Edward acordou imensamente feliz naquela manhã. Estava cheio de saudades de Isabella e verdadeiramente ansioso agora que finalmente ia voltar a vê-la. Ela nunca tinha estado na fazenda e ele queria mostrar-lhe tudo. Tinha a certeza que ela adoraria estar lá. Aquele lugar combinava com ela em todos os sentidos.

Isabella preenchia todos os seus pensamentos. Lembrava-se do que sempre sentira quando passava uns tempos na casa dos tios e era obrigado a despedir-se dela. Todas as vezes eram dolorosas mas a última tinha sido totalmente diferente porque as próprias circunstâncias tinham-se alterado. Isabella era agora a sua esposa. Ele tinha provado o doce sabor dos seus lábios, tinha-se perdido no seu corpo magnífico e isso só tinha tornado a distância ainda mais dolorosa.

A medida que as horas foram passando ele foi ficando cada vez mais impaciente. Sentou-se numa cadeira, ao lado da mãe que bordava completamente abstraída, no enorme alpendre que rodeava toda a casa. Olhava fixamente para a longa estrada, esperando a chegada dela a qualquer momento.

Quando a noite caiu e Isabella e Alice ainda não haviam chegado Edward viu a ansiedade a dar lugar a uma angústia e preocupação enorme.

- Provavelmente tiveram algum percalço e partiram mais tarde. Logo estarão ai – Dizia Elisabeth tentando acalmá-lo.

- E que percalço poderia ser esse minha mãe? Será que lhes aconteceu alguma coisa?

- O que poderia ter acontecido Edward? Verás que logo estarão ai.

Quando todos se foram recolher, ele não arredou pé do alpendre. Embrulhado num cobertor, alumiado por um candelabro, incapaz de adormecer, esperou por algum sinal da chegada delas.

O sol acabou por nascer não trazendo consigo qualquer pista das duas. Edward enviou um criado á casa do tio em busca de notícias.

Esperou durante dois dias tortuosos e sentiu-se verdadeiramente um homem perdido, pela sua cabeça passavam-lhe cenários que ele procurava afastar a todo custo. Dedicou-se arduamente ao trabalho, procurando não ter nenhum tempo livre para pensar sobre o que realmente poderia ter acontecido.

Quase dois dias depois o criado retornava e Edward ávido por notícias precipitou-se ao seu encontro.

- Senhor não trago boas noticias…

- Seja directo – Quase berrou.

- As senhoras saíram á hora prevista da casa do Senhor Swan. Era de prever que já tivessem chegado.

- Com diz? – Perguntou mortificado.

- É verdade o que lhe digo. Deixei-os completamente em pânico. A Senhora Renée ficou totalmente devastada. Metia dó…

Edward ficou em choque e momentaneamente sentiu que todos os seus músculos se contraiam, impedindo-o de se movimentar. Desejava com todas as suas forças que, as palavras proferidas pelo homem fossem mentira. Queria acordar daquele enorme pesadelo. Desejava fugir dali, daquele realidade assustadora. Não queria enfrentar aquela situação, encarar os factos. Tudo o que quis foi desaparecer…

Tinham passado duas semanas desde que Edward havia chegado á casa do tio. Durante esse tempo ele viu a sua vida ser transformada numa tortura. A rotina era sempre igual e os dias passavam amarguradamente lentos. Todos naquela casa estavam angustiados e tremendamente perdidos com o que estava a acontecer. Ninguém era uma boa companhia porque inevitavelmente todos sofriam e o ambiente era insuportável. Edward nunca vira o seu tio Charlie tão perdido e as lágrimas estavam constantemente nos olhos de Renée. Ninguém entendia o que se estava a passar.

Edward revezava-se entre os passeios a pé e as cavalgadas nos trilhos das redondezas da casa. Fazia-o durante horas na esperança de encontrar alguma pista condutora, algum sinal sobre o que realmente tinha acontecido com Isabella. Por vezes ia sozinho, outras vezes na companhia de Dean. Este afundava-se ainda mais em culpas do que habitual e refugiava-se na bebida e Edward começou a seguir-lhe os passos, coisa que nunca antes tinha feito. Tudo servia para tentar anestesiar o corpo e distanciar-se da realidade. Nunca antes se tinha sentido tão triste, tão atormentado, preocupado e principalmente sem rumo.

