Escorpião Negro
9 Capítulo 8
Notas iniciais
O dia seguia ensolarado e calmo. O Escorpião Negro encontrava-se a toda velocidade nos mares límpidos e perigosos de Mageia. Seus tripulantes mostravam agora mais tranquilos e cantarolavam sorrindo. Eram homens livres e escolheram aquela vida, mesmo perigosa, era o que queriam.
Mas nem todos podiam fazer isso, em Loutrec, por exemplo, desde que o príncipe mais novo sumira, o rei Hades estava irado e por isso mesmo aumentou os impostos, os castigos, a escravidão e domínio sobre aquele povo. As pessoas não tinham paz, porém, aquela manhã o rei levantou sem ânimo, não quis comer, sentia-se fraco.
Radamanthys se aproximou do pai e claramente preocupado falou sério:
— Meu senhor... Está indisposto? Vejo que vem assim há uns dias, seria pelo desaparecimento daquele ingrato?! — O loiro perguntou se aproximando, e fez uma reverência ao chegar perto do pai, tinha no peito um ar de satisfação.
Hades respirou fundo e olhando para o filho disse sério. — Não seja tolo! Preocupo-me claro, mas não estou doente. Sou um homem forte Radamanthys e ainda custará muito para que uns de vocês incompetentes como são tomem o meu lugar!
Levantou do trono, mas nesse instante sua vista ficou turva e o rei perdeu o equilíbrio e naquele momento Dégel entrava na sala do trono e correu ao socorro do pai.
— Papai! — Chamou preocupado e só então Radamanthys correu até o pai e juntos o ajudaram a levantar e sentar em seu trono novamente.
— O que sente meu pai?! Não seria melhor chamar um médico? Está pálido! — O jovem de cabelos verdes petróleo perguntou preocupado e Hades pode ver ali um traço de sua ex-mulher. O moreno levou a mão ao rosto dele e olhando naqueles olhos sentiu uma dor imensa.
— Não! Vou deitar um pouco e isso passará! Talvez se deva ao fato de ter me alimentado mal esses dias.
O jovem assentiu e só então Radamanthys se pronunciou:
— Não meu pai... Dégel tem razão... Chamaremos um médico e ficaremos ao menos mais calmos... Como iremos partir o vendo nesse estado?!
Dégel foi com o pai para o quarto e o loiro mandou um mensageiro buscar o médico do reino e sorriu ao ver o rapaz sair, agora sozinho podia expressar sua alegria.
— Então somos incompetentes?! Não senhor... O senhor é que é... E burro se acha que envelhecerei sem reinar... Nunca! O senhor meu pai... Logo partirá para terra dos mortos... Kamus já sumiu, esse aposto que nem volta mais, já Dégel... — Sorriu ao falar o nome do irmão. — Esse ai... Eu mesmo darei cabo dele com minhas mãos, e eu, apenas eu ficarei! E tudo será meu!
Foi tirado de seus devaneios quando ouviu passos. Era Dégel que se aproximava. O mais novo olhou para o irmão e falou preocupado:
— Acha que ele ficara bem?! Já não é um homem novo! Tenho receio, Kamus já fugiu e agora o rei doente... O que falta acontecer?! — O de olhos verdes perguntou preocupado, mas então o mais velho respondeu frio.
— Receio de que?! Nosso pai está bem, é só um mal estar... Agora vamos... Fiquemos ao lado dele e esperemos o médico chegar.
O médico não demorou muito, e tão logo chegou ao castelo se dirigiu aos aposentos do rei. Bateu e recebeu ordem para entrar, quando o fez deparou-se com a imensidão, a beleza e a riqueza daquele recinto. Ele nunca havia estado ali, o único que sempre ia ver era Kamus, já que tratava da saúde do príncipe.
— Como vai Sisífo?! — O rei perguntou
— Estou bem meu senhor... — O homem fez uma reverência ao responder.
Hades olhou para os filhos e ordenou que saíssem, ainda tentaram argumentar, mas ele fora taxativo. Depois que os príncipes saíram dali, o médico sorriu de canto e se aproximou.
— O que há com você?! Sempre foi tão forte!
