Notas iniciais
Olá! Estamos bastante empolgadas com o retorna que estamos tendo da fic... Isso nos incentiva a mais e mais ideias. Sei que Milo tem sido duro demais com Kamus, mas... O escorpião é um homem bruto pela vida no mar... Mas nem por isso o coloca como cruel... De alguma forma, será seu jeito de ser que conquistará o ruivinho.
Gratas por lerem, e curtam o capítulo!

Estava preocupado com seu amigo, pois considerava o jovem de cabelos verdes especial, mas sabia que não poderia ir averiguar ao menos que desejasse a ira dos piratas, assim deixou estar. Terminava de preparar a janta daqueles homens, estava muito cansado, mas terminou de arrumar a cozinha ‘sozinha’ e quando o sol começava a sumir no horizonte rumou para a cabine que residia.


Cada parte de seu corpo lamentava de dor. Achava-se ‘suada’, um banho viria muito bem. Não que tivesse uma vida mansa na terra, no escorpião, era até mais fácil.


Mu nunca tivera uma vida fácil. Seus pais realmente se amavam, mesmo sendo humildes, mas quando tinha menos de um ano de nascida, seu pai morreu, e poucos meses depois sua mãe casou-se de novo. Seu padrasto era um homem bronco e grosseiro. Sua mãe trabalhava duro em casa e ainda o ajudava na taverna, ela realmente doava-se muito, principalmente a fim de manter Mu longe daquele antro.


Mu não era ‘estúpida’, sabia que sua mãe sofria e apanhava de seu padrasto, mas por elas aguentava tudo calada. Quando a mesma faleceu alguns meses atrás, finalmente o verdadeiro martírio começou. O homem a forçou trabalhar naquela taverna, antro de maus caracteres, bêbados e prostitutas. Tentava ao máximo fica longe deles, mas não era uma tarefa fácil.


Bem, apenas uma certeza tinha, o velho não ‘a’ venderia como as meretrizes, pois via em si a fonte da riqueza, pois pretendia casa-la com alguém com altas posses, ou que pagasse um dote alto. Era literalmente o cofre da riqueza que ele gananciava.


Claro que diversas vezes tentou fugir, mas sempre acabava sendo capturada, e no final, não tinha para onde ir. Sabia que nas ruas teria apenas um destino, prostituição, e isso recusava-se a aceitar para si.


Mesmo tendo lutado tanto para evitar esse destino, Mu acabou realmente sendo ‘vendida’. Quando os piratas do escorpião negro entraram na taverna seu destino foi selado.


O pirata loiro realmente caiu de graças sobre si, e pagou uma gorda fortuna por seu dote. Mu não negava que ele era lindo, visto que temia casa-se com um velho, gordo e bêbado, porém beleza podia não significar nada... A pessoa poderia ser bela no exterior, e um monstro por dentro.


Ao menos até agora o pirata Shaka, havia sido respeitador, e dado tempo para se acostumar. Em outros termos, ele ‘a’ cortejava primeiro, e se assim continuasse, podia acreditar que logo cairia facilmente por ele.


Perdido em tais pensamentos ‘a donzela’ seguiu para os aposentos. Ao entrar reparou na decoração. Era um quarto simples, mas os móveis eram de boa qualidade, e o recinto bem organizado.


Pegou a toalha do aparador e um vestido limpo. Bem, eram tudo que tinha. Os dois vestidos, seus únicos pertences. Sentindo o cansaço cair sobre seu pequeno corpo, seguiu ao banheiro.


Lentamente retirou cada peça de roupa de seu corpo, e olha que o arsenal feminino era extenso. Fazia tudo concentrada em seus pensamentos, e seus ouvidos não captaram o som da porta.


Enquanto ‘a jovem’ despia-se no banheiro, o pirata loiro entrou no próprio quarto. Ainda não podia acreditar que o capitão quase matou o seu prisioneiro pessoal com trabalho, bem, não propriamente matar, mas o jovem não estava muito bem. O pouco que pode avaliar, o príncipe tinha uma saúde bem frágil, mas nada que não pudesse corrigir com o tempo.


