Erros de Sempre
8 Capítulo 7
Isabella usou o quadril para empurrar e fechar a porta atrás de si, mas não tinha ideia de como ia lidar com o resto. Suas chaves estavam presas ao chaveiro pendurado em seu dedo anelar e com alguma dificuldade, conseguiu ativar o alarme do carro. Tinha as mãos ocupadas por segurarem uma caixa. Sua tampa, sustentava dois envelopes cheios que competiam por espaço com o vaso de flores. Ele era pequeno e perfeito para decorar interiores, mas por algum motivo estranho, suas Kalanchoe amarelas estavam murchando e morrendo aos poucos.
Preocupada que as flores não se recuperariam, a morena decidiu traze-las para casa e tentar salva-las. Talvez elas só precisassem de um pouco de sol ou ar fresco, coisas que não podia oferecer estando presa na pequena sala do décimo primeiro andar da Création7. Sua paranoia a alertou sobre Makenna e o sorriso presunçoso que esteve estampado em seu rosto ultimamente. Ela e sua amiga, tinham dado um tempo de perturba-la em cada oportunidade que tinham e temia o que isso podia significar. Se uma das duas cadelas estivesse entrando em sua sala quando não estava presente para tentar prejudica-la de alguma maneira, poderia perder o emprego.
Cacete.
Teria que ficar mais alerta sobre àquelas garotas.
Isabella gritou e deu um passo para trás quando sentiu algo passando entre seus calcanhares. Ela virou para o lado, a tempo de ver o velho e gordo esquilo correndo com tudo de si pelas calçadas para saltar sobre o tronco de uma árvore e subir aos pulos até desaparecer entre os galhos longos, repletos de folhas verdes. Normalmente, ninguém os veria assim de perto, principalmente nesse horário, mas desde que uma das suas vizinhas, a Sra. Lewis e sua neta começaram a alimentá-los com amendoim e frutas, os bichos estavam constantemente ao redor.
Sempre procurando sementes ou restos.
Após alguns minutos de malabarismo, ela conseguiu encontrar em casa.
Lola gritou um miado e correu em sua direção assim que a viu. Depois que esperou que sua dona guardasse a bolsa e as coisas que trouxe em seus braços, a seguiu até a cozinha, reclamando o tempo inteiro sobre estar com fome. Suas queixas só ficaram mais altas, quando a viu alcançar o pacote de ração. O saco foi amarrado e fechado com um prendedor de roupas, já que Isabella sempre perdia os outros. Ela alcançou o comedouro pendurado no escorredor de pratos e preencheu os espaços com comida e água.
De frente para a geladeira aberta, ela passou a mão por sua nuca, sentindo os cabelos úmidos de suor e se sentiu nojenta. Decidiu que tomaria um longo banho assim que colocasse algo na barriga, então correu para alcançar os ingredientes para fazer um sanduíche caprichado e frutas vermelhas para um suco fresquinho.
*********
— Querida, não — Ela repreendeu Lola pela terceira vez quando ela se esgueirou para o seu colo, deitando-se sobre os papeis que Isabella analisava — A mamãe está trabalhando. Fique aqui e veja um pouco de TV, está bem?
Isabella, usando o controle remoto, colocou no Animal Planet e esperou que a gata se entretesse com o registro da caça implacável dos leões, mas foi ela quem ficou presa às imagens dos felinos. Ela admirou suas características, seu rugido... o som forte e ameaçador que era capaz de ser ouvido há milhas de distância. Reis e rainhas os adotaram como símbolo de liderança e domínio, e inferno... ela não podia concordar mais. As jubas grossas e esvoaçantes dos machos adultos fizeram seus dedos pinicarem com a vontade de tocar cabelos de cor semelhante. Ela detestava como nem um programa sobre animais letais da África, era capaz de manter a sua mente longe de Edward Cullen.
Sentia falta dele.
Desde que se despediram depois da disputa de testosterona entre ele e seu melhor amigo, eles não voltaram a se ver. Ficava excitada a cada vez que lembrava da maneira como ele parecia pronto e determinado a saltar sobre Jasper para mantê-la, por mais errado que isso fosse. Jamais ia desejar que Jasper se machucasse, principalmente por um motivo tão tolo, mas a ideia de que Edward ficou ciumento e territorial sobre ela, fazia coisas incríveis com o seu ego.
Por horas, ficou preocupada de que ele estivesse ali para buscar vingança ou pelo menos, tornar os seus dias mais difíceis, mas a sua reação sobre ter outro homem em sua vida, tinha sido rápida e crua demais para ser algo fingido. Edward realmente a queria, mas estava perdido demais sobre o que fazer sobre isso.
Ela também não sabia.
Após uma conversa acalorada, Alice a convenceu de que apesar de saber que o irmão estava na cidade e estar ciente das suas intenções, não tinha a menor de ideia de que ele trabalharia para o chefe dela. Inclusive, estava surpresa por isso. Segundo ela, Edward deixou de pegar casos simples e vagos como esse há muitos anos e fazia o seu dinheiro defendendo, representando e tirando de trás das grades, pessoas de classe média e alta, empresários e alguns políticos ou arrastando o nome de alguém, que mexeu com a pessoa errada, na lama.
Isabella ficou tensa com as novas informações.
Sabia que os advogados, se quisessem trabalhar, não podiam ficar escolhendo seus clientes e nem sempre estariam sendo pagos para ajudar pessoas inocentes do que quer que estivessem sendo acusadas. Mas o seu estômago ficava dando voltas só de imaginar a quantidade de pessoas que mereciam estar na prisão e Edward as manteve fora porque era preciso. Ela mal conseguia ficar feliz por ele ser tão bom no que fazia, se isso significava que a justiça não estava sendo feita. Não seja estúpida. Ele não é o único e você nunca se importou antes. Ela se encolheu com o pensamento e admitiu que estava sendo boba. Esse era o mundo em que vivia. O dinheiro ditava as regras e vivíamos sobre elas, não era nenhuma novidade.
Lola levantou o pescoço quando ouviu as batidas familiares e Isabella diminuiu um pouco o volume do televisor. Ela levantou-se, tirando do seu colo a pequena pilha de papeis e documentos e os colocou sobre o aparador, ao lado do abajur, para que a gata não amassasse ou os sujasse se resolvesse sair do lugar. Olhando-se no espelho redondo preso à parede, puxou a camisa larga para baixo, cobrindo a maior parte das suas coxas e foi atender a porta.
— Você não me ligou — Jasper acusou assim que a viu. Ela deu uma boa olhada nele e percebeu que ainda estava dentro das roupas do hospital e havia olheiras sob seus olhos. Ele parecia exausto — Eu te pedi para me avisar quando estivesse saindo da agência. Você esqueceu?
