Escorpião Negro
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Seu corpo era tomado por uma fina dor, não era necessariamente algo ruim ou descomunal, era mais aquela dorzinha sutil e até gostosa. Espreguiçou seu corpo e moveu-se para deitar-se de bruços na cama. Pode sentir os lençóis frios acariciar seu corpo e o corpo quente junto ao seu.
Corpo!
Essa sensação o fez despertar rapidamente. Moveu a cabeça para o outro lado e seus olhos azuis encararam o outro homem que compartilhava consigo a cama. As lembranças de tudo que tinha ocorrido consigo desde que fugira do castelo vieram à mente. Momentos duros, difíceis e humilhantes, porém apreenderam o que era amizade, honra e o sentido real de família.
O príncipe encarou as feições sedutoras e másculas do pirata. Milo tinha os toques fortes, os músculos trabalhados pela vida dura no mar.
Timidamente ergueu a mão e deixou as pontas de seus dedos acariciarem a pele bronzeada do rosto do outro. As lembranças da noite anterior vieram e fizeram suas bochechas corarem. Sua pele ainda queimava pelas recordações dos toques e beijos do pirata... Seu coração leve pela forma até gentil que fora tratado. Não imaginou que Milo poderia ser amável, mas foi, de seu modo, mas fez.
— Não me tentes! — Milo disse com a voz rouca.
Assustado Kamus afastou a mão e virou a face contrária a do outro. Teve medo dele briga ou destratá-lo, esquecer-se de tudo que tinha acontecido na noite anterior. Um arrepio percorreu seu corpo quando sentiu as mãos calejadas deslizarem por suas costas até apertar uma dos glóbulos de sua bunda. — Você está bem? O machuquei?
Seu coração aqueceu diante da preocupação, mas não iria admitir isso em alta voz. — Não... Que dizer, um pouco desconfortável, mas ficarei bem. — Disse sem ainda encarar o outro.
— UHh! — Milo resmungou. Ele se moveu colocando-se sobre o corpo do príncipe... Moveu seu quadril permitindo que sua ereção matinal roçasse insistentemente contra a fenda entre as duas bochechas durinhas. — Acho que podemos repetir a dose. — Disse sensual contra ouvido do menor.
— Não... É dia... O Sol... — Kamus choramingou, mas não podia fingir que não causava efeito em seu corpo o contato.
— E o que tem? Não existe limitação para se amar... Sol, lua... Cama, cadeira... Ou quarto e cozinha...
— Não vou fazer isso na cozinha, é nojento. — Kamus disse bufando. Pelo visto havia despertado uma fera no pirata, e teria que lidar com ele agora.
Milo jogou a cabeça trás rindo.
A vergonha iluminou todo o rosto de Kamus, mas, em seguida, uma suavidade de repente embaçou seus olhos.
Milo ergueu uma sobrancelha, propondo alguma diversão nesse movimento, enquanto seu pau começava a se contorcer. Já entrando no doce desejo que já conhecia, Milo virou o jovem deitando-o de costas contra a cama e de frente para si. Ele deu um beijo suave em seus lábios quentes. Milo acomodou-se no V de suas coxas separadas.
— Mmm… — Kamus murmurou baixo até que seus lábios se encontraram. Lambeu com intento delicioso contra a emenda separada. — Seu bandido tarado – O príncipe resmungou.
— Que você adora... — Milo gemeu brincando na boca de Kamus, ao que balançou a evidência de sua ereção engrossando contra a protuberância empurrando a calça molhada de Kamus,
Com um murmúrio, — Eu definitivamente não quero fazer isso. — Kamus disse tentando empurrar Milo e balançou-se contra ele. Abriu os lábios para reclamar, mas serviu mais como convite.
Milo tomou a boca de Kamus lenta e facilmente. Queria manter Kamus, sob ele, se contorcendo e implorando para fazê-lo gozar, por quanto tempo pudesse. Não queria parar de dar prazer ao seu príncipe.
