Escorpião Negro
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Aioria correu o mais rápido que suas pernas o levaram, sendo carregado pela dor e raiva. No último ano sofreu amargamente com a perda de seu amor, ao vê-lo ser levado de si, sem poder fazer nada.
Aquele dia ainda era bem vivo em sua mente. Quando o Escorpião negro foi atacado pelo navio de Minos, e diante do rugido dos canhões, a dança das espadas e o sangue que jorrava, Minos caladamente sequestrou seu amado e saiu em retirada.
Por meses correram atrás de Minos para salvar seu amante, mas somente descobriram através de um informante que Minos o havia matado e jogado no mar. Sofreu caladamente, buscando desesperadamente por sua vingança, somente para descobrir agora que tudo fora mentira.
Ele estava vivo e possivelmente casado com alguma mulher... Tinha um filho.
Aoria correu o máximo que suas pernas o levaram, e quando não podia mais, parou arfando. Apoiou as mãos nos joelhos e buscava o ar para seus pulmões. Os olhos queimaram no deseja de debulha em lágrimas, mas recusou-se a chorar mais uma vez por ele.
Sentia-se tão traído.
Aioria ouviu passos contra a terra alguns metros de si e isso o fez endireitar a postura.
Os passos pararam, mas ainda foi incapaz de virar, apesar de saber muito bem de quem se tratava.
— Por favor... Deixe-me explicar! — A voz suave saiu suplicante.
Sentindo a raiva borbulhar dentro de si, Aioria virou-se encarando aquele que ocupara seu corpo, mas arrancara sua alma. — Explica! o quê? Que aliou-se aquele maldito e fugiu me deixando achar que tinha morrido? Que casou-se com alguma estupida mulher?
— Não! — Ele gritou. —Aioria... — Deu um passo em sentido a Aioria, mas esse recuou.
— Não, digo eu, Sorento! Eu te procurei por meses... Sofri por sua perda. Achei... Informaram-me... Que tinha morrido! — Gritou. — Mas vejo que está bem vivo.
Sorento recuou diante da poderosa voz. Do rugido do leão. — Eu... Posso explicar, por favor...
— Nada que me falar mudará minha opinião. Eu te amei com toda minha alma. Fizemos planos juntos... Mas você jogou isso tudo fora. Aposto que nem foi sequestrado... Aposto que implorou como uma vadia para que Minos o levasse do escorpião.
Os olhos de Sorento estreitaram. Ele quebrou a distância entre ele e Aioria, e com voracidade ergueu a mão cedendo um tapa no rosto do pirata. — Me respeite. Eu larguei tudo por ti... Aquela maldita vida, E arrisquei tudo para viver no mar contigo... Incluindo ser sequestrado por aquele insano... E claro que seu informante diria que morri... Minos me jogou no mar depois que cortei sua face... Quando tentou me estuprar... — Sorento disse firme.
Aioria ficou furioso, praticamente cego. Ele ergueu a mão pronta para esbofetear Sorento, mas parou alguns centímetros da face delicada quando deu conto do que faria. Suspirou. — Não vale a pena nem isso. — Disse, e então virou de costas e saiu firme dali. Iria passar a noite no navio. Uma garrafa de rum seria boa aliada.
Sorento ficou para trás, paralisado. Não podia acreditar que Aioria estava com tanta raiva dele. Não queria ter ficado tanto tempo longe. Realmente era para estar morto, mas fora salvo pelo destino... E acabara ali... Seus ferimentos e condição não permitiram ir atrás de seu amado... Ouse comunicar.
Ah, mas não iria desistir. Tinha algo lindo pelo qual lutar, e iria fazê-lo com todas as suas forças.
Suspirando, Sorento virou em sentido contrário a Aioria e retornou a cidade. Tinha que cuidar de seu filho, colocá-lo para dormir... Amanhã partiriam com os piratas. Aioria teria que ouvi-lo.
–oo0oo-
Dégel deixou a sala de estar com uma desculpa qualquer, e seguiu para seu quarto. Ele não sabia explicar a sensação que sentia... De confusão, medo ou nostalgia, mas queria realmente ficar sozinho.
Era ciente que aquele rei era seu avô, que os recebera tão bem, mas sentia-se totalmente fora do lugar. A verdade era que sentia-se deslocado no navio e agora nesse reino. Apesar de ter fugido da ira de seu irmão, Dégel sentia-se mesmo confortável somente em seu reino.
