Notas iniciais
Boa leitura!

O dia havia começado agitado. Kamus soubera por Mu de sua gravidez, estava em choque ainda. Milo não quis deixá-lo só. O príncipe estava calado, e o silêncio do mais jovem fazia o pirata ficar perturbado, mas preferiu esperar, não que fosse paciente, mas ao menos quando queria respeitar os limites dos outros.


Enquanto o escorpião tomava conta de seu príncipe o fazendo comer, em outro quarto, Dégel entrou zonzo, perturbado, e sentia uma confusão enorme dentro de si.



— Grávido... Não... É loucura! Ele é um homem! — Ditou, mas para si do que para alguém, julgava que estaria só naquele ali, porém então sentiu mãos fortes tocarem seu queixo e o fazerem olhar para cima, era Kárdia e o ferreiro mostrava-se preocupado.



— O que aconteceu?! Alguém o machucou!? O que...



Não terminou de questioná-lo, já que Dégel o empurrou com força para longe de si.



— Não me toque! Você é igual a ele... É irmão dele! Como pode!? Meu irmão é uma criança ainda! — Gritava fora de si, e o homem de cabelos azuis entendeu perfeitamente o que estava acontecendo, se aproximou novamente e mesmo com o outro lutando, ele o trouxe para seu peito e o segurou ali. O deixou espernear, gritar... E chorar, pela primeira vez o príncipe Degel mostrava sua dor, seu medo, e o ferreiro sentiu algo diferente, uma vontade de proteger... Agora ponderava onde estava aquela arrogância dele... Era apenas um jovem reservado e que se mostrava frio para afastar aqueles que julgassem que o magoariam. Não muito diferente de si em alguns pontos.



Kárdia fez Dégel ir pra cama e sentar-se ali. O quarto era simples como o de Milo, havia uma cama, um criado mudo e um banheiro com uma banheira dentro. O ferreiro olhou para o jovem que agora se mostrava mais calmo e falou sério.



— Ei... Príncipe, eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo, contudo pense um pouco, seu irmão está nas mãos do meu irmão e acredite, Milo jamais permitirá que nada aconteça a ele! Sei que pode parecer estranho, mas tenho certeza que os dois devem ter se entendido.



Degel o olhou com frieza. Os seus olhos verdes pareciam atravessar o outro. Sentia uma raiva profunda de si por ter deixado que o mais novo saísse do castelo, mas ao mesmo tempo, estava com ódio de Milo por ele ter usado seu irmão, ter feito dele sua "vadia", e agora, sabe-se lá como, tinha o engravidado.



Levantou da cama e olhou para Kárdia:



— Ele não presta! É igual a todos os outros que já vi! Kamus fugiu para não ter que viver preso a outra pessoa, ao menos não por obrigação, ele acreditava em amor... E seu irmão o sequestrou, o usou como um qualquer... E vem me dizer que isso é cuidar?! Não seja ridículo! Vou levar meu irmão embora, vou cuidar dele... E nunca mais vou deixar que as mãos sujas do escorpião o toque! Esteja certo ferreiro! — Ditou com desprezo, e aquilo deixou Kárdia enfurecido, o mais velho o tinha ajudado por causa da filha, mas agora ele estava ali dizendo coisas que ele não queria ouvir, e que sabia que nem tudo era como ele estava dizendo.



— Escute aqui príncipe, eu o ajudei por conta de um favor! Mas não pense... Não ache que por isso pode dizer o que quiser! Você chama meu irmão de bandido, mas criminoso mesmo são as pessoas como você... Que acham que são melhores que as outras? Que não tem respeito pela vida alheia, que matou minha mulher e quase fez o mesmo com minha filha...?



O ódio era visível nos orbes azuis do mais velho, assim como em sua expressão e em suas palavras. Mas nem isso fez Dégel se encolher. Ou recuar, o de cabelos verdes agora enfrentava o outro.



— Não pode me julgar pelos outros! — O rapaz falou e teve sua resposta.



— Ah não? Mas você faz isso! Não gosta de experimentar o próprio remédio!? — Kárdia perguntou irritado. O seu coração batia rápido, seus pensamentos estavam a mil, mas havia em tudo aquilo certa mágoa, por algum motivo as palavras do mais jovem estava lhe doendo, e não sabia explicar porque, nem mesmo o motivo da opinião dele a seu respeito parecer importante. Aquilo fez despertar algo dentro de si, um sentimento que ele lutava contra desde que o conheceu, mas agora não dava mais para negar.



