Notas iniciais
Em pedido pela pequena demora, um capítulo grandão para você se deliciarem... E várias surpresinhas. Estávamos escrevendo em um ritmo mais lento, conforme a correria do dia-a-dia e os empecilhos permitem... Mas tenham certeza que jamais desistiremos da fics.
Boa leitura... E ótimo dia

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As tenebrosas nuvens sumiram como ladrão em fuga, e o mar voltaram a sua quietude sublime. Quem olhasse, jamais diria que uma horrenda tempestade o assolara, visto o céu claro e o sol brilhante que agora se via ali. Ancorado na encosta da ilha de Sirena, nas terras de Led, o negreiro navio mostrava as marcas da fúria do mar.


A tripulação que tanto pelejara em alto mar, não teria o descanso merecido, pois continuavam a trabalhar a todo vapor. Alguns iam à floresta que cercava a orla marítima para consegui madeiras para o reparo, e outros tiravam os destroços do que não poderia ser salvo, outros consertavam as velas e ainda tinha os que tinham a missão de conseguirem na floresta água portável e alimentos para a viagem que seguiriam, logo que fossem capazes de voltar ao mar.


Enquanto os marujos trabalhavam sem parar, os seus lideres faziam uma reunião na sala do capitão ou quase todos, visto que Mask não se achava presente.


— Essa passou muito perto! Achei que iríamos morrer! — Aioria disse com seu jeito exagerado. Ele estava sentado ao lado de Shura no velho sofá, enquanto Milo estava em sua poltrona, Shaka atrás de si e Kanon encostado na parede.


— A vida no mar nunca foi fácil, então parem de reclamar. — Milo ditou denunciando seu mal-humor. — Agora vamos direto ao ponto! Não quero ficar mais do que o necessário nessa ilha, assim temos que decidir quem vai e quem fica.


— Acredito que ficarei, existem alguns feridos que precisam de cuidados. — Shaka disse. Ele tinha os olhos fechados e em momento algum fez questão de abrir.


Milo suspirou. — Precisaremos da ajuda de Afrodite, ao que tudo indica, ele conhece a ilha e obviamente Mask irá junto. Aioria e Shura virão, e Kanon você fica... E garanta que aqueles outros dois não saiam daqui. — Disse firme sem dar margens para ser contestado.


— Por que tenho que ficar como babá? – Kanon resmungou desgostoso. Não queria perder a diversão para ficar cuidando daqueles pequenos encrenqueiros. — Se sabe que eles irão atrás de vocês, por que não levar logo? Ao menos nos poupa do trabalho.


— Está querendo ter sua garganta cortada ao me desobedecer? Não estou pedindo sua opinião, estou dando uma ordem. — Milo disse com olhar perigoso. Ele estava em uma fúria bestial e louco era quem o enfrentasse.


Mas Kanon era um louco sem medo de morrer e enfrentava quem quer fosse sem temer. — Convenhamos, sabe que digo a verdade... Seu ‘esposinho’ dará um jeito de fugir e ir atrás.


Milo levantou com tudo. Ele se moveu tão rápido que em um piscar de olhos encontrava-se frente à Kanon e com a espada pressionada contra a garganta do outro pirata.


— Capitão! — Aioria foi o único que se atreveu a se aproximar. Amigo de longa data era o que melhor conhecia Milo. — Por favor, acalme-se! Sabe que Kanon é um filho da puta de boca suja... Mas infelizmente ele tem razão, é melhor levar o príncipe. Sabe que ficará preocupado com ele aqui, se o seguiu ou não, e acabará colocando todos em risco.


— Ele tem um ponto! — Shaka disse sem mover-se de onde se encontrava.


Milo fechou os olhos e suspirou profundamente. Vagarosamente afastou a espada do pescoço do amigo e saiu de perto de todos. Ele andou alguns instantes sem rumo e em silêncio. Sua mente processava tudo. — Tudo bem! Vocês tem um ponto! Afrodite e Kamus irão conosco. Kanon e Shaka ficam. Assim como Mu! Apressem o concerto, consigam suprimentos e cuidem dos feridos, quando voltarmos quero dar o fora desse lugar. — Disse seriamente. Sem esperar por resposta ele saiu em passos firmes.


Os marujos saíam de seu caminho com visível medo. Ninguém era louco de ficar no caminho dele. O belo homem de pele bronzeada e cabelos azuis como o mar seguiu para a parte inferior do navio, justo para sua cabine, e sem cuidado abriu a porta com tudo.


Seus olhos estreitaram quando caiu sobre a figura sobre a cama.


— Antes que comece, tente entender... Eu... Eu não podia ficar aqui e esperar! Eu... — O príncipe disse aflito antes que o pirata falasse algo. Era visível a angústia e o medo de Kamus. Mas Milo não se aproximou mais, apenas manteve-se calado. — Diga algo! Vai me castigar? Então faça logo! — Kamus disse.


Milo apertou a mandíbula. — Não irei castiga-lo! Não serve tal esforço. Castigos foram feitos para o propósito de ensinar obediência, e isso você jamais terá. O fato não é a sua preocupação ou vontade de ajudar, é o ponto de que minha palavra não serve de nada para você. Arrume-se, partiremos em meia hora.


— Como? — Kamus realmente não entendeu.


— Já que vai nos seguir se o deixar aqui, estou levando-o conosco na expedição para pegar o fragmento da pedra. Vista algo leve, está calor, mas carregue água e comida. — Dito isso, o Capitão saiu batendo a porta da cabine.


