Escorpião Negro
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Boa leitura!
As quatro figuras andavam o mais rápido que podiam no porto. Embrenhavam-se entre a multidão, ao que Shura segurava o braço do jovem de fios lilases, e Aioria o do príncipe. E se mantinham atentos a fim de terem certeza de que não eram seguidos pelos soldados. Por estarem a pé, e ser necessário despistar os soldados reais, levaram mais tempo que o desejado para chegar ao seu destino.
Quando finalmente saíram do porto, afastando-se da cidade, seguiram por uma floresta fechada até alcançarem uma praia deserta. Em passos rápidos, seguiam sem pronunciar nada.
Os menores sentiam a respiração pesada, e os corações batendo forte. Para quem não era acostumado a seguir grandes distâncias rapidamente estavam aos tropeços.
Suas pernas doíam e as bolhas em seus pés começavam a sangrar, tal como a dor no estômago devido à correria.
— Vamos parar um pouco! — Mu pediu arfando profundo.
— Não podemos. — Aioria disse firme.
Kamus olhou para o horizonte, o sol começava a ser por. Seus olhos azuis contemplaram a beleza da natureza, o sol brincava com o céu em cores, alaranjado fugia para o lilás e azul, um cenário digno das mais belas pinturas.
— Quando chegarmos descansarão! — Shura disse.
Kamus sentia o aperto no braço, na certa em sua pele branca ficaria a marca dos dedos do pirata. Sua mente vagava longe, nas palavras de Shura.
Realmente seria melhor ficar nas mãos dos piratas? Ser mero escravo daquele capitão? A vida fora seria pior? Pelo que tinha visto até agora, nenhuma opção era boa. Voltar para casa e casar-se com Lord Siegfried estava fora de cogitação, mas tornar-se um prostituto para sobreviver não parecia agradável... Ao menos no navio seria apenas de um homem...
O príncipe balançou a cabeça tentando afastar tais pensamentos. Isso devia ser inaceitável para ele.
Tão perdido em sua mente, não reparou o caminho, pareceu acordar somente quando viu ao longe o porto clandestino. Havia poucos navios, mas as bandeiras hasteadas denunciavam a quem pertencia, homens foras da lei.
O príncipe sentiu uma angustia crescente em seu peito quando viu o Escorpião negro, Kamus tentou se soltar do agarre do leão, mas este manteve firme as mãos nele, e o arrastou pelo porto.
Os menores deixaram caír os ombros encabulados diante das figuras grotescas, sujas, vestidas maltrapilhas e olhares maliciosos que caíam sobre eles à medida que eram levados pelo local.
Surpreenderam-se quando ao invés de serem levados ao navio pirata, seguiram para outro local e entraram em uma casa que parecia bastante animada. Logo de entrada, Mu achou o local semelhante à taberna de seu padrasto, porém de tamanho maior, com mais clientes e mais festiva, e digamos, que até mesmo mais arrumada.
— Que lugar é esse, uma taberna? — Kamus indagou em um fio de voz, e como Aioria parecia ocupado a procura de alguém, coube a Shura responder.
— Não exatamente... É mais conhecido como Bordel.
— Não entendi... O que seria Bordel? — O príncipe perguntou ainda sem entender.
Mu achegou-se perto dele e sussurrou. — São prostíbulos... Onde mulheres e homens vendem seus corpos, e claro, vende bebidas também... Mas diferente de uma taberna, tem quartos, tanto para uso pecaminoso, quanto para pernoitar. — Sua face ardia e as bochechas pálidas tornaram-se rubras, deixando evidente sua vergonha ao falar sobre aquilo.
O estado de Kamus não foi diferente. — Eles vão nos vender? — Indagou baixinho sem que fosse para alguém especial.
A angústia piscou nos olhos de Mu. Se Shaka andava estranho consigo, isso apenas significava que o médico pirata havia enjoado de si e finalmente resolvera livrar-se de si, ter o dinheiro de voltar.
