Notas iniciais
Hannah

Olá! Não podendo deixar de trazer atualização da Saga dos Mares. As coisas de uma forma ou de outra, sempre tem pego esses Piratas de surpresas. Segredos, perigos e amores que vão nascendo.
Esperamos que gostem desse capítulo e não deixem de comentar.
Boa leitura!

A madeira da escada rangeu à medida que os pés pisavam na nela. Os olhos azuis se acostumaram com a escassez de luz do porão do navio, e ele desviava dos objetos ali guardados. Havia caixas de um lado, barris e móveis velhos Colocados em outro canto. Um grunhido baixo brotou de deus lábios quando encontrou seu objetivo. Mesmo olhando de tão perto, ainda se espantava pela semelhança. Era como olhar no espelho, claro, tinha diferença de roupas, modos, cortes de cabelo, contudo a característica essencial em si era muito parecidas.

Kanon nunca foi um homem muito paciente ou que pensava antes de agir... Ele era alguém de ação, e agora não seria diferente. Criado até os seus 6 anos em um orfanato, desde cedo apreendeu a cuidar-se sozinho e não contar com ninguém. Com sete anos fugiu e viveu nas ruas até os 15 anos, quando foi contratado por um navio pirata... Não foi fácil, mas ganhou experiência e pode conhecer aqueles que se tornaram seus melhores amigos, como irmãos. Não trocaria a vida no mar por nada, mas a chama de descobrir quem era sempre esteve presente... Os motivos de seus pais terem descartado como lixo. E a resposta estava na sua frente. Aquele monge.

— Espero que as suas acomodações estejam confortáveis! — Kanon ditou com escárnio no tom da voz. Ele analisou o outro homem. Os cabelos azuis que desciam em cascata pelas costas e peitoral. Os braços estavam levantados e presos por grilhões. Sentado contra a parede do navio, as suas pernas encontravam dobradas e os seus olhos vendados por um tecido branco – ou era – pois agora era encardido e sujo.

Kanon retirou o casado e em sequência a blusa, deixando seu peitoral definido à mostra. Ele retirou a adaga do cós da calça, e aproximou-se do monge. Sem proferir uma palavra, ele agachou diante do monge e tomou o tecido da túnica de Njörðr. A afiada fada fez seu caminho pelo tecido, cortando.

Saga remexeu tentando se afastar. — O que? Quem é? O que está fazendo? — Saga perguntou em agonia. Ele era ciente que estava nas mãos dos piratas e que seu destino deveria se cruel.

Kanon não disse nada, apenas terminou de fatiar a túnica, a deixando em trapos e partes ainda no corpo do seu igual... Pendurado nos braços. Colocando a adaga na cintura novamente, ele deslizou as pontas dos dedos pelo peitoral. — Para um Monge, tem músculos tonificados. — Disse com a voz rouca. Mesmo que tentasse negar, seu corpo reagiu. Ele sabia que seria narcisismo, pois sentiu-se excitado por alguém que era parecido consigo.

Lambendo os lábios, Kanon passou os dedos até que apertou os seixos marrons, suas unhas curtas rasparam na pele sensível contribuindo para que Saga arqueasse as costas e um gemido vergonhoso deixasse seus lábios.

— É melhor dar as respostas certas, ou o tornarei impuro... E nunca mais poderá exercer seu clérigo... — Kanon disse com as palavras certas, em um tom claramente ameaçador. As unhas – como garras – desceram por caminho aleatório pela pele pálida, deixando vergalhões vermelhos.

O coração de Saga bateu contra suas costelas na honestidade crua na voz do pirata. — Pare com isso! Eu sou um monge, será punido se me tocar. — Ditou apelando para o lado religioso, mas não ciente que isso não funcionaria com o homem do mar.

Kanon deixou o sorriso malicioso escapar. Ele estava adorando ver o desespero na voz daquele homem. Voltou a acariciar a barriga de Saga, em seguida, ele o puxou de volta, segurou o pênis sobre a calça dando um apertão. — Oh... O Santo homem diz que estou pecando, mas alguém aqui parece bem animado. — Disse com prazer. Ele inclinou-se para frente e deixou que seu hábito quente soprasse na orelha de Saga, — Mas é uma vagabunda... Aposto que é um putinho louco para dar o cuzinho... Que quer eu o coma bem gostoso?

Ele passou a língua pelo lóbulo, sugado no final.

Saga remexeu tentando-se afastar, mas sem sucesso. Ele sentia o medo e o horror crescer dentro de si.

Kanon desceu a língua assanhada da orelha ao pescoço do monge, até apossar-se do mamilo já eriçado. Ele mamou como um bebê faminto, arrancando mais e mais gemido de Saga.

— O-Oque... Voc-você quer?