A cada mordida suave que Milo colocava na boca de Kamus, ele sacudia a língua na boca do homem para um gosto rápido de seu mel único. Apoiou um cotovelo na cama e se ergueu um pouco para empurrar a mão entre seus corpos. — Preciso de você nu embaixo de mim. Você se sente tão bem.
— Pare...
— Ontem você não disse isso, na verdade implorou por mais.
— Ontem tava noite... Ao menos feche as cortinas. — Kamus implorou, mas quanto mais contorcia seu corpo para expulsar o outro mais se enroscava.
Milo não parou, e sim começou um ritmo de levantar os quadris para esfregar seus pênis juntos. — Preciso de você todo também... — Kamus sussurrou e arranhou os dedos para o baixo de suas costas nuas. Empurrou o lençol para longe, deixando que seus corpos nus se tocassem livremente.
Milo moveu-se girando seus corpos e ficando ele de costas contra a cama e o príncipe deitado sobre si. Foi justo quando a luz do sol invadiu o recinto pela janela e imediatamente aqueceu as nádegas nuas do mais jovem, mas Milo rapidamente segurou as colinas de carne e apertou. Deslizou os polegares no vinco, e um pouco do controle de Kamus voou longe.
— Cristo. — Kamus zumbiu, e levantou a bunda para a massagem do pirata. Sua passagem apertou; já carente, e seu pau ergueu mais alto contra a barriga.
Abaixo dele, Milo olhou para cima, com um brilho cheio de descaramento lascivo em seus olhos. — Você gosta? — Provocou adorando o rubor da face do príncipe.
Kamus mergulhou para mordê-lo em vingança, quando um assobio agudo atravessou o ar da tarde. Ele comeu um beijo em seus lábios e riu. Seu olhar deslizou de humorado para completamente pecador. Ele começou a se balançar em Milo mais uma vez e provocou os polegares do pirata ao longo do vinco de sua bunda.
Deslizando sob o feitiço sedutor deste homem, mais uma vez, Milo gemeu enquanto roubava outro beijo.
No momento em que Milo deslizou e acariciou seu eixo, Kamus gemeu. Arqueou sob ele e esticou os braços acima da cabeça contra a nuca.
— Faça o que quiser comigo. — Kamus olhou para Milo, e em seu olhar o pirata podia ver o amor puro emanando de sua alma. — Sou todo seu...
— Sabia que mudaria de ideia! — O pirata provocou. Mas o coração de Milo balançou em sua garganta. Ele soltou o pênis de Kamus para deslizar as mãos pelos braços do homem e vincular seus dedos juntos em dois nós intrincados. Ele nunca se cansaria de olhar nos olhos azuis quentes deste príncipe, mesmo que não admitisse em alta voz. — Ahhah... — Kamus ergueu as pernas, trancando-as ao redor da cintura de Milo, e amarrou-os juntos ainda mais.
Milo mergulhou a cabeça, roçando seus lábios juntos com ternura requintada, e assim fez. Ele moveu o corpo e colocou-se entre as pernas do príncipe, e enquanto sua boca devorava a dele, deixou que sua dureza se aprofundasse em sua intimidade.
Kamus grunhiu em meio ao beijo, mesmo que seu corpo ainda se encontrasse úmido devido à atividade da noite anterior, achava-se sensível, e não foi possível ignorar a dor. Milo distraiu-o com beijos quentes e toques sensuais que incendiava seu corpo.
Ele enlaçou os ombros do pirata como seu porto seguro e sentia-se levado para um caminho sem volta. Os gemidos de volumes irregulares fluíam de seus lábios inchados pelos beijos trocados. Ele projetou a cabeça para trás, e Milo aproveitou para marcar seu pescoço com chupões e pequenas mordidas.
O capitão movia os quadris em fúria em uma dança sensual... Seu mastro duro entrava e saia consecutivo das entalhas do príncipe, fazendo com que a eletricidade do prazer tomasse os dois.
