Notas iniciais
Mais um capitulo... Teremos aqui um pouco de todos :)
Edward, Dean, Alice, Stefan, Damon e Bella....

Edward saiu de casa seguindo Dean, para evitar que os ânimos no salão de refeições se exaltassem ainda mais e sentou-se na escadaria da entrada ao pé deste.

- Estás bem? – Perguntou ao primo, preocupado.

- Não aguento mais esta casa, este ambiente, o meu pai…

- Agora não é altura para desanimares Dean.

— Não te compares comigo. Eu estou mais tranquilo por saber que Isabella e Alice estão bem mas ao contrário de ti eu preferia que Alice não voltasse mais – Admitiu.

— Porque dizes uma coisa dessas?

— Ela não é feliz aqui e nunca será. Sabes o que significa ter essa consciência e esse peso nos teus ombros?

— Mas existem responsabilidades das quais ninguém pode fugir. Para o bem e para o mal ela é tua esposa.

— Não passa um único dia em que eu não deseje poder voltar no tempo e fazer tudo diferente…

— Não te terias casado com Alice?

— Independentemente das ameaças do meu pai, largaria tudo. Por certo arranjaria uma forma de ver a minha mãe e as minhas irmãs. Na altura não pensei em nada, simplesmente agi como um cobarde.

— Como é que ela se chamava?

— Katherine Salvatore.

— Salvatore? Da mesma família que comprou os terrenos do duque nos quais eu estava interessado?

- Provavelmente sim. Não deve haver outros Salvatore. Ela tinha dois irmãos, um irmão gémeo, Stefan, e um outro mais velho, Damon. Quando ouvi o nome da família dela senti a minha estrutura ser abalada. Foi como se o muro que construi ao longo destes anos para manter as lembranças afastadas fosse derrubado. E ela voltou para mim, junto com todas as memórias do tempo que passamos juntos.

— Porque não a procuras? Pelo menos para resolveres os teus tormentos. Para te redimires dessa culpa que te consome.

— Isabella aconselhou-se o mesmo mas os irmãos dela provavelmente não me deixariam chegar perto. Ela pode até já estar casada. Que direito tenho eu de aparecer depois de todo este tempo?

— Sem o passado resolvido não existe perspectiva de futuro.

— Deixemos de falar sobre mim. Como é que tu te sentes meu primo? Deste-me cá uma preocupação nestes dias.

— Estou melhor agora por saber que ela está bem. Ansioso por mais notícias mas receoso com todos estes entraves que o teu pai está a colocar.

— Prepara-te porque esta não vai ser uma batalha fácil. O meu pai vai pensar em tudo menos no que realmente importa. Vai preocupar-se com o dinheiro, com o escândalo da situação…

— Pois se ele pretende dificultar as coisas vai ter que passar por cima de mim primeiro Dean. Ninguém vai conseguir demover-me do meu objectivo.

— Bem sei… — Comentou sorrindo.

— Vou retirar-me primo. Já não durmo á dias. Preciso descansar e certamente hoje já serei capaz de o conseguir fazer. Boa noite – Disse, despedindo-se.

Quando Edward de retirou, Dean soube que, ao contrário do primo, esperava-lhe uma noite bastante difícil. Tomara a sua decisão naquele instante, estava cansado de fugir, na manhã seguinte iria á aldeia dos mineiros saber notícias de katherine e nervosismo já tomava completamente conta de si.

Quando acordou, Isabella voltou o seu rosto para a cama do lado em busca de Alice. Nos últimos dias praticamente mal se falavam. Alice tinha adoptado uma atitude completamente diferente e Isabella tinha a sensação que a cunhada por vezes até procurava evitá-la. Passava todos os dias na companhia de Stefan. Os dois costumavam sair juntos e conversavam durante horas. Isabella sabia que algo se passava entre eles mas sempre que tentava conversar com Alice, ela esquivava-se. Cada vez ela se sentia mas sozinha.

