Erros de Sempre

7 Capítulo 6


Notas iniciais
De volta! Boa leitura aí, pessoal :)

Os jovens rapazes que entregavam panfletos no farol, soltavam risinhos enquanto observavam a morena caminhar apressada. Ela falava consigo mesma e não parecia feliz em ter que passar entre tantas pessoas que superlotavam as calçadas e ruas nesse horário. Sua bolsa constantemente esbarrava em alguém e os fios do cabelo castanho estavam grudando em sua testa com o suor.

A quarta-feira quente e ensolarada tinha pegado todos de surpresa, mas apesar do estado em que se encontrava, apreciava o calor e os raios de sol banhando boa parte da cidade. Às vezes, por breves momentos, se arrependia de não ter se mudado assim que concluiu a faculdade. Naquela época, os seus pais estavam mais firmes e felizes do que nunca, ela tinha um pouco de dinheiro guardado e a venda da pequena casa asseguraria que ela teria um teto sobre a sua cabeça quando chegasse ao seu destino. Onde quer que ele fosse.

Tampa teria sido uma escolha sábia.

Mas ela tinha Jasper, o seu irmão de coração. Ir embora e deixa-lo para trás já não parecia uma boa ideia, então se conformou em fazer a sua vida sob as nuvens carregadas da cidade mais populosa do estado de Washington.

— Estacionar foi um verdadeiro pesadelo — Ela soltou com um suspiro ao fechar a porta de vidro atrás de si. Correu em direção ao primeiro sofá que encontrou e atirou-se nele — Como você pôde fazer isso comigo? Eu fiquei assustada, Alice!

— Por que está sendo dramática, Bella? Eu apenas te contei que estava me sentindo indisposta e pedi para você me encontrar — A voz da amiga soou inacreditavelmente inocente e isso a fez revirar os olhos — O calor realmente me deixou um pouco confusa.

— Você me disse que tinha passado mal no dentista! — Isabella respondeu, ignorando o risinho da vendedora que se aproximou para colocar uma pequena bandeja com dois copos de água sobre a mesinha — Eu achei que tinha tido uma queda de pressão ou algo assim, sua cadela fingida.

Ela ouviu a risada melodiosa e descansou a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos para a acalmar o coração que ainda batia acelerado devido a sua pequena corrida. Não deveria estar perdendo o seu tempo nesse lugar. Tinha largado todos os amigos no restaurante e deixado a comida para trás porque achou que Alice precisava da sua ajuda, mas ao chegar, a encontrou em perfeito estado saboreando um sorvete de casquinha enquanto aproveitava a sombra de uma árvore.

— Me recuso a pedir desculpas.

— Que seja. Você está me devendo uma. Das grandes, a propósito.

— Tudo bem, eu vou compensa-la assim que te mostrar as maravilhas que encontrei por aqui! — Alice vibrou, surgindo com várias roupas penduradas em seus braços de entre as extensas araras — O que você acha desse vermelho?

Ela estendeu um dos cabides negros em direção à Isabella, que pegou o vestido meio cautelosa, como se o tecido fosse rasgar entre suas mãos a qualquer instante.

As duas amigas estavam na butique favorita de Alice e uma das mais caras de Seattle. Isabella a conhecia, pois já admirou dezenas de peças expostas na vitrine, mas nunca se atreveu a entrar. Sabia que o valor de um cachecol nesse lugar, era capaz de alimenta-la por um mês inteiro. Ela não estava disposta a gastar tanto por causa de uma etiqueta famosa. Essas coisas eram para mulheres como sua amiga, que além de poder pagar sem sentir culpa depois, gostavam e entendiam do assunto.

— Um pouco chamativo demais? — Isabella respondeu depois de dar uma boa olhada. Apesar de ter um tamanho decente, o decote nas costas era escandaloso demais para a ocasião — Você disse que era uma festa surpresa para o seu amigo.

— Acho que você tem razão — Alice concordou após pensar um pouco — É apenas um jantar de boas-vindas. Não precisamos exagerar. E que tal esse?

Um amarelo surgiu na sua frente.

As estampas extravagantes fizeram Isabella franzir o cenho. Se as vendedoras não estivessem por perto para auxiliar, ouvir, ajudar, massagear e fazer o que diabos Alice quisesse, ela diria que talvez fosse capaz de encontrar algo mais bonito no Northgate Mall, mas isso com certeza a faria gritar.

— Eu acho que não.

Olhando mais uma vez o seu relógio de pulso, ela soltou a respiração vendo que as horas estavam em seu favor. Ela levantou-se do sofá e foi procurar algo que fosse compatível com o seu gosto e principalmente, com o bolso.

Seu encontro com Alice no sábado tinha sido melhor do que esperava. As duas se encontraram para almoçar e as coisas correram de forma tão natural, que quando deram por si, estavam fazendo atividades de garotas e passando a tarde juntas. Isabella não estava enganada em dizer que a pequena moça era a Cullen mais fácil de se conviver. Apesar de ter o gênio forte, ser decidida e insistente, Alice também era uma amiga muito solidária e atenciosa. Ela distraiu Isabella, contando sobre sua vida corrida em Los Angeles e suas aventuras amorosas que eram de tirar água dos olhos de qualquer um.

Ela nunca tinha tido um namorado sério e grande parte da culpa disso, era de Emmett e seu ciúme descabido. Mesmo com 1,142 milhas separando os dois irmãos, ele ainda era capaz de assusta-la e junto com a esposa, fazia visitas constantes para a moça nos finais de semana. Seu estado civil realmente nunca incomodou. Estagiar e entrar no mercado de trabalho em LA tomava muito do seu tempo e no final do dia, não tinha energia para dedicar a ninguém além de si mesma, mas agora que estava se estabelecendo na cidade, gostaria de mudar isso o quanto antes. Reclamou que os seus últimos anos tinham sido solitários demais e Isabella entendia a sua situação melhor do que ninguém.

Independentemente de sua companhia, sentia-se sempre vazia.

Alice recebeu muito a apoio da família quando cogitou voltar e agora, trabalhando como produtora executiva em uma revista famosa e reconhecida, sente-se finalmente em casa por estar perto de quem ama.

Ao longo do dia, as duas morenas evitavam entrar em assuntos do passado, mas Isabella notava que a cada oportunidade que tinha, o nome de Edward entrava no meio da conversa sem mais nem menos. Isso aconteceu tantas vezes, que quando percebeu, já estava fazendo perguntas e mostrando mais interesse do que deveria pela vida do homem. A amiga se divertia com o seu interesse e não hesitava em revelar o que o irmão tem feito e com quem esteve.

