Notas iniciais
Mil desculpas pela demora, mas como mais vale tarde que nunca cá vai o novo capitulo...

Isabella sentiu-se confusa. O seu corpo estava maçado, era a única certeza que tinha. Vagava entre o limiar entre o sonho e a realidade. Não tinha a certeza se sonhava ou se de facto estava a ser transportada nos braços dele. Sentia o seu cheiro e a suavidade da sua pele contra a sua. Entreabriu os olhos e não reconheceu o local em que se encontrava. Pouco tempo depois sentiu o seu corpo tombar sobre uma superfície macia e confortável. O sono consumia-a por completo mas por instante conseguiu distinguir a sua face perfeita.

- Chegamos…

Pareceu ouvi-lo falar mas não se sentiu capaz de lhe responder. Fechou novamente os olhos pesados e apercebeu-se que ele se deitou ao seu lado e a envolveu num abraço. Depois disso voltou a emergiu numa realidade totalmente diferente e tudo ficou escuro.

Acordou tomada por um desejo enorme das suas lembranças não terem passado de um sonho e de o encontrar ao seu lado. Abriu os olhos, ansiosa. Verificou para seu desapontamento estar sozinha nuns aposentos completamente desconhecidos. Envergava ainda o seu vestido mas reparou que alguém lhe havia desapertado o espartilho, de forma a deixá-la mais confortável.

Olhou em seu redor tentando ambientar-se. Tinha imaginado a casa da fazenda mais modesta do que era na realidade. Os aposentos em que se encontrava eram magníficos e cheios de luxo.

Levantou-se e colocou os pés descalços no soalho frio e brilhante. Caminhou pela divisão o observou encantada tudo o que a rodeava.

Pouco tempo depois voltou a deixar-se a cair sobre a enorme cama e olhou fixamente o tecto. Estava confusa quanto aos sentimentos que a invadiam. Queria estar feliz por ali estar, queria poder encarar aquela nova casa e aquela mudança como um novo começo, mas não sabia se o podia fazer, não sabia se tinha esse direito ou se ele permitiria de facto que assim fosse.

Rodou na cama abraçando o travesseiro, foi invadida pelo perfume dele entranhado no tecido e sorriu feliz. Não tinha sido um sonho. Edward tinha de facto estado ali junto dela, abraçando-a até que adormecesse. Essa constatação serviu para fazer renascer a esperança. Levantou-se novamente e teve vontade de rodopiar pelo quarto como fazia em criança de tão feliz que se sentiu. Fazia muito tempo que não se sentia assim.

Olhou para o espelho sorridente e passou as mãos pelo seu ventre. A sua barriga saliente parecia maior de dia para dia e Isabella cada vez se sentia mais orgulhosa e contente com o filho que esperava. Pensar no desespero que sentiu ao saber da notícia envergonhava-a. Agora desejava aquela criança de uma forma que nunca antes havia imaginado. Sentir aquela vida a crescer dentro de si era algo único e indescritível.

Rapidamente trocou de vestido, arrumou-se e saiu do quarto. Vagou pela casa desconhecida atenta a cada pormenor.

— Gostas da casa? – Perguntou Elisabeth que surgiu de repentinamente na sua frente assustando-a.

— Estava tão distraída que nem a havia visto… a casa é linda minha tia.

— Contudo talvez seja melhor não te habituares muito a ela minha cara Isabella – Disse ironicamente dirigindo-lhe uma expressão de puro desdém.

— Porque motivo? – Perguntou confusa com a atitude da tia.

— Daqui a alguns meses espero ver-te bem longe daqui – Disse cruelmente, afastando-se de seguida.

Isabella permaneceu estática, incapaz de se mover, completamente estupefacta. Mal podia acreditar no que acabara de ouvir e na atitude da sua tia para com ela. Depois de tempos tão difíceis que tivera para enfrentar, momentos imensamente complicados, jamais fora capaz de prever que teria de ser capaz de ultrapassar mais uma nova aprovação.

Deixou-se novamente envolver nos tristes pensamentos que ultimamente lhe assolavam o espírito nas alturas de maior desespero. Fechou momentaneamente os olhos e deixou um cenário de pânico assombrá-la.

Imaginou Edward com o seu filho nos braços, dirigindo-lhe um olhar de puro desprezo enquanto a via ser a arrastada para longe. Elisabeth colocava a mão do ombro do filho em sinal de aprovação. A restante família observava a triste cena mas ninguém ocorria em seu auxílio.

Isabella colocou a mão na barriga, sentindo um desespero enorme e uma dor indescritível tomarem conta de si. Cambaleou devido à vertigem que aquela sensação lhe provocou e encostou-se à parede do corredor.

— Isabella… — Chamou Edward que naquele instante saiu do seu quarto e a encontrou naquele débil estado, encostada na parede – Fala comigo por favor… Estás bem? – Colocou a mão no queixo dela, voltando o seu rosto na direcção do seu, obrigando-a a encará-lo.