Sentindo um peso em seu coração, seguiu pelo corredor vazio, logo chegando ao seu quarto. Fechando a porta atrás de si, aproximou-se da cama, jogando-se sobre ela, ainda de brusco.
Seu olhar era desfocado e sua mente relembrava da época que morava no castelo. Nunca negou que gostava da posição de príncipe e futuro herdeiro ao trono... Pois seu pai deixou claro que passaria a coroa para ele. Dégel queria governar o povo, ser um rei melhor que seu pai... Mas Radamanthys tirou isso dele.
Por um lado sentia-se egoísta por pensar em trono diante do perigo que corriam e da crueldade que Radamanthys fazia com seu pai. Hades poderia não ser o melhor rei ou pai, mas ainda era seu pai.
Perdido em seus pensamentos, não atentou quando a porta do quarto foi aberta, e alguém entrou trancando com chave atrás dele. Somente percebeu que seu aposento tinha sido invadido quando um corpo duro cobriu o dele.
— O que...?
— Uma moeda por seus pensamentos! — A voz grossa soou divertida.
Ao perceber de quem se tratava, Dégel relaxou um pouco, apesar do constrangimento causado pelo contato íntimo. — Não... Vai me achar bobo.
— Jamais acharei isso. Anda pensativo e preocupado. — Kárdia disse. Ele saiu de cima do príncipe, somente para deitar a seu lado, virando-se de forma que ficasse de frente para ele.
Dégel moveu-se ficando igualmente de lado e de frente para o ferreiro. — É que... Nada contra a vida no mar, mas não é para mim...
— Sente falta do palácio!? — Kárdia perguntou como se adivinhasse os pensamentos do outro.
Sem jeito, Dégel afirmou. — Sim! Pode me achar mimado... Mas... Eu sinto falta, não sou como Kamus que se adaptou a vida no navio. Porém... Sei que se optar por voltar ao meu reino... O perderei. — Dégel falou sentido.
Kárdia suspirou. Ele ergueu a mão e acariciou a face do príncipe. — Não vamos pensar nisso agora... Seu irmão está de posse do reino, e não deixarei que volte com ele lá.
Dégel acenou com a cabeça, recebendo um sorriso doce e um carinho de Kárdia em sua face. Quando ele se aproximou mais de si, notou uma graça e elegância tal que não deduziria achar em um ferreiro.
Kárdia sentiu a maciez da pele alva de Dégel debaixo de seus dedos, envolvendo alguns fios de Dégel em torno de sua mão, quebrando a distância entre eles. Suas bocas se atracaram em um beijo preguiçoso e aprofundado, enquanto seus corpos se moldavam perfeitamente.
Todo o anseio e necessidade latente em Dégel, o faziam tentava expressar com seu corpo o quanto ele queria o outro homem.
Chamas lamberam o corpo de Kárdia. Algo que somente aquele príncipe mimado podia causar nele. As suas mãos percorreram as costas de Dégel, até que forçou seu corpo sobre o príncipe o fazendo deitar de costas na cama.
Quando as mãos de Kárdia vieram até as maçãs do rosto de Dégel, suas bocas se separaram e seus olhos se encararam.
Se perderam no olhar um do outro, sentindo o doce sabor do desejo percorrer seus corpos.
— Eu... Quero...
— Sim! — Kárdia murmurou ciente da necessidade do outro.
Por mais que ele quisesse fazer tudo devagar, a luxúria e o desejo nublavam os seus sentidos. Ainda por sobre o príncipe, roço seu falo contra o do príncipe sentindo o quanto estava duro.
— Ahh... Não provoque. — Dégel murmurou.
Soltando uma alta risada, Kárdia levantou, para em seguida começar a se despir. Retirou a blusa lentamente, revelando seu peitoral esculpido, para então fazer a mesma coisa com as botas e calças, deixando seu belo corpo a mostrados olhos faminto do príncipe.
Não demorou em os dedos hábeis desabotoaram as calças de Dégel, liberando seu pênis do confinamento. — Ah, que belo... — Comentou.
Sem aviso, se inclinou para frente e lambeu a cabeça do cogumelo, e abriu a boca colhendo a dureza quente.
Dégel gemeu e arqueou as costas. Deslizando as mãos pelo cabelo macio de Kárdia, suspirando.