Isabella era um caso perdido.

— Eu preciso ir. Tenho que marcar com o fotografo e ainda tenho dois shooting para organizar e acompanhar — Alice explicou enquanto acenava com a mão para um táxi que acabara de deixar alguém não muito distante delas — Mas eu te ligo, tudo bem? Nós precisamos acertar alguns, hmm, detalhes.

— Não se preocupe, Ali. E obrigada pelo vestido.

— De nada — Ela sorriu, dando de ombros — Apesar de eu achar que nós podíamos ter encontrado algo melhor, você ficou realmente linda nele.

Isabella estava levando exatamente o que procurava. Algo simples, mas bonito e que além de parecer bem na sua pele, ajustou-se ao seu corpo perfeitamente. Sua amiga havia lhe obrigado a aceita-lo como presente por todo o ‘mal-entendido’ de mais cedo e depois de afirmar pela quinta vez que tinha calçados de sobra para usar, as duas saíram da butique para voltarem aos seus compromissos do dia.

Chegando ao andar certo no edifício onde trabalhava, apressou-se para chegar até a sua sala. Ignorou o olhar rancoroso de Makenna quando passou por sua mesa, pois sabia que estava um pouco atrasada e agradeceu por ter deixado a sacola no carro, do contrário, teria dado outra razão para ser motivo de fofoca no banheiro feminino. Foi capaz de ouvir Jackson gritando com alguém e o seu estômago gelou com a memória de ele fazendo o mesmo com ela na última segunda. Ela cometeu um erro bobo, mas que tomou alguns minutos extras do seu chefe e ele usou isso como desculpa para soltar fogo pelo nariz por um longo tempo.

Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo com o homem, mas todos estavam pisando sobre ovos ao lidar com ele. Seu humor mudava com uma rapidez impressionante e muitas vezes, Jackson se ausentava quando era mais necessário, deixando o seu trabalho para Dominic ou algum outro de sua confiança, fazer.

Duas horas depois, ela tinha um sorriso satisfeito nos lábios.

Teve um pouco de dificuldade, mas tinha conseguido colocar toda a papelada atrasada em dia, agora só tinha que lidar com o serviço de hoje antes de anoitecer e então amanhã estaria mais livre. Fez algumas ligações e quando abriu um novo documento no computador para começar a definir umas opções de estratégias de vendas, ouviu uma batida na porta. Concentrada, ela não desviou os olhos da tela para ordenar que a pessoa entrasse.

O pequeno falatório de fora veio junto com Maya que conseguia fazer ainda mais barulho enquanto vasculhava o seu pacote de salgadinhos. Aquele barulho sempre deixou Isabella a ponto de espancar alguém. Sua colega bateu no batente da porta para chamar atenção e a morena finalmente a olhou.

— O que foi?

— Jackson está te procurando — Anunciou e antes que a morena pudesse estreitar os olhos, continuou — Ele deve estar querendo te apresentar ao pedaço de homem mais quente em que eu já pus meus olhos!

— Do que raios você está falando? — Perguntou, sentindo uma leve pontada um pouco acima do olho. Merda, quando o expediente acabasse, estaria esgotada...

— Eu não decorei o nome do cara porque não consegui prestar atenção em nada que não fosse aqueles olhos... aquele corpo. Enfim, não fique aí parada, Bella! — Maya incentivou, agitando as mãos para que a morena agilizasse a sua saída enquanto a observava se levantar devagar — Aproveita e descobre para mim se ele é solteiro.

Sim, claro. Ela estaria fazendo isso.

Balançando a cabeça em concordância, viu Maya sair usando um caderno para se abanar, como se estivesse com muito calor. Isso a fez rolar os olhos.

A mulher era os olhos e ouvidos da agência.

Tinha informações profissionais e pessoais de quase todo mundo, jamais esquecia um rosto e o fato de ela não ter registrado o nome da companhia de Jackson, só podia significar que o homem tinha mesmo mexido com as suas estruturas.

Seria alguém mais velho? Sabia que a colega tinha uma coisa por homens de meia idade ou aqueles com a aparência muito madura e era exatamente por isso, que evitava conversar sobre caras com Maya. Sempre que a ouvia derramando elogios pelo Diretor de Atendimento, sentia o seu estômago embrulhar. Ele não era muito mais velho que Charlie.

As garotas o viam dessa maneira? Ew, nojento.

Tomando uma longa respiração, a morena desligou o monitor, fechou a sua agenda e a jogou dentro da primeira gaveta. De lá, retirou uma fina pasta que guardava alguns documentos que precisavam da aviação do seu chefe e com isso em mãos, deixou a sala para encontra-lo.

Ninguém a olhou durante o pequeno percurso. Quando se viu diante da porta, percebeu que as persianas fechadas cobriam as partes de vidro, impedindo de qualquer um ver o que se passava lá dentro, mas através da madeira era capaz de ouvir alguns murmúrios muito baixos. Ela levantou a mão e bateu duas vezes, como sempre fazia e sem esperar por resposta, empurrou a maçaneta para baixo.

Ela sorriu de leve quando visualizou o seu chefe atrás mesa. Ele estava ocupado e tentava aliviar o nó da gravata enquanto colocava os óculos no lugar. Isabella esperou para que fosse convidada para entrar, se perguntando o porquê de ele sempre deixar o telefone alguns centímetros longe da orelha quando estava em uma ligação e quando finalmente obteve a sua atenção, foi autorizada a aproximar-se.

Ela o fez, mas quando se virou para fechar a porta, esqueceu da pasta que trazia embaixo do braço e a mesma caiu com o movimento, abrindo-se e espalhando os papeis pelo carpete. Isabella amaldiçoou baixinho, abaixando-se para pega-los de volta e sentiu seu coração falhar uma batida quando um par de mãos pousaram sobre a delas.

Isabella olhou para cima rapidamente e sem acreditar no que estava vendo, encarou os felinos olhos verdes que habitavam seus sonhos e pesadelos há tanto tempo.

Ela gritou.

Tinha certeza que gritou.

— Deixe-me ajuda-la com isso — Ele disse depois de rir do susto dela e começou a juntar as folhas, todas elas, já que a morena continuava paralisada feito uma estátua de joelhos — Precisa que eu te levante também? — Perguntou com um tom de ironia, finalmente a arrancando daquele transe.