Shaka desfez da parte superior de sua vestimenta, permitindo que sua pele leitosa ficasse a mostra, algo peculiar para quem vivia em alto mar com o sol escaldante em sua cabeça.


Diferente dos outros piratas que tinham vindo de procedência humilde, de traições ou exército, Shaka era um homem que viera de berço de ouro, um homem estudado e de conhecimento. Original de um pequeno país, ele era o filho mais novo do rei, e cresceu em meio a luxo e melhores professores, mas ainda assim, mergulhado na solidão. Por sua vontade de ajudar as pessoas, estudou justo a arte da medicina, e quando completou seus 18 anos, pediu ao seu pai sua liberdade. Claro, para muitos poderia ter desonrado sua família, mas sendo o décimo filho, não faria falta ali.


Andou pelo mundo a fora, desenvolvendo sua prática na medicina e conhecendo o que até então tinha visto nos livros. Ajudou em alguns vilarejos pobres de pescadores, e foi justo em um desses que sua vida mudou. O local havia sido atacado por uma infantaria de soldados, todos gananciosos que queria ganhar sobre os pobres, mas Shaka lutou, um homem contra um pequeno exército. Quando a morte estava em seu pescoço, foi salvo, e justo por homens considerados foras da lei.


Desde então, havia se juntando a tripulação do Escorpião negro, e agora dispunha seus serviços ali, e claro, um verdadeiro pirata, afinal não era somente na arte da medicina que era bom.


Deixando por um momento a historia de sua vida de lado, ele foi atraído pelo doce som. A voz melodiosa ecoava uma canção singela e popular, mas o que chamou sua atenção era a bela voz e de onde provinha.


Atraído pela voz de ‘sereia’ e a curiosidade, seguiu em passos silenciosos até a porta entreaberta do banheiro, e seus olhos azuis olharam para dentro. Sabia que era contra a sua educação de berço, mas deixaria para culpa dos modos dos mares.


Seu coração parou uma batida e sua ereção cresceu em suas calças. Shaka lambeu os lábios secos pela pesada respiração. Sua mente dizia para sair dali, mas seu corpo ansiava entrar mais, ficando naquele duelo, seus olhos captavam os detalhes do ser angelical ali.


Ainda que de costas, ele pode captar cada detalhe do corpo nu de sua ‘noiva’, visto que pagou o dote dela. A pele leitosa estendia-se sobre toda musculatura, o corpo magro e delicado era agraciado por certas curvas.


Os cabelos lilases caiam em seus ombros e costas fazendo contraste perfeito e único. Shaka segurou no umbral da porta, uma alavanca para impedi-lo de entrar e se apossar do que lhe pertencia.


Cada detalhe de Mu não passou despercebido aos seus olhos. Ele puxou o ar. Sua calça estava preste a rasga diante de seu falo ereto e gotejante.


Decidiu entrar, chegando a dar o primeiro passo, mas parou quando ‘a’ jovem virou. Seus olhos cresceram em largura e espanto. No lugar dos seios, o peitoral era reto, claro enfeitado com mamilos rosados, mas ainda não tinha. Os olhos foram descendo... Até que se deparou com as partes íntimas. Não havia dúvida, sua “noiva”, não era necessariamente uma donzela... Ou melhor, uma mulher... Era seu igual. O corpo ainda podia ser pequeno e gracioso... Até com curva mais acentuada.


Em primeira instancia a raiva pendurou em seu coração. Havia sido enganado. Sentiu vontade de voltar ao porto anterior e matar o verme do taverneiro, e depois dar uma lição no farsante que se dizia ser mulher... Mas depois ponderou. Sempre foi bom julgador de caráter devido seu controle e interminável paciência, assim, não a perderia agora.


Havia uma explicação naquilo tudo, e iria descobrir a verdade. De alguma forma, em seu coração acendeu uma certeza, que o maior iludido nisso tudo era Mu... Que o jovem realmente considerava-se uma jovem, e não o contrário.


