Notas iniciais
Finalmente o casamento de Isabella e Edward...

A igreja estava apinhada de gente. Edward não conseguia esconder o nervosismo, passarinhava ora para cá, ora para lá, olhando insistentemente para a porta. O seu coração estava acelerado e tinha a estranha sensação que ele era capaz de lhe sair pela boca. O que ouvira na biblioteca ainda estava demasiado presente na sua mente. Durante todo o tempo do seu noivado nunca pusera de lado a hipótese de algo estranho estar a acontecer. Na verdade sempre achara estranho Isabella ter aceite o pedido de casamento mas, era penoso demais aceitar que ela não tinha sentimentos por ele. Aquele, era suposto ser, o dia mais feliz da sua vida. No entanto, vivia sem duvida o seu momento mais angustiante.

De repente, apanhando-o desprevenido, a orquestra começou a tocar e as notas doces irromperam pelo recinto, criando uma atmosfera surreal.

Quando Edward a viu entrar, imensamente bela, com passos leves, quase mágicos, pensou estar a sonhar. Assemelhava-se a uma ninfa do oceano. Aquelas belas criaturas que encantam os indefesos marinheiros e os arrastam para uma morte lenta e dolorosa nas profundezas tenebrosas do mar. Enquanto Isabella avançava na sua direcção, pela mão do pai, ao som da música, teve a certeza que nunca antes tivera tão bela visão.

E foi ai, nesse mesmo instante que, subitamente uma tristeza imensa lhe inundou o coração. O olhar dela não tinha o brilho do costume, não transmitia absolutamente nada, apenas um enorme vácuo, um buraco negro. Todo o seu corpo estremeceu e um arrepio gélido atravessou-lhe a espinha ao aperceber-se da tristeza da mulher que amava. Perguntou-se se o amor avassalador que sentia por ela, seria capaz de lhe causar a infelicidade.

Isabella por sua vez estava muito nervosa, com todos aqueles olhos postos em si. Quando chegou perto dele, esforçou-se por sorrir. Edward instintivamente baixou os olhos por segundos com receio de a enfrentar e de seguida pegando-lhe na mão conduziu-a ao altar.

Ajoelharam-se frente ao altar e a cerimónia começou.

- Uma vez que é vosso propósito contrair o santo Matrimónio, uni as mãos direitas e manifestai o vosso consentimento na presença de Deus e da sua Igreja – Disse o Padre quando chegou o momento auge da cerimónia.

Isabella e Edward uniram as mãos e encararam-se prontos para fazerem os votos.

- Eu Edward Anthony Cullen, recebo-te por minha mulher a ti Isabella, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, todos os dias da nossa vida.

Isabella olhou para o seu futuro marido, inspirou fundo e prosseguiu com os seus votos, resignando-se.

- Eu Isabella Marie Swan, recebo-te por meu marido a ti Edward, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, nossa vida.

- Agora os noivos coloquem as alianças – Continuou o padre.

- Isabella, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade – Disse Edward colocando a aliança no dedo de Isabella, encarando-a.

- Edward, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade.

- Eu vos declaro marido e mulher – Terminou o padre, dando por terminada a cerimónia.

Nesse momento Edward fitou Isabella com os seus lindos olhos verdes e inclinou-se para ela, aproximando-se. Segurou o rosto dela nas suas mãos e depositou um beijo suave sobre os seus lábios. O beijo que selava por fim o compromisso dos dois, para alegria de todos os que assistiam à cerimónia. Isabella apercebeu-se então que este fora o primeiro beijo que ela e Edward tinham trocado desde daquele beijo inocente de crianças. O primeiro beijo do homem que se tornara naquele momento seu marido.

O jardim dos Swan estava irreconhecível, tudo estava envolto num ambiente festivo e alegre, os criados andavam daqui para ali apressadamente. Tentando fazer com que tudo estivesse perfeito e em ordem para a chegada dos noivos. Á medida que iam entrando, os convidados, que seguiram na frente para assistirem á recepção dos noivos, iam tomando os seus lugares. Em todos os espaços distribuíam-se mesas cobertas com toalhas brancas debruadas a ouro e decoradas com bonitos arranjos florais. Desde o grande portão até à entrada do jardim fora estendida uma enorme passadeira vermelha, enormes arcos de flores estendiam-se em todo o seu comprimento, envoltos num véu dourado.

As criadas atarefadas, circulavam entre os convidados, que se iam servindo, transportando bandejas carregadas com as mais deliciosas e variadas comidas. Perto da enorme fonte do jardim, uma orquestra tocava músicas alegres e ritmadas, tornando todo o ambiente ainda mais mágico.

Tudo parou com a notícia da chegada dos recém-casados. As carruagens pararam em frentes aos portões e todos se levantaram para saudar os noivos.

Edward conduzia Isabella que se mantinha serena a seu lado. Mal os noivos se sentaram, Charlie Swan deu ordem para que o banquete começasse.

Durante o jantar falava-se de tudo um pouco, discutia-se literatura, política e economia entre um petisco e o outro. Isto faziam os adultos, porque as crianças aproveitavam todos os intervalos para se escaparem da mesa e levarem a cabo um número sem fim de brincadeiras engraçadas. Isabella permaneceu distante, observava os que a rodeavam embora não escutasse verdadeiramente as suas conversas. Edward procurava sempre sorrir-lhe quando os seus olhares se cruzavam. Ela sentia-se profundamente envergonhada com tudo aquilo, no fundo de si queria muito corresponder, retribuir o carinho daquela pessoa que sorria para ela tão abertamente, como nenhuma outra.