Isabella levantou-se rapidamente e tomou a pasta de suas mãos.

— O que diabos você está fazendo aqui, Edward?

— O que foi, não gostou da surpresa? — Ele lamentou, caprichando no deboche só para deixa-la ainda mais vermelha de raiva. Isabella estava linda esta tarde, principalmente com o rosto corado, a respiração acelerada. Aquela calça também estava fazendo maravilhas em suas pernas. E a bunda? Quando ela se abaixou... deliciosa — Parece que alguém lá em cima tem senso de humor.

O que esse cara estava fazendo na cidade e mais precisamente, em seu local de trabalho? Alice nunca havia comentado que ele estaria por perto e nesse momento, ela não conseguia imaginar uma só razão para estar frente a frente com ele novamente. Sua cabeça estava embaralhada com as possibilidades e sentia o seu sangue esquentando, pois quanto mais encarava aquele homem, com mais detalhes se lembrava da última vez que se viram.

Esse grande imbecil.

Já estava com a resposta na língua, quando percebeu pela visão periférica que seu chefe já terminava a ligação e parecia vir se aproximando dos dois. Soltou a respiração e o olhou direito pela primeira vez. Edward usava um terno cinza chumbo escuro e sofisticado, uma camisa branca, um colete da mesma cor do paletó e uma gravata também cinza, mas de uns três tons mais escuro. O cabelo não estava a desordem de sempre – para a sua surpresa –, mas também não estava todo no lugar. Espontaneamente arrumado, ela diria. O seu rosto era impecável. Livre de manchas, olheiras ou barba. A pele branca e macia em sua mandíbula fazia as suas mãos formigarem para tocar-lhe.

— Isabella, querida — Jackson veio dizendo, tirando-a daquela avaliação despudorada antes mesmo que ela chegasse nas pernas torneadas e seus pés grandes — Vejo que vocês já se conhecem. Mas de onde?

— Nós estudamos...

— Somos da mesma cidade — Eles falaram ao mesmo tempo, mas a voz alta e autoritária de Edward praticamente fez a dela sumir — Isabella é natural de Forks, onde eu vivi a minha adolescência inteira, mas sempre morou em Denver com o pai. Estou certo? — Perguntou, virando para a morena que o olhava boquiaberta.

Isabella assentiu minimamente sentindo as unhas apertando a palma da sua mão. Por que queria fazer parecer como se não se conhecessem há anos? Não estava surpresa. Ela não era ninguém para Edward.

— Ah, praticamente conterrâneos? Mas isso é ótimo! — Jackson disse animado, batendo espontaneamente no ombro do ruivo que agora apenas sorria com educação enquanto via a mulher à sua frente ganhar mais vermelho em seu rosto a cada minuto — Isabella, eu estou enfrentando alguns problemas, entre eles, um muito sério e eu pedi a ajuda do Sr. Cullen no final de semana. Ele concordou em trabalhar no meu caso.

— Ele vai trabalhar para você?

Isso precisava ser apenas uma piada de mau gosto. Estava pensando agora mesmo que ele precisava de algum serviço da agência. Que iria embora logo após conseguir o que queria e agora descobre que ele é quem servirá o seu chefe? Inferno... isso não cheirava nada bem. Por que tinha sido chamada aqui, afinal?

— Sim. Veja, eu estou sendo ameaçado — Ele admitiu e por pouco, Isabella não engasga com a própria saliva. Seu olhar retornou para Edward, que agora fazia cara de paisagem, pois já sabia da história de ponta a ponta — Uma antiga funcionaria acha que fui injusto ao demiti-la e há grandes chances que ela me cause problema, então estou me prevenindo. É aí onde o Cullen entra.

— E é por isso que o Jackson quis que fôssemos apresentados — Edward pronunciou-se, fazendo a mulher olha-lo com dúvida e o seu cliente, sorrir largamente — Em breve, eu vou precisar de tudo que consta nos arquivos sobre a passagem dessa mulher por aqui e aparentemente você é uma excelente funcionaria. Segundo ele, de extrema confiança. — Finalizou, olhando para Jackson assentiu, ainda satisfeito e não percebeu o tom carregado de ironia.

— Exatamente. É por isso que está aqui, jovem. Conto com a sua ajuda e discrição?

Que escolha ela tinha além de assentir pela décima vez? Jackson sorriu e abriu seus braços, pedindo por um abraço. Isabella nunca tinha feito isso antes, por isso hesitou por alguns segundos, mas temendo um constrangimento para os dois, ela foi até ele. Por cima do ombro do chefe, enviava um olhar raivoso para o seu ex namorado e atualmente “colega” de trabalho, desejando mais que tudo empurrar aquele sorriso arrogante para fora da sua boca com um soco.

Os três passaram os quinze minutos seguintes discutindo os arranjos. Jackson a informou que amanhã o seu advogado voltaria e que ela deveria limpar algumas horas em sua agenda para ajudá-lo no que ele precisasse. O sorriso de Edward mostrou o quanto ele estava se divertindo e apreciando cada ordem do seu cliente, enquanto ela ficava mais nervosa a cada segundo.

— Bem, acho que estamos de acordo, então.

Isabella quase suspirou de alivio e os seus ombros caíram drasticamente quando foi liberada para sair. Entretanto, Edward se levantou junto e avisou que gostaria de ter uma palavra com ela. Jackson, agora focado nos documentos que a moça trouxe para ele avaliar, não viu quando o ruivo arrastou sua funcionaria pelo cotovelo até o canto da sala.

— Você sabia que eu trabalhava aqui? — Ela exigiu ao puxar o braço para longe do aperto dele. Ele não queria solta-la, mas a deixou ir — Nesse prédio?

— E nessa agência, sim, eu sabia.

— Então por que diabos está aqui? Por que aceitou isso?

— Você... nós... — Ele tomou uma longa respiração e engoliu, como se estivesse com dificuldade de encontrar as palavras certas — Eu quero ficar perto.

— Edward, não se atreva! — Ela alertou, seu rosto ganhando uma expressão nada amigável enquanto ideias do quanto aquele homem podia prejudica-la passaram por sua mente — Não vou deixar você estragar isso para mim.

— Eu não estaria aqui pudesse evitar — Ele rosnou fazendo-a tropeçar com um passo para trás — Você não saiu da minha cabeça desde que deixou o meu carro, toda suada, com raiva e bem fodida. Eu preciso de mais.

