Isabella desceu cuidadosamente pelo carreiro íngreme, em direcção ao rio, segurando a mão de Damon.

- Que lindo! – Murmurou – Não fazia ideia da existência deste sítio.

- É lindo realmente. As pessoas da comunidade são quem habitualmente frequenta este local. Não acredito que as pessoas do seu meio conheçam isto, para além de ficar bem distante da cidade. Eu costumava vir sempre cá com os meus irmãos.

Damon para enorme surpresa de Isabella, começou a despir-se despudoradamente apesar da presença dela. Ela procurou desviar o olhar, uma vez que ele apenas se encontrava com a roupa interior. Damon caminhou então em direcção á água deixando Isabella admirada.

- Então Isabella? Vai nanar vestida? – Perguntou brincalhão já com a água pelos joelhos – Não sabe nadar?

- Sei, mas não sei se deva… – Murmurou envergonhada.

- É preciso eu ir buscá-la?

Ela sorriu-lhe então profundamente divertida com aquela situação inesperada. Sentia-se estranhamente feliz naquele momento na companhia daquele homem que era capaz de a surpreender daquela forma. A espontaneidade nele era notável e ela admirava-o por isso. Totalmente diferente de toda a gente que conhecia. Capaz de a fazer rir naquele momento exactamente como ela ria em criança. Olhou então em volta certificando-se que estavam sozinhos, tentando ganhar coragem. Aos poucos foi-se livrando do vestido e correu para a água. A adrenalina corria-lhe nas veias e a emoção que sentia de fazer algo tão proibido e tão fora do comum tomava conta de si. Damon veio ao encontro dela e deu-lhe a mão, encorajando-a. Olhou-a directamente e observou os encantadores olhos chocolate.

- Deixe-me ajudá-la a livrar-se disso – Murmurou – Não vai conseguir estar á vontade assim.

Isabella estremeceu quando ele lhe afastou os cabelos que lhe caiam pelas costas. Damon começou então a desapertar-lhe o espartilho, que atirou depois para a gravilha, deixando-a ficar só de camisola interior.

Ele nunca antes vira um olhar como o dela, tão cheio de força e de sede de viver. Ficava impressionado de cada vez que a encarava e a sua vontade mais profunda era aproximar-se dela. Conhecer melhor a maravilhosa mulher na sua frente. No entanto havia-se esforçado para se afastar dela. Não queria nutrir qualquer interesse por ninguém daquela família. Não pretendia ter nenhum sentimento que o afastasse dos seus propósitos. Uma voz furiosa parecia gritar dentro do seu peito, dizia-lhe constantemente que Isabella era um perigo, um território proibido e inatingível. Mas a verdade é que o seu corpo lhe dizia algo diferente, compelia-o constantemente na direcção dela, daquela pessoa fenomenal que tivera a oportunidade de conhecer da mais infortúnia forma.

- O meu pai seria capaz de me matar se soubesse o que estou a fazer…

- O seu marido também?

- O que acha?

Damon sorriu-lhe provocador.

— Vê algum deles aqui?

— Ora…

— Então apenas aproveite.

Naqueles dias tinha reunido todas as suas forças para se afastar dele o mais que podia e agora estava ali naquela situação tão diferente e especial na companhia do homem que representava um perigo á sua estabilidade e paz de espírito. Fitou-o de esguelha. Ele era um homem deslumbrante. Era inegável a atracção proibida que sentia por ele. Mas aquele sentimento que por um lado era capaz de a fascinar magoava-a imenso. Provocava-lhe uma dor aguda no peito e fazia-a sentir-se culpada e indigna. Por tanto tempo ela tinha desejado experimentar aquela sensação de formigueiro no estômago, o coração acelerado, o sorriso espelhado na face que teimava em não desaparecer e empatia total com alguém, mas agora não era o momento certo e nunca mais o seria. Ela não era uma pessoa desleal, nem nunca o fora, nem era uma mulher livre e nunca voltaria a ser.

Quando os dois chegaram a casa, a noite já havia caído. Com as roupas molhadas coladas ao corpo, ambos tremiam de frio. Entraram vagarosamente, fazendo todos os esforços para que ninguém desse pela chegada. Subiram os dois, as escadas, pé ante pé, sufocando o riso que a situação provocava. No topo das escadas Isabella olhou Damon e sorriu-lhe cumplicemente, antes de ele seguir em direcção aos seus aposentos, no fundo oposto do corredor.