Alice já estava também acordada mas permanecia imóvel na cama, olhando o tecto, aparentemente feliz.

- Bom dia – Cumprimentou-a.

- Bom dia Bella.

- Bons olhos te vejam. Ultimamente tens madrugado, não te encontro nem no quarto nem no salão ao pequeno-almoço e nas refeições nunca dá para conversarmos.

- Tenho-me levantado cedo para cavalgar.

- Em muito boa companhia…

- Verdade. Em muito boa companhia. – Proferiu rispidamente.

- Falei com o Damon ontem á noite sobre o Dean… Sobre o que realmente se passou.

— Falas-te sobre os teus sonhos também?

— Quais sonhos Alice?

— Os sonhos que já tiveste com ele…

— Alice… Não te contei nunca que foram com ele. O que queres dizer com isso?

— Nem é preciso teres contado. Não te conheço desde ontem e até eu posso reconhecer nele o misterioso homem dos olhos azuis, de quem me falaste, que por tanto tempo te perturbou em sonhos. Tens coragem de negar que não é ele?

— Alice…

— Só quero que não me encares com esse olhar julgador quando eu também vejo que ficas encabulada em redor do Damon. Tanto que até procuras fugir para a biblioteca e para o quarto para o evitares.

- O que se passa contigo Alice? Isso que falas não é verdade. Eu apenas gosto de falar com ele, saber mais sobre ele para o poder ajudar. Eu refugio-me por vezes porque sempre fui assim e tu sabes disso melhor que ninguém. Quanto á tua vida, não me diz respeito. Fazes o que bem entenderes. Nunca te julgaria. Fico ofendida com essa tua atitude e confesso que pensava que me conhecias melhor.

Alice olhou-a com arrependimento pelas palavras que lhe tinha dirigido. A verdade é que se culpabilizava pelo que estava a sentir por Stefan. Principalmente por não ser uma mulher livre. E tinha receio que Isabella não a conseguisse entender.

- Bella, foste tu quem me falou um dia de arrebatamento. Eu não acreditei que isso pudesse existir. Mas tu tinhas razão, é real… Não consigo mais lutar contra isto que eu estou a sentir...

- O Damon ontem mandou uma carta para o meu pai Alice.

- Eu não vou embora daqui. Ninguém naquela casa está importado comigo Bella. Tudo o que o Dean quer é livra-se de mim… Nada nem ninguém me vai tirar daqui.

- Quero é que sejas feliz Alice, estejas onde estiveres… — Disse-lhe, abraçando-a reconfortantemente.

Damon foi interrompido pela entrada repentina do Stefan no escritório.

— Alice disse que enviaste uma carta ao Swan, é verdade? – Perguntou bruscamente.

— Sim é verdade.

— Porquê Damon? Porque fizeste isso? Porquê já? Não vez que assim corremos muito mais riscos?

— Era insustentável alongar esta situação Stefan. Não é só Charlie Swan que vive naquela casa. Isabella tem irmãs, tem mãe, tem o marido dela…

— E o que é que essa gente te interessa? Em que é que eles te afectam?

— Quem é que tu pensas que eu sou? Ou melhor, em que tipo de pessoa insensível tu te transformaste Stefan? Hoje eu ouvi os gritos dela ecoarem no corredor, chamava pelo tal de Edward. Como é que pensas que me senti ao saber-me culpado da dor dela? Ao sabe-la aflita pelo sofrimento daqueles que ela ama?

— Qual sofrimento? Alice contou-me que ela nunca se quis casar. Isabella deve estar tão ansiosa em voltar quanto Alice está.

— Como não se quis casar?

— Mais habilidades do Charlie Swan.

— De qualquer forma ela está preocupada com a família Stefan e eu não podia deixar arrastar mais esta situação.

— E Alice?

— Que tem Alice?

— Eu não quero que ela vá embora…

— O importante é arrasarmos o velho, depois isso é algo a resolver entre ti e ela apenas. Vamos tomar o pequeno-almoço agora que o meu irmão já está esclarecido? – Perguntou-lhe brincalhão.