— O que? Não podemos...

— Não só podemos, como vamos — Ele a corrigiu, seus olhos esquentando enquanto passavam por toda a figura esbelta à sua frente — Isabella, eu ainda tenho sentimentos... desagradáveis por você. Isso não mudou, mas por alguma razão, mantê-la longe de mim está me enlouquecendo e enquanto eu não souber o que diabos fazer sobre isso, você vai me ajudar. Eu não estou te dando uma escolha.

— Isso é um absurdo! Você não manda em mim.

— Vai descobrir em breve que isso não é verdade — Ele sorriu com paciência, como se estivesse lidando com uma criança problemática e acariciou a bochecha quente dela com as costas dos dedos antes de pigarrear — Isso é tudo, Srta. Swan. Foi um prazer revê-la.

Isabella quis bater o pé no chão, gritar e manda-lo se foder, mas só foi capaz de assentir e dar às costas aos homens que a faria viver um verdadeiro inferno nos próximos dias.

Ela soltou o ar que não sabia que prendia ao escorregar na parede. Abriu os olhos e encarou o teto, impecável de tão branco, perguntando-se sobre o que diabos estava acontecendo em sua vida. Onde havia errado tanto para continuar sendo punida dessa forma? Por longos dez anos, Isabella não teve qualquer contato com Edward Cullen e de repente, o homem e sua família estão por todo o lugar.

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 16:24 p.m.

“Você não vai acreditar, porra.”

Ela jogou-se na cadeira assim que recebeu o alerta de mensagem enviada.

Ligou novamente o monitor do seu computador e abriu o e-mail outra vez. Ela passou os olhos por todos os últimos recebidos, mas as letras estavam embaralhadas demais. Seu cérebro se recusava a focar em trabalho nesse momento. Suas mãos estavam suando e toda vez que pensava sobre o homem que estava há poucos metros dela, sentia que precisava usar o banheiro.

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 16:31 p.m.

“O que aconteceu? Está tudo bem?”

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 16:31 p.m.

“Eu vou trabalhar com o Cullen.”

Menos de quarenta segundos depois, Jasper respondeu e alertou sobre não deixar o prédio antes que ele chegasse. Surpresa, ela releu a mensagem, mas era isso mesmo. Ele viria busca-la na trabalho, provavelmente confuso e ansioso demais para esperar ouvir sobre isso mais tarde. Ela o entendia perfeitamente. Até agora, a ficha de que por algum tempo – não se sabe quanto – ficaria à disposição daquele babaca e seria forçada a conviver com ele, não tinha caído.

Isabella ficou aprisionada entre aquelas quatro paredes pelo resto do seu expediente. Ela tentou ligar para Alice. Era impossível que o seu irmão estivesse na cidade à trabalho e ela não fizesse ideia disso. Sentia-se furiosa só de imaginar os dois tramando às escondidas para encontrar uma maneira de obrigá-la a estar com ele, mas não podia ser. Ali não permitiria que o irmão a machucasse.

Certo?

Todos os funcionários estavam arrumando os seus pertences para deixarem a agência, quando ela finalmente saiu para conseguir um pouco de água. Algumas pessoas se despediram dela com acenos e outras lhe desejaram boa noite antes de sair. Isabella estava aliviada que Maya tinha sido uma das primeiras a ir embora, pois não estava no clima para aguenta-la babando sobre o Cullen novamente.

— Desculpe, eu não tinha ideia. Vou trocar assim que eu chegar — Miranda disse no celular enquanto segurava a porta do elevador para que a amiga entrasse. Bella agradeceu com um sorriso e apertou o botão do térreo — Você precisa que eu pegue alguma coisa na farmácia? Oh, ok... tchau.

— Está tudo bem? — Ela perguntou quando a moça finalizou a ligação com um suspiro.

— Sim, eu apenas... fiz besteira — Miranda deu de ombros, mas o seu rosto entregava o quanto ela parecia decepcionada consigo mesma — O encanamento do apartamento do Louis está com defeito. Ele veio ficar comigo apenas há alguns dias e eu já ferrei com tudo.

— Você não fez isso — Isabella a consolou e tocou em seu ombro quando o elevador parou e abriu para deixa-las sair — O que aconteceu?

— Eu não sabia que ele era alérgico a um tipo de sabão! O dele acabou hoje e quando não consegui encontrar nenhum para repor, coloquei um dos meus no lugar... — Ela admitiu, toda sem jeito — Agora a pele dele está com bolhas em toda parte. Ele não vai dormir apenas para ficar aplicando pomada e se coçando.

— Não fique assim. Essas coisas acontecem, principalmente com casais jovens como vocês. É impossível que saibam todos os detalhes um do outro — Isabella abriu um sorriso para confortá-la, pois podia ver o quanto ela estava angustiada por ter prejudicando o rapaz e então começou a rir quando se lembrou de algo do passado — Quando eu era mais nova, levei o meu namorado a um restaurante mexicano. Ele não estava na mesa quando os nossos pedidos foram entregues. Eu fiquei irritada quando percebi que os burritos dele tinham vindo bem maiores que os meus, então troquei os pratos.

— E qual o problema com isso?

— Não foi até ele começar a comer, que eu me lembrei que tinha pedido a minha comida com pimenta extra — Isabella sorriu, travessa e arrancou uma risadinha da outra moça, que parecia mais aliviada com a história — Ele reclamou a noite inteira sobre como a sua língua estava pegando fogo.

— Na verdade, eu pensei que ela estava dissolvendo.

Porra, Edward.

Isabella endureceu no lugar ao ouvi-lo e mesmo sem virar, sabia que ele estava chegando cada vez mais perto. Talvez pelos olhos arregalados da moça ao checa-lo descaradamente. Pelo modo como ela parecia interessada no que via, o problema com o namorado tinha sido completamente esquecido.

— Sou Edward Cullen, o namorado — Rígida, ela ergueu os olhos para vê-lo se apresentar à Miranda que fascinada, aceitou sua mão e disse seu nome de volta. Ele sorriu e virou-se para Isabella — Posso ter um minuto com você?

— Não acho que...

— Bem, agora eu devo ir — Miranda interrompeu a sua desculpa e aproximou-se para abraça-la — Eu estava sendo uma boba, mas obrigada por me acalmar, Bella. Dirija com cuidado.

