Escrava do destino
8 Mudanças
Sehra faltou a aula dois dias seguidas, estava com febre e se sentindo mal, sua mãe logo a diagnosticou com uma virose e aproveitou que estava doente e em casa para dar mais uma olhada no quadro em que havia pintado e pensar nas respostas que daria a todos, e chegou a conclusão que teria que dar respostas a todos e para isso, mudanças eram necessárias. Amanheceu, foi treinar e depois foi para a aula. Ela chegou um pouco atrasada e ao entrar na sala todos os olhares foram para seu cabelo, ele estava pintado metade azul e metade preto, sua cor natural e estava curto, na altura dos ombros com pontas mais longas na frente dando destaque ao seu rosto.
— Desculpe o atraso, professora. – Disse Sehra já seguindo para sua cadeira e se virou para o grupo. — Eu preciso conversar com vocês depois do intervalo. – E todos os quatros acenaram para ela.
Sehra estava só um pouco nervosa, mas logo todos as suas inseguranças se dissiparam ao notar que os quatros estavam mais nervosos que ela. O sinal tocou e Fiona:
— Ergo a parede de vento ou vamos ao terraço ou? – Ansiosa ou nervosa, Sehra não sabia como Fiona estava.
— Não, é só conversarmos baixinho aqui, não precisa fazer nada, Fiona.
— Gostei do seu novo estilo, meio radical, meio “cheguei, mundo”, meio “estou pronta para o que der e vier. – Disse Naruse sorrindo.
— Meio que é isso ai. – Disse Sehra.
Zen olhava para Sehra com tanta intensidade que ela desviava os olhos e olhava para qualquer lugar, exceto ele.
— Então...o que tem para nos dizer? – Falou Obi.
— Eu aceito. – Disse Sehra. – Eu aceito treinar com vocês. – Todos sorriram, até Zen que estava com uma expressão séria. – Porem, tem uma condição. – O sorriso de todos se desfez tão rápido como se foi colocado nos rostos deles. – Tudo tem um preço, não? – Disse Sehra sorrindo. – Eu quero aprender os feitiços e todo o resto, quero saber tudo.
— Claro, faz parte do treinamento... Você não sabe o quão feliz estou e estamos por ouvir isso de você. – Disse Obi.- De verdade, princesa. – Ele abaixou a cabeça em uma reverencia e Sehra se segurou para não revirar os olhos.
— Vamos começar quando? – Perguntou Sehra.
— Amanhã no horário do seu treino. – Disse Fiona com um tom empolgante. – Amanhã você verá o que estava perdendo, Sehra.
— Ok, Fiona, e eu tenho mais uma coisa a pedir a você.
— O que?
— Eu quero que você me ajude na escolha de uma roupa para ir a um encontro. – Sehra ao terminar de falar nota que todos estão olhando mais ainda para ela e que ao olhar para Zen, algo como surpresa e tristeza passou pelo seu rosto, tão rápido como ficou neutro.
— Quem? – Perguntou Fiona gritado.
— Shiii, Fiona. – Obi empurrou o braço de Fiona.
— Seojun me chamou para sair, só que não me decidir.
— É perigoso para você sair com alguém que pouco conhece.
“– Até que fim Zen falou.” – Pensou Sehra.
— Se for assim, vocês também são perigosos para mim. – falou Sehra com a voz afiada como uma navalha.
— E essa pulseira? Onde conseguiu? – Perguntou Zen parecendo um pouco irritado.
— Seojun me deu ontem, disse que era para proteção, algo do tipo.
Fiona pegou o braço de Sehra e olhou cuidadosamente a pulseira.
— São pedras da lua... – Disse Fiona surpresa – Mas como? Como ele conseguiu? Ele disse para você?
— Disse que conseguiu com a irma.
— Elas são muito preciosas e raras.
— Além de caras. – Disse Zen. – Se ele te deu, algo ele quer de volta.
— Não! – Sehra fastou o braço – Ele me deu como proteção contra aquele cara da tatuagem, ele não me pediu nada e não há interesse.
