Notas iniciais
Olá! Estamos realmente empolgadas com essa nova aventura e saber que tem agradado vocês, nos empolga mais ainda.
Curtam o capítulo e não esqueçam de comentar.
Boa leitura"

— Capitão do Escorpião Negro!


Curioso, Kamus olhou para onde todos encaravam, e seu coração falhou uma batida. Os cinco homens na entrada da taverna exalavam auras poderosas e dominantes, e um ar de crueldade sem medida.


— Quem são? — Indagou baixinho para a jovem ao seu lado.


— São os piratas! Dizem que são os reis dos nove mares e os mais cruéis. — Mu disse em estado espantado.


— Que merda é essa! — Um dos piratas disse tomando, a dianteira ao que tudo indicava era o líder do bando vil de piratas.


Os homens na taverna rapidamente se aquietaram. Alguns até mesmo caíram diante do medo ou se esconderam debaixo das mesas. O dono do estabelecimento rapidamente tomou a frente e fez uma reverência exagerada.


— Meu senhor, é uma honra tê-lo em meu humilde estabelecimento. Por favor, fique a vontade. Minha filha irá trazer bebidas para vossa excelência e seus marujos. — O homem denotava a falta de banho. Suas vestes apesar de novas estavam sujas, suas unhas eram sujas, os dentes podres e os cabelos desgrenhados. Sustentava uma pomposa barriga e uma barba mal feita.


O homem de cabelos azuis celeste apenas o olhou, e sem dizer nada, desce as escadas da taverna sendo seguido por seus quatros homens.


Os clientes da taverna abriram caminho para os piratas passarem, e a melhor mesa do local outrora ocupada, rapidamente se viu livre para os homens sentarem.


— Se mova traste, vá servir o capitão, e você... — O dono da taverna disse olhando para Kamus. Estranhou, pois não reconheceu aquela rapariga, mas deu os ombros. — Vá ajudar!


— Hoje não é meu dia! Esse é meu padrasto, velho bêbado. Não precisa ajudar. — Mu disse baixinho para o jovem que trajava roupas femininas.


— Não! Eu vou ajudar. Você me ajudou, é o mínimo. — Kamus disse. Não negava o tremor em seu corpo, um medo. Todos seus sentidos gritavam para sair correndo dali, pois representava um grande perigo, mas não tinha para onde ir, e a noite se apresentava ainda mais perigosa.


— Ok! Vem! — Mu puxou a “nova” amiga até o balcão do lugar. Pegou duas garrafas de rum, e uma bandeja com copos. — Preste atenção, não os encare nos olhos e nem se aproxime demais. As meretrizes ficarão bajulando eles, assim se formos discretos, não nos perturbarão.


— Eles são? Eu nunca... — O príncipe não pode esconder sua curiosidade. Claro, sabia através dos livros o que era um pirata. Era para serem bandidos dos mares, cruéis e vis, mas era estranho vê-los pessoalmente. Sempre considerou que seriam feios, mas...


— Jura? Bem, existem muitos piratas, mas pelo que os outros falam... O capitão do Escorpião Negro e o mais temido e perigoso pirata. Ele e sua tripulação descobriram mais tesouros e mataram mais homens. Eles saqueiam, matam os homens e violentam as mulheres.


— Que horrível! — Kamus disse sentido um nó na garganta. Pelo visto, aqueles homens eram piores que seu irmão e pai.


Com as frontes abaixadas seguiram para servir aos criminosos dos mares. Mu começou de um lado, e Kamus do outro.


Os cinco homens estavam distribuídos um de cada lado, e na cabeceira da mesa se achavam o estonteante homem. Rapidamente meretrizes vieram para sentarem ou do lado ou no colo dos viris homens, e claro, algumas ousaram deixar suas pernas ou seios a mostra.


— Aquele verme do Minus! Se achar pirata, mas não passa de um bandidinho de meia. — Um belo homem ditou. Ele tinha os cabelos azuis e olhos verde piscinas. Suas roupas não escondiam seus músculos e pele bronzeada.


