Escorpião Negro
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Gratas a todos que tem acompanhado, e continuem torcendo para atualizarmos todo final de semana, por que imprevistos sempre acontecem para impedir.
Boa leitura
Estava amanhecendo e os raios vermelhos do sol anunciavam a chegada do dia. Alguns piratas beberam um pouco demais durante a madrugada e agora dormiam, e outros já se colocavam alerta, o capitão havia avisado que partiriam pela manhã. Milo tinha pressa de chegar a Arryn e o porto fiava bem distante de onde estavam. Pelo menos uma semana, e o escorpião queria fazer o trajeto em menos tempo.
Os marinheiros estavam perturbados, pensavam em como fariam aquilo, precisariam exigir muito do Escorpião Negro. Mas ordens eram ordens e como o dia se anunciava a tripulação do navio passou a trabalhar para zarpar rumo ao desconhecido. Alguns temiam aquelas terras, de tudo se ouvia a respeito delas, ali havia bruxos e seres mágicos, quanto mais iam para o norte mais teriam contato com eles.
Arryn ficava ao norte, a partir dela encontravam-se mares pouco navegados, o que se ouvia era que quem ia não voltava. Mas aqueles homens confiavam em seu capitão e se ele dizia ele cumpria. As velas foram içadas, a âncora recolhida e os motores postos a funcionar. Milo encontrava-se no leme, Mask estava no topo de um dos mastros, Aioria tinha o mapa à mão e olhava na bussola a direção certa a seguir, Kanon agora organizava tudo e contava, tinha que saber até quando duraria suas provisões, era sua função dividir tudo e isso fazia muito bem.
Apesar do barulho e de todo o trabalho, Shaka e Mu estavam no quarto. Agora dormiam, já que o lilás chorou muito e tinha o sobre o peito forte do pirata. Apesar de esta ali há pouco tempo, o rapaz já sabia reconhecer alguns sons, era atento a tudo e abriu os olhos quando ouviu o barulho das velas sendo içadas. Abriu os olhos e deixou os verdes capitaram a luz do dia que passava timidamente por uma fresta na cortina.
Sentiu o corpo quente abaixo de seu rosto e sentiu o as bochechas queimarem sentindo um tanto de vergonha, mas então se lembrou, sua mente o levou de volta a noite anterior, a alegria e a dor que ela lhe trouxera. Sentiu os olhos arderem, e os fechou novamente, agora pensava na mãe, na mentira que vivera vida toda, em seu padrasto e sua forma de tratar e em Shaka que o salvou da morte. Mas então algo lhe ocorreu, o pirata dissera que casara com ele por que o queria como era. Seria mesmo? Pois então se ele o quisesse, esqueceria seu passado, e mesmo que lhe doesse seria um pirata como seu esposo e viveria sua vida daquele momento para frente.
Alheio a tudo isso, o médico loiro ressonava tranquilo, estava cansado, mas sentia-se bem por sentir Mu entre seus braços. Quando o mais novo se mexeu, o outro sentiu e um tanto assustado abriu seus orbes azuis e olhou para baixo e seus olhos sorriram ao vê-lo ali. Levou a mão ao rosto inchado, notou algumas lágrimas ainda presentes ali. Suavemente as limpou e sorriu para o marido.
— Bom dia! Se sente melhor? — Uma pergunta carinhosa e muito educada vinda dele.
Mu o olhou o analisando, procurava por algo que o denunciasse, que mostrasse que estava ali por “pena”, mas nada achava nele além do carinho que se mostrava verdadeiro. Respirou fundo puxando o ar com seus pulmões e para surpresa de Shaka, o jovem colocou-se sobre si, seus rostos ficaram rentes e suas respirações quase se chocavam.
O loiro ofegou só com aquilo, mas procurou controlar-se, não estava entendendo o que ele queria ficando sobre si daquela forma, mas esperaria para saber. Os olhos de Mu estavam bem vivos aquela manhã, talvez pelas lágrimas que os lavaram, mas os verdes estavam envolventes demais e seus fios lilases escorriam sedosos pela sua pele alva e caiam sobre os braços do loiro.
