Erros de Sempre

24 Capítulo 23


Notas iniciais
Oi, minha gente. Demorei, mas cheguei. Boa leitura pra vocês (:

Ela segurou suas mãos juntas como em uma oração e assoprou entre as duas.

Dizer que Isabella estava contente com o ar morno do lugar era eufemismo. Fevereiro estava quase acabando e isso era dar adeus ao inverno, mas isso em Seattle não significava muita coisa. A cidade passava boa parte do ano coberta de nuvens cinzas e pesadas, independentemente da estação e embora morasse ali há anos, ela não podia negar que esperava ansiosamente pelo verão, raios solares e um ligeiro aumento na temperatura. Nunca era realmente agradável andar pelas ruas usando duas ou três camadas de roupa e ter que retira-las ao entrar em cada estabelecimento, pois, eles generosamente sempre oferecerem aquecimento.

Então, aqui estava ela, usando um vestido cinza confortavelmente justo sem mangas e que terminava na altura do joelho. Vestia também uma meia-calça preta, botas da mesma cor de salto baixo que iam um pouco acima do tornozelo e completava o visual com um sobretudo que, há alguns minutos, tinha sido gentilmente tomado por uma das vendedoras para que ela não tivesse que ficar carregando-o por aí junto com sua bolsa de ombro. Os cabelos, antes soltos, agora estavam amontoados no topo da cabeça em um coque bagunçado. Seu rosto quase não tinha maquiagem, apenas a quantidade certa para disfarçar algumas linhas de cansaço, mas não foi o suficiente para esconder a exaustão do seu corpo por estar cada vez mais perto de conhecer Haven. Em menos de dois meses ela estaria ali.

— Senhora? — Isabella vira para a sua esquerda ao ouvir a voz feminina. Tratava-se da mesma moça bastante jovem que se ofereceu para guardar o seu casaco e ela tem um sorriso educado em seu rosto — Posso lhe oferecer uma água, talvez um chá ou um suco?

— Na verdade, sim. Eu gostaria de um pouco de água.

— Ótimo, eu vou providenciar imediatamente — A mulher diz, polida — Enquanto isso, por que não me acompanha? Ouvi que o seu marido estava procurando pela senhora. Tenho certeza que alguém virá busca-la em breve.

Isabella abre a boca para corrigi-la, mas decide não ir em frente. Levantando de um dos sofás que ocupavam uma área agradável onde foi deixada enquanto Edward conversava com o gerente, ela segue a mulher após um rápido aceno. A maneira como o advogado tinha beijado seus lábios antes de sair, não deixou dúvidas de que ambos estavam juntos e o bebê em sua barriga dava asas à imaginação das pessoas, então era mais de compreensível a confusão da funcionaria e tendo em vista que eles estavam morando juntos agora, o que tinha de mal em deixa-la acreditar nisso? Seria menos uma jogando olhares sensuais para cima de Edward.

Ele não passava despercebido.

Nem mesmo pelos clientes.

— Aí está você! — Edward a cumprimenta em um tom baixo que a faz querer derruba-lo e montar nele. É claro que a maneira como ele veio por todo o caminho acariciando o interior de sua coxa, tinha algo a ver com isso — Eu olhei alguns carros, mas tenho um favorito e quero a sua opinião sincera sobre ele, tudo bem?

— É claro — Ela afirma com um sorriso e entrega a mão, quando Edward estende a dele para alcança-la. Um vendedor os observa pacientemente, mas sorri com entusiasmo quando Isabella se vira para ele — Por favor, nos leve ao premiado.