Ele deu um passo para trás a fim de fugir, mas Shura captou os movimentos dos jovens, e segurando o braço de ambos, os guiou para o local. Aioria guiava os outros três pelo caminho, e claro, dava suas paradas para falar ou cortejar as meretrizes, até que finalmente chegaram a uma ala reservada aos piratas do escorpião negro.
— Finalmente! Estava começando a considerar que haviam sido capturados. — Milo disse. Ele achava-se sentando em um sofá, e a cada lado seu achava-se uma cortesã. As mulheres eram belas, e não tinham nem um pouco de vergonha pelas poucas roupas que usavam, ou pelos seios de fora.
Ao redor da mesa achavam-se Mascara, Kanon, Shaka e alguns outros homens, claro que com um olhar duro do Capitão, os demais saíram, dando espaço para Aioria e Shura.
Aioria empurrou os menores, Mu em sentido ao loiro médico, e como um saco de batata, a ‘jovem’ caiu no colo de Shaka, e este enlaçou sua cintura, mas sem dizer nada.
Já o príncipe, moveu-se rapidamente, sentando bem longe do capitão. Seus olhos nunca procuravam Milo, na verdade, achava-se indignado. Aquele homem o usava como sua propriedade, sem direito de ir para onde quisesse ou fazer o que bem entendesse, mas podia ficar com outras... A maior raiva de Kamus é perceber que isso o incomodava.
— Cadê as compras? — Mascara indagou desconfiado.
— Estavamos comprando, mas quando os soldados apareceram... Duas ‘pessoas’ resolveram fugir... Acabou que tivemos que lidar com os soldados e capturá-los. Se não fosse por Shura, as ‘donzelas’ estariam em algum bordel ou mercado de escravos. — Aioria disse sem esconder o que havia realmente acontecido.
Milo olhou duramente para Kamus, deixando claro que seria castigado por sua ousadia. — Muito bem Shura, tem provado seu valor. — Falou para o homem de cabelos espetados, claro que Mask não pareceu em nada feliz. — Kanon providencie um mercador para ficar com a carga de tecido. Não quero ficar no prejuízo, e Aioria... Compre os mantimentos para abastecer a cozinha e armamento.
— Poxa! E eu achando que ia me esbaldar. — Aioria disse num muxoxo.
— Primeiro o dever, depois a diversão. Estarei resolvendo um pequeno assunto... — Dito isso, o capitão levantou saindo dos braços das duas meretrizes, e olhou duramente para o príncipe, deixando claro que era para ele o seguir. Milo não levou Kamus pelo braço ou por palavras, apenas seguiu em frente confiante que o outro o seguiria.
Kamus olhou para Mu, recebendo um olhar compadecido, mas ciente que ‘ela’ não estaria em uma situação melhor. Não encarou os demais piratas, não sabia se por vergonha ou raiva, apenas levantou e seguiu pelo caminho que o capitão foi. Poderia tentar fugir, mas no fundo sabia que isso somente pioraria sua situação.
Passando pela multidão de homens e mulheres, subiu lentamente as escadas, a cinco passos atrás do pirata. Quando este parou para falar com uma mulher, que tinha uma maquiagem pesada e de todas era a mais vestida, Kamus parou, desviando a face, mas mantendo os ouvidos antenados.
— Meu belo capitão, o que posso fazer por você? — Ela perguntou em sua voz arrastada e sedutora.
— Madane Bornou... Sempre mais bela que nunca, hoje não quero a companhia de nenhuma de suas meninas ou meninos... Apenas uma das salas. — Falou Milo e olhou para o príncipe. Visivelmente Kamus estremeceu e suas bochechas esquentaram.
— Tem uma bela aquisição! É novo aqui no porto? — A mulher perguntou olhando avaliativa para o príncipe.
— É particular! — Milo disse sério deixando claro que Kamus não estava à disposição para ninguém mais. — O quarto?
