Erros do Passado
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Edward olhava em volta, da varanda do seu quarto, completamente perdido, tentando encontrar uma solução para o fim de todo aquele pesadelo quando algo no horizonte chamou a sua atenção. Um vulto indistinto, no fundo da propriedade dos Swan, aproximava-se. Ele estranhou a situação e fixou os seus olhos na pessoa que para ali caminhava. Não era algo comum alguém dirigir-se ali a pé visto que a propriedade dos Swan ainda ficava distante do centro da cidade. A pessoa, fosse quem fosse, parecia mover-se com dificuldade e vagarosamente. Á medida que o vulto se aproximava Edward pode constatar que era uma mulher. O seu coração acelerou ao reconhecer o vestido dela e o seu rosto, ao longe. Levou a mão á boca completamente estupefacto e quase paralisou com a ideia de que realmente pudesse ser ela. Rapidamente recuperou do choque e confuso abriu bruscamente a porta do quarto e precipitou-se velozmente pelos corredores e através da escadaria em direcção ao exterior da casa. O que viu fez todo o seu corpo abalar e quase perdeu o chão. Mal podia acreditar no que os seus olhos viam, não parecia real. A visão assemelhava-se mais um dos muitos sonhos que tivera. Mas no fundo de si mesmo teve a certeza que era ela. Isabella movia-se com dificuldade, carregada de malas através do caminho de terra que conduzia ao casarão.
- É Isabellla…. Venham todos… É Isabella… — Gritou com todo o seu fôlego e sem pensar duas vezes precipitou-se numa correria desenfreada ao seu encontro.
Quando o seu corpo embateu contra o dela e a pode finalmente envolver num enorme e sentido abraço, deixou as emoções aprisionadas fluírem. Ficou subitamente confuso por vê-la assim. Ela estava de volta a casa, mas completamente sozinha, caminhando carregada com as suas malas, da mais estranha maneira possível. Mas naquele momento nada disso importava e ele procurou afastar esses pensamentos de si. Ali, naquele instante tudo o que queria era poder finalmente sentir o rosto dela contra o seu, inalar o seu perfume, passar os dedos entre os seus cabelos suaves. As lágrimas escorriam incontroláveis pelo seu rosto. Isabella estava enfim ali, ao seu lado, são e salva. Afastou-se um pouco dela para depois de tanto tempo a poder olhar novamente. Pode vislumbrar que ela também chorava. A sua face perfeita estava repleta de emoções imperceptíveis.
- Tu estás aqui? Estás mesmo aqui? – Perguntou, não conseguindo esconder a sua emoção.
- Sim Edward, eu estou aqui… — Respondeu olhando-o fixamente, como se pretendesse transmitir-lhe segurança.
- Estás bem?
- Eu estou bem…
Isabella estava também feliz por vê-lo finalmente. De um estranho modo sentia imensas saudades dele, da solidez que ele sempre lhe transmitia. Mas olha-lo assim directamente depois de tanto tempo, de tudo o que fora capaz de fazer era também doloroso, sentia-a pouco merecedora do carinho e do amor dele. Mas era bom poder tocar-lhe, saber que ele estava bem também.
Dean que estava perto do local foi o primeiro a chegar após ouvir os gritos do primo e aproximou-se deles. Edward afastou-se um pouco para que ele também pudesse abraçar a irmã.
- Bella, estás bem? – Perguntou-lhe Dean preocupado segurando no rosto dela.
- Estou bem meu irmão.
- E Alice? Onde está Alice?
- Ela não veio comigo Dean. Alice não vai voltar.
- Não? – Perguntou Dean completamente confuso.
- Ela decidiu ficar… — Respondeu ao irmão que a olhava perplexo.
- Como não veio? – Indagou também Edward que a olhava tão confuso como Dean.
- Ela está bem Dean, está muito feliz. Isso é o que realmente importa. Não é mesmo?
- Sim Bella, mas onde está ela?
