Erros do Passado
27 Capítulo 27
Notas iniciais
- É realmente tarde demais para mim? Para o nosso casamento? – Perguntou Isabella.
Edward encarou-a fixamente. Era precisamente sobre essa questão com que ele se vinha a debater. Parte de si queria esquecer o que se passou e começar uma nova vida ao lado dela. No entanto não havia um único momento em que pudesse esquecer a traição dela. Antigamente olhava para Isabella e sentia apenas insegurança, como no dia do seu casamento, agora somava-se a desconfiança e esse sentimento teimava em corroê-lo.
— Ensinaste-me algo que eu não sabia Isabella… As pessoas que mais amamos são aquelas que realmente nos podem destruir… — Confessou Edward aproximando-se perigosamente dela e do seu rosto – Queria tanto poder dizer que não é tarde, mas não sei… eu realmente não sei.
— Entendo… — Murmurou tristemente.
A angústia envolveu-a e ela não conseguiu deixar de se sentir tomada pela sensação de desespero e de perda que ultimamente não parava de assolar. Quando Edward voltou costas e começou a caminhar em direcção a casa ela quis com todas as suas forças segui-lo, gritar que o amava e que não conseguiria suportar a dor de o perder. Mas o medo invadia-a por completo. O receio de dar um passo em falso era de tal forma grande que a conseguia impedir de agir. Sabia que tinha defraudado a confiança dele. Porque motivo Edward acreditaria nas suas palavras? Porque motivo voltaria a confiar em si se o tinha enganado e magoado? Queria poder ter as forças suficientes para lhe dizer que ele era único homem que amava, mas porque razão ele a escutaria?
Era difícil estar ali, a viver momentos que podiam ser perfeitos, juntos daqueles que mais amava e ao mesmo tempo envolta numa terrível incerteza sobre o futuro.
Quando decidiu abandonar aqueles tristes pensamentos e voltar para casa, todos ainda estavam no exterior entretidos com jogos e brincadeiras mas ela preferiu recolher-se para os seus aposentos.
Sentou-se na secretária pois invadida por uma enorme necessidade de desabafar, decidiu então escrever àquela de quem tanta falta sentia.
“Queria Alice,
Confesso que estava angustiada com a incerteza do vosso paradeiro. Folguei em receber notícias vossas através da carta do Damon. Confio que ele entenda o facto de não lhe dirigir a ele a resposta, mas sim a ti.
Apesar dos primeiros dias do Sam juntos de nós terem sido para ele um pouco custosos, creio que agora já se sente em casa e nos encara a todos como a sua família. Todos nós estamos imensamente gratos pela generosidade demonstrada pelo Damon ao deixá-lo em nosso cuidado. Principalmente Dean que tem demonstrado ser um pai extremoso.
Espero que o Damon não guarde quaisquer ressentimentos em relação a mim e que conseguia esquecer o que vivemos assim como eu procuro esquecer a cada dia.
Penso em ti e sinto a tua falta todos os dias. Sinto saudades das nossas longas conversas e do teu apoio nestes difíceis momentos. Vejo agora com perfeita clareza o quanto era feliz sem o saber, o quanto era amada e o quanto desprezei esse amor para agora sentir na pele essa mesma crueldade. Receio bem que esteja a perder aquilo que realmente nunca mereci. Temo ter conseguido esgotar o amor dele e não sei como vou suportar perde-lo.
O meu único consolo é o meu filho, que cresce dentro de mim de dia para dia e a quem já tanto amo.
Despeço-me com a esperança de um futuro reencontro. Num tempo em que tudo esteja perdoado e superado. Num tempo em que te possa envolver num terno abraço.
Isabella Cullen”
Escrever a Alice aliviou um pouco da sua inquietação. Logo de seguida deitou-se um pouco, tentando descansar. Começava já a sentir os efeitos da gravidez no seu corpo. Frequentemente dava por si mais afadigada e sonolenta e as pernas outrora ágeis pesavam, com se tivesse pedras atadas aos pés. Não demorou muito até cair num pesado e profundo sono.
Edward deteve-se no corredor. A criada saia naquele mesmo instante do quarto de Isabella.