O rei lhe sorriu: — Também não sei... Ando muito preocupado. Kamus sumiu e isso é perigoso... Posso não ser o pai que ele queria, mas o quero vivo... E você sabe bem o que pode acontecer! Tenho receio por ele... Sempre lhe pedi que fizesse de tudo para que ele não soubesse nada sobre sua natureza, mas agora com ele distante Sisífo, será mero achado nas mãos daqueles que descobrirem seu segredo... — O moreno suspirou:
— Tenha calma... Chamou por Saga?! Talvez ele o encontre... Kamus é mais forte do que pensa Hades, só não tem a malícia do mundo, mas aprenderá rápido. Bem, deixe-me examiná-lo agora... — O outro levantou e começou a examinar o rei. Pensava no principezinho e em sua “saúde”.
Quando terminou o exame falou sério:
— Vou passar um tônico, e só... Nada demais! Agora precisará repousar e se alimentar bem! E não ouse me desobedecer!
Hades revirou os olhos e assentiu:
— Pode deixar! Farei isso! — O rei ditou seco, e viu o médico juntar suas coisas, ao sair dos aposentos do seu senhor.
Sisífo seguiu pelos corredores a fim de falar com os príncipes, encontrou-os o esperando próximo ao jardim.
— Príncipes Radamanthys e Dégel, seu pai têm uma fraqueza que não é comum, então vou deixar esse medicamento e quero que o administrem sempre pela manhã, deve ajudá-lo.
Dégel suspirou:
— Mas vamos viajar doutor... — Ia ainda falar, mas Radamanthys fechou a boca dele:
— Não se preocupe Dégel, tem o Thanatos, ele pode muito bem fazer isso, é um homem de confiança do rei! E sei que ele fará o que for ordenado.
O médico assentiu e Dégel tirou a mão dele de sua boca olhando feio para o irmão. Deu as costas a Radamanthys, irritado e batendo o pé falou enquanto se afastava:
— Então acho bom falar logo com ele, nós temos que ir embora logo!
O loiro revirou os olhos e o médico lhe passou os remédios seguindo para fora do castelo. Radamanthys respirou aliviado, e foi à procura de Thanatos, o encontrou treinando, já que ele era responsável pela segurança do rei. Olhou por um tempo o loiro a sua frente ele movia-se com maestria e cuidado, era muito bom com as armas.
O homem parou ao se sentir observado, e então se voltou para ver quem era — Alteza... — Falou cumprimentando Radamanthys e fazendo uma reverência leve com a cabeça. Tornou a olhar para os homens ali e os dispensou, e se aproximou do príncipe, os dois saíram caminhando pelo jardim e só então o loiro se pronunciou.
— Thanatos... O rei não se sente bem... Isso é muito bom! Sísifo veio vê-lo, mas disse ser apenas uma fraqueza, e deixou um tônico para ele tomar... Aqui está! — Disse entregando o frasco ao outro e olhando firme nos olhos dele falou. — Sabe o que fazer... Infelizmente o tônico não servirá para salvá-lo! Viajarei em poucos minutos, retorno no fim da tarde...
O homem assentiu e olhando ao redor e não vendo ninguém, fez o príncipe parar e falou firme:
— Pode confiar! Logo Hades chagará ao fim de sua existência, mas lembre-se: Vou cobrar o favor no tempo certo — O outro o advertiu antes de se afastar. Aquela atitude deixou o loiro irritado, no entanto não disse nada, apenas seguiu para perto de Dégel e dali partiram a outra cidade a fim de encontrar Kamus, era sua última tentativa.
Durante todo o percurso seguiram em silêncio. Ao chegar a um pequeno vilarejo, a carruagem parou e os príncipes desceram, andaram por ali, questionaram e não descobriram nada novo. Entraram na carruagem e andaram alguns metros e desceram novamente, e Dégel suspirou cansado e levou a mão aos fios verdes.
— Kamus... Onde você está meu irmão?! O que aconteceu com você?!
O rapaz tinha o coração apertado e olhava para o nada sentindo certo desespero. Sentia-se culpado, já que fora com sua ajuda que o mais novo fugira. Passou a mão pelo rosto e foi quando sentiu uma dor aguda em suas costas, queria gritar, contudo sua boca fora tapada, e um fio de lágrima desceu pelo canto dos olhos.
— Achava mesmo que eu ia ter deixa viver para rouba meu lugar? Sua mãe era uma vadia... E ela merecia morrer, a única pena é que aquele imbecil do Kamus não morreu junto! Mas tudo bem, ele é tão idiota que acabou por facilitar meu caminho, fugiu e a essa altura deve estar morto! MORTO! — Radamanthys ditava em seu ouvido enquanto segurava uma adaga enfiada às costas do irmão.
