Notas iniciais
Hannah: Olá galerinha... Nem demorou tanto. kkk Pouquinho apenas. Bem, fizermos com imenso carinho e inspiração. Esperamos que curtam bastante... E mandem energias positivas para nós... A fim de termos muita inspiração. Boa leitura!

Os olhos azuis pousaram no horizonte, onde a água beijava-se com a terra. Aos poucos, Kamus aprendia a amar o mar... Sua imensidão; sua dança e cheiro, mas às vezes tudo que desejava era terra firme.

Seus dedos apertaram a madeira do limiar do navio negro e suspirou em pensamento. Sabia que Shaka era um bom médico, mas desejava ouvir de outro profissional sobre a gravidez... Que atrás da melhor tecnologia pudesse descobrir que seu filho estava bem... E descobrir como daria a luz. Sim! Por que não tinha a ‘abertura’ como as mulheres.

O negreiro seguia firmemente e cortava as ondas em seu caminho. O balançar acalmava Kamus, que não sabia por que se encontrava nervoso. Milo havia dito que estavam indo para Zair. E essa terra era acidade de Natal de sua falecida mãe. Sabia que Milo procurava respostas do motivo pelo qual Kamus – sendo homem – podia engravidar, além de seus poderes estranhos, claro, e a possibilidade de que o Rei de Zair podia ter em sua posse um dos fragmentos da pedra filosofal.

— Tudo bem? — A voz suave de Mu retirou de seus pensamentos. O príncipe encarou o amigo e sorriu.

— Sim! Apenas... Ansioso... — Kamus disse. — É... A cidade natal de minha mãe. Posso não lembrar muito dela, mas sabia que naquele castelo fora única que me aceitava inteiramente.

— Lamento que ela não esteja mais aqui. Ficara bem? — Mu indagou.

— Sim! Todos estarão lá... Er... Milo será extremamente protetor... Ao extremo, e vai ter momentos que desejarei matá-lo, mas ficarei bem. — Kamus falou voltando seu olhar para o porto. Sabia que o Capitão do Escorpião havia mandando uma mensagem pombo avisando de sua chegada. Claro, que Kamus ainda não compreendia como um ‘rei’ aceitaria um pirata em suas terras de boa fé... Contudo, Milo sabia como surpreender.

— Vamos atracar! — Alguém gritou.

— É melhor irmos pegar nossas coisas. — Mu disse sinalizando com a cabeça, numa forma de incentivo, mas antes que eles sequer chegassem a porta para conferir suas coisas, Mask e Aioria surgiram com quatros bolsas medianas e Dite atrás.

— As nossas coisas! — Afrodite disse saltitante. Ele aproximou-se do amante dando beijo na bochecha e depois correu para os amigos.

Kamus arqueou sobrancelha. — Mas tem quatro bolsas e somos três?

— Ah... A outra é de Shina! Ela foi resolver algo com o capitão... Algo do tipo... — Dite disse dando os ombros.

No mesmo instante a expressão de Kamus ficou sombria. Sem dizer nada, seguiu a passos firmes para a escada que levaria a sala do capitão. Não bateu na porta, simplesmente a abriu entrando no recinto, para deparar-se com Shina inclinada sobre a mesa como visse algo no mapa... Porém com a bunda empinada e seios à mostra a Milo que se achava sentada em sua cadeira atrás da mesa, de frente para a mulher.

— O que é isso? — Kamus indagou cruzando os braços.

Shina rapidamente endireitou-se e corou. — Er... Eu estava avaliando a rota de fuga com... Meu t-tio Milo!

Ela ouviu algumas estórias dos marinheiros do navio sobre o príncipe ser ciumento e ter estranhos poderes.

— Sim! E precisava avaliar nessa pose? Esqueceu que está em um navio todo de homens... E que o Capitão... E o meu homem? — Kamus falou feroz.

— Kamus! — Milo chamou altivo ao mesmo tempo em que se levantou da cadeira.

— Kamus uma ova... Comporte-se capitão, ou sumo no mundo com nosso filho. — Kamus avisou, e sem esperar por justificativa ou represália do bandido, saiu do escritório da mesma forma que entrou e retornou para junto dos amigos a espera que a embarcação atracasse.