— O senhor Cullen queria falar com a senhora? Ela está a dormir… — Informou-o.
— Nada urgente, eu falo com ela mais tarde…
A criada atarefada afastou-se então. Edward pelo contrário parecia não se conseguir mover na direcção dos seus aposentos. Sentia-se completamente atraído numa outra direcção. Contrariamente ao que havia dito, aproximou-se vagarosamente da porta dos aposentos de Isaella e abriu-a silenciosamente.
Isabella dormia serenamente e ele caminhou até ela, pé ante pé, com receio de acordar. Observou o seu rosto sereno durante algum tempo até que, num simples olhar de relance pelo espaço que o rodeava, uma folha escrita no cimo da secretária chamou a sua atenção. O seu coração acelerou o ritmo dentro do seu peito e o sangue pareceu fluir mais rápido pelo seu corpo provocando nele uma estranha sensação. Permaneceu estático simplesmente olhando a folha pousada na secretária. A desconfiança tomou por completo conta de si. Era aquele sentimento que ele mais abominada que teimava em querer controlá-lo.
Caminhou então até a secretária não conseguindo conter a curiosidade, amedrontado com a ideia de descobrir algo capaz de o magoar ainda mais. Pegou temerosamente na folha que de seguida leu de relance. O que leu trouxe-lhe paz de espírito e os seus músculos relaxaram, inspirou fundo, voltando à sua normal e compassada respiração. Sentou-se na cadeira de secretária observando a sua esposa à distância. Naquele instante sentiu-se envergonhado pela sua atitude, voltou a ser aquele Edward que na primeira noite de casado procurou insistentemente pela maldita marca de sangue. A desconfiança e o receio eram novas constantes na sua vida. Pensou que Isabella tinha razão em dizer que mal o reconhecia, ele próprio por vezes não era capaz de se rever nas suas atitudes e acções. Aquelas novas emoções que o perseguiam estavam a torna-lo num homem diferente, numa pessoa menos feliz, em alguém que ele não queria ser.
Levantou-se e aproximou-se dela novamente. A sua imagem parecia chamar por si, como se o hipnotizasse. Havia algo nela que despertava desde sempre nele emoções avassaladoras, algo capaz de fazer com que, acontecesse o acontecesse, ele se continuasse a importar.
Estava embalado naquele mirar, perigoso e encantador, quando a sentiu mexer. O que aconteceu de seguida foi de tal forma rápido que ele não foi capaz de se prevenir ou defender. Isabella lançou as suas mãos para rosto dele e surpreendeu-o por completo, roubando-lhe um beijo. Subitamente Edward foi desarmado pelos doces lábios dela nos seus. A saudade que ele sentia daquele beijo era superior a qualquer outra coisa. Não resistiu e entregou-se aquele beijo sedutor que o deixou sem fôlego.
— O que foi isso? – Perguntou ainda admirado, quando se afastaram.
— Eu… a beijar o meu marido… — Respondeu divertida de forma provocadora.
Edward contorceu o rosto numa tentativa frustrada de não se rir. Aquela era a mulher que ele amava. Nenhuma senhora da sociedade era capaz de agir tão espontaneamente quanto ela. As mulheres em seu redor pareciam treinadas para não exporem as suas emoções, ela funcionava de forma oposta, o que sentia estava sempre à superfície da sua pele. Mas infelizmente nem sempre essa maneira diferente de ser dela era agradável. A maneira impulsiva com que agia feria os que estavam em seu redor, e Edward sabia agora disso.
— Digo-te agora o que te direi sempre, não vou desistir… — Acrescentou Isabella olhando o marido fixamente.
— Desistir de quê? – Questionou-a confuso.
— De ti…
Edward afastou o olhar constrangido. Isabella agarrou no seu rosto e voltou-o para si.
— Não vou desistir de reconquistar tudo o que perdi… o teu amor, o teu respeito, a tua confiança…
— Pára… — Pediu rispidamente, interrompendo-a.
— Porquê Edward? – Perguntou confusa devido à relutância dele.