— O de sempre? — Ela indagou retirando uma chave do molho em sua cintura e estendeu para Milo. O capitão fez menção de pegar, mas antes a mulher retrocedeu com a chave e tomou os lábios do homem em um beijo profundo e lascivo. As línguas se tocaram fora das bocas e suspiros ecoavam. — Delicioso. — Ela murmurou quebrando o beijo e lhe dando a chave. — Divirta-se! — Ela desceu a escada e ao passar do lado de Kamus, não perdeu a chance, e beliscou suas nádegas fazendo o jovem dar um pulo de susto e corar.
— Venha! — Ordenou o capitão desbravando o caminho ao destino conhecido.
Kamus seguiu olhando para seus próprios pés. Seus olhos arderam, mas guiado por seu orgulho, ele engoliu o choro. Não daria aquele homem o gostinho de vê-lo desmoronar. Parou quando viu Milo parado em uma porta a segurando aberta. Sem pronunciar nada, indicando para entra, e mesmo relutante assim fez.
Quando o príncipe pisou alguns passos dentro do quarto, um tremor tomou conta de seu corpo, seguido de uma vergonha imensa. Em toda sua vida jamais imaginou entrar naquele tipo de ambiente, na verdade, ele mesmo não tinha ideia do que tudo aquilo queria dizer, mas claramente deduziu que envolvia sexo sujo, dado o local.
A lareira no recinto crepitava as chamas que eram responsáveis em clarear o recinto, ficando a meia luz, e dando uma aura dominante, mas igualmente permitindo visualizar em parte a decoração.
O coração dele falhou uma batida. Sua atenção se concentrou no armário e nas algemas de couro e um frisson de antecipação inesperada percorreu sua espinha com a perspectiva de submeter-se. Seu olhar continuava se desviando para a barra de ferro acorrentada e para a cômoda.
Milo seguiu até a cômoda e escolheu uma das algemas de couro e o metal tilintou quando ele desfez a fivela.
— Ensinarei a quem pertence! — Disse com as mãos imóveis enquanto ele brincava com a fivela. Sua postura enrijecida com a incerteza óbvia.
O metal tilintou mais uma vez. — Não é meu dono... — Kamus rebateu. Sabia que para sua segurança devia manter-se calado, mas não tinha como evitar.
— Uh... No final de hoje me chamará de senhor e pedirá por mais! — Milo disse.
— Monstro! — Kamus resmungou. Suas mãos fecharam em punho. O medo e a tensão juntaram-se em seu corpo.
— Se fosse um bom menino, poderia ser gentil contigo, mas não merece tal inclinação minha! — Disse. Lentamente aproximou-se do menor, e ficou perto suficiente para que o príncipe captasse o aroma sedutor do homem.
O brilho dourado do fogo atrás de Kamus mal chegava onde eles estavam, mas fornecia luz o suficiente para que ele decifrasse as características ásperas do rosto sombreado de Milo.
— Por que é tão impertinente? O que teme? — Milo provocou. Sua mão tocou o rosto de Kamus, e mesmo que o menor fizesse menção de afastar, o agarre do pirata o manteve perto.
— Me sequestrou... Acha que pode mandar em mim... Me trata como lixo... — Arranhou. Não que seu pai e irmãos houvesse o tratado melhor a vida toda, mas de alguma forma vindo do pirata parecia doer mais.
— Que dizer que se o tratasse como uma donzela seria uma fera mais mansa? — O Pirata indagou provocativo.
— Não sou mulher... Estou dizendo... — Nem ele mesmo sabia ao certo ao que se referia. — Respeito...
— Uhh... Faremos um trato... Se for um sub perfeito no quarto, o tratarei melhor e digamos ‘com respeito’ dentro e fora dele. — Milo disse rodeando o menor.
— O que... Sub? — Realmente não entendia tais termos.
— Digamos que é um jogo de dominante e submisso... Serei seu mestre... Me chamará de senhor ou mestre... Respirará somente se eu mandar... Confiará a si próprio completamente em minhas mãos, e serei responsável por suprir todas as suas necessidades. Aceita?
Incapaz de dizer algo, o príncipe acabou afirmando com cabeça. Não sabia se era o melhor caminho, porém tinha que agarrar as opções diante de si.
