Escolhas 2
3 3 - Smile
Notas iniciais
Capítulo 3
Sorriso
It's been a while
Faz um tempo
Since every day and everything has felt this right
Desde que todos os dias e tudo davam certo assim
And now
E agora
You turn it all around
Você está bagunçando tudo
And suddenly
E de repente
You're all I need, the reason why
Você é tudo o que eu preciso, a razão pela qual
I smile
Eu sorrio
Smile – Avril Lavigne
Rosalie POV
Já tinha se passado mais de uma hora desde a minha chegada ao hospital, e eu ainda não tinha saído do lado de Alice. Em minha barriga, meu bebê protestava por comida. Estava na hora de eu nos alimentar, mesmo.
-Acho que vou até a cafeteria pegar alguma coisa para comer. – anunciei. – Vocês querem alguma coisa?
Jasper, sem soltar a outra mão de minha cunhada, apenas negou com a cabeça.
-Se você puder pegar gelo no caminho... – Alice pediu. Eu apenas assenti e segui para fora, já que Bella e Angela já não mais estavam lá.
Decidi fazer o favor a Alice antes de tudo. O gelo na boca parecia acalmá-la de alguma forma e, ela estando menos aflita, consequentemente Jasper ficaria melhor.
-Com licença. – me encostei ao guichê de enfermeiras o máximo que minha barriga de seis meses permitia. Eu tinha deixado de usar a cadeira de rodas no momento em que Angela e Bella saíram de vista. Alice e Jasper nem tinham reparado. – Mary Alice Hale do quarto 124 gostaria de mais gelo.
Mesmo depois de casada com meu irmão há alguns meses, ainda era estranho chamar a minha amiga de Alice Hale, ainda mais de Mary; mas, na medida do possível, eu tinha conseguido soar um tanto natural.
Uma das mulheres assentiu ao que eu disse e eu apenas agradeci, seguindo meu caminho até o elevador. Em vez de clicar no andar térreo, que me levaria diretamente à cafeteria, decidi ir ao terceiro andar. Pediatria.
Como se meus pés estivessem no piloto automático, atravessei os corredores até chegar à sala que levava o nome de “Dr. Emmett McCarty” em uma placa na porta.
-Olá. – saudei baixinho. Ella dormia, enquanto Emmett e Travis conversavam sobre qualquer coisa. Emmett levantou o olhar, e eu percebi que ele não estava muito feliz.
Logicamente ele já devia ter ficado sabendo da minha “arte”. Revirei os olhos e entrei na sala, indo até meu namorado para dar-lhe um selinho.
-Nós precisamos conversar depois, Rose. –ele me encarou com seriedade. Eu assenti de má vontade.
-Vocês já comeram? – eu perguntei para Travis, que nos encarava um tanto aflito, a fim de mudar o clima daquele lugar.
-Eu fui até a cafeteria e pedi um muffin. – meu filho contou. – Ella só dormiu até agora.
Dei a volta até o sofá onde Ella estava cochilando e fiz carinho em seus cabelos. Minha pequenina acordou quase que instantaneamente após meu gesto singelo.
-Quer tomar café comigo? – convidei-a. Ella abriu um sorriso e levantou os braços para que eu a pegasse no colo.
Eu nem precisava ter virado a cabeça para saber que Emmett me encarava com desaprovação. Mas eu já sabia que não podia carregar peso, era um tanto óbvio; então ele não precisou intervir.
-Você já é uma mocinha, El. –peguei em sua mão para ajudá-la a se sentar. Ela coçava os olhos. –Vem.
Puxei-a e ela finalmente se levantou.
-Você não vai querer mais nada, filho? – perguntei olhando para Travis. Ele negou com a cabeça, mas se aproximou de mim, meio que já nos acompanhando. Emmett não se moveu.
Dei a mão de Ella para Travis e gentilmente os empurrei para a porta.
-Vá na frente com a sua irmã, Trav. – pedi ao meu primogênito, mas ele parecia um tanto inseguro.
-Vocês não vão brigar, vão? – ele meio que implorou num tom de voz baixo o suficiente para que fosse impossível Emmett ouvir. Fiz carinho em seus ombros.
-É coisa de adultos. – esquivei-me da promessa. – Leve Ella para comer e logo eu acompanho vocês.
Travis saiu meio contrariado, rebocando a irmã. Virei-me para conversar com Emmett assim que os dois sumiram de vista.
-Pode falar.
Emmett elevou o olhar e pude perceber que ele estava carrancudo.
-Por que você tem que ser tão teimosa, Rosalie? – ele perguntou sem mais delongas.
Suspirei antes de responder. Era sempre a mesma história.
-Eu estava com pressa, meu irmão estava sozinho e quase tendo um ataque nesse hospital. – comecei a explicar. – Você queria que eu esperasse as crianças se arrumarem para chamar um táxi, Emmett? Porque eu sei que é esse o problema. Não é incomum uma mulher dirigir aos seis meses de gravidez; eu mesma já fiz isso quando esperava Travis e depois, Ella. Qual o problema que você encontra nisso?
-A diferença é que suas outras duas gravidezes foram tranquilas. – ele tachou.
-Como você pode saber? – perguntei já um pouco exaltada. – Você sequer estava lá!
-Rose, você sabe que é diferente... – ele comentou em um tom de voz mais calmo. – Você era mais jovem naquela época.
Abri a boca com indignação e cruzei os braços.
-Então é por isso? –quis saber. – Você me acha velha?
Disse a última palavra com certa ênfase. Emmett revirou os olhos.
-Só porque você é mais novo do que eu? – cutuquei. Ele bufou e finalmente se levantou.
-Eu sou dois meses mais novo que você! – ele levou suas mãos à cabeça. – Por favor, não seja ridícula!
Arqueei minhas sobrancelhas e o encarei com incredulidade. Ele me chamara do quê?!
-Você está entendendo as coisas de forma errada, amor. – Emmett se aproximou de mim, forçando-se a ficar calmo. Não podia esquecer que ele tinha problemas com autocontrole por causa do seu passado. – Eu só me preocupo com você por causa do que a médica disse. É lógico que não te acho velha, muito menos ridícula... Me desculpe.
Refleti por alguns segundos, mas depois percebi o quão Emmett estava certo, realmente. Não acreditava nesse papo furado de gravidez de risco, porque eu conhecia muito bem o meu próprio corpo, mas se ele acreditava... Paciência, eu tinha que fazer o que ele mandava.
-Está tudo bem. – sorri e lhe dei um beijo de leve, o qual ele rapidamente retribuiu.
... Ou pelo menos fazer as coisas que eu queria sem que ele soubesse.
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