— Tudo bem? Os matou? — Mu perguntou temeroso.

— Estão vivos! — Kamus disse bufado.

— Queria ter visto a cena! O Capitão deve ter ficado bege de medo. — Dite disse dramático, mas a conversa parou quando eles viram Kanon aproximando-se com o sacerdote Saga.

Para todos ainda era incrível a semelhança deles. Não havia como negar que eram irmãos. Saga vestia roupas diferentes de antes – da batina – agora usava uma calça preta que ajustava em suas pernas torneadas, botas de cano longo seguiam até joelho e uma blusa branca vitoriana.

— Não esqueça o que falei! — Kanon disse após deixar o prisioneiro perto do trio menor e afastou-se.

— Está pálido, tudo bem Saga? — Kamus perguntou realmente preocupado com seu ex-mentor.

Saga acenou com a cabeça. — Estou bem. Obrigado por interceder por mim! Não suportava mais ficar naquele lugar.

Kamus encolheu os ombros. — Apenas peço que não pense em fugir, por que ser fizer, poderia enfrentar a fúria de Milo! — Disse cauteloso. Sabia que Milo não o machucaria, mas ouvir o capitão reclamar por horas... Seria pior que espancamento na bunda... Bem, essa parte tinha seu lado positivo.

Quando o navio atracou no porto, alguns homens do porto de Zair pareciam preparados para ajudá-los. Logo amarras e ancoras foram lançadas, e a tábua o desembarque fora preparada. Os piratas trabalhavam rapidamente para colocar o navio no ponto de descanso e recolher suas coisas. Alguns iriam sair e divertia-se e outros ficaram responsáveis por cuidar da embarcação, fazer as reparações necessárias.

Shura, Saga e Aiorios ajudaram o trio a pegar suas coisas e descerem do navio, mas os manteve por perto até que os demais saíssem. Não demorou em que Dégel deixasse o navio ao lado de Kárdia e Shina, e os três juntassem-se ao pequeno grupo. Apreensiva, Shina manteve-se certa distância do amante de seu tio.

Máscara e Aioria desceram em seguida carregando algumas caixas – possíveis presentes para o rei da ilha, a fim de amaciar o homem e garantir que conseguissem estadia tranquila. Kanon ajudou Shaka a levar alguns livros e equipamentos, e por fim, Milo fora o último a deixar o navio.

Assim que esse se colocou em frente a seus homens, antes que pronunciasse algo, um grupo de homens se aproximaram, vestidos com roupas pomposas e peculiares, mas apenas um deles tomou a voz.

— Seja bem-vindo a Zair, capitão Milo! O Rei Arcodes o aguarda no castelo. O mesmo tem muitos assuntos a tratar com o senhorio... E claro, solicitar que seus homens não causem tumulto em nossa pequena ilha. — O homem baixo, careca e com roupas engomadas disse firmemente, mas dava para ver por suas pernas que tremia de medo.

Milo virou-se para o mesmo e disse ríspido. — O Rei Arcodes me conhece e sabe que respeito nossos tratos. Meus homens estarão na melhor forma. — Milo disse firme. No passado, fez alguns serviços para o rei de Zair. Não eram amigos próximos, mas havia certo respeito pomposo.

Aioros, Shura e Aioria tomaram as poucas bagagens, ao que Mask puxou Dite para andar a seu lado, enquanto cochichava algo, possivelmente nada casto devido o risinho sensual de Afrodite.

Shina saiu ao lado de Kanon e de seu pai.

Mu correu-se para o lado de Shaka, ajudando-o a levar alguns livros – bem – o curandeiro loiro deixou o ‘marido’ levar somente dois.

Milo andou ao lado do mensageiro do rei, mas sempre matinha seu olhar atento a Kamus que seguia mais atrás ao lado de Dégel e Saga.

A pequena caravana seguiu a pé, pois o castelo não era longe. Zair era uma pequena ilha – e rezava a lenda que carregava magias fortes e misteriosas – que garantia sua proteção contra invasores.

— Aqui é bonito! — Kamus disse olhando ao redor. Ele pegou-se imaginando sua mãe vivendo ali, e certamente feliz, diferente de quando estava casada com o rei Hades.

— Sim, mas com muitos perigos! — Saga falou. — O que será que esses piratas querem aqui? Devem conhecer do rei para serem bem aceitos.