Dégel sentia sua vida se extinguir, ia morrer ali, no meio do nada, e sem achar Kamus, e o pior pelas mãos de seu próprio irmão. Abriu a boca, mas sua vez não saíra, porém queria dizer algo.
— Por quê?!
Radamanthys gargalhou: — Por quê?! Por quê?! — Ele perguntou e sorriu alto, chamava a atenção de alguns. — Achou que eu deixaria você reinar?! Nunca! Eu serei o próximo rei, e isso será mais rápido do que imaginas!
Dégel sentiu a forças indo embora e suas pernas fraquejarem. Seu corpo começava a pesar nos braços do irmão mais velho.
— Acabou Dégel... Vou encontrar Kamus e vou matá-lo também, isso se já não estiver morto... Sabia que ele não veio para cá?! Ele sumiu no porto! — Ele falou e sorriu ao ver os olhos do outro crescer em tamanho. — É... O seu irmão está perdido no mar... Ou já foi comido pelos peixes! — A cada palavra o loiro sorria ainda mais, como se contasse uma piada.
As lágrimas escorriam pelo canto dos olhos de Dégel, mas não conseguia falar, a dor era muito grande. Não sabia explicar o que lhe doía mais. Seu coração ou a facada. Olhou para ele uma última vez, pois julgava que logo sucumbiria, não conseguiria lutar contra morte. Sempre fora um fraco e um acomodado... E agora pagava por tal comportamento.
Radamanthys ergueu-se deixando o irmão ali no chão, para morrer sangrando. Olhou para os soldados e ordenou frio.
— Vamos! — Após duas ordens seguiram de volta ao reino ignorando completamente Dégel. Limpou sua adaga e agora chegou mesmo a assobiar, agora pensava em como seria mais fácil, e no que diria ao pai.
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O martelo desceu sobre o ferro, e o barulho estridente ressoou pelo local. As mãos que seguravam o martelo eram fortes e calejadas. O calor ali era intenso, mas aquele era seu ofício há anos. Já estava acostumado e lhe fazia bem, lhe distraia. Não era um homem dado a muitas amizades, era calado e frio, e nunca sorria para ninguém.
Enquanto trabalhava lembranças de um tempo que não voltaria mais povoavam sua mente. Lembrava-se que aquele vilarejo nem sempre fora tão pobre. Sorriu internamente quando as imagens de crianças correndo pelas ruas e brincando felizes preencheram sua mente e aqueceram seu coração. Viu-se descendo a rua em direção a uma casinha minúscula, tinha nas mãos: pães frescos, o leite, e ao nesse tempo ele conseguia sorrir. Ao chegar à casinha, nem precisou entrar e logo os braços quentes dela o envolveram, e nesse momento a dor voltou a assombrá-lo.
— Ei... Pai, não fica assim... Eu te amo sabia?! — Uma jovem de cabelos e orbes igualmente verdes estava ali, e abraçava ao pescoço dele. Suavemente beijou a bochecha do pai e depois ficou em frente a ele e o fez olhar para si. — Você está bem?! Fiz o almoço, mas vou comprar umas frutas, volto logo pra gente almoçar!
Ele sorriu. Sim para ela ele sempre tinha um sorriso, e um carinho.
— Não demore! Sabe que não gosto que saia sozinha, ainda mais num tempo como esse que o “rei” decidiu que todo mundo é culpado elo desaparecimento do filho dele, vai ver ele fugiu da crueldade dele.
A jovem assentiu, sabia que ele tinha receio que algo lhe acontecesse, desde que sua mãe morrera pelas mãos cruéis de um nobre, seu pai tomara ódio de qualquer um da nobreza. Era muito pequena e não lembrava bem, mas sabia a dor que fora perder a mãe e ainda ver o pai sofrer daquele jeito.
Com um sorriso moleque, levou à mão a testa e bateu continência:
— Sim senhor! — Ela ditou e já ia correr quando a voz do pai se fez ouvir. — Shina! Pare de correr, não é menino filha!
Ela sorriu e voltou para perto dele, deu-lhe mais um, beijo e ditou sorrindo de forma divertida. — Ah pai...
Ele sorriu e a viu correr para fora dali. Balançou a cabeça negativamente, mas não tinha o que fazer, pelo menos a alegria dela lhe fazia viver.