— Remova as roupas. — Milo ordenou tão casual como poderia ser.
Mantendo a cabeça abaixada, Kamus desabotoou os botões da blusa, descartando-a lentamente do seu corpo, deixando à pele alva a mostra, e em seguida guiou-se a calça e se desfez do fecho com as mãos trêmulas, empurrou as calças para baixo e as chutou livres de suas pernas.
— Estenda seus braços! — A voz não transmitia qualquer sentimento, era firme e dominante, e de alguma forma causou efeito no menor.
Kamus hesitou e seu braço tremia enquanto Milo prendia as algemas em seu pulso. Folgadas o suficiente para não apertar, mas firmes o bastante para ficarem seguras.
Ele engoliu em seco. Kamus envergonhou-se ao percebe que seu pênis projetava contra o estômago do outro, anunciando sua excitação, mesmo diante dos fatos.
Através de pura força de vontade, Kamus resistiu ao impulso de olhar para o outro e manteve o olhar baixo. A haste da corrente seguia até ser presa no teto, e era nela que achava se preso com as mãos para o alto, no meio do quarto, totalmente nu e exposto.
Ele olhou para cima, e o pânico congelou seus nervos e fechando os olhos, ele tentou empurrar a crescente ansiedade de lado.
— Respire fundo. — Disse uma voz calma atrás dele. De alguma forma o tom ajudou o príncipe acalmar, e quem sabe confiar mais. Ele começava a caminhar para o estado de confiança... — Muito bem! Seja bonzinho que somente ganhará. — Milo disse em um tom grave, que soou como uma pena pelo corpo do menor.
Os cílios escuros de Milo estavam semicerrados, enquanto ele ajustava a fivela. Assim que suas mãos deixaram a garganta de Kamus, este inclinou o queixo para baixo, deixando seus cabelos balançarem para frente novamente, a fim de ocultar parcialmente o rosto.
Kamus deu um passo para trás.
Ele estava encoleirado e amarrado. Absolutamente indefeso, mas estranhamente, a excitação cavalgava sobre cada centímetro de sua pele.
— Bonito... — Murmurou Milo, espalmando seu traseiro, os polegares fazendo cócegas no vinco.
Fechando os olhos, ele avidamente absorvia o toque de Milo. Estava muito longe de ser bonito, mas o tom reverente naquela voz quase o fez acreditar nele.
— Dei-lhe um elogio, príncipe.
Kamus mordeu o lábio inferior. Milo parecia irritado.
— Ah, obrigado, meu Senhor?
Então, os dedos frios e molhados sondaram entre as bochechas de seu traseiro e Kamus estremeceu, querendo mais do que qualquer coisa que os dedos pressionassem para dentro. Mas Milo brincou com ele, circulando a carne enrugada, atormentando-o. Ele trouxe os dedos até seus lábios novamente, que não precisou ser mandado duas vezes. Ele avidamente os levou para dentro, molhando-os completamente.
Kamus fez uma careta quando a dor penetrou na névoa sufocante, puxando a palavra “pare” de sua língua. Ele respirou fundo, músculos tensos instalando-se na expiração.
— Bom garoto... — Disse Milo, puxando-os de sua boca.
Aqueles dedos provocantes voltaram para seu traseiro, fazendo cócegas levemente. Então, ele soltou um gemido quando Milo empurrou um dígito em sua entrada.
Lenta e tranquilamente, Milo o possuiu com os dedos em seu traseiro. O prazer atravessou Kamus. Choramingando, ele se arqueou, querendo mais. Seu pênis balançou, erguendo-se mais alto, Suas bolas ficaram tão apertadas, que vibraram pela necessidade de liberação. Uma sensação aguda apreendeu seus nervos e faíscas dançaram diante de seus olhos.
— Ah, sim... Não pare! Por favor, meu Senhor. — Kamus implorou. A vergonha pairou em sua face, porém não podia resistir seu corpo não o obedecia mais.