Ela tinha esquecido, sim. Mas lembrou-se pouco tempo depois de deixar o prédio e não sentiu vontade de chama-lo. Jasper estava pegando no seu pé desde que soube que Edward estava em Seattle e apesar de entender os seus motivos, estava ficando sem paciência para a sua implicância. Eles brigaram como há anos não faziam e isso porque Jasper se recusava a entender que Isabella não podia afastar o Cullen nem se quisesse. Ela foi designada a ajuda-lo e caso se recuasse a fazê-lo, teria que explicar a Jackson o porquê e a ideia de falar sobre a sua vida pessoal com o chefe não a atraia em nada, então o seu amigo teria que confiar no que ela estava fazendo.
— Sim, desculpe — Ela mentiu e se afastou, abrindo espaço para ele entrar em sua casa e o acompanhou até o sofá. Jasper se jogou sobre as almofadas e Lola miou, aparentemente aborrecida por sua presença, então pulou e foi em direção ao corredor com o rabo empinado, fazendo Isabella sorrir. Aqueles dois não se suportavam desde o início — E aí, está tudo bem?
— O dia foi cheio demais. Achei que fosse chegar em cima da hora — Isabella riu do exagero. Eles tinham combinado de sair mais tarde com Angela e alguns colegas do trabalho de ambos, mas ainda tinham tempo de sobra — Sua amiga vai trazer o jantar? Estou faminto. Só tive tempo para um banho e então sai de lá antes que me prendessem em mais alguma coisa. Eu acho que preciso de férias...
— Sim, ela disse que traria alguma coisa para comermos — Isabella afirmou enquanto recolhia a sua bagunça, pois sabia que não ia conseguir se concentrar com nada enquanto seu amigo estivesse ali. Ela sempre precisou de quietude e privacidade para estudar ou trabalhar — Eu tenho certeza de que a Valeria ficaria mais do que feliz, caso você resolvesse fazer uma visita.
Jasper riu.
— É verdade. Ela quer que eu conheça as gêmeas do Harold.
Harold Lowrey é um grande empreendedor e milionário texano de cinquenta anos. Conhecido principalmente por possuir uma das melhores empresas de engenharia civil do país. Ele também foi o responsável pela compra e o sucesso de uma minúscula agência de comunicação e marketing – onde hoje Isabella trabalha – e em menos de 6 anos, ele a transformou na mais requisitada do estado de Washington. Começando de baixo e trabalhando desde os 16, sua trajetória impressionou a muita gente.
Atualmente, depois do susto que um ataque cardíaco lhe causou, decidiu afastar-se da maioria dos seus exaustivos compromissos para cuidar da saúde e aproveitar melhor a vida que podia levar sem todas aquelas tarefas. Deixou uma equipe de confiança à frente dos seus negócios e conta com a ajuda do irmão mais novo, Harry Jackson Lowrey, para cuidar dos seus investimentos em Seattle. Foi quando voltou para a sua terra natal com as filhas, que conheceu Valeria, a mãe de Jasper. Os dois estão namorando há um longo tempo e as gêmeas de 9 anos são cuidadas e mimadas por ela, como se fossem suas.
— Você está com ciúme? Que bonitinho! — Ela gritou e apertou as bochechas dele, quando seu rosto se transformou numa careta — O coração da sua mãe é enorme. Tenho certeza de que morre de saudades do loirinho dela.
— Sua engraçadinha — Jasper a beliscou e riu — Sim, bem, eu vou conversar com ela sobre isso. Talvez seja uma boa ideia.
Eles brincaram no sofá por um tempo e assistiram a metade de um filme espanhol do Woody Allen, porque Jasper achava as duas atrizes principais gostosas, mas elas não foram capazes de prender a sua atenção por muito tempo e Isabella o enviou para casa quando o tinha quase babando sobre ela. Aconselhou que ele tirasse uma soneca, depois de prometer que o chamaria quando Angela chegasse com a comida. O homem bateria o carro se dirigisse naquele estado mais tarde.
Quando se viu sozinha na sala silenciosa, aproveitou para continuar o que estava fazendo antes de ser interrompida, pois tinha esperanças de encher a cara durante toda a noite e dormir até tarde no dia seguinte. Na próxima hora, conseguiu terminar o trabalho que trouxe e organizou a agenda para os três primeiros dias da próxima semana. Angela chegou 30 minutos depois, segurando duas caixas de pizza que cheiravam como o céu. Elas comeram na mesa, conversando enquanto Isabella tentava acordar Jasper com ligações. Há muito tempo Ang não tinha um tempo para si mesma, com direito a saídas com seus amigos, boa música e diversão de verdade, então não era de se admirar que ela estava animada como uma criança prestes a visitar o Zoo pela primeira vez.
— Essa calça diminuiu a sua bunda em uns dois números.
— Eu sei, certo? — A moça bateu palmas e riu, olhando o seu reflexo. Apesar de trabalhar bastante, Angela comia muito para uma mulher do seu tamanho e toda a gordura ficava presa em seus quadris, o deixando mais largo. Então sempre que possível, estava usando peças de cores escuras que disfarçassem o tamanho da sua bunda gorda — Ela e essa blusa me custaram um olho, mas veja... faz parecer que os meus peitos são redondos e empinados. Eu amo a mágica que essas pessoas fazem usando apenas tecidos. Acredite em mim, valeu cada centavo.
Isabella sorriu, mas não concordava totalmente com isso.
Era bom que as mulheres tivessem maneiras de disfarçar as suas imperfeições, mas era bem mais bonito de ver, quando elas se aceitavam como eram e valorizavam o que tinham de melhor e de diferente das outras, ao invés de se esconder em camadas de roupa porque não se encaixam em um determinado padrão. Ela aprendeu a ficar calada sobre o assunto, pois suas amigas a achavam hipócrita por falar assim e possuir um corpo atraente. Isabella nem sempre foi assim, bonita e cheia de curvas, mas tinha uma boa genética que lhe permitiu modelar o próprio corpo da maneira como a agradava, mas atualmente as suas coxas já faziam um pequeno movimento quando se movia muito rápido, mostrando que a falta de exercícios físicos a deixaria exatamente como era antes e isso já não a incomodava tanto assim.
Tinha coisas mais importantes para lidar no momento.
— O que você acha desse? — Isabella colocou um vestido azul de frente para o seu corpo e mostrou para Angela, que brincava com o gargalo da garrafa.
— Eu não acho interessante usar vestido em bares — Ela respondeu e ergueu uma das sobrancelhas — A não ser que você realmente vá com a intenção de ter caras bêbados passando a mão nas suas partes femininas.
— Hmm. Tem razão.
A morena fez uma careta e virou-se para agarrar uma calça. Escolheu um jeans preto e uma pequena blusa cor de ameixa. Tirou da gaveta uma calcinha e alcançou a sua jaqueta de couro favorita. Correu para o banheiro no momento em que Jasper entrou no quarto trazendo duas novas garrafas de cerveja com ele. Após devorar quase uma pizza inteira sozinho, ele as encontrou esquecidas na última grade da geladeira e dividiu-as com a baixinha que mal se continha de tanta ansiedade.