— Uhh! Não sei... Talvez apenas humilhá-lo... Faze-lo se tornar a minha puta. — Kanon disse. Sem cerimônia ele retirou a fenda dos olhos de Saga, permitindo que o monge visualizasse o seu algoz. Saga prendeu a respiração. Ele havia visto aquele homem quando abordaram o grupo de piratas no bordel, mas julgou está tendo alguma alucinação, mas agora com ele tão perto... Percebeu que era real. Via outro igual a si... Como se olhasse no espelho...

— Algum problema putinha? — Kanon provocou.

— O quê? Como é possível? Qual magia vocês piratas estão usando? Como pode parecer tanto comigo? — Saga perguntou em sua confusão.

— Magia? Até onde lembro, nasci com essa cara... Mesmo que não sei qual vadia era minha mãe, as freiras do orfanato não disseram que era uma bruxa? — Disse em seu eterno tom provocador. — Mas, acredito que tem algumas respostas para me dar, pois quero muito saber por que somos iguais. Como gêmeos! — Kanon disse.

Saga olhou para aqueles olhos azuis-escuros e se viu perfeitamente refletido neles. Ao descer o olhar e ver seu estado, as suas bochechas coraram fortemente e ele desviou a face envergonhado.

Kanon deu uma boa gargalhada. Não desistindo, ele inclinou-se para frente e sua língua lambeu de novo o mamilo e tão logo seguiu o caminho para baixo... Traçando os gomos do abdômen definido até chegar a borda da calça;

— Pare com isso! Somos iguais... Podemos até sermos irmãos... Então...

— Irmãos? Uh. Acho estranho, afinal foi criado por bons pais, cercado de riqueza e tudo do bom... E eu jogado em um orfanato e depois me tornando um criminoso. — Kanon disse amargamente.

— Não... É... Que outra resposta teria para explicar o fato de sermos tão iguais? — Saga perguntou.

— Uhh! Eu prefiro ficar com meu toque de narcisismo. — Kanon disse. Se antes queria descobrir a verdade, agora tudo que queria era deixar a sua marca naquele homem como seu.

— Seu.. Maldito! — Saga gritou. Ele se contorceu para se soltar, mas tudo que conseguiu foi piorar sua situação.

Rapidamente Kanon rasgou a calça, e satisfeito ao descobrir que o ‘monge’ não usava peça íntima. — Pergunto-me se é seu rabo é virgem ou já deu para alguém!

Sem esperar pela resposta – com a boca salivando – Kanon inclinou e saboreou o pré-sêmen que borbulhada da fenda do pênis de Saga, o fazendo gritar. Seus lábios deslizaram para cima e para baixo seu comprimento. Sua língua encontrar o ponto mais sensível sob a coroa.

— Não mais. Eu... — Saga mordeu os lábios para evitar que as palavras que tomavam vida própria implorassem por mais. Ele sentiu seu corpo queimar. Sabia que era errado. Devia preferir a morte do que ser tocado por aquele homem, não somente por ele ser um criminoso, mas por que realmente poderia ser seu irmão. Seus pais eram pessoas que se importavam somente com aparências e tradição, e em sua família ter ‘gêmeos’ era sinal de maldição.

Kanon segurou os quadris do outro homem e até que as pernas estivessem ao redor de sua cintura e a bunda apoiada em suas pernas. Sugando a língua, ele fechou a mão em torno do pênis de seu amante.

Saga engasgou quando a boca do pirata cobriu a sua.

Kanon passou as mãos ao longo da forte linha de espinha de Saga, a curva elegante de sua parte inferior das costas, e segurou firme. Músculos flexionaram sob suas mãos enquanto Saga tentava se soltar e afastar dele.

— Acho que o farei meu animal de estimação? Que tal? — Provocou após quebrar o beijo. Mesmo que não admitisse em alta voz, o sabor do ‘seu’ igual era incrível.

Kanon esfregou o seu pênis duro – ainda escondido pela calça – contra a bunda de Saga.

— Seu monstro... Me solte seu nojento...

Kanon sabia que tinha extrapolado as coisas. A sua ideia de render aquele homem como prisioneiro, era descobrir por que a similaridade entre eles, mas agora isso parecia não importar para ele... Tudo que desejava era sentir a bunda apertada dele em volta de seu pênis... Imaginava como seria apertada.

Agarrando as pernas de Saga, puxou os joelhos contra o seu peito, expondo-o totalmente para Saga. — Que visão linda! — As palavras saíram de sua boca. Ele umedeceu dois dedos e os levou para acariciar as pregas daquele local secreto.

O horror pintou a face de Saga. Ele sentiu quebrar-se em pequenos pedaços. Nunca desejou em seu coração ser um monge, mas era, e respeitou as regras... E a pureza estava dentro desse patamar. Ser tocado daquela forma tão íntima por aquele criminoso... Estar prestes a ser estuprado, era como esfaquear sua alma em miséria.