— Pare! — Implorou.
Kárdia se afastou a custo, exibindo uma carranca que estragava seu rosto perfeito.
— Eu quero... Gozar... Com você dentro de mim... — Dégel disse corando.
O sorriso de satisfação surgiu na face do ferreiro. — Oh, sim. — Saiu de cima do corpo do príncipe, e o ajudou a sentar a fim de retirarem as roupas de Dégel, e qualquer outro impedimento que impedisse que seus corpos se unissem inteiramente.
Kárdia sentia uma necessidade incontrolável por esse príncipe mandão.
Encantado com a beleza do corpo de Dégel, o empurrou sutilmente até o meio da cama e o fez deitar de bruços.
— Eu quero... — Dégel murmurou incerto.
— Assim será mais fácil para você. — Kárdia ditou.
Com toque suave, acariciou da curva pescoço de Dégel, deslizou pelas costas até chegar nas nádegas empinadas em perfeita. Depositou um beijo em cada glóbulo, controlado o desejo de mordê-los.
Deitando parcialmente sobre o corpo de Dégel, Kárdia separou as nádegas, e suspirou diante do casulo enrugado. Deslizou seus dedos sobre o músculo – que contraiu – para então inclinar a frente e deslizar a língua captando todo sabor.
Dégel gemeu e empinou a bunda, deixando-se levado pelas sensações que o outro causava em si.
As mãos curiosas de Kárdia deslizaram ao lado do corpo de Dégel, o tocando, apertando.
Dégel mordeu o travesseiro, tentando abafar os seus gemidos constrangedores. Seus dedos se apertaram no tecido branco.
Kárdia forçou a língua penetrar a entrada de Dégel, umedecendo com saliva.
— Tão perfeito... — Kárdia murmurou ao afastar um pouco o rosto das nádegas do amado, soprando o ar quente contra ânus de Dégel, o fazendo arrepiar.
O ferreiro afastou a boca para permitir que seu dedo grosso quebrasse a barreira dos músculos daquele deleite. Moveu-o lentamente, usando sua própria saliva como lubrificante, e logo o segundo dedo juntou-se.
Não seria capaz de prolongar muito mais a preparação. Ansioso, retirou os dedos de dentro de Dégel, e cobriu o corpo dele. Depositou beijos na nuca e ombros; sentido o sabor da pele levemente salgada devido ao suor, enquanto direcionou sua masculinidade para a entrada de Dégel.
— Eu tenho que ter você, — Kárdia disse necessitado.
— Sim... Me possua... — Dégel implorou, ciente que haveria certo desconforto, devido à pouca preparação, mas realmente não se importava.
Kárdia facilmente deslizou para dentro do outro. Dégel sentiu uma ligeira picada de dor na entrada, mas nada que poderia lhe tirar o desejo.
O ferreiro não esperou muito tempo, logo seu corpo começou a se mover, marcando o príncipe por dentro.
Os corpos brilharam diante da luz do lampião, com ajuda da camada fina de suor que formava sobre seus corpos.
— Kár-Kárdia... Por favor... — O príncipe implorou.
Seu corpo se contorceu debaixo do de Kárdia, seus quadris ganhando vida e rebolando belamente em busca da dureza do robusto homem.
Kárdia não teve misericórdia dele, acertando constantemente seu ponto doce, enquanto suas mãos e boca tocavam cada pedacinho de pele, e dos músculos de Dégel.
Não podendo segurar mais, Dégel gritou quando pulverizou sua essência no lençol da cama, gozando sem se quer ter sua ereção tocada.
Seu canal fechou ao redor do pênis de Kárdia, como se sugasse tudo dele. Murmúrios desconexos saíram da boca de Dégel, quando estremeceu diante dos jorros quentes que encheram seu interior.
— Merda... — Kárdia grunhiu como animal, quando penetrou fundo em Dégel, e deixou derramasse.
Caiu sobre o corpo do príncipe, e depositou cálidos beijos em seus ombros, a medida que eles respiravam pesadamente.
Ficaram parados por alguns segundos, buscando recuperar a sanidade, até que Kárdia moveu-se retirando de dentro de Dégel e deitando ao seu lado.
— O que está errado? — Perguntou quando percebeu que Dégel ficou imóvel. — Lhe machuquei?