Degel estreitou os olhos: — Ora seu! Quem pensa que é?! — Perguntou indo para cima de Kárdia, mas o ferreiro segurou seus braços e o puxou para si.



— Você é muito abusado, não!? — Sorriu de canto e passando um braço pela cintura dele e com a outra mão segurou os fios verdes, o trazendo para um beijo. — Hnnn... — Gemeu ao sentir o outro tão junto de si.



A língua perigosa e morna do ferreiro explorava a boca do príncipe, sentia tocar a cavidade, reconhecia e travava uma luta um tanto desigual com o membro mole e úmido do outro.



Dégel tentava sair daqueles braços, mas não conseguia, o outro era mais forte, mas firme. No entanto, não podendo fugir, entregou-se ao beijo. Sentia o corpo amolecer e a cabeça girar, estava beijando um homem e o pior, estava gostando.



Kárdia soltou os lábios de Dégel apenas pela necessidade de respirar. Apesar de ter apartado o beijo, não o soltou, o olhou nos olhos e ditou firme. — Já chega de suas reclamações! De agora em diante Dégel, você vai aprender a me respeitar!



O príncipe arregalou os olhos querendo fugir dele, mas não conseguia se mover, ele tinha uma voz forte que o fazia tremer.



— Não pense que vou virar sua mulhersinha seu imbecil! Mas veja mesmo... Eu sou um príncipe... Acha mesmo que ia me interessar por alguém bruto e sem educação como você?!



Kárdia riu: — Não perguntei se me quer... Eu o quero e isso basta! — Ditou num tom autoritário, não se deixaria ser contestado, estava farto, tinha se segurado muito para não se entregar aqueles sentimentos, mas aquele principezinho tinha conseguido despertar a fera. E podia ser pior que Milo.



— Não se preocupe, vou te ensinar a me obedecer!



Dégel arregalou os olhos: — Como é que é?! Te obedecer?! É você quem me deve obediência seu camponês de uma figa! Não pense que vou fazer o que quer... Está muito, mas muito enganado mesmo! — O príncipe ditou aborrecido e empurrou o outro, conseguindo sair de seus braços.



Kárdia estreitou os olhos e se aproximou de Degel que o enfrentava, o ferreiro era alto, tinha um jeito bruto e à medida que chegava perto do rapaz, percebia que Dégel o enfrentava, ficou firme o olhando.



— Pare com isso seu idiota! Não vou deixar fazer o que quiser comigo! Entendeu?!— Disse frio, mas escondia certo medo. — Eu sou um homem, gosto de mulheres, e não de homens... Não se atreva a me tocar! Está me entendendo!?



Estava sim, Kárdia estava entendendo cada palavra, mas não estava ligando para nenhuma delas. Olhou para Degel, o príncipe não perdia a pose, mas o irmão de Milo também não se abalava com aquilo.



— É o que vamos ver! — Disse com a voz rouca. Mas não teve tempo de fazer nada, ouviu um barulho estranho, gritos dentro da estalagem, então o ferreiro empurrou o príncipe na cama e saiu dali trancando a porta por fora.



Correu e encontrou Kamus saindo de seu quarto correndo e Milo atrás dele. — Kamus volte! — O pirata ditou e o jovem o olhou pálido e aborrecido.



— Não! Quero saber o que está acontecendo, não estou inválido!



Milo sentiu o sangue ferver e então viu quando Shura, Kanon, Mask, Aioria e Shaka colocaram-se como barreira frontal munidos de espadas e armas. Para sua surpresa e de Kárdia, Shina estava entre eles, vestida de menino claro, mas o ferreiro reconheceu a filha e logo se colocou ao lado dela.



— O que faz aqui mocinha?!



Ela o olhou e sua expressão era de descrença. A mola revirou os olhos e ditou abusada. — O que todos estão fazendo oras! Defendendo meu tio! Isso sim que é vida e não aquela chatice que vivíamos!



Kárdia pensou em revidar, mas não conseguiu, tinha que admitir que ela tinha um pouco de razão, mas tinha feito aquilo por ela, e faria de novo e nem era tão ruim... Aquela vida sim era perigosa.