Ang estava constantemente verificando as horas em seu relógio de pulso.
— É um bonito relógio — Isabella elogiou e se inclinou para o espelho, tentando não sujar a pálpebra enquanto aplicava uma boa camada de rímel — Papai ganhou um de presente da mesma marca no seu último aniversário.
— Obrigada. Esse também foi um presente — Ela sorriu encarando os ponteiros novamente e voltou-se para a amiga — Stella disse que pensou em mim quando o viu na vitrine. Achei tão atencioso...
— Stella?
— Sim, a morena. Minha sócia. Será que você se lembra dela?
— Claro... realmente, muito atencioso — Isabella sorriu após limpar a garganta e passou o pincel coberto de batom liquido pelos lábios — Você a convidou?
— Oh, não! Ela vai cuidar dos negócios para mim. Ela também acha que eu mereço um pouco de descanso depois dos últimos meses. Foi uma agitação só.
Tinha sido confuso e trabalhoso, lidar com a ampliação e reforma da confeitaria, mas extremamente satisfatório, principalmente pela obra ter a aproximado de Stella como fez. As duas se deram bem desde o começo, mas ambas eram muito reservadas e por um longo tempo, só trataram de negócios. Claro que Benjamin, seu ex namorado, tinha muito a ver com isso. Ele gostava de mantê-la sob sua asa e não aprovava nenhuma nova amizade que fazia por causa do seu trabalho. Com Stella, a implicância foi maior quando ela os deixou saber sobre a sua preferência por mulheres. Ang ficou admirada. Sua sócia era uma mulher mais velha, mas atraente, espirituosa, dedicada e bem-sucedida em todas as áreas de sua vida. Ela era tudo o que Angela queria.
Ser ou possuir? Ainda não sabia a resposta.
*********
Isabella colocou o cinto de segurança e abaixou um pouco o vidro da janela. O interior do carro estava morno por ter passado algum tempo sob sol. Ela odiava morar em uma casa sem garagem, mas era o que podia pagar e tinha a sorte de viver em um bairro tranquilo sem quaisquer relatos de assalto ou vandalismo. A maioria das pessoas em sua rua não possuíam um. Elas usavam o transporte público porque eram fáceis de encontrar, tranquilos e limpos. Era agradável a ideia de não precisar gastar com gasolina o tempo todo, mas adorava dirigir pela cidade e estava constantemente visitando os pais.
— Você só pode estar brincando comigo — Jasper reclamou quando Angela ficou entre os bancos e ligou o rádio, sintonizando em uma estação onde uma canção lenta e tediosa do Sam Smith tocava — Estamos indo a um bar, não a um funeral.
Isabella sorriu, mas os ignorou.
— Foi vencedora do Oscar, Jasper. Tenha algum respeito.
— Apenas por causa do filme, que também nem é essas coisas... — Ele continuou resmungando quando pararam em um sinal. Angela respondeu e por alguns minutos, ambos ficaram discutindo a direção, produção e os atores da maioria dos filmes do 007. Ela sequer podia acreditar que existiam mais de 20 deles sobre esse mesmo sujeito, o Bond — Por que está com essa cara, Bella?
— O que? — Ela perguntou, tirando a atenção da janela — Qual o problema?
— Você está esquisita desde que saímos de casa.
— Está mesmo. Calada e pensativa. — Ang completou, enquanto mastigava seu chocolate. Ela tinha a metade de uma barra em suas mãos. Dizia que o doce a mantinha sóbria, mas não tinha certeza se estava funcionando.
— Eu estou bem, gente. Apenas... pensando.
— Você está assim por causa daquele cara — Jasper acusou, sua expressão mudando de confuso para furioso em segundos e ela puxou uma grande quantidade de ar, pedindo aos céus para não explodir com mais alguém presente — Porra, Bella, eu pensei que essa noite seria sobre nós. Há quanto tempo não saímos juntos?
— Ainda é sobre nós.
— Então por que está pensando nele?
— Porque eu estou preocupada, caramba — Ela esbravejou, fazendo-o franzir a testa com a sua declaração — O Edward não voltou para a agência desde que você esteve lá. Na quinta-feira, deveríamos nos encontrar, mas ele ligou e pediu para a Maya me avisar que precisava lidar com um problema de família e depois entraria em contato para remarcarmos — Foi a sua vez de franzir o cenho quando lembrou de falar com Alice e ela não deixar transparecer que nada estivesse errado com os Cullen — Hoje ele também não apareceu e eu estou frustrada. O que diabos está acontecendo? Ele desistiu de mim ou...
— Ele mentiu. O que você esperava?
— Do que vocês estão falando? — Angela se meteu, assistindo o casal à sua frente, como se fosse uma novela.
— Sobre o que?
— Sobre tudo, Bella. É o que ele faz de melhor! — Jasper parou em um semáforo e virou para encarar a morena — Esqueceu como o Cullen te tratou feito lixo em Forks? Esse cara te odiou por dez anos. Você acha mesmo que ele esqueceu toda a merda de vocês em dois meses? O covarde deve ter caído fora.
— Você não o conhece, Jasper. Eu vi nos olhos dele. Edward quer fazer isso dar certo — Ela afirmou, sua voz estremecendo com a vontade repentina de chorar. Aquilo soava estranho até em seus ouvidos e ela queria muito que ele estivesse por perto para reforçar as suas palavras. Para que ela não parece tão desesperada para que tudo fosse real — Por que está sendo assim? Por que ao invés de me apoiar, você puxa o meu tapete sem sequer nos dar uma chance?
— Ele vai machuca-la.
— Bem, eu não sou uma fodida criança, Jasper. Sei me cuidar. Eu sobrevivi uma vez e sou capaz de machuca-lo de volta, se eu quiser — Ela fungou, seus olhos atiravam punhais para o amigo que colocava o carro em movimento outra vez — Isso está me sufocando. A maneira como você quase o bateu na quarta, porra, parecia que... você parou de me ver como sua melhor amiga, é isso?
— Como é?
— Você tem ciúmes do Edward? Essas coisas acontecem e-
— Você está mesmo insinuando essa porra, Isabella? — Jasper bateu no volante, assustando as duas mulheres e então soltou uma risada amargurada que fez o coração dela apertar — Você é a minha irmã! Eu só estou cuidando de você, sua pequena ingrata. É tudo que eu venho fazendo ao longo dos anos. Afastando os imbecis que podem foder contigo e deixando o caminho livre para aqueles que parecem decentes o suficiente para você.
