e lugar
Então, siga com a sua vida
Devo ser cruel para ser bom
– O amor da vida dela é aquele da guitarra ali, ó – apontei o Cebola. – Eles nasceram um pro outro, e essa é uma verdade absoluta do universo.
– Eu sei que é da sua natureza contestar as verdades absolutas. Conheço seu potencial único pra isso.
– E você acha que eu já não tentei? E só me queimei, cara. Me machuquei muito feio. Tem certas coisas que a gente não pode discordar, eu acho.
Talvez numa outra época, num outro dia
Por mais que eu queira, não posso ficar
É a coisa mais difícil que eu jamais terei que fazer
Te olhar nos olhos e dizer que não te amo
É a mentira mais difícil que eu jamais terei que contar
Não mostrar emoção quando você começar a chorar
Eu não posso deixar transparecer o que você significa para mim
Quando estou de mãos atadas e meu coração não está livre
Não devemos ficar juntos
É a coisa mais difícil que eu jamais terei que fazer
Virar as costas e ir embora fingindo que não te amo
Eu não podia mais escutar ela cantar essa música. Era como o canto da sereia, tentando me envolver mais uma vez e me puxar pra dentro de suas mentiras. Era grande a tentação de me deixar enganar, de me deixar acreditar que, no fundo, ela me amava, mas estava impedida de se entregar por algum motivo.
Estendi a mão ao Roberto.
– Eu vou nessa, cara. Valeu pelo papo.
– Boa sorte no Japão, cara. Volta logo – ele disse, me abraçando.
– Isso eu não posso prometer. Mas você sempre pode ir me visitar.
Olhei o palco uma última vez, olhando pra Mônica pra reter a imagem dela na memória.
Adeus, Mônica.
Me virei de costas e me dirigi ao portão. Quando eu pusesse os pés fora daquela casa, seria o começo de uma nova vida. Uma vida sem a Mônica.
Chegando em casa, tentei subir direto pro meu quarto, mas minha mãe não me deixou escapar.
– E aí, filho? Já acabou a sua festa? Tá cedo ainda e… uh-oh. Que cara é essa?
– A festa ainda não acabou. Mas eu tenho muita coisa da viagem pra resolver, achei melhor vir embora.
– Quer dizer que… você voltou atrás? Resolveu viajar de vez?
– Resolvi, sim. Eu tava viajando na maionese, mãe. Não tem nada a ver aquilo que eu falei hoje cedo.
Ela ficou calada, em choque.
– Agora, se você me dá licença, mãe, eu vou subir pro meu quarto.
– Claro, filho. E, se você precisar, sabe que pode conversar comigo, né?
Tentei sorrir pra ela, mas acho que o sorriso deve ter saído meio torto.
– Sei sim, mãe. Valeu.
O meu quarto era repleto de lembranças de quando eu estive com ela, dos momentos que passamos aqui, das noites em que dormimos abraçados. No criado-mudo, o bilhete que ela escreveu hoje cedo antes de sair.
Está tudo escrito.
Você só precisa ler nas entrelinhas.
Bom dia.
Desci até a cozinha e apanhei a caixa de fósforos. Subi novamente, e, com um palito aceso numa mão e o bilhete na outra, ateei fogo à nota, desejando que as memórias queimassem junto com o papel.
Eu havia guardado todos os bilhetes que ela já tinha deixado pra mim. Abri a gaveta do criado-mudo, peguei todos eles e atirei na lixeira. Mais um fósforo, e mais lembranças que se apagavam pra sempre.
Peguei meu celular. Deletei o número dela da minha agenda. Era inútil, já que eu sabia o telefone dela de cabeça, mas nada que o tempo me fizesse esquecer. Também deletei o endereço de e-mail dela dos meus contatos.
No fundo da gaveta, a pérola que ela me deu. Enfiei no bolso, e saí correndo até o parque do Limoeiro. Não era muito longe de casa. Cheguei depressa à ponte que passava sobre o córrego. Lá de cima, olhei aquela pequenina pérola entre os dedos, e hesitei.
Talvez eu devesse devolver a ela. Mas, pra isso, eu teria que me encontrar com ela de novo. E eu não queria. Não queria olhar nos olhos dela, não queria ouvir a voz dela, e muito menos as desculpas que ela sempre inventava pra justificar seu comportamento cruel.
Eu não cometeria o mesmo erro de novo. Nunca mais.
Abri a mão, e assisti a pérola atingir a água.
De agora em diante, ela seria somente uma lembrança. A lembrança de um futuro que nunca existiu.
Notas finais
Será que agora tá explicado o que a Mônica fez? O DC não entendeu, mas acho que vcs sim =)
No próximo capítulo, a chegada do DC ao Japão! O que será que aguarda ele lá? Será que ele vai conseguir esquecer a Mônica? Será que ela vai deixar?
Beijos a todos!
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