Saga fechou os olhos com força, mas quando voltou abrir, encontrou uma cena que o fez segurar a respiração. O pirata tinha os lábios entreabertos, cílios abaixaram, e o seu olhar estava preso entre as suas pernas. Saga tremeu e sentiu o solavanco quando ousados dedos quebraram a resistência natural de seu corpo, estirou lentamente, um cuidado que não esperou daquele homem áspero.

— O que...?

— Tao quente... Aposto que uma vagabunda deliciosa... — Kanon disse lambendo os lábios.

Saga fechou as mãos em punhos. Ele puxou os braços tentando soltar das amarras. Aquilo era vergonhoso, principalmente a maneira que seu corpo reagia.

Em seu íntimo, clamava por mais. Precisando de mais. Um clímax começou a se reunir baixo em sua barriga, sensação de aperto cada vez mais rigorosa. — Chega... Por favor. Por que está fazendo isso?

Os dedos realmente o deixaram.

Ele chegou abrir a boca para proferir algo, mas as palavras ficaram presas em sua garganta, quando a glande do pênis do pirata roçou em sua entrada. Em agonia, ele tentou puxar para longe, mas Kanon o trouxe de voltar.

Kanon rapidamente moveu-se fazendo com que Saga ficasse sentado em seu colo. — Seja um bom menino, e quem sabe pedirei ao meu capitão para que veja o seu precioso príncipe... Apenas ver, pois ninguém vai retirar Kamus de Milo.

Saga segurou a respiração. Ele sempre manteve um carinho por Kamus, e devido a isso queria salvá-lo. Talvez vê-lo, saber como estava e se queria sair dali, seria um começo... Uma brecha para levar ambos os príncipes dali. Com tal propósito em mente, Saga acenou com a cabeça e escondeu a face contra o ombro daquele homem.

Kanon soltou as mãos do monge dos grilhões, porém ainda deixou as algemas unindo os dois pulsos.

As mãos apoiadas sobre os ombros de Kanon, ele baixou. A cabeça deslizou ao longo de seu vinco. Ele ajustou o ângulo de seus quadris e empurrou para baixo.

Um gemido retumbou sua garganta como a coroa violou a sua entrada, estendendo-lhe amplamente. Saga parou por um momento para recuperar o fôlego, a empurrar para trás o clímax. Seu asco maior era consigo mesmo, pois devia sentir nojo e dor, mas acima de tais sensações ou sentimentos, estava um prazer que crescia rapidamente dentro de si.

— Veja! — Kanon ditou. — Você é tão apertado. Gostoso... A melhor vadia que já tive, e olha que tiver muita. — Disse. Ele segurou a cintura de Saga apertando os dedos e marcando a pele branca.

Ele lentamente puxando Saga para cima e, em seguida, afundou. Um longo e lento arrastar que iluminou todos os nervos de seu corpo.

— Oh que... — Saga grunhiu.

— Mova-se... Cavalgue em mim... — Kanon ordenou. — Maldição...

Envergonhado, Saga girou seus quadris, apertando os músculos internos e moagem contra ele. Um tremor de corpo inteiro balançou Saga. Seus olhos se arregalaram.

— Foda-se!

— Exatamente! — Kanon afirmou, sem se preocupar em esconder o tom presunçoso. Ele repetiu o movimento.

As mãos grandes que haviam se mudado para segurar a bunda de Saga apertando-a.

— Você é mau! — Saga suspirou. Ele passou os braços em volta do pescoço de Kanon.

— Vadia gostosa... Mexe... Isso, bem gostosinho... —Kanon murmurou. Ele ajudou Saga cavalga em sua ereção. Não demorou em que ambos ganhassem um ritmo perfeito e seus gemidos se misturassem.

Rosnado Kanon procurou a boca de Saga para um beijo, algo sem jeito e desesperado. Empurrando-se, guiou os quadris de Saga em contraponto, pegando um ritmo de luxo que roubaram Kanon e todo o sentido racional.

A cada golpe, ele jurou que o pirata empurrou-se ainda mais profundo dentro dele. Prazer embebido seus sentidos, tão intenso e tão potente. Ele apertou ainda mais, prendendo seu pau vazando entre seus corpos, desesperados por atrito.

Kanon sentiu os músculos de Saga desenhar apertados, o peito arfante com cada respiração pesada, a pele coberta de suor.

— Eu nunca... — Saga suspirou contra seus lábios. — Eu... — Ele sinceramente não sabia o que dizer, como descrever o que sentia.

O clímax bateu por Kanon, encharcando seus sentidos em êxtase absoluto. Ele inclinou sua boca asperamente sobre Saga quando o prazer jorrou de seu pênis, enchendo o interior de Saga, como lava quente.