Após de despedir com um aceno envergonhado, Miranda foi embora tão rápido quanto um foguete, mas foi a visão de Edward que a deixou tonta. Ele ainda estava com as mesmas roupas de mais cedo, mas agora o paletó estava sob o ombro e o colete tinha alguns botões abertos. Não sabia o porquê, mas achava aquela merda muito sexy e por alguns segundos, ela se perdeu em suas fantasias sexuais.

— Por que você disse aquilo? Agora ela vai achar que somos...

— Ótimo. Deixe-a pensar o que quiser.

— Mas o que diabos deu em você? — Perguntou, franzindo o cenho. Estava completamente confusa com a mudança súbita em seu comportamento. Há mais de um mês, o deixou para trás. Irritado e sendo um filho da puta, então por que agora estava aqui pedindo por ela? Tentando algo que ele mesmo rejeitou? — Olha, eu estou cansada. Apenas me diga o que quer para que eu possa ir para casa.

— Eu quero leva-la para jantar. Sei que fui confuso lá em cima, mas nós precisamos conversar.

— Não — Ela balançou a cabeça e olhou para os lados, vendo quem os observava. Se ele queria fazer de conta, na agência, de que os dois não se conheciam, estava fazendo tudo errado ao aborda-la assim — Eu não quero sair com você. Amanhã nós conversamos, tudo bem? Sobre trabalho.

— Dane-se o trabalho, Isabella! — Ele ralhou, aumentando o tom de voz e deixando-a ainda mais nervosa — Será que não dá a mínima que eu tenha aceitado essa merda para ficar perto de você? Fez toda aquela cena em Forks, mas não queria realmente dizer nada daquilo?

— Foi você que fodeu as coisas naquele final de semana!

— Eu sei, porra. É por isso que estou aqui — Admitiu e aproximou-se dela, fazendo-a andar para trás, mas ele foi mais rápido e a pegou pela cintura — Peço desculpas por ter sido um cretino, mas eu não podia recebe-la de braços abertos depois de tudo que me causou — Isabella suspirou e assentiu, porque o entendia e sempre soube que ele não seria muito receptivo. Se ele tivesse transado com sua irmã para machuca-la, desejaria que ele morresse afogado em uma poça ou algo assim — Passei um longo tempo fugindo de você e do que fizemos um para o outro, mas tudo parece errado desde que estivemos juntos naquela noite. Precisamos fazer algo sobre isso.

— O que te faz pensar que ainda estou interessada? O tempo passou, Edward. Você voltou para Califórnia, eu vim para cá e conheci pessoas. O que vai fazer se eu tiver alguém na minha vida?

— Você não tem! — Ele sussurrou, mas parecia estar berrando. Seus olhos faiscaram de raiva com a ideia de outro homem estar com ela — Mas se tiver, não é isso que vai me impedir de tê-la. São fodidos dez anos, Isabella.

— Eu ainda não entendo o que você acha que vai acontecer aqui — Ela inclinou a cabeça para o lado, avaliando-o enquanto lutava contra os tremores do seu corpo por estar entre seus braços de novo — Tem razão. São dez anos. Não podemos voltar no tempo ou continuar de onde paramos, quando você enfiou suas coisas em uma mala e saiu de casa, deixando sua mãe destroçada para trás.

— Deixe Esme fora disso.

— Você a machucou!

— E ela não? — Edward apertou o seu braço, a fazendo gemer — Todos vocês me traíram. Carlisle foi o único que entendeu e estendeu a mão para mim. Me ajudou a sair daquele buraco de cidade para que eu pudesse respirar sem ter aquelas pessoas falando de mim na minha cara! — Ela ficou em silencio, deixando que ele falasse, pois nunca tinha lhe dado a chance antes e ignorou se havia pessoas assistindo a maneira como estavam — Sei que pode não acreditar, mas eu te amava muito e saber que te perdi para o meu irmão por causa de uma porra sem sentido como foi aquela aposta, me deixou louco...

Ele continuou falando, mas Isabella parou de prestar atenção quando viu Jasper sair de um carro desconhecido e correr para a calçada, seus olhos apertados ao olhar para o cara que a segurava firme. Oh, merda. O motorista buzinou atraindo a atenção dele por um momento e pôde ver, mesmo de longe, um cabelo loiro e feminino na janela.

Ele com certeza tinha usado alguma funcionaria do hospital para chegar até ela.

— Edward, não foi assim, mas você tem toda razão. Nós precisamos conversar — Sua mão fria e tremula segurou a dele e a retirou do seu braço para que pudesse colocar uma distância segura entre eles — Mas vamos com calma. Apenas me dê um tempo para pensar sobre tudo isso.

— Já tivemos tempo demais.

— Sim, é que...

— Ei, você aí. Desculpe o atraso, as coisas estavam uma loucura no hospital — Jasper chegou e envolveu em um abraço de lado — Vamos para casa, bebê?

— Esse cara acabou de te chamar de bebê? — Edward rosnou baixinho e Isabella olhou para longe dos dois homens para não cair na gargalhada. Aquele era um péssimo momento para rir de nervoso — Quem diabos é você?

— Cara, fica na sua, beleza? — Jasper avisou e deu um aperto na amiga, chamando a sua atenção. Ele fez cara feia quando viu seus lábios contraindo — Vamos, eu estou com fome. O que você vai fazer para gente hoje?

— Isabella.

Porra, ele não estava facilitando as coisas. Ela sabia que enquanto ficasse aqui, Jasper insinuaria ser mais do que seu amigo para deixar o Cullen fora de si, mas tanto quanto ele merecia passar por isso, ela não queria esse tipo de coisa acontecendo em frente ao seu trabalho. Se Edward ainda estava ao redor, seu chefe também poderia e não perdoaria nenhum dos dois se levasse uma advertência ou sequer um olhar torto por ser a causa de uma discussão estúpida dessa.

— Edward, o Jasper é apenas...

— Isso não é sua conta, porra. Se afaste! — Jasper empurrou uma mão no peito de Edward quando ele deu um passo em direção à morena e o homem enrijeceu no lugar, sua expressão tornando-se muito mais irritada que a anterior.

Era isso. Eles nem se conheciam e já estavam prestes a pular um no outro.

— Hey, parem com essa merda, vocês dois — A mulher gritou se colocando entre os homens, vendo que os seguranças do prédio se aproximavam — Por favor, vocês vão me causar problemas. Eu não estou com humor para essa palhaçada, então se acalmem agora!