— Você é idiota por ainda irritar-se com o que ele faz Kanon! — Outro pirata disse. Esse tinha os cabelos castanhos e ondulados, Aioria, ou como era conhecido pelos amigos, Leão.


— O que é dele logo virá! Ele acha que somos piratas de meia como sua tripulação! — O pirata nomeado como Kanon ditou.


— Ah! Essa cidade é chata! — Aquele que todos viam como capitão ditou.


— Entediado Milo? — Aioria provocou. Ele era o mais próximo do capitão, ou melhor, Milo.


— Ah! Esse rei daqui é uma merda... Não há diversão. — Falou olhando com descaso para as prostitutas do lugar e até mesmo das que estavam na mesa deles.


— Meu capitão, por que não me deixa alegrar sua noite? — Uma delas ditou. Ela sentou descaradamente no colo de Milo e esfregou seus seios nus na face dele.


Milo fez uma careta e virou a face. Justo no momento que a “jovem!” vestidos de negro aproximou-se para despejar a bebida em seu copo. Seus olhos brilharam de luxúria, algo raro direcionado a uma mulher.


Observou os cabelos verdes petróleo que caiam lisos pelos ombros e costas da jovem até um pouco abaixo de sua cintura. A pele alva e de aparência sedosa. O corpo magro, a cintura fina... Pena que o vestido escondia o resto. Claro, o fato dela não ter praticamente seios, não o incomodou em nada, somente ajudaria.


— Meu senhor, não o agrado? — A prostituta disse puxando o rosto de Milo para encará-la. Fez uma expressão de manhosa.


— Daysi, você não o agradou, me deixa... — Outra disse tentando sua vez com o capitão.


Quem não o queria? Além de cômoda, a frota dos mais temidos e ricos piratas, o homem era um pedaço de mal caminhou, ou melhor, poderia se confundido com um deus.


Seus cabelos azuis celestes caiam em cascatas onduladas, que nem mesmo o sol escaldante ou a maresia do mar tirava seus brilhos. Seus olhos eram azuis claro que parecia ler a alma das pessoas, e bem sagaz, nada passava despercebido.


Sua pele era morena e se esticava sobre músculos definidos. Seus bíceps mostravam experientes no manejo da escada, suas coxas grosas, capazes de percorrer distancia e suas mãos calejadas, adaptadas ao trabalho árduo.


Talvez a fama do negro navio não fosse somente por suas histórias de bravura, vitórias e lutas, mas por seus belos e exuberantes homens.


Kamus manteve seus olhos em seus pés. Seu corpo tremia, e arduamente tentava impedi-las de errar a borda do copo. Com cuidado ele despejou a bebida no copo, e quando considerou suficiente, moveu seus pés para sair, mas uma forte mão em seu braço o impediu.


— Por que a beldade não me faz companhia?! — Milo perguntou com um sorriso malicioso nos lábios e encarou profundamente os olhos azuis claros.


— N-não... Só sirvo a bebida. — Kamus disse gaguejando. Não sabia por que, mas o olhar daquele homem queimava sua pele.


— Não ligue para essa feia meu capitão, eu posso...


— Sua vadia, não percebeu que ele não gostar de mulher? Que a outra, por ter o corpo sem muita curva ou seios lembra o mais perto de um homem. — Disse o pior humorado do grupo. Ele tinha os cabelos azuis espetados, e igualmente pele bronzeada. Era conhecido como Mascara da Morte, dizem que era por que gostava de arrancar o rosto de suas vítimas.


— Isso é... — A meretriz ia retrucar, mas parou ao ser empurrada com tudo ao chão.


— Caia fora! Odeio pessoas que reclamam demais. — Milo disse. Seus olhos eram estreitos e perigosos.


— Seu... Morra! — Ela gritou e saiu correndo em choro.


— Alguém mais que se juntar a ela? — Milo indagou feroz.


As meretrizes desviaram as faces dele, e voltaram a dar atenção aos piratas perto delas.



— Por favor, me deixe ir! — Kamus pediu. Ele virou o rosto e sentiu suas bochechas corarem. Não entendeu! Diferente de sentir raiva e asco, esse criminoso, causava sentimentos totalmente desconhecido em si.