Quando entrou no quarto ficou aliviada por ver que Alice não estava lá. Não queria ter que lhe dar qualquer tipo de explicação. Procurou trocar rapidamente de vestido e preparou-se para descer. Não queria ficar sozinha nem por um momento. Não queria pensar no que sentia, nem recordar o que quer que fosse. Estava tremendamente confusa. Mas apesar dos seus esforços não conseguiu não pensar em Edward. No fundo ela sabia o quanto ele tinha sido completamente prejudicado pela sua inimizade com o pai. Ele tinha razão quando dissera que ela o comparava ao seu pai. Era seu primo, haviam crescido juntos e todos os momentos partilhados entre os dois tinham sido debaixo de um tecto e na presença de pessoas que a oprimiam. Ela tinha-se afastado dele também para contrariar o pai, porque o casamento com ele era a vontade do seu pai. A vida com Edward significava a continuidade da vida que tinha levado até então e era isso que a assustava. Não era propriamente dele que ela tanto tinha receio. Dele ela gostava, porque Edward era muito especial. Não tinha as manias e o autoritarismo dos homens da sua classe social. Era um homem altruísta, capaz de tudo pelos que amava, capaz de tudo por ela. Isabella gostava de conversar com ele, sabia que era ouvida e que ele respeitava as suas ideias. A semana que tinham passado juntos após o casamento tinha superado as suas expectativas. Mas Isabella sentia uma sombra permanente pairar sobre si. Um desejo interior de ser tomada por uma paixão arrebatadora e desconhecida. O sentimento avassalador que nos pode invadir e consumir quando de repente pousamos o nosso olhar sobre alguém. Agora que se havia resignado, que se tinha esgotado nessa busca insana, que estava cansada de tentar ser diferente, de viver na procura e algo e pelo caminho magoar todos os que dela gostavam, agora que se sentia assim, ali estava ele, diante dos seus olhos, vivendo em seu redor, Damon. E agora para si a paixão era mais proibida que nunca.

Por sua vez Damon deixou-se na cair na sua cama, suspirou profundamente e sorriu consigo mesmo. Estava feliz de novo, verdadeiramente feliz. A casa que ele tanto se queixava de ser fria tinha ganho cor e vida. A alegria percorria os corredores. E ele sentia-se novamente como um adolescente. Cheio de vontade de viver, vivenciar todas as emoções, dar o melhor de si mesmo. Era como se a sua vida, tão apagada durante tanto tempo, fizesse novamente sentido, tivesse um novo propósito.

Levantou-se e foi até á varanda. De lá observou Stefan e Alice chegarem a casa. Pode ver que os dois estavam felizes. O irmão buscou o braço dela e deslizou a sua mão ao encontro da dela. Alice segurou a mão dele e sorriu-lhe abertamente, sem receios de expressar aquilo que sentia. Subitamente a alegria que ele próprio sentira há minutos esvaiu-se, dando lugar a uma nova angústia. Damon sabia que mais tarde ou mais cedo aquela situação estaria resolvida e Isabella deixaria aquela casa. No entanto, ele já não conseguia imaginar a casa sem a presença dela. E o seu coração ficou apertado com esse receio.

Alice e Stefan foram directamente para o salão de refeições. Alice sentia-se já verdadeiramente bem e acolhida naquele local. Tão bem que sentia receio. Como se tudo não passasse de um sonho, do qual seria forçada a acordar. Olhou Stefan e não pode deixar de sorrir. Não conseguia sentir qualquer culpa pelo que sentia por ele. Durante imenso tempo lutara com todas as suas forças para fazer o seu casamento resultar. Queria ter uma vida normal e feliz. Depois de um tempo deixou de se preocupar com o amor para se tentar concentrar apenas em manter a harmonia. Mas todos os esforços pareciam em vão. Stefan tinha despertado nela sentimentos completamente esquecidos, a vontade de amar novamente, de se sentir amada.

— Charles, viu o meu irmão e a senhora Isabella? – Perguntou Stefan ao mordomo.

— Não senhor. Mas devem estar nos aposentos. Já pedi á criada que fosse chamar os senhores para o jantar.

— Muito bem Charles, obrigado. Nós esperamos por eles.

Stefan foi então ao encontro de Alice que espreitava pensativa através da janela.

— Estás longe? – Perguntou-lhe, abraçando-a.

— Sim. Confesso que sim.

— Que se passa?

— Estou a pensar em toda esta situação. Em como tudo isto vai acabar.

— Não te preocupes mais com isso. Quando isto tudo estiver resolvido vamos embora desta cidade. Começamos a nossa vida longe daqui. Onde ninguém nos conheça ou saiba da nossa história.

— Serias capaz?

— Eu amo-te Alice. Seria capaz de tudo por ti. Por nós.

Stefan aproximou-se então dela, segurou-lhe suavemente no rosto e beijou-a docemente. A vida tinha-lhe pregado uma parida inesperada, na sua frente estava a esposa do homem que por tanto tempo ele tinha odiado e agora ele estava apaixonado por essa mulher. Ela era doce e delicada e em tanto tempo fora a única pessoa capaz de apaziguar o seu coração e curar um pouco da ferida que a partida de Katherine lhe tinha provocado. Alice serenava-o, afastava a dor e raiva que habitualmente o dominava e dava-lhe a esperança de um futuro melhor e mais feliz. Ele estava preparado para lutar por aquele amor e não deixaria que nada nem ninguém destruísse a sua felicidade.