— Me desculpa, eu-
— Mas o Cullen sempre vence, não é? O desgraçado nunca está presente, mas ele consegue superar qualquer um. Eu não sei que tipo de voodoo do caralho ele lançou sobre você, Bella, mas você sempre pertenceu de corpo e alma a ele e não há nada que eu possa fazer sobre isso — Isabella chorou com a verdade em suas palavras. O seu peito estava ardendo. Ela queria tanto que Edward estivesse por perto para dizer que ficaria tudo bem. Que eles iam fazer aquilo funcionar e não era mais uma das suas fantasias, mas ele tinha sumido e agora estava confusa. Ela olhou para o teto e enviou uma prece a Deus para obter sabedoria para saber lidar com os seus sentimentos por aquele homem e conseguir se proteger do que quer que estivesse esperado por ela — Se eu quero mata-lo por ter brincado com você daquele jeito? Porra, sim, quero. Mas mais do que isso... eu quero e preciso vê-la feliz. Se esse bastardo estiver falando sério em ficar com você, compensando-a por toda aquela merda, eu posso tolera-lo.
— É sério?
— Sim. Eu quis dizer isso.
Isabella riu em meio as lágrimas, esticou o braço para tomar uma das mãos de Jasper e segura-la. Seu rosto deveria estar vermelho do choro repentino e também de vergonha. De onde tirou aquela estupidez? Eles eram irmãos e olhavam um pelo outro. Era normal que Jasper tomasse as suas dores e tentasse protege-la de alguém que lhe fez mal. Balançou a cabeça para os lados. Como era idiota!
— Eu sinto muito mesmo. Estou assustada.
— Sei que está, mas vamos passar por isso juntos. Prometo que serei paciente com você, querida — Ele respondeu, agora carinhoso e gentil. Estava olhando para frente, mas havia a intenção de um sorriso em seus lábios. Ele não estava bravo. Soltando um suspiro tremulo, ela beijou os seus dedos e o deixou ir, para que dirigisse com segurança — Agora vamos seguir com a nossa noite.
Jasper estava satisfeito que ela tenha finalmente se expressado. Os dois tinham brigado na volta para casa naquela quarta-feira à tarde, mas na maior parte do tempo, Isabella tentou controlar e amenizar o aborrecimento dele, ao invés de dizer-lhe como estava se sentindo a respeito da volta do Cullen. Ele sabia que ainda havia muita coisa entalada em sua garganta, que estava com medo de se entregar outra vez, mas agora não era hora nem lugar para conversar sobre isso. Jasper se certificaria de falar com ela sobre tudo em breve e respeitaria as suas escolhas e decisões. O que ele menos queria era que a amizade dos dois fosse danificada por causa da sua superproteção e o ciúme exagerado.
Ele não permitiria que Edward a levasse para longe.
— Eu te amo.
— Eu também te amo, bebê — Ele a olhou e novamente e ela foi golpeada no peito pelo carinho que havia em sua expressão — Apenas não diga tanta merda de novo, certo? Eu nunca bati em mulher, mas na próxima vez, a sua bunda vai conhecer a textura da palma da minha mão e você não vai gostar do resultado.
Eles estavam rindo e então pararam ao ouvirem um soluço. Isabella virou para trás e encontrou Angela com os olhos apertados, se desmanchando em lágrimas enquanto segurava o nariz com um lenço.
— Vocês são tão lindos — Ela diz com a voz anasalada e Jasper explodiu em uma gargalhada — Tudo bem, podem continuar. Finjam que não estou aqui.
O resto do caminho foi feito em um silencio confortável. Após se entender com a amiga, Jasper voltou a pensar sobre a sua paciente que foi recebida no hospital hoje pela manhã, sofrendo com o aumento da pressão arterial e com vários sinais de pré-eclâmpsia. Ela foi internada e o bebê está sendo monitorado. O marido, apesar de inconformado e assustado com a situação, autorizou que o parto fosse realizado amanhã à tarde, mesmo 5 semanas antes do previsto. Ele está apavorado sobre a possibilidade de perder a esposa e se algo der errado, a criança não será querida.
Jasper está há anos lidando com gestantes e pequenos anjos, mas era capaz de compreender esse homem e sentir pelo bebê. Ele próprio havia colocado a vida da sua mãe em perigo e o seu pai nunca foi o mesmo depois que quase a perdeu em uma mesa de cirurgia, para que ele pudesse vir ao mundo. Ele cresceu sem ter a menor ideia da razão pela qual o pai era, na maior parte do tempo, rude e não gostava de comemorar seus aniversários, mas quando tinha idade o suficiente para entender que havia nascido antes de completar os nove meses e tinha dado aos seus pais, o susto de suas vidas, foi capaz de compreender que ele era um lembrete diário daquela data.
Ele estava lá por Valeria quando o seu pai faleceu e até aquela data, ainda não havia amor entre os dois. Jasper estremecia só pensar em como teria sido a sua vida se não a tivesse e precisasse crescer com rancor e o ódio dele. Ele esperava conseguir ter bons momentos essa noite para que amanhã, estivesse motivado e otimista de que salvaria àqueles dois e daria àquele garotinho, uma verdadeira família.
Angela quase saltou pela janela quando avistou o Sam’s Tavern. Três rapazes estavam do lado de fora, bem agasalhados e fumando. Ela passou por eles fazendo cara feia e resmungando por causa da fumaça, fazendo-os rir e Isabella correu atrás para ter certeza de que ela não irritasse alguém. O barulho que veio de dentro do bar, quando abriram a porta, fez com que ela parasse no lugar por um segundo e tocasse os seus ouvidos. As pessoas falavam muito alto, tentando serem ouvidas apesar da banda que tocava no palco à direita de onde estavam.
Isabella ficou na ponta dos pés e vasculhou o lugar com os olhos, procurando qualquer rosto conhecido e só parou quando viu um par de mãos balançando sobre as cabeças de um grupo de pessoas. Era Alice fazendo gestos e chamando-a com tamanha empolgação que qualquer um pensaria que as duas não se viam há meses.
— Por aqui.
Ela agarrou a mão de Jasper e gritou para Ang acompanha-la, enquanto atravessava no meio de algumas garotas que estavam claramente alugando o garçom bonitinho, provavelmente tentando serem atendidas na frente do resto.
Quatro mesas e várias cadeiras acomodavam os seus amigos.
Ela sentiu mais do que viu, Jasper acenar para algumas moças e dois caras que ela não conhecia, mas imaginou que fossem do hospital e sorriu para Spencer, Hope e Addison, que estavam entretidos, disputando por uma cesta cheia de anéis de cebola empanada. O seu humor melhorou radicalmente quando todos eles se levantaram para cumprimenta-la. Os colegas de trabalho de Jasper não foram nada sutis ao cumprimenta-la. A apertaram em um abraço e tocaram as suas costas intimamente, enquanto beijavam a sua bochecha. Foi constrangedor, mas ela apenas sorriu com educação e não demonstrou interesse em nenhum dos dois.