Ele ri e indica o caminho, que é todo feito com a mão direita de Edward possessivamente plantada em suas costas. Enquanto eles passam por alguns carros expostos, parecendo reluzir de tão limpos e brilhantes, ele tagarela sobre os modelos que viu, parecendo muito mais feliz com esse lugar do que com o ultimo em que foram. Isabella ficou realmente surpresa quando ele lhe contou sobre seus planos de comprar um carro novo e sua pressão quase subiu quando soube que ele estava fazendo isso apenas por Haven. A morena argumentou, é claro, disse que o carro dela poderia ser usado para as viagens feitas com a criança quando fosse necessário e não havia razão para uma despesa tão grande, mas Edward insistiu, empurrando-lhe os nomes das concessionárias. Ele estava pedindo para que ela o acompanhasse e participasse daquilo, mas era óbvio que o faria com ou sem ajuda, por isso ela escolheu ir junto. Principalmente para ter certeza que ele não exageraria no valor pago ou apareceria com alguma extravagância desnecessária.

— Então, o que você acha? — O ruivo pergunta assim que param diante de um modelo branco com vidros muito escuros — Eu admito que estava em dúvida sobre o Volvo, mas agora... — Ele dá risada, parecendo um pouco impressionado.

Ele é um Volvo?

— Volvo XC90 — O vendedor rapidamente esclarece — A propósito, eu sou Jack. Seu marido, o meu chefe e eu, tivemos uma longa conversa sobre o que ele está procurando e chegamos à conclusão que este aqui é provavelmente o ideal.

Outra vez aquele termo, ela nota.

Edward não faz nenhuma tentativa de corrigi-lo, porque sua atenção está na avaliação do exterior do veículo.

— Bem, ele é bastante impressionante — Isabella concorda, dando uns passos para a esquerda e o olhando melhor — Mas eu não gosto da cor.

— Nós também temos cinza e preto, senhora.

— Preto. — Edward e ela afirmam ao mesmo tempo e riem juntos.

— Preto será, então — O vendedor concorda e rapidamente se aproxima para abrir a porta do motorista, para dar a Isabella uma visão melhor do interior que era muito mais impressionante nas cores brancas e um tom mais escuro de marfim — O conforto dos assentos é realmente algo de primeira classe. Há um sistema com cinco modos de condução diferentes que alteram o motor, direção, transmissão e a economia de combustível. O visor de 9 polegadas funciona com comando de voz, ou seja, você pode tirar suas dúvidas sobre determinado percurso, atender ligações, mudar a música e até mesmo enviar mensagens de texto.

— Interessante — Ela murmura, soando quase desinteressada quando, por dentro, está saltitando como uma garotinha. O seu carro não fazia porcaria alguma parecida com aquilo e Edward nunca tinha lhe deixado dirigir sua Mercedes, então era certo como o inferno que ele não seria capaz de manter as mãos dela longe daquele Volvo — Como você pode ver, temos um bebê vindo. Ele é seguro o suficiente para transportar uma criança?

— Perfeitamente!

— É claro que sim, babe — Edward reforça, chegando por trás dela e beijando o seu ombro — Essa era a minha principal exigência.

— E este carro atende todas as que o Sr. Cullen tinha — Jack se afasta quando Isabella aceita a ajuda do namorado para entrar no carro e experimenta-lo. Ela parece bem lá, mas como o banco não está ajustado para uma gravida, ela não fica por muito tempo, afirmando estar apertado — Este Volvo conta com o sistema City Safety. Se por alguma razão, você estiver distraída e não detectar o perigo de uma colisão ou uma freada brusca do carro da frente, o sistema detectará e seu veículo será travado imediatamente, sem que precise pisar no freio.

— Nossa. Isso é real-

A admiração de Isabella é interrompida pelo som do celular de Edward tocando. Ele é rápido em retira-lo para fora da calça e após pedir desculpas para ambos, se afasta para atender a ligação. Na sua ausência, Jack explica as demais vantagens de adquirir o Volvo e bate sobre os detalhes que o advogado requisitou desde o início. Parecia a escolha perfeita. Edward é exigente com todas as suas aquisições e a primeira concessionária que visitaram após o almoço não o tinha agradado em nada, desde a gerência até os automóveis. Então, ela surgiu com uma nova opção.