— Não se faça de difícil, princesa... Deixa o papai cuidar de você. — Milo disse puxando a bela dama para mais perto de si. Com tudo Kamus acabou sentado no colo do capitão, e inutilmente tentou levantar.


— Não... — Choramingou.


— Se faz de difícil, são as melhores. — Mascara disse.


— Como é cruel Milo! — Aioria disse batendo o copo na mesa.


— Por favor, capitão, minha amiga apenas serve as bebidas. — Mu disse indo ao socorro do “jovem”, que desconhecia o nome, mas já estimava.


— Não atrapalhe! — Mascara segurou a “jovem” de vestido verde e longos cabelos lilases. — Brinca com ela Shaka! — Disse jogando a no colo do quinto componente do grupo, que até o momento manteve-se calado.


— Me solte seu brusco... Maldito criminoso... — Kamus arranhou tentando sair do colo do capitão. Não estava tendo muito sucesso, visto a diferença de força.


— Mais que nervosinha! — Milo disse. Ele embrenhou a face na curva do pescoço da “jovem” em seu colo e exalou o doce perfume. Era de rosas e canela. Como voltar para casa, algo que ele não sabia como era há muito tempo.


— Idiota! Quem pensa que é para me tocar! — Kamus disse. Suas mãos frágeis foram a peitoral do pirata e tentou empurrá-lo, mas não moveu sequer um centímetro.


— Que boquinha suja... Acho que terei que lavá-la... Com porra! — Milo disse mostrando o quanto se divertia.


Os demais piratas caíram na gargalhada.


O estado de Mu não era diferente, mas nem tal sofrido como do amigo. O loiro não tentava assediá-lo com as mãos, mas igualmente não libertava para ir ao socorro do príncipe.


— Solte-me! — Pediu em baixa voz. Não pode evitar o rubor em sua face. Era pura e nenhum homem havia a tocado antes, de maneira alguma.


— Fique quieta, que será melhor para você. — Shaka murmurou.


— Seu asno... — Kamus gritou chamando atenção de muitos. No mesmo instante congelou quando umas das mãos do capitão subiram sua saia e começou acariciar suas pernas escondidas pela meia-calça branca.


— Tão nervosinha... Aposto que é um furacão na cama... Poderemos nos divertir muito. — Murmurou contra a pele do pescoço de príncipe.


Kamus tentou retirar as mãos do grosseiro homem. De alguma forma as mãos ásperas causavam uma sensação estranha em seu corpo. Ao remexer no colo de Milo, pode sentir a carne dura contra suas nádegas e isso o congelou, fazendo-o deixar de lutar para evitar o ataque. Grande erro.



— O que temos aqui? Oh que interessante, não é uma menininha... Mas um... — Milo disse com sorriso radiante quando sua mão tocou as partes íntimas da jovem em seu colo, ou melhor, do jovem.


— Sei... N-não... — Kamus gritou. Sua energia descontrolou, e de alguma forma conseguiu escapar dos braços do capitão, mas acabou se desequilibrando e caiu no chão.


Seus olhos arregalados olhavam para o senhor dos mares, e este parecia totalmente perverso e feliz.


O pirata levantou de sua cadeira e pegando em um dos braços do príncipe, o ergueu com facilidade e o colocou sobre seus ombros. Kamus em seu desespero bateia nas costas. Queria que ele o soltasse, mas para Milo as coisas se tornavam ainda mais divertidas.


— Ora... Me solte seu ignorante, seu... Seu energúmeno!


O capitão sorriu de canto e olhou para trás. Viu seus homens ali, mas aquela espelunca era odiável. E por isso ditou firme:


— A festa acabou! Mask e Aioria! Quero dois barris de rum.


Os piratas ouviram as ordens do capitão e se ergueram. Mas o dono da taverna olhou para aqueles homens e falou um tanto desesperado:


— Mas meu senhor... — Começou a protestar, no entanto quando viu o olhar do de cabelos azuis espetados e ele levar a mão a sua cintura, sabia que sua vida corria riscos e não queria morrer.