— Apenas tenha cuidado! — Pediu a vendo assentir e assim havia agora uma “muralha” para proteção do capitão do escorpião negro.



Milo não teve tempo de segurar Kamus que tentou passar pelos piratas, mas dessa vez a barreira foi firme. Os piratas não estavam dispostos a deixar nada acontecer. Afrodite e Mu estavam mais atrás. Logo viram os soldados e Milo estreitou os olhos em fúria. Pegou sua espada e se colocou pronto a manejá-la. Estavam na parte interna onde ficava o quarto, no salão, outros piratas lutavam, e alguns fugiam.



A bagunça era geral, sangue, quebra, quebra e até saques. Os soldados, porém, não estavam levando muita sorte, a maioria foi “abatida”. E ali de frente para os piratas do escorpião negro, começaram a atacar, Shura foi o primeiro a partir para cima, brandiu sua espada contra um soldado e logo os outros reagiram, agora iria vingar-se por tudo que lhe fizeram. Movia com destreza a espada e o outro apenas se defendia, o moreno não dava ao soldado a chance de se defender.



Outro soldado moveu sua lâmina contra Aioria, mas Shina foi mais rápida segurando a espada dele com a sua, e em seguida chutou o estômago do soldado, o fazendo ir pra trás. O pirata a olhou e sorriu de canto, em seguida, defendeu-se de outro soldado.



Mask foi ferido por um soldado, já que lutava com dois ao mesmo tempo, mas com sua uma espada esguia, com uma lâmina relativamente longa e fina, era ideal para perfurar o inimigo, era preciso saber usá-la e o de cabelos azuis era mestre nisso. Ele a empunhou e sangrou o soldado que fora pego de surpresa quando ela o atravessou. Logo ela foi puxada e com agilidade encontrou o corpo de outro.



Kanon estava furioso com aquilo, e quando partiram pra cima dele, cego pela raiva o pirata se precipitou contra o soldado que arregalou os olhos:



— Mestre Saga?!



Aquilo fez o pirata parar, e estreitar os olhos, de quem ele falava?! Kamus também o confundira com esse homem, brandiu sua espada e foi encurralando o jovem soldado. — Quem é Saga!? E por que acha que sou ele?!



O jovem estremeceu: — Não me mate... Saga é um padre... Ele é muito parecido com você, se tirar aquela batina, não saberemos qual dos dois é ele!



Kanon não gostou nada daquilo: — Onde ele está?! E por que eu deveria poupá-lo!? Veio aqui me matar! — Disse encostando a lâmina no pescoço do rapaz que se desesperou, debateu-se e deu uma joelhada no meio das pernas do pirata e o empurrou, mas nesse momento, Shaka com sua katar, uma espécie de adaga composta de lâminas e um bracelete, para que possa formar uma extensão do braço. Ela servia para executar uma pessoa com muita velocidade, precisão e silêncio. O médico a passou pelo pescoço do outro que caiu sem vida a seus pés.



— Obrigado doutor...



Kanon agradeceu e levantou entrando luta novamente. Milo levou Kamus para o quarto e voltou para lutar. Ao lado irmão, ambos usavam suas espadas, pareciam treinados, ou nascidos para aquilo, era incrível a sincronicidade de movimentos, o manejo da espada e como matavam rápido. Pararam quando perceberam todos mortos, não estavam ilesos, no entanto.



Milo ia mandar tirar os corpos dali, quando a porta tornou a se abrir e eles se colocaram em alerta. E viram mais guardas entrar, porém eram poucos, no entanto uma voz soou ente eles: — Não queremos mais mortes... Vim apenas para buscar o príncipe e levá-lo de volta.



Não tinham visto quem lhes falara, e Milo questionou colocando-se a frente de seus homens. — E quem me garante que não quer lutar?! Não...Kamus não vai a lugar algum!



Uma noz firme tornou a soar: — Então admite que está com ele... Capitão... Solte-o ou serei obrigado a enfrentá-lo eu mesmo.



A risada sarcástica de Milo preencheu o ambiente, ela era fria, cruel e ao mesmo tempo divertida.



— Estás julgando eu tenho medo!? Apareça, seja homem para me desafiar e mostrar o rosto do homem que vou matar por isso!



Após as palavras do capitão, um silêncio tenso se seguiu, e logo ecoaram passos pelo piso de madeira e um soldado apareceu, se mostrando: — Me Chamo Aioros e vim resgatar o príncipe!