Dégel negou com a cabeça. Finalmente moveu a cabeça encarando o outro homem. Seu olhar havia brilho de tristeza.
— O que foi? – Kárdia insistiu.
— Eu... Não quero... E se meu pai tirar Rada do trono... Eu quero voltar para meu reino, mas... Não quero deixá-lo. — Dégel disse com a voz embargada. — Não fui feito para o mar.
Kárdia suspirou. Puxou Dégel para seus braços e acariciou sua face. — Não vamos sofrer antecipadamente. Se... O crápula do Radamanthys não sair do trono... Encontraremos uma cidade calma e bela, e construiremos uma aconchegante casa e viveremos.
— E ser sair? — Dégel perguntou.
— Então irei contigo, mesmo que seja pra ser seu mordomo... E me tenha como seu amante. — Kárdia disse. Era ciente seria difícil para ele lidar com a ‘realeza’ ou migalhas de Dégel, mas não queria abrir mão dele.
— Não!
— Não? — Perguntou preocupado.
— Não será meu amante, mas meu marido. O quero como primeiro e único... Seja onde for. — Dégel disse. Moveu-se ignorando a dor, e cobriu Kárdia, tomando os lábios em sutil beijo. — Eu... Eu te amo... — Declarou envergonhado.
Kárdia abraçou Dégel com força. — Também te amo meu príncipe mimado. — Murmurou com sorriso.
Os dois ficaram aconchegados, trocaram carinhos enquanto tinham a famosa ‘conversa de travesseiro’. Dégel fora o primeiro adormecer, considerando que não vinha tendo sono decente ultimamente... Somente agora nos braços fortes de Kárdia, dormira como bebê.
–oo0oo-
Milo estava com Kamus no quarto, mas estava um tanto distante, estava com a cabeça escorada na vidraça da janela, embora tivesse mil coisas para se preocupar, naquele momento seu coração estava em seu amigo Aioria. Não sabia mais o que fazer para ajudá-lo, sentia-se inútil.
Kamus o olhava preocupado, sabia como Milo prezava seus homens — seus amigos. E não precisava de muito para saber que os pensamentos do pirata estavam em Aioria. O príncipe levantou e foi até o mais velho o abraçando como pode, dado o tamanho de sua barriga por causa da gravidez.
– Por que tudo isso Milo?! O que aconteceu?! Por que o Aioria está tão perturbado?! E por que não vai atrás dele?! Sinto que ele não está bem... Eu não ficarei só... Fico com o Mu, ou com o Dite... Mas vá... Tente achar seu amigo.
Como ele sabia daquilo?
Milo se perguntou, mas virou-se calmamente para o mais jovem e afagou seu rosto. – Ele perdeu o grande amor da vida dele, e o busca em todo lugar que vamos... Mas tem certeza?! Ele... Sabe onde ele está?!
O de cabelos verdes o olhou com carinho. – Tenho certeza, as lágrimas dele molham a terra... E eu posso sentir sua dor... Eu não sei onde ele está, mas sinto ouço o barulho do mar... Será que... Que isso ajuda?!
Milo sorriu e o beijou, um selinho apenas, mas com muito carinho e gratidão. – Sim... Muito... Vou achá-lo... Mas antes o deixarei no quarto de Mu, não vou deixá-lo aqui só, e, por favor, não saia de lá antes de eu voltar! – O homem ordenou firme, embora soubesse que com o grávido suas palavras, por mais duras que fossem não o assustavam.
Kamus afastou-se um pouco e o olhou nos olhos. – Claro meu senhor... – Falou com um tom abusado e ao mesmo tempo sarcástico, fazendo Milo estreitar os olhos, seus olhos diziam o que seus lábios não conseguiam. Controlava seus instintos mais dominadores, ele não gostava de ser provocado daquela forma.
– Vamos! – Falou segurando a mão do amado e levando-o para o quarto de Shaka, esperava não atrapalhar nada. Andava a passos largos, sem olhar para Kamus que apesar do jeito sério e aborrecido por estar sendo puxado, sorria por dentro, o mais jovem achava divertido tirar Milo do sério.
Milo bateu na porta no quarto do médico, quando este atendeu o capitão do escorpião falou firme. – De olho nele... Não o quero só... Eu vou ver se acho Aioria. – Explicou vendo o loiro assentir afirmativamente. Olhou para o grávido de olhos estreitos ainda. — Não saia daqui!