E um fogo apossou deles... Milo aumentou a virilidade com que fazia amor com Kamus, e quando o cume do prazer tomou posse de ambos, mergulhou fundo dentro do príncipe e degustou de seus lábios em um beijo voraz.
Chegaram juntos a um orgasmo alucinante... Ofegantes trocaram carícias pequenas até que Milo saiu de dentro de Kamus e deitou ao seu lado.
— Essa é a melhor forma de acorda pela manhã... Com a doçura de seu corpo. — O pirata disse debruçando-se rapidamente sobre o menor tomando seus lábios num último beijo antes de levantar da cama. — Está cedo, por que não descansa mais um pouco? Daqui a duas horas peço para trazerem café da manhã. — Disse de seu jeito áspero, mas com um toque de gentileza camuflado.
— Você vai sair? — Kamus perguntou manhoso pelo orgasmo e sono.
— Há muito trabalho a fazer, e tenho que fazer reunião com meus sócios. — Disse referindo-se aos seus cinco amigos, visto que incluía Shura nessa lista.
— Uh... Ok... — Falou esticando o corpo entorpecido e seguiu a dica de Milo, realmente permitiu-se dormir mais um pouco.
Milo contemplou a face do príncipe adormecida e depois foi cuidar da sua higiene matinal, se vestir e trabalhar. Eles tinham uma longa missão a frente, assim precisavam se organizar para que tivessem total sucesso, e outro ponto, queria conversar com Aioria separado dos outros, sentia que havia algo incomodando o amigo e precisava resolvê-lo antes que as coisas piorassem.
–oo0oo-
Os olhos azuis de Dégel se encontravam olhando o movimento da pequena cidade através do vidro da janela. Não se achava totalmente curado, mas ao menos podia sair da cama e andar por algum tempo. Cansado de ficar no quarto ele tinha saído e foi parar na oficina. Nos quinze minutos que achava ali, o ferreiro havia ignorado completamente...
Dégel nunca foi bom para conversa, não tinha exatamente muitos amigos, mas naqueles dias que se encontrava ali tentou ser simpático com o homem que o ajudou, porém esse fazia questão de agir como se não estivesse ali. Por sorte sua filha Shina era gentil.
— Devia ir para o quarto! — A voz rouca de Kárdia fez presente.
O príncipe o encarou surpreso, o áspero homem resolverá dizer algo, e até com certo tom de preocupação, mesmo que disfarçado.
— É tedioso ficar lá... Posso ficar aqui? Juro que não atrapalho! — Disse olhando para o homem. Kárdia encontrava-se com os longos cabelos azuis presos com uma fita no alto da cabeça, e vestia somente uma calça de tecido cru. Seu tórax suado achava-se a mostra, e enquanto trabalhava os músculos do abdômen e braços flexionavam. Dégel nunca se interessou por homens, nem nunca os olhou, mas Kárdia estava penetrando rapidamente em seu sistema, e isso o deixava confuso e desejoso.
— Faça o que quiser! — Kárdia disse retirando o metal quente do fogo e o levou até uma pedra grande – que usava como mesa – e tomou o martelo começando a bater no aço. Era assim que forjava uma arma, a batendo, como um homem que se tornava forte na vida, levando pancadas dela.
— Uhh! — Dégel sentia seu peito doer pela aspereza do homem. — Cadê a mãe de Shina? — Arriscou indagar. A menina nunca falava sobre a mãe, e de alguma forma Dégel temia que ela aparecesse a qualquer momento.
— Morta! — Kárdia disse sem encarar o príncipe.
— Oh, sinto muito!
— Não sente! — Kárdia disse olhando furioso para o príncipe, e Dégel não gostou daquele olhar.
— Como?
— Minha adorável esposa morreu por culpa de sua cruel e vil família! Não passam de nobres sem coração e alma, então não venha mentir para mim. — O ferreiro disse firme.
Dégel ficou indignado. Claro que sabia o duro e negro coração de seu irmão Radamanthys, céus, o homem tentou mata-lo. Era ciente da dureza de seu pai, mas salvava sua mãe e seu irmão caçula, e por eles defenderia a honra de sua família. — Isso é mentira!