Ao ver o homem. Aioria ficou sem chão, mas ficou em dúvidas, talvez fosse alguém aparecido apenas, sentia o coração bater forte, e tinha empalidecido um pouco, os olhos estavam ardendo de uma emoção que há muito não sentia, achava que ele tivesse morrido ou o abandonado. Mas ao ouvir ele se identificar, sentiu um misto de alegria e medo, ele tinha desafiado Milo, e agora que ele estava i não queria perdê-lo. Tinha que fazer algo e então arriscou, nem sabia se El se lembraria de si ou se o consideraria um estranho.



— Oros?! E você mesmo irmão?!



A atenção voltou-se para ele e o chefe da guarda abriu a boca sem palavras. Soltou a espada simplesmente e o olhou, o viu sair do meio dos outros, os cabelos crescidos lhe dando uma aparência de Leão, o deixando um tanto selvagem. — Aioria... Eu achei que tinha morrido nas mãos daquele velho! Ah meu irmão... Como o procurei, senti sua falta!



O braço direito de Milo correu ao encontro do outro. Aioria era mais novo que Aioros, haviam se separado quando o pirata ainda era criança. Aioros passou pelos soldados e abraçou o irmão que havia ido a seu encontro.



Milo suspirou, não poderia atacar aquele homem agora, a não ser que ele atacasse seu amigo.



O coração do mais velho agora estava dividido, o procurara tantas vezes e agora o tinha, mas ele era um bandido, um assassino... E ele junto com os outros ajudara o escorpião a sequestrar o príncipe Kamus, no entanto, o carinho que o outro demonstrara, o amor e a saudade falavam mais alto. O que fazer?!



Foi quando ouviram mais uma voz, mas essa era de uma força, autoritária e ao mesmo tempo serena.



— Não queremos mais lutas... Aioros... Não precisamos mais ver esse derramamento de sangue... Não era isso que eu planejava... Eu só quero levar Kamus em segurança! — Disse e saindo do meio dos ouros, fez todos os piratas abrirem a boca em espanto. O homem alto, de belos cabelos e olhos azuis, vestindo uma túnica negra se apresentaram.



— Sou Saga...



Kanon encostou-se perplexo a parede, então ele era realmente uma cópia sua, seria bruxaria?! Ah mais alguém ia ter que lhe explicar. Aproximou-se de Milo e murmurou baixinho.



— Pegue ele, Milo! Mas por favor... Não o mate! Deixe-me falar com ele depois... E eu mesmo dou cabo desse cretino!



Milo olhou sério. As coisas estavam complicando demais ultimamente. Tinha a busca dos fragmentos da pedra filosofal, seu irmão e sobrinha que juntariam a eles, trazendo o outro príncipe, Kamus grávido e agora... Aioria reencontrou irmão que sempre achou que estava morto, e Kanon uma cópia viva dele. Esperava que não viesse mais nenhuma surpresa.



Ele esfregou a têmporas e suspirou fundo. — Ok! Prenda os soldados vivos no porão do bordel! Os demais recolham suas coisas e voltem ao Escorpião. Iremos partir em uma hora. Aioria! Shaka! Leve os dois pomposos para o navio... Os amarrem mãos e pernas... E nus. Se eles causarem problemas, vocês que serão castigados. — Disse feroz, não deixando margem para discussão.



— Sim capitão! — Todos os marujos gritaram, e rapidamente começaram a cumprir as ordens de seu líder.



— Quem acha que somos? — Saga grunhiu. Ele retirou a espada da bainha, mas antes que fizesse qualquer movimento, alguém bateu com um objeto pesado em sua cabeça, o fazendo desabar no chão desacordado.



— O que foi? — Shina perguntou dando os ombros. A menina tinha quebrado uma garrafa de rum na cabeça do monge.



Kanon olhou perigosamente para ele, mas não disse nada. Ele tomou aquele homem tão similar a si do chão, e o jogou em seu ombro como um saco de batata, e saiu do bordel rumo ao Negreiro. Aquilo tudo era estranho, mas eles como piratas já tinham visto tudo nessa vida, e não poderia duvidar de mais nada. Descobriria quem era aquele ‘monge’ e por que eles eram tão iguais.



Aioria tocou a mão de seu irmão e deu um sorriso amarelo. Ele e Aioros tinham muito a conversar, apenas torcia para que seu irmão ainda o amasse e não o desprezasse por ter se tornado um pirata. — Eu preciso!