— Eu senti sua falta. Por favor, diga que não está mais brava comigo — Alice pediu, assim que foi capaz de colocar as mãos nela — Eu prometo não esconder mais nada de você. Achei que o idiota me pediria ajuda para chegar em você e não que iria praticamente se infiltrar na agência.
— Tudo bem, mas há uma coisa que preciso falar com você...
— Claro! Você pode falar tudo o que quiser depois que me apresentar esse pedaço quente de homem que está ao seu lado. — Alice sorriu com malícia e jogou o cabelo para trás enquanto media Jasper dos pés à cabeça.
— Ei, bebê, o que está acontecendo? — Jasper perguntou, virando pra Bella quando a sentiu puxar a sua camisa. Alice perdeu o sorriso no mesmo instante, mas ele não percebeu, pois, seu olhar estava vidrado na outra mulher.
— Eu quero te apresentar a alguém — Ela usou a cabeça para indicar Alice que assistia os dois com atenção e quando Jasper colocou seus olhos sobre a moça dos traços delicados e cabelos castanhos claros, ele engoliu em seco. Bingo! — Esta é a Alice. Ali, quero que conheça o meu melhor amigo, Jasper.
— Oi! É um prazer — Ali estendeu a sua mão para ele e quando Jasper a tocou, o puxou para um abraço rápido, resistindo a vontade de ficar ali — A Bella sempre fala muito bem de você. Estava ansiosa para conhece-lo. Você aceita uma bebida?
Isabella assistiu à cena, se divertindo muito sobre como Jasper parecia confuso ao mesmo tempo que estava fascinado com Alice. Ela tinha certeza de que sua cabeça estava dando voltas. Sua amiga era uma mulher jovem, mas muito bonita, capaz de chamar a atenção de qualquer sujeito nesse lugar e Jasper não seria imune ao seu charme, mas ela ainda era uma Cullen, apesar de tudo e ele surtaria, uma vez que percebesse que estava caindo pela irmã de Edward.
— Eu pedi três porções de asas de galinha com molho picante, cerveja, batata frita, gim e um hambúrguer com cebola extra e picles para o Spencer — Ang avisou a todos na mesa, contando cada pedido em seus dedos — Esqueci de alguma coisa?
Todos negaram com a cabeça e a agradeceram. Angela sorriu, aliviada por não ter esquecido de nada. Ela procurou um lugar para sentar e quase derrubou o assento quando o bico da sua bota ficou preso na perna da cadeira. Ela sabia que estava alta, mas conhecia a si mesma muito bem. Um pouco de comida resolveria tudo, mas para isso, teria que ficar com o pessoal. Aqueles homens comiam como animais e não sobraria nada para ela, se decidisse explorar o bar um pouco mais.
— Isso cheira tão bem! — Ela choramingou quando uma garçonete passou por eles, usando um short pequeno demais e segurando uma bandeja de aperitivos suculentos.
Angela estava sempre com fome ultimamente e não tinha ideia do que havia aberto o seu apetite dessa forma. Admitia que o stress das suas responsabilidades, a impedia de cuidar da saúde como antes e agora estava colhendo os resultados. Parecia um pequeno tornado, levando consigo tudo que fosse comestível e agradável. Para se distrair, tomou outro gole da bebida que Addison lhe recomendou – era doce e colorida, exatamente como se sentia hoje – e tirou o celular do bolso para enviar uma mensagem para sua amiga, Stella. A noite estava só começando e ela estava se divertindo mais do que em seus tempos de faculdade.
Depois de comerem seus respectivos pedidos, as moças foram para a pista de onde os casais tinham acabado de sair. A música country foi substituída por outras mais dançantes, com letras sensuais e instigantes que faziam as mulheres rebolarem e os homens, com prazer, as assistiam de longe. Isabella tinha Hope nas suas costas. As duas mexiam seus corpos no ritmo das canções e esbarravam uma da outra constantemente, estavam sempre se tocando e atiçando a imaginação dos espectadores de propósito. Bella achava divertido provoca-los, mesmo que não tivesse nenhuma intenção de levar algum deles para casa.
É claro que não podia dizer o mesmo da sua colega.
Hope enviava olhares nada sutis ao careca na mesa à esquerda delas. Ele tinha uma moça abraçada ao seu pescoço, mas isso não o impedia de checar Hope o tempo inteiro. A morena fez uma careta, torcendo para que ela fosse a irmã dele ou algo do tipo. Um dos médicos, Gavin, se aproximou e a fez rir com os seus movimentos desastrosos. Isabella soube que era tudo brincadeira quando ele começou a se mover pra valer, mostrando que era bom naquilo também. Os dois curtiram juntos por cerca de quatro músicas e quando uma moça da turma surgiu pedindo sua atenção, ela o deixou ir, mas continuou dançando até que estivesse suada e exausta.
Ela bebeu meio copo de cerveja assim que voltou para os amigos e se engasgou quando arriscou uma olhada para Jasper e Alice.
Ambos estavam distantes dos demais do grupo, conversando e trocando selinhos gentis enquanto sua mão fazia o mesmo carinho uma e outra vez em sua coxa nua pela mini saia que usava. Alice parecia calma como nunca viu antes e Jasper a olhava como se ela fosse a mais delicada das criaturas. Isabella precisou resistir ao impulso de esfregar os olhos para ter certeza de que a bebida não estava a fazendo ver coisas. Como diabos eles se entenderam tão rápido? Nesse instante, o seu amigo levantou a cabeça no meio de uma risada e os olhares dos dois se cruzaram. Jasper teve a cara de pau de corar, escondendo o seu rosto no pescoço da moça e Isabella se perdeu.
Ela gargalhou, mal vendo a hora de pega-lo a sós na volta.
Jasper pagaria com a própria língua por sua implicância com os Cullen.
— Bella? — Ela ouviu Addison chamando e ela a encarou — Você pode ir até o balcão e perguntar sobre os nossos shots de tequila? Spencer pediu há um tempão, mas ele saiu para atender a uma ligação e...
— Tudo bem. Eu volto em um minuto.
Isabella se virou para sair e precisou empurrar algumas pessoas do caminho para conseguir sair do lugar. O bar estava acabou ficando cheio rapidamente e parecia que entrava mais gente do que saia. Ela realmente não entendia como as pessoas conseguiam se divertir com tanto barulho e pouco espaço para se mover, mas acreditava que o álcool os deixava imunes ao desconforto da situação.
Um rapaz, parecendo ser um jovem universitário, esbarrou nela e ergueu as três canecas de cerveja que segurava, para que não derramasse ao redor. Pediu desculpas e encontrou um meio de sair do meio da pequena multidão rapidamente, mas Bella sequer percebeu tudo isso. Seus olhos estavam na mulher que usava o mesmo uniforme que as outras garçonetes, mas ao invés de estar trabalhando, se inclinava e usava a longa unha pintada para traçar um caminho através da camisa, no peito do homem que segurava sua mão e tentava tira-la de cima dele.