Os dois foram interrompidos pela chegada de Damon. Pouco tempo depois Isabella também se juntou a eles.

No final do jantar os quatro permaneceram no salão, conversando agradavelmente. Se o ambiente aquando da chegada naquela casa tinha sido insuportável, agora era tudo menos isso. Contavam histórias de infância e riam-se animadamente. Era impossível para Isabella não se sentir bem naquele sítio tão diferente da sua casa. Em casa sabia-se constantemente observada, cada gesto seu era analisado. Ali tudo fluía com naturalidade. Podia falar á vontade, dizer o que entendesse, rir alto, ser ela própria.

Quando Stefan e Alice se retiraram, Isabella decidiu ficar mais um pouco. Ela e Damon ficaram os dois sozinhos na sala e ele veio sentar-se junto dela no sofá.

— Foi um final de tarde agradável o de hoje – Disse-lhe a medo.

— Devo admitir que sim – Confessou sorrindo – De manhã disse que queria falar-me, acabei por não lhe perguntar o que me queria…

Damon ficou curiosamente feliz por vislumbrar felicidade no rosto dela. O afecto que começava a sentir por ela era algo estranho. Nunca se deixara antes envolver daquela forma.

- Queria falar-lhe apenas sobre Alice e Stefan. Perguntar-lhe a sua opinião sobre tudo isso.

- Alice falou comigo. Disse que quando tudo estivesse revolvido não queria ir embora daqui.

- O que é que a Isabella lhe disse?

- Eu só quero que ela seja feliz Damon.

Ela era uma mulher incomum para o seu tempo. Apesar de proveniente de uma família influente e de poder, ela era o oposto de todas as mulheres que já conhecera. A simples facto de ela se preocupar apenas com que a felicidade da cunhada era uma atitude que surpreendia Damon e o fazia admirá-la ainda mais. Isabella não era demasiado delicada como as senhoras costumavam ser, tinha um espírito livre e sem preconceitos.

- E o seu irmão?

- O meu irmão não a faz feliz. Ele não a ama Damon, nunca amou. Ele não se oporá quanto a ela seguir um novo caminho.

- Fico feliz. Não gostaria de ver o meu irmão novamente magoado. Já chega de sofrimento para ele. Gosto de o ver assim. Desde que a minha irmã faleceu ele nunca mais foi o mesmo.

- Magoa-me profundamente saber que a minha família foi responsável…

- Foi o pior dia da minha vida Isabella – Proferir.

Damon sentia uma vontade enorme e repentina de desabafar. De falar sobre o que tinha vivido naquele dia, expressar por palavras a dor dilacerante que tinha tomado conta de si. Ele confiava em Isabella. Sentia por ela uma enorme afinidade e de uma forma surpreendente ela fazia-o sentir-se seguro, transmitia-lhe força.

— O que se passou com a sua irmã Damon?

— Katherine estava á espera de um filho.

— Como? – Proferiu boquiaberta, completamente chocada com aquela revelação.

— Quando o seu irmão a procurou pela ultima vez ela ia conta-lhe.

— Não posso acreditar…

— Ela ficou devastada. Nunca antes eu tinha visto a minha irmã naquele estado. Damon parou um pouco, quase como se ganhasse coragem para continuar. Contar aquilo significava reviver momentos que ele procurara esquecer. Aquelas memórias eram demasiado dolorosas. Isabella olhava-o incrédula.

— Katherine como já lhe disse era cheia de vida. Mas naquele dia, quando a encontrei na margem do rio, depois de ela ter estado com o seu irmão, eu já não conseguia ver nela a minha irmã. Quando a amparei nos meus braços ela já não era a mesma pessoa.

Desviou o olhar do de Isabella. Não queria que ela o visse assim, tão frágil. Ela instintivamente pousou a sua mão sobre a dele, incentivando-o a continuar.

Flashback on

Damon abraçava Katherine com força. Ela tremia imenso e as lágrimas escorriam compulsivamente pelo seu rosto. Ele por sua vez, sentia que toda a sua vida estava prestes a desmoronar.

— Eu vou á casa daquele desgraçado e não á nada que possas fazer para me impedir – Gritava Stefan descontrolado.

— Não… Por favor não… — Pedia Katherine em aflição.

— Como não? Endoideceste?

— Por favor Damon, por favor diz-lhe que não vá – Implorava.

— Katherine nós temos que fazer alguma coisa. Não podes pedir-nos para ignorar o que aconteceu, o que ele fez contigo… – Explicou-lhe Damon.