A ordem saiu mais com preocupação que com firmeza, o príncipe mais uma vez concordou, mas com o mesmo desdém de antes, o que fez o capitão bufar e sair dali estressado.
Shaka deu passagem ao grávido que entrou no quarto indo sentar na beira da cama junto de Mu.
– Desculpe por isso... Ele não confia em mim, e isso me tira a paciência... Se ele continuar assim vou dar motivos para ele não confiar... Principalmente quando sumir com meu filho. – Kamus ditou agora irritado.
– Acho que isso não seria muito bom?! Um bebê não é um brinquedo... Não pode simplesmente sumir... Sei que algo te incomoda... O que é? Venha, tem uma varanda aqui... Vamos sentar lá e conversar um pouco. – Mu falou gentil levantando-se e ajudando Kamus, indo ambos para o local indicado pelo lilás.
Shaka apenas os observava de longe, dado a meditações, o loiro sentou-se num tapete que pegou em suas coisas e fechou os olhos meditando, permitindo que os dois amigos conversassem tranquilamente.
Sentados comodamente, sentindo o vento suave e doce da brisa que soprava ali, Mu tomou a palavra. — E então... Por que não me conta o que está sentindo?! Huh?! Ou será que não confia mais em mim?! — Perguntou calmo, mas antes que continuasse, ouviram a voz abusada e malcriada de Afrodite que veio juntar-se a ele.
– Ah... Desculpem... Mas Mask foi com o capitão ao encontro de Aioria... E me deixou aqui, desculpe por isso, Mu... – O de cabelos azuis pediu sentindo-se mal por “supostamente” atrapalhar a intimidade dele. – Oi Kamus... Por que está assim?! Que carinha é essa?!
Mu sorriu suave e chamou o rapaz para sentar-se com ele e Kamus. – Viu Kamus... Não sou o único a perceber que não está bem... – Falou para o príncipe que os olhou com carinho, eram seus amigos, capazes de perceber quando não estava com algum problema. O lilás apertou a mão de Afrodite e falou calmo. — Não tem problema não Dite... Nenhum dos dois atrapalharam, Shaka também está preocupado com o Leão! — Explicou tornando a olhar para o de cabelos verdes. — Mas não é por causa dele que não está bem, é Kamus?!
O príncipe suspirou pesado, mostrou-se triste, algo pesava em seu coração, e sabia que podia confiar em seus amigos. — Não... Não é... Na verdade, na verdade eu não sei como contar algumas coisas ao Milo. E estou preocupado com isso. — Explicou apreciando a vista, seu olhar estava perdido em algum ponto específico das belezas a sua frente.
Mu e Afrodite de entreolharam, o que poderia ser para tirar assim a tão comum calma de príncipe. O cozinheiro do navio, tocou levemente o rosto do amigo. — E então? Não vai nos fizer o que é esse “segredo” que o tira a paz?
O jovem príncipe pareceu acordar naquele momento, estava ali somente o corpo, mas os pensamentos como pássaros livres estavam batendo asas bem longe dali. Kamus se ajeitou na cadeira colocando as mãos sobre a mesa e diante da espera dos outros dois, começou a explicar sua situação. – Quando eu fugi do palácio, por um lado foi por que não queria, não suportava mais viver ali, trancado como um prisioneiro, um doente. Mas não foi só por isso, naquele dia eu tinha sido obrigado a noivar com um homem que nem conheço e muito menos que quero ver um dia.
Afrodite levantou, parecia preocupado. — O que? Mas Kamus isso significa que ele tem direito de defender a honra dele, e também de te levar de volta!
— E o capitão Milo, seu companheiro, jamais permitirá isso, mesmo por que você foi obrigado a isso, e também por que hoje carrega um filho dele, e acima de tudo, por que ele te ama. Não seja bobo meu amigo, você me falou isso nos nossos primeiros momentos. Não se entregue assim, esse desespero não tem fundamento, sabe... Para esses homens, não existem leis, não as leis da sociedade as quais estamos acostumados, o que vale é a lei deles, a lei do mar... E esse seu ex-noivo não vai poder te levar, não mesmo. —Mu falou com carinho, e com firmeza.