— Shaka... — Mu começou a falar um tanto inseguro. — Não tem nojo de mim?! Ou raiva?! Você pagou o dote por uma mul... — Ele começou a falar, mas o pirata pôs a mão sobre seus lábios, não permitiria mais que ele falasse daquilo, não era algo que o incomodasse mais.
— Disse ontem e vou repetir, casei com você do jeito que é! Um homem, lindo e gentil. — O loiro ditou calmo e carinhoso, mas de certa forma taxativo, seu tom apesar de baixo, não deixava “dúvidas” a respeito do fato de Mu ser um homem e nem dava margem para mais comentários.
Mu o olhou de um jeito infantil e ao mesmo tempo encantador e sensual. Aquele olhar deixou Shaka confuso, mas então seus orbes cresceram em tamanho quando ouviu as palavras do menor.
— Se o que diz é verdadeiro doutor... Então quero que me prove... Me faça seu... Me ame!
— O-O que?! Está... Tem certeza?! — O loiro estava surpreso, mas ao mesmo tempo feliz, não imaginava aquilo. — Mu... Não quero que se sinta obrigado, eu... — Iria dizer que o esperaria, mas então os dedos suaves do menor tocaram seus lábios macios.
— Não quero esperar... Já passei tempo demais esperando algo que nunca chegaria, somos casados agora, e quero viver isso do jeito que sou, disse que me aceita Shaka...
O loiro abriu um sorriso e dessa vez ele não era gentil, mas lascivo, e cheio de satisfação. Mesmo que no inicio houvesse pensado que Mu era uma menina e tendo se enfurecido no primeiro momento, sabia que não havia se enganado ao escolher ficar com ele do jeito que era, e o queria... Se tivesse agido pelo calor do momento ao descobrir que não era uma mulher, não estaria ali com com o lilás agora.
O loiro rapidamente inverteu as posições e tomando as rédeas da situação, ficou por cima do menor e só então se deu conta que já estavam nus, haviam dormido assim. Shaka então calmamente aproximou o rosto do de Mu e encostou seus lábios nos dele e roçou com carinho uma boca na outra. Mas em seguida abriu os lábios e deixou sua língua pedir passagem.
Mu tinha os olhos fechados, mas cada toque daqueles lábios lhe causavam milhares de sensações. Estremeceu e ofegou, não sabia bem como agir, mas sabia que agora não dava para voltar atrás, e nem queria. Sentiu a língua do loiro e por instinto abriu a boca e assim sentiu o membro úmido e mole do loiro e o sabor dele o invadiu.
Shaka experimentava a boca dele, explorava, sentia o sabor único de sue marido. Desde que se tornara pirata seu noto de castidade tinha se perdido, mas queria encontrar a pessoa certa para si, e agora o tinha, nunca imaginara que seria um homem, mas não se arrependia.
Apartou o beijo e o olhou intensamente. Mu tinha as maçãs do rosto coradas e os olhos fechados, a boca entreaberta e buscava por ar. Aquela visão era maravilhosa aos olhos do loiro e com carinho afagou o rosto belo e o viu abrir suas esmeraldas, ele tinha uma expressão tão gentil e inocente e ao mesmo tempo sensual que fazia o corpo do pirata todo ferver.
Levou o rosto a curva do pescoço do lilás e depositou beijos ali, suaves e quentes, deixou sua língua provar a pele alva e como ele já estivesse sem roupa o loiro desceu seus lábios pelo pescoço e ombros até alcançar aos mamilos. Lambeu um e seus dedos apertaram o outro.
Desde o momento que o loiro passou a beijar e lamber o pescoço de Mu, o rapaz ofegava e mordia os lábios a fim de não gemer, quando sentiu o pirata abocanhar se mamilo, ele levou ambas as mãos sobre a boca a fim de conter os sons que ela emitia baixo.
