Escorpião Negro
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Bjs
Enquanto Radamanthys tomava o trono de seu pai, Dégel fugia a fim de esconder-se do irmão, Kamus encontrava-se no escorpião Negro, em companhia de seus novos amigos, ou deveria dizer de seus ‘únicos’ amigos?! Afinal, o príncipe nunca tivera muitos amigos, e na verdade só podia contar com um, Saga Caillet.
Este por sua vez, corria ao encontro do príncipe, queria vê-lo, saber se estava bem e contava com a ajuda de Aioros Pallas para encontrá-lo, os dois haviam partido para o lugar onde Shion dissera que encontrariam o príncipe, e ambos esperavam que ele estivesse bem.
Ao que no navio, todos estavam alheios ao que acontecia em terra, preocupavam-se agora em chegar às terras frias de Led, mas a frieza de Led não era por causa do gelo, muito pelo contrário, era um lugar até quente, mas ali a tristeza reinava, as pessoas eram sombrias.
Milo procurava não pensar nisso, tinha tantas coisas para resolver e uma delas era conversar com Aioria e fora procurar o amigo, e bateu a porta da cabine do leão e esperou ele abrir. Quando o outro o fez e olhou para o capitão virou o rosto.
— Já estou voltando para meu posto capitão! — O jovem falou sarcástico e isso deixou Milo irritado, Aioria tinha o dom de fazê-lo sentir-se mal quando queria.
— Não vim aqui falar disso, e sei que sabe. — O de cabelos azuis suspirou. — Entre, vamos conversar!
Aioria era amigo de Milo, nem precisava dizer isso, essa verdade era notória, ele tinha respeito e intimidade, sentia-se livre para agir de determinada forma, e isso deixava alguns sem entender, muitos pensavam que ele era provavelmente amante do escorpião, mas estavam enganados, entre eles havia um amor sim, mas fraternal. Para Aioria, Milo era um irmão mais velho, mas vivido, mas sempre unidos, tomavam juntos suas decisões e assim fora por anos.
O jovem olhou para Milo e estreitou os olhos.
— Não temos nada a falar capitão! Estou indo... — Ele começou a falar e então viu Milo se enfurecer e bater com força a mão contra a porta, os piratas próximos ficaram com medo, mas Aioria apenas revirou os olhos. — Certo... E tudo tem que ser como quer não é?! Não quero conversar... Você é adulto e toma suas próprias decisões, não é assim!?
Milo queria entender. Saber onde ele queria chegar, mas não estava conseguindo. Olhou para o amigo e falou calmo:
— Aioria, eu não nasci ontem, o que deu em você?! Dá para dizer?! Eu não sou muito paciente e muito menos adivinho, então...
O leão bufou. Sabia que ele não sairia dali enquanto não falasse, assim virou de costas e tornou a entrar em sua cabine, no entanto esperou Milo entrar em seguida e assim o capitão o fez. Fechando a porta atrás de si, o de cabelos azuis encostou-se a mesma e esperou que ele falasse.
Aioria suspirou e de costas para Milo falou sério: — Não sei o que quer ouvir, mas já que veio aqui... — Ele disse. Tinha decidido ser verdadeiro como sempre foi com o outro. — Olha Milo, sou seu amigo, mas desde que esse príncipe chegou aqui, que você esquece isso, na verdade, você esquece até de seus deveres, tudo gira em torno dele... Não vê? Já não bastava trazê-lo a bordo e por duas vezes nós quase perdemos o escorpião, ou fomos pegos pela guarda real por causa dele, eu quase morri... — O leão falava o lembrando de que para eles o mais importante sempre fora o navio e seus tripulantes, suas recompensas, nunca agirá daquela forma. Mesmo por que ele sempre fora muito sensato, sempre dissera que sentimento exagerado era bobagem, não que ele não agisse guiado por suas emoções, mas não daquela forma. — Droga! O que deu na sua cabeça?! Que capricho é esse?! É nossa vida, nosso tesouro! Você saiu daqui louco para buscá-lo... E se tivesse sido pego? E se tivesse morrido?! Teria valido a pena?!