Saga se empurrou para cima, com força. Suas mãos apertaram os ombros do pirata, deixando hematomas. Um gemido feral balançou Saga, ao que ele desceu com tudo sobre o duro mastro de Kanon, e a erupção jorrou de seu pênis. Tiros e mais tiros do líquido branco sujavam ambos os corpos.

Eles continuaram aquela dança frenética, até que mal podia respirar ou se moverem.

Descansando sua testa contra o ombro de Saga, Kanon caiu contra ele, desossado e escorrido. Kanon passou os braços em torno de sua volta para segurá-lo no abraço mais reconfortante.

Ficaram assim por muitos longos momentos.

Até que o pirata se moveu... Ele saiu de dentro do monge e o colocou deitado no chão. Tomou um pedaço da túnica rasgada anteriormente e limpou seu abdômen e depois seu pênis.

Pensou em limpa o outro, mas ao vê-lo tão desolado, respirando afoitas, as bochechas coradas, o peito movendo e seu sêmen sobre seu abdômen e o vazando de sua entrada. Era uma cena linda. A melhor obra de arte.

— Kanon!

— Co-como? — Saga perguntou encarando o seu violentador.

— Meu nome! Grave bem, pois o tatuarei em cada parte de seu corpo como meu... Nada o livrará de mim! — Kanon disse ajeitando as suas roupas. Ele abaixou voltando a prende a algema nos grilhões. — Mas tarde trarei algo para comer! — Kanon não voltou olhar para o outro, apenas virou sobre os pés e seguiu para fora do porão. Mesmo que tivesse se deliciado em saborear aquele homem no fundo de seu coração um peso sobressaia – o que tinha sido um canalha. Aquele homem poderia ser uma peça fundamental para descobrir sua origem, mas Kanon temia descobrir justo isso... Por que acima de tudo tinha uma certeza; há de que havia sido descartado.

Com um humor amargo ele deixou o porão, fechando a porta, e seguiu a procurar de seu capitão. Deixando seu prazer ou ansia da verdade de lado, ainda era um pirata e devia terminar a missão que lhe fora destinada. Ele cumprimentou alguns marujos em seu caminho e olhou para horizonte.

O Sol estava forte e feroz, fazendo a água salgada brilhar em seu esplendor. Havia algumas horas que deixaram o porto de Altroz. O imponente Escorpião Negro quebrava a calmaria do mar, seguindo feroz para sua rota.

Kanon subiu o pequeno lance de escada que o levaria a seu objetivo, e sem que fosse anunciado — abriu a porta da cabine do capitão, somente para encontrar uma cena inusitada. — Ou! — Seus olhos brilharam maliciosos ao encontrar o delicado príncipe sentado no colo de seu amigo e capitão, enquanto tinha a face corada e contorcia. — Posso participar? — Provocou.

— Cale-se ou perderá seu pau! — Milo disse feroz. Rapidamente sua feição mudou quando encarou o príncipe. — Por que não vai comer algo? — Indagou tocando gentilmente o rosto de Kamus.

Kamus abaixou a blusa e saiu do colo de Milo. A vergonha cobria sua face, mas ainda agradecia aos céus por não ter deixando Milo fazer o que queria – transar – por que se fosse, pediria para morrer.

— Ok! Vou ver meu irmão... — Murmurou baixinho e deixou a sala.

Milo esperou Kamus sair da cabine e somente indicou para Kanon aprofundar e sentar na cadeira em frente sua mesa. — Agora me de um motivo muito bom para me interromper!

Kanon suspirou. Ele retirou a pequena bolsa de couro do bolso de sua calça e jogou sobre a mesa. — Aqui esta!

Milo o olhou desconfiado. Ele tomou a bolsa e retirou o seu conteúdo. O pequeno fragmento vermelho enfeitou sua mão. — Uhh! Teve dificuldade?

— Nenhuma! Aposto que a vadia nem percebeu ainda. E convenhamos, já tiver prostituta melhor. — Disse entediado. Realmente não tinha sido nada prazeroso ficar com aquela meretriz, porém não fora diversão e sim trabalho.

— E a do porão é melhor? — Milo provocou enquanto guardava o segundo fragmento da pedra filosofal. Agora faltava somente mais quatro.

Kanon grunhiu levantando. — Se não precisar mais de mim, irei dormir! — Disse seguindo para a porta, mas parou diante da voz de Milo.

— Cuidado Kanon, no final é você que acabará machucado. Não tenho dúvidas que sejam irmãos... E até para você, um pervertido, comer o irmão é demais. — Milo disse sério.

— Sei me cuidar! — Kanon disse acenando e deixando o local sem falar mais nada.