— Ah! Milo disse que já fizeram alguns serviços para o Rei. Mundo pequeno, neh... Ele teve mais contato com a terra natal de minha mãe, que eu. — Kamus falou triste.

Dégel sorriu para irmão. — Você não lembra, mas quando nossa mãe estava viva, visitamos Zair. Foi logo após irmos embora que você tornou-se uma criança de saúde frágil, e por isso nosso pai não deixou voltarmos. — Dégel disse sério.

— Que estranho! — Kamus murmurou. — Será que temos algum parente aqui?

— Sim! O Rei Arcodes é nosso avô. — Dégel disse sem nenhuma emoção, afinal, mesmo sendo seu avô, o homem ainda era um estranho.

Não demorou em que adentrasse nos portões do castelo. O mesmo era feito de pedra lapidada, mármore e madeira de cerejeira... Não chegava a ser tão grande como do reino natal de Kamus e Dégel, mas era muito gracioso e acolhedor.

O mensageiro direcionou todos para os quartos de hospedes, para que pudessem tomar um banho quente e descansar antes do jantar, onde se encontrariam oficialmente com o Rei.

Saga pretenda dividir o quarto com Shina, mas antes que pudesse entrar no quarto, foi puxado pelo braço com certa brutalidade, e sem olhar sabia a quem pertencia.

— O que foi? — Perguntou sem paciência.

— Ficara no meu quarto... E me deve uma resposta. — Kanon disse firme. Sem esperar pela reclamação do sacerdote, o levou em sentido ao seu quarto. Claro, pretendia conversar, mas antes Kanon queria provar novamente o sabor daquele que era tão igual fisicamente a si e tão diferente na personalidade.

Kamus entrou no quarto e admirou a riqueza e beleza. Não que ligasse para isso, porém era agradável de olhar... E realmente seria bom dormir em um lugar que não iria balançar.

— Que tal um banho? — Milo perguntou abraçando o príncipe por trás e depositando beijos em seu pescoço.

Kamus derreteu-se no abraço, contudo lembrou-se da cena do escritório. — Vai perdi aquela mulherzinha para esfregar suas costas. — Disse desvencilhando-se dos braços fortes do capitão.

Milo bufou. — Céus, Kamus! Shina é minha sobrinha... E outra... Gosto somente de homens e de um homem em especifico. Mas tudo bem... Vou tomar meu banho sozinho... — O Escorpião grunhiu e saiu pisando duro em sentido ao banheiro.

Kamus olhou para a porta que Milo sumiu e sentiu uma pontada de arrependimento. Ele nunca se considerou ciumento, mas ultimamente suas emoções andavam afloradas. Acabou andando em sentido ao banheiro e entrou com cautela. Procurou pelo amante, e o encontrou ligando a torneira da banheira – para que ela enchesse – e então retirava as roupas.

— Desculpa... — Kamus pediu. —É que... Tudo aprece mais intenso agora... E altero de humor fácil...

Milo virou-se de frente para ele, sem se importar com sua nudez, e caminhou em sentido ao príncipe. Ergueu sua grande mão e tocou amavelmente o rosto delicado de Kamus. — Shii! Eu sei... Acredito que seja por causa do bebê... As coisas vão melhorar depois. — Milo guiou a outra mão ao ventre de Kamus e tocou gentilmente onde seu filho estava protegido. — Que tal um banho? Prometo me comportar.

Kamus bufou. — Você? Comportar? São duas coisas que não andam juntas... Mas aceito o banho e massagem nos pés. Estão me matando. — Kamus disse no final divertido. Ele deixou que Milo retirasse suas roupas e o tocasse de forma nada casta enquanto o fazia.

— Uhh... — Kamus gemeu em meio ao amasso que recebia. — A banheira... A água... — Murmurou.

Milo olhou sobre os ombros, e arregalou os olhos ao ver a banheira quase transbordada. Largou o amante e correu para desligar a água e então colocou os sais de banho e sabonete líquido. Entrou na banheira e estendeu a mão para Kamus, prontamente aceita.

O capitão parecia uma criança brincando com bolhas depois as espalhavam sobre o peitoral de Kamus. — Está nervoso?