Milo soltou uma risada satisfeita e bateu em seu traseiro, leve e brincalhão, com força apenas suficiente para a picada durar.
— Fique quieto. — Ordenou deixando claro que não seria desobedecido.
Ele congelou pelo comando rígido.
Um sorriso puxava uma curva dos lábios de Milo quando se afastou indo até a cômoda e retornou com algo em mãos. Os olhos de Kamus se arregalaram e seu traseiro se contraiu para o objeto na mão dele. Algumas gotas de óleo pingavam da ponta cônica do plugue de mármore preto.
O pirata já havia usado um consigo, lembrou-se da humilhação e vergonha, mas também das sensações únicas e prazerosas que vieram junto.
Milo puxou-lhe uma nádega, expondo sua entrada. Sem sequer uma cutucada preliminar para facilitar o caminho, e empurrou o plugue com firmeza dentro dele.
Kamus não conseguiu sufocar o grunhido quando seus músculos foram forçados a se estender rapidamente para acomodar o brinquedo. Os dedos de Milo tinham ajudado a prepará-lo, mas o comprimento do mármore queimava como o tamanho de um homem substancialmente dotado antes de se estreitar na base. Fechando os olhos, ele lutou para ficar parado, para resistir ao desejo idiota de arquear seus quadris para frente e fugir da picada que o queimava.
Justo quando ele estava certo de que não podia suportar mais, quando a palavra "pare" provocou sua língua, o final da largura espessa caiu para além do anel de músculo e a base se acomodou contra ele.
Milo bateu até o fim e as vibrações reverberaram deliciosamente na passagem de Kamus.
Ele ofegou para respirar. Estava completamente preenchido e parecia incrível. Se pelo menos o plugue fosse um pouco mais longo, então teria atingido sua próstata.
— Por que é tão mal? — Indagou. Fechou seus olhos com força tentando deletar a dor.
— No começo é difícil, mas logo somente o prazer será presente. — Milo disse. Não demorou em que o pirata passasse a mover o plugue.
Milo intensificou o controle sobre o quadril do príncipe, longos dedos cavando na carne firme, no que empurrava o plugue ainda mais fundo em si.
A boca pecaminosa dele traçava a pele de seu pescoço. O suor pingava nos dois corpos.
O príncipe não pode impedir os gemidos e o desejo gritante em chegar ao cume do prazer.
— Não goze! — O pirata disse, e deixando claro que não seria desobedecido.
Kamus forçou-se a cumprir, pois considerava que se fizesse o contrário seria castigado.
Gemendo, Kamus tentou resistir, mas empinou as nádegas para trás, a fim de obter ainda mais do prazer exuberante, mas Milo o segurou firme. Em um seguinte deslize para trás, Milo parou completamente de mexer.
— Seja paciente! — Milo bradou áspero ao que com a mão livre deu um tapa na bunda de Kamus, arrancando mais gemidos dele.
Milo moveu o plugue em mais alguns movimentos de vai e vem, até que beliscando um dos mamilos do menor, murmurou em seu ouvido.
— Goze para mim...
Não foi preciso dizer mais nada, Kamus veio em uma corda continuar de gozo. Sua mente nublou e mais nada existia naquele momento.
— M-mestre... — Ele sussurrou sem ao menos dar conta.
— Isso, seja um bom menino que o tratarei muito bem! — Disse Milo aprofundando o plugue antes de retirá-lo lentamente. — Logo estará pronto para mim! — Sua pretensão era preparar aquele corpo para recebê-lo, pois ele sabia que se tomasse o outro agora, iria machucá-lo, tudo que queria era arrancar gemidos de prazer dele.
Kamus sentiu as pernas perderem as forças, mas não iria cair, estava preso. E, além disso, Milo estava perto, e logo elevou a mão até os pulsos do mais jovem. Soltou-o com calma torturante. O pirata tirou as correntes e para surpresa do jovem príncipe, ele o pegou nos braços e o levou para a cama.