–oo0oo-

Aioria estava sentado perto de seu irmão. Ele o tinha levado até sua cabine, queria conversar com calma, lhe oferecer algo para comer e beber. E saber mais dele, porém era um homem do mar acostumado a ver grandes capitães caírem por traição por confiar demais. Por isso mesmo manteve Aioros com as mãos bem presas, unidas pelo punho, assim ele podia se alimentar sem oferecer muitos riscos, as pernas também estavam bem amarradas evitando qualquer reação do soldado, além disso, estava alerta a cada movimento do mais velho.

O capitão da guarda agora segurava uma caneca e tomava um tanto de água que havia nela. Segurava com as duas mãos já que estava preso. Doía-lhe um pouco ver seu irmão agir daquela forma, mas colocando-se no lugar dele entendia que era o correto, afinal, Aioria teve uma vida mais difícil, era um bandido, não podia negar, e se estivesse no lugar dele não confiaria facilmente.

Depois de beber a água depositou o copo na mesa de madeira e o olhou nos olhos. — Você está tão diferente... Lembro-me quando foi levado de mim... Nunca Ória, nunca perdoei o nosso pai pelo que fez. Foi algo que nunca esqueci... Sonhei tantas vezes com aquela cena de você ser tirado de nós... De mim... Que não saberia lhe dizer quantas. Conte-me o que aconteceu depois, diga-me como veio parar nesse navio?! Como sobreviveu a essa vida... E por que me parece tão “fiel” ao seu capitão?!

Aioria o avaliou e depois levantou andando até um móvel que lembrava um criado mudo, o abriu e retirou de lá uma garrafa de licor de laranja, era um único que gostava, no mais bebia mesmo era Rum, para esquentar no frio e fazer esquecer a solidão, o medo... Ou as lembranças. Virou-se para o irmão e mostrou à garrafa, esta parecia uma jarra em tamanho menor, era de vidro, branca e transparente deixando à vista a cor tão amarela da bebida.

— Lembra-se disso? — Perguntou elevando um pouco a garrafa e sorrindo com seus dentes tão bonitos a mostra. Os olhos de Aioros se arregalaram. Claro que lembrava, quando era mais novo, eram filhos de um comerciante, tinham uma vida confortável, contudo quando o pai começou a gastar tudo que tinha em jogos e apostas, além de beber excessivamente, as coisas ficaram complicadas, e os dois iam ajudar na feira e às vezes tudo que lhes sobrava eram laranjas, e sua mãe fazia um licor que depois vendiam e o pouco que arrecadavam compravam alimento.

— Ória... — Falou o nome dele, mas não sabia bem o que dizer. Aquela bebida lhe levou a um momento difícil, mas feliz. E sentiu o coração aquecer e os olhos queimarem.

O pirata colocou a garrafa na mesa e pegando os copos os serviu. — A mamãe nunca nos deixou provar realmente... Mas hoje podemos! — Ditou sentando e entregando a ele o copo com a bebida. — Bem... Respondendo sua pergunta... Depois que aquele pirata me levou, eu fui obrigado a viver no navio... Fui humilhado, apanhei muitas vezes... Roubei, e menti. Fui vendido... Ai sim as coisas mudaram.

Aioros tinha o coração em pedaços, como podia ser aquilo?! Seu irmão tão pequeno teve de passar tudo aquilo por causa do vicio de seu pai. Lembrava-se claramente de tudo que tinha acontecido. Seu pai vivia devendo por causa do jogo, mas sempre dava um jeito de pagar o débito, até que apostou com um pirata e perdeu, sem ter dinheiro na hora para quitar o débito, acabou entregando Aioria como escravo ao tal bandido. O homem exigia que ele pagasse com o que tivesse de mais valioso, e levou o mais novo dos filhos de seu devedor.

Saiu de suas lembranças quando ouviu um pigarro do irmão chamando sua atenção.

— Desculpe... Pode continuar... — Falou e o mais novo assentiu votando a falar.

— Quando fui vendido, conheci Milo, trabalhava como qualquer outro pirata e lutava pela minha vida, mas o escorpião se tornou meu amigo, protegíamos um ao outro, foi ele que me deu o apelido de “Leão”. Quando o velho capitão do navio deu sinais de loucura, passou a matar em silêncio os outros piratas. Muitos sucumbiram, mas eu e Milo fomos mais espertos... Ou era ele, ou nós. – Aioria deu de ombros como se tudo aquilo fosse algo banal, — Nós não tivemos escolha...

O pirata pegou a garrafa de licor e se serviu de um pouco mais, voltando a falar – Depois da morte do capitão, que não vem ao caso dizer como foi, Milo se tornou o mais jovem pirata da época, outros se juntaram ao longo do nosso caminho, não tínhamos por que ser bons, não recebemos bondade... Mas não éramos tão ruins assim... Só com quem merecia... — Falou sorrindo e virou o copinho de licor de uma vez na boca. — E você Oros... Como chegou a ser soldado?! Conte-me!

