Notas iniciais
Depois do casamento, em casa da família Swan...

Isabella abriu os olhos com dificuldade, ofuscada pelos raios solares que invadiam o quarto. Olhou para o lado esperando encontrar Edward mas ele já havia saído. No entanto, o cheiro dele estava espalhado por todo o quarto. Podia senti-lo impregnado no seu próprio corpo que estava dorido devido á noite anterior e aos toques que nunca antes sentira.

Apressou-se em levantar-se e chamou a criada para lhe preparar um banho. Demorou-se na água. Deixou-se relaxar e recordou os momentos surpreendentes da noite anterior.

- Senhora, a Senhora Alice está aqui para vê-la. Posso mandar entrar? – Perguntou a criada.

- Sim, pede-lhe que entre.

— Bom dia! – Cumprimentou-a Alice ao entrar.

— Bom dia.

— O pequeno-almoço já está servido. Ninguém te queria vir chamar. Hoje tinhas direito a ficar mais tempo na cama. Mas já que o noivo saiu eu não resisti a vir.

— Estava num sono tão pesado que nem notei pela saída dele.

— Então? Como foi? – Perguntou Alice a medo, mas cheia de curiosidade.

— Surpreendentemente agradável – Respondeu Isabella, rindo — Eu gostei dos toques dele e dos beijos.

— Que bom Bella, queria tanto que vocês se entendessem.

— Assim como eu o desejo Alice. Eu vou tentar, prometi isso á minha mãe. Mas faço-o não só por ela. Faço principalmente pela minha felicidade e pelo Edward que não tem culpa desta situação.

— Pois fazes muito bem. Para ti sair desta casa vai até ser bom. Para evitares mais aborrecimentos com o teu pai.

— Bem verdade. Não aguento mais a opressão dele.

- O teu irmão disse que queria ter uma conversa comigo. Por acaso sabes qual o assunto?

— Não sei se estará relacionado com a conversa que tive ontem com ele durante a festa.

— Falaram sobre mim?

— Falamos. Eu fico preocupada contigo, agora que me vou mudar. Queria que ele entendesse que mereces melhor tratamento. Não és culpada de nenhum dos males dele.

— Dean não entende que também fui obrigada a este casamento. No inicio não gostei da ideia. Mas quando ele foi a casa dos meus pais para me conhecer, fiquei encantada. O meu coração disparou quando lhe depositei o meu olhar. Morria de receio que o meu pai arranjasse um marido que não despertasse minimamente o meu interesse. Que me causasse repudia. Mas o homem mais bonito e interessante que alguma vez vira estava na minha casa para se tornar meu noivo. Senti uma golfada de esperança num futuro feliz. Tudo para ver a minha vida transformada num pesadelo.

— Foi por isso que lhe falei. Para que ele entendesse de uma vez que és tão vitima quanto ele.

— Se soubesses o quando é doloroso sentir o seu ódio quando ele me toca. Ouvi-lo dizer o nome dela quando se deita comigo. Foram noite seguidas em que chorei até cansar. Cheguei a desejar até que o meu pai me tivesse casado com um velho decrépito. Pelo menos saberia o que é sentir-me desejada. Não há maneira do Dean esquecer o raio daquela mulher.

— Alice, posso imaginar o que ela também deve ter sofrido.

— Não mais do que eu.

— Não te deixes consumir por esses sentimentos de ódio. Não é próprio de ti. Não deixes de ser a Alice que conheço, sempre querida e delicada com os que a rodeiam.

— Olha onde a cortesia me trouxe.

— Não sabemos o que o dia de amanhã nos reserva. Vá lá... Enxuga as lágrimas. Ajuda-me a vestir e vamos descer para tomar o pequeno-almoço. Estou esfomeada – Concluiu, esforçando-se por terminar com o assunto que tanto incomodava Alice.

Tinha esperança que a conversa que tivera com Dean desse os seus frutos e que em breve os dois pudessem tornar a convivência entre ambos, mais agradável.

Desceram logo de seguida juntando-se á restante família que permanecia na mesa de refeições. Não estavam presentes apenas Edward e o seu pai, o tio Anthony. Todos conversavam entre si agradavelmente.

- Onde está Edward? Não esperava que saísse tão cedo – Perguntou Isabella, sentando-se á mesa.

— Negócios importantes com o teu tio – Respondeu Charlie – Sirva a senhora Isabella – Ordenou á criada.

- Algo muito importante com certeza. Visto que não pode esperar nem que a lua-de-mel terminasse.

- Descontente com a ausência do marido? – Brincou Eval.

- Não estou com vontade para brincadeiras Eval. Apenas esperava que ele me levasse consigo. Já passei tempo demais enfiada nesta casa.