O príncipe sentou na cama com o rosto em choque. Não demorou dois segundos para que Mu entrasse no quarto. — Tudo bem? Ele te feriu? — Havia preocupação na voz do mesmo. Ele aproximou-se do amigo e sentou ao seu lado tomando suas mãos.


— Não! — Kamus disse sem reagir ao toque do amigo. Seus olhos estavam desfocados e encaravam um ponto sem realmente vê-lo.


— Ele falou que vai castigá-lo? — Mu insistiu.


— Não!


— Kamus reaja! Está me assustando! — Disse puxando o rosto do príncipe, e sentiu um aperto no coração ao ver os olhos úmidos. — O que foi?


— Eu o decepcionei! Ele não vai me castiga por que está magoado comigo. Para ele, eu não o respeito e não o quero bem. — Kamus disse sem conter as lágrimas. — Ele vai se desfazer de mim! Eu sei que vai!


— E não era isso que queria? Se livrar desse navio? — Mu indagou. Não queria torturar o príncipe, mas queria que ele visse o óbvio, que ele e o capitão se amavam.


— Não sei... Eu estou tão confuso! Não sei mais o que quero! — Kamus deitou na cama com a cabeça no colo do amigo. Ele encolheu e deixou as lágrimas banharam sua face enquanto soluçava. A dor cortava seu coração. Tudo apenas parecia tão errado e estranho para ele.


— Não tire conclusões antes do tempo! Minha mãezinha sempre dizia... Relacionamentos não são fáceis... Ainda mais com duas pessoas tão diferentes. Precisa primeiro descobrir o que sente pelo Capitão, e então saberá o que fazer para concerta isso! — Disse Mu com sabedoria.


Kamus respirou fundo, tentando conter as lágrimas, mas era inútil. — Eu queria... Queria ser livre, e por isso fugi do castelo, mas acabei aqui... Então queria ser livre e fugir daqui, porém a possibilidade dele me dispensar... Dói!


— Sabe o que acho? Que você o ama! Sim! O jovem e belo príncipe que nasceu em berço de ouro e teve as melhores educações, apaixonou-se por um vil e cruel pirata. — Mu disse.


O príncipe se sentou na cama e encarou incrédulo o amigo. — Não diga besteira! Eu me apaixonar por aquele... Aquele asqueroso, porco e lindo... Será? — Olhou para o amigo esperando pelas respostas de suas dúvidas.


— Só você pode dizer!


Kamus enxugou as lágrimas. — Tenho que me arrumar, ele decidiu me levar na expedição! Tenho que ficar pronto antes que ele se irrite mais. Me ajuda? Preciso de água, alimento e uma roupa confortável, mas que me proteja dos espinhos e matos.


— Claro! Com prazer!


Assim os dois foram preparar o que julgaram necessário para aquela expedição, o que ajudou o príncipe a se acalmar um pouco.


-oo0oo-

Eles ficaram se encarando por indeterminado tempo sem nada proferir. Suas respirações ficaram pesadas e seus corações batiam de maneira totalmente nova para ambos.


— Eu...


Mask apertou a mandíbula. — Existe algo que queria que soubesse!


— O quê? — Dite tombou a cabeça para o lado encarando no pirata. Um misto de medo se apossou em si. Em toda sua vida de escravo, o que ele mais desejou foi ser livre, mas de alguma forma seu coração queria se prender aquele homem. Mas em que fora Mask diferente dos seu sequestrador? O dono dos escravos!


Mask respirou fundo. Não era fácil para si. Havia aprendido a ser duro e imparcial, escondendo seus medos ou passado no mais profundo de seu coração, onde ninguém poderia tocar.


— Eu nasci no pequeno país de Garth... Meus pais eram simples, mas trabalhadores e tínhamos um negocio de família que passou de geração a geração. Éramos conhecidos como mãos mágicas, pois as comidas que fazíamos eram como um manja dos deuses. — Ele começou a contar.


Afrodite se ajeitou na cama na qual se encontrava sentando, ansioso para ouvir a história de vida daquele homem. Tentou imaginar ele trabalhando em um restaurante familiar, com musica alegre, e foi algo agradável.


— Era eu, papa mama e mais dois irmãos. Tinha o desejo de passar o resto da minha vida ali, casar e ter meus filhos.


— Parece bom, mas como você virou pirata? — Afrodite indagou.


Uma sombra negra tomou a face do pirata. — Eu conheci uma bela ragaza e me apaixonei. Estávamos tão loucos um pelo outro, e em poucos meses noivamos e casamos. Tal foi à felicidade quando em um ano de casados tivemos nosso primeiro filho. A felicidade não poderia ficar maior... Ou mais perfeita...


Afrodite podia ver a dor nos olhos do pirata, e o jovem temia ouvir toda a história, pois de alguma forma sabia que seria trágica. Não havia chance daquele homem que amava tanto sua família ter a deixando para se arriscar no mar.


— Eu... Acho que...


— Foi quando tudo mudou! Em uma noite o vilarejo que vivia foi invadido, entre gritos, lutas e fogos... Os aldeões lutaram por suas vidas e famílias... — Mask fechou os olhos para esconder toda sua dor. — Um cozinheiro que lutou... Mas de nada adiantou... Nosso lar foi invadido por aqueles vermes asquerosos... Eu lutei, meus irmãos o fizeram... Escondemos as crianças e mulheres no porão... Mas...


— O que aconteceu?


— Não sei! Eu fui atingido por uma viga que caiu enquanto a casa pegava fogo, quando acordei no outro dia, tudo tinha acabado. Havia fumaça, sangue e corpos... E toda a minha família estava morta. Minha esposa, meu filho, irmãos e pais... Não sobrou ninguém.