Edward estava sozinho, envolvido pelo silêncio da biblioteca, bebericando do seu copo de whisky. Procurava muito aquele local porque o fazia sentir-se mais próximo dela. Isabella adorava aquele sítio e ele sempre a encontrava ali, rodeada de livros, fantasiando com as aventura que descobria naquelas páginas mágicas. Quando podia ele simplesmente sentava-se no sofá, apenas observando e admirando-a, rindo com as suas expressões e com o entusiasmo que ela aplicava quando falava do que lia.

- Edward… — Chamou a mãe, Elisabeth, irrompendo pela biblioteca.

- O que me quer mãe?

- Precisamos falar filho. Por quanto tempo mais vais permanecer assim?

- Eu não quero falar. Quero apenas que respeite o meu espaço e me deixe em sossego.

- Tens noção que pedes a uma mãe que deixe o seu filho definhar de livre vontade. Isabella não te ama – Quase gritou.

- O que quer dizer com isso?

- Precisas analisar o que aconteceu e enxergar finalmente o óbvio.

- Deixe-se de rodeios minha mãe. O que quer insinuar com isso?

- Isabella provavelmente tem isto planeado desde o inicio. Este casamento para ela pode não ter passado de uma manobra de distracção. Ela vivia oprimida nesta casa.

Edward olhava a mãe, incrédulo e incapaz de acreditar naquelas palavras cruéis que ela acabara de proferir.

- Isabella tomou uma decisão ao casar-se comigo. Ela teve muito tempo para dizer que o não queria.

- E o que é que o teu tio lhe faria caso ela recusasse? Ela acabou por cumprir a vontade do pai, distraindo-o, para que a sua fuga apanhasse toda a gente despercebida.

- Para onde ela iria? Com que dinheiro? E Alice?

- Isabella viajava com uma mala carregada de jóias e vestidos caríssimos que tu mesmo lhe ofereceste. Será muito fácil para ela vender tudo aquilo e começar uma vida longe daqui. E Alice tinha ainda mais motivos para querer ir com ela, vivia infeliz, arrastando-se pelos cantos desta casa.

- A mãe está a delirar…

- Este casamento não foi uma boa ideia. Só me penitencio por não ter sido capaz de ver isso desde o inicio. Tu sabes que ela queria mais para a vida dela do que tu poderias oferecer-lhe.

- Eu poderia ter-lhe oferecido o mundo se ela mo pedisse.

- Isabella assim não o entendeu Edward…

- Não consigo conceber o que me diz. Ela não me pareceu infeliz na semana que passamos juntos. Nós conversamos durante horas, fizemos planos para a nossa vida…

- Edward…

- Ela não seria capaz de me fazer isto. Eu sei que ela não me ama, mas nunca fez questão de mo esconder. Isabella não é falsa, dissimulada como a senhora a faz parecer. Nunca seria capaz de me trair desta forma, nunca me faria isso, não a mim…

- Possivelmente estás enganado quanto a isso. Talvez não a conheças tão bem como pensas.

- Não… Não é verdade… — Murmurou indignado.

- Filho…

- Deixe-me em paz. Não vê que quero estar sozinho?

Elisabeth obedeceu e tristemente afastou-se dele consciente que o filho precisava reflectir nas palavras dela. Retirou-se, magoada pelas suas palavras, embora compreendesse a sua dor. Não queria ter que lhe dizer tudo aquilo mas precisava ver o seu filho livre daquele peso.

A cabeça de Edward girava. Ele estava desorientado e entregue a uma tristeza medonha. Ele era acima de tudo uma pessoa pacifica, feliz e de bem com a vida. Nunca tinha passado por grandes dificuldades e não sabia lidar com toda essa avalanche de sentimentos e frustrações. Aos poucos a dor cedeu a uma raiva destrutiva que tomava conta de si. Desvairado dirigiu-se ao seu ao seu quarto, ligeiramente trôpego e entorpecido pela bebida. Entrou aos tropeções pelo aposento e deixou-se cair pesadamente sobre a cama.

Rosaline, uma criada da casa, entrou se rompante e sem aviso pelo quarto, batendo a porta atrás de si.

- Desculpe senhor, não imaginava encontra-lo nos seus aposentos a esta hora – Desculpou-se depois de lhe lançar um olhar indiscreto, surpresa por vê-lo naquele estado.