Precisando tomar um pouco de ar, girou sobre seus pés e pegando sua blusa, saiu do quarto. A brisa fresca da noite no mar o ajudaria tomar a decisão certa e digerir aquela novidade. Deixou o jovem tomando seu banho e saiu rumo ao destino pretendido.


–oo0oo-


Milo achava-se sentado em um dos lados da cama. Sua costa contra a cabeceira da cama, uma das pernas achava-se estirada e a outra dobrada. Seu olhar era duro e a ruga em sua testa indicava que pensava serio em algo.


Vez ou outra seus olhos azuis caiam sobre o jovem de feições delicadas que dormia profundamente. Captava cada detalhe, curva e forma do mesmo. Não podia negar, ele era lindo e totalmente o seu tipo. Cabia perfeitamente em seus braços, o corpo magro, mas acentuado e o gênio forte... Afinal, para lidar com um pirata e ainda o líder de um bando, somente sendo alguém de presença.


Logo quando entrou naquela taverna soube quem era o jovem em trajes femininos, afinal, além do conhecimento do mundo ele sabia muito sobre aquela família, visto que os tinha marcado e faria sua vingança, não importava o tempo e a demora... Mas... Duelava em seu interior. Queria descontar no jovem ou usá-lo como arma, mas por outro lado queria tomá-lo como seu amante.


Uma decisão profunda!


Claro que lidar com o gênio forte do príncipe era divertido, amava vê-lo fazer bico ou fica corado diante de suas provocações. Quando teve que castigá-lo pela possível fuga... Pesou no começo, depois se divertiu em dominá-lo, mas depois sentiu a culpa lhe corroer... Milo era ciente de seus gostos, de como era dominador, controlador e o estilo D/S. Não era fácil achar alguém que se submetesse ao jeito que gostava na cama, não de maneira verdadeira... Mas o príncipe se encaixava tão bem, apenas precisava treiná-lo.


Diferente do que as pessoas pensavam, no estilo dom e sub não era um ato apenas de tortura ou para bater, era um estilo de vida onde um depositava totalmente confiança no outro, onde o submisso permita que seu dom ou mestre guiasse sua vida e suprisse todas suas necessidades.


Claro, havia quem gostasse de jogar com brinquedos, alguns atos mais selvagens, mas poderia também haver carinho ou toques suaves. Mas uma das regras principais era o respeito, e Kamus teria que aprender isso profundamente.


Quando o príncipe remexeu na cama, Milo posou os olhos sobre ele, vendo que ainda dormia. A febre tinha baixado, e agora ele dormia pesadamente. Iria seguir o conselho de Shaka, pegaria mais leve, porém não deixaria aquele príncipe minado fazer o que bem entendesse, o ensinaria quem era seu mestre.


Milo continuou sentado aproveitando sua garrafa de vinho fino e os pensamentos a mil. Como líder tinha várias responsabilidades, e teria que lidar com elas em algum momento, mas agora apenas queria ver a bela criatura dormir.


–oo0oo-



Três dias depois daquele incidente, Kamus encontrava-se bem melhor, mas o capitão Milo se surpreendeu com o jovem príncipe, pois o jovem já estava farto de ser tratado como inútil, mesmo sabendo que sua saúde era frágil, não queria mais viver como um “peso”. Agora era questão de honra, junto com Mu, ele estava tomando conta da cozinha, e ajudava a limpar e cozinhar, os serviços eram menos pesados, mas ainda assim exigia força de vontade para conseguir cumpri-los.


Aquelas atitudes deixavam Milo ainda mais encantado e ao mesmo tempo fazia aumentar em si a dúvida, a cada dia questionava-se mais sobre sua “vingança”. Aquele jovem mesmo com sua petulância, não lembrava em nada as pessoas que haviam mudado sua vida. Procurava não pensar nessas coisas, não podia desviar seu foco.