— Sim vamos… — Assentiu, resignado.

Damon não se queria intrometer na relação que o irmão estava a criar com Alice. Independentemente das complicações que pudesse causar, dos impedimentos que ele teria que enfrentar, das medidas que teria que tomar, tudo o que Damon mais queria era vê-lo feliz. E a verdade é que há anos que ele não tinha via Stefan assim, alegre, optimista, com um novo ânimo.

Quando chegaram ao salão, Isabella e Alice já estavam na mesa. Durante a refeição não trocaram grandes palavras mas quando Isabella se levantou e se retirou do salão, Damon seguiu-a.

— Isabella…- Chamou.

— Sim…

— Sempre me acompanha num passeio a cavalo? Queria trocar umas palavras consigo…

— Acho melhor não Damon. Não quero atrapalhar a sua vida. Certamente tem coisas para fazer.

— Incomodo nenhum.

— Melhor não – Insistiu — Eu vou até á biblioteca. Falamos mais logo pode ser?

— Se prefere assim… — Proferiu desiludido – Aproveito e vou visitar algumas propriedades, ver como andam as colheitas e as vendas. Volto no fim do dia.

— Até mais! – Despediu-se e dando as costas, subiu a escadaria de acesso ao piso da biblioteca, afastando-se.

Dean deixou o cavalo nas redondezas da comunidade e dirigiu-se á casa que fora de Katherine. Sabia agora que a família dela tinha posses e que provavelmente eles já não morariam mais na aldeia. Mas o receio que sentia de encontra-la, de enfrentar o passado, era de igual forma grande e as suas pernas tremiam cada vez mais á medida que avançava. Aquele local trazia-lhe também imensas memórias. Recordava os tempos em que combinava encontrar-se com ela naqueles locais. Em que ele esperava meio escondido e ela chegava fugida do irmão gémeo. Podia lembrar com pormenor a imagem risonha dela a correr na sua direcção.

Olhou de relance para a praça que estava já toda enfeitada para a festa das flores que se realizava ali todas as primaveras, para comemorar a época próspera.

Flashback on

Na praça da comunidade reinava uma grande animação. A noite já havia caído e o ambiente era de festa. Várias tochas tinham sido espalhadas por todo o lado, iluminando tudo em redor e as árvores serviam de suporte a fitas de tecido de várias cores que coloriam o espaço.

Podiam ver-se mesas compridas, carregadas de iguarias das quais as pessoas aos poucos se iam servindo. O centro da praça permanecia livre para o bailarico. Um conjunto de pessoas, munidas de vários instrumentos já se haviam agrupado e uma música alegre já se fazia ouvir. Alguns arriscavam a dar os primeiros passos de dança enquanto os mais tímidos apenas observavam e batiam palmas.

Dean observava tudo curioso, meio escondido atrás de uma árvore, longe do centro da festa, procurando passar despercebido. Estava espantado com tudo aquilo. Era uma realidade completamente oposta da sua. Fora acostumado com os bailes e as enormes e sumptuosas festas que as famílias mais conceituadas da cidade organizavam. Nessas ocasiões tudo era demasiado pomposo e cheio de etiqueta. As pessoas esforçavam-se por manter aparências, por serem cordiais e socialmente correctas. Nada fluía naturalmente. Tudo era cordialmente ponderado, desde a forma de vestir, ao tom de voz, ao vocabulário que tinha que ser empregue, ao mais pequeno gesto. Na opinião de Dean ninguém verdadeiramente se conseguia divertir. As mulheres falavam da vida alheia, das roupas e das jóias. As solteiras, discretamente rondavam o espaço em busca de um bom partido, para realizarem o sonho de fazer um bom casamento. Os homens também se agrupavam e entre as bebidas e os charutos a conversa era sempre igual, negócios e política. Também pousavam os seus olhares sobre as senhoras da sociedade e analisavam a hipótese de conseguirem uma boa esposa, no entanto, o pensamento da maior parte já voava em direcção das casas de alterne que habitualmente visitavam durante a semana. Via-se envolto num ambiente hipócrita que o sufocava e o fazia infeliz.