Edward voltou então a sua atenção para a moça, extremamente bela que não parava de o fitar. Ela era verdadeiramente bela e atraente. Os compridos cabelos loiros caiam-lhe sobre os ombros e os indiscretos olhos cor de mel estavam presos no corpo de Edward. Não era a primeira vez que ele os notava. Tinha sido sempre assim quando ele estava naquela casa. Aquela moça constantemente o observava enquanto ele sempre tivera toda a sua atenção voltada para um outro sentido. Sem pensar muito, para não correr o risco de desistir, obrigou o seu corpo a agir. Lançou-se sobre ela e encostou-a bruscamente á parede. Os seus corpos embateram e ele pode sentir a respiração acelerada dela e o seu hálito doce. O seu olhar prendeu-se no dela. Permaneceu assim, num enorme impasse. Ela encarava-o surpresa mas não proferiu uma palavra. Edward lutava contra si mesmo. Nele havia apenas uma vontade inexorável de expulsar o amor todo que sentia por Isabella. Parte de si temia que as palavras da sua mãe fossem de facto verdadeiras e que ela nunca mais voltasse. O amor por ela torturava-o e magoava-o desde que se lembrava. Naquele momento odiava aquele amor com todas as suas forças e não aguentava tê-lo mais tempo dentro de si. Encarou novamente Rosaline, observou os lábios carnudos dela e teve uma vontade tremenda de os beijar. Sentiu o desejo percorre-lo mas continuava a debater-se pois aquela atitude era totalmente inconsequente e imprópria dele.

- Rosaline… — Proferiu procurando justificar-se, pronto para se afastar dela.

- Não precisa fugir senhor Cullen – Disse encorajando-o, aproximando perigosamente os seus lábios dos dele.

Edward que estava sob o efeito do álcool parou então de lutar e sucumbiu ao apelo do seu corpo. Beijou-a com brusquidão, enterrando com ódio a sua boca na dela. Rosaline não se queixou dos seus modos violentos, pelo contrário, ficou ainda mais excitada e investiu o seu corpo contra o dele. Tinha sonhado com aquele momento por demasiado tempo.

Edward puxou-a com força em direcção á cama ela deitou-se olhando-o sedutoramente. Edward deixou cair o seu corpo sobre o dela e beijou-a abrangentemente e com sofreguidão. Fez com que ela gemesse de prazer quando beijou a pela exposta do pescoço dela “Aquele olhar tímido com que ela o encarava fascinava-o. Teve vontade de rir ao ver aquele característico sorriso desafiador. Aquele olhar doce de chocolate enfeitiçava-o”. Procurou afastar as lembranças que o invadiam implacáveis e continuou a beijar Rosaline que correspondia em êxtase aos seus beijos e carícias. Mas Edward sentia que apenas o seu corpo estava presente, pois a sua mente continuava a divagar “A forma delicada como ela pousava os seus lábios nos dele, apoderando-se vagarosamente dele, fazendo-o ansiar por mais, beijando-o suavemente, uma e outra vez, antes de o brindar com um beijo capaz de o deixar arrebatado”. Afastou violentamente a boca de Rosaline da sua, introduziu a sua mão por baixo das saias do vestido dela, e arrastando a sua mão percorreu as suas pernas, enquanto ela delirava de desejo e ansiedade por mais “Fechava os olhos quando ele a tocava com uma expressão de deleite no seu rosto e mordia ligeiramente os próprios lábios enquanto passava a mão entre os cabelos dele, fazendo-o delirar”

Edward não aguentou mais o peso daquelas lembranças. Olhou Rosaline e tudo o que sentiu foi vergonha. Forçara-se a sentir prazer com aquela mulher mas não era ela que queria. Ela não significava nada para ele, não era ela que desejava ter ao seu lado, que amava perdidamente. Não seria daquela forma que conseguiria afastar Isabella de si. Levantou-se da cama de rompante enquanto Rosaline o olhava num misto de surpresa, confusão e desilusão.

- Saia por favor. Peço-lhe desculpa pela minha atitude irreflectida. Prometo que não voltara a acontecer.

O rosto da moça enrubesceu de humilhação. Compôs-se e de olhos baixos, saiu do quarto o mais rapidamente que conseguiu.

Edward sentou-se sobre a cama, pensativo. Unira-se a Isabella perante Deus e os homens, prometera-lhe amor e fidelidade. Ela era parte de si, sempre o fora, sempre o seria. Soube naquele instante que esperaria por ela o tempo que fosse preciso porque uma voz dentro de si gritava-lhe que não perdesse as esperanças.