O pirata estava distraído com uns mapas quando ouviu a voz de Mascara da morte. Ele dizia que se aproximavam do porto de Suruth. Chegariam ao meio dia e faltavam ainda uma hora. Milo levantou e foi ocupar seu lugar no leme. Iria entregar sua mercadoria e depois partiria para Arryn.


Kamus e Mu estavam na cozinha e terminavam o almoço, já que levantavam muito cedo, agora já estavam um pouco mais acostumados com o serviço ali. Mu estava um tanto estressado, há três dias Shaka estava um pouco estranho, não que o conhecesse, mas ele parecia estar com certo receio de si e quando chegava perto, seus olhos pareciam atravessá-lo. Sentia que ele a observava mais e aquilo o estava deixando incomodado, ele havia estabelecido um tempo para tocá-la e agora já passava um dia e ele nem falara no assunto.


— Kamus... Eu sou feia?! Eu sei que não sou tão atrativa assim, mas... — Sentiu os olhos arderem e não entendeu os próprios sentimentos. Não entendia por que o fato dele parecer lhe rejeitar, a estava deixando tão insegura.


O príncipe olhou para lilás e falou baixo. — Claro que não! Você é linda... Mas por que pergunta? O que aconteceu? O médico falou algo? — O jovem não sabia se o pirata já tinha tocado nela.


Mu olhou para o príncipe e falou baixo. — Não... Não disse nada... — A jovem não tinha coragem de admitir que esse fosse o problema. Queria que ele dissesse algo, mas ele apenas se afastava e parecia ter certo “nojo” de si. Decidiu mudar de assunto. — Mas esses piratas são mesmo engraçadinhos, querem que a gente cozinhe, mas falta tudo!


Aquela frase de Mu fez uma ideia surgir na cabeça do jovem príncipe. — Ei Mu... Essa é nossa chance... Estão faltando umas coisas aqui como disse agora! Por que não tomar anota? Falamos com o capitão e vamos comprar viveres, e então...


Mu queria acompanhar os pensamentos do outro, mas estava mesmo tão envolvida em seus problemas que não conseguiu entender. — Chance? Chance de que Kamus? E comprar viveres? Mas...


O príncipe suspirou e revirou os olhos se aproximando da amiga, segurou firme o braço dela e a puxou para dentro da dispensa. — Quanto tempo mais quer ficar aqui dentro? Esse homem é mesmo o que escolheu para si? É com ele que quer formar uma família? Ter filhos? — Via confusão naqueles olhos verdes e estranhou, mas nada ditou a respeito. — Escute, se descermos para comprar viveres, podemos fugir! Estaremos longe de seu padrasto e eu sou homem, posso conseguir um trabalho, e podemos ficar morar juntos...


O rosto de Mu corou imediatamente, Kamus era seu amigo, e não o via como o homem que a desposaria.


— Mas juntos como? Q- quer dizer...


O jovem sorriu dessa vez, mas depois ficou serio novamente.



— Ora, podemos dizer que somos irmãos... Eu cuido de você! Até que encontre alguém que a desposa. Ee por que ficou corada? Não casaria comigo?!


Mu arregalou os olhos.


— N-não é isso! Quer dizer... Você é meu amigo Kamus... O único que já tive em toda a minha vida e não gostaria de perder isso casando por conveniência sabe? Me desculpe, mas quero um amor... Quero ser desejada... — Os olhos verdes “da” jovem marejaram e ela abaixou o rosto e o escorou no peito dele.


Kamus a abraçou com carinho, coisa que nem mesmo ele sabia dar direto, meio sem jeito, mas com boa vontade, acariciou os fios lilases e falou baixo.


— Tudo bem... Também é uma amiga, me ajudou e ainda me ajuda... E eu entendo você, sei bem o que é querer ser importante pra alguém! Mas não fica assim, não nesse navio cheio de homens rudes que vamos achar isso!


Mu assentiu e assim os dois ficaram ali planejando como fariam para fugir dos piratas para sempre.


