Notas iniciais
Penúltimo capitulo...

Ficou tão nervosa que quase lhe faltava o ar. O seu coração disparou e ela olhou em redor vendo que todos a observavam atónitos. Nada a poderia preparar para um choque daqueles e sentiu-se inquieta como nunca. Como era possível Damon estar ali? O que o poderia ter levado a cometer uma loucura assim? Isabella não compreendia como ele tinha a coragem de se expor perante a família dela, apresentar-se ali depois de tudo o que havia acontecido.

- Damon Salvatore? – Perguntou Dean também completamente estupefacto.

- Quem é esse homem? – Indagou Edward perdido, olhando Isabella em busca de respostas.

- Bella o que é que o irmão dela está a fazer aqui á tua procura?

- Eu explico tudo depois… — Disse, precipitando-se para o exterior.

- Onde é que vais? – Perguntou Edward nervoso, agarrando-lhe no braço, impedindo-a de avançar.

- Por favor Edward, eu preciso falar com ele…

Edward olhou-a confuso e o seu estômago apertou-se devido á ansiedade que aquela visita inesperada lhe provocava. Sabia que Isabella estava diferente desde que voltara àquela casa. Sempre que tentava abordar o assunto ela evitava-o sempre. Não conhecia aquele homem mas algo lhe dizia que a sua presença ali não era um bom prenúncio, pelo contrário. Receava que ele estivesse de alguma forma relacionado com aquilo que Isabella teimava em querer esconder.

Isabella sentiu-se tremendamente estranha quando o viu. A despedida dele tinha sido demasiado amarga e dolorosa. Vê-lo ali, novamente perto de si, confundia-a, numa combinação de alegria com nostalgia. Era como se a vida lhe estivesse a dar uma segunda oportunidade para se revolver com o que tinha acontecido. No entanto, o seu estômago doía-lhe devido ao nervosismo e á curiosidade de saber o motivo que o trouxera ali. O receio das consequências que aquela visita lhe poderia causar também a incomodava.

Damon esperava-a longe da entrada da mansão. Isabella apercebeu-se que não era sua intenção aproximar-se mais. Qualquer que fosse o assunto que o trouxera ali, era com certeza algo que ele preferia ver discutido em particular, o que de certa forma a tranquilizou. Antes de ir ao encontro dele deu uma olhada na direcção da entrada. A família inteira observava-a á distância.

Ao caminhar na direcção dele constatou que, toda a emoção que estava a experimentar tinha-a impedido de reparar num pequeno detalhe que a fez subitamente parar a meio do caminho, boquiaberta. Agarrado à perna de Damon estava um pequeno menino, que a olhava receoso. Isabella não conseguiu conter o espanto. O menino na sua frente era uma miniatura perfeita de Dean.

- Isabella, este é o Samuel, mas ele prefere ser tratado de Sam, não estou certo? – Perguntou ao pequeno que estava colado a ele como um carrapato amedrontado. O pequeno simplesmente anuiu, com um aceno de cabeça.

- Sam… — Murmurou Isabella, ainda incrédula – Porque é que nunca me contaste?

- Porque não estava certo de que seria a coisa mais a acertada a ser feita.

- Então porquê agora? Depois de tudo… — Inquiriu, encarando-o, ainda estarrecida.

- A minha irmã partiu só depois de garantir que ele ficaria bem... O Sam tem vivido longe de nós mas ao cuidado de pessoas da nossa confiança. Nem eu nem o Stefan nos sentíamos preparados e em condições para cuidar dele. Sempre o visitamos mas nunca lhe pudemos dar o que ele realmente mais precisa, uma família. Mais que nunca ele precisa de ti, precisa da família dele, do primo que vai nascer – Admitiu visivelmente emocionado.

Isabella ajoelhou-se em frente de Sam, verdadeiramente deliciada. O lindo menino olhou-a curioso, com aquele mesmo olhar que ela já conhecia deste sempre. Olhos dele eram exactamente iguais aos de Dean.

- Sam esta é a senhora de quem te falei, Isabella… Ela é tua tia – Explicou ao menino – Não vais dar-lhe um abraço?

O menino caminhou timidamente na direcção de Isabella, que o apertou num carinhoso abraço. Aquela era uma das emoções mais fortes que Isabella havia sentido, era a prova irrefutável que viver valia realmente a pena e que mesmo nas mais infortúnias situações podia vislumbra-se sempre um lado positivo.

