Escrava do destino
9 Encontro trágico
Notas iniciais
— Promete chegar em casa cedo, Sehrafina? – Perguntou a mãe segurando a bolsinha de Sehra.
— Sim mãe, prometo, pela milésima vez só essa semana. – Respondeu Sehra já irritada.
— Tem certeza que não quer que seu pai vá te deixar?
Sehra revirou os olhos se virando de costas para dar mais uma checada no espelho.
— Não mãe, ele até no trabalho está, não precisa pedir para ele sair do trabalho e ir me deixar...- Sehra pega e bolsa e pega as duas mãos da sua mãe. – Vai dar tudo certo, mãe. Até daqui a pouco. – E beija a testa da sua mãe e vai para o encontro com Seojun.
Seria a primeira vez que iria em um encontro. Vestiu um vestido básico, porém apropriado para encontros que realçava seus olhos e cabelos. Havia perguntado a Fiona o que vestiam em um encontro e ela recomendou aquele vestido, ela era a única amiga que tinha, mas ela ainda não havia dito para Fiona ou os outros que os considerava amigos, toda aquela conversa sobre ser escolhida e tal a deixava irritada.
Ela sabia a localização, pois teve bastante tempo para aprender o mapa da cidade no seu cárcere domiciliar privado. Ao avistar Seojun sentado, sorriu e ele sorriu de volta. Ele se levantou e arrastou uma cadeira para ela sentar.
— Você está linda, Sehra.
Ela sorriu e agradeceu. Pediram sorvete de taça. E ela percebeu que estava nervosa demais para levar a colher na boca e reparou que Seojun encarava seu colar no pescoço.
— Lindo, não? Combina com a pulseira.
— Sim. Para que serve?
Ao ouvir aquilo, ela percebeu que não havia perguntado a Zen qual a função do amuleto. Então olhou.
— Não faço a mínima ideia, não perguntei a Zen.
Seojun ao ouvir o nome, encarou Sehra.
—Vocês dois...
Ela rir.
— Oh, não, não. Somos só...amigos. – Ela tenta afastar os pensamentos da noite em que ele colocou aquele colar no pescoço dela.
Seojun a observava, a conversa fluía naturalmente sem forçar nada e não percebem a hora passar.
— Já escureceu, preciso ir para casa ou meus pais nunca mais me deixarão sair de novo.
—Eu sei como é essa vida. Posso te acompanhar até sua casa?
Sehra ao ouvir aquilo, lembrou do seu pai reclamando sobre meninos e possíveis relacionamentos, só de pensar eu ouvir a história toda de novo, já se sentia entediada.
—Não, obrigada Seojun, eu posso ir sozinha e não é tão longe minha casa, se meu pai me vir chegando com você, vai me encher perguntas.
— Tem certeza? Pode ser perigoso para você...
— Bobagem, não se preocupe, eu conheço rotas de chegar em casa mais rápido e seguros.
Eles se despedem e ela segue de volta seu caminho. Não acreditava que tinha dado tudo certo no seu primeiro encontro, parecia um sonho conversar em público com um garoto. Tudo tinha ocorrido do jeito que imaginou e o melhor, ele foi ótimo, a tratando tão bem.
Enquanto caminhava e pensava nas conversas que teve com Seojun, tentando memorizar cada pedacinho, não percebeu que tinha entrando em um caminho mais escuro. Uma das primeiras lições que aprendeu, é estar atenta em becos escuros, qualquer ruido pode ser fatal, desde um assalto até coisas piores, e por mais que treinasse e soubesse alguns golpes, o melhor seria evitar qualquer tipo de problema, mais ainda quando seus pais permitiram sair sozinha por bastante tempo. A pulseira de Sehra que antes era clara como a água agora estava preta como a escuridão.
“- oh, oh, problema!” — Pensou Sehra. Ela andava mais rápida, sua respiração já estava ofegante, não sabia porque estava assim.
“ – Droga! Porque não prestei atenção no caminho.” – A pulseira ainda estava escura quando ela sentiu olhares a frente da saída do beco e silhuetas, quatro pessoas, não sabia se homens ou mulheres, não sabia se sentia aliviada ou desesperada.
Será que havia entrado em um beco de drogas ou de coisa pior? Não sabia, ela se arrependia de não ter trago seu moletom, se arrependia de ter passado tanto tempo conversando e ao se aproximar mais, um deles, um homem, falou:
— Ora, ora vejamos. Uma gatinha perdida ou procura nossos serviços?
Sehra continuou andando e quando tentou passar por eles, um deles agarrou seu braço.
— Para que a pressa, cinderela?
— Solta meu braço agora! – Sehra tentou falar o mais rude e alto possível, se tivesse sorte e alguém tivesse passando por ali, ouviria e viria a sua ajuda.
— Além de bonita, tem a voz sexy.