Isabella acordou sobressaltada de um pesadelo. Alguém lhe tocava suavemente do rosto. Ao abrir os olhos ficou surpresa ao observar Damon que a encarava preocupado.

- Que faz aqui? – Perguntou aturdida.

- Perdoe-me a intromissão Isabella, não queria assustá-la, mas os seus gritos ouviam-se no corredor. Fiquei preocupado.

- Foi só um sonho…

- Edward é o seu marido?

- Sim. Porque pergunta? – Inquiriu confusa.

- Gritou por várias vezes o nome dele.

Isabella não se lembrava de detalhes do sonho mas sabia que de facto Edward tinha sido uma presença constante. Tinham passado já duas semanas desde que estava na casa dos Salvatore. Não passara um único dia em que ela tivesse deixado de pensar nele, no que devia estar a sentir e nas dúvidas que certamente o assombravam. Gostava demasiado dele para simplesmente fingir que estava tudo bem e não se preocupar.

- Eu estou preocupada com a minha família Damon. Não acha natural?

- Não é necessário que se preocupe mais. Hoje mesmo uma carta chegará a casa do seu pai. A sua família ficará finalmente a saber o que se passou consigo. Não saberão do seu paradeiro mas pelo menos serão informados de que está bem. Mais tarde serão discutidas condições para que possa voltar.

- Pelo menos isso… — Murmurou – Dói imaginar a aflição de todos.

- Percebo. Mas não necessita mais afligir-se por conta disso.

Isabella levantou-se e apercebeu-se que não estava propriamente composta. Puxou a manta da cama e enrolou-se nela.

- Agora já pode sair…

- Ora Isabella, pensei que estávamos a caminhar para um melhor entendimento. Tem sempre que estragar tudo com essa sua rispidez? É sempre assim na sua vida?

- Apenas com as pessoas que verdadeiramente me irritam – Respondeu com um sorriso provocador.

- Então além de mim mais alguém a irrita verdadeiramente? Pensei que só eu tinha esse poder… — Indagou sorrindo-lhe abertamente.

Isabella corou apenas por causa daquele maldito sorriso de deboche e o seu coração disparou. Continuava a sentir-se perdida em redor dele, como no primeiro dia em que o viu. E isso deixa-a furiosa. Detestava lidar com sentimentos e emoções que não percebia e com as quais não sabia lidar.

Durante aquelas duas semanas, inevitavelmente eles tinham-se aproximado um pouco e estabelecido algum contacto. Conversavam ocasionalmente após as refeições e quando se encontravam pelos cantos da casa. Isabella via-o como um homem extremamente misterioso. Ele nunca falava de si mesmo ou tocava em assuntos mais pessoais. Toda a forma de agir dele era diferente aos olhos dela. As suas motivações internas despertavam a sua curiosidade, embora não o quisesse admitir. Os seus modos de certa forma mais rudes, a sua maneira característica de se expressar de forma directa, sem subterfúgios, agradavam-lhe. Conhecê-lo era um constante e viciante desafio e ela sentia-se bem em redor dele.

- Sim, o meu Pai irrita-me – Respondeu prontamente.

- Mesmo? Confesso que por essa não esperava… — Afirmou surpreso.

- Não foi sempre assim. Mas um dia tudo mudou.

- Porquê? – Perguntou curioso.

- Quando me vi privada de fazer as minhas próprias escolhas. Um dia apercebi-me que nunca fui verdadeiramente dona da minha vida e que era ele quem tomava decisões por mim.

- Curioso finalmente poder ouvi-la falar um pouco de si.

- O que pensa? Que vou entregar-lhe todos os meus segredos sem saber nenhum dos seus? – Inquiriu desafiadora.

Damon olhou-a admirado. Aquela mulher arranjava sempre uma maneira de o surpreender. A ousadia, a força e a coragem que demonstrava perante a adversidade eram apenas algumas das muitas qualidades que ele começava a reconhecer nela.

- Eu sou um livro aberto…

- No entanto nunca antes conheci ninguém tão fechado sobre si mesmo.

- Não tive uma vida fácil e não gosto de falar sobre mim, sobre o meu passado…

- Talvez seja falta de ter com quem falar. Quer contar-me mais sobre esse passado que tanto o perturba?

- Quem sabe depois do pequeno-almoço – Respondeu melancolicamente, aguçando ainda mais a curiosidade dela – Mas antes disso preciso de algo seu…

Damon vagou pelo quarto até encontrar o vestido que ela usara no dia anterior. Com brusquidão arrancou um pedaço do vestido.

