Escolhas 2
4 4 - Need a little love
Notas iniciais
Boa leitura amores! =)
Capítulo 4
Precisa de um pouco de amor
When the darkness leaves you lonely
Quando a escuridão te deixar sozinho
Or the world tries to push you away
Ou o mundo tentar te empurrar para longe
When your sky is looking troubled
Quando o céu estiver parecendo perturbado
You can count on me cause I'm gonna stay
Você pode contar comigo, porque vou ficar
Need a little love – Miley Cyrus feat. Sheryl Crow
Rosalie POV
Travis me pareceu, de certa forma, meio aliviado quando viu Emmett e eu chegarmos à cafeteria do hospital de mãos dadas.
-Já comeram? – estranhei, ao ver que nem ele nem sua irmã tomavam o café da manhã. Ella, na verdade, estava debruçada em cima da mesa.
-Na verdade não. – Travis coçou a cabeça, meio sem graça, e deu um cutucão em Ella. Minha filha levantou a cabeça meio grogue, mas percebi que ainda nem tinha conseguido dormir.
-Por quê? – quis saber, arqueando uma sobrancelha. Ella não deixou que Travis respondesse.
-O Trav ficou falando que a culpa de você e o Emmett estarem brigando era dele. – Ela respondeu com sua inocência de criança.
-Menina, você não pode falar para o mundo todas as coisas que eu falo pra você! – Travis disse com os olhos arregalados; controlando a provável vontade de estrangular a irmãzinha.
Olhei para Emmett. Ele parecia segurar a risada.
-Não se preocupe com isso, filho. – acariciei os cabelos negros que Travis herdara de Royce. Meu garoto corou. – A culpa com certeza não foi sua.
-Não mesmo. – pelo canto do olho, vi quando Emmett sorriu. – Sua mãe que é teimosa demais.
Revirei os olhos, mas levei na brincadeira. Meu namorado beijou a minha bochecha e, depois de ver o que todos íamos comer, levantou-se para pedir. Ella foi rapidamente ao seu encalço, o que me deixou apenas com Travis.
-Desculpe. – meu garoto balbuciou assim que viu que Emmett havia tomado uma distância considerável. – Não era da minha conta.
-Filho, está tudo bem. – repeti, estranhando por ele estar se sentindo tão culpado. – Mas por que está agindo assim?
Travis olhou para a palma da mão, sem saber o que dizer.
-Trav? – insisti.
-Sabe a história da ovelha negra? – ele desconversou. – Estava vendo na escola ontem... Mas o sinal bateu e a professora não pôde continuar.
Arqueei uma sobrancelha, sem entender onde uma história contada para a quinta série podia se relacionar com minha pergunta.
-A ovelha recebia tratamento diferente das outras exatamente porque era negra. Todas as outras a tratavam como se fosse alguém desprezível, que não merecesse qualquer demonstração de afeto... Ficava sempre em último lugar. – ele contou, parecendo perdido nas próprias palavras. – E então, um dia, essa ovelha ficou farta de tanto desprezo e se afastou do rebanho, ficando sozinha de vez.
A expressão de Travis estava cada vez mais confusa.
-É o destino das ovelhas negras, então? Ficarem sozinhas para sempre, simplesmente porque são incompreendidas? – ele me perguntou ao fim de alguns poucos minutos. Eu o encarava, sem saber o que dizer. Ele estava falando da própria vida usando um conto infantil.
O pior é que, sendo sua mãe, eu tinha obrigações de saber como ele se sentia; mas desde que meu relacionamento com ele tinha melhorado nos últimos meses, realmente não tinha me importado mais com isso.
Não sabia sequer que ele ainda se sentia a ovelha negra da família.
-A história não acabou, Trav. – procurei as palavras certas para dizer e, em minha mente, tentei me lembrar do resto do conto. – A ovelha fica sim, sozinha, mas passa a noite em um monte de farinha e, então, fica tão branquinha quanto às outras.
-Então a solução é mudar, ser igual aos outros. – ele concluiu erroneamente. Eu meneei a cabeça, mostrando minha discordância.
-Não. – dei voz a minha negativa. – Quero dizer, primeiro ela permanece daquele jeito mesmo, branquinha, pensando ser essa a solução dos seus problemas. Mas quando o príncipe dos cordeiros chega, junto com uma forte tempestade que tira toda a farinha do corpo da ovelha negra, ele a escolhe simplesmente por ser diferente.
Ficamos em silêncio por poucos segundos, até que Travis deixou de olhar para as mãos e passou a me encarar.
-Eu não preciso mudar para ser aceito. – ele sentenciou, mas logo percebeu a falha que cometera. – Quero dizer, ela não teve que mudar... Ah, você entendeu.
Dei uma risada e baguncei os cabelos negros de Travis.
-Não, você não tem que mudar. – sorri para ele, mas depois a preocupação se transformou em um vinco em minha testa. – Agora, de verdade, por que você está se sentindo assim?
-É só uma história, mãe. – ele desconversou novamente. – Nada a ver.
Eu o encarei com as duas sobrancelhas arqueadas, mostrando que não tinha acreditado em nenhuma palavra que ele acabara de dizer. A face de meu filho lentamente se ruborizou.
-Eu sou diferente de Ella, e com certeza vou ser diferente desse meu irmão que está vindo aí. – ele apontou para a minha barriga. – O que eu tenho medo é de ficar sozinho. Não quero causar brigas suas com o Emmett, porque sei que vou sair perdendo se fizer isso.
Arregalei os olhos.
-Travis Jeffrey King, nunca pense nisso de novo. – sentenciei. – Amo o Emmett, mas nunca te colocaria em segundo lugar! E tenho certeza que ele não quer que eu faça isso.
Um peso parecia ter sido tirado dos ombros do meu garoto de onze anos, que suspirou.
-Promete que nunca vai me deixar de lado?
Eu sorri, levando uma de minhas mãos ao seu ombro.
-É claro que eu prometo. – eu disse, e ele pareceu relaxar ainda mais. – Apesar de você ser esse pestinha quando quer, você é meu filho e eu te amo. Nunca ia te deixar.
Travis sorriu e deu a volta na mesa para me dar um abraço.
Tudo estava nos conformes, mas algo me dizia que logo a tempestade estava por vir.
Notas finais
Eu gosto muuuito do Travis. Apesar de meus pais não serem divorciados e eu não vivenciar os problemas que esse menino vivencia, me vejo muito nele.
Estava vendo 2012 esses dias e o Travis que eu imagino é exatamente igual ao Noah (Liam James) e a Ella também é super parecida com a irmã dele no filme, a Lily (Morgan Lily).. Hahahaha
Enfim, espero pelos reviews. Beeeeijos!
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