- Cuida bem dele… — Sussurrou Damon ao seu ouvido, ajoelhando-se junto dela.

- Onde vais tio? – Perguntou o pequeno Sam, agarrando a mão de Damon com toda a força que tinha.

- Vou fazer uma viagem longa, uma viagem tão longa que tu não poderás vir comigo… Mas eu sei que vais ficar bem aqui com a Isabella. Nesta casa tem muita gente que está ansiosa por conhecer-te…

- Mas eu não quero que tu vás…

- Eu tenho que ir Sam… Voltaremos a ver-nos, prometo-te…

Dito isso levantou-se e retirou a custo a mão do menino que estava cravada na sua. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Isabella pode ver o quanto aquilo lhe estava a custar. Mais uma vez, Damon foi digno da sua profunda admiração. Novamente era obrigado a abdicar de alguém que amava. Fazia isso porque o que realmente importava para ele era a felicidade e o bem-estar do pequeno Sam. O rosto perfeito de Damon estava desfigurado de dor.

- Obrigada… Obrigada por tudo… Não podes imaginar o que isto significou para mim — Proferiu Isabella comovida, agarrando a mão dele.

- Eu confio em ti – Disse simplesmente, permitiu-se durante segundos simplesmente sentir a mão dela na sua, uma última vez e depois, demoradamente deixou a sua mão desprender-se da dela e voltou as costas afastando-se.

Isabella ficou a ver o homem que tinha deixado uma marca indestrutível no seu coração afastar-se dela. Tinha a consciência de que todos a observavam ao longe confusos. Sentia o olhar de Edward queimar sobre si. Imaginou que ele devia estar louco de vontade de aproximar-se e acabar com aquela cena que sabia ser tão difícil para ele de assistir. Mas sabia também que ele sempre fora um cavalheiro e que o seu orgulho jamais lhe permitiria tomar uma atitude. Tinha consciência de o estar a magoar profundamente. Mas naqueles instantes nada disso importou, nada a impediria de fazer aquilo que mais tinha vontade.

- Damon… — Chamou, precipitando-se sobre ele num abraço verdadeiramente sentido ao qual ele correspondeu, calorosamente.

- Perdoa-me… Por tudo… — Proferiu-lhe num murmúrio.

- Não há nada a perdoar meu amor – Respondeu, acariciando o rosto dela, limpando-lhe as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto – Sê feliz… Cuida bem do Sam…

Isabella afastou-se de Damon. Pegou ao colo o pequeno Sam que soluçava violentamente, debatendo-se com força contra ela, desolado por ver o tio partir. Ela abraçou o menino, consolando-o. Os dois juntos observaram-no subir no cavalo e afastar-se velozmente, até por fim, deixarem de o vislumbrar.

A família toda abriu alas, permitindo que ela entrasse em casa, carregando a criança ao colo. Todos a olhavam expectantes, curiosos e confusos com o que se tinha passado. Isabella olhou rapidamente em redor e pôde ver que o único que não se encontrava ali era Edward, que subia naquele momento as escadas, em direcção ao andar superior.

- Dean… — Chamou Isabella, pousando Sam no chão – Está aqui alguém que está ansioso por conhecer-te.

Dean olhou finalmente para a criança que a irmã trazia consigo e mal pode acreditar no que os seus olhos viam.

- Não pode ser… — Murmurou incrédulo observando o menino diante de si.

- Estás a ver este senhor? – Perguntou Isabella ao menino.

- Ele é muito parecido comigo… — Respondeu Sam ainda choroso, entre dentes, acanhado.

- Pois é, tens toda a razão, e ele vai explicar-te o porque de ser tão parecido contigo… não é Dean?

- Vou explicar-te tudo… — Respondeu visivelmente emocionado, dando a mão ao menino.

Isabella sentiu-se muito contente pelo irmão. Finalmente Dean tinha encontrado uma razão pela qual valeria sempre a pena viver e lutar, nunca mais se sentiria novamente só ou infeliz. Não pode também deixar de olhar de relance para o pai que observava de perto toda a situação, sem nada dizer, mantendo-se distante, parecendo verdadeiramente envergonhado.

- Eval, Adriel… Vão com Dean, acho que o nosso irmão precisa explicar-vos tudo isto. Ajudem a cuidar do pequeno sim? – Isabella pediu às irmãs que olhavam pasmadas para toda a situação. As duas prontamente obedeceram.