O de cabelos verde o olhou com certo receio, mas visivelmente mais leve. – Verdade... As leis dele não são como as que estamos acostumados. O problema Mu, é saber se Milo vai entender, ou se vai me achar um mentiroso como naquela ilha lá das sereias. Eu não quero isso, não mesmo.
O lilás e o tritão tinham de admitir, Milo não tinha muita paciência, e muito menos era de tentar entender, ele explodia logo e já pensava mil coisas. O tempo naquele navio os fazia conhecê-lo.
Mu, porém, não podia deixar seu amigo daquele jeito. – Olha pra mim Kamus, e escute bem, vai dar tudo certo. Milo é um pirata, está acostumado a “roubar”, então meu amigo, não seja tolo de pensar que ele vai ter raiva, explique com calma, diga que foi contra sua vontade, e eu sei que ele vai lhe entender. Huh?!
Kamus acabou suspirando, mas parecia bem mais leve agora, afinal aquela não era sua única preocupação. O que realmente tomava suas forças, era imaginar como seu filho nasceria, como seria depois que ele nascesse, não queria deixar Milo no mar e muito menos o forçar a viver em terra quando era visível que não conseguiria. Mas ainda assim não quis dizer nada mais do que já tinha dito.
Os três ficaram ali na varanda e a conversa mudou de rumo quando Afrodite começou a falar de algumas coisas que percebera no navio. Os outros dois sorriam com as suposições dele, assim distraíam-se com as falas divertidas do jovem tritão a espera da volta de Aioria.
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Ali mesmo, nos jardins do palácio, Shura olhava as estrelas, seu pensamento estava distante demais. Mas ainda assim estava alerta. Ouviu passos e olhou para o lado, o local onde estava era cerrado de flores e plantas das mais diferentes espécies. Podia sentir certa paz ali, mas sabia estar sendo observado.
– Quem é? E por que me observa assim? – Se pronunciou virando-se com a arma em punho e esta foi parar na apontada para o pescoço de Aioros. – Não tem medo de morrer general?! Eu poderia ter lhe matado! – Ditou impaciente.
Aioros por sua vez mostrou-se muito calmo. – Por que tem tanta raiva de mim? Lhe fiz qualquer mal?! Não estou mais na guarda e não sou mais um general. Eu só quero estar com meu irmão, você tem problemas com soldados e eu de piratas, mas estou aqui e não me lembro de ter lhe feito qualquer mal.
O moreno de cabelos escuros como a noite, puxou a adaga que ficara escondida em suas coisas quando pediram suas armas na chegada ali. – Não é da sua conta. Eu tenho meus motivos, basta saber isso. – Falou arredio, o que fez Aioros ficar irritado. Viu o outro se virar para sair dali e o segurou pelo braço, fazendo-o voltar.
Surpreso, Shura não teve reação, seus olhos escuros encararam os verdes do outro, eles estavam cheios se algo que ele não entendia. Aioros o prensou contra a parede de forma firme.
– Não estou mesmo entendendo por que está com raiva de mim... Eu não conheço sua vida e você não conhece a minha, não pode julgar como se eu fosse o culpado. Eu perdi meu irmão ainda criança, por que meu pai era um viciado em jogos e meu irmão foi levado por pirata, perdi minha mãe, então sem saída, a guarda foi minha salvação. Encontrei meu irmão quando já não tinha esperança, joguei tudo para o alto para estar ao lado dele de novo. Então nesse tempo todo não lembro de ter lhe feito nada!
O moreno o olhava estressado, mas depois dele cuspir tudo aquilo em cima de si, reagi, segurou o braço do outro e lhe empurrou. – Soldados como você me fizeram perder tudo... E já disse, mas vez e vou repetir, não é da sua conta, não te interessa. Agora, nunca mais ponha as mãos em mim, sua vida foi difícil, ótimo, isso não te faz melhor que ninguém aqui! Curta seu irmão, ao menos tem ele para isso! — O pirata falou empurrando Aioros e saiu andando, a palavra dele, o jeito dele agir mexera consigo, mas de forma diferente, por um lado o fizeram lembrar seu passado, sua dor, e por outro... Bem, esse outro fez Shura grunhir e chutar uma pedra. – Merda! – Falou irritado ao sentir dor e olhou para o céu escuro da noite e suspirou, por que sentia o coração acelerado, por que estar com o rosto dele tão próximo o fez pensar em coisas que nunca quis antes, sempre foi só... E assim continuaria.