— Pelo que? — Kamus perguntou. Ele não resistiu, fazia bolhas e espalhava na pele de Milo, tendo desculpa perfeita para o tocar. Achava-se sentando entre as pernas abertas do capitão e com as costas apoiada no peitoral dele.

— Conhecer seu avô... Saber mais de sua mãe ou da gravidez. — Milo disse.

— Não sei... Talvez ele me odeie... Por que tirei a filha dele... Talvez não... Não sei... — Kamus murmurou. — Só quero saber sobre esses poderes e a gravidez... Para que o bebê fique bem. Acha que estou gordo? — Kamus perguntou olhando para sua barriga que já sustentava um volume.

Milo puxou o rosto dele. — Nada de gordo... Apenas nosso filho está crescendo dentro de você. Apesar de que acho sua barriga ainda pequena... Ficara tão linda maior.

Kamus jogou água no rosto de Milo. — Ou seja, eu obeso. — Disse fazendo bico.

— Eu diria mais gostoso. — Milo disse rindo. Ele virou Kamus de frente para si e atacou os lábios dele em beijo carregado e apaixonado. Ambos precisavam dormir um pouco, mas não resistiam trocar carinho.

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O vento soprou exalando o frescor daquele jardim, que ficava as margens da floresta. O rei Arcodes encontrava-se sentado cuidando das suas plantas com esmero. Ele adorava aquele lugar, todos em Zair amavam as plantas. Enquanto removia a terra para pode colocar um pequeno ramo de flor, ouviu o barulho das folhas, elas pareciam andar em sua direção.

O homem sorriu de canto, ciente de quem se aproximava. Não se virou de imediato, mas logo ouviu a voz feminina lhe falar. — Ele chegou. Está diferente, muito parecido com a mãe... Ele está cheio de dúvidas, vem em busca de resposta... E o capitão... Vem em busca de outra coisa. Por que não foi recebê-los?!

Arcodes terminou de plantar a muda e levantou olhando a donzela que se encontrava em pé falando com ele. — Como vai Lara?! — Ditou sorrindo como se não tivesse escutado nada do que ela dissera antes. — Irei jantar com eles. A viagem é cansativa, e eles precisam descansar. — Disse o rei de forma calma mostrando uma expressão impassível.

— Arcodes! — Ela exclamou divertida. — Sei que está louco para vê-lo, mas acho que deve saber agora, Kamus carrega uma vida...

O rei parou a olhando. — Lara... Meu neto está grávido?! — Perguntou dessa vez abrindo um largo sorriso. — Ah... Ele é mesmo como a mãe... Bem, sendo assim preciso falar com ele antes do jantar. Vou chamá-lo... Vamos ver até onde vai o poder dele...

— E Dégel?! Ele não parece ter poderes...

Arcodes parou um pouco e então falou calmo. — Dégel tem o lado humano mais forte! Mas isso não significa que não possa ao menos engravidar! Sabe como somos! Bem... Deixe-me chamar Kamus...

Lara sorriu para o rei, ele sempre fora um homem muito sábio e gentil. Ela sentou-se próxima das flores, e tocou carinhosamente, as vendo brotar quase em seguida. Olhou para o rei que estava parado de olhos fechados e mão aberto, logo uma espécie de globo de luz emergiu de suas mãos, e ele o empurrou um pouco. — Kamus... Venha me ver! — Falou, e então a bola quase transparente flutuou pelo ar, entrando no castelo, atravessando paredes e chegando ao seu destino.

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Kamus dormia nos braços de Milo. Depois do banho e de fazerem amor, os dois quase desmaiaram de sono, mas apesar do cansaço, o sono do príncipe era leve, sentia-se ansioso em saber o que o “avô” que mal conhecia, pensava a seu respeito.

O jovem ouviu uma voz ao longe chamá-lo, remexeu-se nos braços do pirata, achou que estava sonhando. Mas então, ouviu novamente, e cada vez mais rápido. Abriu os olhos, e procurou primeiro com o olhar, porém não viu nada, embora continuasse a ouvir.

Levantou da cama devagar, para não chamar atenção do amado que dormia a seu lado. Colocou os pés no chão e saiu procurando de onde vinha àquela voz. Trajava uma camisa de Milo, branca, grande, que cobria um pouco mais que suas nádegas. Andou até a porta, mas quando tocou o trinco, a mão máscula de Milo segurou a sua.