— Ah não... É tão mentira que seu irmão o apunhalou pelas costas e o deixou para morrer. — Kárdia desafiou.
— É... Meu irmão é um verme, mas nem todos são ruins.
— Sei... Seu pai leva o povo cada dia mais a miséria para ganhar gloria e riqueza... Seu irmão é um assassino, seus conselheiros gananciosos e os soldados vis. Onde não são ruins? Ninguém se salva! — Kárdia disse encarando seu medo.
— Não sou cruel... E Nem Kamus... E minha mãe foi uma mulher maravilhosa. — Disse gaguejado diante do olhar penetrante daquele homem.
— É... Uma mulher bondosa que padeceu na mão de um homem sem coração...
— Não fico falando mal de sua família! — Disse chateado. — E se eu sou tão imprestável, por que me salvou?
— Por que minha filha tem um mole coração... E não ficarei em divida com nenhum nobrezinho... Ser está bom para falar demais, então vá embora! — Kárdia disse voltando a martela o aço.
Dégel mordeu os lábios. Queria socar aquele homem. — Seu... Seu... Vou mesmo! Não sou obrigado a ouvir um troglodita. Em momento algum fui mal-agradecido e não pode culpar a todos pelo erro de um homem, somente por que são da mesma família. Asno! — Dégel gritou e em fúria abriu a porta da oficina e saiu dali. Não sabia para onde ir, pois não podia voltar ao castelo. Mas isso não importava, ele daria seu jeito. Iria encontrar Kamus e os dois poderiam viver em uma casa modesta em algum lugar... Poderia trabalhar.
Kárdia suspirou, e olhou para trás, mas imaginou que ele não tinha mesmo para onde ir... Logo voltaria... E se não voltasse seria melhor ainda. Continuou seu trabalho, porém vez ou outra olhava para trás. Não entendia a si mesmo. Seu peito estava apertado e sua cabeça não parava de pensar no príncipe.
Alheia ao que acontecia em sua casa, Shina estava terminando de colher umas amoras, adorava fazer isso, só parou quando achou que a quantidade era suficiente para fazer uma torta. Estava feliz, desde que ajudara Dégel notara que seu pai estava diferente, um pouco inconscientemente ele se arrumava mais e parecia mais bem-humorado, mesmo que fingisse.
A moça voltava para casa pensando no pai, há tanto tempo que ele vivia só e a sombra da lembrança da mãe, fazia mesmo muito tempo que ele parecia ter morrido com ela. Mas via na presença de Dégel uma oportunidade de felicidade para o ferreiro.
Ao entrar a jovem viu a casa vazia e aquilo era estranho, ultimamente o príncipe ficava ali na sala ou no quarto, no entanto sempre que ela chegava ele ia falar com ela, porém não acontecei dessa vez.
— Dégel?! Ta ai?! — Como não havia resposta Shina seguiu até o quarto e ao entrar e não ver Dégel mordeu os lábios. E soltou a cesta e correu até a oficina, e ele não estava ali. — Pai... Viu o Dégel?!
Kárdia voltou-se para a filha e falou frio:
— Não sei... Eu estava trabalhando! — O homem tinha o olhar desconfiado, e coração apertado, tinha receio que sua filha estivesse gostando do rapaz. — E posso saber por que a senhorita está tão preocupada com ele?!
A jovem estreitou os olhos. Conhecia o pai e ele estava apreensivo com a resposta que ela daria. Estava chateada com ele, aquela resposta que deu só mostrava que algo tinha acontecido: — Pai, não desconversa...
O homem de fios azuis bufou e olhou para a filha:
— Ele veio aqui, e perguntou de sua mãe, falei que ela tinha morrido e ele veio dizer que “sentia muito”, sente é nada! Foram pessoas da laia dele... — Não terminou quando ouviu o som surdo de algo caindo ao chão e olhando viu a cesta com frutas ao chão.