Quando ela elevou a voz, eles aliviaram suas posturas e lhe deram um segundo para se recompor, mas nem assim deixaram de encarar um ao outro. Jasper não ia perder a chance de foder com aquele imbecil, mas não faria nada que ferisse Isabella de qualquer forma, então seria paciente. Se ele sujeito continuasse ao redor, eles iriam se encontrar novamente e quando isso acontecer...

O Cullen vai tomar a surra da vida dele.

— É melhor nós irmos — Isabella disse, passando a mão pelos cabelos e firmando a bolsa em seu braço. Ela olhou para os homens e bufou, irritada com o comportamento de ambos. Edward não tinha o direito de toma-la ou agredir qualquer um que fizesse parte de sua vida e Jasper com certeza, também não deveria estar se envolvendo quando ela tinha tudo sob controle — E só para constar, vocês são ridículos pra caralho.

— Para onde você vai com esse cara? — O ruivo questionou, voltando o seu olhar para ela pela primeira vez desde que o homem se juntou a eles.

— Sou a carona dele, Edward — Respondeu enquanto vasculhava suas coisas e buscava a chave do carro. Ela jogou-as no peito do Jasper — Vá pegar o carro. Eu te alcanço em um segundo.

— Bella, eu não acho...

— Apenas faça o que eu te pedi, por favor. Depois conversamos.

Após a segunda troca de olhar, o loiro se retirou para dar os dois um pouco de privacidade. Edward sentia-se quase vitorioso por ela ter colocado o cara em seu lugar, mas não estava mais calmo. O seu sangue fervia com a raiva de não saber quem ele era e o que significava para Bella. Suas companhias nunca importaram ou incomodaram tanto e a sua reação em ver um homem tão íntimo com ela, apenas deixou claro que estava ficando fora de controle.

Bella tinha toda a razão.

Eles precisavam de um tempo para saber o que diabos estavam fazendo.

— Eu acho que esse... showzinho de vocês, é um ótimo exemplo do porquê não devemos discutir nossas questões enquanto estivermos trabalhando juntos — Isabella parecia um pouco melhor quando falou e ele tomou o seu tempo para admirar o seu rosto expressivo. Os olhos estavam bem abertos, revelando o seu nervosismo e sua respiração estava mais rápida que o normal, fazendo seu peito subir e descer por baixo daquela regata branca. Ele queria toca-la ali e sentir as batidas do coração na palma da sua mão. Queria dar-lhe um motivo melhor para ficar ofegante e inquieta — Tudo bem assim para você?

Edward não tinha ouvido nada do que ela falou, mas assentiu e agradeceu a Deus por ter feito isso, do contrário não teria recebido o tímido sorriso que ela abriu em seus lábios logo em seguida. Ele percebeu que deveria ter prestado atenção na conversa quando Isabella simplesmente se virou e caminhou na direção que o loiro babaca tinha tomado. Mas o que...

O seu celular vibrando o tirou do transe de assisti-la se afastar.

Quando ela finalmente desapareceu, retirou o aparelho e rapidamente ignorou a chamada quando percebeu que se tratava de Carlisle. O seu pai só o procurava quando era necessário, pois sabia que era ocupado e muita atenção o incomodava, então ao receber a segunda ligação dele naquela semana, teve certeza de que se tratava de Esme tentando chegar até ele através do seu velho.

Sua mãe era uma mulher maravilhosa, mas o tratava como um maldito bebê. Alice sempre implicava sobre isso, pois sendo a mais nova da família, imaginou que aquele tratamento exagerado seria voltado para ela quando saísse de casa, mas concentrada e madura como era, nunca foi motivo de preocupação para os pais.

Esme continua incapaz de vê-lo como o adulto e profissional de respeito que ele era. Em seu coração, sabia que ela se culpava e tentava compensa-lo de alguma forma pelo que viveu no passado, mas aquilo não cabia a ela. Edward, incapaz de continuar descontando na mãe, as suas frustrações, passou a manter-se distante dela. Apenas Alice e Carlisle tinham notícias de tempos em tempos, pois apesar de ela ter escolhido ficar ao lado de Isabella, ele não queria fazê-la sofrer..

Na época, estava quebrado demais para pensar em prejudicar outra pessoa, mas a magoa e o ressentimento o fizeram tomar decisões terríveis. Esme se sentia culpada por não ter visto os sinais e ajudado, mas ele sabia de quais pessoas cobrar e por muito tempo, achou que se vingar de Isabella e Emmett era a resposta para encontrar a paz que eles lhe roubaram.

E ele tentou.

Durante cinco anos, não houve uma ocasião em que a família estivesse reunida em que ele e o irmão não estragassem tudo. Edward não perdia uma oportunidade para bater, machucar e foder o babaca, então quando Emmett apresentou Rosalie para família, ele se perguntou como o irmão mais velho se sentiria se o encontrasse no meio das coxas dela. Doeria menos, porque ele acabou de conhece-la ou o destroçaria, porque estava tão encantado por ela quanto ele era apaixonado por Isabella? Rose nunca lhe deu muita abertura e talvez, o fato de que os dois homens quase não conseguiam passar mais de dez minutos no mesmo lugar sem discutir, tivesse a ver com seu receio. Mas ele não desistiu e um dia, abordou a moça e enquanto tentava fazê-la ceder, foi interrompido pelo pigarro de Emmett.

Ao invés de encontra-lo furioso, ele parecia quase entediado.

— Eu sei o que está tentando fazer e não vai funcionar. Você precisa deixar isso ir, irmão. Eu te amo e porra, sinto pra caralho por ter ficado com a sua garota. Eu era tão estúpido quanto você e estava bêbado. Achei que você merecia aquilo por ter feito o que fez, mas não pensei nas consequências ou se havia sentimentos reais da sua parte — Emmett disse e tocou o seu ombro — Nós dois ferramos muito com a vida da Bella e tudo bem se ainda quiser quebrar os meus ossos sempre que nos encontrarmos, mas se eu souber que você tentou algo contra ela, vou acabar com a sua raça.

Ele recuperou o bom senso a partir daquele momento.

Atrapalhar a vida de Emmett não trazia a satisfação que esperava. Sentia náusea só em pensar em estar com Rosalie daquela maneira e sua vida não melhoraria magicamente uma vez que ele e sua ex estivessem sofrendo. Isabella realmente não precisava que Edward estragasse as coisas para ela depois de se reerguer das merdas que aguentou enquanto esteve em Forks e ele também não era um hipócrita. Sabia que tinha cavado a própria cova quando caiu de amor por Bella e desistiu de contar-lhe a verdade quando a vontade veio à tona. Ele não tinha ideia se ela seria capaz de perdoa-lo e seguir em frente com o relacionamento, mas sabia que qualquer coisa teria sido melhor do que o rumo em que as coisas tomaram.