- Ora Isabella, mais decoro – Recomendou Charlie, rindo-se ironicamente das palavras da filha – Lugar de esposa não é a acompanhar o marido, é em casa á sua espera. Será que não ensinas-te nada á tua filha Renné?

- O teu pai tem toda a razão. Se passas demasiado tempo em casa é porque assim o desejas. Mais logo vamos todas á cidade. Vou com a tua tia e as tuas irmãs visitar uma velha amiga. Vens connosco e o teu problema fica resolvido – Disse Renné.

- A Mãe sabe perfeitamente que não tenho interesse em tais passeios cujo objectivo é sempre o mesmo, compras e mexericos.

- Assunto terminado Isabella. Não é meu desejo apoquentar-me logo pela manhã com a tua falta de educação. Se não queres ir ficas em casa – Concluiu Charlie, irritado.

Isabella resolveu que o melhor seria mesmo não se alongar mais na conversa desagradável. Já lhe bastavam as desavenças que tinha com o Pai. Não queria criar mais uma. Tinha acordado com a esperança de que poderia acompanhar Edward para fazer algo diferente daquilo a que estava habituada. Mas agora que pensava melhor no assunto percebia que tinha sido uma insensatez, tal como o seu Pai fizera questão de frisar. Não poderia fazer nada ao lado de Edward enquanto ele tratava dos seus assuntos, para além de atrapalhar.

Terminou a refeição e esperou que os restantes se retirassem da mesa para sair. Pegou no livro que estava a ler e foi enterrar-se numa poltrona confortável no terraço da casa.

Olhou de longe, viu o Pai sair e observou as restantes mulheres da casa, com excepção de Alice. Preparavam-se para ir á cidade como tinham combinado. Percebeu que por mais vontade que tivesse de sair daquela casa não poderia jamais juntar-se a elas. Era castigo em demasia obrigar-se a aturar os olhares incisivos da mãe, tentando encontrar todas as respostas às dúvidas que lhe atormentam o espírito, ou as excessivas etiquetas de tia Elisabeth, a obsessão das irmãs por roupas e jóias e as conversas sem sentido que teriam com as restantes damas com quem se encontrariam. Por esses mesmos motivos, tinha-se prendido em expectativas de fazer algo de diferente na companhia de um homem. Certamente lhe agradaria mais. Pela escassez de conversas fúteis e pela falta do habitual excesso de delicadeza. As mulheres que a rodeavam preocupavam-se sempre com a escolha de cada palavra, de cada gesto. Do homem tudo saia mais natural, pela liberdade que possuíam e pela diferente educação que recebiam.

Inspirou fundo. Estava um belo dia. Corria uma leve brisa e no ar espalhava-se aquele aroma fantástico de primeiros dias de sol da primavera. Olhou para as páginas do livro e esforçou-se por se concentrar nas palavras nele encerradas. Mas o cantar dos pássaros e a beleza da natureza que a cercava não facilitava a tarefa, distraindo-a constantemente. Decidiu então aproveitar o momento a sós para dar um passeio. Só Dean e Alice almoçariam em casa. O que só por si constituía um motivo encorajador visto que os dois bem beneficiariam de momentos a sós.

Dirigiu-se então á cozinha, pegou em algumas coisas para comer e saiu alegremente. Pronta para fazer mais um dos seus habituais passeios. Iguais aos que sempre costumava fazer, à revelia do Pai, para fugir à monotonia ou escapar de alguma situação mais desagradável. Fugia daquela casa, para longe dos olhares da família, deixando todos em alvoroço. Procurando a tão desejada liberdade que dentro de paredes não conseguia atingir.

Caminhou então pelos extensos campos, sentindo a fresca aragem roçar-lhe nas faces. Penetrou sem receios na densa vegetação. Sentia saudades daquele lugar. Fora ali que ela, Edward e Dean brincavam horas sem fim. Ela tinha passado ali imenso tempo a montar casinhas para os Gnomos que ali viviam, segundo as historias que o irmão e o primo a faziam acreditar. Fechou os olhos e recordou aqueles momentos e ouviu as suas próprias risadas de criança, ecoarem através do tempo.

Penetrou ainda mais longe na densa ramagem em direcção á lagoa, local da sua eleição. Quando lá chegou descalçou-se, libertou-se das meias, sentou-se na berma da lagoa e mergulhou os pés.

