Notas iniciais
Cá vai mais um capitulo na casa dos Salvatore que será centrado na adaptação de Isabella e Alice a uma nova situação...

Depois de ter passado imenso tempo no escritório de Damon, incapaz de se mover, apenas pensando nos acontecimentos que haviam precipitado a situação em que se encontrava, caminhou vagarosamente até ao quarto que lhe fora designado. Os Salvatore seriam irredutíveis na decisão de mantê-las naquela casa. O seu coração apertava-se quando pensava na aflição da Mãe e das irmãs quando descobrissem que estava desaparecida. Outro rosto aflorou-lhe também aos pensamentos, Edward…

Quando entrou, Alice estava sentada na pequena mesa do quarto, comendo.

- Fiquei preocupada quando acordei sobressaltada e não te vi! Onde foste?

- Falar com Damon…

- Como correu?

- Foram confirmadas as minhas suspeitas. O relacionamento de Dean foi mesmo com Katherine Salvatore.

- O que é feito dela? – Perguntou aflita. Como se aquela mulher de quem tanto tinha ouvido falar, causadora de tantas das suas lágrimas vertidas, pudesse ainda afecta-la.

- Faleceu…

- Faleceu? Como? O que aconteceu afinal? – Questionou, estupefacta.

- Não sei Alice. Não fui capaz de perguntar. Ele ficou perturbado com a conversa. Claramente ele e o irmão ainda estão devastados com o acorrido. Nunca puderam esquecer porque culpam a minha família pelo que se passou. E por isso que cá estamos.

- O pior desta história é que eles têm a sua razão.

- Pois tem. O meu Pai não podia ter obrigado Dean a abandoná-la. Foi demasiado cruel o que ele fez.

- E agora como é que nós ficamos?

- Não faço ideia, mas eles não vão deixar-nos sair daqui…

Ouviram bater à porta. Alice precipitou-se para abrir e ambas ficaram deveras surpresas ao ver Stefan à porta.

- Perdão por incomodá-las, imaginei que gostariam de conhecer os cantos à casa. Vim oferecer uma visita guiada. Não é minha intenção mantê-las trancadas nos vossos aposentos.

- Muita ousadia a sua… — Proferiu Isabella furiosa.

Alice estremeceu dos pés à cabeça, incomodada com a situação. Ela era bem diferente de Isabella. Era delicada, submissa, muito querida e amável mas pouco corajosa. Procurava afastar-se de todas as situações desagradáveis. Era também por isso que sofria tanto na sua relação com Dean. Tudo o que mais desejava era criar uma família, estabelecer uma relação cordial, pacata e feliz. Ao lado do marido todos esses sonhos tinham sido deixados de lado.

- Perdão? – Perguntou Stefan admirado.

- O Senhor entendeu muito bem. Espera que aceitemos de bom grado esta situação? Estamos longe de casa e da nossa família e somos mantidas aqui contra nossa vontade portanto penso que podemos muito bem por de lado as hipocrisias.

- Bella tem calma… – Proferiu Alice, baixinho.

- Não entenda o meu contive como hipocrisia mas sim com cortesia – Respondeu irónico.

- Já que faz tanta questão que nós nos sintamos em casa, assim seja! No meu espaço só entram as pessoas que são convidadas por mim. Então o Senhor queira por favor retirar-se daqui – Ordenou furiosa.

- Faço questão também de me desculpar com a Senhora pela situação complicada em que a coloquei nesta manhã.

- As suas desculpas são desnecessárias, assim como a sua presença… — Pronunciou, fazendo-lhe sinal na direcção da porta.

- Não acha que está a tornar as coisas bem mais complicadas?

- Ainda bem que fui bem clara nas minhas intenções.

- Queiram por favor compreender que permanecerão nesta casa por tempo indefinido. Realmente quer que eu acredite que passará todo o seu tempo neste quarto?

Isabella foi incapaz de lhe responder.

- Bella talvez o Senhor Stefan tenha razão… — Disse Alice, verdadeiramente amedrontada.

- Muito bem. Façam os dois um muito bom passeio – Falou bruscamente.

- Vou dar-vos um minuto. Espero à porta – Disse Stefan, retirando-se, percebendo que elas precisavam discutir a sós o assunto.

- Achas junto colocares-me nesta posição delicada? – Perguntou Alice a Isabella depois de Stefan ter saído.

- O que queres dizer com isso?

- Estamos as duas na mesma posição. Tu mesma admitiste que eles não vão deixar-nos sair desta casa. Então de que adianta toda esta troca de palavras amargas? É verdade o que ele disse Bella. Temos que conhecer os cantos à casa ou os nossos próximos dias serão uma autêntica tortura.