— De facto não me tinha apercebido que a minha obsessão por ti tinha um preço tão alto. Talvez tu tivesses razão em dizer que eu não estava preparado para te amar como verdadeiramente és… Tu não sabes o que queres, talvez nunca o saibas, tu és inconstante e indecisa — Pausou, olhando-a fixamente, tentando encontrar as palavras certas – O que mais me desiludiu foi o teu extremo egoísmo. Acaso pensaste em mim por um momento? Ou apenas na satisfação dos caprichos? Pedes-me que perdoe aquilo que não tem perdão…
— Posso então concluir que nada resta do teu amor por mim?
— Bella…
— Eu vou dizê-lo, mesmo que não acredites, mesmo que não tenha mais significado para ti, ainda assim eu vou dizer que te amo… eu te amo Edward.
— Tu sabes que eu nunca te expulsaria desta casa, que nunca afastaria o teu filho de ti. Eu prometo-te isso, por tudo o que vivemos, por tudo o que significas para mim. Então não existe qualquer necessidade de seguires um caminho que não desejas…
— Por deus Edward, porque te custa tanto acreditar? Eu não imagino nem mais um dia da minha vida sem a tua presença…
Uma forte batida na porta interrompeu-os.
— Entre… — exclamou Isabella relutante, frustrada por terem sido interrompidos no meio de uma conversa tão importante.
- Peço desculpa senhores, vim avisar que o senhor Turner e a esposa já chegaram – Informou a criada, entrando.
— Meu pai está com eles? – Questionou Edward.
— Está sim…
— Pode dizer que não me demoro e peça para adiantarem o jantar.
Assim, a criada prontamente saiu deixando-os novamente a sós.
— Quem é esse senhor Turner? – Perguntou Isabella curiosa.
— Um muito estimado amigo de infância que convidei para o jantar – Explicou – Vim aqui precisamente dizer-te isso, antes de ser surpreendido por esse teu invulgar acordar – Explicou com um sorriso no canto dos lábios.
— Edward… — Murmurou Isabella numa tentativa de retomar a conversa.
— Agora não é uma boa altura. É melhor que te arrumes para os receberes. Isabella levantou-se relutante, dirigindo-se ao armário.
— Praticamente já não entro dentro destes vestidos, estou cada vez maior…
— Aí é que tu enganas – Disse Edward aproximando-se dela e fazendo-se um carinho na saliente barriga – Estás cada vez mais bonita.
Depois caminhou até a porta preparando-se para sair.
— Isabella… — Chamou antes cruzar a porta, chamando a atenção desta – Realmente gostei de ouvir o que disseste.
Ela abriu o seu melhor sorrindo não conseguindo conter a felicidade de saber que de facto ele a tinha escutado. Havia dentro de si a certeza inequívoca de que faria tudo ao seu alcance para reconquistar o homem que amava.
O jantar com os Turner não podia ter sido mais agradável. Durante as horas em que durou o convívio o ambiente foi de pura harmonia e diversão. Toda a gente riu e conversou animadamente.
Isabella conversou bastante com Marie Turner, esposa de William Turner, amigo de Edward. Pareceu-lhe ser uma moça extremamente simpática, delicada mas com grande simplicidade o que muito a agradou. Ficou contente por conhecê-la e animada com a possibilidade de estarem juntas mais vezes, uma vez que o marido também era proprietário de uma fazenda nas redondezas. A verdade é que, carecia de facto de uma agradável companhia da sua idade, agora que não tinha mais Alice consigo.
A cumplicidade entre Edward e ela também foi evidente, isso deixou-a feliz mas de certa forma também confusa. Tinha duvidas se a proximidade entre eles se devia à sincera conversa que tinham tido ou se ele apenas pretendia manter aparências perante os convidados.
Quando as horas avançaram o casal despediu-se e Isabella que começou a acusar o cansaço, decidindo recolher-se aos seus aposentos.
A meio do corredor cruzou-se com a sua tia o que a fez estremecer. Fixou o seu olhar no chão, procurando passar despercebida.
— Julgas que não entendo que estás a fazer? – Perguntou Elizabeth quando ficaram próximas.
— O que diz?