— Não vou resistir... Quero conversar contigo. Eu ainda não posso acreditar que está vivo! — Aioros disse. Ele parecia ainda pasmo pela novidade. — Sou um general da marinha do rei e vim para resgatar o príncipe... Pelo visto, dois... — Disse olhando ao ponto de ver Dégel e Kamus desceram as escadas do Bordel.



— Nem tudo é como parece, e nem todos precisam se salvos. — Aioria disse. Ele puxou seu irmão pela mão, a fim de levá-lo para o Escorpião e claro, coloca-lo preso segunda as ordens de Milo.



— Aquele era... — Dégel começou a dizer, mas parou.



— Sim! Saga e Aioros. Sabia que não estava doido. Kanon e Oria parecem muito com eles. Será que são irmãos? — Kamus disse. Depois de tudo que tinha visto de surreal quando iniciou sua vida no navio, não duvidava. Mentiras, intrigas e segredos sempre existiam, principalmente em famílias nobres. Ainda queria descobrir exatamente por que ele, sendo homem, estava gravido.



— Iremos partir em breve. Por que não toma um banho e veste algo confortável? — Milo ditou puxando o príncipe menor pela cintura e unindo os seus corpos.



Dégel fechou a expressão. — Tire as suas mãos dele! — Gritou. Ele ainda fugiria com o seu irmão. Não deixaria aquele imundo continuar o tocando.



Milo olhou duramente para o príncipe mais velho. Não disse nada, apenas desviou o rosto para seu próprio irmão, mandando uma mensagem, que foi rapidamente captada. Kárdia aproximou-se e arrastou um Dégel nervoso para longe, em sentido ao Escorpião.



— Não trate meu irmão assim! — Kamus disse fazendo beicinho. Ele olhou furiosamente para Milo.



O Capitão ignorou sua reclamação e embrenhou a face na curva do pescoço do príncipe. Ele suspirou o perfume divino de Kamus. — Tem um cheiro tão bom!



Kamus tentou empurrar o outro pelo peitoral forte, mas Milo era de longe mais forte, e o príncipe não teve chance em sair de seus braços. — Milo!



— Não machucarei o seu precioso irmão, apenas quero que ele aprenda seu lugar. Ele não manda aqui, e tem que apreender a ter respeito. Antes de ser irmão dele, você é meu amante... E o toco quando quiser! — Disse encarando Kamus. — Me fiz entender?



Kamus acenou com a cabeça. Seus olhos verdes ficaram presos no sensual e viril olhar do pirata. Milo tinha uma forma de seduzi-lo, de torná-lo fraco a seus encantos.



— Ótimo! Agora vamos voltar ao quarto. O ajudarei com o banho, não podemos demorar. — Disse. Ele pegou Kamus nos braços, como uma donzela sendo carregada por seu marido.



Kamus soltou grito de surpresa, e seus braços rodearam o pescoço do Capitão. — Eu sei andar Milo! Me solta. — Gritou, mas quando viu que com isso apenas chamava atenção. Ele escondeu o rosto contra o peito de Milo e deixou se levado.



Quando Milo chegou em frente a porta do quarto que estavam hospedados naquele local degradante, ele chutou, abrindo com tudo e fechou igualmente com os pés. Ele depositou um corado Kamus sentando na cama e ajoelhou entre as pernas dele.



Suas mãos moveram, primeiramente retirou as botas do príncipe, massageando os seus pés. — Estão um pouco inchados. Ficará de repouso na cama a partir de agora.



— Milo, estou grávido e não doente. Não ficarei deitado o dia inteiro. Shaka falou que é normal! — Kamus resmungou. Quando viu Milo seguir para abrir sua calça, ele endireitou a coluna e segurou os pulsos do pirata. — Não! Eu vou tomar banho ‘sozinho’ para que possamos zarpa.



— Deixe que cuide de você! — Milo disse. Ele inclinou-se para frente e escovou a mandíbula e bochechas de Kamus, suavemente com seus lábios.



Kamus acabou relaxando e permitindo que o outro o tocasse. Saboreando a pele sedosa, desde a face, pescoço e ombros, Milo continuou a retirar cada peça de roupa do príncipe. Quando deixou Kamus inteiramente nu, ele acariciou com a calejada mão o ventre ainda liso. Ele não podia acreditar que seu filho estava ali



— Milo... — Kamus o chamou.