- Estás certa. No entanto não me peças para vos acompanhar. Tu mesma podes mostrar-me a casa depois.

- Ficas bem?

- Sim, vai com ele. Não te preocupes comigo.

Quando ficou sozinha, deitou-se sobre a cama e não pôde deixar de pensar novamente em Edward e isso angustiou-a profundamente. Era uma mulher casada agora e isso mudava tudo, sabia o quanto ele a amava e o quanto ele sofreria quando se apercebesse do seu desaparecimento. Sentiu o coração apertado. Sempre fora uma mulher forte e determinada mas por vezes também se sentia fraquejar. Esta era uma dessas situações em que se sentia desnorteada e frágil. Mas Isabella sabia que estava sozinha, entregue à sua sorte e que Alice não seria de grande ajuda. Não se deixaria abater pelos acontecimentos, disso estava certa.

Depois de Stefan ter mostrado toda a casa a Alice, convidou-a também para um passeio no exterior. No inicio ela sentia-se receosa e também preocupada com Isabella que ficara sozinha no quarto. Mas depois do susto do primeiro impacto, que sofrera nessa mesma manhã, quando temeu pela sua vida, sentia-se agora mais segura e não pretendia de forma nenhuma ficar encarcerada no quarto. Percebia no entanto as reacções de Isabella, ela tinha mais a perder em estar ali do que ela. Alice vivia numa prisão pior do que aquela em que agora se encontrava. Tinha apenas um marido que não a amava para quem voltar.

- A Senhora sempre viveu cá?

- Trate-me apenas por Alice – Pediu — Não… vim morar para cá quando me casei.

- Muito bem, só Alice será se tiver o mesmo tratamento comigo – Pediu sorrindo-me — E a sua família onde está?

- Não tenho família. A minha mãe morreu quando eu era ainda muito pequena e o meu pai também partiu pouco depois do meu casamento.

- Imagino quem tenha lucrado com tudo isso… – Proferiu. Pensou que o velho Swan devia ter tomado logo conta dos bens do Pai dela, logo após a sua morte, mas arrependeu-se de ter falado logo de seguida – Perdão, não era minha intenção ofendê-la.

- Não ofendeu… Sinto imensas saudades do meu Pai, da minha casa, principalmente quando me sinto mais sozinha – Disse tristemente.

- Acredite que eu sei melhor que ninguém o que significa sentir saudades do que ficou apenas no passado.

Alice percebeu perfeitamente a quem ele se referia e teve vontade de falar sobre ela… Katherine. Mas não o fez por não achar apropriado e por receio da reacção dele. Stefan não lhe parecia uma má pessoa, assim como Damon. No momento só conseguia sentir dó por tudo o que eles haviam sofrido. E admiração pelo que tinham conseguido conquistar.

Isabella esperou durante imenso tempo, mas Alice simplesmente não voltava. O tempo passava dolorosamente lento ali, sem nada para se fazer. Começou a ficar também preocupada com a delonga da sua cunhada. A noite não demorou a cair. Comia um pedaço de pão que sobrara, para entreter o estômago e a fome que sentia, quando bateram à porta.

- Entre… — Pediu.

- Boa noite Senhora, pediram-me que a chamasse para jantar. A sua cunhada também já está no salão de refeições à sua espera – Informou Marion, entrando.

- Informe os Senhores que me recuso a descer. Eu não vou jantar. Prefiro passar fome – Respondeu altiva e obstinada.

- Mas Senhora… — Tentou argumentar.

- Não insista por favor. Sei que está apenas preocupada comigo mas faça simplesmente o que lhe peço, avise que não vou descer.

Damon, Stefan e Alice estavam já sentados na mesa de jantar, esperando por Isabella.

— Gostou da casa? – Perguntou Damon a Alice.

— Gostei sim.

— Já soube que a sua cunhada não a quis acompanhar. Pode a Senhora mesma mostrar-lhe tudo depois. Quero que se sintam completamente à vontade cá.

— Obrigada. Pode tratar-me apenas por Alice – Pediu educadamente.

— Peço desculpa por incomodá-los… — Disse Marion, entrando no salão de refeições.

- Já chamou a Senhora Isabella para jantar? – Perguntou-lhe Damon.

- Sim, mas a Senhora recusa-se a descer.

- Como assim? Não vai jantar?

- Diz que prefere passar fome.

- Pode ir Marion. Eu mesmo trato disso – Proferir Damon irritado, levantando-se de rompante.

- Damon… – Chamou Alice, que se levantou também, para segui-lo – Deixe-a estar, se me permitir eu mesma posso levar algo para ela comer.