Shina tinha os olhos marejados e ao mesmo tempo irritados, ela era expressiva e tinha um gênio bem forte e a paciência curta. Passou a mão pelo rosto e dessa vez ela parecia no limite:
— E o que fez? O mandou embora?
Kárdia abriu a boca e a expressão da filha lhe deixou um tanto sem jeito: — Não me olhe assim mocinha! E não fale comigo nesse tom! Eu ainda sou o pai aqui! E não o mandei embora, apenas sugeri, ele foi por que quis, por que não quer ouvir a verdade, por que...
Quanto mais ele falava menos Shina ouvia a ira tomou contar de si totalmente, já o vira fazer aquilo outras vezes, afastar as pessoas, e por quê?! Por causa de uma lembrança?! Por causa de uma vingança?!
— Chega pai! Chega! Você o mandou embora e sabia que ele não está bem totalmente. Como também sabe que os soldados estão por ai, e se um deles vir o Dégel?! Ele nem pode lutar e vão levar ele para o irmão, que dessa vez vai matá-lo!
O ferreiro sentiu o coração diminuir dentro do peito. Não havia pensado que isso poderia acontecer. Soltou o seu instrumento de trabalho e olhou para a moça que continuava com aquela expressão dura para si. Levantou o dedo indicador apontando para ela como quem diria algo, mas não conseguia.
Shina, porém, sentia-se chateada e um tanto decepcionada com seu pai.
— Quer saber pai... Cansei! Cansei de viver o tempo à sombra da morte da mamãe, ela se foi. Eu sei que não foi escolha dela, mas temos que viver... Eu era uma criança, hoje já sou quase uma mulher adulta, mas você continua nisso, sempre nessa casa, tudo do mesmo jeito que ela deixou, isso me incomoda sabia?! É como se não tivéssemos o direito de seguir em frente, de viver... E sabe de uma coisa?! Ele deve mesmo sentir muito, por que não foi culpa dele! — Ela ditou com lágrimas molhando seu rosto, mas ainda continuou. — Muitos pobres como nós, ao invés de trabalhar para ganhar o pão, roubam, mas isso então significa que todo pobre é ladrão? “não”... Não é mesmo papai? Pois então, uma pessoa sem caráter, um bandido que por que tem dinheiro se acha acima de tudo e todos, matou minha mãe, mas por causa disso todos os outros também são assassinos?! Vou atrás dele! E espero encontrá-lo, do contrário pai... Não vou te perdoar nunca! Por que ele me salvou e eu estava fazendo o que me ensinou, retribuindo, pagando uma dívida de gratidão!
A moça deu as costas e saiu pisando duro. Kárdia sentiu o chão sumir debaixo de seus pés, ela tinha dito coisas que nunca tinha se perguntado, e ela tinha razão quando dizia que logo seria uma mulher adulta, na verdade ela já tinha idade de casar, mas sempre a tratara como uma menina, uma “criança”.
Quando ouviu o som da porta batendo pareceu acordar e tirando o avental que usava e puxou uma camisa que estava em cima do móvel ao lado da fornalha, correu a encontro da filha, e a alcançou. — Fique... Vou trazê-lo de volta! Eu prometo!
Shina ficou ali, contudo não o olhou e aquilo doeu muito em Kárdia. O ferreiro saiu andando rápido a procura do príncipe, ele não podia ter ido longe, logo sentiria um cansaço, ainda estava fraco. Tinha esperanças de encontrá-lo antes dos guardas.
Dégel por sua vez estava andando um tanto perdido, não conhecia o lugar, mas andava um pouco apressado. Estava sentindo uma dor que não sabia explicar, mas de certa forma agora sentia se culpado pela morte da mulher dele, podia julgá-lo? Não... Não tinha esse direito. Chegou a uma praça grande e apinhava de pessoas, nunca pensou que naquele vilarejo morasse tanta gente.
O príncipe misturou-se ao povo e ia olhando as coisas e distraiu-se olhando a feira e a rotina das pessoas, achou certa graça, era um tanto divertido e vivo, tão diferente da vida no palácio, tão bom...