— Onde pensa que vai alteza?! — O pirata não estava dormindo tão pesado quanto o grávido pensava, e parecia aborrecido com aquela atitude de Kamus. Segurou se ombro o fazendo virar para si. Estreitou os olhos azuis questionadores. — Onde pensa que vai?! O que pensa que está fazendo?! Ia sair em silêncio, tencionava fugir de mim?!

O príncipe arregalou os olhos aborrecidos, estava surpreso, claro, por ver que Milo era atento demais, tinha sido tão cuidadoso, e mesmo assim ele sentiu sua ausência. — Não seja idiota! Não está ouvindo?! Alguém está me chamando Milo! Eu vou ver o que é! Quem é!

Milo o olhou como se o rapaz estivesse dizendo alguma loucura, via nos olhos dele que não poderia impedi-lo. — Não estou ouvindo nada! Vamos voltar para cama! — Ainda tentou, mas nesse instante, ambos ouviram claramente a voz calma e firme que chamava o príncipe.

“Kamus... Venha me ver”

O mais jovem o olhou de olhos mais estreitos que antes. Tinha um ar vitorioso e altivo. — Viu?! Eu não menti! Eu vou ver o que é! Eu preciso Milo, eu sinto isso!

O pirata suspirou. — Certo, mas vou com você! Sozinho não sai deste quarto!

O mais jovem bufou, mas assentiu.

Assim ambos saíram do quarto seguindo a voz que chamava por Kamus.

Milo tinha a espada numa das mãos, trajava apenas uma calça folgada, provavelmente a que combinava com a camisa que o amado usava. Foi o pirata que viu a bola transparente e mostrou ao príncipe, os dois se entreolharam e seguiram aquilo que seus olhos viam. Chagaram então a porta do jardim, e ficaram admirando o local, sem sair do castelo.

Mas logo a voz o chamou e a bola estava no lado de fora, parada, parecia esperar que saíssem. Milo então abriu a porta de vidro e ambos entraram nos jardins do palácio. Kamus respirou fundo e sorriu. Era como estar em casa.

— Venha, a bola está sumindo... Vamos! — O príncipe falou e segurou a mão de Milo, correndo um pouco, apesar da barriga. Parecia até um labirinto aquele lugar, logo na entrada tinha umas roseiras, elas pareciam adornar a entrada do jardim, já que formavam um arco. Passando por elas, havia vários canteiros com vários tipos diferentes de flores, algumas que os dois nunca tinham visto.

Eles seguiam a bola, até que ela simplesmente estourou e os dois pararam boquiabertos diante de um homem mais velho, que cuidava das flores ali. Ele era alto, tinha os olhos gentis, mas de um verde profundo como as arvores daquele lugar. Seus fios verde-escuros desciam lisos sobre a pele alva, era o mesmo que ver Kamus mais velho, só que mais alto.

Kamus o olhou com certo receio, se e encostou a Milo que estava bem a suas costas. Sentiu o corpo do amado e respirou fundo.

— Com licença... Por acaso viu uma... Quer dizer... Eu estava no quarto e ouvi uma voz... Será que...

O homem levantou e tirou as luvas. Aproximou-se de Kamus e sorriu. Ele lhe tocou o rosto e em seguida tentou abraçá-lo, mas Milo o impediu. — O que acha que está fazendo Arcodes?! Por que aquela magia e o que queria com Kamus?! Saiba que ele é meu companheiro!

Arcodes sorriu apenas e assentiu. — Ele é o meu neto capitão! Filho de minha linda menina, e herdeiro do meu trono! Queria vê-lo... A última vez que o vi, ele era apenas um menino. Mas agora é um homem, e um belo exemplar! Posso abraçá-lo?! — O rei perguntou divertido.

Então Milo que apesar de já saber que Kamus era neto do rei de Zair, não confiava em ninguém à não ser em sua tripulação, se afastou, deixando que o homem se aproximasse de seu amado.

Kamus estava surpreso, esperava que ele o culpasse ou rejeitasse, estava muito mais preparado para a repulsa do que para o acolhimento amável que estava recebendo, e como estava sensível, acabou deixando que algumas lágrimas molhassem seu rosto.

