Notas iniciais
Neste capitulo vamos ficar a conhecer Damon e um pouco da sua história

Do outro lado da cidade havia mais alguém olhando a chuva através de uma pequena e velha janela.

Fazia muito tempo que ele não vinha à sua antiga casa. Nos meses que se seguiram à mudança passava mais tempo ali do que na sua nova casa. Ele odiava o casarão onde actualmente residia e ainda mais o dinheiro que agora possuía.

Se tivesse conseguido vencer na vida mais cedo nenhum mal se teria abatido sobre a sua família. A consciência dessa realidade dilacerava-o.

Aquele espaço agora praticamente em ruínas era de alguma forma reconfortante para ele. Enquanto caminhava explorando os cantos da velha casa que outrora fora sua, sentia o piso de madeira ranger e era envolvido pela fragrância característica do local. Foi ali que viveu grande parte da sua vida. A melhor parte dela, porque Damon não se lembrava de se sentir verdadeiramente feliz.

Caminhou vagarosamente até ao quarto que tinha sido dos seus pais, observou detalhadamente o local como se o olhasse pela primeira vez e lembrou…

Flashback on

- Damon… Damon… — Chamava insestentemente Giuseppe.

O menino que brinca alegremente no jardim correu para o Pai

- Já nasceram Damon, já nasceram os teus irmãos… — Disse-lhe Giuseppe feliz.

- Não era só um senhor meu Pai? – Perguntou Damon, curioso.

- Todos esperávamos que sim meu filho, mas afinal tivemos uma surpresa, veio um menino e uma menina. Anda vê-los.

O pai á alguns meses tinha-lhe dito que teria um irmão e ele tinha ficado maravilhado. Logo prometeu ao pai que como irmão mais velho cuidaria dele melhor que ninguém, protegendo-o sempre para que nada de mal lhe pudesse acontecer.

Damon precipitou-se então velozmente para o quarto dos seus pais. Estava demasiado ansioso por aquele momento. Foi lá que os viu pela primeira vez. O menino encarou os dois bebés com os seus enormes olhos azuis e sorriu alegremente.

- Pai eles são lindos… — Exclamou o menino.

- Lembras-te do que prometes-te Damon? Nunca te podes esquecer… Eles são também tua responsabilidade a partir de agora – disse-lhe Giuseppe carinhosamente – e a tua responsabilidade aumentou meu pequeno, pois são dois irmãos.

- Vou cuidar bem deles Pai… Vou ser o melhor irmão do mundo.

-E então pequeno? Como se vão eles chamar?

- Posso escolher? Mesmo?

- Claro filho… disse-te que a tua responsabilidade começava agora.

- Vão chamar-se Stefan e Katherine – Exclamou feliz encarando os dois bebés adormecidos, certo de que jamais se esqueceria daquele momento.

Flashback of

O dia em que viu pela primeira vez os irmãos, foi também o dia em que viu a Mãe pela última vez. Após o parto dos gémeos sofreu uma grave hemorragia e não tinha conseguido resistir. Foi uma confusão de sentimentos muito difícil de suportar. Damon era na altura apenas um menino de 5 anos, apanhado completamente desprevenido. Demasiado novo para compreender a complexidade da vida e da morte foi obrigado a crescer depressa demais.

Estava acostumado a ficar em casa com a Mãe enquanto o Pai ia trabalhar para a mina local. Durante o dia ajudava a Mãe a cultivar as pequenas terras que tinham herdado dos avós.

Os seus pais poupavam todo o dinheiro que podiam para comprarem sementes variadas. Plantavam um pouco de tudo para que pudesse dar mais lucro. Quando o Pai de Damon todos os dias voltava da mina ainda ajudava nos trabalhos mais pesados que a Mãe não conseguia fazer. Quando chegava a altura de fazer a colheita do que tinham produzido, ele e a mãe levantavam-se bem cedo e iam vender os produtos na feira local. Faziam um enorme esforço diário conjunto para que um dia as suas vidas pudessem melhorar.

Ao perder subitamente a Mãe, Damon viu a sua vida mudar por completo. Competia agora a ele, efectuar sozinho, todo o trabalho e cuidar dos seus dois irmãos. Todos os dias travava corajosamente uma incrível batalha. A sua família passou a ser a sua principal motivação e o seu maior orgulho.

Suspirou profundamente enquanto decompunha o seu percurso de vida, ele amava esta casa antiga precisamente por lhe trazer boas lembranças que alentavam o seu coração nos tempos tristes que agora vivia. Cada recanto daquela casa fazia-o recordar. Deixou-se cair pesadamente na cama e permitiu que as memórias fluíssem…

Flashback on

Damon, agora com 15 anos, corria como uma lebre endiabrada e dois pequenotes perseguiam-no alegremente lutando para o acompanhar.

— Pára de correr Damon – Gritava o pequeno.

- O que foi Stefan? Não me apanhas?

- Pára Damon… Katherine ficou para trás.

Damon parou imediatamente, deu a mão ao seu pequeno irmão e voltou para trás, aflito, à procura da menina.

Katherine estava apenas alguns metros atrás sentada no chão, arfando de cansada.

— Então pequenina? Não me consegues apanhar? — Perguntou Damon enquanto levantava a irmã do chão rodopiando-a no ar.

- Então não és tu que és mais forte que eu? — Gozou Stefan com a irmã.

- E sou Stefan, mas hoje estou cansada… — reclamou a pequena.

Damon riu consigo mesmo da resposta que a irmã dera ao Stefan. Katherine era uma menina valente, nunca se dava por vencida.

- Vamos voltar para casa meninos. Tenho que por tudo pronto, amanhã vamos á feira vender o que colhi hoje de manhã. Com sorte renderá um bom dinheiro. Bem precisamos, logo que vocês cresçam um pouco mais ficarão com estas tarefas por vossa conta para que eu possa trabalhar na mina com o Pai.

Os meninos obedeceram e seguiram o irmão mais velho até casa.

Enquanto Damon completava as suas tarefas observou os dois a brincar. Eram inseparáveis, onde um ia o outro ia atrás. Nunca vira os irmãos zangarem-se por nada e o que um não tinha o outro parecia completar. Era um verdadeiro alivio vê-los assim, porque tinha a certeza que, desse o mundo as voltas que desse, eles teriam sempre um ao outro.

Flashback of

Levantou-se da cama com um salto repentino e limpou a lágrima que escorria pelo seu rosto. Olhou-se ou espelho constatando as mudanças implacáveis proferidas pelo tempo, observou um homem que envergava roupas finas, confeccionadas com bons tecidos e debruadas a fios de ouro, que daria tudo para voltar a ser aquele menino mal trajado e pés descalços mas, notoriamente mais feliz.

Gostava de poder vir àquele local com Stefan e compartilhar com ele as mesmas memórias mas o irmão nunca mais lá voltara. Não podia criticá-lo, mas doía-lhe saber que Stefan estava carregado de mágoa e ódio.

Notas finais
Espero que tenham gostado deste dois primeiros capítulos...

Bjs, Ana