Shaka brincou um pouco ali e se divertia com as sensações que conscientemente causava ao menor. Foi descendo seus lábios pelo abdômen dele, podia sentir o calor daquele corpo e o cheiro que ele tinha, era bom, dava-se conta que lhe lembrava de sua terra, sua família. Mu tinha o corpo delicado, a pele macia e queria eu ele continuasse daquela forma.
O pirata deixava um rastro de saliva por onde passava e quando encontrou o umbigo, enfiou a língua ali e deixou um pouco de saliva ali. Desceu ainda um pouco seus lábios e encontrou a virilha e o falo dele, que já se projetava contra o peito do loiro.
— Sha-Shaka... Por favor... Eu... — O rapaz estava com vergonha, mas gemeu alto quando o loiro sem levar em conta o que ele dizia, lambeu sua virilha. — Hnnn...
O loiro sentiu-se bem por saber-se o primeiro e entendia que tudo para ele seria novo, mas queria dar tudo, queria ir até o fim. E assim continuou a lamber a virilha dele, e enquanto o fazia, levou a mão ao pênis de Mu o fazendo estremece. O pirata olhou para ele que tinha uma expressão de surpresa no rosto. Shaka sorriu malicioso e sem pudor, lambeu a glande de Mu.
— Aaahhh... — O pequeno gemeu.
O pirata sentou-se satisfeito e continuou a lamber, mas não só a glande, agora passou a dar atenção o pênis dele da base até a cabeça como se fosse um pirulito, um picolé. Não ditava nada e controlava os próprios gemidos. O loiro parou de lamber e abocanhou e engoliu o falo do lilás.
— Aaahhh... — Mu gemeu mais alto e arqueou as costas diante do calor daquela boca que envolvia seu membro. Fechou os olhos sentindo sua mente anuviar, não sabia explicar o que sentia, mas era bom demais, sentiu Shaka fazer movimentos de vai e vem com a boca e com isso involuntariamente passou a mover o quadril em busca de mais daquilo, e assim estocava a boca morna do loiro.
Shaka apertava a carne do quadril de Mu, guiando aquelas estocadas. Sentiu o membro dele pulsa e soube que ele se derramaria logo em sua boca, aumentou o ritmo da felação e ao ouvir um gemido rouco e ver o corpo dele se contorcer pode sentir o sabor quente da semente do amado em sua boca. Engoliu tudo e quando ergueu o rosto pode ver que Mu parecia em outro mundo, sua respiração ofegante, seus orbes fechados e as faces avermelhadas.
— Lindo! — O loiro ditou baixo, mas agora sentia seu membro pedir por alívio, e seu desejo latente de possuí-lo estava ali, presente eu seu peito, em seu olhar. Inclinou-se sobre o outro depositando um selinho e o vendo abrir os olhos. — Quero você Mu... — Ditou rouco e assim levantou e retirando lençol totalmente, deixou exposto seu belo corpo, seus músculos tão discretos sob a roupa, mas tão bem talhados, os olhos de Mu brilharam. — Gosta do que vê?! — Shaka indagou um tanto vaidoso e sorriu quando o rapaz levou as mãos ao rosto o cobrindo e falando um “sim” abafado.
O loiro virou Mu de costas para si, e olhando para as nádegas redondas e durinhas do menos lambeu os lábios, cheio de desejo e certa fome. Inclinou-se sobre as costas dele e foi depositando beijos e lambidas na pele quente e sentiu ele se arrepiar. Foi passeando por ali até que encontrou seu destino, e mordiscou o bumbum dele.
Mu sentiu como se choques elétricos percorressem seu corpo e sentiu o baixo-ventre formigar, e reagir. Shaka abriu suas nádegas e com doçura, lambeu aquele caminho que levava a gruta que queria explorar. A língua dele explorava o local, até que alcançou o que queria, o buraquinho dele, virgem, pequeno e agora seu.
Quando a língua úmida do loiro tocou a cavidade virgem de Mu, o mais jovem agarrou o lençol e enterrou o rosto do travesseiro, sentia vergonha, mas não pode segurar o gemido.