Tudo ali naquela praça da comunidade era completamente diferente e ele estava maravilhado. As pessoas estavam verdadeiramente alegres e divertiam-se como ele nunca tinha visto. Uns conversavam animadamente, outros dançavam em roda e as crianças corriam alegremente entre os adultos, preocupados apenas com as suas travessuras, sem que ninguém os tentasse impedir de serem simplesmente crianças.

Mas o olhar de Dean vagava entre as pessoas insistentemente procurando por ela, pela moça que tinha arrebatado o seu coração. Desde que a tinha visto pela primeira vez, nunca mais conseguira ter olhos para mais nada. Era a moça mais linda que tinha visto. Katherine era o oposto das senhoritas interesseiras e fúteis da alta sociedade, era a personificação da alegria, da vitalidade e da espontaneidade. Ele sentia-se capaz de tudo para a fazer rir pois o seu riso por si só preenchia o seu dia. Nada mais importava quando a tinha em seus braços, quando acariciava a sua linda pele de azeitona e sentia o perfume que os seus cabelos inalavam. Ao pé dela sentia-se ele próprio, autentico, livre.

Foi então que a viu chegar. De braço dado com um dos irmãos e seguida pelo outro, que Dean calculou ser o mais velho. Estava linda e resplandecente como sempre. Reparou feliz, que ela também olhava insistentemente em todas as direcções, provavelmente procurando também por ele.

Ficou ali, a observá-la dançar alegremente com o irmão mais velho. Até que ela finalmente o viu e lhe sorriu docemente, deixando-o encantando.

- Encontraste-me… — Sussurrou-lhe ao ouvido, quando conseguiu chegar até ele.

- Eu vou sempre encontrar-te. Estejas onde estiveres…

Katherine entusiasmada, piscou o olho a Damon em busca de aprovação da parte dele. O irmão acenou-lhe com a cabeça dando-lhe a sua autorização e ela arrastou Dean para o centro da pista, ignorando o olhar furioso com que Stefan a fustigava. Dançaram animados pela noite dentro. Dean sentia-se nas nuvens, feliz como nunca.

Flashback off

Dean foi caminhando sempre até poder ver a casa que procurava. Olhou desolado a construção que estava praticamente em ruínas, confirmando que os Salvatore já não habitavam mais ali. Não havia sinais dela e isso só aumentava a sua angústia. Decidiu então dirigir-se a uma senhora de idade que estendia a roupa perto dali.

— Bom dia senhora.

— Bom dia meu senhor. Que procura?

— Conhece quem morava naquela casa abandonada além?

— Os irmãos Salvatore? Conheço sim. Cheguei a conhecer até os pais deles. Porque quer saber?

— Sabe-me dizer o que é feito deles?

— Não soube muita coisa depois que eles melhoraram de vida e se mudaram daqui. Por vezes o senhor Damon ainda vem até cá, mas ele não gosta de falar com ninguém. Entra, fica um pouco e depois segue a vida dele. O senhor Stefan nunca mais o voltei a ver. Também depois da desgraça que lhes ocorreu aqui não é de admirar. Foi muito sofrimento.

— Desgraça minha senhora? Qual desgraça? – Perguntou aflito com o coração a bater num ritmo frenético.

— Então o senhor não sabe o que ocorreu? – Perguntou a mulher olhando-o incrédula — Toda a gente por estas bandas sabe do que se passou…

— O que se passou afinal?

— A morte da irmã deles. Foi horrível meu senhor. Nem é bom lembrar…

— Katherine? – Questionou em desespero.