Kamus tinha a respiração descompassada, sentia-se leve, e ao mesmo tempo confuso. Não conseguia entender-se, como poderia ser daquele jeito? Sentira... Prazer? Era isso mesmo? Sentira-se bem... Mas ainda lutava contra si mesmo, ser submisso não era algo que estava acostumado a ser, mesmo por que estava sempre enfrentado Hades e Radamanthys e Milo... O capitão do navio era tão vil e cruel, mas ao mesmo tempo tão diferente de sua família.
Milo se afastou um pouco e quando voltou trazia uma bacia, água e um pano, calmamente molhou o tecido e o espremeu tirando o excesso de água e então começou a passar no corpo suado de Kamus. Limpava com cuidado e certa dedicação. Havia malícia também, mas era de forma contida, estava exposta nos orbes azuis dele, nublados ao olhar o corpo belo a sua frente.
O mais jovem deixava e até agradecia aquele gesto do mais velho. Estava exausto, o dia não tinha sido fácil e a caminhada tinha lhe rendido machucados nos pés e dores no corpo inteiro, mas depois de gozar, uma leveza tomou conta de si. Sentia o tecido molhado passear por seu corpo e fechou os olhos.
Milo gostara da obediência dele. O avaliava enquanto limpava a pele alva. Ele era lindo! Tinha uma delicadeza tão diferente, e ao mesmo tempo aquele jeito altivo, o que o deixava perfeito. Quando pegou no falo dele o viu morder os lábios abafando um gemido, e as bochechas dele corar. Sorriu internamente diante da cena. Segurou o membro dele em suas mãos e o limpou, porém fazia de propósito, os movimentos mexiam com o príncipe e isso para si era divertido, vê-lo lutar consigo mesmo a fim de ser-lhe obediente.
Kamus sentia o corpo quente e o rosto afogueado, no entanto apesar da vergonha, e dos sentimentos confusos, sentia-se bem. Sentiu Milo abrir suas pernas e limpar ali. O pirata passava o tecido molhado em sua virilha e o desceu pelas pernas.
— Vire-se! — Ditou seco e dominante. E o menor virou obedecendo sem questionamentos, e sentiu Milo recomeçar a limpá-lo.
Milo limpou as costas dele e ao chegar às nádegas sorriu e malicioso as limpou, porém sentiu o corpo menor estremecer quando o fez abrir as pernas e puxou uma das nádegas e passou o tecido ali naquela fenda, e depois deteve-se na entrada daquela gruta. Com um dedo envolvido no pano, enfiou-o em Kamus.
— Hnnn... — O príncipe gemeu num misto de dor e vergonha, mas não se afastou, ou pediu para parar.
— Muito bem alteza... Estou gostando de ver! — Dizia sarcástico, entretanto com uma satisfação clara na voz. Apesar de parecer que estava gostando de humilhá-lo, o pirata na verdade, estava gostando da submissão e da obediência, era a primeira vez que fazia aquele tipo de acordo, mas estava gostando de ver que o rapaz tinha palavra, se esforçava em cumprir o acordo.
Quando chegou aos pés, sentiu pena, estavam bem machucados e sabia que tinha sido pela caminhada, porém tinha sido por culpa dele mesmo.
— Seus pés estão machucados... Vou limpar e vai doer um pouco, mas quando voltarmos ao escorpião, eu colocarei um unguento em seus pés e ajudará a aliciar as dores e sarar essas feridas.
O jovem abriu os olhos e ouvia as palavras dele. Não entendia por que ele faria aquilo, contudo estava realmente agradecido. A dor nos pés eram bem incomoda. — Obrigado... Senhor — Ditou e mordeu os lábios e fechou os olhos apertados, quando o sentiu passar o tecido na ferida.
Milo o olhou sem palavras. Era a primeira vez que recebia um agradecimento sincero de alguém que não eram seus amigos, afinal, Kamus era um estranho, mas sentia verdade em suas palavras. Não disse nada, pela primeira vez estava mudo diante daquela criatura. Todavia terminou de limpá-lo e em seguida, deitou-se ao lado dele.