— Isabella, vou avisar apenas uma vez, afasta-te… — Disse Elizabeth ríspida e furiosa — Já cometi o erro de permitir que ele se casasse contigo. Não vou permitir que ele caia novamente nas tuas artimanhas.
- Porquê me fala assim minha tia? Eu estou a penas a tentar redimir-me, só quero ser feliz ao lado da minha família.
— É necessário apenas que entendas que tiveste a tua oportunidade e que a jogaste ao vento. Não existe perdão para os teus actos, traíste a tua família.
- Faria qualquer coisa para voltar atrás…
- Tu vais ter o meu neto e vais desaparecer da vida do meu filho de uma vez por todas... – Pronunciou duramente agarrando com brusquidão o braço de Isabella.
- Precisa parar com as suas ameaças, não vai conseguir tirar o meu filho de mim. A senhora é mãe, sabe por isso que eu não ia de forma alguma aguentar essa dor – Implorou abalada.
- Não tens direitos nenhuns sobre esse filho. Eu mesmo o arranco dos teus braços e te ponho a correr daqui!
- O que foi que a senhora disse minha mãe? – Perguntou Edward que chegou junto delas naquele instante.
- Ora… Eu disse o que tu mesmo devias ter dito. Alguém precisa por a casa em ordem e ter coragem para fazer o que tem que ser feito
- Não lho permito… — Falou rispidamente, encarando a mãe com uma expressão austera – Não permito que se intrometa na minha vida dessa forma nem que se dirija à minha esposa nesses modos.
- Depois de tudo Edward? Como tens coragem de te dirigir à tua mãe dessa forma depois de tudo o que ela te fez?
- Isabella ainda é minha esposa. Sou eu quem resolve os meus problemas com ela, assim como futuro do meu casamento e da minha família, mais ninguém, nem mesmo a senhora.
- Edward…- Exclamou Elizabeth, sentindo-se claramente humilhada.
- Acabaram-se aqui as intromissões na minha vida. Isabella é sua sobrinha e sua nora, deve ser tratada como tal a partir de agora. Lembre-se que esta casa ainda é minha…
- Edward por favor pára… — Implorou Isabella – Não desejo ser motivo de discórdia entre vocês…
Elizabeth envergonhada pela situação, voltou costas de imediato, deixando-os a sós, não escutando nem as palavras de Isabella.
- A culpa disto é toda minha, eu realmente não queria ser causadora de todo este constrangimento.
- Não posso permitir este tipo de interferências…
- Ela é mãe, como poderia eu esperar que ela me aceitasse? Não fui merecedora do afecto dela.
- Fizeste tudo errado… — Disse prontamente surpreendendo-a.
- Eu sei… — Murmurou tristemente melindrada pelas palavras dele.
- Fizeste tudo errado mas eu amo-te… — Acrescentou e aproximando-se dela, beijou-a docemente – Devo admitir que também fiz tudo errado desde o inicio, de tanto que gostava de ti forcei a situação, não quis entender-te, perceber o que havia de errado… Eu só te queria…
- Não fazes ideia de como hoje estou agradecia a essa tua precipitação… — Disse lançando-se sobre ele num abraço apertado.
Aquele abraço não podia ser mais perfeito. Significava compreensão e acima de tudo aceitação. Aceitação de um recomeço, de uma escolha mutua, dos sentimentos que os uniam assim como, também aceitação até daquilo que os distinguia. Não havia mais nenhuma história por contar, mais nada capaz de os separar, mais ninguém capaz de os afastar. Eram apenas Edward e Isabella abrindo juntos as portas de uma nova vida.
Notas finais
Espero que não tenham detectado muitos erros porque confesso que corrigi um pouco a correr, estava ansiosa por postar...
Eu sei que novamente demorei mas eu devo sofrer de um mal que se chama "falta de inspiração na recta final"
Então mais que nunca queria saber se gostaram e as vossas opiniões :)
O próximo será mesmo o ultimo, não deve ser muito grande, será o culminar da história e das personagens...
Existe alguma coisa que ficou a faltar? Alguma coisa que gostariam de ver no ultimo cap.? Venham daí sugestões...
Obrigada a todas que acompanham e que persistem comigo!!!
Beijinhos,
Ana
Fale com o autor