- Lamento mas não posso concordar com isso. Estou consciente que o objectivo dela é fazer-me sentir culpado. É também meu dever demovê-la dessa ideia sem cabimento – E assim, saiu de rompante pelo salão e subiu rapidamente a escadaria.

Pouco tempo depois de Marion ter saído, bateram novamente à porta. Desta vez com mais impaciência.

- Quem é? – Perguntou, receando que não fosse novamente apenas Marion.

Damon nem lhe respondeu. Rodou a maçaneta da porta e entrou pelos aposentos adentro.

- O que faz aqui? – Perguntou admirada ao vê-lo ali – Não me lembro de lhe ter dado autorização para entrar.

Ele não pode deixar de sorrir mentalmente com aquela cena. Olhou-a descaradamente. Mas ela desviou o olhar procurando evitá-lo. As cores do rosto dela tinham voltado. Naquela manhã o seu coração tinha ficado demasiado apertado devido à culpa que sentiu pela forma como a havia tratado. A expressão assustada daquela moça linda tinha-o feito dolorosamente recordar episódios passados. Um outro rosto frágil cheio de dor e de medos. Mas era uma pessoa diferente a que via agora à sua frente. Podia observar que a vida e a força tinham voltado a Isabella Cullen. Observou curioso a postura desafiadora dela e achou a sua atitude surpreendente. Estava ciente do jogo dela, tirar o máximo partido da sua culpa…

- Se me conhecesse saberia que eu faço apenas aquilo que me apetece fazer, sem necessitar de autorizações – Disse encarando-a provocador – Vim buscá-la para jantar.

Se a beleza de Edward era angelical a de Damon definitivamente não o era. O seu rosto era sublime mas a expressão corporal era ameaçadora e os seus modos sensualmente grosseiros. A maneira descarada como ele a olhava com os seus olhos demasiado azuis era completamente invulgar. Ele era exactamente como Isabella o lembrava dos seus sonhos. O receio que sentia neles era exactamente igual ao que agora experimentava. Contudo o facto de ter a certeza que fora com ele que sonhara tantas vezes, aproximava-a inesperadamente dele. Era como se estar naquela estranha e constrangedora situação, estivesse sempre destinado a acontecer. Por mais que quisesse sentir ódio dele, simplesmente não conseguia. Sentia apenas irritação pela petulância dele mas compadecia-se com a sua história. Estava cônscia que ele não passava, tal como ela própria, de mais uma vítima. Parecia-lhe apesar de tudo um homem integro e com muita coragem. No fundo Isabella também queria que o Pai pagasse pelo mal que tinha feito. Não concordava apenas com o modo escolhido pelos dois irmãos para que se fizesse justiça. Não era justo que pessoas inocentes continuassem a sofrer pelo mal infringido pelos outros. Por esse motivo não iria compactuar com aquela situação de ânimo leve, não enquanto a família comportava a sua ausência. Para além de todas essas razões não queria de forma alguma dar-lhe a entender que o conseguia compreender e muito menos queria que ele soubesse que a sua simples presença a incomodava. Não era altura para se mostrar frágil, era o momento para lutar com toda a sua garra.

- Já pedi para avisarem que eu não desço. Não transmitiram o recado? – Perguntou ironicamente, decidida a manter a máscara de frieza intacta.

- Acredito que não seja do seu agrado estar cá mas também já percebeu que eu estou resolvido quanto a isso. Então está mesmo decidida em tornar tudo pior?

- Tão decidida como o senhor mesmo pode constatar. Queria retirar-se...

Damon rodou os olhos, sentindo-se a perder a paciência. Olhou-a novamente durante algum tempo. Obviamente ela não era o tipo comum de mulher com quem estava habituado a lidar. Não era a mocinha frágil que parecia ser à primeira vista. Já o havia surpreendido pela força com que se debatera contra Stefan. Na altura pensou que a sua coragem se devia apenas à situação de ameaça a que se vira sujeita. Pelos vistos enganara-se redondamente. Isabella era um autêntico lobo vestindo pele de cordeiro. Percebendo que ela não se fragilizaria facilmente decidiu mudar a táctica de abordagem. Não podia permitir que ela jogasse com ele e o martirizasse, enchendo-o de culpas devido ao isolamento e à greve de fome que ela própria impunha a si mesma.

- Perdi a paciência consigo. Vamos embora, faça o que lhe mando – Ordenou, agarrando abruptamente no braço de Isabella, arrastando-a para fora do quarto.

- Largue-me seu bruto. Não é assim que se trata uma senhora – Barafustou.

- Talvez não seja lá no sítio repleto de hipócritas, de onde veio. Debaixo do meu tecto tratamos todos de forma igual. Não somos especialmente atenciosos com senhoras capazes de actos grotescos. Ou por acaso está esquecida que tentou matar o meu irmão?

