Erros do Passado
25 Capítulo 25
Dean sentou-se ao lado da irmã e brindou-a com um caloroso abraço. Isabella enterrou a cara no peito dele e não se moveu durante segundos. Deixou-se estar ali embalada pelo conforto daquele gesto. Estava imensamente triste e sentia-se frágil como nunca. Mal conseguia vislumbrar a Isabella guerreira de outrora, a menina lutadora, senhora de si mesma, cheia de coragem. Naquele instante, protegida pelos braços do irmão, não era mais que uma menina amedrontada.
— Eval, Adrial, vão por favor brincar com Sam lá para fora sim? Preciso conversar um pouco com a nossa irmã – Pediu Dean.
As duas, ainda espantadas com a reacção de Edward, obedeceram prontamente. Isabella ficou-lhes grata e orgulhosa pela maturidade delas. Podiam ser inconvenientes e intrometidas em várias situações mas sempre eram capazes de perceber quando deixava de ser altura para brincadeiras.
— Sentes saudades dele? – Perguntou Dean, quando ficaram sozinhas.
— Sinto… — Confessou a custo – Mas isso não significa nada. Estas semanas têm sido para mim um pesadelo. Eu sei que o mereço, mas essa consciência não faz com que seja menos custoso. Ele fazia-me rir á gargalhada. Eu sinto falta até de sorrir.
— Posso imaginar. O Edward não está a ajudar pois não?
— Eu entendo-o… — Proferiu tristemente – Eu desiludi-o, destrui a confiança que ele tinha em mim. Como poderia não o compreender?
— E eu compreendo-te a ti, melhor que ninguém. Eu sei o que é sonhar com algo mais. Ser tentado por uma vida completamente diferente da nossa.
— Não tinha esse direito, não depois de lhe ter jurado fidelidade.
— Tu podias ter voltado as costas a tudo e no entanto estás aqui. Em algum momento ele cairá em si e verá isso – Consolou-a.
- É melhor eu ir atrás dele…
— Não Bella, é melhor não… Deixa que eu vou – Pediu.
Dean caminhou em redor da casa á procura de um sinal dele. Depois de ter descoberto da morte de katherine tinha passado por momentos de autêntico desespero e Edward não deixou de estar ao seu lado, nem por um momento. Agora havia chegado a sua vez de estar preocupado com o primo.
Vislumbrou-o por fim ao chegar ao pé da lagoa que havia nas redondezas da casa. Estava com os pés descalços dentro da água, bebendo directamente da garrafa de Whisky que tinha levado consigo. Ficou estático durante segundos apenas observando a cena. Nada daquela atitude era normal dele e não fosse o facto de ser uma situação difícil, teria certamente rido daquela caricata cena.
- Edward… — Chamou, fazendo com que ele voltasse a atenção para si.
- Deixa-me sozinho – Resmungou.
- Tu nunca me deixaste só, como esperas que faça isso contigo?
- Começo a sentir-me a mais nesta maldita casa. Talvez seja caso de eu sair e de ele vir viver para cá. Ficavam todos em família. E quem ia estranhar? Já que tanto o admiram…
- Precisas parar com isto de uma vez Edward, sou eu quem te pede…
- És capaz de a defender?
- Tu vais acabar por destruir tudo entre vocês.
- Eu? – Perguntou furioso.
- Estás a afastá-la de ti a cada dia que passa e o pior é que me parece que não é esse realmente o teu desejo. Estás a deixar o orgulho tomar conta de ti. Vais perdê-la…
- Eu já a perdi… — Proferiu consternando.
- Edward por deus, porque te custa tanto entender? Ela voltou, está aqui ao teu lado. Foram inúmeras a hipóteses que teve para fazer uma escolha diferente. E no entanto se continuares a agir dessa forma, mais tarde ou mais cedo, vais fazer com que ela se arrependa. Isabella está infeliz.
Edward estava desconcertado. Sentia-se completamente confuso embora as palavras de Dean fizessem todo sentido, ele continuava a debater-te contra aquelas ideias. Tinha a consciência de que estava a fazer a pessoa que mais amava infeliz. No entanto era movido pela dor que ela lhe havia causado. Mas não era com gosto e muito menos com prazer que observava o seu rosto triste e magoado pelas cruéis palavras com que a atingia. Era verdade o que Dean acabava de dizer, mesmo depois de tudo, não queria deixa-la ir, não suportava a ideia de viver longe dela.
- Preciso pensar Dean… — murmurou custo.
- Tudo bem, mas isto vai comigo… — Arrancando a garrafa das mãos dele e rindo alto – Acredita em mim primo, o Whisky não é uma boa companhia. Falo por experiencia própria.
Afastou-se então deixando Edward a sós. Sabia que ele por certo pensaria nas suas palavras e que eventualmente cairia em si.
No dia seguinte Isabella acordou cedo mas permaneceu na cama, incapaz de se levantar. Partiriam naquela manhã para fazenda e ela não conseguia deixar de estar apreensiva com a viagem. Partir para a fazenda naquele momento tão sensível que atravessa deixava-a amedrontada. Saber que a família toda a acompanharia era única coisa que lhe transmitia certa segurança.
- Isabella… — Chamou Eval, batendo á porta – Podemos entrar?
- Entrem.
As duas irmãs entraram animadas no quarto, seguidas por Sam e ficaram surpresas por vê-la na cama.
- Edward pediu-nos para virmos ver se estava tudo bem. Nunca mais descias – Explicou Adriel.