Isabella não respondeu. Voltou a sua atenção em direcção á sua mãe e às suas irmãs que corriam o mais depressa que podiam para o local. Precipitou-se para elas e abraçou-as com todas a suas forças. Ela não poderia viver longe delas. Por mais diferenças que tivessem, por mais motivos que as separassem, eram muito maiores as forças que as uniam. O mesmo sangue corria-lhes nas veias. Vira as suas irmãs nascerem, tinha acompanhado todo o crescimento delas, adorava-as imenso e nunca se perdoaria se tivesse sido capaz de as abandonar. Nem a elas nem á sua mãe que lhe tinha dedicado a vida, que abdicou a sua própria felicidade para se dedicar a ela e aos irmãos. Seria uma pessoa indigna e egoísta se lhes tivesse voltado as costas. Com aquele abraço sentiu um enorme alivio, estava muito feliz por poder voltar a vê-las.
— Isabella… minha filha… – Chamou Charlie.
Isabella afastou-se da mãe e das irmãs e encarou o pai que entretanto se havia aproximado.
— Eu não tenho mais pai. Para mim o senhor morreu – Disse-lhe friamente, expressando toda a raiva que sentia por aquele homem cruel e sem escrúpulos que tanta infelicidade havia causado.
Todos a olharam surpresos pela sua reacção tão intempestiva.
— O que se passa contigo? Porquê isso tudo agora? Eu sou o teu pai.
— Não me dirija mais a palavra. Nunca mais… — Ripostou.
— Vamos para dentro – Disse Edward, abraçando-a, tentando acalmar os ânimos e conduzindo-a para casa.
Quando entrou Isabella olhou tudo em seu redor. A casa estava exactamente como ela se lembrava, como no último dia em que ali estivera.
— Onde é que tu estiveste filha? – Perguntou Renné preocupada – De onde veio toda esse raiva repentina?
— Não é uma raiva repentina minha mãe, é uma raiva acumulada durante anos. A senhora por acaso acha que o pai seria capaz de abdicar da posição social dele por mim? Ele teria preferido nunca mais voltar a ver-me. Ele não estava preocupado comigo mas com o escândalo que seria caso se soubesse do meu desaparecimento.
— Onde está Alice? – Perguntou Eval.
— Alice não vai voltar. Ela conheceu um homem por quem se apaixonou e seguiu a sua vida.
— Quem é que ela conheceu? – Perguntou Edward com severidade, seriamente reticente com toda aquela história – O que se passou afinal? Não achas normal esta curiosidade de todos nós?
Ele olhou-a penetrantemente e Isabella apercebeu-se que a tensão estava instalada. Todos a olhavam curiosos e ela estremeceu. Sabia que eles tinham direito de exigir-lhe explicações mas ela não queria falar sobre nada do que tinha acontecido. Não tinha pensado na melhor forma de resolver aquela situação e sentia-se de certa forma encurralada. Não podia jamais revelar exactamente o que se tinha passado, onde tinha estado. Não tinha o direito de fazer isso com Damon, ele não merecia isso. Charlie com certeza não mediria esforços em destruir aqueles que lhe queriam tanto mal. Tocar no nome dos Salvatore iria trazer-lhes sérios problemas e isso era a ultima coisa que desejava.
— Edward tudo a seu tempo por favor – Quase implorou, esperando que ele pudesse compreender – Estou esgotada. Preciso apenas descansar.
— Sobe então. Eu vou lá ter – Disse simplesmente.
Isabella assim fez, dirigiu-se ao quarto sob o olhar atento e de desconfiança de todos. Quando chegou aos seus aposentos e bateu a porta atrás de si sentiu-se tremer e a sua respiração estava descontrolada. Estava completamente perdida. Eram tantas as coisas a revelar, tantos segredos que ela preferia nunca ter de contar.
Edward entrou pouco depois. Isabella encarou-o em pânico sem saber o que fazer.
— O que aconteceu afinal Bella?
— As pessoas que nos emboscaram têm contas a acertar com o meu pai Edward. Não me fizeram qualquer mal.
— Quem são eles?
— Isso eu não posso dizer… Não me peças isso…
— Como não podes dizer? – Perguntou quase ofendido – O que se passa contigo afinal?
— Não posso revelar o nome porque concordo com as razões deles. Apesar do que possas ter pensado, eu e Alice fomos bem recebidas lá, são boas pessoas e não merecem que os traia dessa forma. O melhor é esquecer tudo isto que se passou.