Aioros olhou bem para o mais novo, o que tinham feito a ele? Não podia julgá-lo, ele lutou pela vida e qualquer um o faria. Respirou fundo e só então levou o copinho de licor à boca sorvendo o líquido, fechou os olhos sentindo o sabor adocicado e cítrico da bebida. Abriu os olhos e devagar começou a falar.

— Depois que foi levado Ória, o papai foi embora, desapareceu no mundo, e eu fui trabalhar para sustentar a mamãe. Ela ficou muito perturbada e não era fácil cuidar dela, até o dia que quando cheguei, ela já não estava... — Ele travou e dessa vez as lágrimas desceram. Respirou fundo e quando se sentiu controlado, já que há muito não deixava suas emoções se mostrarem, e então continuou. — Ela estava morta... Acho que tomou algo para morrer... Bem, foi difícil, me vi só... Então decidi que iria procurar você... Mas precisava de dinheiro para isso, então eu fui trabalhar para um homem começou a me treinar, até que me tornei um guarda, e tentava achá-lo onde quer que eu fosse, e punir o tal pirata que te levou.

Ambos se olharam e não precisava de palavras, cada qual lamentava o que o outro havia passado. Sentiam que apesar do tempo, nenhum deles havia esquecido o amor e o carinho do outro. Não tiveram uma vida fácil, mas estavam ali agora e podiam ficar juntos dali para frente. Só que um deles teria de abandonar a vida que levava. Mas qual deles o faria?!

Aioros voltou a falar: — Por que sequestraram o príncipe? Por que... — Não pode continuar o que falava já que Aioria levantou a mão num sinal para que ele parasse.

— Não o sequestramos assim... Vou lhe contar! — Ditou o mais jovem explicando. — Estávamos no porto de Loutrec, numa taverna, duas jovens se aproximaram para nos servir, Milo então gostou de um delas, ele sempre preferiu homens, então como ela era menos peituda e tal, ele a quis... E o doutor... O Shaka... Nosso médico, ele levou a outra, mas pagou um dote por ela, era filha do dono da estalagem... — O rapaz começou e foi contando com detalhes que depois descobriram que Kamus era um homem, e ele tentou fugir e quase fora pego por homens negociantes de escravos, o encontro com Lord Shion e o que tinham passado com as Sereias e a atual condição de Kamus, que ninguém sabia explicar.

Aioria estava sem palavras diante de tal história, e assentia a cada palavra. — Então... É desejo do príncipe fica? Eu bem estava desconfiado desse rei. — Ele disse encarando o mais novo. — Ória... Não quero deixá-lo... Pelo que me falou... As coisas não andam corretas, eu já tinha percebido, mas não tinha certeza. Não vou mais estar ao lado desses hipócritas e nem lutar contra você... Prefiro a morte irmão... Deixe-me juntar-se a vocês... Por favor!

O pirata arregalou os olhos sorrindo, seu coração latejou de felicidade e parecei que sairia pela boca.

— Tem certeza Oros? Sabe que se ousar me trair... Eu mesmo o matarei! — Ditou sentindo um amargo depois daquelas palavras. Mas olhando nos verdes do mais velho via serenidade e confiança.

Aioros por sua vez sorriu para o irmão assentindo: — Tenho... Nunca tive tanta certeza de algo na vida, e não vou traí-lo, pelo contrário... Se me der a chance, tentarei provar a cada dia que o meu lugar era aqui, a seu lado.

Aioria concordou.

— Muito bem... Vou falar com Milo, não posso tomar essa decisão sozinho, e a palavra final é dele, mas... Não se preocupe, dará tudo certo. — Disse calmo e confiante abraçando o irmão. Sorriu os servindo de mais licor voltando a conversar sobre o que era viver em um navio, o que era ser um pirata, o mais novo queria ter certeza de que o outro realmente ia querer aquilo.

–oo0oo-

Kamus estava indo falar com Dégel, queria esclarecer com ele suas vontades, dizer que não queria ir embora, mas quando se aproximou da cabine, Shina sorriu para o príncipe.

— Desculpe alteza... Mas seu irmão está dormindo, não se sentia bem!

O de cabelos verdes assentiu e suspirou, iria procurar Mu, quando viu Kanon falando com uns piratas e então lembrou-se de Saga. Iria vê-lo, queria saber como ele estava. Esgueirou-se entre os piratas tentando não chamar a atenção daqueles homens, aproximou-se da entrada do porão e engoliu seco, nunca tinha estado ali, mas desceu assim mesmo entrando naquele ambiente mal cheiroso, e um tanto bagunçado. Não tendo muito tato acabou batendo em algumas coisas. Ouvindo a voz fraca do prisioneiro que se encontrava ali.