O capitão mordeu a parte interna dos lábios e abaixou a cabeça, sentou-se em uma cadeira que estava ali saindo de perto da porta, olhou para o amigo que agora o olhava serio.
— Desculpe... Tem razão quando diz que fui precitado, mas não sei o que me deu... Deixá-lo me doeu Aioria, sentia como se uma parte grande de mim fosse ficar ali, eu me senti um covarde... Não sei explicar, mas não dava pra seguir sem ele...
Aioroa estava boquiaberto e o olhava sem reconhecê-lo. Quantas vezes dissera que aquilo aconteceria, contudo ele nunca lhe deu ouvidos. Coçou a cabeça e suspirou. Agora sentia se infantil e tolo, devia ter esperado para conversar, porém deixou-se levar pelas emoções. Na verdade o que ocorria com o leão, era que via seu amigo ser enlaçado pelos caprichos do príncipe e achava que ele estava se deixando levar por planos de vingança, como ele sempre dissera, mas agora entendia bem o motivo de tudo aquilo.
Aioria se aproximou do amigo e pegou em seu ombro:
— Milo... Tudo bem, eu entendi... Você está apaixonado por ele! É meu amigo... Eu falei...
Mal dissera aquilo e Milo se ergueu o olhando sem entender: — Não, eu não estou! Isso é ridículo! Isso é... — O capitão não encontrava palavras e com isso andava de um lado para outro. — Fiz isso por que ele me é obediente e... — Falou e olhou para o amigo, mas vendo a expressão divertida dele pegou uma vela e jogou contra o outro, mas Aioria se afastou e agora ria muito mais. Milo bufou e se aproximou do outro, todavia acabou sorrindo quando fez uma expressão de quem entendia ele.
Há muito tempo ambos haviam se conformado de que nunca achariam alguém, que a vida no mar não lhes permitiria aquele sentimento, e nem mesmo ter uma família, na verdade se conformavam que sua família eram os piratas e seu lar o Escorpião Negro.
Milo escorou a testa na dele e perguntou um tanto vencido:
— Acha mesmo?! Acha que estou... Acha que... — Ele tentava exprimir, mas não conseguia, não se conformava, aquele sentimento para si era algo que já matara tantos. Suspirou. — Não... Está enganado! Ele é só... É só... Olha, a gente tem uma relação de dominador e dominado, e só! Ele me foi obediente e eu jurei protegê-lo...
Aioria ficou quieto, e evitava sorrir, porém estava achando divertido aquilo, Milo não aceitava que estava apaixonado, e por isso mesmo sentia-se no dever de estar ao lado dele, e de não deixa-lo se perder. — Certo... Faz parte do acordo!
Milo estreitou os olhos e bufou novamente ao perceber que o outro não acreditava em si, mas não se julgava apaixonado, pessoas enamoradas eram capazes de loucuras, colocavam-se em perigo e ele apenas cumpriu sua palavra e foi falar com o tal Lord. Não era amor... Não podia ser...
— Tá bom engraçadinho... Agora vamos, preciso falar com vocês... Preciso explicar algumas coisas. — Milo falou.
Aioria assentiu e assim os dois saíram da cabine do mais novo e seguiram para a sala do capitão, onde tinham as reuniões. Ao entrarem Shaka, Mask, Kanon, e agora Shura, mas o moreno nem entendia direito por que fora chamado. Milo os olhou e sentou-se apontando uma cadeira para Aioria, mas o rapaz preferiu ficar ali perto dele.
— Certo... Estamos aqui... E agora?! — Kanon perguntou e ficou olhando para o capitão.
Milo sorriu de canto: — Escutem! O Lord me chamou para negociar algo, tal pedra filosofal, mas ela foi dividida em pedações, ele diz que ela tem o poder de dar a quem a possui a vida eterna, e tem também o poder de curar, então...