Seus olhos olhavam tudo com avidez, não se aproximou de nada. Observava a certa distância, apenas matava sua curiosidade, eram barracas de frutas, e legumes, além de outras coisas como especiarias e até joias e roupas, era diferente. Encantando com aquilo ia desviando das pessoas, mas então quando menos esperou bateu contra ao duro que o deixou sem ação e o fez voltar uns passos, levou à mão à testa e levantou o rosto para saber em que tinha batido e qual não foi sua surpresa ao deparar-se com um guarda, o homem tinha um semblante duro e frio, e um olhar assassino, mas ao ver Dégel deu passo atrás.
O soldado estava com uma expressão de susto e o outro que estava logo atrás dele o empurrou, não entendia por que ao invés de ir em frente ele estava dando passou para trás... Mas logo seus orbes caíram sobra a figura pálida de Dégel e o homem ficou sem ação, mas por apenas meros segundo, logo voltou ao normal e falou para o outro.
— O príncipe está vivo! O que está esperando pegue-o, precisamos levá-lo ao príncipe Radamanthys.
O de cabelos verdes pareceu acordar quando ouviu aquelas palavras e correu por entre a multidão. Precisava se esconder e manter-se vivo, mas agora ele saberia e viria atrás dele, tinha que ir para longe, não podia colocar Shina e Kárdia em perigo. O jovem sentiu uma pontada no lugar do corte que o deixou sem ar, todavia não podia se entregar, não podia deixa-los o pegar.
Passou por uma carroça com produtos para medicamentos, o boticário vendia dizendo que eram milagrosos, ali era o fim da feira e não sabia mais para onde seguir. Olhou para trás vendo os guardas chegarem, ali seria seu fim, mas enquanto pensava isso, sentiu-se ser puxado pela camisa e uma mão tapou sua boca, debateu-se tentando escapar, mas o cheiro da pessoa o fez reconhecer.
— Vamos! Precisamos sair daqui! — Kárdia falou e o fez seguir consigo.
Eles andaram pelas ruas correndo. O príncipe deixava-se ser puxado pelo outro, seus pulmões chiavam precisando de ar. Dégel tentou falar mais sua voz saía falha:
— Por favor... Eu... Não... Respirar...
Kárdia ouviu a voz e vendo um galpão vazio o entrou e o puxou consigo. Uma vez ali ambos faziam esforço para respirar.
Dégel foi recuperando o folego e então falou:
— Obrigado... Salvou-me uma segunda vez. — Dizia entrecortado pela falta de ar. — Contudo agora preciso seguir sozinho, eles me viram e com certeza vão dizer a meu irmão, não posso colocá-los em perigo... Desculpe-me por qualquer mal que tenha lhe causado... E diga a Shina...
Ouvindo as palavras dele Kárdia o interrompeu:
— Não diga asneiras! Não pode ir sozinho a lugar algum ainda! Se quer realmente esconder-se de seu irmão precisa de um lugar segurar e eu conheço um, vamos... Sei para aonde iremos. — O de cabelos azuis seguiu para fora dali e parou a porta notando que não estava sendo seguido pelo príncipe. — Vai ficar ai?
Dégel estava sem entender, sua mente estava agora confuso, primeiro foi rude consigo e o mandou em bora agora o ajudaria a se esconder? E por que ele disse ‘iremos’. Olhou para o ferreiro e perguntou. — Acho que não entendeu... Os soldados me viram, meu irmão irá... — Parou quando viu o olhar do outro.
Kárdia estava impaciente, ali podiam ser pegos. — Eu não sou surdo! Entendi muito bem o que disse, mas agora eu e minha Shina corremos perigo também, afinal um ou outro deve ter visto quando o ajudamos, agora vamos! Precisamos ser rápidos!
O homem saiu dali tendo o príncipe a seu lado. Dégel sentia certa alegria e se recriminava por isso, mas saber que ele iria consigo, mesmo que depois tivesse que ir embora, o fazia feliz.