— Isso é tão triste! — Afrodite disse com as lágrimas debulhando de seus olhos. Ele se aproximou do outro e aninhou-se contra seu corpo. — E se juntou aos piratas?


— Não logo! Eu procurei minha vingança... Me tornei duro e sombrio, roubei e virei assassino para entrar no mundo do crime e encontrar o culpado.


— Quem foi?


— Um pirata conhecido como Roneron!


— E...


— Levou três anos, mas o encontrei... Matei um por um de sua tripulação, o deixando por último. — Disse como se lembrasse do ocorrido. — E quando cheguei nele, arranquei a pele de seu rosto com ele vivo... Cortei lentamente cada parte de seu corpo garantindo que ele sofresse muito. Não sou uma boa pessoa, sou ciente do quem me tornei, mas não me arrependo.


— Isso é... Somos moldados por nossas experiências.


— Mas você passou por tudo aqui é não se tornou um monstro. — Mask disse.


— Ei, não se menospreze. Você perdeu tudo que tinha e agiu da forma que seus sentimentos o guiaram. Talvez fosse diferente se não buscasse vingança, mas não acho que seja um homem mal. — Dite disse tocando o rosto do pirata.


— Mesmo sabendo o que me tornei...


— O quero! Ninguém nunca me tratou com respeito, cuidado e me viu como sou. Não sou tão frágil ou inocente como as pessoas acham. — Afrodite disse. — Eu quero ser visto como realmente sou, e quero fazer o mesmo contigo.


— Uma Sereia?


— Ei! — Resmungou dando tapa no ombro do outro. — Sou Tritão! Meio, por que meu pai era humano.


— Belo do mar! — Mask disse puxando Afrodite para seus braços e apossou-se dos belos lábios. Foi um beijo profundo e desejoso. Suas almas se completavam de maneira perfeita...


Afrodite ofegou e rodeou os ombros do pirata com seus finos braços. Ele queria ser dele naquele momento, mas batidas desesperadas na porta os atrapalharam.


— Vá para inferno e pare de atrapalhar os outros! — Mask gritou, fazendo Dite rir.


— O capitão está chamando os dois, partiremos em dez minutos. Estejam prontos! — Aioria disse, e sem esperar por resposta saiu.


Mask ficou irritado, mas ouvir as palavras de Aioria lhe trouxera um arrepio. — Como assim prontos?


Como não havia resposta, ele levantou e foi até a cabine do capitão.


Afrodite o seguiu de perto, chegando junto com ele à cabine de Milo, viu o mais velho olhar para si e seus olhos eram intensos. Viu Mask bateu a porta do homem e quando o de cabelos azuis mandou entrar, foi junto.


O capitão do Escorpião Negro voltou-se para Mask e sua expressão não era das melhores. Milo estava muito irritado, nunca fora tão... “humilhado” e desobedecido, e ainda manteve essa pessoa viva, no entanto, nem punindo conseguia o respeito do príncipe. Não entendi por que.


— Algum problema Matteu!?


O de cabelos azuis perguntou e o homem de cabelos espetados o olhou sério. — Tem... Claro que tem! Onde já se viu!? Afrodite não vai se embrenhar no mato Milo!? Não vai correr esse risco! Sabe... Eu te avisei Milo, te disse que nos levaria a morte, e agora você quer levá-lo, não vou deixar.


Milo estava mais que furioso. Aquele dia todos decidiram desafiá-lo?! Pois bem, que arcassem com suas escolhas. Olhou para Mascara da Morte e falou sério: — Ainda sou o capitão desse navio, e você me deve o mínimo de respeito, sim, ele vai... O rapaz conhece as terras, pode ajudar a achar o que procuramos. Sei que é perigoso, mas viver é um risco Mask... É minha ordem! Se não a quer seguir é livre para deixar o escorpião! — Milo ditou e saiu da cabine deixando um Matteu sem ação, ele nunca havia dito aquilo a ninguém, pelo menos não a ele ou aos mais próximos.


Afrodite sorriu de canto se aproximando para Mask. — Ei... Tá tudo bem! Ele tem razão e eu... Eu não ficaria bem aqui, pensando que algo pudesse te acontecer... Me deixa ir... Será melhor... — O rapaz ditou tocando levemente o rosto do pirata que fechou os olhos e sentiu todo o calor daquele gesto lhe quebrar por dentro, lhe fazer bem, aquecer algo que ha muito nem pensava que tinha o seu coração.


O pirata olhou para o menino e afagou os fios ondulados do tritão e o trouxe para um beijo, carinhoso e ao mesmo tempo tão intenso. — Tem certeza?! Tudo bem... Mas não saia de perto de mim.


Era uma ordem a qual Afrodite não tinha a menor intenção de desobedecer. Queria estar com ele e tinha medo dos perigos que poderiam enfrentar, as lendas sobre aquela ilha não eram de todo falsas... Havia algumas bem verdadeiras e perigosas, e por que não mortais?!


O Tritão saiu da cabine do capitão com Mask e ambos foram preparar suas coisas. Milo foi arrumar as suas e quando tudo se encontrava pronto, ele procurou o médico e Kanon.


— Se eu não voltar em três dias... Partam daqui! Levem o Escorpião para reparos maiores e Shaka, assuma o comando. Kanon, seja o braço direito dele, entenderam!?


Kanon suspirou e olhou para o capitão: — Não! Só sairei daqui, quando o Capitão do Escorpião retornar com uma parte de sua missão. E nem adianta falar Milo! — O de cabelos azuis ondulados saiu dando as costas ao seu capitão e Milo olhou para Shaka e o loiro falou calmo. — Mais um ponto pra ele!