- Peço-lhe desculpa pelo estrago no vestido mas é necessário. Espero por si lá em baixo – Disse, saindo.

Enquanto caminhava pelo corredor em direcção á escadaria, Damon olhou o pedaço de tecido e sentiu a textura dele na sua mão. Não conseguiu controlar o impulso de o aproximar do seu rosto e inalou o perfume magnífico que dele provinha. O mesmo que sentia sempre que Isabella estava presente.

Edward e a sua mãe estavam sentados á mesa de refeições juntamente com todos os membros da família Swan quando um criado da casa os interrompeu, irrompendo afoito pela sala.

- Senhor Swan… senhor Swan…

- Pois não? – Indagou Charlie.

- Entregaram-me esta carta no mercado, vem especialmente endereçada a si.

- De que se trata?

- Não sei senhor, não tem o remetente.

Charlie apressou-se a ler a carta perante os olhares curiosos e expectantes dos outros.

- A carta é de Isabella meu tio? Seja o que for diga de uma vez… — Pediu Edward levantando-se da mesa. O seu coração disparava de ansiedade.

- Alguém tem Isabella e Alice cativas. Não se identificam. Apenas indicam que entrarão em contacto novamente – Anunciou Charlie com assombro.

Retirou depois dois pedaços de tecido do interior do envelope e entregou um a Dean e outro a Edward. Este último olhou o retalho na sua mão e aproximou-o do rosto sentindo o perfume de Isabella. Apesar o ter o coração apertado não pode deixar de sorrir e de se sentir feliz. Por mais preocupação que sentisse, esta era obrigatoriamente acompanhada por um enorme alivio. Ela estava algures próximo dele a sua intuição dizia-lhe que ela estava certamente bem. Quaisquer que fossem as condições das pessoas que a haviam levado, ele as aceitaria, prontamente. Sabia agora que os seus receios, incentivados pela mãe, eram infundados. Isso era motivo suficiente para ele experimentar um pouco de paz. Isabella não tinha fugido de livre e espontânea vontade e onde ela estivesse provavelmente também ansiava por voltar a casa.

- A senhora ouviu bem? – Perguntou á mãe.

- Que insinuas? Por acaso pensas que não estou feliz por saber que Isabella está bem? Acaso julgas que quero a tua infelicidade?

- Quem acha que poderá ter interesse e ainda mais a ousadia de fazer uma coisa dessas? – Perguntou a Charlie, desviando a sua atenção da mãe.

- Não faço ideia. Alguém me quer mal com certeza. Vão exigir mundos e fundos.

- E o senhor meu tio vai agora pensar nisso? – Inquiriu indignado.

- Vou aumentar o número de homens. Agora é mais importante que nunca que percorram todas as casas, que façam perguntas. É necessário indagar pois pode surgir alguma pista sobre o paradeiro das duas. Pode existir alguém que tenha visto alguma coisa.

- Estas pessoas não podem simplesmente querer só o seu dinheiro ou não se dariam ao pormenor sórdido de deixar a família delas nesta aflição durante todo este tempo. O senhor não faz mesmo ideia de quem poderá ser? Algum ajuste de contas?

- Vais agora questionar-me? – Perguntou Charlie, furioso.

- Se for necessário… — Respondeu Edward, aumentando o tom de voz, afirmando-se, encarando o tio com rancor, pela petulância que ele demonstrava perante uma situação tão delicada quanto aquela.

- Já chega… — Berrou Dean, impondo-se, tomando consciência de que os ânimos estavam demasiado exaltados – Edward não sei quanto a ti mas por mim esta refeição está terminada. Acompanhas-me até lá fora?

- Acompanho – Afirmou, mas não sem antes abraçar Renée que estava lavada em lágrimas. Edward percebeu que eram lágrimas de alívio – Acalme-se, Isabella e Alice estão bem minha tia, mais cedo do que esperamos estarão de volta.

- Será mesmo Edward? – Perguntou Eval a medo, entre soluços.

- Com toda a certeza meninas – Abraçando também as duas.

Tinham sido as duas semanas mais difíceis da vida daquelas meninas. Longe da irmã que tanto adoravam, sem qualquer noticia, indagando também sobre o facto de Isabella as ter abandonado. Edward abraçava-as com força, reconfortando-as da aflição que tinham vivido. Queria transmitir-lhe com segurança que tudo acabaria bem e que logo ela estaria ali com elas.