O capitão deu uma pausa e continuou, nenhum deles pareceu se abalar por aquilo e não esperava menos deles: — Ele me falou que... Bem, ele disse que uma pessoa para si muito importante está morrendo, e ele precisa dessa pedra para salvar esse alguém, então negociou comigo, me pediu que achasse a pedra... Para isso iriamos passar por vários perigos... Eu sei, podia ter me negado, mas ele me pareceu dizer a verdade, e quero saber se desejam continuar comigo...
Os outros se entreolharam e Shura não disse nada, mas respirou fundo e avaliava as palavras do capitão. Mascara da morte foi o primeiro a se pronunciar:
— Olha Milo... Eu disse isso uma vez e repito, este navio não anda sem mim, se bem que deixei claro que era loucura e que nos levaria a morte, mas vou contigo, até o fim do mundo.
O capitão do escorpião negro sorriu de canto e assentiu em seguida Kanon levantou e olhou para o amigo:
— Olha... Isso é sério não é?! — O viu assentir e suspirou. — Certo... Então vamos ser verdadeiros, eu vou com você sim... Vou voltar para onde Milo? Minha família está aqui, mas se eu morrer prometa que irá levar tudo que for meu para um orfanato!
Milo nada ditava agora, somente assentia. Kanon conhecera Milo a muito tempo e jurara viver por ele e pelo navio, não iria então se deixar levar ou desistir agora, não tolerava traição ou covardia.
Shaka temeu por Mu, mas não podia deixar Milo. — Eu vou também sabe disso! E não pergunte de novo! — O loiro não era de muita conversa.
Logo Shura mordeu os lábios e olhou para o capitão. Milo então lhe dirigiu a palavra:
— Shura, você mostrou-se fiel de verdade, não cobiçou nada e ainda lutou a nosso lado. Então acho que posse confiar em ti e quero saber se irás conosco.
O moreno sussurrou e olhou a todos avaliando aquelas expressões, sentia verdade neles, muito mais do que em gente de “bem”.
— Olha capitão... Eu não dizer que não sinto medo, mas irei sim... Não tenho para onde voltar e mesmo se tivesse, prefiro estar ao lado de um amigo.
Milo gostou daquilo e sorriu de canto, e olhou para Aioria que nada ditou, apenas apertou o ombro dele. — Muito bem... Então estamos indo para as terras de Led, dizem que é um lugar sombrio e que as pessoas ali são tristes...
O capital queria explicar o que já ouvira falar, mas então antes de continuar, ouviu uma batida na porta e olhando para os presentes ergueu uma sobrancelha:
— Entre!
A porta se abriu e Afrodite estava ali. Os olhos azuis do jovem e o jeito um tanto desafiador faziam Milo rir, ele gostava daquilo, pessoas como aquele garoto deveriam ser respeitadas. O menino de cabelos azuis ondulados entrou com calma e olhando para Milo perguntou com educação e respeito até:
— É verdade que estamos indo para Led?! — Os orbes dele mostravam certo receio.
— Sim! — A resposta veio, mas não de Milo, e sim de Mask, e o jovem virou-se para ele e depois para o capitão. — Então senhor... Precisa ser muito astuto... E se permite falar mais... As lendas falam que as pessoas naquela terra são tristes, mas não é totalmente verdade... O problema senhor, é que ali vive um povo que gosta de guardar sua paz, o perigo verdadeiro está no caminho... A seres marinhos, sereias... Elas encantam quem passa e com isso nem chega lá...
Milo ergueu uma sobrancelha e Aioria então se pronunciou, perguntando com certa:
— Certo, é como sabe disso?!
Afrodite o olhou e falou com certo receio: — Eu morei lá... Eu sou de Led, mas sai de lá há muito tempo... Desde... — O rapaz diria algo, mas não queria falar de suas dores, de seu passado. — Por favor, acreditem em mim... Eu não quero enganá-los!