— Lá... Lá atrás... — Falou tremido e apontando o caminho.


Com um sorriso nos lábios, Mask e Aioria seguiram pelo corredor e entraram por uma porta de madeira. O local era escuro, assim eles pegaram um candeeiro e seguiram até a adega, onde os barris ficavam. Cada um pegou um barril e saíram dali.


Quando os dois retornaram Milo sorriu e ordenou mais uma vez. — Vamos! — E começou a nadar com Kamus que continuava a gritar e espernear em seus ombros. — Caladinho! — O escorpião falou e deu umas palmadas no traseiro do príncipe.


Kanon levantou e foi seguindo ainda mal-humorado com o capitão Minus. Shaka levantou, mas não soltou a pobre moça que se encontrava em seu colo, mas diferente do chefe do bando, o loiro levava a moça andando com a mão em sua cintura e a voz do taverneiro se pronunciou, porém agora um tanto desesperado.


— Por favor, senhor! Essa jovem não é uma meretriz é minha filha e estou preparando-a para casá-la.


Shaka olhou para os orbes verdes a jovem e aqueles fios lilases e sedosos que tocavam a pele de seu braço, e a delicadeza e timidez dela e olhando para o homem ali falou frio e cortante.


— Eu pago o dote! Quanto é?! E não exagere! Ou o mando para o inferno!


Shaka era o mais calado deles, no entanto não o menos perigoso. O loiro era um homem de certa elegância, apesar de viver em um navio, tinha um jeito menos animalesco que os outros.


O taverneiro olhou para ele e seus olhos frios o fizeram tremer. Havia ali um brilho de morte.


— Mil Drakons! — Disse. Sua voz saíra tremida, e ficou ainda mais perturbado quando viu o loiro gargalhar.


— Não seja tolo! Quer enricar a minhas custas?!


O loiro arrastou Mu pela cintura e foi até o balcão. E o olhou frio. — Pegue a bolsa e em minha cintura e me dê! — Não iria soltá-la, ou a perderia.


Viu o de cabelos lilases o obedecer e tremendo lhe entregar a bolsinha de moedas.


— Por favor... Não...


O pirata o olhou frio. — Shhhh... Fique quieta!


Mu abaixou a vista e sentiu os olhos arderem. Não aguentava mais aquela vida, mas ir com ele? Aquele homem tão vil e tão frio... Sonhava com um amor, não precisava ser um príncipe, mas alguém no mínimo gentil, mas naquele momento não podia escolher, se bem que nem mesmo seu pai a deixaria escolher, a daria em casamento a quem pagasse melhor.


O taverneiro olhava o pirata e sentia as pernas trememerem. Shaka abriu sua bolsinha e tirou dali algumas moedas e jogou sobre o balcão.


— Isso é mais do que suficiente! — Falou e deu as costas ao homem levando consigo. Havia gostado dela desde que pôs os olhos nela. Já estava pensando em levá-la. Saiu da taverna e a olhou de cima abaixo. — Calma Bakaina... Nada de mal irá lhe acontecer! Nada que não vá gostar! — Falou um tanto divertido e vitorioso e os outros sorriram. Estavam ali a espera do loiro. Seguiram o caminho de volta ao navio. O Escorpião Negro estava ancorado distante do cais, eles jamais ficavam parados assim. Ou por muito tempo.


— É... Parece que para um lugar sem graça o capitão e o doutor se deram bem! — Aioria ditou divertido e seguiu ao lado do capitão e carregava o barril com a bebida. Mask olhou para os amigos e sorriu maldoso...


— Uma festinha boa... Diversão para o navio! — Ditou e sorriu em seguida.


Milo olhou frio e seus orbes azuis mostravam certa autoridade.


— Não! Essa gracinha aqui é só minha! Ninguém toca! E o Shaka pagou pela dele, portanto meu amigo, não ponha a mão! Isso vale para todos!


Kanon se aproximou e pegou na mão do loiro.


— E depois e apenas eu que estar de mal humor... Tudo bem capitão... As mocinhas são particulares! Vou ter a minha logo... Posso sentir... Mas não aqui, não a nada que me agrada.


