Notas iniciais
Gente desculpem mas afinal este não é o ultimo...

Eu fui escrevendo e as coisas foram fluindo de forma diferente e acabou por se alongar mais do que tinha pensado...

Isabella estava sozinha nos seus novos aposentos, mirando tristemente as gravuras do teto, perdida nos seus próprios pensamentos, acariciando o seu ventre. Estava agora com três meses de gestação e a sua barriga ligeiramente saliente já se fazia notar. Procurava passar grande parte do seu tempo ali isolada e nem para a biblioteca ousava descer. Fazia as suas refeições com a família e depois subia prontamente aos seus aposentos. Não queria ser um peso ou um estorvo nas suas vidas. Tinha a consciência que a sua mãe também a tentava evitar e embora isso a magoasse, sabia que nada havia a fazer. Tinha desiludido a mãe e só o tempo seria capaz de restaurar a confiança entre ambas. Provavelmente Edward não teria entrado em detalhes sobre o que se tinha passado e todos evitavam fazer perguntas. Sabiam apenas tratar-se de um assunto complicado e constrangedor visto que Isabella tinha sido forçada a mudar de aposentos.

A verdade também é que todos andavam entretidos com Sam para se preocuparem verdadeiramente com ela e Isabella dava graças por isso, tudo o que queria era passar despercebida. O menino aos poucos ia conseguindo integrar-se junto daqueles que para ele no inicio eram meros desconhecidos. Dean não podia andar mais feliz com o filho, não o largava e esforçava-se ao máximo para que o menino se sentisse bem naquela casa. Ele seria um óptimo pai e jamais cometeria com Sam os mesmos erros que o seu pai tinha cometido consigo.

Outra pessoa que tinha sofrido uma mudança drástica era o seu pai. Ela não acreditaria que aquilo fosse possível se não fossem os seus próprios olhos a testemunharem aqueles acontecimentos. Charlie parecia um outro homem desde a chegada de Sam. O seu coração parecia ter sido amolecido pelo doce menino que olhos verdes. Era como se ele, aquele novo membro na família, fosse a sua chance de redenção. Tanto que a sua relação com os restantes tinha igualmente mudado, estava mais próximo de Dean e das gémeas. Isabella via tudo isso com bons olhos mas preferia manter a sua distância, principalmente por não estar a atravessar uma boa altura da sua vida. Não se sentia bem, nem tão pouco feliz, por isso isolava-se.

Era nas alturas em que se sentia mais triste e sozinha que tinha mais saudades de Alice. As lágrimas escorriam pelo seu rosto quando pensava na amiga e na falta que ela lhe fazia. Fora a única e verdadeira amiga que ela tivera e ambas tinham-se apoiado mutuamente durante anos. Agora naqueles momentos de angústia dava tudo para poder ter um abraço dela, uma palavra de conforto. As saudades por vezes eram insuportáveis. Gostaria de saber como ela estava, onde estava, ter alguma notícia da parte dela.

Foi então subitamente interrompida da sua melancolia pelas fortes batidas na porta.

- Entre… — Pediu, curiosa por saber quem seria a visita inesperada.

Ficou imensamente surpresa ao ver Edward entrar. Durante praticamente um mês ele tinha evitado falar-lhe. A poucas vezes que tinham trocado palavras ele procurava saber apenas da sua saúde e do bebé. No restante tempo ele simplesmente ignorava-a em todas as ocasiões. Era como se repentinamente ela se tivesse tornado transparente aos olhos dele. Isabella não se queixava desse tratamento nem em pensamento pois no seu intimo sabia que não merecia melhor da parte dele.

- Vim dizer-te apenas para pedires a uma criada que te ajude a preparar os teus pertences. Partiremos para a fazenda amanhã, pela manhã – Proferiu friamente.