Enquanto Jack a mantém entretida, a moça de antes retorna com uma bandeja, um copo e uma garrafa de água gelada. Isabella aceita com um sorriso de gratidão e logo eles são deixados sozinhos para retornar a conversa, mas é com alivio que ela observa Edward desligar o telefone, pois suas costas estão apenas começando a doer.

— Como estamos aqui? — Ele pergunta ao retornar, beijando o lado da cabeça de Isabella com um sorriso carinhoso — Estamos prontos para fazermos negócio?

— Com certeza, Sr. Cullen.

— O que você achou, babe? Seja sincera. Tenho certeza que o Jack aguenta.

Eles riem, mas ela sobe com a mão pelo seu peito, o fazendo perder o humor.

— Muito bom, Edward. Este modelo é surpreendente e parece perfeito para uma pequena família como a nossa — Isabella o abraça de lado e ele não hesita em toma-la, passando os lábios sobre o topo da sua testa — Na verdade, eu acho que esse até mesmo combina com você. Eu não devo entender muito de carros, porque sempre imaginei que o Volvo fosse pequeno e um pouco, hum, feminino? — Ele ri, balançando a cabeça para dizer que entendia — Mas há um monte de espaço aqui e me lembra ao carro esportivo do seu pai.

— Certo. Bem, desculpe, amor, mas nós precisamos ir embora. Eu tenho um lugar para estar e preciso deixa-la em casa. Então, devemos ficar com ele?

— Claro que sim. Você prefere que eu tome um táxi?

— De jeito nenhum — Sua voz não permite que ela insista — Jack, você tem a papelada pronta? Nós estamos com um pouco de pressa agora.

— Sim, por favor, queira me acompanhar. Sra. Cullen, isso será rápido.

Distraído, Jack se vira e não percebe a tosse de Edward ao segui-lo, após pedir para ela esperar. As pessoas não parecem notar que ela usa anéis e não uma aliança em sua mão esquerda, mas talvez isso não seja importante.

Talvez não passe de um simbolismo.

Os relacionamentos estavam cada vez mais informais.

Jack realmente mantém sua palavra e todo o processo é feito muito rapidamente. Antes que ela se desse conta, estava de volta ao tráfego da cidade com Edward alertando-a sobre a data de entrega do carro e que ela seria a única a recebe-lo, pois, ele provavelmente não estaria em casa. Isabella concorda, liga o som, mas deixa em um volume baixo, sabendo que ele não é uma grande fã da banda.

— Quem é?

Ela levanta a cabeça quando o vê olhando de soslaio para o celular em suas mãos. Os lábios de Isabella tremem para rir do seu ciúme tolo, notando rapidamente a rigidez dos seus ombros. Ela não é uma mulher que vive conectada o tempo todo, mas desde que deixou seu emprego, não há realmente uma abundância de coisa para fazer, então hoje em dia é muito comum flagra-la nas redes sociais.

Isabella, inclusive, finge que não nota que Edward vasculha sua caixa de mensagens e acredita que só não faz o mesmo com o Facebook, porque não tem acesso às suas senhas. Mas isso é tranquilo. Ela realmente não se importa, principalmente porque tem a mesma liberdade. Uma vez, ela encontrou um e-mail sugestivo e quando confrontado sobre isso, Edward disse que o ignorou, pois se tratava de alguém do seu passado. É claro que ela ficou furiosa no momento e tentou convencê-lo a criar uma conta nova, mas vendo que o advogado a usava mais para trabalho do que para fins pessoais, contentou-se em bloquear a mulher.

— É apenas Miranda.

— Oh.

— Sim, ela está me perguntando se deveria ou não deixar o emprego — A morena responde, digitando rapidamente e Edward solta um “hmm” para mostrar seu interesse — Miranda é uma sonhadora e uma boa pessoa. Quer crescer na vida. Tinha muito o que oferecer à agência, mas não lhe dão uma chance, sabe? Eu sempre disse que ela fazia um monte de trabalho, mas não era reconhecida.