Desde que vira o moreno, Shura havia ficado dividido, entre seu coração e seu ódio, mas a cada momento ficava mais difícil esconder isso, negar a si próprio. Apressou os passos e andou pelo jardim um tanto perdido.
Aioros por sua vez se encostou na parede e suspirou, não sabia como agir, não entendia a raiva do outro e muito menos por que aquilo o incomodava tanto. Volto para o quarto que estava dividindo com o irmão. Deitou-se e ficou ali pensando no que faria dali para frente. Esperava que Milo encontrasse seu irmão e levasse de volta para junto de si, não suportaria perdê-lo novamente.
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Os homens trajados de forma estranha e maltrapilha se aproximavam de uma cidade mais afastada de Loutrec, eles estavam cansados, quase não haviam descansado no caminho. Dias e noites a fio, quase sem comer ou beber, todos estavam exaustos.
– Thanatos, já chega! Estamos cansados e logo seremos alvos fáceis até mesmo para lutar, não temos mais forças...
Um jovem de fios claros falou, fazendo com que o moreno parasse e o olhasse. – Está certo... Mas não podemos baixar a guarda... Montamos acampamento essa noite, mas partimos cedo, quero chegar logo em Kartan. – O mais velho falou e todos suspiraram um tanto aliviados.
Os dois homens que se juntaram a eles mostravam-se igualmente exaustos, mas nenhum deles reclamou. Thanatos desceu de seu cavalo, e logo foi pegando as coisas para mostrar a barraca. Aproximou-se de dos homens vendo que um deles estava mais debilitado. – O que há com ele?
Hades o olhou um tanto mais sério. – Ele está com febre, foi muito machucado, acredito que isso o esteja adoecendo. – Vou montar a barraca e então o colocamos dentro. – Thanatos falou, indo fazer o que dissera.
Não era nada exagerado, o moreno recolheu algumas madeiras e as enfio no chão, amarrando em cada madeira, a ponta de um tecido grande, que aos poucos podia-se ficar embaixo. Forrou outro tecido, assim foi pegar Shion que estava debilitado. – Volto logo! – Disse, e saiu para o meio da floresta, o olhar dos outros eram inquisidores, não eram muitos, mas não entendiam o cuidado de seu líder com os dois estranhos.
Quando Thanatos voltou, tinha umas folhas na mão, usando uma pequena vasilha, amasso as folhas que trazia não e colocou um pouco de água, levou até Shion e segurando sua cabeça o fez tomar aquilo. O doente fez uma careta, mas ingeriu todo o sumo daquela planta.
– Agora ele vai melhorar... E então Hades, vai me contar o que está havendo?! Quem diria... Te encontrar aqui... Tem encontrar fora de seu castelo. Sei que se filho assumiu o reino, mas para todos você estava doente e havia deixado todo nas mãos dele!
Thanatos questionou sério e um tanto sarcástico mesmo. Embora no fundo estivesse preocupado. Há muito não via Hades, embora soubesse que apesar do tempo, nunca, jamais a esquerda. Mas ele agora era outro homem, não podia e não iria se deixar levar por sentimentos que já não eram mais os mesmos, nem da mesma intensidade.
O moreno vivia em Kartan, um pequeno vilarejo escondido bem no coração da floresta, onde nem mesmo os mais audaciosos ousavam ir, dizia-se a respeito daquele lugar que era um antro de perdição, um lugar onde os piores assassinos viviam. Uma fama que ajudava a manter o lugar seguro.
Na verdade, Kartan era um lugar belo, com muitas riquezas e um pouco de mistério... Próxima das montanhas geladas, ela conseguia manter-se sempre em eterna primavera. Havia algo que a sustentava, segredo esse que quase ninguém realmente conhecia.
Hades olhou o outro e suspiro sentando-se, seu porte altivo e elegante o denunciavam. Não daria para esconder que ele era um rei, estava escrito em todo seu corpo.
– Faz mesmo muito tempo, achei que jamais o veria de novo. Você continua muito lindo, Thanatos... Mas um pouco mais alto e forte. – Falou de forma gentil. – Não sei bem o que está acontecendo, me sinto perdido. Meu filho me traiu, me tirou o torno e ainda faz crueldades em meu nome...