— Você que pensa, princesa...você que pensa, — E Zen se levantou saindo da sala.
— Nossa, o que há com esse grosso arrogante? – Disse Sehra olhando para as costas de Zen enquanto ele saia da sala.
— Nada, ele só esta estressado porque queria começar logo o treino. – Disse Naruse se levantando e indo atras de Zen.
— E então, Fiona, vai ou não vai me ajudar?
— Vou sim, claro, irei te deixar linda. – Falou Fiona piscando e sorrindo para Sehra.
— Ótimo, vou dar uma voltinha, não preciso que me sigam.
Sehra saiu da sala e começou a andar olhando cada rostos a procura de alguém. Cochichos e mais cochichos, alunos apressados, alunos correndo e alunos conversando. As olhadas estavam menos, mas hoje em especial por causa da mudança no visual, muitos olhares em especial dos meninos, enquanto as meninas a olhavam com uma expressão feia.
Quando ela avistou seu alvo em meio à multidão e suas mãos tremem só um pouco e formam um punho na lateral do corpo. Ela respira fundo e começa a seguir seu alvo até que ele entra no banheiro masculino e ela se ver obrigada a esperar do lado de fora. Por azar, seu celular ficou dentro da bolsa na sala, mas por sorte, o corredor estar movimentado e ninguém notaria em uma garota encostada na parede do banheiro masculino. Seu alvo sai e ela finge caminhar e bate de cara nele, como da primeira vez. O cara da tatuagem.
— Ora, ora quem eu vejo aqui... — Ele pega seu braço. — A gatinha selvagem, a que quase quebrou meu pé pisando em cima.
Neste mesmo momento, Sehra olha para seu outro braço e nota a diferença. As pedras da lua da pulseira que Seojun deu que antes eram claras, agora estão um pouco escuras. O fato positivo era que funcionava, o negativo...estava com problemas.
— Hey, carinha da tatuagem. — Ela rir para tentar parecer normal, mas ao perceber que a pulseira funcionava, ela só queria se afastar dele.
— Parece que o destino quer unir nos dois, entende? — Ele aponta para ela e depois para ele, manda um beijo no ar e Sehra vira a cara revirando os olhos. Ela tenta tirar seu braço da mão dele, mas falha. Estava com problemas, não um grande, mas estava. Não podia aplicar um golpe nele, seus pais seriam notificados, não dava para pisar no pé dele, ele estava longe, como se estivesse com medo de ser pisado de novo e pior, ele estava segurando com muita força seu braço e o toque dele...a estava fazendo suar e ficar ansiosa para soltar o braço dela da mão grande dele.
— Sinto lhe informar, mas não gosto de ser pau mandado pelo destino. – Falou Sehra o mais alto e com a voz mais firme possível.
Ele rir com escárnio e se aproxima dela, falando:
— Uma pena...
E nessa hora uma mão grande pressiona o pulso dele e quando Sehra se vira, a mão de Naruse e ao redor, Fiona, Obi e Zen.
— Vejam, vejam. Parece que alguém estar caçando problemas mais uma vez.
Sehra não sabia se agradecia mentalmente, ou se xingava por eles estarem ali. Ela poderia se livrar do cara da tatuagem, só precisava que ele se aproximasse mais um pouco para chutar bem no meio das pernas dele.
Naruse pressionou com mais força e o cara da tatuagem soltou o braço de Sehra que agora estava marcado de leve com uma marca de mão. Naruse então fala:
— Cara, eu te disse naquele dia — e ele fala mais alto — que não tocasse nela e olha isso envolta do braço dela. Você quer que eu quebre seu braço em dois, três, quatro partes?
Sehra ao ouvir aquilo, coloca o braço envolta de Naruse rapidamente e fala:
— Vamos deixar ele para lá, hoje a culpa foi minha por não ver ele na minha frente. – Sehra estava nervosa ao ouvir aquilo, seus pais a matariam se soubesse que anda com pessoas que não tem medo de causar problemas.
Naruse olha para Sehra, olha para a marca de novo no braço dela e depois para o cara da tatuagem.