— Sim, belo! — Disse. O Milo dentro do quarto era diferente de fora dele, ali, aparentava ser mais gentil e carinhoso.



— Por que posso engravidar? Eu sou um homem, e os mesmos não fazem. Sou alguma aberração? — Perguntou confuso.



Milo o encarou. Embalou a face de Kamus com sua grande mão. — Eu não tenho a resposta exata, mas nunca diga que é uma aberração, ouviu bem!? Eu acho que tem haver com sua mãe. Pelo o que Shion me disse uma vez e a própria feiticeira... Sua mãe não era totalmente humana.



— Será? Por isso tenho esses poderes estranhos?



— Eu acho que sim! Aquele tal Saga é um monge, eles estudam sobre isso... Talvez ele possa ajudar. Quem sabe o deixe vivo. — Milo disse. — Agora chega de falar sobre isso. — Milo disse. Ele começou a distribuir beijos pelo pescoço de Kamus, marcando a pele alva e seguiu descendo pelos ombros, peitoral, ventre até que deu uma mordida na coxa.



— Ahh... Pare, vai me deixar marcado. — Kamus resmungou, mas não podia negar que aquele homem tinha imenso efeito sobre si.



Milo agarrou os quadris de um relaxado Kamus. O príncipe gemeu quando o pirata rodou sua língua ao redor do pênis antes de pressionar a ponta na fenda na cabeça de queimado de seu eixo.



Os olhos de Kamus reviraram quando Milo deslizou sua mão em torno de esfregar o dedo sobre a entrada enrugada. O príncipe apertou de volta, tentando fazer Milo acariciar mais a sua abertura.



— Você quer? — Milo perguntou.



Ainda que corado, Kamus admitiu com um mover da cabeça.



Milo sorriu para um Kamus amuado, que gemeu quando o pirata lentamente acariciou, o chupando e quase o levando ao clímax. Milo endireitou-se e, lançou um olhar por cima do ombro, e puxou o príncipe pela mão.



— Banho!



— Não! Você começou... — Kamus disse choroso. Não era justo Milo brincar com sua sanidade.



— No navio! — Milo disse com sorriso. Ele levou o príncipe ao banheiro, e eles realmente tiveram um banho cheio de pequenos toques e beijos, mas não foram mais além. Levaram pouco mais de meia hora, e finalmente saíram prontos e arrumados do quarto.



Milo levava o príncipe segurando uma das mãos e ambos desceram o lance de escada. Shaka acertou o termo monetário com o dono do bordel, e Mask terminara de aprisionar os soldados sobreviventes. A ordem era para que os soltassem no dia seguinte, assim, o Escorpião já estaria bem longe dali.



— Tudo pronto Capitão! — Um dos piratas disse. Ele abaixou o olhar ao chão, nunca encarando Milo ou Kamus, era sinal de respeito e igualmente medo.



— Vamos embora desse lugar! — Disse. Milo saiu do bordel puxando Kamus.



O príncipe protegeu os olhos com a mão. Suas vistas arderam. Realmente estava um dia lindo, tão diferente da tempestade que enfrentaram antes de chegar ali. Ele olhou tudo ao redor enquanto deixava-se ser levado por Milo. Reparou nas crianças maltrapilhas que corriam brincando, nos homens das piores espécies fazendo seus negócios, e até mesmo alguns fazendo sexo com cortesãs a céu aberto.



Milo ajudou Kamus subir no negreiro. O puxou pela cintura e tomou seus lábios em um beijo afoito, que deixou o príncipe com as pernas moles. — Tenho assuntos a resolver. Se comporte! — Disse liberando um atônico Kamus. — Em seus lugares vagabundos. Eu quero esse navio em alto-mar antes do meio-dia. — Milo gritou para sua tripulação, e rapidamente todos se colocaram a trabalhar.



Kamus suspirou. Ele moveu seus pés e seguiu para a parte inferior do navio. Queria encontrar o seu irmão. Sabia que Dégel estava preocupado consigo, e certamente tinha planos de fuga. Queria esclarecer as coisas. Fazê-lo entende que seu lugar agora era ali. E outra, estava com fome... Queria algo para comer, mas precisamente os pães maravilhosos que somente Mu sabia fazer.



Continua...