— Hnnn... Aaahh... — E mesmo que abafado pelo tecido do lençol, o pirata ouviu e aquele gemido lhe causou enorme satisfação. Continuou o que fazia e sua língua passou a invadir aquele corpo. Fazia com desejo e levou um dedo ao buraquinho já úmido dele e enfiou ali.
O lilás estremeceu ao sentir-se invadido por aquele dedo, era um tanto incomodo, mas logo a forma como Shaka o movia dentro de si passou a lhe provocar sensações diferentes e gostosas.
— Hnnn... Ss-Shaka... Aaah... — Tentava dizer algo, perguntar, mas não conseguia. O pirata agora colocou mais um dedo, e movia os dois dígitos dentro dele e cada vez mais Mu sentia-se envolvido naquilo e seu pênis já estava duro novamente.
Shaka já nem sabia quanto tempo mais aguentaria, queria muito ele, seu pênis já latejava em desejo. Parou aquele preparou e levantou, foi até seu baú e pegou um óleo, ao abrir seu cheiro incensou o local, deixando o ambiente ainda mais envolvente e mágico. Mu não o olhou, não tinha coragem realmente, mas esperou e sentiu quando os dedos dele voltaram a tocar sua entrada, mas dessa vez era algo diferente, o líquido deixava mais escorregadio e com isso os dedos do loiro escorregaram mais facilmente para dentro, e não entendei, porém ele não se demorava, mais repetia aquele entrar e sair com os dedos molhados.
O pirata estava o lubrificando, e logo parou para lubrificar o próprio falo. Depois de fazer isso, virou o marido de frente para si e colocando-se entre as pernas dele, o puxou pelas pernas e encostou suas nádegas em seu pênis e dessa vez ofegou com aquele contato. Mu sentia-se exposto, no entanto não reclamava os toques dele e tudo que estava sentindo, apesar da vergonha, era tudo muito bom.
Shaka encostou o membro na entrada do rapaz e devagar se empurrava para dentro. Tinha vontade de meter tudo de uma vez, mas era a primeira vez do lilás e precisava ser paciente. Mu sentiu o falo dele forçar entrada e sentiu dor, mas mordeu os lábios tentando não parar tudo, afinal, ele lhe fizera sentir-se bem, era sua vez de fazê-lo se sentir bem também. Quando o membro do loiro rompeu totalmente as barreiras do rapaz, a dor o deixou sem ar, tinha as mãos tapando a boca para não gritar e as lágrimas escapavam-lhe dos olhos.
O loiro inclinou-se sobre o marido e beijou-lhe a face onde as lágrimas desciam. Não rinha volta, e sem mais demora, empurrou-se mais para dentro dele.
— Hmmm... Shaka... Isso... — Tentou dizer que doía, pois sentia-se partido ao meio com aquele membro dentro dele. — Shhhh... Calma... Logo vai passar... — Disse suave e ergueu o corpo e passou a masturbar o membro do outro a fim de distraí-lo.
Empurrou-se de uma vez para dentro de Mu que gemeu de dor.
— Hnnn... Aaah... Isso dói... — O mais jovem olhou para o marido e suas lágrimas denunciavam a dor e o incomodo, mas Shaka sabia que aquilo mudaria. Uma vez dentro dele, o loiro parou e esperou ele se acostumar com o volume.
Mu respirou melhor quando ele parou e aos pouco sentiu a dor diminuir, mas o incomodo dele dentro de si não, remexeu-se um pouco e com isso disparou em Shaka o gatilho de que era hora de tornar aquilo realmente gostoso.
— Hnnn... — O loiro deixou escapar aquele gemido e assim, se inclinou sobre o lilás e passou a estocar Mu. Ia e vinha dentro do rapaz e à medida que o fazia a dor que antes o mais jovem sentia transformava-se em prazer. Aos poucos a dor dava espaço a sensações novas e com isso os gemidos de Mu mudaram e ele tinha agora uma voz melosa sentindo prazer. A dor não sumira totalmente, mas agora era mínima.
— Aaahhh... Hnnn... Shaka... Aaaahh... — O rapaz gemia e rouco e agora não conseguia pensar. Shaka parecia conhecer bem o caminho que seguia dentro dele, já que constantemente acertava sua próstata. O pirata também gemia e cada vez mais deixava envolver e se mostrar ao companheiro.