Milo levantou da cadeira e se aproximou do jovem, pegou em seu queixo e o fez olhar para si: — Acredito em suas palavras, mas me diga, como posso passar por essas serias?! Nunca encontrei uma realmente!
Os olhos do jovem brilharam, era a primeira vez que alguém realmente lhe dava ouvidos:
— Certo... Então... Se oferecerem a elas um tributo, elas permitirão que passem! — Afrodite viu nos olhos de Milo certa dúvida, mas era apenas um questionamento.
— Olha, desde que eu não tenha que oferecer a vida de ninguém, e isso inclui a sua.
Afrodite sorriu e falou calmo: — Não precisa ser vida, mas ouro, elas são vaidosas e gananciosas!
Milo assentiu, não estranharia aquilo. Nada ditou, mas todos ali se olhavam.
— Se o que diz que é verdade! Sou grato! E será feito! — Voltou-se para Kanon e falou divertido: — Ouviu Kanon?! Sua vez! Separe ouro, algo que possa ser belo e possa atrair o interesse das belas senhoras!
O pirata sorriu:
— Pode deixar... Quem sabe não consigo uma namorada?! — Sorriu divertido e seguiu para fora da sala, os outros entenderam que a reunião havia chegado ao fim, e assim cada um voltaria a seus afazeres, com exceção de Mask que pegou no braço do jovem e falou em seu ouvido.
— Muito bem... Vamos!
Puxou Afrodite, mas não fora grosso e o levou para sua cabine, mas podia ver os olhos dos outros sobre aquele que escolhera para si. Ao chegar à cabine ele abriu a porta, mas dessa vez entrou com ele e o olhou avaliando.
— Por que está me olhando assim? O que eu fiz agora!? Por que me trouxe aqui!? Para quê?! — Apesar de seu jeito bruto, Matteu Lucchesi não o havia machucado, ou mesmo o tocado. E isso estava deixando Afrodite confuso. Ele era vaidoso, e sabia que era atraente e bonito, mas aquele homem parecia ignorar tal fato, não queria ser estuprado, mas não gostava de ser ignorado ou ser tratado como alguém comum.
Matteu o olhou e sorriu de canto, tinha um jeito frio e ao mesmo tempo cruel, e queria aquele jovem normalmente não se importava com os sentimentos de ninguém, mas desde que vira aquele jovem gritar dizendo que não seria “vadio” de ninguém, sentira que devia respeitá-lo, o jeito dele o deixava perturbado, mas não iria forçá-lo.
— Sente-se! — Mask disse firme.
Afrodite cauteloso sentou bem longe dele. Sua postura era elegante, com as costas retas, a pose suave, porém em seu olhar havia medo. Ele há muito tempo havia sido retirado de sua casa e vendido por aqueles que considerava sua família... Caiu em mãos asquerosas, foi machucado e usado, porém nunca deixou sua dignidade ser manchada, como sempre dizia, eles podiam ter usado seu corpo, mas nunca seu coração.
— Com a correria de tudo, não pude falar contigo a sós! — Mask disse com cuidado.
— Já sei, vai falar que agora é meu dono que tens direito sobre mim e farei tudo que quiser. Isso não é novidade, e tão típico de homens como você. — Afrodite disse com desdém, mas seu coração doera. De alguma forma queria que fosse diferente.
Mask fechou a expressão. — Não sou os outros, olha como fala comigo! — Disse áspero.
— Oh! E o que diria de sua reação agora? — Afrodite provocou. Sabia que mexia em pavio curto, mas ele nunca resistia. Deu um pequeno sorrisinho de desdém, mas perante o olhar do outro, logo desfez e desviou a face. — Ok! Não vou julga o livro pela capa, diga o que queria!