- Sempre vamos para a fazenda? – Perguntou admirada. Depois de tudo o que se tinha passado, acabou por deduzir que o marido havia desistido da ideia da mudança — Pensei que…

- Isabella… — Interrompeu Edward bruscamente – Caso não tenhas reparado, faz algum tempo que me deixei de preocupar com o que pensas.

Ela estremeceu com a frieza dele e com a crueldade que empregava nas suas palavras. Uma espécie de nó formou-se na sua garganta e teve imensa vontade de chorar mas aplicou todas as suas forças para não o fazer.

- Vamos para a fazenda para que o nosso filho possa nascer lá. Afinal foi por causa dele que voltaste não foi? Provavelmente foi ele que te impediu de seguires os passos de Alice. Mas depois do nascimento vais ser livre como sempre desejaste ser. Podes ir atrás do Salvatore e desaparecer da minha vida.

- Edward, eu vou simplesmente agarrar-me há esperança de que aquilo que dizes possa advir apenas do ódio que sentes por mim e não daquilo em que verdadeiramente acreditas. Caso contrário só me restaria crer que nunca verdadeiramente me conheceste. Nunca seria capaz de abandonar o meu filho, nunca… mesmo que um dia, isso signifique ter que mendigar por um lugar para ficar na tua casa. Farei isso se for necessário.

O olhar de Edward ficou preso no dela durante algum tempo e Isabella não foi capaz de descodificar a sua expressão.

- Simplesmente faz o que te pedi, arruma as malas… — Conclui bruscamente antes de deixar o quarto.

Quando ele bateu a porta, deixou-se cair pesarosamente no seu leito, permitindo-se a chorar livremente todas as lágrimas que havia confinado no seu interior na presença de Edward. Durante aquele mês tinha aguentado tudo sem ceder á pressão a que era submetida. Tinha tolerado a solidão, o isolamento, o desprezo e o rancor mas a descrença dele era o mais difícil de suportar.

Agora que passava imenso tempo sozinha, durante tempos sem fim, recordava a sua infância. Lembrava-se dos tempos em que brincava com ele e de outras alturas diferentes em que as coisas entre eles tinham começado a mudar entre eles. Via agora que Edward tinha sido durante toda a sua vida o seu porto seguro e que o seu maior erro fora tê-lo encarado como tal. Era como se o seu primo querido nunca pudesse deixar de fazer parte da sua vida. Como se o amor que ele lhe devotasse nunca pudesse ter um fim. Agora era doloroso demais quando ele a olhava com crueldade e desconfiança. Senti-lo a afastar-se de si a cada dia era um autêntico desespero.

Mais tarde quando se começou a sentir um pouco menos angustiada devido á conversa que tinha tido com Edwad, decidiu levantar-se e refrescar o seu rosto, passando água pela face. Observou a paisagem pela janela. Estava uma tarde linda e o tempo parecia convida-la a sair. Pela primeira vez em muito tempo teve vontade de sair daquela casa em que se havia enfiado.

Ganhou coragem e desceu a enorme escadaria. A casa aparentemente estava vazia e não se ouvia qualquer barulho. Saiu então para o exterior. Respirou fundo deixando-se invadir pelo delicioso perfume florar que andava pelo ar. A sua pele gelada, inicialmente arrepiou-se ao calor do sol para logo se seguida ser invadida por uma sensação extremamente reconfortante.

Observou a sua mãe, sentada numa mesa do jardim, bordando e vagarosamente juntou-se a ela.

- Posso fazer-lhe companhia? – Perguntou um pouco receosa com a reacção dela, uma vez que ela ainda estava bastante distante.

- Senta-te filha – Respondeu Renée com um sorriso que encheu Isabella de alegria – Decidiste por fim fazer-nos companhia?

- Estava um pouco cansada de estar no quarto.

- Fizeste bem. Está um lindo dia. Como está o bebé? – Perguntou preocupada, passando levemente a mão pelo ventre de Isabella.

- Penso que está tudo bem.