— Sim senhor, Katherine Salvatore…

Dean sentiu o seu corpo a pesar e a ceder e viu-se cair de joelhos embatendo violentamente no chão, aturdido com o desespero que as palavras daquela mulher lhe causaram. Em nenhum dos seus piores pesadelos poderia ter imaginado tal cenário. As lágrimas pulsaram em descontrolo e toda a dor aprisionada dentro libertou-se numa enorme avalanche.

Quando entrou em casa já quase ao final da tarde, Damon foi directo para a biblioteca, na esperança de encontrar Isabella lá. Ficou estranhamente feliz quando a viu, sentada ao piano.

Isabella estava pensativa e distraída, não se apercebendo da presença dele, passava delicadamente as mãos pelas teclas, entoando algumas notas soltas.

Flashback on

Isabella ouviu a linda melodia entoar pelo corredor e aproximou-se do salão sorrateiramente. Deslizou a porta devagar para que ele não desse pela sua presença. Entrou em bicos de pés e deixou-se cair no sofá. Edward tocava concentrado, completamente abstraído. Fazia deslizar as mãos pelo piano com movimentos rápidos e ritmados. Ela permaneceu ali durante imenso tempo, apenas a observa-lo, sem que ele notasse pela sua presença.

— Bella? Estás ai há muito tempo? – Perguntou surpreso quando finalmente parou de tocar e deu pela presença dela.

— Não quis interromper…

— Porquê?

— Quis fazer como tu. Ou pensas que me esqueço das tantas vezes em que eu estava na biblioteca a ler e era surpreendida por alguém que me observava?

— Culpado… — Respondeu, sorrindo-lhe.

— Que fazes aqui sozinho?

— Estavas com as tuas irmãs e não quis interromper. Sei que precisam de um tempo só vosso.

Isabella sentou-se então ao pé dele, no banco do piano. Brincalhona deslizou atabalhoadamente as mãos pelas teclas, provocando um enorme estrondo que arrancou uma gargalhada sonora de Edward.

— Vem cá, senta-te entre as minhas pernas – Pediu.

Isabella assim o fez. Edward apoiou a cabeça no ombro dela e beijou-lhe o pescoço, deliciando-se com o perfume dela.

— Coloca as tuas mãos sobre as minhas.

Isabella colocou então as suas delicadas mãos frias sobre as fortes e quentes mãos de Edward. Ele começou a tocar e Isabella observou as suas mãos deslizarem também sobre o piano como por magia, acompanhando os movimentos dele.

— Vês como é simples? – Perguntou, entusiasmado.

— O que é que estão a fazer? – Perguntou Eval, que ao entrar pelo salão, seguida por Adriel, como habitual, interrompeu os dois.

— Estou a ensinar a vossa irmã a tocar piano.

— Meninas… Deixem os recém-casados um pouco a sós — Chamou Renée, entrando também – Vocês duas são uma despropositadas.

— Não tem qualquer problema minha tia. Eu estava aqui a ensinar algumas notas a Isabella.

— Desiste Edward, essa daí não tem jeito nenhum para isso. Nunca quis aprender.

— Porquê Bella? – Perguntou Edward — É um entretimento fantástico.

— É como minha mãe diz, falta de jeito.

— Quando vocês tiverem filhos ela já vai ter muito com que se entreter. Filhos são trabalho a tempo inteiro – Comentou Renée.

Isabella olhou a mãe rispidamente, descontente e encabulada por ela ter tocado nesse assunto.

- Com licença, vou até lá fora – Pediu, levantando-se e saindo do salão.

Era um assunto sobre o qual terminantemente não queria falar. Ainda estava a acostumar-se com a ideia de estar casada e com as mudanças que isso significava na sua vida. A inconveniência da mãe deixou-a furiosa.

Edward seguiu-a até ao jardim.

— Bella… — Chamou – Que se passou?

— Realmente não gosto destas conversas Edward. A minha mãe por vezes é muito inoportuna.

— É normal ela estar ansiosa por um neto. A minha mãe também está.