— Quem está ai?! Me ajude...

Kamus reconheceu a voz de Saga e se apressou a chegar perto dele, porém seus olhos se arregalaram de ódio e tristeza, o que havia feito a ele? As vestem estavam rasgadas e botou o mínimo que fosse de sangue, sentiu certa preocupação, se aproximando. — Saga...

Ao ouvir a voz do príncipe, o monge sentiu vergonha e nojo de si. — Não me olhe assim Kamus... Vá embora... Saia daqui! Não quero que me veja desse jeito!

O príncipe sentiu por vê-lo daquele jeito, e até entendia o que ele estava sentindo. Mas era óbvio que não o obedeceria. — Não seja tolo Saga, não vou deixá-lo aqui nesse estado! E não precisa dizer nada... Quantas vezes cuidaram de mim?! Agora é minha vez de retribuir! Eu já volto!

Saiu dali irritado. Iria falar com Milo, aquilo era um absurdo. Não podia permitir que aquela situação permanecesse. Subiu a escada pisando duramente se encaminhando a cabine do capitão.

Naquele instante, porém, Aioria acabava de chegar à cabine de Milo. Entrou sem esperar que ele o permitisse, o vendo olhar um mapa. O capitão levantou a cabeça e franziu o cenho, mas não disse nada, esperou ele falar, sabia quando ele queria algo.

— Precisamos conversa... — Aioria ditou. — Aioros quer se juntar a nós... Como pirata! — Viu as sobrancelhas de Milo se erguerem, mas ele manteve-se em silêncio e esperou pelo amigo terminar. — Sei que pode parecer precipitado, mas eu peço uma chance... Confio nele! E estamos precisando de gente desde que perdemos alguns no motim e agora nessa luta na estalagem! — O Leão tinha o olhar firme e aquilo fez Milo suspirar e rir.

— Eu já sabia que viria aqui... Olha Aioria, não posso lhe negar isso! Mas se ele nos trair... Vou matá-lo, sabe disso não!? — O capitão perguntou e olhando nos olhos verdes do amigo que assentiu pesadamente, sim, ele sabia. — Sei... Mas acredito que... — O jovem começou a responder, mas foi interrompido quando a porta da cabine foi aberta com força batendo no canto e um Kamus muito aborrecido entrou por ela chamando a atenção dos dois piratas.

— Como pode permitir aquilo!? Saga não merecia! Quem fez aquela barbaridade com ele Milo!?

O jovem príncipe enfrentava o capitão com certa ira. Aioria arregalou os olhos e prendeu os lábios tentando não rir, nenhum outro teria feito aquilo, entrado daquele jeito, e ainda cobrar o escorpião daquela forma, mas quem estava ali era o príncipe. O pirata olhou para Milo e falou divertido.

— Volto depois!! — Se dirigindo a porta e saindo em seguida.

Milo por sua vez olhou para Kamus com certa frieza e muito autocontrole. — Olhe o tom alteza... Já esqueceu que não está em seu castelinho!? Eu mando aqui! E ele teve o que mereceu! Veio me afrontar, queria levar você daqui, e sabe perfeitamente que eu não vou permitir.

Kamus sentiu a raiva lhe dominar e ao mesmo tempo certa mágoa se instalou em seus olhos verdes.

— Eu não estou em meu castelo?! Como pode dizer isso?! Não entendeu ainda Milo?! Eu não quero ir embora... Eu escolhi o escorpião como lar! Mas pelo que vejo ainda não confia em mim... Me trata com um prisioneiro, um qualquer... Dégel tinha razão... Não passo de uma “puta” para satisfazer seus desejos... Capitão!

Sua vez saira dolorida e aquelas palavras fizeram Milo ficar ainda mais emburrado. Abriu a boca, mas dessa vez o jovem não o deixou falar continuando até concluir oi que queria. — Pois bem, mas mesmo assim... Quero tirar Saga daquele lugar! Ele não merece! É meu amigo, assim como Aioria é seu amigo, não pode condená-lo por querer me salvar... Ele fez o que achou certo, ou não faria isso por seu amigo?

O escorpião sentiu-se desarmar e se aproximou de Kamus que deu um passo atrás. Milo podia ver o olhar do príncipe, e este se mostrava ferido, mas sentia-se aborrecido por ele pensar daquela forma.

— Kamus... Não é minha puta, não entende?! Eu não quero perdê-lo... Não posso... Não saberia continuar. — O olhar do outro continuava duro, machucado e Milo não sabia lidar com aquilo. Sabia sim mandar, impor, mas... Agora, naquele instante sentiu-se perdido. — Vá... Faça o que quiser! Tem minha total autorização!