Shina correu até uma pequena banca de frutas ali, e comprou algumas laranjas, mas escondeu-se quando viu aquela carruagem e o loiro na janela, porém, não conseguiu conter a curiosidade a assim acabou seguindo o veículo por trás das casas e arvores ali, até que a viu parar, de novo e dessa vez pode ver os príncipes ali.
Eles procuravam por algo, perguntavam, mas parecia não encontrar nada. Os viu seguir de volta a carruagem, porém com espanto viu o loiro atacar o outro e o deixar caído no chão. Ficou sem ação, no entanto assim que a carruagem partiu, soltou as laranjas e correu até o ferido. Ajoelhou-se perto dele e tirou os fios verdes que por causa do vento estavam espalhados pelo seu rosto, o olhou com calma e avaliou aquele homem, pensava se ele estava morto, quando o ouviu gemer.
Ao sentir as mãos suaves lhe tocarem Dégel abriu seus olhos e que mesmo turvos procuravam saber quem era, mas não conseguia pensar, abriu a boca, mas só conseguia sentir sede.
— Água, por favor... Água...
— Oh deuses! Eu... — Shina ficou sem saber o que fazer. Claro que reconheceu o jovem como àquele que a ajudara, e nesse momento que ele carecia, negar, seria contra seus princípios. — Espere aqui... Eu vou... Chamar meu pai... Não morra! — Ordenou e saiu correndo.
Shina saiu correndo de volta para casa, e quanto entrou achava-se ofegante. — Já voltou? E o que eu disse sobre ficar correndo?
— Pai me ajuda! Ele está muito ferido, vai morrer! — Fala disse eufórica.
— Quem? Fale devagar querida! — Kárdia disse deixando o que fazia e indo atender a filha.
— O homem que disse que me ajudou da outra vez... Ele foi ferido por alguém, está mau pai!
— Ok! Me leve até ele. — Kárdia disse deixando-se ser puxado pela filha. Tão logo eles chegaram ao centro do vilarejo, Shina o guiou até atrás de algumas cabanas, justo onde encontrará o belo homem.
Os olhos dos dois captaram a poça de sangue que se formava, e que o jovem havia caído na inconsciência. Kárdia não pode deixar de reparar nas roupas finas e elegantes dele, estava pronto para dizer para Shina que não ajudaria aquele tipo de pessoa, mas algo em seu coração apertou, e mesmo sem entender o que era aquilo, foi até o jovem e sem dificuldade o pegou nos braços. Para alguém acostumado com serviços pesados, fora fácil tomar o desconhecido nos braços, e sendo seguido pela filha rumou para sua casa.
Ao chegarem à oficina de ferragem, ele seguiu para a porta que ficava nos fundos, que dava justo para a pequena casa deles. Levou o homem ferido ao seu próprio quarto e o colocou na cama.
— Querida, pegue água, pano e vá buscar ervas com dona Lith, rápido! — Ordenou Kárdia, não havia muitos recursos, mas o que era possível faria para salvar a vida daquele jovem.
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Foi no segundo dia que Mu e Shaka finalmente deixaram o quarto deles. O médico desfilou pelo navio segurando a mão de seu esposo, sem se importar com os olhares curiosos, já Mu achava-se corado e receoso. Era a primeira vez que vestia roupas masculinas, e ainda sentia-se estranho, porém não queria mais fingir ser alguém que não era. Sabia que ainda teria traços femininos, afinal viveu a vida todo agindo como mulher.
As roupas que vestia eram desgastadas, afinal, não dava para comprar roupas em alto mar, mas por enquanto serviam.
— Mu? — A voz de Kamus era baixar e surpresa.
O jovem de cabelos lilases tremeu e apertou a mão do marido. Ele tinha Kamus como um irmão, e se ele o desprezasse, seria doloroso. — É... Oi! Eu... É...
— Você está diferente... — Não havia nojo ou algo assim nos olhos do príncipe, talvez surpresa e curiosidade.
— É, eu acho que descobri que minha mãe mentiu para mim a vida toda... E sou homem! Loucura, não! — Falou corado.
— Venha, precisa me contar os detalhes! — Kamus pegou a mão de Mu, mas antes de ir com ele, Mu olhou para Shaka que acenou dando um sorriso e um rápido selinho.
— Nós vemos depois! — Dito isso, o médico saiu rumo à cabine do capitão. Haviam ficado distantes aqueles dois dias, e agora precisava se inteirar da situação antes da missão.
Kamus puxou o amigo para a proa do navio, aquela parte se achava mais calma, já que os marujos achavam-se fazendo outros trabalhos. Os dois rumaram até a borda do navio e sentaram no chão encostando-se à madeira.