Quando os meses se passaram, os seus colegas de time ficaram em cima dele como formigas no açúcar e tanto quanto ele queria manda-los à merda, assumindo um namoro real com Isabella, não tinha como fazer isso sem expor a garota à toda a sujeira que tinha feito. Por isso, quando o fim do ano letivo foi se aproximando, ele achou que seria capaz de sair da cidade com ela sem que a bomba explodisse em sua cara. O que ela não sabe, não pode machuca-la, certo? Errado.

Acreditou que mantê-la inocente sobre como foi um babaca no passado, era a melhor decisão. Depois que partissem de Forks para continuar os estudos e começar uma vida nova, ele a deixaria feliz e nunca a faria derramar uma lágrima.

Mas eles não tiverem uma única chance.

Trancando-se no apartamento, Edward ligou as luzes que refletiram nos moveis caros e exuberantes que encomendou para mobiliar o lugar recém comprado. Ele não se importava com essas besteiras, mas conforto era importante.

Kylie, sua decoradora, tinha feito um trabalho excelente com esse lugar e o fez parecer com o dono de uma ponta à outra. É claro que, além de receber o seu cheque gordo no final do dia, ela tinha tentado ver por si mesma o quão boa a sua cama era, mas o máximo que conseguiu foi uma transa rápida contra a porta e foi chutada para fora no minuto em que ele soube que a mulher estava para se casar.

Edward não fodia mulheres comprometidas. Ponto.

Tirando o pequeno controle remoto da mesa de centro, apertou o botão que fazia com que as cortinas se abrissem e mostrassem a vista incrível de Seattle que tinha. Quando jogou sobre o sofá, seu paletó e o colete, as luzes apareceram. Passando as mãos pelo rosto, ele caminhou até o bar. Colocou uma quantidade generosa de conhaque no copo e fez um ruído com a garganta quando o liquido desceu queimando.

Em seu quarto, ele jogou-se sobre o colchão king size e quando fechou os olhos, sentiu o celular movendo-se no bolso de traz mais uma vez. Amaldiçoando, ele puxou o iPhone e levou até o ouvido quando viu o nome do seu amigo na tela.

— O que é?

— Nossa. Olá para você também! — Ravi debochou do outro lado e Edward foi capaz de ouvir o som de água através de sua voz — Por que o mau humor? Será que você não encontrou a Isabella?

Ravi Matsuo era o seu sócio e também o mais perto de melhor amigo que ele já teve na vida. O sujeito sabe tudo sobre Isabella e suas façanhas entre os Cullen desde que encontrou um o rapaz falante e ligeiramente embriagado, depois de algumas doses de shochu em sua cidade. Era a primeira viagem de Edward para fora do país e os dois – mesmo com cinco anos de diferença – se deram bem instantaneamente. Eles culpavam o álcool, pois não tinham quase nada em comum, com exceção do gosto para música e a carreira que resolveram seguir, mas toda a experiência foi boa. Ambos aprenderam muito um com o outro e se divertiram explorando a iluminada Yokohama. Então quando Ravi retornou à San Francisco para voltar aos negócios, não pensou duas vezes antes de roubar o amigo, do seu antigo trabalho de merda que mal pagava suas contas.

— É claro que a encontrei. A primeira coisa que ouvi quando cheguei, foi o doce nome dela. Uma pena que estava sendo dito por uma puta invejosa — Ele sorriu de lado quando se lembrou da moça que estava espalhando coisas desagradáveis sobre Bella e como a fez jurar que não pensaria nela novamente — Mas eu a fiz mostrar um pouco de respeito para a minha menina.

Ravi gargalhou do outro lado. Ele gostava da maneira que Edward facilmente intimidava as pessoas e as fazia acreditar que ele podia machuca-las. O que ele podia, se realmente quisesse, apenas poucos eram tão importantes para fazê-lo sujar suas mãos. Os homens eram reconhecidos e respeitados em seu meio, mas não estavam acima da lei e respeitavam.

Eles tinham pessoas para ajuda-los em qualquer contratempo.

— Ótimo. E como Isabella reagiu?

— Como uma cadela total — Foi a vez de Edward rir, lembrando-se de como o rosto da morena passou de pálido à vermelho vivo — Ela estava com medo de que eu tivesse me aproximado na intenção de prejudica-la no trabalho, mas acho que deixei claro o que quero dela.

— Que é...?

Ela. Eu a quero, Ravi.

— Então isso é sério? — O homem perguntou, sua voz mostrando toda a sua confusão e dúvida — Eu realmente achei que você estivesse precisando de um tempo. Que fosse exorcizar os seus fantasmas do passado fodendo ela por algumas semanas ou algo assim, mas não que fosse toma-la.

— Eu não tenho nenhuma ideia do que fazer com essa mulher — Edward admitiu. Pela primeira vez em muitos anos, não tinha nada planejado e estava contando apenas com a sorte — Ela não se acovardou pela maneira que eu a tratei em Forks. Mesmo revidando, me deixou saber que ainda tinha sentimentos por mim. Eu também tenho por ela e subestimei o quanto eram fortes, então vamos ter que descobrir o que fazer com essa merda, porque eu me recuso a continuar com todo o sexo sem sentido quando tudo o que quero é estar perto dela.

— Mesmo que seja só para atirar coisas um no outro e ter suas coisas quebradas?

— Sim, cara, mesmo assim.

— Puta merda... eu não quero saber o que essa mulher fez com você naquele carro para deixa-lo assim — Os dois riram, mas Edward sentiu o seu pau endurecer com as lembranças da última noite em que a teve embaixo do seu corpo — Eu espero que consiga doma-la, meu amigo. Quero dizer, vocês se odiaram por um longo tempo. Isso não vai sumir tão rápido.

— Estou ciente. Se a Isabella quiser me dar um tempo difícil antes de me aceitar, que seja, ela tem todo o direito — Edward desabotoou a calça e empurrou o tecido para baixo, aliviando a pressão no seu pau dolorido. A cueca cinza tinha uma pequena mancha e ele amaldiçoou baixinho ao tentar abrir os botões da camisa com uma mão só — Merda.

