Erros do Passado
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Quando Edward e os restantes chegaram da cidade a tarde já ia longa e a noite não demoraria a cair. Isabella e Renée permaneciam ainda no jardim entretidas pela conversa. Isabella não conseguiu desviar o seu olhar de Edward. Agora sempre que o encarava prendia-se à esperança de obter algum sinal, algum gesto, apenas um olhar mais demorado ou outro qualquer indício da parte dele, o que nunca acontecia.
Edward olhou-a de relance e logo desviou a sua atenção dela e ao contrário dos restantes que se juntaram a Isabella e Renée em redor da mesa de jardim, dirigiu-se rapidamente para o interior da casa.
Entrou no seu quarto de rompante. Não sabia quanto tempo mais aguentaria viver assim. Cada dia tentava reunir todas as suas forças para se obrigar a afastar dela, a permanecer o mais longe que conseguia. Queria verdadeiramente odiá-la, deixar de se sentir apenas por um momento afectado pela sua presença. Cada vez que entrava no seu quarto ainda sentia aquele encantador perfume dela por toda a parte, impregnado nos seus lençóis, fazendo-o recorda-la.
Nos últimos dias não sabia mais o que fazer para fugir daqueles doces olhos chocolate pousados em si, naquele rosto triste que o dilacerava. Não queria sentir aquilo, não queria ter vontade de correr até ela, de abraça-la e beijar os seus lábios perfeitos. Mas no fundo de si era isso que sentia. Por várias vezes dera por si prestes ceder á sua mais dolorosa tentação mas depois, no último instante de sanidade, lembrava-se de como ela tinha sido capaz de o trair, de o magoar como ninguém havia feito e voltava á dolorosa realidade.
Recordava que ela confessara ter-se entregue a outro homem. A mulher que havia amado e admirado tinha pertencido a outro. A sua pele tocada, os seus lábios beijados, os seus cabelos acariciados. Quando pensava assim tudo o que sentia era raiva, uma enorme raiva.
— Nãooo….. – Balbuciou, completamente revoltado, arremessando os livros da secretária para o chão – Eu mato-o se ele ousa aparecer novamente na minha frente, mato-o…
Deixou-se depois cair sobre a cama. Queria estar ao lado dela durante esta altura tão especial, poder acompanhar o crescimento do seu filho no ventre dela. Nada disso era possível agora e nada o conseguia arrasar mais do que essa ideia. Sabia que tinha de encontrar diariamente forças para se manter longe dela de uma vez por todas. Não iria permitir que ela tivesse o mesmo controle sobre si como sempre tinha sido.
No andar de baixo Isabella caminhava vagarosamente para o escritório do seu pai. Ainda pouco certa de que a decisão que estava prestes a tomar seria a mais acertada. Bateu á porta com confiança.
— Entre… — Pediu Charlie, que ficou boquiaberto por ver ali a filha.
— Está ocupado? Queria falar-lhe…
— De modo algum. Fala Isabella…
— Estamos todos de partida para a fazenda. Minha mãe disse que o senhor não vem connosco.
— Sim, é melhor eu ficar. Bem sei que a minha presença não te agrada. E eu compreendo porquê. Não sou merecedor do respeito dos meus filhos.
Isabella encarou demoradamente o pai, surpresa pelas suas palavras.
— Eu eduquei-vos como o meu pai me educou. Ensinei-vos o que ele me havia ensinado. Segui-me pelos valores que me transmitiram. Mas agora eu olho para o meu filho e vejo o quão errado eu estava. Essa moça, Katherine Salvatore, que eu nem cheguei a conhecer, e a quem tanto fiz mal, deixou-me um tesouro precioso. Agora tenho medo que um dia o meu neto não me perdoe… — Proferiu emocionado.
Pela primeira vez, em toda a sua vida, Isabella via o verdadeiro rosto do seu pai. A mascara de homem duro caia na sua frente. Um Charlie mais frágil, que falava como o coração e não com a cabeça, estava exposto aos seus olhos.
— Eu sou o responsável pela morte da mãe dela.
— A altura para culpabilizações já passou meu pai. É tempo de curarmos as nossas feridas, aprendermos com os erros cometidos e seguirmos as nossas vidas. Por isso é que vim dizer-lhe que por minha vontade será muito bem-vindo na fazenda, se quiser vir connosco – Disse-lhe sorrindo.
Charlie olhou a filha admirado pela sua atitude.
— Eu nunca quis ver-te infeliz minha Bella…
— Eu sei Pai, não se preocupe mais com isso – Proferiu simplesmente, antes de sair.
Depois de deixar o escritório, respirou fundo, e sentiu-se aliviada. Tinha-lhe saído um enorme peso das costas após a conversa com o pai. Estava cansada de viver em desarmonia. Charlie estava a fazer um esforço notório para melhorar em todos os sentidos. Havia chegado a altura de ela se reconciliar com o passado e passar a pensar no futuro, no futuro da sua família. Era altura de serem felizes, de viverem em paz e harmonia.
Dirigiu-se então para o salão, uma vez que, estava quase na hora do jantar. Ficou surpresa ao encontrar Edward sozinho, beberiscando de um copo de Whisky. Ele ignorou a presença dela e focou a atenção na paisagem que se podia vislumbrar da janela. Isabella sentou-se então ao pé dele no sofá.
— Fui falar com o meu pai – Falou a medo – Quis dizer-lhe que por minha vontade não haverá problema se ele quiser vir connosco para a fazenda.
Edward não lhe respondeu.
— Achas que fiz bem? – Insistiu.
— Surpreende-me essa tua atitude… A tua culpa faz com que o culpes menos? – Respondeu por fim, amargamente.