Isabella viu vermelho e avançou.
— Então, esta é a sua emergência familiar?
Edward interrompeu sua frase ao meio quando ouviu a sua voz.
Ele abriu um sorriso envaidecido quando viu como ela parecia uma gatinha raivosa, prestes a pular e arranhar a moça que estava lhe servindo essa noite. Admitia que a garota, que parecia ter acabado de completar a maioridade, estava tomando certas liberdades inconvenientes, mas ele não estava no clima e a teria colocado em seu lugar se a sua temperamental ex namorada não tivesse chegado antes.
— Ei, babe. Você está me seguindo? — Ele perguntou antes de dar uma boa checada nela. Isabella, apesar da raiva borbulhando em seu sangue, foi incapaz de impedir que os seus mamilos endurecessem sob o olhar atento de Edward.
— Você não tem uma mesa para limpar ou alguma merda assim? — Ela o ignorou e se dirigiu inteiramente a garçonete que a olhava confusa. Sabia que estava sendo uma cadela total, mas não ia ignorar e virar para o lado enquanto outra mulher se fazia disponível para Cullen — Ande, garota. Mova-se! Esse lugar está lotado e você recebe para servir as pessoas, não para chupar paus.
Ela assistiu Edward jogar a cabeça para trás e rir. Ele não parecia muito sóbrio, mas também não estava bêbado. A mulher que ainda tinha a mão pressionada contra o peito dele, parecia prestes a retrucar, quando ele a afastou por completo.
— Você ouviu a senhorita. Por favor... — Ele abriu o braço, indicando a saída para a moça que bateu o pé no chão como uma criança contrariada e isso o irritou. Edward não estava com paciência para joguinhos — Vamos, porra, dê o fora.
A menina, constrangida com a possibilidade dos demais clientes terem a visto ser dispensada, apressou-se em correr dali, batendo os saltos exageradamente altos no chão de madeira. Uma vez sozinhos, o casal se encarou por alguns segundos. Isabella teve a sua chance de olha-lo e se deliciou com a visão de Edward vestido em uma blusa azul marinho de mangas compridas com um pequeno decote em V e calça jeans quase tão escura quanto a sua, que se moldavam muito bem às suas coxas. Ela adorava as pernas e os braços dele.
Não sabia se Edward praticava qualquer esporte nos dias de hoje, mas ele sempre teve um corpo incrível por causa do beisebol. A barra da calça foi dobrada, mostrando os sapatos mais claros e gostou de como tudo parecia bem nele. Ainda não o tinha visto assim antes. Parecendo um homem bonito, mas comum e aparentando ter a idade que possuía.
— Você sabia que eu estaria aqui?
— Não. Alice esteve no meu apartamento hoje mais cedo e deixou o endereço do lugar, caso eu quisesse encontra-la mais tarde, mas admito que é bom que esteja aqui. Senti sua falta, babe — Ele tentou tocar o seu rosto, mas Isabella bateu em seu braço e o empurrou para baixo, fazendo-o rir de sua relutância — Calma.
— Pare de me chamar assim — Ela ralhou, ignorando a forma como o seu coração batia ao vê-lo admitindo ter saudades dela — Onde diabos você esteve?
— Gosto de você mandona assim — Ele sorriu cheio de malicia e o seu sexo respondeu, palpitando e ficando úmido. Inferno, você precisa se controlar. Até onde sabia, Edward podia ter estado em qualquer lugar, fazendo qualquer coisa com qualquer uma nos últimos dois dias — Eu te disse, Bella. Tinha merdas da família para lidar.
— Eles estão todos bem! — Ela acusou e empurrou-o para trás, impedindo que ele se aproximasse — Você está mentindo para mim.
— Bella, espera! — Ele chamou quando Isabella lhe deu as costas e tentou agarra-la pelo braço, mas a morena foi mais rápida. Ela se esquivou e entrou no meio das pessoas, tentando chegar na sua mesa e ficar tão distante quanto possível daquele idiota. Deveria ter ouvido Jasper. Era apenas outro jogo... — Eu disse para esperar.
— Me solta, Edward! — Exigiu, tentando se livrar das suas mãos que pareciam estar lhe segurando por todo lugar. Ao invés das pessoas ajuda-la, elas se afastavam para dar mais espaço aos dois — Você usou a sua irmã. Chegou com esse papinho de ter sentimentos por mim e me querer, então some por dias e ainda me dá essa desculpa ridícula? Não há nada de errado com a sua família.
— Eu não disse que havia algo de errado com eles, mas sim que precisaram de mim — Ele rosnou apertando seu braço e a arrastando em direção a saída. Para sua surpresa, ninguém tentou interrompe-lo de levar uma mulher praticamente arrastada para fora do bar e logo eles se viram no beco frio e vazio ao lado do estabelecimento — Emmett precisava de ajuda.
— Emmett? — Ela perguntou e fez um som de desdém usando os lábios — Você acha que eu sou estupida? Sei muito bem que preferiria lamber o asfalto a ajudar o seu irmão com alguma coisa, Edward.
Ele riu com a comparação porque em um período da sua vida, sim, aquilo não poderia soar mais verdadeiro, mas desta vez não estava mentindo. Havia mesmo ido até Emmett e sua esposa, principalmente porque não tinham a quem recorrer e se não fosse por ele, os dois teriam complicações. Ele não queria ver Rosalie sofrendo logo agora que as coisas estavam finalmente como ela sempre quis.
— Emmett está no meio de um processo importante e o advogado dele ficou indisponível de uma hora para outra. Ele precisava de alguém para auxilia-lo e eu não fui capaz de recusar — Edward admitiu, apertando a ponta do nariz e olhando-a nos olhos. Sabia que Isabella o lia bem. Ela veria a verdade — Era realmente importante. Eu não sou conhecido por deixar os meus clientes na mão ou brincar em serviço, Bella, mas já decepcionei a minha família o suficiente.
— Vocês estão... bem... agora?
— Se estamos bem para sermos civilizados e amigáveis com um com outro? Sim, claro — Ele deu de ombros, mas o sorriso em seu rosto não tinha nada de certo. Ele estava ficando irritado em tocar no assunto — Se somos unidos como antes e comparamos notas sobre nossas fodas em comum? Absolutamente não.
Isabella enrijeceu.
Ele apoiou uma mão na parede de tijolos. Seu braço estava ao lado da cabeça dela quando fechou os olhos e respirou fundo algumas vezes. Ele não estava pronto para cruzar essa ponte ainda. Tinha aprendido a se conformar que os dois haviam dormido juntos por uma única e infeliz vez, mas só de imaginar ouvi-la falando e recordando sobre esse momento, seu coração doía com força.