Thanatos sorriu – Não se faça de vítima, você fez isso... Foi você que acabou conosco, Hades! Um péssimo rei, aumentados impostos, punindo os mais simples, roubando terras e defendendo os seus iguais. Seu filho só está continuando o que começou, tão igual a você, por que a surpresa?!
Hades o olhou sério. Não conhecia aquele homem, não com aquele amargo na voz, e mito menos com aquele jeito cruel de lhe falar e acusar. Parecia que nunca o conhecera. – Está enganado, o que sabe a me respeito para me acusar assim?! Eu não fiz o que diz... Não da forma deliberada e cruel como fala. Eu estava cuidando do meu reino! – Falou firme, seu olhar e o de Thanatos pareciam se enfrentar, o rei estava se sentindo injustiçado, não tinha feito aquelas coisas, desde que casou-se a primeira vez, dedicou-se a família, dividindo suas responsabilidades, precisava quase sempre viajar, e com isso confiava seu reino nas mãos dos mais antigos. Que auxiliaram seu pai... Quando sua esposa ela morreu, mal conseguia estar no castelo, até que em uma viagem conheceu a mãe de Degel e Kamus.
Vendo-se apaixonado por ela, casou novamente, mas quando pensou que tudo ficaria bem, ela se foi... E então teve de dedicar-se a busca de algo que pudesse ajudar seu filho. O mantinha a salvo do mundo, de quem pudesse machucá-lo.
Confiava que Siegfried continuaria o protegendo, e com isso, fez o noivado dos dois, mas desde esse dia seu martírio começou. E agora parecia que não teria fim.
O que poderia fazer?
Queria entender aquilo tudo, mas parecia que seria difícil. Queria achar seu filho, Radamanthys falou que tinha matado Dégel, sentia seu mundo ruir.
– Não sou o que pensa Thanatos, posso não ser um santo, mas não sou um monstro! – Ditou por último levantando em seguida, virou-se para o outro e saiu andando. – Cuide dele... Eu posso me virar sozinho! Mas obrigado por ter me trazido até aqui. – Agradeceu, antes de andar para fora daquele acampamento. Não queria ser um peso, não seria. Preferia morrer lutando, que ser acusado injustamente.
Thanatos levantou e foi atrás dele, segurou seu braço, o fazendo virar para si. O rei olhou nos olhos dele, firmemente. O moreno também desviava o olhar. Ambos pareciam querer dizer coisas que iam além dos títulos, ou posições. Não sabiam bem o que fazer, mas uma coisa era certa, nenhum deles mostrava-se disposto a baixar guarda. Hades queria ir embora, Thanatos sabia que ele morreria sozinho. Mas nenhum deles queria ceder.
– Solte-me! – Hades ordenou. – Preciso deter Radamanthys e entender o que acontece!
– Não lhe devo obediência! – Thanatos replicou. – Mas como pensa que vai fazer isso?! A pé? Magro e debilitado como está?! Não seja tolo, venha comigo. Se recupere hoje para lutar amanhã, Hades! Se o que diz é verdade, seu filho não está só nisso, e não simplesmente te devolver Lotrec. Acorde!
O rei o olhava surpreso e dolorido, não demonstrava em seu semblante, mas seus olhos eram como espelhos de sua alma, e Thanatos sabia bem como ver tudo que queria ali. O puxou de volta para a cabana, o fazendo sentar perto de Shion.
Hades não disse nada, embora quisesse dizer algo. Fecho os olhos para não olhar o outro que ali se encontrava, mas sentia o olhar dele em sim. Nada era como pensava, seu mundo, seus filhos... seu reino. Tentava achar uma resposta, mas não sabia como, nem onde. – O que fez Radamanthys... Por que isso?! Por que? – Perguntou-se a si mesmo, baixo e sofrido. Todo que tinha seria deles m dia, mas não podia entender por que tinha que ser daquela forma. Sentiu uma pontada no peito que o fez ficar zonzo, olho para Thanatos tentando falar, mas não conseguiu, a última coisa que lembrava foi de ver o outro arregalar os olhos e estender a mão para si, antes de perder os sentidos.
O que teria sentido o rei? E por que desmaiara? As coisas não estavam indo nada bem. Thanatos o deitou ali, mas não sai do lado dele, esperaria ele acordar. Mas estava agora mito preocupado, precisava saber mais sobre todo aquilo, acreditava em Hades, só não sabia bem, por que. Mas logo descobriria.
Continua...
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