Isabella resolveu não responder, embora lhe fosse doloroso a forma como ele a tratava. Cada gesto ou cada palavra dele pareciam agora ter apenas um único propósito, magoa-la.
— Esclarece-me… — Pediu, sarcasticamente, depois de um longo silêncio, sem olhar para ela – Porque foi que voltaste mesmo? Ele não aceitou que estivesses grávida do teu marido e expulsou-te de lá?
Isabella olhou-o tristemente, ofendida. Edward desviou então os seus olhos da janela e pousou o seu olhar sobre ela. Sentia uma fúria inexplicável em seu redor, uma necessidade quase desmedida de a punir por tudo o que o tinha feito sofrer. Queria martiriza-la pelos dias da sua vida que tinha passado a idolatra-la, a sonhar com o seu amor e pelas noites sem fim que passara acordado preocupado pela sua ausência.
— Mal te reconheço… — Murmurou entre dentes, humilhada.
— Tu não gostavas de mim dantes Isabella… — Proferir, com uma profunda ironia, acariciando suavemente a face dela – Gostas mais de mim agora?
Isabella deseja permanecer forte, impenetrável, mas contra toda a sua vontade, uma lágrima escorreu pelo seu rosto, molhando a mãe dele, deixando-a ainda mais humilhada.
— Podes continuar Edward, por quanto tempo quiseres, eu aguento – Disse-lhe olhando directamente nos lindos olhos do marido.
Foram então interrompidos pela entrada de Dean, seguido pelas gémeas que alegres tinham montado um baloiço humano para Sam. O pequeno estava perdido de riso ao ser transportado como um príncipe pelas tias.
Isabella permitiu-se então a respirar fundo e o seu olhar desprendeu-se do de Edward. Ficou agradecida por terem sido interrompidos. Edward não parava de a torturar.
— Chegou uma carta para ti Bella – Disse Dean com cuidados.
Ainda assim, Isabella estremeceu. Não tinha um único momento de paz.
— Deixem-me adivinhar… — Disse Edward, sorrindo com desdém – Damon Salvatore…
— É… — Proferiu Dean encabulado, entregando a carta á irmã.
— Lê para nós Isabella – pediu Edward – Estamos ansiosos por saber o conteúdo.
— Não é a melhor altura… — Disse com a voz trémula devido ao nervosismo.
— Porque não? – Insistiu Edward.
Isabella, desprovida de escolha, abriu então com custo a carta e leu vagarosamente em voz alta.
“Querida Isabella,
Perdoa-me desde já a minha ousadia em escrever-te, e por qualquer incómodo que te possa causar. Hesitei em faze-lo, mas espero que possas entender. Anseio todos os dias por notícias do Sam. Espero que ele se tenha adaptado bem á tua família e que esteja feliz. Eu e o Stefan vamos tentando debater-nos contra as saudades que sentimos dele.
Estamos os três em viagem, eu, Stefan e Alice. Espero que esta seja a viagem das nossas vidas e que eu possa finalmente encontrar a paz que sempre ansiei. Escrevo-te de Itália, onde acabamos de chegar. Ficaremos aqui uns meses, antes de nos aventurarmos para um novo destino. Alice sente saudades tuas e lamenta que não tenham podido despedir-se mas quer que saibas que está bem e feliz. Ela anseia também por notícias da tua família e principalmente do teu irmão.
Quero que saibas que desejo que estejas feliz, pois ninguém o merece mais que tu.
Aguardo por notícias tuas.
Damon Salvatore”
— Fico mesmo contente em saber que Alice está bem, ela merece. Eu já não conseguia lidar com a culpa de não ter conseguido ser um bom marido para ela – Disse Dean mal Isabella terminou de ler a carta, numa tentativa de aliviar o ambiente – Quando responderes diz-lhe que lhe estou grato por ele me ter deixado o meu filho.
Edward que se havia levantado e estava agora encostado ao peitoril da janela, olhou o primo furioso e serviu-se de mais Whisky.
Para ele aquilo era um pesadelo que não parecia ter fim. O homem que mais odiava tinha agora uma ligação inquebrável com a sua família e não havia meio daquele fantasma alguma vez parar de pairar sobre sua cabeça. Como seria natural, ele iria querer sempre ter notícias do sobrinho e manteria sempre o contacto. Só o pronunciar do nome dele bastava para o enfurecer. Teve vontade de rasgar aquela maldita carta em mil pedaços.
— Quando lhe responderes, diz-lhe que também estou grato, por ele me ter destruído a vida… — Berrou Edward, fora de si.
Perante o olhar estupefacto de Isabella, Dean e das gémeas, saiu depois para o jardim e começou a caminhar sem parar. Levou consigo a garrafa de Whisky, pois pretendia beber até se esquecer de tudo. Queria era sair daquele sítio, daquela casa, para bem longe dali. Não queria ter que lidar com tudo o que o rodeava, queria poder evitar todos os olhares posto em si, dos seus familiares, dos criados que cochichavam pelos cantos sobre o que tinha acontecido. Estava farto de ser um cavalheiro correcto quando a sua vontade era destruir tudo o que aparecia na sua frente. Sentia-se humilhado por no final de tudo ainda ter que aturar as cartas do desgraçado e o agradecimento que todos agora lhe devotavam por ter deixado ficar o Sam com o pai.
Notas finais
O que acharam?
Queria deixar um especial agradecimento à Renata pela recomendação... nossa, fiquei mesmo muito feliz, muito obrigada :)
E agradecer também por todos os reviews, vocês são um máximo :)
Obrigada pelo carinho, Ana
Fale com o autor