Entre a comida, as conversas animadas e as histórias, o tempo foi passando e quando a noite caiu sobre a mansão a festa ainda perdurava animada.

Isabella foi apanhada de surpresa quando Charlie deu a ordem para que orquestra iniciasse a valsa.

- Senhora Isabella Cullen, dá-me a honra desta dança? – Perguntou Edward estendendo-lhe a mão. Isabella estranhou ao ouvir o seu novo nome ser prenunciado. Todos os olhares estavam postos nela naquele momento. Pousou a sua mão sobre a dele e acompanhou-o. Os convidados levantaram-se todos para assistirem à abertura da dança pelos noivos.

Ela dançava agora suavemente nos seus braços deixando-se conduzir, fixando os olhos no rosto do seu marido. Não poderia jamais negar a sua beleza. Mas era essa mesma beleza que a amedrontava. Não queria deixar-se encantar pelo aspecto exterior daquele homem, queria poder gostar dele por inteiro. Mas a verdade é que, tal como dissera Alice, ela não conhecia nada dele.

- O teu Pai esmerou-se na festa, está tudo perfeito – Disse Edward, tentando quebrar o gelo entre os dois.

- É verdade, está tudo lindo.

- Tu estás linda.

- Obrigada – Disse Isabella, corando subitamente. Não estava habituada a receber elogios do género.

- Perdão por interromper – Disse Dean aproximando-se deles – Vim roubar a noiva para uma dança.

Enquanto dançava com Dean, Isabella observou Edward a dirigir-se a Alice, tirando-a para uma dança. A sua cunhada pareceu ficar feliz com a atitude dele e acompanhou-o contente.

- Como era ela Dean? De que forma arrebatou o teu coração?

Dean encarou a irmã, surpreso com a sua pergunta.

- Diferente de todas as que já conheci. Não era fútil como essas damas da sociedade que só pensam em vestidos, jóias e festas. Extremamente bela. Eu amava a alegria que ela transmitia, o seu sorriso irresistível, a sua simplicidade e jovialidade. Invejava a liberdade dela e o seu mundo. Era feliz com o que tinha. Não era obrigada a viver segundo regras de etiquetas e convenções.

- É por isso que ages assim com Alice? Porque foi ela a causadora do fim do teu romance?

- Não Bella, a culpa foi toda minha. Foi a minha cobardia que nos afastou. Eu podia ter largado tudo para ficar com ela. Faltou-me coragem. E eu nunca, nem por um momento, me vou perdoar. Alice é tão vítima como eu. Mas eu sou incapaz de sentir o que quer que seja a não ser um enorme vazio. Vou sempre penar pela infelicidade que causei e ainda causo.

- Eu estou preocupada com ela. Está muito abatida devido á minha mudança. Devias zelar mais por ela. Se não podes amá-la pelo menos procura respeitá-la. Podem ser amigos e confidentes. Não precisas tratá-la com indiferença, como se ela nem existisse. Dean, como tu mesmo disseste, Alice não tem culpa nenhuma do que se passou.

- Não precisas preocupar-te, eu prometo ajeitar as coisas.

- Sabes o que aconteceu com ela? Tentas-te procura-la alguma vez?

- Não. A minha covardia não me permitiu. Não depois do que lhe fiz. Nunca me vou esquecer da expressão no seu rosto enquanto eu lhe dizia que não a amava, que não significou mais do que diversão para mim. Eu assisti à alegria a deixar aqueles lindos olhos que encaravam o monstro horrível na sua frente. Nós fizemos promessas, trocamos juras de amor. Tudo se desvaneceu ali, perante o seu olhar de desespero. Bella, ela era a minha vida, e eu a deixei. Odeio-me por isso.

- Talvez devesses procurar por ela. Falar-lhe, vê-la. Isso podia fazer-te bem. Quem sabe não ajudaria a enterrar esse passado que tanto te atormenta. Hoje ela pode estar feliz, ter esquecido todos esses maus momentos. Ver isso poderá tirar esse peso que carregas nos ombros e quem sabe abrir um caminho para a tua própria felicidade.

— Quem sabe um dia. Agora preocupo-me também contigo, com a tua felicidade.

— A minha história não é a tua Dean. Vou começar uma vida com o coração por preencher, isso muda tudo. Eu só sou sonhadora demais. Chegou a altura de assentar os pés na terra. Ficarei bem – Tranquilizou-o.

— Confio que sim. Vamos sentar-nos um pouco?

Isabella acompanhou o irmão até á mesa. Sentia dó dele. Pelo pesadelo em que a sua vida se tornara. Não pode deixar de pensar naquela rapariga também. Na dor que o seu irmão lhe tinha causado. Mas apesar de tudo, Isabella não era capaz de ver o irmão como um monstro. Era apenas um humano que errara. Fora forçado a isso pelo pai e pelas circunstâncias. A forma como ele constantemente se martirizava já era um enorme castigo.

— Estás bem? – Perguntou Edward juntando-se a ela.

— Cansada — respondeu-lhe Isabella, suspirando — Acho que vou subir. Será que alguém vai notar a minha falta?

— Acho que podes ir, a festa não tarda em acabar. É normal que estejas cansada. Foi um dia exaustivo para todos. Eu fico mais um pouco.

Isabella esgueirou-se, tentando passar despercebida e caminhou em direcção a casa. Os convidados estavam demasiado animados com as danças que nem repararam na sua saída. Edward ficou a vê-la partir.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)

Demorou mais do que previa, deu imenso trabalho para acabar porque o próximo, a primeira noite do casal, está também concluído. Logo que efectue a revisão final posso postar.

Comentem por favor!!!

Bjs, Ana