- Quem era aquele homem minha filha? – Perguntou Renée.

- Aquele era Damon Salvatore minha mãe, irmão de Katherine Salvatore, a mulher que o seu filho tanto amou e de quem foi obrigado a afastar-se. Ela acabou por se matar devido ao desgosto, logo após ter dado á luz um filho do Dean – Explicou bruscamente e sem rodeios. Não pela sua mãe, mas porque sabia que o pai escutava a conversa – Foi em casa dos Salvatore que estive todo este tempo.

- Oh meu deus… — Murmurou Renée, tristemente e visivelmente desgostosa.

- Não fique assim minha mãe. Acabaram-se os motivos para tristeza. Vá conhecer o seu neto – Incentivou-a.

Isabella subiu depois a escadaria em direcção aos seus aposentos, não sem antes dirigir um olhar de raiva ao seu pai. Que desapareceu logo de seguida na penumbra dos corredores.

Ao subir a escadaria o seu coração batia violentamente contra o seu peito em compasso. Tremia dos pés á cabeça com o que tinha que enfrentar mas sabia que não podia jamais recuar. Havia chegado o momento de enfrentar as consequências dos seus próprios actos.

Quando entrou Edward esperava-a sentado numa poltrona. Isabella sentou-se na cama, longe dele, mas mantendo o contacto visual. Ele olhava-a de uma forma desconhecida para ela até então.

- O que é que tu julgas que eu sou? – Perguntou-lhe cruelmente – Alguma espécie de bobo da corte?

- Edward por favor deixa-me explicar…

- Não preciso de mais explicações depois do que eu vi. Acaso menosprezas também a minha inteligência? – Perguntou empregando toda a raiva que sentia em cada palavra.

Isabella não conseguia encontrar palavras para se defender quando sabia que não havia defesa possível para a traição que cometera.

- Eu realmente arrependo-me do tanto que te amei… Tanto tempo desperdiçado… Para quê? Para ter que assistir a isto?

Levantou-se de repente aproximando-se dela, encarando-a fixamente.

- Sentes amor por esse homem? – Perguntou bruscamente.

- Não… — Respondeu com confiança e sem qualquer hesitação.

- PÁRA DE MENTIR … — Gritou.

- Eu não o amo… eu apaixonei-me? Sim, é verdade… Cometi um pecado e jamais me perdoarei por isso? Sim, também é verdade… Mas até eu que ajo como uma completa insana sei reconhecer que não o amo. Amor constrói-se, conquista-se no dia-a-dia não se descobre, conforta-nos não nos abala, dá-nos segurança não inquietudes… — Explicou com a maior sinceridade que conseguiu empregar aquelas palavras.

- Deitaste-te com ele? – Perguntou, encarando-a com uma raiva que ele próprio desconhecia ter em si.

- Sim… — Murmurou a custo, tremendo dos pés a cabeça, cheia de vergonha de si.

Edward levou as mãos ao rosto e sentiu-se tomado por um enorme desespero.

- O que é que eu te fiz para merecer isto? Em que é que eu errei? O meu amor não era o suficiente para ti?

- Eu nunca me perdoarei por isto…

- Eu não quero ouvir mais nada vindo de ti. Sai daqui…

- Edward por favor… – Pediu.

- SAI DAQUI… — Gritou novamente — Sai deste quarto… pede ás criadas que levem daqui tudo o que é teu.

Isabella baixou o olhar e limpou as lágrimas do rosto.

- Só não te digo para que saias completamente da minha vida por causa desse filho que esperas – Disse, agarrando-a violentamente no braço e empurrando-a para fora do quarto — Mas quero que saibas que era exactamente isso que faria se pudesse.

Isabella ouviu a porta bater estrondosamente atrás de si e deixou-se cair no chão do corredor. Entendia o ódio que ele estava a sentir, não podia de forma alguma condená-lo. Sentiu-se um farrapo humano por ser a única causadora da dor dele. Naquele momento foi como se tivesse sido esmagada pelo seu próprio egoísmo. Tanto tempo em busca de verdadeira felicidade sem se ter apercebido que ela estava bem diante dos seus olhos. Sofreu por saber que tinha deitado tudo a perder.

Notas finais
Não resisti e acabei por postar já...

Então gostaram do cap. e da surpresa nele? :)

Mereço reviews?

Obrigada pelo apoio de todas e pelos reviews que sempre deixam...

Beijinho e até ao ultimo capitulo :(