Ao meio dia o Escorpião Negro atracou no porto de Suruth, uma cidade comercial e muito movimentada. Ali muitos negociantes trocavam, compravam mercadorias de todos os tipos, inclusive escravos.


Milo saiu do leme e seguiu para dentro do navio, chamou alguns homens e os fez pegar os pesados baús com os tecidos. Estava desconfiado, podia sentir. Aproximou-se de Mask que já havia peado as cordas para prender os baús.


— Mask... Apenas um! Não vamos descer os três, não sei, mas não estou gostando, calmo demais!


O de cabelos espetados sorriu e assentiu. E começou a amarrar o baú para descê-lo para o barco que o levaria ao porto. Shaka, Aioria e Kanon se aproximaram. Mas antes se qualquer um deles se pronunciar, a voz de Kamus soou atrás deles, e todos olharam para o jovem príncipe.


— Precisamos comprar mantimentos, o que tem não é suficiente, faltam alguns temperos também!


Milo ergueu uma sobrancelha, mas então olhou para Aioria e ordenou.


— Acompanhe os dois ao mercado e compre o que faltar, e leve Shura! — Voltou-se para os outros. — Shaka, Kanon e Mask vêm comigo! Nos encontramos aqui, em uma hora!


Todos assentiram, e Aioria voltando-se para Kamus falou sério. — Chame sua amiga, vou chamar o Shura! — O leão saiu atrás do outro, mas estava possesso, no entanto, aquilo seria o correto, o manter debaixo dos olhos de um deles. Ser aproximou de Shura que limpava a parte de trás de convés.


— Ei... Shura!


O moreno levantou o olhar e esperou que ele falasse. Era um homem reservado e seu olhar frio, colocava medo.


— Vamos descer... O capitão mandou irmos ao mercado, acompanhar as donzelas... Hunf...


O outro concordou e parou o que fazia, lavou as mãos e seguiu com Aioria. Pegaram Mu e Kamus e desceram para o barco. Seguiram para o cais, desceram todos. Milo seguiu com o baú e os três piratas ao encontro do mercador de tecidos, e os outros seguram para o mercado.


Milo e os outros chegaram à loja do comerciante, tudo era muito requintado e o pirata não gostou daquilo. Nunca negociara diretamente em uma loja daquelas, normalmente fazia tudo em galpões ou no próprio porto. Shaka entrou primeiro na loja, sondou o ambiente e via o povo olhá-los desconfiados. O loiro não se demorou, pode perceber a tensão no ambiente e não era somente por sua presença.


Ao sair da loja seus orbes azuis visualizaram uma movimentação diferente. Milo sorriu de canto, mas tinha um olhar frio e irado. Aquele “negócio” era uma armadilha. O capitão do escorpião olhou para seus homens e ordenou frio.


— Voltem para o navio!


Mascara da morte estreitou os olhos. — E você? Vai passear na cidade?! — Perguntou sarcástico.


Milo o olhou e falou entre dentes. — Vou ensinar que com o escorpião não se brinca e nem se trai!


Mask sorriu. — Então vou com você!


Milo sorriu de canto e Kanon e Shaka saiam o que fazer. Ser separaram chamando para si atenção daqueles que os perseguiam, Milo e Mask sumiram nas sombras, e conseguiram de voltar à loja, agora aquele mercador ia saber quem era Milo ‘O escorpião’.


Shaka e Kanon fugiram dos soldados e conseguiram despistá-los voltando ao navio. — Preparem tudo, zarparemos quando o capitão voltar! E isso será logo! — Kanon falou e os outros já começaram içar as velas e preparar para partir a qualquer instante.


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No mercado, Aioria e Shura terminavam de pagar e pegar uns produtos necessários, quando o moreno de cabelos espetados olhou para o pirata que atendia pela alcunha de leão, ambos pareceram entender-se, o de cabelos espetados fez um leve sinal com a cabeça e o outro retribuiu, seus olhos verdes estavam estreitos.