O loiro também saiu e logo todos se reuniram esperando por Milo, o escorpião foi buscar suas coisas, e quando estava pronto, desceram do navio.


Após estarem em terra firme, Afrodite virou-se para os presentes e ditou mostrando-se bem apreensivo: — Capitão... Como todos sabem, as Sereias são seres belos que enganam e podem levar a morte. A beleza de seu canto pode esconder todo e qualquer perigo, e assim mesmo é a terra de Led, aqui... Tudo é belo, mas essa beleza esconde malefícios e mais torturantes perigos. Não se deixem enganar, estejam atentos... Árvores, pedras, flores... A mais simples borboleta pode ser uma criatura perigosa. Então... Prontos?!


No rosto daqueles homens uma sombra surgiu, o medo e a dúvida. Mas nenhum deles desistiria.


Milo puxou Kamus para seu lado e Mask fez o mesmo com Afrodite. Aioria e Shura seguiram lado a lado. Ambos estavam bem atentos a tudo. Caminhando, seguiam pela praia, um lugar muito belo por sinal, a areia era branca e morna, e água era azul, tão cristalina que era possível ver os peixes e uma tanto da vida marinha ali.


Andaram alguns metros e logo adentraram a floresta, havia uma grama verde que cobria parte do local, um verde muito forte, como nunca se vira em outro lugar. Foram seguindo e à medida que caminhavam as árvores pareciam mover-se dando a impressão de fechar o caminho.


Ali não parecia uma floresta, estava mais para um bosque, era lindo... Perfeitamente lindo e calmo. Flores adornavam o caminho, árvores imensas com sombras que davam sono só de olhar, algumas exibiam frutos suculentos pendurados em seus galhos. Tudo ali era agradável. Mas os piratas mostravam-se atentos.


Caminharam por quase uma hora quando Afrodite parou e olhou para o Escorpião.


— Capitão... O que exatamente procuramos?! O que sabe sobre o que quer?! Me diga onde vamos... Ou nunca acharemos nada!


Enquanto os dois falavam, Aioria olhou para Shura: — Não gosta nada desse silêncio... Percebe?! Nem mesmo os pássaros cantam!


Milo por sua vez explicou sobra a pedra filosofal e viu o pequeno assentir a cada palavra dita, e por fim disse não saber onde achar... Mas no papel que Shion tinha dado a ele, havia alguns enigmas. Ele pegou o bilhete e entregou a Afrodite, e este por sua vez o olhou com calma.


— Eu sei onde ir! Mas precisamos de uma bussola... Uma em especial... Uma que estava... — Ele olhou para Milo, ele a trazia pendurada em seu pescoço. — Essa mesma que está em seu pescoço capitão, ponha em sua mão e diga o quem deseja... E então nos leve onde precisamos ir!


Shura ouviu algo e levou a mão a sua espada, e isso chamou a atenção de Mask, que logo tirou sua arma do cós de sua calça e assim chamou a atenção de Milo e dos outros, o capitão puxou Kamus e Afrodite para perto de si.


Aioria virou-se com cautela, e formando um circulo, os quatro piratas colocaram os dois mais novos no meio. E quando se deram conta, ouviram os passos antes totalmente disfarçados. Mas não viam nada e isso fez Milo ordenar rápido.


— Vamos!


Os seis ali andaram depressa e saíram dali, sentiam-se sendo observados e a bússola apontava o caminho mais difícil, e quem sabe até longo. Eles quase corriam e aos poucos afastavam se daquele bosque tão belo e perturbador e chegavam agora à floresta realmente e não era um lugar feio ainda assim, altas árvores e poucos raios de sol, mas nada sombrio.


Pararam um pouco e nem sabiam mais dizer quanto tempo andaram, Kamus e Afrodite eram os que mais sentiam, a apreensão dos piratas apenas os deixava alerta e os faziam esquecer determinadas coisas, entre elas o cansaço.


Afrodite um tanto ofegante parou um pouco:


— Por favor... Parem só um pouco! Preciso de água... — Afrodite era um Tritão, passar tanto tempo sem se refrescar isso o faria mal. Olhou para os outros e eles pararam, Mask deu água a ele e molhou o rosto do menor, o jovem agradeceu e olhou para bussola. — E então capitão... O que ele lhe diz?!


Milo olhou o objeto com cuidado, ele brilhava e isso para si fora surpreendente. — Ela aponta para oeste...


Afrodite empalideceu um pouco. Para oeste os perigos eram maiores, nunca fora lá... Mas sabia, todos os seres do mar e da ilha sabiam. Mas a lenda que ouviram, dizia que era naquele ponto onde o perigo se mostrava superior que se encontraria um pedaço da pedra. Mas como passariam sem correr tantos riscos?!


Os piratas o olharam e fora Shura que perguntou primeiro:


— O que há lá?!


O jovem de cabelos azul ondulado então começou a explicar. — É uma terra morta capitão... Dizem que lá... A beleza acaba, é tudo seco e vazio... E... Bem, dizem que há uma tribo de canibais naquele lugar. Temos de ter cuidado em dobro.


Milo abriu a boca e respirou fundo. Ia dizer algo, quando Aioria falou rápido:


— Nem pensar Milo... Vamos com você! Agora andem. Já descansou Afrodite e todos nós tomamos água, vamos contar um pouco e a cada hora paramos para beber água e descasar pelo menos dez minutos... Andando!