— Por mim, você estaria no chão gritando de dor agora. — Naruse solta o braço e ele olha para Naruse como se quisesse soca-lo bem ali e cospe próximo dos pés de Naruse, e sai. Sehra suspira e Naruse passa o braço em torno do pescoço dela e diz:
— Me diz, vai ser sempre o mesmo cara que você tromba e arranja problemas?
E dar uma gargalhada. Ela rir e olha para os outros que estão sérios olhando para eles dois.
— Tudo tranquilo.
— Isso não é resposta. – Disse Fiona olhando o braço de Sehra.
Ela sentiu o olhar de Zen e eles saíram. Ela continuava com os braços envolta de Naruse, e por onde passavam, as pessoas abriam passagens para eles. Fiona distribuía piscadas para os meninos que achavam bonitos, enquanto Zen e Obi estavam sérios. E Naruse ficava sorrindo ou dando um aceno, arrancando sorrisos das meninas e acenos dos meninos.
— Você sabe, princesa, que está virando um alvo de três tipos de pessoas nesse colégio?
Sehra olha para ele com uma expressão de confusão enquanto estão andando.
— O cara da tatuagem e provavelmente os amigos dele. E o resto... — Ele pisca para ela e dar um grande sorriso. — As garotas que querem estar no seu lugar agora e as garotas que querem ser suas amigas para se aproximar de nós.
Eles chegam na fila do lanche. Ela retira o braço que estava em Naruse e fala:
— Obrigada por me ajudar atravessar o corredor humano.
Ele olha para ela sem entender e depois pisca uma vez, pisca duas e fala de boca aberta:
— Desculpa, Sehra, eu não lembrava. Porque não tirou meu braço do seu ombro?
Ela rir e dar umas tapinhas no ombro dele e fala:
— Não saberei quando será a outra oportunidade de sentir seu perfurme – Ela dar um sorriso. Ela era mais baixa que ele, mas ficou de frente para ele e pegou seu rosto em forma de concha com as mãos, ela notou que Fiona, Zen e Obi a olhava e encarou os olhos de Naruse.
— Seus olhos são lindos. — E ela solta o rosto de Naruse que sem entender o que aconteceu., dar uma cutucada na barriga dela e ele diz: — Puro músculo definido.
E eles dão gargalhadas. Eles sentam na mesa e Zen fala.
— Eu sei o que ela foi fazer quando saiu da sala.
Todos param de comer.
— Ela foi testar a pulseira. Eu notei que ela olhava bastante.
Todos olharam para ela. Obi:
— Você sabe o quão perigoso seria para você sozinha fazer isso? E se não tivéssemos chegados? E se ele te arrastasse para dentro do banheiro?
— Eu não podia perder a oportunidade.
Zen:
— Oportunidade? Oportunidade de encontrar um cara acéfalo de frente? Sério? Você se ouviu agora? — Ele parecia irritado, todos ali, mas Zen era o mais intenso.
— Fiz isso porque queria provar, deu tudo certo e se não tivesse eu teria um plano b para escapar.
Fiona pergunta:
— Qual?
— Antes morrer lutando do que entrar no banheiro com ele, logico, só não reagir antes porque se eu o atacasse, meus pais seriam notificados. – Uma pausa e prosseguiu. — As pedras avisam a um metro e meio de distância e com isso sairei com Seojun.
Fiona arregala os olhos e fala:
— Então você vai? Mesmo sendo perigoso para uma garota ir sozinha?
— Sim, eu sei que é perigoso. Ele pode se mostrar ser outra pessoa lá, nunca conhecemos as pessoas de verdade – Sehra fala olhando a pulseira e um pouco triste – ele pode me dopar, me sequestrar e sei lá mais o que... – Sehra sente o clima diferente e percebe algo estranho, ela levanta os braços – Eu sinto os olhares de vocês em mim e não quero ninguém me seguindo. Se eu sentir que um dos 3 ou dos 4 – Sehra aponta para fiona também – eu não irei mais treinar. Além do mais, ele não faria nada comigo, eu sinto que posso confiar nele e eu quero honrar o dono do presente.