Kamus sentiu o colchão afundar, porém ficou quieto ali. Milo estava deitado olhando o teto, tinha os braços por trás da nuca e assim apoiava a cabeça ali. Não sabia o que falar, aquele agradecimento do mais jovem havia mexido consideravelmente com o vil capitão do Escorpião Negro, um bandido, um homem que tinha o costume de roubar, matar sem dó, mas que não sabia lidar com a gentileza e por isso sentia-se agora um tanto confuso. Ficaria ali um tempo ainda, e só depois seguiriam de volta ao navio.
Fora daquele quarto, muitas coisas aconteciam naquele bordel, os piratas do escorpião se divertiam. Mask e Kanon estavam em um dos quartos e com eles uma moça e um rapaz, os dois se divertiam com eles. Aioria tinha feito às compras que queriam e as mantinha próximas a si, enquanto bebia em companhia de uma jovem meretriz.
Shaka estava sentado e mantinha Um em seu colo, “a” jovem estava calada e parecia muito triste.
— Quer tomar um ar? Eu a levo lá fora! — Ele ditou e a fez levantar. A via triste e não estava entendendo aquela tristeza, desde que descobrira que “ela” na verdade é “ele” estava evitando ficar com ele, tinha ponderado, pensado bastante e considerava uma forma de descobrir por que ele achava que era uma menina, não queria apenas jogar essa verdade em seu rosto, podia deixá-lo doente e perturbado. Ele era lindo e aquele jeito doce, não era por que se achava menina, mas fazia parte da personalidade dele.
Mu ficou quieto e seguiu com o loiro para o lado de fora, viu Shura sentado em uma pedra e olhava o céu escuro e cheio de estrelas. Pensava em sua vida, e tinha uma expressão dura, mas ao mesmo tempo de tristeza, havia uma dor em seus olhos e isso levava consigo.
Shaka falou calmo:
— Vou até o banheiro, já volto. Não se afaste muito e não tente fugir, ou dessa vez terei de lhe punir! — Suas palavras duras tinham um propósito, o loiro não iria a banheiro algum, mas deu a volta e olhava escondidas as atitudes de Mu.
A jovem foi até o pirata de fios negros e se aproximou cabisbaixa.
— Em que está pensando? — Ela perguntou carinhosa. — São bonitas as estrelas... Minha mãe dizia que quando morremos nossa essência vira estrela para iluminar a vida daqueles que ficaram aqui. Me pergunto se ela me ver... E por que me deixou? — Falou e as lágrimas desceram por aquele rosto delicado.
O moreno a olhou. — Ei... Não chore... — Shura ditou e levantou passando os nós dos dedos no rosto dela, recolhendo as lágrimas que caiam. Shaka sentiu peito arder em ciúmes, não estava gostando daquilo, embora não visse desrespeito, aquilo não era bom. Dava-se conta que o queria, ele era lindo, e não queria mais ninguém com ele. Não era pelo dote, mas pelo que sentia.
Shura a olhava solícito, mas não sabia bem o que dizer. — O que o trouxe para cá, Shura? Por que se sente tão bem entre esses bandidos? Não sente falta... — Perguntou, mas um soluço escapou por seus lábios e moreno sentiu o peito apertar ao vê-la tão triste, agora considerava que devia tê-la deixado fugir.
— Ah Mu... É uma longa história e não vale a pena ser contada... Mas posso dizer que perdi tudo, e fui preso por roubar um pão e saí a pouco da prisão... Mas quem daria um emprego a um criminoso? As pessoas não se importam conosco, elas julgam que somos vis e que não merecemos confiança. Então o que me restava era me trona um bandido, um pirata, mendigar ou morrer... Confesso que não tenho jeito para pedir... Então naquele dia no cais, só tinha duas alternativas, ou o escorpião me matava, ou me trazia a borde e me deixaria ser um pirata, para quem viveu com quase nada Mu, um prato de comida e lugar para dormir já são um grande pagamento.