— Já falei uma vez e não repetirei de novo, solta meu braço agora! – Ela tentava soltar seu braço, mas algo estava errado, porque não conseguia? Ela percebeu que estava em um círculo e o homem ainda segurava seu braço, seu coração estava acelerando, não queria lutar ali, então outro homem segurou com mais força seu outro braço.
— Calma, calma, cinderela. Só queremos conversar com você. – O homem passou sua mão na bochecha de Sehra e eles se aproximaram mais. Sehra respirou três vezes, quando chutou a perna de um dos homens que estavam a sua frente fazendo ele gritar de dor.
— SUA VADIA! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!
Ela tentou se soltar e quando seu braço esquerdo se soltou, o homem que estava por trás chutou sua panturrilha a fazendo gritar de dor, com o braço solto ela deu um soco no outro homem que segurava seu braço, quando sentiu alguém por trás colocando muito rápido o braço envolto do seu pescoço fazendo ficar difícil de respirar. Um soco no seu estomago e um tapa em seu rosto. Ela não entendia porque isso estava acontecendo com ela, ela não entendia porque não estava conseguindo escapar deles, agora tudo estava dando errado.
— Você vai ver o que acontece com gatinhas como você que acham que sabem lutar só porque treinou alguma coisa!
Então Sehra percebe o que estar acontecendo, eles eram lutadores também.
— Lute... comigo sozinha... – Sehra cospe na cara do homem que estava a sua frente – covarde.
Levou outro soco nas costelas que a fez expulsar todo o ar que havia dentro dos seus pulmões e antes de desmaiar, viu uma silhueta de alguém jogando alguém na parede do muro, batendo nos homens e depois pegou ela nos braços quando seus olhos se fecharam contra sua vontade.
Sehra foi abrindo seus olhos, sua cabeça estava zonza, uma dor de cabeça que jamais havia sentido. Ela se sentou na cama e ao notar o local, não sabia onde estava. Era um quarto todo cinza e preto, inclusive os moveis. Não sentia cheiro de nada, não havia nada que podia evidenciar onde estava. Sua cabeça doía, quando se lembrou do que havia acontecido, rapidamente espiou seu corpo para ver os hematomas e não encontrou nada. Estranhou, ela tinha certeza que havia levado socos e chutes, mas porque nada doía? Quando a porta do quarto se abre e entra um rapaz que ela não conhecia. Sua expressão era séria, bonito com cabelos negros como a escuridão, possuía uma única e pequena mecha vermelha na sua franja curta, era alto, mais alto que ela, ele era da altura do Zen, além da pele clara. Ao fechar a porta, sorriu. Um sorriso sedutor.
— Ainda bem que eu estava passando por ali quando ouvi a ameaça contra uma tal “gatinha”.
O sorriso dele era ainda mais fascinante, misterioso e bonito. Algo era familiar, mas não sabia o que.
— Já nos vimos antes? – Sehra o observava da cabeça aos pés.
— Oh não, tenho certeza que me lembraria. Como você está?
A voz também era familiar, porque não se lembra de onde tinha visto ou ouvido ele?
— Com dor de cabeça, cansada e confusa, se você quer a sinceridade, herói.
Ele riu. – Herói?
— Sim. Se não fosse você, sabe se lá o que eles fariam comigo. Foi estranho.
— O que foi estranho?
— Eu treino desde de pequena e mesmo assim, não conseguir me soltar deles.
— Você treina desde de pequena?
O estranho a encarava e percebeu que estava falando demais.
— Aqui é sua casa? – Ela tentou mudar a conversa. Não sentia medo, mas também não confiaria em alguém que nunca viu e mais ainda estando na sua casa.
— Sim, eu não sabia o que fazer com você desmaiada e não sabia se te levaria para o hospital ou delegacia, então te trouxe para cá e decidir quando acordasse.
— Hospital? Delegacia? Não! Fez uma ótima escolha me trazendo para cá! – Ela se levantou ajeitando o vestido e levou sua mão a cabeça, ao rosto. – Meu rosto está muito feio?
O estranho não entendeu a pergunta. – O quê?
— Eu levei uma tapa no rosto. Quero saber se estar roxo? Inchado? Se tem uma mão desenhada no meu rosto. – Sehra falava nervosa, irritada por ter apanhado e quase...ela não conseguia nem terminar a frase.
Ele se aproximou dela analisando seu rosto e ela recuou um passo, ele deu mais outro e se inclinou para ver mais de perto seu rosto. Sehra conseguiu ver a cor dos seus olhos, eram escuros, tão escuros que poderia ver seu reflexo e quando ele se inclinou, sentiu um cheiro peculiar, sedutor. E ela notou uma cicatriz, clara, da sobrancelha até a bochecha que cortava seu olho esquerdo. O que poderia ter feito aquilo?
— Não vejo nada de errado com seu rosto.
