Notas iniciais
Neste capitulo voltamos à casa dos Salvatore, um pouco mais de Damon e Stefan

Damon acordou sobressaltado. Os raios de sol já invadiam a vidraça da enorme janela do seu quarto.

Olhou para o lado e ela já não estava ali. Ficou feliz por isso. Fora uma noite bastante agradável, a companhia daquela linda criada tinha-o feito sentir-se bem consigo mesmo novamente. Tinha-lhe trazido alguma alegria e proveito que ultimamente não conseguia enxergar na vida. Mas para ele tinha sido apenas mais uma noite na companhia de uma mulher que não significava nada. Damon deixara isso bem claro na noite anterior. Não tinha feito nada contra a vontade dela. Pelo contrário, fizera questão de se certificar que ela já não era nenhuma donzela pura. Ele jamais se tornaria no monstro que mais abominava. Recusava-se a deixar uma marca em alguém. Não queria tornar-se importante para uma pessoa quando não se sentia capaz de corresponder aos seus sentimentos. Nunca enganaria uma mulher ou destruiria a sua vida em prol do seu próprio prazer.

Vestiu-se rapidamente e desceu. Tinha esperança de encontrar o irmão em casa para que pudessem conversar, tentar chegar a um consenso. Passar todos os momentos que estava com ele a discutir não lhe agradava nada. Por mais desavenças que tivessem tido, ele adorava o irmão e não suportava vê-lo infeliz. A dor de Stefan era a principal causa de angústia de Damon.

Quando chegou ao salão de jantar pode verificar que Stefan já tinha tomado o pequeno-almoço visto que apenas se encontrava um prato posto na mesa.

- Bom dia senhor – Cumprimentou-o Charles, o mordomo.

- Bom dia Charles! Por acaso sabes por onde anda o meu irmão?

- No jardim senhor, penso que foi cavalgar. Já foi há um bom tempo, não deve tardar. Posso servi-lo?

- Sim por favor.

Enquanto esperava por ser servido o seu olhar vagou pelo salão.

Flashback on

Damon preparava-se para entrar em casa, chegado de um dia de trabalho quando ouviu os gritos vindos da casa.

- Onde estavas? – Berrava Stefan.

- Já te disse. Estava no rio com Mariana, a lavar a roupa.

- A quem pensas tu que enganas Katherine?

- Para de me perseguir e de tentar controlar a minha vida.

- Eu sou teu irmão, preocupo-me contigo. Se pensas que eu vou esconder do Damon que agora deste para desaparecer durante a tarde podes desenganar-te porque eu vou contar-lhe.

- O que há para ser contado? – Perguntou Damon, interrompendo a discussão dos dois irmãos.

- Nada – Respondeu Katherine – O Stefan não para de me importunar. Eu agora nem posso estar com as minhas amigas porque ele quer proibir-me de sair de casa.

- Stefan sai por favor. Quero conversar com a nossa irmã – Pediu Damon.

O irmão obedeceu contrariado deixando Damon e Katherine sozinhos.

- O que se passa minha flor? Tu a discutires com Stefan não é nada habitual, tu costumas andar sempre atrelada a ele.

- Costumava. Mas agora sinto falta do meu próprio espaço. Ele não parece perceber isso.

- Preocupa-se demasiado contigo. É por isso que age assim.

- Não tem razão alguma para que ele se preocupe.

- Não mesmo?

- Nenhuma. Vocês dois ensinaram-me a defender-me muito bem.

- Existem coisas que nenhum de nós te pode ensinar. A vida não é fácil e as pessoas não são todas confiáveis. Eu sei o quando tu és forte e diferente das outras raparigas da tua idade mas por vezes só conseguimos aprender com os nossos próprios erros. Eu não quero que te magoes, nunca.

- Eu não estou a fazer nada de errado Damon.

- Eu vou falar com o Stefan. Eu confio em ti. Espero que não traias essa confiança.

- Nunca me perdoaria se o fizesse — Disse-lhe a irmã, proferindo-lhe um doce beijo na testa e saindo a correr de seguida.

A sua pequena irmã tinha-se transformado numa linda mulher. Os seus cabelos negros, longos e encaracolados, caiam-lhe. Ela possuía uns profundos olhos negros e aquela pele de azeitona que tanto o faziam lembrar da mãe. E quando Katherine ria era impossível não rir também, a sua alegria era contagiante. Ela era a sua adorada. Não havia nada que ele não estivesse disposto a fazer por ela. Por vezes até sentia ciúmes da cumplicidade dela com Stefan. Porque ele tinha a certeza que, apesar de ultimamente passarem os dias a discutir, Stefan e Katherine não sabiam viver um sem o outro, era amigos demais para isso.

- Damon eu estou preocupado com Katherine – Disse Stefan, entrando em casa, após a saída da irmã.

- Porquê tanta preocupação?

- Pois isso é o que eu gostaria de saber. Ela está distante de mim, já não fala mais comigo como dantes. Parece que está sempre a fugir de mim.

- Isso é porque ela já não é nenhuma menina Stefan. Ela agora é uma mulher. É normal que não se sinta mais a vontade para falar contigo. Ela está sempre com as meninas ai da vizinhança. Quanto mais tentas prende-la mais ela fugirá de ti.

- Será mesmo isso?