— Então é isso. Sem mais variedades? Vai se contentar com uma mulher só?

— Você está comendo a mesma mulher há quase um ano.

— Sim, estou... mas também há outras.

— Porque você é um imbecil que só vai se dar conta que ama a Aubree quando ela não aguentar mais essa vida e te der um pé na bunda.

— Ela não vai me deixar — Ravi rosnou do outro lado e Edward sorriu largamente, sabendo que atingiu o nervo. Ele sabia que o homem estava enfeitiçado pela secretaria, a quem seduziu no ano passado e tem ficado mais íntimo a cada vez que saem juntos. Ravi se recusa a admitir que ela é a certa para ele e não está pronto para encerrar os seus dias de solteiro, então continuava trepando por aí e a moça sempre o aceitava de volta — E eu não a amo. Você não ama a Isabella, mas a quer, certo? Então pronto, porra.

Ele tinha um ponto aqui.

Edward tinha certeza que não estava apaixonado por Isabella.

Se recusava a gostar de alguém dessa forma e definitivamente não cometeria esse erro com a mesma pessoa duas vezes. Ele soava como uma bichinha quando pensava dessa forma, mas a mulher tinha quebrado o seu coração e o inferno que ele viveu depois disso, lhe causava pânico até hoje. Fugiu de todas aquelas que quiseram algo mais e deixou claro para as poucas que permaneceram, que o máximo que tirariam dele era sexo de qualidade e mimos. Nada de fidelidade, amor, aconchego na cama depois de satisfeitos ou jantares com a família.

Ele dava bons momentos às mulheres dentro e fora do quatro, tratava todas com respeito e nunca foi desonesto com nenhuma, mas fez questão de deixar claro que não queria casamento ou filhos. Edward pensou sobre isso apenas uma vez e não voltaria a fazê-lo. Principalmente com Isabella. Era incapaz de confiar nela novamente.

— Tem certeza que ele está bem para continuar? Talvez a sua mãe esteja certa e ele precisa se afastar um pouco. — Edward respondeu ao breve relato de Ravi. Eles já tinham mudado de assunto duas vezes e agora conversavam sobre o mal-estar que o pai do homem havia tido há poucos dias.

— Eu amo a minha mãe, mas ela é uma manipuladora e está sempre usando a saúde do meu pai para tentar colocar um de nós em um avião de volta para casa. Ela não precisa do seu incentivo, Edward — Ele o repreendeu em tom de brincadeira — O homem vai saber quando for hora de parar, não se preocupe.

Alguns segundos de silencio depois, Edward suspirou.

— Eu não estou gostando disso.

— Cara, eu já disse que...

— Não me referi ao seu pai.

— Oh, certo. O que está errado?

— O Lowrey. Sei que só tivemos duas reuniões até agora, mas eu não estou com um bom pressentimento sobre isso — Edward olhou para o teto e fez uma careta ao pensar nas poucas e vagas informações que ele tinha cedido. Achando que o homem estava desperdiçando o seu tempo, pesquiso sobre o sujeito e o que diabos poderia estar errado para que Jackson exigisse que ele aceitasse o seu caso. As primeiras informações que conseguiu, o deixaram curioso e com um pé atrás, por isso insistiu em encontra-lo na agência hoje. Queria ver como as coisas funcionavam com seus próprios olhos — Não estou à vontade com a Isabella trabalhando lá.

— Eu conheço o irmão dele. O cara tem o talento — Ravi disse parecendo impressionado e continuou — Mas do que você suspeita?

— Não posso falar sobre isso — Ainda, ele quis acrescentar. Existia a porcaria do sigilo entre advogado e cliente, e ele não estava disposto a violar sua ética no trabalho sem ter provas de que Jackson havia mesmo feito algo de errado — Eu devo obter algumas respostas amanhã e a partir daí, saberei onde estou me metendo.

— Como quiser. Eu estou aqui se precisar de mim — Ele assentiu minimamente, mesmo sabendo que o amigo não podia vê-lo — Agora vou desligar. Preciso dormir, estou cansado pra cacete.

Edward franziu a testa, sem entender nada, quando olhou para o relógio no criado mudo e verificou as horas. Então murmurou uma concordância ao se lembrar do fuso horário entre eles e abriu a segunda gaveta do móvel.

— Está bem. Mantenha sua besta oriental longe das nova-iorquinas ou Aubree vai ficar muito aborrecida — Ele provocou ao alcançar um porta-retrato velho que tinha guardado sobre alguns álbuns antigos — Boa noite.

— Deixe a minha vida sexual fora da cabeça por um segundo e vá cuidar da sua Isabella, porra — Ravi xingou, soando irritado — Imbecil.

Edward riu quando ouviu a ligação ficar muda em seguida e encarou a fotografia. Nela, uma jovem de cabelos pretos sorria, mas tentava cobrir o seu bonito rosto enquanto o rapaz atrás dela, posicionava a câmera para que apenas os dois aparecessem na foto e não toda a fila de pessoas atrás deles.

Incapaz de parar a si mesmo, Edward empurrou a sua cueca para baixo e silvou quando passou a ponta do polegar na cabeça na cabeça avermelhada do seu pau, espalhando a gota ao redor. Ele envolveu o seu eixo e começou a movimentar-se devagar e suave, até que em sua mente, as mãos de Isabella foram substituídas por seus lábios e ele não pode mais se controlar. Jogou a cabeça para trás e bombeou o seu pau como se estivesse empurrando em sua boca, fazendo-a engasgar a cada vez que tocava a sua garganta e como se tivesse ouvindo o som, gemeu alto enquanto seu esperma jorrava em sua barriga e sujava seus dedos.

— Eu vou cuidar de você, querida.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Tivemos um monte de Edward hoje, hein? Eu não sei vocês, mas acho que esse negócio dos dois trabalharem juntos, pode não dar muito certo ou pode ser muuuito divertido. O que vocês acharam de ele ter mudado de estado e cidade para ficar perto da Bella, mesmo certo de que não a ama? Hmmm. Perceberam que ele é sócio do mesmo advogado que tratou do divórcio do Patrick, né? Quando o Ravi se tocar que a Isabella que ele viu ao lado do Dominic é a Isabella do amigo dele... ave Maria. E falando nos “outros” da Bella, por pouco os outros dois não saem na porrada. Eu ainda quero ver isso, hahahaha. Espero que tenham gostado, gente. Deixem-me reviews para saber o que estão achando da fic até agora. Boa semana pra vocês.