— Isso foi horrível, Edward.
— Eu sei, mas não consigo evitar. Toda vez que penso sobre isso, vejo uma imagem sua, rolando nos lençóis com o meu irmão. Gemendo o nome dele como fazia com o meu — Ele respondeu com uma careta. Sua expressão era amarga e Isabella sentia sua dor. Ela sentia falta de ar ao pensar em outra mulher tocando-o intimamente, lhe dando prazer — Isso nunca deveria ter acontecido, Bella. Ele não deveria ser capaz de saber o quanto você é macia e quente. O gosto da sua pele...
— Ele provavelmente não sabe — Bella colocou fechou as mãos no tecido da blusa dele e o puxou em sua direção. Edward retirou a mão da parede e mesmo tenso, aceitou o corpo dela entre seus braços — Eu mal consigo me lembrar de chegar naquele lugar. A minha noite com o Emmett... — Bella o sentiu endurecer e apertou-o com mais força, tentando mostrar que ela estava ali com ele agora — Ela não passa de um borrão. Eu lembro de tentar pará-lo no meio da coisa, porque me senti suja e enjoada, mas era tarde demais. Eu não tenho ideia do que aconteceu a partir dali, até que acordei no quarto de hospedes dos Stanley.
Edward a encarou.
Seus olhos eram tristes e ele parecia novamente aquele garoto confuso e pedido na sala dos Cullen, que teve seu coração partido quando descobriu como havia se enganado com ela. Isabella não o traiu como namorado, pois eles haviam terminado antes, mas traiu o sentimento que eles fizeram surgir durante os sete meses em que ficaram juntos. Edward não era digno de consideração depois do que a fez passar, mas merecia o respeito dela e do seu irmão mais velho. Isabella sofreu com as consequências daquela decisão mal tomada, mas ambos o machucaram e até hoje, ela não sabia a extensão dos danos que causaram a Edward, porque ele fugiu.
Dela.
Da cidade.
Da própria família.
Isabella o afastou de todos.
— Isso nunca pode acontecer de novo — Edward sentenciou depois de um longo período de silencio entre eles — Você nunca vai estar com outro homem novamente. Apenas eu. Você precisa de um abraço? Venha até mim. Precisa de carinho, flores, da porra de um orgasmo? Eu vou te dar. Quer brigar, descontar as suas frustrações de um dia ruim ou apenas socar alguma coisa? Me procure.
— Sim.
— Eu sou rancoroso, Bella. Serei um bastardo frio, se me der motivos para isso e posso fazê-la sofrer com mesma intensidade que poderia estar me dedicando à sua felicidade. Mas você sempre contará com a minha honestidade. Eu falarei com você sobre como me sinto, o que quero e o que posso oferecer. Não tocarei em outra mulher, desde que faça a sua parte — Sentiu lágrimas cobrirem seus olhos a cada nova afirmação. Ele havia sido ruim com ela no passado, sim, mas nada do que ele fez, lhe causou marcas permanentes. Agora via que Edward havia mudado muito e não podia culpar ninguém além dela mesma por isso — Mas eu realmente não confio em você. Isso significa que eu estarei por perto. Sempre muito perto.
Ela assentiu, concordando até então e esfregando o rosto no peitoral dele. Inspirando o seu cheiro, Isabella tentou se acalmar. O seu peito doeu com a confissão dele. Tinha direito de ficar com raiva quando foi a única que fez por onde receber esse tratamento? Dez anos se passaram desde o seu erro, mas estava claro que Edward, sozinho, não tinha sido capaz de supera-lo. Teria que ter paciência para mostrar que Emmett foi uma triste exceção e que jamais faria qualquer coisa parecia com aquilo outra vez.
Ela queria mais.
Desejava que Edward se apaixonasse novamente.
Se ele foi capaz de ama-la, em meio a toda confusão em que ambos estavam envolvidos, ela queria trazer esse sentimento de volta. Uma conexão como a que tinham, que os mantiveram presos um ao outro por toda a última década, tinha que ser tratada e cuidada como a coisa especial que ela era. Isabella faria isso.
— Você não pode ficar trazendo isso à tona o tempo inteiro — Ela murmurou, levantando um pouco a cabeça para olha-lo. Edward sorriu pequeno e concordou com um aceno — Eu fiz merda e bêbada, dormi com o seu estupido irmão. Nós sabemos disso e não é necessário que fique passando na minha cara. Já aconteceu. Foi há muitos anos...
— Tudo bem. Você tem razão — Ele concordou novamente, interrompendo e então soltou uma breve risada, afastando-a um pouco — Viu como sou capaz de dar o braço a torcer e admitir minhas as falhas? Nós podemos fazer isso dar certo, Bella.
— Eu sei que sim. Mas o que isso faz de mim?
— Eu não estou pronto para colocar rótulos agora — Admitiu. Ainda não sabia o que diabos estava fazendo. O seu coração estava em paz por tê-la finalmente nos seus braços, agarrando-se a ele de boa vontade, mas a sua mente estava trabalhando furiosamente em todas as chances que aquilo tinha de dar errado. Edward precisaria ser forte para não ceder aos impulsos de abandona-la e retornar à sua vida antiga longe dela e mais ainda, precisava vigiar a si mesmo para não cometer o erro de vê-la como mais. Isabella era a mulher que esquentaria a sua cama e com quem ficaria por tempo indefinido, mas nunca mais do que isso. Quando finalmente se sentisse farto, pronto para cair fora, ele o faria — Vamos apenas deixar as coisas seguirem o seu ritmo.
— Tudo bem. Eu não estou alerta o suficiente para fazer as minhas exigências, mas elas virão. Esteja preparado — Quando riram, ela abraçou o corpo dele, estremecendo por causa da noite fria. Edward aceitou seu contato, apertando-a possessivamente como se nenhuma tensão entre os dois tivesse existido. Nunca havia meio termo, era assim que eles eram: simples ou exagerados, calmos ou furiosos, serenos ou intensos. Ele se inclinou e deixou um beijo em sua bochecha, mas quando seus lábios a tocaram, ele foi incapaz de parar — Isso é tão bom.
Edward a empurrou de volta à parede, tendo cuidado para que ela não batesse a cabeça e beijou o seu pescoço enquanto passava a mão bem devagar em sua barriga descoberta. Ele ficou excitado com a ideia de que todos aqueles homens lá dentro desejaram tocar a sua pele exposta, as curvas deliciosas que a calça apertada delineava, mas apenas ele teria esse privilégio. Ele subiu, encontrando os peitos dela completamente nus, sem sutiã e rosnou em sua orelha, fazendo a gritar de dor e surpresa quando o mamilo durinho foi beliscado. Isabella não perdeu tempo e levantou um pouco a sua camisa, para ser capaz de tocar a pele firme e macia das suas costas. Ele estava quente mesmo com o ar frio ao redor.