No começo ficaram calados, mas depois, Mu começou lentamente a contar toda sua história... Como Shaka descobriu e contou para ele, e por que possivelmente sua mãe mentiu para ele. Claro, Mu não pode evitar chorar, porém Kamus o consolou e disse palavras gentis ao amigo.
— Vo-você vai deixar de ser meu amigo por causa disso? — Mu indagou temeroso.
— Não! Mu... Você é como um irmão para mim... Talvez agora sabendo que é um homem até me sinta mais a vontade. — Kamus disse encarando o amigo.
— Isso me deixa feliz! É como um irmão para mim também. — Mu disse dando lindo sorriso.
— E... Como foi? — Kamus corou. — Digo... A lua de mel? Ele não se importou por você ser homem? O machucou?
Se Kamus estava corado, Mu ficou mais ainda. — É... Logo quando ele me contou, não aconteceu nada, apenas dormimos juntinhos. Eu chorei muito, e ele me consolou e foi gentil. Acho que estou apaixonado por ele...
— Isso é bom! Então vocês...
— Ah! — Mu escondeu o rosto com as duas mãos. — Pela manhã... Nós... Fizemos amor... Eu não sei como é para os outros, mas foi tão mágico... Shaka foi gentil e me tocou tão carinhosamente. Senti-me no céu! Fizemos mais de uma vez, nem sabia que era possível. Fiquei um pouco dolorido, mas não machucou, não!
— Oh... Isso é bom... Fico feliz! No final, ele é seu marido, estão casados.
— Sim! Eu realmente estou feliz. — Mu deu um lindo sorriso. — E o capitão, ele...
— Uhh! — Kamus olhou para um caixote de madeira como se ele realmente fosse à coisa mais interessante do mundo. — Ele nunca foi até o final... E acho que não é tão carinhoso como seu marido, porém não me machuca de verdade. Digamos que ele tem uma pegada firme.
— Oh! Não o deixe ter ferir. — Mu disse. Não sabia se poderia fugir novamente com Kamus, porém não queria vê-lo ferido.
— Não deixarei! Do jeito dele é até amável, mas acho que não sabe demostrar muito. — Os dois ficaram por horas conversando, desde sexo, namoro, suas vidas antes, sobre a vida no mar e seus sonhos.
Nesse ritmo o bravo navio cortou os mares, e na manhã do quinto dia ele chegou à baía de Arryn. Havia parado em um porto escondido, e um pequeno grupo formou-se para ir ao comércio de Arryn. Aioria e Kanon ficaram no navio a fim de cuidar dele e receberam ordem de deixar tudo pronto caso precisasse fugir.
Milo fez questão de que Kamus e Mu fossem, pois além de conseguirem a encomenda do negociador dele, o capitão queria comprar roupas para os pequenos, visto que até agora eles andavam vestindo somente trapos, e além de alguns mantimentos para o navio.
A pequena ilha era rodeada por vilarejos e até mesmo tribos mais selvagens, e como a marinha real quase não ia ali era perfeito para comércio negro, que ia desde: tecidos, mantimentos, iguarias, joias, artigos especiais, a até mesmo escravos. Como diziam: “em Arryn poderia se encontrar de tudo”.
Mask e Shura foram à frente a fim de fazerem reconhecimento e se vissem algo a mais, agirem. Era estranho pensar nos dois lado a lado, visto que Mask queria matar o novato, mas o capitão viu nessa missão uma chance para eles apaziguarem suas diferenças.
Shaka e Milo foram mais atrás acompanhados de Kamus e Mu, justo por que os menores não tinham um ritmo rápido. Quando eles chegaram à pequena colina puderam visualizar o comércio. Ele era a céu aberto e ficava em uma clareira as margens da praia, assim com um acesso fácil até demais.
Era um lugar enorme e bagunçado. Havia todo tipo de pessoas, homens bárbaros, gordos, orientais, indus e até mesmo alguns diferentes com chifres ou pele verde. Milo e Shaka ficaram observando tudo e conversando baixinhos, seus olhos sagazes analisava cada detalhe. Já os menores olhavam com curiosidade e horrorizados.
— Não se afastem, e sejam obedientes! — Milo disse frio e áspero. Ele tomava a pose maior de pirata, um guerreiro e criminoso, mas era essa postura que os mantiveram vivos por anos.
Continua...
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