O Escorpião sorriu de canto, só mesmo Aioria para pensar aquilo, ele realmente era seu amigo. Eles seguiram em silêncio para o oeste da ilha e percebiam realmente as diferenças, ali a beleza ou encanto começava a acabar e um cruel e muito ruim tomava conta lugar.


Depois de horas caminhando e respeitando as paradas para o descanso, os seis chegaram a uma colina, ao longe avistavam uma caverna. Mas era algo tão estranho... Por que apesar de verem, não conseguiam ver como chegar nela.


A frente deles descendo a colina havia um local seco e fétido, um deserto talvez, contudo muito feio e quente. As árvores eram mortas, o aspecto era sombrio demais. Havia alguns... Montes de terra, mas eram estranhos, se olhassem devagar a sensação que tinham era que se moviam, mas ali nem mesmo ventava.


Atravessando aquele lugar, havia uma grama verde, mas ela parecia brilhar, e ao mesmo tempo parecia que ali, do outro lado... Soprava um vento forte, mas nada, além disso, era vista aonde encontrava. Precisavam descer. Durante todo o trajeto até ali, Milo não dirigiu a palavra a Kamus e o príncipe por sua vez nada ditou. O de cabelos verde petróleo sentia-se perturbado coma atitude do escorpião e se ele preferia o silêncio, ele o teria.


O príncipe não entendia, por que ele estava sendo tratado assim. Em seus pensamentos entendia que suas ações mostravam um pouco do cuidado que tinha com o capitão, no entanto este parecia ofendido com isso, e o rapaz se sentiu desanimado, perturbado e muito, mas muito perdido e triste. Mal tomou água, queria mostrar certa força, mas agora diante daquela visão, daquele lugar sentia certo pavor, mas seus orbes verdes nada demonstravam, estava impassível, mas apavorado.


— Vamos! — Milo ditou e todos o seguiram, o capitão estava ansioso e ia à frente até, e apesar se não dizer nada, pensava no príncipe, em sua segurança, e em tudo que vinha passando, até mesmo no fato dele não lhe obedecer.


A descida da colina não seria algo fácil, ele era pedregosa, e as pedras eram bem grandes, mas muito inseguras, pareciam soltam, qualquer movimento e elas caíam. Foi Aioria que fez todos pararem, olhou para Milo e disse irritado. — Não dá! Se colocarmos os pés nisso... Essas pedras rolam e a gente morre.


O escorpião suspirou e o puxou tomando a frente e olhou para baixo, avaliava o local, não era a primeira vez que passavam por uma colina ou por montanhas, não desistia até que não tivesse jeito. Experimentou com os pés um monte de pedregulho a sua frente e sentiu que podia pisar assim o capitão começou a descer e guiava seus homens para que pudessem chegar a solo firme.


Descendo assim, Kamus levava certo peso e não estava acostumado e com isso, quase escorregou e Milo sentiu o coração falhar uma batida e o segurou com força pelo braço. O trouxe para si e seus olhos se cruzaram. O mais velho pareceu aliviado de ver que ele estava bem. Pegou as coisas dele e carregou nas costas.


Assim o príncipe conseguiu descer com mais facilidade e alcançar terra firme. E Kamus foi o primeiro a por os pés em no chão de areia do deserto. Havia um monte de areia bem do onde o jovem desceu e colocou as mãos no joelho a fim de conseguir respirar novamente, mas não teve muito tempo de pensar, algo tapou sua boca e arrastou o jovem.


Quando Milo pôs os pés no chão ficou irritado. Mas onde ele havia ido?!


— Kamus! — Chamou, mas o rapaz não respondeu, Milo sentiu o sangue ferver: — Gosta de brincar alteza?! Huh?! Não sou criança quer parar com isso?! Kamus! — Milo o chamava irritado e os demais foram alcançando o chão. Mask foi o último a descer e se aproximou de Afrodite e via a irritação de se capitão. — Tá bom! Chega de brincadeira... Se quer fazer gracinhas Kamus, vai ficar!


Quando Milo deu o primeiro passo, travou ao ver pessoa surgindo da areia e pulando afrente deles com lanças pontiagudas prontas atirar neles. Eram diferentes de tudo que já tinham visto até ali, seus corpos eram medianos e a pele deles se igualava a cor da areia e eles tinham uma expressão animalesca, seus olhos eram pequenos e as suas presas desproporcionalmente grandes, monstros em outras palavras. E um deles, o que parecia ser o chefe sorriu divertido tendo Kamus em seus braços e o jovem debatia-se tentando soltar, e a sua pele alva já mostrava se machucada.


O escorpião e os outros estavam agora perturbados. Mask, Shura e Aioria estavam com as mãos em suas armas, não iriam se entregar fácil, mas quando o leão ergueu sua espada, uma lança pontiaguda, vinda de onde nenhum deles sabia, veio em sua direção, e mais rápido que ela, fora a visão e o pensamento de Mascara da Morte que empurrou o amigo num movimento rápido e a lança atravessou seu ombro.


O homem de cabelos espetados urrou de dor, e Afrodite gritou em desespero, Shura fez menção de atacar, mas Milo o deteve.


— Não... Estamos em desvantagem... Iremos com eles!


O moreno de fios irregulares guardou sua espada, mas esta foi tomada de si, os olhos de Milo estavam na lança afiada que marcava o pescoço de Kamus e no ferimento de Mask, isso precisava ser tratado.


Afrodite chorava perturbado, mas não proferiu nada.


Eles foram obrigados a seguirem aqueles homens para o meio do deserto, e surpreenderam ao depararem com algo que não viram antes. Disfarçado pelas areias e por magia havia uma cidade de terra, nada muito luxuoso, apenas casas esculpidas nas areias.