A língua de Edward acariciou a pele e a sentiu salgada, mas não se importou e continuou com a tortura até que ela não era capaz de prender seus gemidos e se contorcia no pouco espaço que seus braços lhe davam, ansiosa por mais.
— Espere, o que você está fazendo? — Ela arregalou os olhos assim que o sentiu mexendo no botão do seu jeans. Edward a ignorou e puxou o zíper para baixo. Ele não estava pensando em fazer... aqui... certo? — Nós não podemos. Alguém pode nos ver. Edward, não... — Ela gemeu, mas não fez nenhum movimento para impedi-lo de abaixar as suas calças até os joelhos. Seu pulso estava acelerado e adrenalina era grande demais para que pudesse sentir frio em estar só de calcinha e com uma blusa minúscula em um beco mal iluminado.
— Vire de costas para mim, babe. — Ele pediu, segurando os seus quadris e instruindo-a a virar. Isabella estremeceu e obedeceu. Ela deixou que Edward a posicionasse exatamente como queria: as duas mãos apoiadas contra os tijolos, o corpo em uma boa distância da parede e a bunda empinada para cima.
— Ai! — Ela gemeu quando recebeu um tapa no bumbum e logo sentiu a queimação — Porra, Edward, pare de joguinhos! — Gritou quando o segundo foi dado, dessa vez no outro lado.
— Você está tão bonita — Ele admirou a pele pálida ficar vermelha, enganchou os dedos nas laterais da calcinha que usava e abaixou até que ficasse junto com a calça, presa também em seus joelhos. Sua mão desceu para entre as pernas dela e encontrou a sua buceta escorregadia e morna. Deliciosa — Está com pressa, Bella?
Ela gemeu, empurrando-se para trás. Exigindo que a tocasse mais.
— Por favor.
— Sim, babe, eu vou dar pra você.
Depois de olhar para a entrada do beco e ter certeza de que não havia ninguém espionando os dois, ele desfez a própria calça e sacou de sua carteira, uma das camisinhas. Edward rasgou a embalagem com os dentes enquanto usava os dedos para provocar a entrada de Isabella que estava cada vez mais desesperada. No segundo seguinte em que tinha o seu eixo protegido, ele afundou no corpo dela. A morena gritou de êxtase, amando a sensação de preenchimento. Ela empurrou a bunda na pélvis dele, choramingando por mais e Edward lhe deu até que seus joelhos tremeram. Ele segurou uma das mãos dela, firme contra à parede e usou a outra para prender seus quadris no lugar enquanto a golpeava cada vez mais rápido e fundo. Gostou de como Bella jogou a cabeça para o lado, para que o seu cabelo saísse do caminho e mais ainda do seu gemido rouco, logo que começou a morder a sua orelha. Ele resistiu a marcar o seu pescoço dessa vez, mas lambeu a pele gostosa e chupou onde ela pulsava, então quando sentiu a sua buceta ordenhar o seu pau para o orgasmo, envolveu o braço ao seu redor e alcançou o seu pequeno clitóris para que os dois chegassem ao mesmo tempo.
— Eu não acredito que acabamos de foder em... um mictório — Bella revirou os olhos enquanto arrumava a roupa, enrolava o cabelo bagunçado e úmido em um coque — Pare de rir de mim, Edward!
— O que? — Ele riu ainda mais da sua cara de enfezada e a puxou para perto — Já fizemos no carro, agora no beco e você pode riscar “transar em local público” da sua lista de fantasias, babe. Vê como eu posso ser bem espontâneo?
— Sim, e babaca também — Ela o empurrou com o ombro, mas não o afastou. Gostava de tê-lo a tocando o tempo todo — Eu preciso entrar para pegar a minha bolsa e jaqueta.
— Certo. Não demore.
Isabella chegou a sua mesa rapidamente, uma vez que estava com pressa e o fluxo de pessoas tinha diminuído. Jasper estava longe de ser encontrado, assim como Alice, então depois de enviar uma mensagem para o celular dele, avisou aos outros que estava de saída. Ela jogou algumas notas na mesa, o suficiente para cobrir o que consumiu e correu em direção ao banheiro. Estava apertada e um pouco pegajosa da sua aventura com Edward.
Quando estava limpa e decente, deu descarga e saiu da cabine para encontrar Angela lavando o rosto. Ela estava cantando a música da vez, parecendo uma bagunça, mas muito feliz.
— Você sumiu, garota! — Ela sorriu quando viu a amiga pelo espelho. Bella ficou contente em vê-la cheia de energia e animada — Está indo embora?
— Sim, eu encontrei alguém e...
— Ah, não precisa falar mais nada — As duas riam e Ang continuou — Mas realmente não parece que você estava alguém. Vocês são bons, hein?
— Como assim? — Ela franziu o cenho, confusa.
— Bom, sempre que o Benjamin me pegava de surpresa, eu acabava toda descabelada. Você sabe, a boca inchada, batom borrado, essas coisas.
Bella se olhou no espelho e encarou os próprios lábios. Eles estavam normais, até um pouco secos. Edward não havia tocado neles outra vez. Por que?
De repente, todo o ânimo de ir embora com ele, desapareceu por completo.
— Ele não me beija...
— O que?
— Quando estamos juntos — Ela continuou e voltou sua atenção para Angela. Não sabia porque estava falando, mas precisava, por mais que aquele detalhe a envergonhasse. Por que diabos ele se recusava a beija-la? — Nós transamos sem pensar duas vezes, mas ele nunca tentou me beijar. Nenhuma vez.
— Oh... tem alguma coisa meio Pretty Woman rolando aí? — Ela perguntou, tirando um remédio para azia da bolsa.
— Eu não sei o que você quer dizer.
— O filme. Você nunca viu? A Julia Roberts é uma mulher de programa e durante o seu caso com o Richard Gere, eles não se beijam nunca porque... ei, pra onde você vai?
A morena correu para fora do banheiro assim que seu cérebro registrou as palavras de sua amiga. Tudo fazia sentido agora. As recusas dele em Forks. A maneira como ele a colocou de costas enquanto transavam e sempre usando camisinha sem questiona-la. Seus olhos se encheram de lágrimas e elas ardiam enquanto ela fazia o seu caminho para a saída. Como pode deixar isso passar? Ela parou em uma mesa vazia, mas ouviu alguém reclamar quando pegou um copo e enviou o liquido escuro para dentro da garganta. Ela engasgou e tossiu, mas não se acovardou. Conhaque do caralho! Isabella soluçou sem se importar com quem quer que estivesse olhando e fez o seu caminho para fora.
Iria saber de uma vez por todas se o homem que ela amava, sentia nojo e a via apenas como a porra de um buraco ou havia outra razão para que ela se sentisse tão rejeitada como estava nesse momento.
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