Os dois prepararam-se para defender Kamus e Mu, afinal era sua responsabilidade mantê-los seguros. Os soldados se aproximavam, o moreno sentiu certa aflição e revolta, não voltaria à prisão, morreria, mas não voltaria mais.


Kamus observava tudo e via ali a chance de fugirem. Só precisavam esperar o momento certo. Viu um soldado se aproximar de Shura e nesse momento, os piratas reagiram, jogando neles parte do que tinham comprado e logo começaram a lutar.


Kamus segurou o braço de Mu e aproveitando a “distração”, puxou a jovem consigo. — Vamos! É nossa hora de fugir! — O príncipe aproveitava-se que naquela confusão os piratas não podiam olha-los e assim ele puxava a jovem para longe dali, passando por entre os feirantes.


Mu não sabia se aquilo era o certo, e olhou para os orbes azuis do jovem príncipe, seu olhar mostrava insegurança e preocupação, aquele jovem não tinha noção do que era viver as próprias custas, ou mesmo do que enfrentariam. — Kamus... Espera... Olha essa cidade, acha que vamos conseguir algo aqui?! Não dá! Por favor...


O príncipe a olhou irritado. — E o que deseja? Que aquele loiro faça o que quer? Eu não quero! Aquele idiota do capitão é um estúpido, e eu não vou voltar para as mãos dele! Não mesmo!


A jovem suspirou e assentiu, mas seu peito apertou, o médico não a estava tratando mal, se bem que não demonstrava mais qualquer interesse, talvez tivesse apenas intenção se vendê-la para recuperar seu dinheiro. Sentiu os olhos arderem diante daquela possibilidade, afinal, ele já não parecia querer nada consigo.


Enquanto Kamus a puxava para longe, os piratas corriam e lutavam. O mercado tinha as ruas largas, mas apinhadas de gente, e com isso os soldados encontravam dificuldade em passar e os piratas facilidade em fugir, já que derrubavam produtos no caminho atrapalhando a passagem e deixando os mercadores irritados.


Apesar de toda aquela confusão, Aioria havia visto para onde Kamus e Mu iam, ele corria sempre na mesma direção. Entraram em um beco e ele olhou para o moreno.


— Shura, eu vou despistá-los e lhe encontro no porto, siga pela esquerda e encontre aqueles dois, eles pensam que sou burro. Não devem estar longe!


O moreno assentiu e ambos fizeram o combinado, o leão chamou a atenção para si e assim o outro seguiu procurando por Kamus e Mu. Os dois já iam a certa distância, e nem mais olhavam para trás, acreditavam que distraídos, os piratas não viram para onde seguiam.


Chegaram a uma viela e pararam para descansar, seus peitos subiam e desciam e suas respirações encontravam-se descompassadas. Kamus se inclinou e escorou as mãos nos próprios joelhos. Até que agora conseguia correr, nunca tinha ido muito longe, suas pernas apreciam mais fortes.


Enquanto tomavam fôlego, não perceberam um sujeito se aproximar, um mercador de escravos, e ao ver aqueles dois ali, sorriu de sua sorte. Segurou Mu pelos lilases e Kamus pelos verde petróleo.


— Mas olha o que achei! Dois escravos e são tão bonitos... Vou ganhar um bom dinheiro com os dois.


Os dois arregalaram os olhos e se debatiam, tentando se soltar daquelas mãos sujas, mas o homem era forte e não os deixava sair. Segurando-os pelos cabelos, arrastou-os pelas ruas. Mas quando achava que tudo estava certo, sentiu uma dor fina em suas costas, e tombou soltando os dois prisioneiros.


Kamus e Mu olharam para trás e viram Shura, no entanto não sabiam se ficavam gratos ou se lamentavam. O príncipe o olhou sério, já a jovem tinha certo desespero nos orbes verdes e jogando-se nos braços dele chorou em desespero.


— Obrigada... Muito... Obrigada... — Agradecia entre soluços.