- E o que haveria de ser? Eu até acho muito bem que ela se dê com raparigas da idade dela. Eu sei bem o quanto é difícil para ela tornar-se uma mulher sem a presença da mãe. Ela só teve a nós e ao pai. Depois que ele faleceu ela ficou só ao nosso cuidado. E tu não compreendes que a nossa irmã precise da companhia feminina?

- E isso é razão para ela se afastar de mim?

- Ora Stefan para de andar agarrado às saias da nossa irmã. Ela precisa do seu espaço.

- Não é a companhia das outras raparigas que me aflige. E ela contou-te por acaso que aquele rapaz rico não para de rondar a nossa comunidade. Porquê? Que interesses tem ele por estas bandas? Porque é que no outro dia os encontrei proseando junto ao rio? Tu pensas que é sisma minha mas eu cá acho que temos que mantê-la debaixo de olho.

- Vamos tranca-la em casa só porque ela se tornou numa linda mulher que chama a atenção dos rapazes? Deixa Katherine em paz Stefan.

- Tu mesmo disseste que ela cresceu sem uma Mãe. Ela é demasiado inocente. Não vê onde a malícia se esconde. E tu és demasiado permissivo com a nossa irmã.

- Deixa-a viver, ela é uma menina ajuizada, eu confio nela e tu devias fazer o mesmo.

Flashback off

Quando terminou de comer Damon saiu para o jardim e foi ter com o irmão que já tinha chegado.

- Como estás? – Perguntou-lhe Damon.

- Não percebi a pergunta — Respondeu Stefan rispidamente.

- Podes não te aperceber disso mas eu preocupo-me contigo.

- Pois não precisas. Devias era ocupar-te dos negócios, isso é que importante para nós no momento.

Damon não aguentava ver Stefan a debater-se todos os dias contra a culpa. Olhava para o irmão via um rapaz lindo, como uma vida magnífica pela frente. Se era demasiado tarde para ele ser feliz, não era tarde para o seu irmão. Stefan tinha tudo, juventude, riqueza, beleza. Damon estava farto de permitir que ele se afundasse. Não ia continuar a consentir que o irmão não vivesse, não lutasse pela sua felicidade.

- Quando vais parar de te culpar? – Perguntou-lhe Damon.

Stefan não esperava pela pergunta e encarou o irmão tristemente.

- Nunca.

- Não foi nossa a culpa do que aconteceu.

- Acreditas verdadeiramente nessas palavras ou apenas repetes isso para ti próprio vezes sem conta para te convenceres?

- Não adianta nada continuares a torturar-te. Como tu mesmo dizes vezes sem conta o tempo não anda para trás. Basta de te prenderes ao passado.

- Se pelo menos fosse fácil assim. Não passa um único dia em que eu pense no que poderíamos ter feito de diferente. Podíamos ter feito muito mais do que fizemos. Devíamos ter sido mais vigilantes, mais atentos. E quando o mal já estava todo feito tínhamos obrigação de criticar menos e apoia-la mais. Mas nós estragamos tudo – Disse Stefan – Devíamos ter acabado com a vida do desgraçado naquele mesmo dia. Como pudemos ficar sem fazer nada?

- Já falamos neste assunto demasiadas vezes. Quem nos teria dado razão? Seria a nossa palavra contra a de uma família cheia de poder, de dinheiro e influência. Teríamos apodrecido numa prisão.

- Não aguento saber que ele continua impune depois de todo o mal que nos fez.

- E eu não aguento mais ver-te assim. Não vês que não posso deixar que te arruínes? Olha bem para ti. Tens uma vida pela frente. Devias estar preocupado em arranjares um casamento, construir uma família. Tens que parar de te martirizar.

- Tu sabes que só vou ter paz quando tiver a minha desforra. Foi por isso que lutamos, foi esse objectivo que nos trouxe força e alento para chegarmos até aqui. Já não somos os farrapos que costumávamos ser. Toda a influência que a custo conquistamos, vai ser importante para a concretização do nosso propósito. O meu único consolo é saber que o momento de se fazer justiça está mais próximo do que nunca.

- O que queres dizer com isso? – Perguntou Damon, afligido.

- Para que eu me case tu terias que o fazer primeiro, não é costume o irmão mais novo casar primeiro – Continuou Stefan, desviando o assunto de conversa – Não é mesmo?

- Sabes bem que de onde viemos não á lugar para essas convicções.

- A irmã do desgraçado casa hoje – Disse Stefan, mudando novamente de assunto.

- Já fiquei sabendo.

— Aqueles malditos nem tiveram a cortesia de nos enviarem um convite.

- Eles não nos conhecem. Nem nós a eles. Não fazem ideia de quem somos.

- Bem sei que não sabem quem somos. Mas por certo conhecem o nosso nome. O velho está bem atento à expansão dos nossos negócios e á relação de amizade que temos com o duque. Pensei que isso fosse suficiente para nos enviarem um convite.

- Stefan não te iludas, para Charlie Swan não importa a quantidade de dinheiro que possuímos, os Salvatore são apenas novos-ricos e nada mais. Para ele sempre vamos ser dois indignos sem brasão. E eu também nunca poria os pés naquela casa. Um dia ficarão a saber quem somos, agora não é o momento.

Notas finais
Gostaram?
Não deixem de comentar por favor, é muito importante para mim, digam-me tudo o que pensam, do enredo, personagens, o que posso melhorar... tudo mesmo

Obrigada :)

Bjs, Ana