Mask o olhou sério, o avaliando. O pirata se conhecia, ele era um homem duro, frio e até cruel, mas não queria dizer que não sabia dar valor a sentimentos como lealdade, amor e amizade. Por anos achava-se sozinho, não de amigos, pois esses tinha como família, ou de um corpo para satisfazer, mas de um amor... E sua mente e coração começava ansiar que fosse ocupado por aquele jovem tinhoso.
— Não é prisioneiro aqui! Se desejar seguir seu caminho, podemos deixá-lo no próximo porto. O darei uma quantia em dinheiro e alimento para suprir até decidir o que desejar para sua vida.
Tais palavras chamaram atenção de Afrodite. De tudo que imaginou que aconteceria, jamais ponderou que aquele criminoso do mar o daria sua tão preciosa liberdade. Ele voltou a encarar Matteu tentando decifrar as ações dele e descobrir se havia alguma pegadinha ali. Não achando respostas, suspirou fundo.
— Eu não posso! Quero dizer, prometi ao capitão que ajudaria, e gosto de cumprir minhas palavras... Se depois não me quiser aqui, posso... É... — Disse incerto. Usava sua ajuda a Milo como desculpa, de alguma forma doía pensar em deixar aquele navio. Mesmo em apenas alguns dias ali, sentia-se tão bem como há anos não fazia. Tinha feito dois amigos, Mu e Kamus, e os piratas apesar de broncos, duros e perigosos, era gentis e justos mais que muitos soldados, homens civis ou nobres.
— Deseja ficar?! — Matteu perguntou.
— Como? — Afrodite não entendeu.
— Estou lhe dando uma segunda opção! Se quiser viver no navio, estou dizendo que pode... Sendo ou não meu amante! — Mask não era homem de meias palavras.
— Sabia que tinha algo ai! — Afrodite disse irado ao que levantou. — Aposto que dirá que tenho que ser a puta do navio... Já que estou no mar, e Mu e Kamus não e era o bicho dos outros, terei que satisfazer esses marmanjos?
— Não ouse! — Mask disse alterado levantando. — Ninguém tocara em um fio de seu cabelo, antes o castro. Eis meu! — Disse bufando. Ao reparar que perdera o controle falara demais, se envergonhou, e voltou sentar, mas de costas para o outro.
— Uhh! Do tipo ciumento! — O jovem delicado disse.
— Não me tente Dite! — Mask disse rangendo os dentes.
— Dite? Esta ai, gostei do apelido. Tudo bem, ficarei no navio e aceito suas regras ‘ninguém’ me toca... MAS se me quiser terá que me cortejar. — Disse com ar superior.
Mascara o olhou meio abismado. Ninguém era muito doido de enfrentá-lo, um dos poucos no navio era justo o capitão, mas os demais sempre mantinham a cautela, e agora aquele jovem delicado que mais parecia uma mulher, fazia.
— Não abuse! — Falou ríspido.
— Ok! Vou ser mais suave. — Disse o menor fazendo aspas com os dedos. — Mas... Onde vou dormir? Ontem dormi na cabine de Mu, mas hoje acho que o médico não gostará. Deus! São recém-casados.
Matteu percebeu que o outro tinha peculiar mania de exagerar nas coisas. Enquanto Afrodite tagarelava sem parar, ele levantou e seguiu rumo a ele. Seus passos lentos para não assustar ou se fazer percebido, foi diminuindo a distância. Quando não havia mais distancia entre eles. O pirata inclinou-se para frente. Ele calou o menor com um toque de beijos, e afastou-se minimamente. Os dedos nus tocou seu rosto. — Eu queria fazer desde que o vi pela primeira vez.
Afrodite não se moveu, não respondeu. Até mesmo o piscar de um olho poderia estragar o momento. Preso como um inseto em melado, ele absorveu o momento como, ao que parece, fez Mask. Seus dedos na face dele. — É tão suave como sabia que seria. — Sua boca entreaberta como quem respirava, sussurrou longe de Afrodite. O pirata mostrava que poderia ser igualmente sedutor.