Envolvidos naquele clima, os sons vindos do lado de fora não eram mais ouvidos por eles, e nada mais além dos dois importava. Seus corpos se conheciam, se tocavam, e aquele barulho dos seus quadris se chocando era erótico e os deixava mais loucos. O prazer os invadia, suas mentes não pesavam, nada coerente saia de suas bocas, mas cada vez mais sentiam se um.
Mu passou as pernas pela cintura de Shaka o fazendo entrar ainda mais em si, com isso, o loiro sentiu-se todo dentro dele, e seu tamanho não era modesto. O pirata estocava forte e sentindo que chegaria a seu limite, beijou o amado que como tinha o falo imprensado entre seus corpos e assim estimulado pelo movimento que faziam, gozou pela segunda vez melando seus abdomêns e apertando o falo do marido dentro de si. O mais velho gemeu rouco e não conseguindo mais conter-se derramou dentro do outro o preenchendo com sua semente.
Deixou-se cair ao lado dele e com carinho afagou aquele rosto e o beijou novamente. Os dois se olharam com carinho. E os olhos azuis do loiro encontraram os verdes do mais novo que tinha um sorriso ali. Não precisavam dizer nada, seus olhos já diziam tudo que precisavam falar.
Eles ficaram trocando doces carícias sem se importar com mais nada, até que adormeceram agarradinhos. Somente quando o sol seguia alto eles acordaram, e mais uma vez se amaram.
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Ele remexeu-se na cama lentamente. Sem abrir os olhos tateou a cama com as suas mãos, mesmo inconsciente, procurava por algo. Vagarosamente suas pálpebras abriram dando margens a íris azul.
— Uhh... — Seus olhos percorreram o quarto, e depois caiu na pequena janela, e pode ver o sol brilhar fortemente, anunciando que o dia seguia alto.
Kamus sentou gemendo de dor. Seu corpo todo parecia reclamar, como se tivesse sido espancado. Olhou para si e percebeu que se achava vestido, e alisou suas nádegas, avaliando. Não pode evitar corar, somente pelo fraco que verificava se havia ou não sido tomando pelo capitão. Mas pelo que percebeu não havia acontecido nada com eles. Recordava da fuga, o castigo no bordel e depois o casamento de Mu.
O príncipe recordou distante que passara mal na festa e quando acordou achava-se no quarto do recém-casado. Com a mente em branco e cansado de procurar uma justificativa por seu estado, Kamus deixou a cama e seguiu para o banheiro que ficava em junção ao quarto do capitão. Naquele momento não queria pensar em sua vida no castelo, em seu destino no navio ou o que sentia em relação ao pirata, apenas queria paz.
Kamus tomou um rápido banho e fez sua higiene matinal. Após se arrumar saiu do quarto. Usar as mesmas roupas estava deixando-as desgastadas, tinha que conseguir novas vestes, só que não tinha coragem de pedir nada ao pirata.
Ele saiu do quarto e sem pressa rumou para o convéns do navio. Seus olhos arderam quando os raios solares se fizeram presente. Não pode deixar de olhar o céu limpo e azul, e toda extensão de água. Pelo visto achavam-se há algumas horas em alto mar.
Sem se importar com os olhos dos piratas sobre si, Kamus seguiu para a cabine do navio, e quando chegou à porta deu dois toques e entrou quando recebeu a permissão. Manteve seus olhos focados no capitão do navio que se encontrava sentado.
Milo olhava fixamente para o príncipe, o avaliando. Sua expressão não esclarecia o que pensava. Ele afastou a cadeira para trás, e mesmo sem dizer uma palavra, fez sinal para que Kamus entendesse bem o que ele queria.
O príncipe sentou de lado no colo do loiro e aninhou sua cabeça contra o ombro dele. Kamus sentiu a vergonha tomar conta de si, porém nem ele mesmo sabia explicar o porquê de suas ações, só sabia que devia fazer.