— Esquecer tudo o que se passou? Tu fazes a mínima ideia do inferno que foram estes dois meses para mim? Para a tua família? Não podes entender o desespero que foi as primeiras duas semanas, sem qualquer notícia vossa. Não imaginas o que me chegou a passar pela cabeça…. O que foi viver estes meses completamente alheio ao que realmente se estava a passar, cheio de preocupação com o que te poderia ter acontecido… E agora tu chegas e pedes para que eu simplesmente esqueça?
— Edward…
— Pelos vistos não foi tão mau assim para ti e para Alice… Tanto que ela até decidiu ficar para viver com o amor da vida dela… e tu? Existe algo mais que me queiras esconder Bella? Que queiras que eu esqueça?
— Eu estou aqui, eu voltei… — Isabella sussurrou amedrontada, com os olhos novamente repletos de lágrimas.
Ela sabia que não podia queixar-se, que merecia a desconfiança dele. Queria contar-lhe tudo, ser completamente sincera mas o medo da reacção dele impedia-a, a coragem faltava-lhe.
— Porquê? Porque é que depois de todo este tempo e de tantas exigências essa gente simplesmente te deixou livre?
Isabella passou a mão pelo ventre e demorou-se, hesitando em falar. Agora a insegurança invadia-a. Edward estava verdadeiramente furioso, nunca antes o vira assim. Ele era a delicadeza em pessoa, e agora não parecia a mesma pessoa, o que fez com que ela estranhamente o receasse.
— Eu voltei porque estou á espera de um filho teu… — Falou por fim.
Edward ficou boquiaberto com a revelação dela e encarou-a incrédulo.
— Verdade? – Perguntou claramente emocionado.
— Deixaram-me partir por causa disso… e porque o meu pai jamais cederia Edward, ele não se importa com nenhum de nós…
Edward aproximou-se então dela, acariciou-lhe o rosto e lançou-se sobre os seus lábios, beijando-a abrangentemente. Isabella quase se tinha esquecido como sabiam bem os seus beijos doces, como se sentia amada quando ele a tomava nos seus braços daquela forma. Edward fora completamente apanhado de surpresa mas isso não o deixava menos feliz. Aquela noticia praticamente fora capaz de afastar toda a frustração e desconfiança que sentira segundos atrás.
Isabella não tinha pensado que as coisas aconteceriam assim. Pensou que necessitaria de algum tempo, de algum afastamento para se poder entender e lidar com tudo o que havia acontecido. Mas simplesmente não conseguia afastar Edward de si. Ele pressionava o seu corpo contra o dela e beijava-a com um desejo enorme. Desejava-a de uma forma quase insana. Queria deixar-se envolver pelo cheiro magnífico do seu corpo pela suavidade da pele dela. Durante imenso tempo tinha ansiado por tomar a mulher que era sua nos seus braços novamente.
- Eu quero-te tanto Bella… Quase morri de saudades tuas.
Isabella sentiu a boca dele mover-se sobre a sua, fazendo com que o seu coração disparasse. Cair nos seus braços, sentir o corpo dele colado ao seu era algo natural, um acto do qual não necessitava sentir vergonha. Era como se verdadeiramente lhe pertencesse e entregou-se a ele sem receios.
Edward estava diferente, tocava-a com uma ânsia desconhecida. As mãos dele vagavam pelo corpo quente dela, exercendo pressão contra a sua anca, deixando-a fora de si. Ela rodeou-o com os seus braços, mostrando-lhe que também o queria.
Naquele momento nada mais importou, nem a culpa de um nem a desconfiança do outro. Estavam novamente juntos e perdidos um no outro deixaram-se consumir pelo desejo que experimentavam.
Isabella estava deitada sobre o peito nu de Edward sentindo a sua respiração calma. Estava apenas de roupa interior e ele acariciava suavemente o seu ventre completamente deliciado. Ela sabia que ele estava imensamente feliz com a ideia de ter um filho. E Ela também já se começava a habituar àquela nova perspectiva. Sentia-se já ansiosa e expectante com os próximos meses. Havia apenas uma sombra constante que pairava sobre a sua cabeça a impedia de se sentir feliz, era a sombra do arrependimento. Mas naquele momento ela procurou afastar os pensamentos que a incomodavam. Estar ali com Edward a partilhar aquele momento tão especial era tudo o que mais desejava.