Zen responde:
— Ter sua amizade é uma honra, então está aí a honra dele.
— Ahh não, será a minha primeira vez num encontro, não posso perder essa outra oportunidade. Parece que tudo estar acontecendo rápido demais e se eu não for, quem será o próximo a me chamar...
Sehra não sabia porque tinha dito aquilo, mas falou. E Fiona fala:
— Fala parecendo que nunca mais será convidada para sair.
Naruse interrompe:
— Qualquer coisa, princesa, posso te convidar agora para saímos.
— Ah não Naruse, você não, você a levaria para um bar. — Disse Fiona, e Naruse riu.
— Tenho certeza que a princesa gostaria de se divertir um pouco pela primeira vez.
Sehra soltou uma gargalhada.
— Esperem aí um instante. – E eles não entendia porque ela estava rindo. – Parece que não fizeram o dever de casa direito. – Eles a encaravam sem entender e Obi perguntou:
— Não me diga!
— Oh eu digo, – Outra gargalhada. – Já fui em um bar no aniversário do meu pai quando eu tinha 15 anos. – E outra gargalhada. – Meus pais foram dançar e bebi os drinks deles, em poucos minutos, meu primeiro porre havia me derrubado. Passei a noite vomitando e meus pais brigando.
Eles não estavam acreditando naquilo. Naruse:
— Como não sabemos disso? Como não nos disseram?
Sehra estava gargalhando, e Obi olhava para ela e depois falou:
— Então quer dizer que nem tudo foi nos ditos.
Naruse falou:
— Então princesa, você não é toda pura e inocente?
Sehra, Zen, Obi e Fiona engasgaram com a comida.
— Não sou o que? – E ela deu outra gargalhada. – Claro que eu sou pura e inocente. – Outra gargalhada. – Eu só estava experimentando.
— Os dois drinks?
— Tudo tem uma primeira vez.
O sinal tocou e Naruse ficou de pe.
— Então o convite está de pé, princesa.
— Ok. – E sorriu para ele. Um sorriso que o fez coçar a nuca. Zen observou o que tinha acabado de acontecer e saiu primeiro em direção a sala e depois os outros. Enquanto Sehra ia na frente, Obi puxou Fiona de lado.
— Porque eles não contaram tudo isso?
— Talvez por ser uma coisa boba.
— Ou na pior das hipóteses, seus poderes estavam enfraquecidos.
E entraram na sala quando veem Zen com uma carta na mão, uma parecida com a da primeira,
— Outra carta ou a mesma? – Perguntou Fiona.
— Outra carta. – Disse Zen com uma voz triste. – Ela não cansa de mandar, já é a quarta.
Sehra ao ouvir aquilo, falou:
— Então porque não dar uma resposta a ela? Pergunte a menina que veio deixar as cartas quem é a remetente. – Zen olhava para Sehra e perguntou:
— Como sabe que não é ela?
— Ora mais, a menina nem batom tinha nos lábios e pelo o que dar para ver – Ela pega a carta de Zen da mão dele e ao fazer isso seus dedos se encosta e ele a esta encarando e seu rosto cora e ela retira a carta da mão dele o mais rápido possível e abaixa o rosto para carta. – que...o batom é de agora, porque se não fosse, na hora que você tocou borrou.
Zen estava olhando cada detalhe do rosto de Sehra, aquele novo visual dela, mexia com ele. Zen estendeu a mão em direção de Sehra e retirou as mechas de cabelos que estava em seu rosto e colocou atras da orelha dela e quando percebeu no que tinha feito na frente de todo mundo retirou a mão muito rápido e disse:
— Tenho toc em relação a cabelo cobrindo os rostos das pessoas. – Disse Zen colocando a mão atras da nuca e esfregando os cabelos. Ele se aproximou de Sehra retirando a carta das mãos dela e se afastou de novo.
Sehra estava da cor de um pimentão e Obi, Naruse e Fiona não estavam acreditando no que tinha acontecido. Naruse caiu na gargalhada batendo nas costas de Zen que olhava para fora da janela.
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