Ele fechou os olhos suspirando fundo e a rouca e masculina voz do pirata soou como sinfonia para seus ouvidos, enquanto o loiro conversava com seus homens de confiança.
— Acho que o doutor esqueceu-se da vida! — Mask disse como sempre em seu típico mau humor.
— Deixa-o homem! O loiro acabou de casar-se e deve está aproveitando sua esposinha... — Aioria disse com os olhos brilhando.
Os três achavam-se espalhados pelo recinto, Mask em uma poltrona, Aioria deitado no sofá e Kanon encostado na janela.
— Shaka te castrará se souber que esta imaginando a lua de mel dele. — Kanon disse com sorriso provocado nos lábios.
— Vão para com a inveja e se concentrar aqui? — Milo bradou sério. Ele parecia apreensivo. Não podia explicar, mas seus sentidos anunciava que deviam tomar muito cuidado com a próxima missão.
Kamus olhou rapidamente para os homens ao redor. Nenhum deles parecia se importar pelo fato dele está presente ou no colo do líder deles. Para si aqueles homens eram estranhos.
Ele desviou os olhos para Milo e ficou avaliando-o. Seu corpo tremeu quando o loiro abaixou a cabeça e encarou seus olhos. As mãos grandes e calejadas apertaram seu corpo.
Kamus temeu pelo o que o capitão do navio faria, mas surpreendeu-se quando o homem tocou sutilmente seu rosto.
— Tomou café da amanhã?
Kamus negou coma cabeça. Era estranho ver a voz dele suave, visto que tudo que presenciara daquele homem viril foi selvageria, comando ou sensualidade.
— Aioria? — Milo chamou o amigo. — Vá providenciar algo para meu príncipe comer... E pelos céus, algo decente. — Milo disse.
O jovem sentiu borboletas brincarem em seu estômago ao ouvir o tom ‘meu’. Não foi algo ruim, na verdade, o fez sentir querido e desejado pela primeira vez em sua vida.
— Ok! Você manda e eu obedeço. — Disse o pirata apelidado de leão. Ele pulou sobre os pés e saiu do recinto.
Milo olhou para os outros dois com uma aura superior. — Mexam-se! O que estão esperando? Um convite? Vão trabalhar! Temos que chegar a Arryn daqui a uma semana! Providenciem o armamento, alertem os homens e mude a rota para o porto secreto, não quero chegar de frente... Não confio naqueles malditos marcadores.
Sem pestanejar, Kanon e Mask levantaram e saíram do recinto. O que surpreendeu Kamus. Aqueles homens eram fortes e acreditava que facilmente poderiam colocar-se contra Milo, porém eles o obedeciam cegamente. Era mais que dominância ou medo, mas sim respeito. Aqueles piratas respeitavam o capitão que tinham, e acreditava até que morreriam por ele.
— Isso foi... — Kamus murmurou.
— O que, doce?
O príncipe juntou as sobrancelhas diante do apelido, mas ignorou. Ele corou sutilmente, afinal achava-se sentando no colo do homem que o capturou e poderia dizer que o ‘estuprou’, todavia nunca havia sentido se tão seguro antes na sua vida do que ali. De alguma forma parecia tão certo.
— Que eles o obedeçam... Eles poderiam recusar, visto que são tão fortes... Mas eles detêm...
— Medo?
— Não, respeito! Os seus homens te respeitam e o conhecem como líder, não pelo medo ou herança de sangue... Como um rei eleito. — Falou. Sua voz saiu incerta.
— Diferente de seu pai? — Milo indagou erguendo uma sobrancelha.
— Não quero falar dele... Ele é um tirano sem alma. — Falou desconcertado. Kamus escondeu a face novamente na curva do pescoço do capitão. Ele não tinha certeza do que aconteceria consigo, mas de alguma forma estava sendo totalmente atraído para aquele homem que devia odiar, mas era outro sentimento que nascia.
Milo distribui pequenas carícias nas costas, cabelos e face do príncipe, porém nenhum deles ousou proferi nada, como se tivesse com medo que se falasse estragaria a pequena harmonia que surgia entre eles.