Uma boa noite linda havia caído. Damon, deitado na relva, observava a enorme lua cheia que brilhava no céu escuro estrelado.

- Posso fazer-lhe companhia? – Perguntou Isabella aproximando-se sorrateiramente.

- Claro, faça favor…

- Também gosto de observar as estrelas – Confessou.

- Esvazia a mente e acalma-me…

- Hoje quando desci já não o encontrei.

- Surgiu um assunto urgente. Infelizmente não pude ficar.

- Não é necessário justificar-se. Procurei-o agora porque quero muito falar-lhe.

- Do que se trata? – Indagou curioso.

- Na verdade eu tenho andado a reunir coragem, pude perceber que não gosta de falar do passado como hoje mesmo me disse.

- Verdade…

- E eu peço-lhe desculpa por isso. Mas é necessário que escute o que tenho a lhe dizer.

- Pois fale Isabella.

- Como lhe adiantei hoje de manhã, em pequena eu adorava o meu pai. Mas acontece que a minha opinião sobre ele começou a mudar precisamente á 6 anos atrás. As discussões entre o meu pai e meu irmão tornavam-se cada vez mais frequentes. O meu irmão não demonstrava interesse nos negócios e desenvolvia cada vez mais divergências de opinião com o meu pai. Um dia eu assisti, abraçada á minha mãe, á maior discussão entre eles. Dean estava perdidamente apaixonado. Ele pediu autorização ao meu pai para casar. Eu pensei que o tecto da casa iria ruir naquele momento. A moça era de origens pobres e o meu pai gritava com o meu irmão sem parar.

- Isabella, acho melhor que pare…

- Precisa escutar Damon. O meu irmão sofreu horrores. Ainda sofre.

- Porque se dá ao trabalho de me explicar tudo isso?

- Porque precisa entender que Katherine foi amada. Meu irmão não foi um simples infame. Não lhe mentiu, não a enganou…

- No entanto abandonou-a.

- Eu assisti ao que ele passou. Damon, o Dean não sabe o que lhe aconteceu. Pode não acreditar em mim mas eu sei que ele ainda a ama. Não passa um único dia em que ele não pense nela. Acha que ele ama Alice?

- No entanto casou-se com ela.

- Nós não temos escolha Damon. Sei que não entende porque foi educado de forma bem diferente. Apesar das privações e de todas as dificuldades nunca vos faltou liberdade de escolha. Eu e o meu irmão não tivemos a mesma sorte. São os nossos pais que decidem o nosso caminho. Se o meu irmão não fizesse o que o meu pai mandava ele nunca mais poderia voltar a casa, aproximar-se das irmãs, da minha mãe…

- E do dinheiro do seu pai.

- Também. Mas não foi isso que pesou na decisão do meu irmão.

- Ele escolheu o caminho mais simples…

- Acredite que não é assim tão linear Damon. Acha que posso ir contra o que o meu pai me ordena? Não imagina o que me aconteceria…

- Ele sabia desde o inicio que o seu pai nunca aprovaria o relacionamento com a minha irmã. Então porque não se afastou dela? Porque não a poupou a todo o sofrimento?

- Porque é humano e errou… Conheço o meu irmão, sei que ele era movido pela esperança de vir a convencer o meu pai a aceitar aquela relação. Quero que tome consciência disso, para que saiba que ela marcou a vida dele irreversivelmente. Dean não voltará jamais a amar alguém da mesma forma.

Damon voltou o rosto novamente para o céu estrelado e não voltou a falar. Isabella sentiu que ele se debatia contra as memórias que por certo lhe afloravam á mente. Decidiu então deixá-lo a sós.

- Até amanhã Damon – Despediu-se, levantando-se.

- Tenha uma boa noite. E… obrigado…

Isabella dirigia-se para casa quando o ouviu chamar.

- Isabella…

- Sim? – Perguntou, voltando o rosto na direcção dele.

- Amanhã acompanha-me num passeio a cavalo?

- Nunca se sabe… — Respondeu sorrindo-lhe.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo! Tenho andado bastante ocupada, novo emprego, dai ter demorado mais a postar.

Não se esqueçam de deixar comentários… Tb ainda não escolhi o final, e os comentários tb ajudam, falem-me das vossas personagens favoritas!

Obrigada

Bjs, Ana