Como ocas, assim eram as casas dos índios. Eram feitas de areias cinzenta, escura... Mas era difícil imaginar como aquele lugar ficar de pé.


Eles foram jogados em uma oca no centro da aldeia. O homem que segurava Kamus entrou com ele em seus braços. Jogou o príncipe no chão e olhou de forma altiva.


— Amanhã à noite... Serão nosso jantar! Hoje prepararemos o ritual... Você... — Ditou apontando Kamus. — Será sacrificado... Sinto que Bhumi aceitara sua natureza... ‘Mago’! — Ditou com os olhos brilhando e saiu dali, no lado de fora ordenava que ficassem de guarda.


Kamus estava estarrecido. Ouvira as palavras do homem e aquilo não saiu de sua cabeça. Afrodite o chamou com apreensão, estava agarrado ao pirata ferido que sagrava muito, a lança que o feriu era venenosa.


— Kamus... Por favor!


O príncipe voltou-se para ele e correu até os dois e olhou para o ferido, os olhos azuis de Mascara da Morte eram tranquilos, mesmo diante da dor. Kamus olhou para o Tritão e mesmo que não soubesse bem o que fazer, levou sua mão a de Afrodite sobre o ferimento e fechou os olhou, procurou não pensar em nada além de curar aquele ferimento, de salvar aquele homem, e com espanto, aos presentes viram uma luz amarela, tomar conta da mão do príncipe, os olhos de Milo estavam fixos nele e o pirata não tinha palavras.


“Mentiroso... Kamus mentira para si!”


O mais novo alheio a tudo aquilo, apenas deixou fluir de si algo que nem sabia que possuía. Mas logo o ombro do moreno foi expulsando veneno e logo a cicatrização do ferimento começou. Não era algo fácil. Mask sentira muita dor, chegou mesmo a empalidecer, mas agora estava suado e mais calmo.


Quando tudo acabou, Kamus voltou-se para o escorpião, contudo Milo virou o rosto. Isso causou no príncipe uma dor tremenda, naqueles olhos azuis do escorpião, o príncipe viu uma mágoa, mas dessa vez ele não tinha culpa. Abaixou um pouco a cabeça, mas a mão de Afrodite segurou o seu o fazendo o olhar.


— Vai entender no momento certo!


Kamus assentiu e se afastou, encolheu-se a um canto e ficou ali, nem mesmo algo de sua provisão quis comer.


Já melhor Mask olhou para Milo e ditou impaciente. — Então é isso?! Vamos esperar a morte chegar sem fazer nada?! Sem lutar? Isso é absurdo!


O escorpião o olhou sério: — Afrodite, sabe algo a respeito desse tal sacrifício!? Onde eles poderiam nos levar!?


O jovem tritão fez uma expressão de dúvida, de quem procura algo naquela cabeça, em suas lembranças e então um brilho nos olhos anunciou que ele lembrou de algo.


— Ah sim... A lenda diz que eles sacrificam uma vítima, uma criatura pura de coração a Bhumi e então eles têm paz durante um período. Essa deusa... Seria justamente nosso oráculo, a deusa terra!


Milo assimilou aquelas palavras e sorriu: — Então... Não vamos fazer nada... Eles vão nos levar onde temos de ir... E quando estivermos lá... Ai sim, faremos alguma coisa! Agora, vamos apenas descansar! Principalmente você Mask, mas amanhã poderá fazer o que quiser!


Assim a noite passou e o dia seguinte veio calmo, uma brisa suave entrava lentamente. Kamus e Milo não dirigiam a palavra um ao outros, e os demais não estavam gostando nada daquilo.


Aioria estava apreensivo e foi falar com o capitão, mas este o cortou, o escorpião não queria ouvir nada, estava com raiva e magoado, mesmo que não admitisse. Não podia entender por que Kamus esconderia aquilo, porém agora determinado às coisas faziam sentindo.


O príncipe por sua vez nada ditava, entretanto também não comeu ou fez qualquer movimento, do mesmo jeito que tinha ficado no cantinho, permaneceu, no meio da tarde, uns homens entraram e levaram Kamus com eles, o menor não reagiu e nem o pirata.


Milo sentia o coração na mão, todavia não se moveu, não podia fazer muito, mas esperaria o momento certo.


As horas se passaram e Kamus não voltava, e isso deixava o homem de cabelos azuis cacheados muito perturbados. Apertou as mãos de uma forma que suas unhas feriram a palma, ao penar que ele podia estar sendo “obediente” aquele imbecil que se dizia chefe daquele povo.


Quando a noite caiu. Alguns índios entraram e usavam as lanças e punhais neles.


Seguiram para fora da caverna e ali foram levados sob vigilância, pararam a certa distância e então o tal chefe trazia uma pessoa coberta por uma capa, seguiu a frente e caminharam pelo menos uma hora para chegar ao local desejado, agora estava um tanto escuro, mas era o campo verde que avistaram do alto da montanha.


À medida que se aproximavam sentia o cheiro do mar e uma sensação boa de leveza. O cheiro das flores parecia doce e muito envolvente. Era lindo e sem igual, a lua e as tochas levadas pelos índios, iluminavam o local, mas quase não era necessário. Pois uma luz vinda do alto, mas que não era da amante da noite... Mas aquele brilho atravessava as nuvens.