Kárdia por sua vez sentia alívio de ter conseguido salvá-lo, embora dissesse a si mesmo que era pela filha que fazia aquilo. Ele não conseguia tirar Dégel de seus pensamentos. Agora teriam que ser rápidos, pegar suas coisas e partir, doía deixar aquele lugar, mas precisava fazê-lo ou poderia perder sua filha. Teria de regressar, sentia-se como alguém que retrocedia voltar aquele lugar era o mesmo que remontar dores que queria muito esquecer, mas era preciso, era o único lugar que tinha para ir e lá poderia realmente proteger Shina e o príncipe.
–oo0oo-
Alheio ao fato de que o irmão estava vivo, Radamanthys estava andando no palácio pelo corredor que levava a sala do trono. Seu pai havia mandado chamá-lo, entretanto não ia só, estava acompanhado de seus soldados, já era hora de tirar Hades do poder e assumir o que era seu de direito.
O trono!
Abriu as portas e ao entrar ali tinha um sorriso desdenhoso na face. O rei o olhou sem entender aquilo, mas vendo o filho ali o avaliava, descobrira que estava sendo envenenado e que ele era o responsável por aquilo. Seus orbes azuis não deixavam de olhar para o filho e tentar entender o motivo daquilo.
— Mandou me chamar majestade?! — Radamanthys perguntou fazendo uma reverência. Esperaria ouvir o que ele tinha a dizer, e depois seguiria com seu plano. O loiro estava cada vez mais seguro. Dégel estava morto e Kamus perdido no mar e o pai... Bem daria o jeito nele aquele dia.
Hades então começou a falar: — Radamannthys, quem pensa que sou?! Acha que sou tolo? Acha mesmo que sua pressa e ganância pelo trono irão levá-lo a algum lugar? — O rei perguntou de forma autoritária, e irada, porém no fundo sentia-se magoado e traído. — Achou mesmo que seu plano falho me colocaria na cova? Pois errou e agora irá pagar por isso, estar banido de Loutrec, eu o condeno a viver longe daqui e se ousar por os pés nessa terra será morto!
O loiro sorriu e o olhou com desdém:
— Me banindo?! Você?! Quem pensa que é para fazer isso?! Está me banindo? É mesmo?! Pois saiba que estou farto de olhar para essa sua cara, estou farto desse seu reinado de merda! Pensa o que?! Acha que não sei?! Queria era que Kamus reinasse, e sabe? Seu filhinho está perdido no mar, nas mãos do mais temido pirata desses mares! O escorpião! E a essa altura, já deve ser comida de peixe!
Hades levantou de seu trono, estava sem palavras, ele sabia onde Kamus estava e nunca falou nada:
— Se sabia onde ele estava por que nunca disse!? Seu irmão é especial, é frágil! — O rei continuaria a falar, mas foi interrompido pelo outro.
— Irmão?! Ele não passar de um invasor, um ladrão! O trono é meu, seu sou seu filho de direito! Eu! E a partir de hoje, sou o rei de Loutrec, pois meu pai, o rei Hades, está muito doente e não pode mais assumir as tarefas e deveres de rei, tendo que ficar deitado em seu leito sendo tratado.
Hades achou que o filho tinha enlouquecido, mas então nesse instante viu dar uma ordem, puxou sua espada, todavia foi desarmando pelo loiro, e assim os soldados seguraram o homem pelos braços e enquanto o faziam um outro trouxe uma mascará de ferro e colocou nele.
Radamanthys tinha em mãos a coroa e a colocou em sua cabeça:
— Rei... Finalmente! — Olhou para o pai e foi até ele e lhe tirou as roupas deixando-o nu. — Viu Hades, acabou! — Voltou-se para os soldados e ordenou. — Levem-no para as masmorras, quero-o preso e a chave, traga para mim, quero me certificar que ninguém o tirara de lá! Ah e vistam os trapos que deixei separado para ele! Saiam!
Os homens levaram o rei e agora Loutrec seria governada por um louco. Dias obscuros se aproximavam.
Continua...
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