— Kamus... Que bom lhe ver meu neto! É bom ver que está bem! Achei que morreria trancado naquele castelo, mas ainda bem que não! E veja o destino o trouxe até mim. Ah como estou feliz, como me sinto bem em lhe ver!

Kamus sentia verdade em suas palavras, mas estava perturbado, havia tantas coisas que queria saber, e outras que preferia esquecer. Afastou-se e o olhou nos olhos. — Por que me deixou lá?! Se sabia que eu estava trancado, por que não foi me buscar? Me tirar de lá?! Por que estou aqui?! E por que estou grávido?! Quem sou eu?! Ou que eu sou?! Me responda, por favor! Eu preciso saber!

O jovem príncipe mostrava-se perdido, abraçou-se a Milo e chorou contido, odiava mostrar seus sentimentos, mas atualmente não conseguia controlar-se muito. Foi se acalmando à medida que o pirata o abraçava. — Tenha calma Kamus, acredito que ele irá responder o que queremos... O que você precisa saber.

Arcodes o olhava com carinho, afastou-se esperando que seu neto se se acalma. Quando Kamus virou-se para si novamente, o rei então começou a explicar. — Fui eu que o chamei... Queria lhe falar... Soube que carrega uma vida, isso meu neto... É algo característico de nosso povo. Mas irei lhe explicar.

O rei voltou a mexer na terra, parecia que aquilo lhe era muito mais importante. Mas ainda assim, lançava olhares para Kamus e começou a falar. — Há muito tempo, achava-se que Zair era uma ilha como qualquer outra, o que ninguém sabia era que aqui, viviam as Driades...

O homem notou a interrogação nos olhos tão frios de seu neto, era como se pudesse ler sua alma, seu olhar era intenso, e atravessava o olhar altivo e ao mesmo tempo frágil do mais novo.

— Bem, deve estar se perguntando o que é uma Dríade? Driades, Kamus, é o espírito da floresta, das árvores... Elas protegem toda a natureza. Esse espírito tem a forma de uma mulher. E aqui, bem aqui... Esses espíritos reinam. — Disse tranquilamente e com um meio sorriso.

— Deixe-me voltar à história. Um dia, um jovem mago, chamado Crystal, fugiu de sua terra natal a fim de salvar sua vida, seu reino havia sido invadido por um bruxo capaz de destruir tudo que tinha vida... Mas sobre esse jovem, pairava uma profecia, e queriam matá-lo a todo custo.

Milo sentiu-se inquieto, aquela história estava o deixando agoniado, o que aquilo tinha a ver com Kamus, e com seu filho?!

— Aonde quer chegar Arcodes? Pare de dar voltas, e seja direto!

Arcodes o olhou e sorriu. —– Ah capitão, sempre impaciente! Não sabe mesmo ouvir! Hunf... Preste atenção, Esse mago chegou a Zair quando seu barco naufragou, ele foi salvo pela rainha, e então se estabeleceu aqui. Com o tempo, ele e enamorou de outra dríade, e ela engravidou. Não sabendo como seria a crianças, recorreram aos conhecimentos antigos, nunca se vira a união de um ser Elemental e um “humano”.

Kamus instintivamente abraçou Milo, sentia que tinha algo a ver consigo, só não entendia como. — Por favor... Explique melhor... Essa criança... Ela nasceu bem?! E o que tem a ver comigo?!

O rei levantou se aproximando do neto. Tentaria explicar melhor, mas foi interrompido pelo olhar de Kamus que se mostrava mais confuso ainda, o que aquilo tudo tinha a ver consigo. — Eu não entendo... Não consigo entender! Esse Crystal... O que ele tem a ver comigo?! — O príncipe perguntou quase gritando.

Arcodes suspirou. Mas antes que explicasse, uma voz feminina se pronunciou. — Kamus, você é descendente direto de Crystal, aqui em Zair, por conta dessa mistura... Alguns nascem com poderes mágicos, outros com a capacidade de engravidar, homem ou mulher, isso não importa. E alguns raros... Nascem com os dois dons, assim como você!

Kamus deu dois passos para trás encostando-se ao corpo de Milo, estava assustado, mas ao mesmo tempo surpreso. — Quem? Quem é você!