— Edward… Como estão todos por aqui? – Perguntou, algum tempo depois.
— Estão todos bem, excepto Dean. Acho que quando pudesses devias falar com ele.
— O que se passa? – Questionou preocupada, sentando-se na cama.
— Ele esteve na comunidade dos mineiros. Foi à procura daquela mulher de quem ele tanto gostou…
— Oh não, diz-me que ele não fez isso…
— Pensei que também o tivesses incentivado a ir, pelo menos foi o que ele me disse – Indagou Edward, surpreso pela reacção repentina dela.
— Mudei de ideias. Por vezes é melhor deixarmos o passado onde ele está – Desculpou-se.
— Ao que parece a tal mulher acabou com a própria vida, meses depois deles se terem afastado. Uma história triste demais.
— Dean deve estar arrasado… — Proferiu, verdadeiramente preocupada com o irmão. Sabia o quão emocionalmente frágil ele demonstrava ser.
— Tem estado um verdadeiro farrapo desde então. Bebe demais, não se alimenta direito. Eu tenho feito os possíveis para o vigiar. Tenho estado sempre atento. Cheguei a temer seriamente por ele…
— Tudo culpa do meu pai Edward. Eu não o suporto mais.
— Eu sei meu amor, eu percebo o que sentes. Prometo que logo que possível vamos embora desta casa. Vamos para a fazenda como estava combinado.
— Quando mais rápido melhor… — Murmurou pesarosamente enquanto Edward a abraçava.
Uma semana havia passado sem que Isabella desse por isso. Durante esse tempo tinha feito um esforço por dar a todos o máximo de explicações que podia sobre tudo o que tinha acontecido, nunca tocando em nomes. Havia muito a ser esclarecido, muitas perguntas a serem respondidas. Também se quis por ao corrente de tudo o que tinha acontecido no tempo em que tinha estado ausente. A sua principal preocupação no momento era Dean. Era por ele que ela e Edward adiavam mais uma vez a partida para a fazenda. Os dois procuravam nunca o deixar a sós e tentavam dar-lhe o ânimo que ele parecia definitivamente ter perdido. Para Isabella era uma autêntica tortura querer falar abertamente com ele e não o poder fazer. Queria contra-lhe por tudo o que tinha passado, onde tinha estado, falar-lhe sobre Katherine, sobre os irmãos dela, contar-lhe as histórias todas que achava que ele merecia saber. Mas sentia que ainda era muito cedo. Tinha passado pouco tempo e ela aguentaria aqueles segredos o máximo que conseguisse, pelo bem de Damon.
A família estava toda reunida em volta da mesa para a refeição. Isabella sentava-se o mais longe possível do pai que durante a semana tinha procurado ao máximo evitar. Suportava com dificuldade a presença dele e apenas o fazia uma vez por saber que em breve deixaria aquela casa. Desta vez ela estava decidida a levar as irmãs e a mãe consigo e nada a afastaria desse propósito. Jamais permitiria que elas continuassem a viver sob a influência daquele homem.
Para conquistar por fim a paz que tanto lhe fazia falta sabia também que tinha que deixar de ser covarde e contar a Edward, toda a verdade. Mas nada a assustava tanto como essa ideia. Principalmente agora que se sentia tão bem ao lado dele.
Subitamente foram interrompidos pela entrada de um criado.
- Senhores, peço desculpa por interromper…
- O que há de tão urgente? – Inquiriu Charlie.
- Esta lá fora um senhor que exige falar com a senhora Isabella.
- Comigo? – Questionou, apanhada completamente de surpresa – Quem é esse senhor?
- Diz chamar-se Damon Salvatore.
Isabella sentiu o sangue deixar o seu rosto quando o ouviu prenunciar aquele nome.
Notas finais
E então? Gostaram do capitulo?
Que será que Damon quer para aparecer na casa dos Swan? :)
Será que vou ter o gostinho de chegar aos 100 reviews antes do final?
Quero muitos comentários :)
Obrigada por acompanharem
Bjs, Ana
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