Afrodite sem perceber, esticou para frente. Não muito... Apenas um toque, o calor insuportável crescente entre eles. Seus lábios se encontraram e o que aconteceu a seguir, foi um tanto alegre e ao mesmo tempo assustador. Seu beijo se tornou feroz, ele sentiu que sua pele havia sido incendiada. Seus lábios e seu choque-de-línguas devastou o outro. Seus sons apaixonados, inflamando seu psique.
Matteu se inclinou para mais perto, mais difícil, com as mãos puxando o rosto de Afrodite para si. O menor não conseguia se lembrar de tomar um fôlego. Tudo o que ele queria era que o beijo continuasse, mas o pirata afastou sua boca para longe, sua língua lambeu os lábios e queixo. Sua boca voltou e o jovem de fios azuis claros estendendo a mão hesitante, apoiando-o primeiro no braço do maior, em seguida, movê-lo para baixo.
Separando o beijo, Mascara comtemplou a face afogueada de Afrodite e a respiração curta. Com um sorriso se afastou: — Pode dormir aqui! O quarto é seu!
— Mas é você... — Afrodite ficou feliz por ter conseguido proferir algo.
— Eu durmo no convés, não me incomoda. — Sem esperar por resposta, o pirata deixou o quarto e um atordoado jovem se ação. De mansinho, Mask já começava a adentrar no coração daquele jovem sofrido e carente de amor.
–oo0oo-
O imponente navio quebrava as ondas e desbravava o mar. O vasto céu escondido pelas nuvens deixava um clima mais fresco, e não aquele calor escaldante que geralmente fazia, nesse cenário os marujos trabalhavam entre brincadeiras, risadas e até pequenas brigas, mas ainda faziam suas obrigações muito bem.´
Na polpa, justamente rente a única senhora do navio, esculpida no casco do navio e com escorpiões em seu corpo, achava-se um jovem de fios verdes. Seus olhos achavam perdidos no horizonte, naquela vastidão de água, ao que sua mente ia longe.
O príncipe ainda não podia acreditar no rumo que sua vida estava tomando. Cresceu solitário, sem amigos e sem carinho... Claro, tinha Dégel, seu irmão que sempre foi amável, porém esse devia tomar cuidado, pois se o pai soubesse do apego poderia afasta-los. Houve Saga, mas esse tinha ido embora há alguns anos.
Quando fugiu do castelo para não se casar, não imaginou que seria capturado por piratas, menos ainda que se tornaria o amante do Capitão. Ainda sentia-se estranho em relação a isso, mas de alguma forma Milo começava entrar em sua pele. Mesmo com o jeito áspero e duro, o pirata com pequenas gentilizas o fazia sentir-se vivo como ninguém antes. Não que amasse ser mandado ou submisso, mas dessa forma sentia-se protegido, pois mesmo com seu ar dominante e o fato de não gostar de ser desobedecido, Milo ainda sabia ouvir e nunca levantou a mão para si.
Perdido em pensamentos, não se deu conta quando alguém se aproximou, e assustou-se quando braços fortes o rodearam.
— Uma moeda de ouro por seus pensamentos! — A voz rouca do capitão do negreiro se fez presente.
Sem perceber, Kamus inclinou-se para trás e descansou seu corpo totalmente no do capitão, relaxado.
— Uhh! Nada demais, apenas pensando em tudo que aconteceu na minha vida atualmente! — Disse com a voz baixa.
— Realmente, a vida no mar é agitada. Odeia ela? — Milo indagou, e Kamus pode identificar certo tom de preocupação, como se sua opinião de vida no mar fosse importante.
— Não a odeio! É tudo novo, mas... É bem divertida... Quero dizer, cresci sozinho trancado em um quarto e o máximo que saia era no jardim, quando Dégel me levava... Aqui, e sempre tem alguém, fiz amigos e tem... É... Você... — Kamus disse a última parte sem jeito e corando.