— Talvez ela precise de algo novo.

— É o que eu acho.

— Você sente saudade de lá?

— Não realmente. No começo, eu pensei que sim, porque gosto de ficar ocupada durante o dia e ser útil, mas não é a agência que me faz falta.

— Apenas o cargo — Ele termina, fazendo Isabella rir, porque sim, é isso — Você não precisa ficar parada. Embora eu preferisse que você ficasse em casa por um tempo, nós podemos dar um jeito depois que Haven chegar. Eu tenho amigos que ficariam muito felizes em entrevista-la.

— Edward, não — Ela pede, enrugando a testa — Eu aprecio a sua ajuda, mas seria um pouco demais, não acha? Você abriu a sua casa para mim e está, literalmente, me sustentando. Eu não posso pedir mais do que isso. Desculpe.

— Exceto que você não está me pedindo, não é? — Ele retruca, piscando e mostrando que não ficou chateado — E eu disse que lhe conseguiria entrevistas. Ficar com o emprego dependeria totalmente de você, Bella. Eu não interferiria no seu trabalho a esse ponto. Apenas me diga se posso ajuda-la e eu farei, tudo bem?

— Certo, amor — Dessa vez, ela concorda com um suspiro seguido de um sorriso agradecido e estende a mão para acaricia-lo na perna — Mas e então, como estão as coisas no escritório?

— Estão bem melhores — Ela assiste com prazer quando seus ombros relaxam — A nova secretaria tem uma abundância de experiência e se encaixou muito bem com todos. Eu acho que eu fiz a escolha certa sobre Aubree.

— Você fez, mas talvez ainda esteja indo ter problemas.

— Sim, provavelmente. — Ele concorda com uma risada.

Não é nenhuma novidade para ninguém que a situação mal resolvida de Ravi e Aubree tem prejudicado o trabalho dela no escritório. Os dois tem sentimentos um pelo o outro, mas simplesmente não funcionam juntos, em parte por causa da personalidade complicada do sócio de Edward. O homem se recusa a se estabelecer em um único relacionamento e tem arduamente tentado transformar Aubree em sua amante – suprindo todas as suas necessidades, desde as mais intimas às financeiras, mas ela tem sido clara sobre suas intenções desde o início. Ela o quer. Notando que as discussões entre eles não tinham hora nem lugar para acontecer, Edward tentou chamar a atenção do amigo, não querendo bancar o chefe desagradável que puxa a corda do lado mais fraco e ir direto sobre Aubree, mas Ravi não estava disposto a envolver mais alguém em seus assuntos. Sendo imprudente e irracional, ele continuou a brigar com Edward e tentar controlar Aubree quando a mesma dava sinais de tentar se desprender da relação tóxica que eles tinham. Quando Ravi precisou se ausentar para tomar providencias sobre a saúde do pai, Edward decidiu que era hora de agir e propôs uma solução a Aubree.

Ela não hesitou.

Há algumas semanas, ela arrumou seus pertences e voltou para a Califórnia.

Agora Edward teve notícias de que Ravi estava retornando em breve para resolver alguns assuntos e então, viajaria com o pai para Yokohama, a fim de deixa-lo em segurança e ter certeza de que ele estará seguindo as ordens médicas ao chegar lá.

Era simplesmente certo como a merda que o encontro deles não acabaria bem.

— Você terá cuidado ao falar com ele, não é? — Ela pergunta, temerosa, mas Edward ri da sua preocupação e lhe dá um sorriso que a deixa confortável de novo.

— Terei, mas não faça disso uma grande coisa, Bella. Nós somos adultos e Ravi não vai me agredir apenas por eu ter tomado a iniciativa sobre algo que ele deveria ter feito há muito tempo — Ele afirma, embora seu aperto no volante mostre que ele não tem tanta certeza assim — Eu sei que vai ser difícil, mas vou fazê-lo enxergar que foi melhor dessa forma. Para ambos.