— Foi só uma tontura… Já vai passar.

— Mesmo? Estás tão pálida… conta-me o que sentes.

— Eu já estou bem – Insistiu, tentando manter o controlo sobre as suas emoções.

— Vem sentar-te um pouco – Pediu, conduzindo-a até uma poltrona.

Ajoelhou-se junto dela e observou-a preocupado.

— Se estás bem porquê esta lágrima? – Murmurou aproximando-se do rosto dela, limpando-o.

Isabella observou Edward com atenção e sentiu o seu coração disparar dentro do seu peito. Perto dele sentia-se incrivelmente segura. Não podia acreditar que algum dia ele poderia ser capaz de a magoar da forma como ela tinha imaginado segundos atrás. Ele podia odiá-la, podia nunca a perdoar, mas nunca lhe faria tal maldade. Era por isso que ela o amava. Sim… Ela amava-o. Podia ver isso agora de forma lúcida e completamente transparente.

— Já passou meu amor… — Disse, fazendo-lhe no rosto, tentando sossegar a preocupação espelhada nele.

— Meu amor? – Indagou, olhando-a confuso.

As palavras dela tinham-no deixado completamente surpreso. Olhou os lindos olhos chocolate de Isabella e sentiu-se perdido. Não sabia como se devia sentir.

Não entendia o sentido daquelas palavras nem a que elas se deviam. Sabia que Isabella não o amava. Ela nunca fizera questão de o esconder. Mais do que a traição física e carnal aquilo que verdadeiramente o tinha dilacerado era imaginar que outro homem tinha tido o amor ela, não apenas o seu corpo, mas o seu amor.

— Está tudo bem minha filha? – Perguntou Renée que se tinha aproximado sem que eles se apercebessem.

— Tudo bem minha mãe. Foi apenas uma tontura – Respondeu, vendo-se custosamente obrigada a afastar o olhar do marido.

— Senhoras vamos tomar o pequeno-almoço? – Perguntou Edward, ajudando Isabella a levantar-se.

Após a refeição, durante a qual Isabella procurou afastar-se o máximo que pode da tia, toda a família saiu para o exterior. Estava um lindo dia.

As gémeas e Sam que se preparavam para jogar à apanhada, largaram numa corrida desenfreada. Foram perseguidos por Edward e Dean que divertidos se juntaram a eles. Isabella observou-os feliz.

— Dean... lembras-te como a Isabella era impossível de apanhar? – Comentou Edward risonho.

— Eras mesmo? – Questionou Eval curiosa.

Isabella descalçou-se discretamente e arrastou os pés na grama.

— Ainda sou impossível de apanhar… — Gritou e num impulso levantou a bainha do vestido, lançando-se numa correria louca pela enorme extensão de terreno que se abria na sua frente.

Foi de imediato perseguida por Edward que corria veloz atrás de si. Fazia tempo que não se divertia tanto. Correu o mais rápido que conseguia, sentindo os pés enterrarem-se na terra. Contudo foi uma questão de segundos até ser apanhada por ele que a envolveu num abraço e a tombou suavemente sobre a grama, caindo ao seu lado.

Os dois estavam perdidos de riso. Isabella não conseguia conter as gargalhadas.

— Não vale… — Murmurou por fim ofegante, voltando-se para Edward – Estou demasiado pesada.

Ele aproximou-se dela e afastou-lhe os cabelos do rosto.

- Posso? – Perguntou receoso, passando depois delicadamente a mão pelo ventre dela.

Isabella conduziu a mão dele, incentivando-o.

- Eu nunca faria o que a Alice fez, nunca ficaria lá… estando ou não à espera deste filho. Só queria que acreditasses em mim… — Confessou olhando-o nos olhos, passado algum tempo, quebrando o silêncio. Reunindo coragem para falar do que sentia.

- Então porque foste capaz o fazer? – Perguntou amargurado — Eu não te amei o bastante? Não te dei o suficiente?

- Eu sentia-me perdida, privada de escolha, empurrada para um caminho que me foi destinado. Tudo o que eu queria era quebrar as regras e viver uma vida diferente. Um dia disseste-me que não podíamos pensar só em nós, tínhamos que cuidar dos que nos rodeiam e nos são queridos. Demorei tempo demais a perceber isso…

Edward pôs-se repentinamente a pé. Custava-lhe falar sobre aquele assunto. Tudo o que queria era poder esquecer que aquilo alguma vez tinha acontecido.

— É realmente tarde demais para mim? Para o nosso casamento?

Notas finais
Gente eu sei que realmente demorei para postar... Não sei o que se passou mas deu-me uma branca total, não tinha jeito da inspiração surgir, foi complicado...

Ainda assim mereço reviews?

Beijinho

Ana