Mask e Aioria concordaram.


— Não há nada que preste! Afora a bebida... — O de cabelos azuis espetados falou, mas Aioria o corrigiu. — Ei... Assim vai ofender o capitão e doutor...


Ambos gargalharam e seguiram seus caminhos até o pequeno bote ancorado ali.


Quando iam entrar no barco ouviram passos na escuridão, o que fez os piratas de armarem rapidamente.


Mascara da morte foi o primeiro a pegar sua espada e virar-se na direção da voz.


— Quem se aproxima?! O que deseja?!


Logo o rosto pálido de um homem foi visto, seus negros espetados e olhos escuros desprovido de qualquer brilho, mas cheios de ódio e revolta.


— Sou Shura... Gostaria de falar com o capitão!


Milo olhou para o pobre miserável e sem tirar Kamus de seus ombros falou com superioridade e frieza:


— O que deseja?!


Shura mal o encarou, o olhar daquele homem lhe causava arrepios.


— Venho oferecer meus serviços ao senhor... Não há mais o que fazer aqui... Se não houver nada que possa fazer em seu navio, por favor, me mate!


Mask sorriu e bradou sua espada. — Isso será um prazer!


Milo ergueu uma sobrancelha e olhou o rapaz com certo respeito. Levantou a mão fazendo o outro parar.


— Então viestes me procurar sabendo eu posso matar-te e me diz, por que julgas que um trapo sujo como tu, serviria em meu navio?!


O moreno suspirou diante da risada dos outros piratas, mas não era nem comparado ao que já tinha passado, afinal, daqueles homens podia esperar tudo.


— Sou ferreiro e homem de armas... Já construí muitos canhões e sei mexer bem com eles, tenho boa pontaria.


Milo gostou daquilo, estava mesmo precisando de alguém assim, não que Mascara da morte não soubesse, mas seu homem de armas tinha sido morto por Minus e por isso mesmo Kanon e Milo estavam de muito mal humor.


— Está contratado! Vamos logo antes que outros me cheguem querendo meu navio.


Se aproximarem do bote e entraram. Milo colocou Kamus em seu colo e o segurava pela cintura. Shaka segurava Mu pela cintura, enquanto os outros remavam rumo ao Escorpião.


Mask e Aioria não gostaram muito daquilo, desconfiados por natureza, tinham certo resistência de aceitar gente nova no escorpião.


Ao chegarem ao navio, Kanon assobiou e um pirata jogou a escada, e eles então colocaram Kamus e em seguida Milo que empurrava o rapaz para cima.


— Não tente nenhuma gracinha, ou lhe atiro ao mar... Já estou perdendo minha paciência!


Kamus ouviu aquilo e seu coração apertou, olhou para baixo e ficou zonzo ao ver altura. Não gostava de lugares altos. Estremeceu e sentiu certa tontura.


— Nã... Não me sinto muito bem! — Falou pálido e sentindo o corpo amolecer... Soltou a corda quando inevitavelmente perdeu os sentidos.


Milo o segurou pela cintura e ao olhar para ele ali em seus braços, e pode observar que belo rosto tinha, porém, algo mais lhe chamou a atenção e o capitão subiu rápidas as escadas e uma vez no convés falou aos seus marinheiros:


— Se tocarem num fio de cabelo dele eu mato! Entenderam?! Ele é meu!


Seguiu direto até sua cabine e colocou o rapaz na cama, agora com calma, retirou os fios verdes que lhe caiam no peito e assim deixando exposto o peito dele e a parte que o vestido não cobria. Poder ver uma joia que estava no pescoço dele e quando a olhou sentiu-se duplamente satisfeito.


Olhou para Kamus ali desmaiado e sorriu. Sentou em uma cadeira e ficou admirando a joia. Segurou em suas mãos e pensava a sorte que tivera. Não deixaria ninguém tocá-lo, poderia ganhar muito com aquilo.