- Agi apenas em legítima defesa.

- De qualquer das formas não venha armar-se em donzela indefesa. Sou conhecido por ser um óptimo negociante. Queira então saber que essa sua faceta eu não compro.

Ainda conjecturou verter umas lágrimas para tentar comovê-lo. Mas desistiu no mesmo momento em que a ideia surgiu. Ele não seria um osso fácil de roer. Não era o tipo de homem com quem estava habituada a conviver, normalmente cheios de excessivos cavalheirismos.

Ele arrastou Isabella relutante, que se debateu contra ele todo o caminho, até ao salão. Pode ver que Alice já estava também à mesa, sentada ao lado de Stefan. Os dois estavam esperando por eles.

Damon afastou uma cadeira e forçou-a a sentar-se, exercendo-lhe pressão nos ombros dela para baixo. Isabella empurrou o prato para longe. E ele insistentemente voltou a puxar o prato para a frente dela.

- Bella por favor, é melhor comeres – Pediu Alice.

— Não vês que ainda vão envenenar-nos?

— Stefan, apercebes-te da cruz que me trouxeste para dentro desta casa?

— Isabella seja sensata e coma – Pediu Stefan, atónito com a cena que os dois tinham acabado de lhe proporcionar — Ninguém pretende fazer-lhe qualquer mal.

— Como é que vai ser Senhora Isabella? A bem ou a mal? – Perguntou Damon, olhando-a ameaçador.

Isabella olhou então para as enormes travessas recheadas de comida, pousadas na mesa. Tudo parecia extremamente apetitoso e ela estava esfomeada. Olhou de relance para o determinado Damon. Concluiu então que aquele bronco seria mesmo capaz de lhe enfiar a comida goela abaixo se ela se continuasse a recusar comer.

— Pois muito bem. Eu como.

— Ouviu a senhora Charles? Pode servir – Pediu Damon.

Durante o jantar, Stefan e Alice foram os únicos trocaram algumas palavras. Isabella colocou os olhos no prato, emburrada e não proferiu uma palavra. Assim que a refeição terminou, Damon despediu-se e retirou-se. Stefan e Alice ainda falavam. E Isabella resolveu então subir para os aposentos.

Quando se deitou tudo o que queria era poder adormecer rapidamente. Sentia-se entorpecida pelo enorme cansaço provocado por um dia tão esgotante física e psicologicamente. Mas o próprio cansaço não facilitava a chegada do sono, a sua cabeça latejava e o corpo estava dorido. Para não falar que não conseguia parar de pensar em tudo o que a afligia. No fim da manhã do dia seguinte, Edward esperaria a sua chegada na fazenda e ela nunca chegaria, isso não parava de a atormentar. As palavras dele ecoavam dentro de si, “Nenhum humano pode ser totalmente livre. Nós não somos como os animais. Temos responsabilidades com o próximo. Vivemos inseridos numa sociedade, numa família. Em nosso redor estão pessoas a quem nós devemos e sem as quais não nunca poderíamos ser felizes. Não podemos simplesmente agir pensando unicamente em nós, levados apenas pelos nossos sentidos e desejos”. Naquele momento sentia uma ânsia inexplicável por liberdade, ainda maior do que sentira até ali. Mas era diferente, era um desejo totalmente egoísta, porque estranhamente não desejava poder ir onde quisesse mas sim por não ter ninguém que se preocupasse com ela. Só assim poderia, verdadeiramente ser livre.

Caiu depois, finalmente num sono demasiado leve. Remexeu-se imenso na cama e despertou várias vezes em curtos períodos de tempo. Alice já estava também na sua cama e ao contrário dela dormia profundamente.

Resolveu então levantar-se na tentativa de se apaziguar. Espreitou pela janela e ficou curiosa ao ver um vulto iluminado pelo luar. Percebeu que se tratava de Damon. Ao que parecia ele também não conseguia adormecer. Quando percebeu que estava a ser observado, voltou o rosto para a janela de Isabella, num movimento rápido. Num segundo ela sentiu o seu olhar cruzar com o dele e automaticamente desviou-se do alcance da visão dele. Encostou o corpo a parede fria do quarto, ofegante. O seu coração parecia querer saltar-lhe do peito. Não conseguia perceber porquê agira desta forma ou o que se passava com ela que a impedia de agir como uma pessoa normal. Confusa, simplesmente confusa, era exactamente como se sentia…

Notas finais
Gostaram? Não deixem de comentar e de me dizerem tudo o que pensam...Muitos reviews = a inspiração para escrever o próximo cap, ok?Bjs, Ana