Milo foi obrigado a parar e com ele seus companheiros, o chefe dos índios parou e olhou para o céu e ditou calmo, mas devoto:


— Oh grande Bhumi, estamos aqui para entregar mais uma oferta, aceita nossa gratidão por tua bondade! — O homem puxou o manto que cobria a pessoa que ele trouxera, e só então Milo o reconheceu.


Kamus estava vestido de forma extremamente diferente. O jovem príncipe trajava uma roupa que o deixava ao mesmo tempo sensual e frágil.


Um top branco que mal cobria o peito, de mangas também curtas. Lembrava a parte de cima de um Sari indiano. Toda ornamentada com bordados dourados, a peça deixava Kamus muito sensual.


A calça branca tinha o cós abaixo do umbigo do príncipe e o fundo ia até o embaixo, próximo aos pés, onde as pernas da peça se prendiam como punhos aos tornozelos dele. Era um pouco transparente e deixava a mostra à nudez do jovem, assim como seu abdômen exposto.


Milo sentiu um misto de excitação e ciúme. Ele lhe pertencia, não podia ser exposto daquela forma. O corpo dele ainda tinha alguns adornos dourados. Nos pés uma espécie de pulseira descia e se prendia aos dedos, nos punhos pulseiras e um colar cobria toda a extensão esguia do pescoço, seus fios verde petróleo. Estavam trançados com flores que exalavam um aroma no mínimo entorpecedor.


O líder do povo Dawuel sorriu quando uma brisa soprou, com em resposta a sua pergunta. Ele homem puxou o jovem príncipe pela mão e o fez ir consigo em direção ao ar, mas então a frente deles, uma escada comprida surgiu e assim o índio levou o príncipe subindo por ela.


Não havia muita resistência da parte do príncipe, mas não era obediência cega, mas ameaça, o tal homem ameaçara matar Milo cruelmente caso o príncipe não obedecesse. À medida que subiam as lágrimas desciam pelo rosto do rapaz, por algum motivo nem mesmo o ‘poder’ que o outro dizia que ele tinha, fluía ali para salvar seus amigos.


A escada perdia-se entre as nuvens sendo impossível que vissem aonde eles iam, mas Milo não estava mais disposto a esperar. E para piorar, Kamus sumiu de sua vista, mas logo ouviu a voz de desespero do menor.


— Milo... Me solta!


O Pirata levado pela fúria e medo de perder o seu príncipe, atacou um de seus algozes e com isso tomou-lhe as armas, ou outros não ficaram indiferentes, e logo Aioria e Shura já tinham suas armas de volta, Mask por sua vez pediu a Afrodite algo que podia custar sua felicidade.


— Suba as escadas, pequeno, ajude o príncipe!!


Afrodite assentiu e correu para ajudar o amigo. Embaixo os outros lutavam pelas suas vidas, pela liberdade! Eles ouviram mais um grito e Shura então falou para Milo. — Capitão... Vá! Salve-o! Aqui nós assumimos!


Aioria e Mask confirmaram e Milo munido de sua espada correu o mais depressa que pode até o topo da escada e qual não foi seu espanto ao ver ali, umas terras diferentes, mágicas demais. Nunca imaginava uma coisa daquelas entre as nuvens. O lugar era um encanto. Tudo ali era verde, belo. Havia ali umas ruinas, mas nela havia um jardim... E era como se o mar fosse ali, como se estivesse dentro da água. Havia um lago pequeno com Sereias dentro dele, banhavam-se e ao ver Milo sorriram desdenhosas. Cochichavam algo entre si.


Era tudo de pedras, no jardim havia ninfas e um fauno, um homem que era metade bode, metade gente.


O escorpião sentia-se atordoado. O cheiro das flores o inebriava e logo aquelas belas mulheres o rodeavam... E havia uma música... Ela não o deixava pensar, sentia-se um tanto zonzo, mas então ouviu a voz de Afrodite.


— Capitão! Não as ouça!


A custo Milo sacudiu a cabeça de um lado para outro e sentiu a mente voltar funcionar, lembrou-se de Kamus e sorriu para as damas que ali estavam:


— Sinto muito belas damas... Mas preciso salvar meu príncipe! — Correu sem olhar para trás e com as mãos tapou os ouvidos a fim de não se deixar perder-se ali.


A escada ainda seguia e Milo correu mais um, pouco chegando à entrada de uma enorme caverna. Olhou para Afrodite e este lhe sorriu triste:


— Eu não consegui evitar... Eles entraram! Eu não posso seguir e aqui fica o grande oráculo, e o que quer... Deve estar lá dentro.


Milo deu mais um passo, mas então uma voz o fez parar:


— Quem és tu e o que desejas vindo aqui!? Para entrar... Precisas responder algo... E decidir o que lhe é mais caro!


O pirata olhou para Afrodite e este o incentivava a continuar. E assim o fez. — Chamo-me Milo Bartinik! — Há quanto tempo não usava aquele nome! — Sou capitão do Escorpião Negro! E estou aqui... Pois preciso achar o fragmento de uma pedra... Chamada de “pedra filosofal”.


Uma risada se ouviu: — Julgas que levarás a pedra Escorpião?! Não... Nada é de graça, e aqui ninguém rouba sem ter uma punição. Por tanto, para teres a pedra, faremos uma troca... Sei bem que o jovem que agora está comigo é o príncipe de Loutrec, ah... Há mais mistérios envolvendo esse jovem do que tu mesmo conheces homem do mar! Mas ele tem algo que eu quero!


Milo não soube o que dizer, mas o que Kamus poderia ter que interessasse ao espírito da terra. O pirata estava um tanto nervoso.


— O que seria?! O que ele tem que queira? — Milo esperava a resposta e logo veio, uma brisa suave envolvia o pirata e ouviu a voz novamente.