O príncipe abriu os olhos e sentiu a cama embaixo de seu corpo e pensou que tudo aquilo não havia passado de um sonho, ou seria pesadelo? Porém, quando as imagens difusas começaram a tomar foco. Kamus quase pulou da cama e seus olhos arregalaram-se quando viu Milo sentado olhando seu medalhão, era a única coisa que tinha de sua família, se bem que era mais pela lembrança de sua mãe.


— Ora seu ladrão... Não já tem ouro suficiente?! Me devolva! É meu!


O príncipe ordenava altivo. E foi até ele a fim de tomar o objeto de suas mãos. Mas quando levou a mão aberta para pegar a joia, o capitão a puxou tirando-a de seu alcance.


Milo ficou de pé e segurava o medalhão no alto de sua cabeça e ria. — Quer... Então pega! — Viu Kamus bufar, mas em sua ira o príncipe não se deu conta do que fazia. Foi até ele e segurou num dos braços do mais velho e tentou alcançar o medalhão.


O pirata sorriu daquilo, estava sendo divertido. Mas logo o jogo o cansara e por isso, aproveitando-se da proximidade dos corpos, e agarrou a cintura de Kamus e o antes que o príncipe reagisse, ele o beijou.


Em outra cabine, Mu que tinha sido levado por Shaka estava sentado sobre a cama do loiro. Ali tudo era limpo e um tanto organizado. Olhou para ele pela primeira vez o encarava. E qual não foi sua surpresa diante da beleza daquele homem.


Seus orbes verdes tinham um, brilho um tanto curioso e ao mesmo tempo tímido, sentia o rosto formigar e esquentar. Os olhos do pirata pareciam lhe atravessar.


Shaka estava para a porta, era um pirata, mas não queria agir como Milo. Olhava para Mu e como médico, acostumado a lidar com inúmeras pessoas, notava certos detalhes que lhe eram comuns.


— Como se chama?! “Senhorita?!” — Perguntou frio. Ele começou a tirar as peças de roupas que para o momento lhe eram tão desnecessário.


Mu se agoniou com aquilo, era uma moça, nunca tinha visto um homem sem roupas.


— Por favor... Eu...


Tentou falar mais a vergonha o impedia. Levou a mão ao rosto e começou a chorar.


Shaka a olhou e suspirou, não era a mais paciente das criaturas. Se aproximou da donzela que chorava e sentando-se na cama ao lado dela.


— Por que choras?! Paguei o dote por tua pureza o que ainda queres? — O médico perguntou calmo, mas sua voz soou firme e um tanto impaciente.


— Por favor, senhor... Me dê mais uns dias... Só... Só para me acostumar... Prometo que não me negarei a nada... Mas... Eu imploro... Apenas uns dias...


Shaka a avaliou com certo cuidado e então se levantou assentindo: — Tens até o fim da semana... Vou deixá-la só para que possa se arrumar.


— Mas eu não trouxe nada... — Ela ditou baixo. E ele virou-se indo até um baú e tirando de lá uma camisola. E estendendo pata ela. — Aqui... Vista isso por essa noite! — Ditou e saiu dali dando de cara com Kanon.


O homem estava um tanto alto, bebia demais quando estava com raiva. O de cabelos azuis, pois a mão no ombro do loiro e falou meio enrolado.


— E ai loiro... Me deixa dá só uma trepadinha... Juro que será só dessa vez! E quando eu arrumar uma eu...


Shaka o empurrou para longe e falou frio. Por algum motivo sentia respeito pela moça que havia “desposado”.


— Toque nela e juro que arranco seu coração fora!


Ambos seguiram caminhos opostos, mas o loiro não se afastou muito da porta de sua cabine. Não ficaria longe, não confiava inteiramente num homem bêbado.


Dentro do quarto Mu respirou aliviada. Precisava daquele tempo e ficou até surpresa que ele a respeitasse daquela forma, não lhe dera muito tempo, mas ainda tinha três longos dias pela frente.


Mas agora que se acalmava pensava “na jovem” que tinha conhecido, e agora? Onde e como ela estaria? A tinha visto desmaiar... E nos braços daquele homem cruel... O que seria delas agora?!


Continua...