A mulher lhe sorriu. — Me chamo Lara, sou uma dríade... Na verdade... Sou mãe de sua mãe! — Ela disse calma, tocou seu queixo e isso o acalmou, surpreendentemente. — Escute Kamus, essa sua gravidez era esperada, mas eu quero que saiba que não há nada a temer!

O jovem príncipe suspirou, mas a encarou firme. Dificilmente ele era de fugir de algo. Seus orbes verdes tinham um brilho de dúvida, mas não de medo. — Minha... Minha vó? Mas... —– Ele começou a falar e olhou para Milo e dele para Arcodes, sentia o coração bater rápido e descompassado. — Mas... Está dizendo que... Quer dizer... Não tem raiva de mim?! Minha mãe ela...

Lara colorou um dedo sobre os lábios finos do mais novo e sorriu. — Não diga nada... Jamais teria raiva de você... Sua mãe o amou, ele não morreu por sua causa Kamus... Mas por que adoeceu, de algo que não pudemos tratar... Meu querido, seu pai fez tudo que pode para salvá-la... Mas nada foi possível...

A dríade explicava calmamente, tinha um leve sorriso, e um jeito encantador. Kamus sentia-se envolvido, e tentou se afastar de Milo, mas sentiu as mãos firmes do pirata em seus ombros.

— Onde pensa que vai?! Já disse... Não vai só a lugar algum! Olha senhora, ainda não respondeu o mais importante, como essa criança vai nascer?! E por que esperava a gravidez dele? E que doença foi essa que a mãe dele morreu?!

Irritado, Milo fazia uma pergunta a trás da outra, não se deixava levar, ele não sabia se podia mesmo confiar naquelas palavras, e não ia deixar que seu amado e seu filho se machucassem por algum descuido seu.

— Ora não seja rude capitão! Lara diz a verdade... Kamus, no momento certo, sua magia e seu corpo o ajudarão! Além disso, acredito que tenhamos alguém para acompanhá-los, alguém que saberá agir quando chegar a hora. Agora... Que tal andarmos um pouco, por que vocês não me dizem por que vieram aqui? Foi para saber sobre a gravidez?! Ou será que tem mais ai?!

O mais velho perguntou, fazendo Kamus mais uma vez olhar para Milo. E foi o príncipe que tomou a iniciativa, começando a falar. — Bem, viemos aqui para saber sobre a gravidez, mas exatamente sobre o parto e... Bem, procuramos uma pedra... Um fragmento de pedra na verdade. Algo que pode nos ajudar...

Ele explicava quando a dríade se pronunciou. — Então veio em busca da pedra filosofal, do pedaço que temos dela... Muito interessante senhor capitão... Falaremos disso... Mais tarde... Por que não vão descansar?! Acho que já é hora...

Ambos não puderam fugir da tontura que sentiram, tudo aquilo parecia um sonho, uma alucinação. Nenhum dos dois saberia explicar como ou quando voltaram à cama... Mas o certo é que ao acordar, sentiram-se extremamente leves e tranquilos.

–oo0oo-

A noite chegou e todos se prepararam para o jantar. Os piratas estavam um tanto receoso, era a primeira vez que lidavam com tanta elegância e recepção quando entravam em uma cidade. Todos se sentaram à mesa. Apenas os príncipes, Saga e Aioros estavam mais à vontade, já que tinham o costume de ter uma vida mais “civilizada”.

Aioria estava calado, desde que não podia enfrentar Minos. Parecia pensativo, irado. Conforme seu apelido leão, era mesmo uma fera. Nenhum dos outros perguntava nada, pareciam saber que ele queria ficar quieto. O pirata olhou para seu capitão, seu indagando de forma visível, o que era aquilo.

Ia dizer algo, mas então o rei Arcodes entrou no recinto sendo acompanhado de uma dama muito bela, que chamou a atenção dos presentes. — Boa noite senhores... Como vão?! Espero que tenham sido bem recebidos e que tenham descansado. Meu reino é pequeno, mas não tenho a intenção de destratar qualquer convidado. — O rei falou calmamente. Sentando-se em sua cadeira, tendo sua dama a seu lado. — Podem servisse... — Ordenou, pegando ele mesmo algo para comer. Olhou para os netos e percebeu a tensão de ambos. — Meus netos... É bom recebê-los em minha casa, há muito esperei por isso, mas infelizmente antes não foi possível... Ambos são herdeiros do meu reino, gostaria de ter um de vocês como meu sucessor... O tempo dirá qual dos dois haverá de assumir meu trono. — Arcodes falava deixando Milo e Kárdia preocupados.