Dali algumas horas chegariam ao porto de Arryn, assim como em toda missão devia aproveita como se fosse última respiração, pois nunca sabiam quando a vida de selvagens do mar chegaria ao fim.
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O som dos passos ecoava pelo corredor a medida que seus pés chocavam-se contra o piso de mármore branco. Aquela era uma das maiores catedrais do reino de Loutrec. Em um mundo de varias crenças e religiões, uma das que propagavam era a voltada ao deus Njörðr. Ele era proveniente do deus do mar, fertilidade e agropecuária, justo tudo que era relacionado em Loutrec.
O seu templo ficava nas montanhas Orion, um lugar de difícil acesso, e castigado por um eterno inverno. E era justo esse lugar que o único herdeiro da família Caillet fazia de lar. Ao se tornar uma decepção para seus pais, quando completou seus 20 anos foi enviando ali para torna-se um sacerdote e servir ao deus Njörðr, esquecendo todos seus sonhos, desejos ou qualquer amor.
A única coisa que realmente era difícil para si, era o que se referia ao desejo da carne. Nunca entenderia seu fascinou pelo sexo masculino. Desde crianças, eram os garotos que o atraia, quando adolescente era os homens que cobiçava, porém por crescer em uma família tão religiosa e nobre, ele escondeu tais desejos no fundo de sua alma.
Seu único erro foi quando completou seus 20 anos e se apaixonou, contudo esse não era o problema, e sim ter deixado seu pai pegá-lo no flagra com seu amante. Seu amante fugiu, e nunca mais o viu, o que denunciava que o amor que ele propagava ter por si, não era real... E seu pai tentando esconder a vergonha e a decepção que era seu filho, o enviou para as montanhas Orion, o templo de Njörðr.
Guardando as dores de uma família que o renegou e o escondeu como um segredo sujo e sua frustação física, ele bateu contra a maciça porta quando postou em frente a ela. Ao receber a permissão, entrou fazendo a devida reverencia para o sacerdote maior.
— Mandou me chamar meu senhor? — Saga disse sem nunca encara o homem.
— Sim! Acabei de receber uma carta do palácio! — O senhor de idade avançada ditou, mas mesmo sendo um idoso mostrava vigoroso, e igualmente autoritário. — O rei Hades enviou uma missão para você.
— O rei? Mas no que poderia ajudar, sou apenas um Clérigo. — Saga disse. Quando mais jovem, por causa de seu pai, transitou muito no castelo. Foi amigo de brincadeira de Dégel, porém era pelo pequeno príncipe que se encantou, sempre se doou em cuidar e proteger Kamus, porém depois que havia sido mandando para ali, nunca mais soube dele.
— Ao que tudo indica, o filho mais novo do rei, o príncipe Kamus fugiu do castelo. O rei teme, pois considera que seus dois filhos são incompetentes demais para acha-lo e ele julga que você conhece melhor o príncipe para saber onde ele poderia ter ido. — O homem disse sem mostrar nenhuma emoção em sua voz.
Os olhos de Saga cresceram e uma dor pulsou em seu coração. Era ciente da forma que o príncipe era tratado, além do fato de sua saúde frágil. Sempre considerou que Kamus nunca viveria muito, e isso sempre o deixou triste. O inocente príncipe merecia ser feliz, pena que não tinha um pai ou irmãos que se sensibilizassem com isso.
— Como...? Quais informações eles tem?
— Parece que não muito! Apenas que após o noivado do príncipe com o Lord Siegfried de Dubhe, o príncipe fugiu do castelo sem ninguém perceber... E ao que tudo indica seu último vestígio foi no porto de Loutrec.
— Partirei imediatamente! — Saga disse firme. Ele daria seu sangue para encontrar Kamus e colocá-lo em segurança, e obvio que não achava que esse lugar seria o castelo, então pretendia de alguma forma convencer o rei a permitir que Kamus fosse para o templo Njörðr, tornando-se um sacerdote. Na certa um destino melhor que casar-se com o Lord de Dubhe.
Continua...
Notas finais
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