A água serena e o calor pareciam convidá-la. Os raios de sol espreitavam entre as árvores e ela sentiu toda a beleza e paz daquele sítio envolve-la. Sem receios e hesitações despiu-se e mergulhou na água gelada. Deixando-se invadir por aquela fantástica sensação. Teve a certeza de que nada nem ninguém poderia destruir a sua felicidade naquele momento. Nada poderia magoá-la. Era como se estivesse a viver um reencontro consigo mesma, com aquela menina sem limites para sonhar, aquela que não conhecia limites para a palavra alegria e, naquele embalo deixou-se estar, nadando, um tempo sem fim. Abstraindo-se completamente da percepção do tempo.

Foi despertada muito mais tarde por súbitos barulhos no meio das ramagens. Sobressaltada olhou em volta e assustou-se quando viu Edward de pé encarando-a.

— Bella, podes explicar-me o que fazes aqui? – Inquiriu, encarando-a rudemente, claramente descontente por vê-la ali.

Ela mal podia acreditar no que estava a acontecer. A certeza de segurança e liberdade que sentira naquele lugar dissipavam agora perante o que os seus olhos viam. Olhou para Edward o odiou o facto de ele estar ali, observando-a com aquele olhar reprovador. Sentiu-se controlada, coisa que mais detestava.

— Não tens olhos para ver por ti mesmo? – Perguntou ironicamente, não escondendo a fúria que sentiu.

— Vejo que estás longe de casa, completamente sozinha, a nadar nua numa lagoa.

— E em quê que isso te incomoda?

Indignada, precipitou-se a sair da água e vestiu-se o mais rapidamente que podia. Perante o olhar atónito dele.

- Como vês já estou a caminho de casa. O meu novo dono pode ficar descansado – Disse, disparando em passos largos a caminho de casa. Com o vestido molhado colado ao corpo.

- Estou a cavalo. Não vens comigo? – Perguntou-lhe Edward, seguindo-a.

- Não, não vou contigo. Posso muito bem ir a pé tal como vim. Para dizer a verdade até prefiro – Respondeu dirigindo-lhe um olhar colérico.

Edward não a seguiu, nem acrescentou mais uma palavra. Pelo contrário, sentou-se no chão e permaneceu assim durante algum tempo. Profundamente revoltado com a situação. Tinha o coração apertado e sentia-se magoado com as palavras que ela lhe dirigira. Era assim que Isabella agora o via? Como seu dono? Mesmo com toda a distância que ela lhe tinha imposto, sempre a observara. Admirava-a imenso. Exactamente como ela era. Com aquela chama no olhar que nada e ninguém poderia apagar. E ela agora acusava-o de o tentar fazer? De lhe colocar restrições? Essa não tinha sido a intenção dele. Esperava ela não lhe provocar preocupação? Como poderia sentir-se à-vontade em encontrá-la naquele local distante, completamente sozinha e indefesa aos perigos que pudessem surgir. Para ele, liberdade não era sinónimo de insanidade. Afinal bem perto dali andavam trabalhadores. Como ele a tinha encontrado, outra pessoa o teria feito facilmente. Isabella não poderia esperar que ele concordasse com todas as suas loucuras.

Mas agora temia que aquele infeliz acontecimento a afastasse ainda mais de si. Isso angustiava-o mais que qualquer coisa.

Isabella entrou em casa, pediu apenas à criada que lhe trouxesse água quente para se lavar e aquecer o corpo e correu imediatamente para o quarto batendo a porta atrás de si.

Todo o seu corpo tremia. Ela não sabia se era pelo frio ou pela tristeza que sentia. Enquanto passava o pano, que mergulhava na água quente, pelo seu corpo nu, lágrimas escorriam pelo seu rosto. Tinha plena consciência de que a sua atitude em nada ajudava na promessa que fizera a si mesma de lutar para que o seu casamento resultasse. Mas odiara a atitude de Edward. Estava cansada de ser constantemente criticada e interpelada pelo seu Pai daquela mesma forma. Não suportava que controlassem cada movimento seu, que constantemente esperassem dela um outro tipo de atitude.

Vestiu-se e foi-se sentar perto da janela. Através dela, pouco tempo depois, observou Edward a chegar. Pensou que possivelmente ele subiria para procurá-la. Estremeceu com ideia do questionário que ele faria sobre o que tinha sucedido, mas tal não aconteceu. Não lhe pareceu favorável e ideia de descer e juntar-se aos restantes, tinha apenas vontade de permanecer na sua própria companhia. Deixou-se cair sobre a cama. Encolheu-se num abraço e deixou-se a ali ficar imersa no silêncio dos seus pensamentos. Até que algum tempo depois foi novamente desperta.

— Senhora, estão á sua espera para o jantar – Chamou a criada.

— Pode dizer que desço num momento.

Notas finais
Espero que tenham gostado...
Comentem por favor, digam-me tudo o que pensam, confesso-me desanimada pela falta de comentários :( será que fui abandonada?

Obrigada!

Bjs, Ana