A jovem abaixou o rosto, seus problemas pareciam pequenos diante do que aquele homem passou. Ela encostou o rosto no braço dele e isso fez o sangue de Shaka ferver. Mas o médico ainda queria mais e esperou ainda um pouco.
— E você Mu? Veio contra a vontade não é? Quer voltar para sua casa? É isso que a deixa triste? — Shura perguntou e a viu olhar para si, ela era linda, aqueles olhos verdes eram mesmo encantadores.
— Não sei explicar... Sabe... Sempre vivi com minha mãe, ela não me deixava sair, não me deixava estar com as outras crianças, dizia que era para meu bem, eu vivia sempre dentro de casa. Não me lembro bem de meu pai... Mas me lembro dele sempre dizer que eu era o orgulho, que era o que ele sempre quis uma menina. Não sei bem por que, mas isso me angustiava, conversei com minha mãe, porém ela disse que era coisa de mulher! Eu devia ter uns dez anos.
Mu deu uma pausa, seu olhar estava distante, estava envolta em suas lembranças. — Foi quando meu pai morreu e minha mãe casou de novo, meu padrasto era um homem rude, dizia que se eu fosse um homem, ia trabalhar com ele, mas minha mãe sempre ficou na taverna, e ele a batia tanto... No dia que ela se foi eu queria ter ido com ela... Mas a vida não quis assim e ele me fez trabalhar. E acho que só não foi pior por que sendo mulher, ele podia ganhar dinheiro com o dote, se eu fosse um homem, acredito que já teria me vendido como escravo.
Shura a olhou e não sabia mesmo o que dizer e Shaka sentiu um nó, ele fora enganado, e se entendera bem, a mãe fizera isso a fim de protegê-la. Mas prestou atenção quando a jovem tornou a falar.
A jovem se afastou um pouco do pirata e falou: — Sempre sonhei em me casar Shura! Em ter um marido, alguém que eu pudesse cuidar e que por ele fosse cuidada, amada... Claro, que isso foi apenas um sonho idiota... Não nasci para isso... E Shaka pagou o dote, então ele e meu noivo, não? Devo me contentar com o que tenho, não quero fugir, por que tenho medo de ser vendida como escrava ou ter que me prostituir, ao menos aqui, tenho comida e... — Não continuou, e voltou a chorar. Shura não soube o que dizer, mas não a deixou só.
Shaka ao ouvir aquelas palavras sentiu-se perturbado, queria ir ali e tirá-lo de perto do pirata, todavia as palavras dela giravam em sua mente. Se afastou com cuidado e seguiu para dentro do prostibulo. Procurava por algo, ou alguém, viu Aioria e se aproximou dele o puxando da cadeira, o amigo o olhou sem entender.
— Preciso de sua ajuda!
O leão não entendeu bem, mas dispensou a meretriz e seguiu com ele em meio a multidão. — O que houve doutor?! — Estava apreensivo e levou à mão a cintura, fosse o que fosse estaria preparado.
O loiro olhou para ele e falou firme. — Preciso achar um padre! Agora!
O espanto de Aioria foi tanto que ele quase gritou. — O que?! O que deu em você?! Para que quer um padre? — Riu daquilo e falou ainda. — Quer se confessar doutor? Está arrependido de ser um pirata? Quer voltar a sua vida de colono?!
Shaka estreitou os olhos e falou frio, mas altivo. — Casar! Quero me casar!
Aioria sorriu e abriu a boca, mas não saia palavra. Ele queria casar?! Mas o que tinha dado naquela cabeça? Seus orbes verdes deixavam claro toda sua surpresa e incredulidade. — Tem certeza? – O viu assentir e assim com uma pequena reverencia foi com ele em busca de um padre, só não sabiam se achariam um ali, entre ladroes e piratas.
O pirata loiro estava certo do que fazia, não perderia Mu e se para ele casar era a coisa certa a fazer, então lhe daria isso, ouvira a história dele, e agora sabia que aquele jovem vivera enganado, sua vida, sua pessoa era uma mentira, mas daria algo verdadeiro, um casamento, e um marido.
Continua...
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