- Tenho andado preocupada Bella. Imensamente preocupada…

- Imagino – Proferir, sentindo-se muito culpada.

- Nada disto é bom para a tua saúde e para a saúde dessa criança. E também para o teu bem-estar e o de todos nós. Eu sempre quis tanto que vivesses em paz Isabella, tanto te pedi para teres cuidado minha filha…

- O Edward hoje mais cedo veio falar comigo, ao que parece vamos para a fazenda.

- Vamos todos. O teu marido convidou-nos para uma estadia lá.

- O pai também vai?

— Não. O teu pai resolveu ficar. Ele não quer dificultar-te a vida. Sabe bem que não ias aprovar a presença dele. Mas posso ver que essa decisão está a custar-lhe muito…

— Por causa do Sam?

— Sim… É inacreditável ver a forma como ele se afeiçoou ao menino. Ele não o larga. Parece um velho tonto de tão feliz quando está com o neto.

— Bem sei. Até eu posso ver que ele não parece o mesmo Charlie Swan.

— Toda a gente erra Bella. E muitas vezes merece-se o perdão pelos erros cometidos. Tu melhor que ninguém devias saber disso, não é mesmo?

— Está certa mãe, está mesmo certa... – Proferiu, inclinando a cabeça para o ombro de Renée que a envolveu num abraço sentido e carinhoso.

— Precisava tanto desse abraço – Murmurou.

— Eu acredito que ainda vai tudo ficar bem minha filha. Verás… — Disse, transmitindo-lhe força.

— Não existe nada que eu deseje mais. Mas já deixei de acreditar nessa possibilidade.

— Vamos pedir um chá e ficar aqui a conversar apenas sobre coisas agradáveis. Chega de tristeza nesse rosto lindo da minha filha – Disse num tom animador, fazendo com que Isabella sorrisse um pouco, como há muito não fazia.

— Onde foram todos?

— Foram para a cidade, fazer compras para o Sam. Ainda tem muitas coisas que ele precisa, roupa, calçado… o teu pai quer deixa-lo como um príncipe. O Edward não queria ir mas eu convenci-o. Não és só tu que te arrastas pelos cantos desta casa, nunca o vi tão triste…

— Não é tristeza minha mãe. É ódio…

— Qual ódio Bella? O teu marido ama-te…

— Amava mãe… amava… — Disse relembrando o olhar e das palavras duras que Edward lhe havia dirigido – Receio bem que não haja amor capaz de superar tamanha desilusão.

Engoliu em seco, pensando com receio no rumo difícil que a sua vida tomaria. Sabia que assim que o seu bebé nascesse as coisas se tornariam ainda mais difíceis para ela. Vivia num mundo feito e governado pelos homens. Se Edward a quisesse impedir de ver o filho, ele tinha todo direito de o fazer. Que sociedade aprovaria que um filho fosse entregue a uma mãe adúltera? Tinha sido completamente sincera ao dizer-lhe que se fosse necessário imploraria que ele a deixasse permanecer na sua casa apenas para poder cuidar do filho. Uma imensa tristeza tomou conta dela ao ser atingida por esses dolorosos pensamentos.

- Lembra-te que não estás sozinha – Disse Renée, apertando firmemente a mãe da filha. Apesar de Isabella a ter magoado também, ela não deixava de ser a sua menina, seria sempre.

Isabella trocou com a mãe um olhar cúmplice. Apesar de tão simples as palavras e o gesto dela, aquilo foi teve para ela um enorme significado, foi o bastante para lhe transmitir um pouco mais coragem para enfrentar o que a esperava.

Notas finais
Oi... Eu sei que disse que era o ultimo, mas eu comecei a escrever e as coisas alongaram-se...

Quando postei o cap.22 ainda não tinha escrito nada deste, então ao escrever percebi que daria para esticar mais um pouco...

De qualquer forma espero que tenham gostado do cap....

Mereço reviews???

Beijinho