— Que dizer que o principezinho está ficando caidinho por mim! — Milo disse com um sorriso. Ele virou Kamus entre em seus braços e arrastou a ponta de seu nariz pelo pescoço dele, tomando seu perfume sublime, e suas mãos apertaram a cintura dele.
Kamus corou mais ainda e olhou ao redor. Viu que os outros piratas cumpriam suas obrigações e agiam como se não tivesse dois homens próximos ali, mas não impedia sua vergonha.
— Aqui não... Os outros podem... — Gaguejou.
— Eles não farão ou falarão nada. Primeiro a maioria prefere homens, e segundo... Não são loucos de falar algo do capitão, os corto ao meio antes que pensem.
Kamus bateu nos braços de Milo. — Como pode estragar as coisas? Em um momento... É... — Disse incerto. — Fala de cortar, sangue e morte. — Arranhou fazendo bico.
Milo olhou para o menor meio atordoado. Encarou o braço que Kamus bateu, depois olhou para ele. Nunca alguém tinha coragem de fazer nem isso contra o Escorpião, sem correr o risco de ser morto, mas aquele príncipe o tratava como igual, e isso crescia em Milo. Claro, na sua vida de pirata, como líder para impor respeito tinha que colocar certo medo e autoridade, mas era bom ter alguém o vendo mais além que um Capitão ou assassino.
Envergonhado Kamus voltou a virar nos braços de Milo – sem se afastar – e ficou de costas para ele encarando o mar. Ele sentiu certa leveza em seu coração. Queria que nada atrapalhasse aquele momento. Bem, quando seus olhos pousaram no alto mar, e seu corpo arrepiou pelos beijos que recebia na nuca, ombros e pescoço, um pontinho ao longe surgiu em sua visão.
Ele forçou os olhos para ver melhor, e reparou que fosse o que fosse aproximava a todo vapor. Um terror pintou em seu coração.
— Milo!
— Uhh! Tem pele cheirosa! Já que não posso tê-lo aqui, vamos para a nossa cabine... Preciso... — Milo disse entretido no seu desejo pelo príncipe.
— Capitão, olhe! — Kamus gritou e conseguiu atenção de Milo. Apontando para o horizonte. — Aquilo é um navio se aproximando?
Milo olhou para onde seu amante apontou, e seu semblante tonou-se sombrio e duro. Ele se afastou de Kamus e chegou a borda do navio olhando melhor. Sem se virar gritou:
— Estamos sobre possível ataque! Todos aos seus postos preparem as armas! Kanon no leme, Mask ao mastro averiguar a situação. Aioria e Shura ordenem o armamento e Shaka leve os três para o porão onde é seguro. Vai! — Gritou dando ordens, e sem pestanejar elas foram obedecida.
Quando Milo virou-se para o príncipe, esse parecia aterrorizado.
— M-Milo... — Kamus gaguejou com visível medo.
Milo aproximou-se e tocou sua face com as duas mãos. — Tudo ficará bem! Quero que tome Mu e Dite e sigam Shaka, ele os colocará em segurança. Se acaso tivermos que lutar, preciso ter certeza que está bem... — Falou suave.
— Mas é você?
— Estou acostumado, não morrerei hoje... Agora vá meu príncipe! — Mas antes de afastar-se do príncipe, tomou a boca dele em um beijo aprofundo e voraz. Esquadrinhou toda sua cavidade bucal, o deixando aéreo.
Quando Shaka se aproximou, o capitão empurrou sutilmente o menor nos braços do loiro e deu um olhar que dizia tudo, deixando claro que era para protegê-lo.
Enquanto Shaka levava Kamus, Afrodite e Mu para um local seguro, mesmo que não totalmente, os demais se preparavam para uma possível batalha. Poderia não ser nada, mas como podia ser algo serio, todo cuidado era pouco.
Continua...
Fale com o autor