— O príncipe nasceu de uma jovem feiticeira que teve a ousadia de se apaixonar por um humano. Seu povo a perseguiu, ela era a escolhida para ser a nova líder daquele povo, renegou-se e fugiu, assim... Ele teve dois filhos... Mas a magia, só passaria ao mais jovem deles... O príncipe não sabe... Ele sequer conhece o tamanho de seu poder... Mas... Ainda não é isso que me interessa... — Enquanto falava, aquela brisa tomava a forma de uma ela mulher. Seu corpo era de ar e flores. Como se fosse apenas um fantasma. Ela passava a mão em seu rosto e sussurrou no ouvido do escorpião. — O príncipe... Carrega um fruto... E eu o quero... Ele é meu!


Os olhos de Milo se arregalaram. Seu coração palpitou forte ao ouvir aquilo. Um fruto?! Um filho!? Seu!? O pirata voltou-se para aquele ser, mas logo teve seu rosto levado a olhar para frente e os sussurros voltaram:


— Entenda homem do mar. Posso lhe dar tudo que quer... Olhe... — A frente dele uma riqueza sem par mostrava-se, eram moedas de ouro, diamantes, peças de prata. Milo não sabia o que dizer para um pirata era algo que sempre sonhara. Logo uma pequena luz se acendeu e um cetro de mogno, bem trabalhado, entalhado com maestria, era comprido e perto da base superior havia riscos, como ondas em cima, como dedos, havia uma estrutura aberta que carregava em seu centro uma pedra, bela... Não era grande, e nem se podia definir cor, como um caleidoscópio que exibia uma aquarela.


Os olhos azuis do pirata estavam presos a ela agora, e a mulher de flores, o oráculo, soprou no ouvido dele:


— Não ela que veio buscar?! É sua...


O pirata suspirou, nem conseguia pensar, a pedra estava li e aquela riqueza, mas então, pode ver quem carregava o cetro. Kamus andava como um zumbi. Não era senhor de suas vontades. Andava calmamente e seus orbes verdes não tinham vida ou brilho, mas lágrimas escorriam pelo canto de seus olhos, e com isso o escorpião despertou e puxou sua espada afastando-se daquele ser.


— Não! Nunca! Nem meu príncipe e muito menos meu filho, ficarão aqui!


A mulher dissolveu-se num vento forte, e um barulho foi ouvido, ensurdecedor. E logo uma criatura enorme apareceu. Ela tinha o corpo de leão e cabeças de dragão. Milo arregalou os olhos. A fera vinha em sua direção e Kamus que não se movia. O pirata correu a frente do príncipe e atacou o monstro.


A quimera o atacou com suas garras. Milo escapou, viu a fera abrir a boca e correu escondendo-se a fim de não ser queimado, pois a fera cuspiu fogo. E assim uma luta entre aqueles dois, ainda que covarde era desencadeada. O monstro atacou Milo com o rabo e o pirata foi lançado contra as paredes da caverna, o de cabelos azuis ficou machucado, mas não desistiu, atraia sempre a atenção do bicho para si, mas não estava conseguindo vencê-lo.


O monstro viu Kamus que de forma involuntária e sem vida caminhava na direção da fera. Milo quando viu que a fera ficou quieta, saiu de trás de uma pedra e então seu coração quase parou, via o príncipe se aproximar sem vida da fera que preparava as garras e abria a boca para atacá-lo. O pirata correu e abraçou o jovem de cabelos verde-petróleo, morreria com ele, mas nunca o deixaria, sentiu o hálito da fera e pensou que era chegado seu fim.


Tinha Kamus em seus braços e esperou pela morte, mas ela não veio. A fera recuou e voltou para as profundezas da caverna. E uma brisa suave soprou e o escorpião viu a mulher novamente.


— Por que soubestes escolher, então será te dado o que desejas! Te saístes bem capitão, tens honra e valor! Estás livre... Abre a mão...


Milo tremia um pouco, mas fez o que lhe era mandado e abriu a mãos recendo o fragmento da pedra filosofal, não soltava o príncipe, mantendo-o em seu abraço. — Apenas um aviso! O perigo se aproxima... Proteja-o!


Com um gesto de mãos, a mulher fez uma luz invadir o lugar e Milo fechou os olhos, quando os abriu, estava de volta à praia onde o escorpião Negro estava ancorado. E seus amigos estavam consigo.


Afrodite correu para os braços de Mask e este o abraçou preocupado e ao mesmo tempo aliviado. Aioria e Shura ficaram também perdidos. Milo tinha Kamus em seus braços e o fez olhar para si, o jovem ainda tinha o olhar perdido, mas quando o pirata tocou seu rosto, ele voltou a sim, mas sentiu-se fraco, e perdeu as forças desfalecendo nos braços do pirata.


Milo o tomou seus braços e juntos com os demais voltaram ao navio, Kanon logo os avistou e jogou as cordas para que fossem a bordo. Uma vez no navio, o capitão colocou Kamus em sua cabine e afagou os fios verdes petróleo com carinho. Nunca em sua vida imaginou passar por aquelas coisas como aquelas e muito menos que iria viver para ser pai.


Lembrou-se do aviso do Oraculo e sentiu um frio descer por sua espinha. Ouviu o barulho dos marinheiros e sabia que estavam zarpando. Não sabia o que o esperava, mas daria sua vida se preciso fosse para salvar a do príncipe. Com a mão no ventre do rapaz, sussurrou e beijo-lhe a testa:


— Eu te amo...


Continua...