— Pois eu não quero nem pensar nisso – Respondeu bruscamente.

— Mas não podes evitar que elas falem sobre isso. Relaxa minha Bella – Disse tentando acalmá-la, abraçando-a – Mas é importante conversarmos sobre isso.

— Conversar sobre o quê?

— As mulheres normalmente querem ter filhos meu amor e isso pode acontecer.

— Mas eu não quero Edward. Não agora. Certifica-te que tens cuidado quanto a isso – Pediu envergonhada por ter que lhe falar assim tão directamente.

— Tudo bem – Proferir tristonho e surpreso.

Isabella não pode também deixar de se sentir triste. Sofria quando percebia que o desiludia, não queria ter-lhe dito aquilo daquela forma mas não encontrava uma maneira mais delicada de se exprimir.

Flashback off

— Gosta de tocar piano? – Perguntou Damon, aproximando-se dela, despertando-a dos pensamentos.

— Não. Eu não sei tocar – Respondeu, surpresa ao vê-lo – O meu marido é que sabe tocar muito bem, eu aprendi com ele apenas algumas notas.

— Eu tenho o piano ai mas nunca lhe demos uso. Simplesmente não nasci para essas coisas delicadas. Não gosto de estar em casa, gosto de sair, aventurar-me por ai. Em pequeno andava sempre descalço e ainda hoje gosto de sentir os pés na terra.

— Em pequena eu fugia de casa na primeira oportunidade que surgia. O meu achava imensa piada. Brincava comigo e com o meu irmão de igual para igual. Depois á medida que fui crescendo passou proibir-me de fazer tudo o que realmente me dava prazer.

— Porquê?

— Não é correcto uma senhorita de boas famílias ter certas atitudes… — Proferiu tristemente.

— A Isabella por vezes faz-me lembrar a minha irmã. Ela era tão diferente. Cresceu com dois rapazes mas ela nunca desistia de nos acompanhar. Em pequenos se nós corríamos rápido, ela queria correr tão rápido quanto nós, queria fazer tudo como nós fazíamos, era uma lutadora…. – Recordou tristemente.

— Damon…

— Não precisa dizer nada. Eu realmente não quero falar sobre isso. Quer ir dar uma volta? – Perguntou mudando de assunto

— Agora? A tarde já vai longa.

— Mas a noite ainda demora a cair. Ainda temos tempo antes do jantar e eu realmente não quero que fique sempre enfiada dentro desta casa. Vou acabar por me sentir culpado.

— Não se preocupe, habitualmente eu não costumo sair muito. O meu pai nunca permitiu que saísse desacompanhada. A minha mãe e as minhas irmãs fazem sempre o mesmo percurso, entre os salões de chã e a casa de amigas. Eu não me identifico com essas coisas. Tenho de arranjar outra forma de ocupar o meu tempo. Eu já estou habituada Damon.

— Ninguém se habitua verdadeiramente a viver assim...

Isabella olhou-o admirada e não pode deixar de sentir uma certa gratidão. A verdade é que nunca ninguém lhe tinha dito algo assim. Ninguém a tinha procurado verdadeiramente entender. E naquele momento, um estranho diante de si, parecia estranhamente compreende-la.

— Vamos? – Insistiu Damon.

— Vamos… — Concordou entusiasmada, levantando-se.

Damon pousou a sua mão sobre a dela e encarou-a.

— Prometa-me que não vai tentar fugir… – Pediu — Garanto-lhe que não ia adiantar. Está muito longe de casa, provavelmente eu a encontraria rapidamente e a Isabella sabe que provavelmente não veria mais Alice.

— Confie em mim – Afirmou, olhando-o directamente nos olhos – Eu nunca lhe faria isso…

— Eu confio Isabella.

— Onde vamos? – Perguntou curiosa.

— Surpresa…

Notas finais
Gostaram deste capitulo? Espero que sim... Procuro sempre dar o meu melhor!

Mereço comentários????

Bjs, Ana