Nenhum dos dois queria aquela vida, no entanto, ambos estavam envolvidos, cada qual com um dos príncipes. Os olhos azuis e sádicos do ferreiro encontraram os verdes de sérios de Dégel, o jovem engoliu seco, parecia que o outro o atravessava. — Mas majestade... Nós temos o nosso... Pai... É um tanto complicado...

Arcodes sorriu — Não há complicação... Dois herdeiros... Dois reinos... Tudo a seu tempo Dégel! Tudo a seu tempo. Agora comam... É tempo de comer, festejar o encontro... Breve terão de partir... O inimigo se aproxima e ele deseja levar Kamus embora... Precisa ser rápido escorpião... O tempo está se esgotando... — O rei falava com frases soltas, o que fez o pirata ficar um tanto nervoso. Algo não estava certo, e ele sabia disso. Arcodes estava dizendo isso. Mas ele sabia que era Minos que se aproximava, mas por quê?! Isso ele ainda ia descobrir.

O jantar corria tranquilo, os piratas mal tocavam a comida. Pareciam ansiosos para sair dali. Aioria levantou da mesa, e teve todos os olhares voltados para si.

— Já terminei. Estarei lá fora, preciso andar um pouco. — Aioria disse levantando. Aioros ia falar algo, mas Shura o impediu.

— Não faça isso... Acho que seu irmão precisa respirar um pouco! — Disse Shura sério, mas de uma forma menos agressiva. O que fez Aioros ficar surpreso. Mas com certo calor no peito, que não soube explicar. Assentiu, e voltou a comer.

–oo0oo-

Do lado de fora, Aioria caminhava a passos largos, parecia estar fugindo, mas como escapar de algo que estava dentro de si. Uma dor que lhe tirava o fôlego. Passou a mão no rosto tentando se acalmar, mas parecia não adiantar. Acabou por sair do castelo, andou pelas ruas sentindo o vento frio da noite lhe tocar o rosto e balançar seus fios castanhos.

Passou pelas ruas onde via crianças brincando, casais abraçados e suspirou, não tinha sido uma boa ideia sair do castelo. Havia pessoas conversando também, sentadas na frente de suas casas, pareciam aproveitar a paz daquele lugar. Ele decidiu, sair dali, ir para o porto onde devia ter gente como ele, sozinhos... Ia virar uma esquina quando seus olhos encontraram algo que julgava perdido, um par de orbes violeta o encarou e se arregalou surpresos.

O pirata travou, uma avalanche de sentimentos tomou conta de si. Não podia ser... Tinha sofrido tanto desde que ele desaparecera, e agora o via ali, em segurança... E com um filho?! Um filho?! Então ele o havia deixado? Achava que Minos tinha lhe sequestrado, lhe vendido... Mas não, todo aquele tinha tempo tinha sido... Enganado?!

— Você?!

— Aioria... — O outro falou surpreso e levantou da cadeira, mas então viu o outro afastar-se de si. O conhecia bem. Sabia ler aquele olhar, e era ira, ódio que via neles.

— Não chegue perto de mim! — O pirata falou com ódio, nojo... E dor. Afastou-se ainda mais virando as costas, andando sem direção.

— Não... Espere... Ória... Eu posso explicar... — O dono dos orbes roxos falou com as lágrimas descendo por seu rosto. — Eu posso explicar meu amor...

Aioria não ouviu, e ele não podia correr atrás dele, o pequeno em seus braços dormia. Entrou em sua casa, deixando o pequeno com uma jovem que estava sentada cosendo.

— Por favor... Fique com ele... — Pediu com olhar suplicante. — Preciso sair agora... Depois explico. — Mal falou e já saiu da casa e correu pelas ruas, não sabia se conseguiria, mas tinha que achá-lo, tinha que explicar, não podia perdê-lo... Não de novo.

Continua...