— Fazer o quê Damon? Tu ainda não entendeste que ele não me ama?

— E esse filho?

— O que tem este filho? Se eu lhe disser isso ainda vou ser mais humilhada. Vão dizer que o filho não é dele. O meu nome vai ficar mais sujo do que já está. O que adianta? Eu sou apenas uma rapariga pobre. Ele já está de casamento marcado.

— Eu mato-o – Berrou Stefan.

— Pára Stefan – Pediu Damon, tentando controlar a situação – Não estás a ajudar.

— A culpa é toda minha, só minha… — Proferiu devastada.

— Como foste capaz. Avisei-te tantas vezes – Disse Stefan.

— Perdoem-me – Proferiu, entre soluços, olhando para os irmãos.

— Já chega – Disse Damon, elevando o tom de voz, sentindo as mãos dela, cravadas nos seus braços – Por deus… Não há nada a perdoar meu anjo. Nada… Stefan a decisão é dela. Se ela não quer fazer nada para já, assim será.

Damon continuou a afagar o rosto dela, procurando acalmá-la.

Flashback off

— A nossa vida desmoronou. Foi um problema com o Stefan. O meu irmão ficou descontrolado. Ele era demasiado próximo dela e não reagiu bem a toda a situação. Depois desse dia por mais que eu tentasse as coisas nunca mais melhoraram – Continuou.

Isabella escutava-o atenta com a sua mão presa á dele, sem proferir uma palavra. Deixando-o falar sobre todos os fantasmas que o atormentavam.

— Eu assisti a toda aquela dor. A minha irmã definhava a cada dia e eu não conseguia fazer nada para a ajudar. Foi como se os sonhos dela morressem Isabella. Construi a vida dela em volta de uma fantasia. Katherine deixou de conseguir sair de casa e encarar as pessoas. Deixou de comer. Sentia-se culpada porque achava que nos tinha desiludido. Toda a alegria de viver, tão característica dela, tinha-a abandonado. Eu vivia numa tortura. Sentia-me tão culpado…

— A culpa não foi sua… — Disse Isabella, com uma lágrima a escorrer-lhe pelo rosto. A história que ele contava comovia-a imenso. Sentia toda a dor dele e imaginou o que Dean sentiria também quando soubesse de tudo aquilo.

— Esforçava-me para que ela sentisse meu apoio. Queria que ela soubesse que eu estaria sempre lá para a apoiar em qualquer situação. Debatia-me constantemente para a tentar ajudar mas nada resultava. Não fui capaz de a salvar do abismo.

— Tenho a certeza que não havia mais nada que pudesse fazer…

— Ainda hoje eu tenho horríveis pesadelos com aquele dia. Nunca quero que ninguém passe por dor igual. O corpo dela sem vida, pendido naquela arvore… enforcado. Não pode imaginar… é indescritível. Odiei-me e confesso que também a odiei a ela por ter sido capaz de acabar com a própria vida. Foi nesse momento que ela verdadeiramente me desiludiu – Revelou com muito custo, com uma mágoa profunda e os olhos turvos pelas lágrimas.

Isabella envolveu-o então num carinhoso e sentido abraço. Sentia-se chocada com tudo o que ouvira, com todas as revelações feitas por ele. Impressionada com o que realmente tinha acontecido. Naquele momento era capaz de perceber tudo que o movia, de finalmente o compreender verdadeiramente. E a admiração que sentiu por ele foi enorme. A forma como ele lutara e continuava a lutar corajosamente pelos que amava, como tinha sido capaz de sobreviver, de dar a volta por cima, a batalha constante que travara para chegar ali. Percebia o ódio dele pelo seu pai melhor que nunca, porque também o compartilhava. Era capaz de entender o que o movera a tomar medidas drásticas e sentia-se incrivelmente próxima dele.

Não muito longe dali, Edward amparava o seu primo Dean, ajudando-o a entrar em casa. Estava surpreso por ele ter consigo encontrar o caminho até ali naquele estado. Dean aparentava estar completamente devastado. Totalmente alcoolizado, chorava como uma criança e mal conseguia andar. Cambaleava e proferia palavras indistintas.

— Quero ir ter com ela… — Foi tudo o Edward conseguiu perceber antes de ele perder os sentidos.

Notas finais
Gostaram? Eu sei que para já isto está tudo muito tenso...

O que posso adiantar para já é que a confusão que a Bella sente não vai passar tão cedo... Ela está entre a paixão repentina por Damon e o amor que ainda não sabe que sente pelo Edward!!! E a duvida continua :) (sou mesmo mazinha)

Quero mais comentários meninas... ás vezes deixam reviews outras vezes não deixam, assim fico triste :( quero que me escrevam sempre qualquer coisinha, sim?

Bjokas a todas

Ana