E quando ele falou, seu ar que saiu da boca bateu em seu rosto, um hálito fresco e quente. Ela encarava sua boca. Parecia que tudo nele era sedutor, sua voz, seu rosto, seu sorriso, sua boca, e ao pensar nisso ela se afastou em um grande e largo passo para traz, se encostando na cama.
— Sério? Tem certeza que não estar vermelho?
— Tenho, tem um espelho no banheiro se você quiser olhar. – Ele apontou para uma porta cor preta e se dirigiu para lá sentindo o olhar do estranho. Ao se olhar no espelho, não notou nada de errado com seu corpo. Ela se sentiu confusa e tinha certeza que havia levado um tapa na cara forte o suficiente para marcar. Ela levantou o vestido e olhou a sua barriga, suas costelas e não viu nada de anormal. Quando seu celular toca. Uma chamada. Zen. E o estranho bate na porta.
— Está tudo bem aí?
Quando ela ver a hora, o desespero batem no peito. Seus pais. Como havia esquecido disso?
“- Não pode ser. Meus pais vão me matar. Em uma hora dessas já devem ter chamado a polícia.”
Ela olha a chamada e resolve não atender. E sai do banheiro.
— Eu preciso ir agora. Onde estou?
O estranho olhava para ela confusa.
— Meus pais vão me matar, você não entenderia.
Ele diz o nome da rua, não era longe. Se corresse, chegaria mais rápido.
— Eu posso te deixar na sua casa. Eu tenho um carro. – Ele sorrir para ela. Ela não sorriu de volta, estava dando tudo errado.
— Demoraria demais, eu tenho que chegar o mais rápido possível.
— Então vamos no meu carro, confia em mim. Só me diz a sua rua que estaremos lá em minutos.
Ela olha para ele, diz o nome da rua e ele sorri outra vez. Sehra percebe que será um erro, sua expressão estava mais séria ainda.
— Não posso... não vai dar tempo, tem o trânsito. – Ela andava de um lado para o outro. -Você não entende, meus pais vão me matar duas vezes: por chegar tarde e por chegar em um carro com um garoto. – Suas mãos estavam tremendo.
Ele dar uma gargalhada e diz:
— Não posso deixar os pais da garota que eu salvei hoje matar ela. Desculpa pelo que vou fazer agora... – Ele se aproximou dela sorrindo — mas confie em mim.
Sehra não entendeu porque ele pediu desculpas, quando jogou ela no seu ombro esquerdo.
— O QUE VOCÊ ESTAR FAZENDO? ME DESCE AGORA! – Disse Sehra gritando.
Ele dar outra gargalhada e fala:
— Só assim para fazer você entrar no meu carro.
Ela tenta se soltar, mas ele é mais forte do que ele e ela grita de novo:
— ME SOLTA!
Ele a aperta com mais força, mas sem machucar e fala com uma voz sedutora:
— Se continuar se mexendo, seu vestido vai levantar e se gritar mais, os vizinhos vão chamar a polícia.
Ela se cala ao ouvir. O que mais poderia dar de errado se não tudo?
— Muito bem.
Ele caminha com ela e um casal que estava no corredor se encostam na parede para dar espaços para eles passarem e encara os dois passando, quando ela escuta “que fofos”, e cora de vergonha.
— Eu posso ir andando.
— Estou gostando de te carregar assim. – Ele dar outra gargalhada e a aperta só uma vez.
— Eles estão achando que somos algo...intimo.
— Não tem problema para mim, para você tem?
E ele dar outra gargalhada, ela dar uma tapinha nas costas dele, quando ele a desce e abre a porta do carro.
— Vamos?
Ela olha o céu, olha o carro, olha ele e sorrir maliciosamente dizendo:
— Veremos se o carro e o motorista são tão bons quanto ouvir!
Ele ao olhar aquele sorriso, congela. Ela entra no carro e ele ainda está lá com a porta aberta do carro a encarando.
— Se não for dirigir, avisa que eu dou um jeito de chegar voando em casa.
Ele nota o que está acontecendo, rir e fala:
— Bem que meu pai me alertou.
— O que?
Ele trancou a porta do carro e foi. Não disseram uma palavra, quando chegaram na frente da casa dela em questão de minutos. Ela desce do carro correndo e antes de fechar a porta fala:
— Obrigada por me salvar e por vim me deixar em casa voando. – E dar uma piscadela com o olho e antes que ele respondesse, ela correu para a sua casa, ouviu o carro disparar na rua a frente e tudo escuro no interior da sua casa.
— Meu Deus, o que é que estar acontecendo?
Quando ela escuta passos no jardim e Zen aparece.
— Sehra, onde estava? Quem era aquele? – E ele caminha em sua direção com uma expressão séria. – Você não sabe o que eu fiz para tentar te encontrar ou para fazer seus pais dormirem achando que você estava em casa dormindo depois do encontro.
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