- Ainda não estás vestida? Os criados já estão a por as bagagens nas carruagens. É tardíssimo – Inquiriu a outra irmã.
- Vocês acordaram bem-dispostas hoje – Observou Isabella fazendo cócegas ao Sam que se havia sentado junto dela na cama. O pequeno rebolou a rir.
- Perdeste o pequeno-almoço. Edward esteve a contar-nos como é tudo lá na fazenda – Contou Adriel.
- Mal posso esperar pelos bailes nocturnos, pelos chãs da tarde, pelos arraias dos trabalhadores.
- Pois bem, uma de vocês que desça com o Sam e outra que fique por favor comigo para me ajudar a preparar. Vamos ver se me deixo entusiasmar por toda a vossa energia – Disse Isabella, suspirando.
Pouco depois Isabella desceu na companhia de Adriel, ambas carregadas com as barragens, ao encontro da família. Já estavam todos reunidos no hall, prontos para partirem. Edward mal as viu precipitou-se ao encontro delas e arrancou a mala das mãos de Isabella que o olhou surpresa.
- Eu levo isso. Não convêm fazeres esforços.
- Não está pesada.
- Ainda assim – Afirmou lançando-lhe um olhar de preocupação – Estás bem? Estava a começar a ficar preocupado.
- Está tudo bem comigo e com o bebé. Não te preocupes – Disse-lhe Isabella que não pode deixar de se sentir feliz pela preocupação e delicadeza dele. Estava apreensiva, dado a reacção dele à carta de Damon no dia anterior. Ficou aliviada por saber que a fúria repentina já lhe havia passado.
No exterior Isabella viu a mãe, o pai e as irmãs dirigirem-se para uma carruagem e Dean de mão dada com o pequeno Sam dirigiu-se para a carruagem em que Edward viajaria. Isabella seguiu então a mãe, calculando que seria a melhor atitude a tomar.
— Vem antes comigo – Pediu-lhe Edward, puxando-lhe pelo braço.
Isabella seguiu-o então, entrando com ele para a carruagem e sentando-se ao seu lado. Quando seguiram viagem, olhou através da janela, observando a paisagem. Tinha em mente um único desejo, conseguir o perdão de Edward e ser feliz ao seu lado. Angustiava-a pensar que isso não seria possível. Estava certa do rumo que pretendia para a sua vida e decidida a lutar por isso. Pousou a sua mão sobre a dele, conseguindo a sua atenção.
— Vai ser tudo melhor lá não vai? – Pediu, voltando o rosto para ele, num tom quase inaudível, para que só ele a conseguisse perceber.
Trocaram um prolongado olhar cúmplice.
— Espero que sim… — Respondeu-lhe ele por fim, brindando-a com um leve sorriso que a encheu de esperança.
Pouco tempo depois Dean e Sam já dormiam e ela também se sentiu tomada pelo sono que o embalo do andamento rápido da carruagem lhe provocava.
— Deita-te no meu colo… — Proferiu Edward carinhosamente apercebendo-se do seu cansaço.
Ela não refutou o convite e pousou a cabeça no seu colo. Sentiu-se incrivelmente bem por estar novamente próxima dele, do seu corpo. Tinha saudades de sentir o seu cheiro e aquela sensação de segurança que ele lhe transmitia.
— Gostavas que fosse menino ou menina? – Perguntou-lhe, ganhando coragem.
— Menina… — Confessou sorrindo – Mas não me importo nada se for rapaz.
— Não fazia ideia – Respondeu não conseguindo deixar de sorrir com aquela revelação.
— Quando imagino a minha filha vejo-a exactamente como tu em criança. Cheia de energia, capaz de desafiar tudo e todos. A querer ser melhor que os rapazes em tudo – Contou – Imagino-me a ensinar-lhe todas as nossas brincadeiras.
Ela ouviu-o atenta e completamente deliciada pelas suas palavras. Sabia que Edward, por culpa dela, não fazia ideia do quanto ela gostava dele. O que viveu naqueles meses, os erros que cometeu, as experiencias por que passou não a afastaram dele, pelo contrário, aproximaram-na, ensinaram-na a dar-lhe valor.
Gostava do sorriso tímido dele, da maneira como a olhava, do jeito especial com que tratava todos em seu redor, da sua simpatia.
O desejo de liberdade que tanto a consumia estava agora totalmente saciado. Tudo o que queria agora era uma oportunidade de ama-lo, de viver feliz ao lado do seu marido.
Procurou impaciente pela mão dele e quando finalmente a encontrou agarrou-a com força.
— Nunca me deixes… — Foi o murmúrio confuso que Edward a ouviu proferir antes de a ver adormecer profundamente.
Acariciou os seus longos cabelos e observou cada pormenor do seu rosto perfeito que depois de tanto tempo ainda o conseguia encantar.
Notas finais
Aproveito para deixar aqui um agradecimento especial à
Paola_B_B pela recomendação muito especial (Thanks for everything :))
De seguida, como esta fic já está mesmo na recta final, aproveito a deixa para deixar o link da "provável" nova fic: http://www.fanfiction.com.br/historia/142654/Rehab_Of_You
Está em fase de experiência, ainda não sei se terá retorno...
É novamente uma fic de realidade alternativa, em que vemos os nossos personagens a viverem situações da vida real e não sobrenatural, mas desta vês temos Elena, Stefan e Damon!!!
Obrigada a todas pelos comentários que eu tanto adoro
Bjs, Ana
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