Kamus saiu dali e foi chamar Mu e Afrodite, contaria com seus amigos para ajudar Saga. Assim, o de cabelos lilases ficou incumbido de ver algo para saga comer e beber, e pedir que Shaka olhasse os ferimentos dele. Já o Tritão, ficou responsável por conseguir vestes para o monge. As chaves dos grilhões estavam penduradas num gancho, preso numa pilastra de madeira.

O príncipe soltou Saga e ali mesmo, com a ajuda de Mu, o limparam, lhe dando um banho. Saga parecia sem ânimo, e envergonhado, mas de deixou ser cuidado. Depois do banho simples, Afrodite o ajudou a vestir uma calça e uma camisa de Mascara da morte. O olhando depois de vestido era o mesmo que ver Kanon, com a diferença de perceberem certa elegância e refinamento em seu jeito de andar e se portar.

O monge foi levado à cozinha e alimentado. Comeu com calma e os olhou com gratidão. Aqueles três jovens haviam se importado condigo sem lhe julgar, ou condenar.

— Obrigado... — Agradeceu baixo voltando a comer a sopa que lhe fora oferecida.

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Longe dali, em Loutrec, o jovem rei Radamanthys mostrava-se cada vez mais cruel, mas frio. Estava esperando para que encontrassem Kamus, tinha planos para o irmãozinho. Tinha mandado prender algumas pessoas que não deram informações sobre o príncipe entre eles: Shion, o deixara no calabouço junto com o rei Hades, seu pai.

E enquanto Radamanthys estava ocupando-se de uns rapazes para lhe divertir em seus aposentos reais, no calabouço Shion que depois de dias encontrava-se mais recuperado das torturas que passou. Olhou para o rei que estava sentado a um canto e se aproximou:

— Majestade... Precisamos sair daqui! Confie em mim!

O rei Hades não soube o que dizer, mas o olhou através da mascara de ferro. — Como vai nos tirar daqui!? — Perguntou e sua voz saíra fraca, baixa e abafada pelo ferro.

O velho levantou, e indo até o rei, tocou suavemente no cadeado que prendia a mascara e ele soltou. Logo com cuidado retirou a mascara e o Hades sentiu um misto de alívio e dor. Seu rosto estrava machucado.

Shion tinha pressa. Quanto mais demorasse, menor seria a possibilidade de escaparem. — Conhece as saídas Majestade?!

Hades o olhou e assentiu: — Sim Shion, conheço algumas saídas... Mas... — Ia perguntar “como sairiam dali”, mas o outro já havia mostrado seus “dons”.

Shion chamou um guarda e quando este se aproximou, tocou em seu ombro e então o homem ficou o olhando, parado, duro como uma pedra. Então ele e o rei seguiram para fora da sela, seguiram passando por outras celas, mas nada diziam, apenas procuravam esconder o máximo. Subiram uma escada de pedra e subiram saindo daquele lugar. Uma vez fora do calabouço, Hades tomou o mesmo caminho que Kamus tomara na noite que fugiu do castelo e assim acabou por passar pelos guardas e alcançar os campos fora do castelo de Loutrec.

Agora foi a vez de Shion, e o Lord levou o rei consigo até perto da cidade, e dali se encaminhou a uma igreja, ao chegar, procurou o clérigo e este já mandou preparar o coche para leva-los para fora dali. Em menos de uma hora Hades estava livre e junto com Shion, seguiam na carruagem para longe de Loutrec.

Quando Radamanthys se dessa conta iria ficar irado, mas por enquanto, os dois estavam temporariamente seguros.

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Longe de Loutrec, um navio com bandeira negra que tremulava ao vento. As águas salgadas estavam agitadas naquela área. Mas ainda assim o capitão dava ordens para seguir a toda velocidade mar adentro. Na proa um homem olhava para frente, vestido elegantemente e com seus fios loiros voando ao vento, era uma imagem bela, se não contrastasse tanto com o navio pirata.

Um outro homem de fios brancos e cumpridos se aproximou do loiro.

— Lord Sigfried... Melhor entrar, corre o risco de cair. — Ditou de um modo sarcástico recebendo do outro um olhar frio.

— Não ache que sou tolo Minos... Não é a primeira vez que estou no mar! E sabe disso...

Minos sorriu de canto, o pirata era um homem frio, rude e cruel. Odiava Milo e seu escorpião, ele lhe rouba a alcunha de pior pirata, de mais temido. E fora apenas por isso que aceita aquela missão... Afinal, encontrar o escorpião e poder destruir tudo e ainda matar seu capitão, era o melhor pagamento de todos.

Ia dizer algo a Sigifried quando o loiro falou apontando: — Olhe! Não acredito, é muita sorte mesmo! — É ele! O escorpião negro!

Aquele anunciou fez um ódio tomar conta do pirata de forma que ele falou, ainda que não estivessem tão perto. — Preparar canhões e atirar! Quero aquele navio no fundo do mar!!

Continua...