O moreno ficou sem jeito, mas afagou levemente os fios lilases. — Precisamos fugir, ou os soldados nos pegaram, vamos voltar ao navio. — Ele pegou nos braços dos dois e quando ia os levar, Kamus puxou soltando-se.


— Não! Eu não vou! Se você quiser ir Mu, tudo bem, mas eu prefiro morrer!


Shura olhou para o jovem e falou firme.


— Não sabe o que diz, quer que um homem desses que acabei de dar cabo, lhe pegue e venda como escravo? Vai mesmo morrer de trabalhar, ou apanhar... Você não sabe o que é passar fome, e ter que roubar um pão para comer e ser preso! Vai amargar e verá que estaria melhor no escorpião. Vejo que você vem de família nobre, não conhece um mundo, não sabe o quanto o rei e suas leis são cruéis, não tem ideia de quantas vidas e famílias foram destroçadas pelos desmandos de Hades Loutrec!


A cada palavra Kamus sentia o estômago embrulhar, era verdade, não tinha preparo algum para nada, e nem saúde. Mas não se deu por vencido.


— Não! Também não sabe o que é estar nas mãos daquele homem vil... Seu capitão não é nada diferente daquele homem! — Falou apontando o morto. Estavam num lugar que não passava ninguém, pelo menos não pessoas de boa índole.


Shura o olhou com certo pesar.


— Mas ele te bate? Te deixa passar fome? Você esteve doente, mas ele te deixou descansar! Acha mesmo que aquele homem ali... — Apontou o morto. — Ou a pessoa para quem fosse vendido te deixaria descansar? Te bateriam, te surrariam até a morte!


Kamus sentia-se inseguro, e agora estava incerto, será que fugir era a melhor solução? O jovem príncipe encontrou os orbes verdes da amiga e depois encarou os negros do pirata e suspirou entregue. Acabou seguindo ao lado do moreno que se sentiu aliciado de não ter que força-lo a nada.


–oo0oo-


Milo e Mask haviam entrado pelos fundos da loja, e puderam ouvir o homem se gabar de ter passado a perna no tal pirata, mas a alegria do sujeito não durou muito, pois o capitão do Escorpião negro entrou e antes que ele falasse enfiou a espada na barriga do homem e falou baixo no ouvido do que morria.


— Por que não ri agora?!


Mask matou os dois com quem o tal mercador falava. Os dois saíram dali e seguram de volta ao escorpião. Milo pensava que aquela altura, Aioria já devia estar de volta com os outros. Mas ao subiram a bordo, qual não foi sua ira ao saber que eles não estavam ali. Esperou um pouco, mas não podia esperar muito, os soldados já voltavam e em maior quantidade.


— Vamos zarpar! Agora!


Milo estava possesso. Shaka queria esperar por Mu, mas sabia que não podia. Mask e Kanon estavam preocupados com Aioria, ambos pensavam que provavelmente Shura os tinha traído. Os dois queriam descer e procurá-los, todavia sabiam ser impossível.


Milo olhava o porto que aos poucos ia ficando distante.


— Para o próximo porto! O leão nos encontrará lá! — Nenhum deles tinha a coragem de admitir que ele estivesse morto, e muito menos Milo. Aioria era seu amigo, e se algo tivesse acontecido a ele, mataria o culpado.


Naquele instante Kamus, Mu e Shura chegavam ao porto, Aioria havia dito ao moreno que os encontraria ali. Mas seus corações pareciam que iam saltar, seus estômagos afundaram, quando viram com certo terror o escorpião zarpar. Os três estavam sem ação, como fariam agora? Se ficassem ali logo seriam perseguidos... Quando acharam que estava tudo perdido, ouviram a voz de Aioria.


— Vamos! Temos de chegar ao porto clandestino, e rápido!


Seguiram a fim de conseguir um barco, uma forma de chegar ao próximo porto. Nem mesmo o Leão sabia se conseguiram chegar, mas tinha que ser rápido, o escorpião não poderia se demorar no porto seguinte. A incerteza reinava em seus corações, mas não se dariam por vencidos.


Continua...