Ela suspira em resposta, mas não insiste no assunto. Apesar de nunca ter encontrado o melhor amigo de Edward e de seu nome não ser tocado com muita frequência, ela era esperta e rapidamente chegou à conclusão que ele não a considerava uma adição bem-vinda. Sua opinião realmente não lhe importava nenhum pouco, ela apenas se preocupava sobre como Edward se sentia no meio dos dois. Atualmente ele estava cem por cento focado em ser um pai para a bebê que estava chegando e também um bom parceiro. Ele, inclusive, estava diminuindo o ritmo no trabalho para não deixa-la sozinha por tanto tempo e suas – poucas – saídas, eram sempre rápidas e com algum membro da família. Em geral, Emmett. O grandalhão estava tendo um monte de diversão na tentativa de assustar o irmão sobre o que a paternidade envolve.

— Você está se sentindo melhor? — Edward questiona assim que para o carro na frente do prédio deles. A mão dele cai sobre a barriga da morena, mas tudo está quieto.

— Sim, eu estou bem, amor — Diz ela com carinho e cobre a mão dele com a sua. Isabella tinha de fato se sentindo mal mais cedo, mas apenas porque durante a consulta de rotina que precisou ir, foi necessário um exame para verificar se ela havia desenvolvido a diabete gestacional. No laboratório, ela teve beber um copo – nojento – de glicose para ser submetida a algumas coletas de sangue e o seu estômago apenas não reagiu da melhor forma — Haven está dormindo novamente.

Eles haviam descoberto que sua filha estava agora do tamanho de um repolho, pesando um pouco mais de 1,2 kg. Ela estava cada vez mais parecida com um bebê e já abria seus olhos. Para exemplificar, o médico ligou uma espécie de lanterna e pressionou contra a barriga de Isabella, afirmando que a criança seria capaz de vê-la e mudar sua posição para desviar da luz brilhante. Isso foi só o que bastou para deixar Edward furioso. Ninguém iria incomodar Haven propositalmente. Ele não apenas a levava, mas ficava para cada nova consulta, faminto por novas informações e no caminho de volta, quase não calava a boca sobre as coisas incríveis que a filha estava fazendo dentro de Isabella.

Ele ficava irresistível de tão empolgado.

— Aproveite para fazer o mesmo — Ele aconselha com um sorriso divertido iluminando seu rosto, que antes estava cheio de tensão — Eu tenho impressão de que, quando finalmente a tivermos conosco, a última coisa que ela irá querer fazer é dormir.

Isabella geme, cobrindo o rosto.

— Oh, não lhe dê ideias!

— Tudo bem — Ele ri e se inclina para cuidar do cinto de segurança dela. Quando solta, ele a puxa para perto e pressiona um beijo longo em seus lábios — Agora eu tenho que ir. Mantenha o celular perto, no caso de precisar de mim, ok?

— Hmm. Talvez eu esteja precisando de você. — Ela choraminga, enrolando os dedos na camisa de Edward, o impedindo de se afastar. Não achando que beija-lo de novo era distração o suficiente, ela levanta um pouco o vestido e mostra pele.

— Isabella — O advogado estreita os olhos e tenta ficar sério, mas é ridículo como ela parece linda e sensual, mesmo fazendo beicinho como uma menina ao ser castigada — Embora eu deseje muito subir e fazer amor com você, eu estou realmente atrasado para encontrar com um cliente. Então, por favor, mantenha essa vontade até eu estar de volta mais tarde?

A morena está quase gemendo quando bate os lábios nos dele uma vez, mas consegue morder a língua ao vê-lo se afastar. O volume em suas calças mostra o quanto ele a quer, mas não pode fazer uma maldita coisa sobre isso. Odiando ter que ser racional, Isabella se despede dele quando já está fora do carro – não confiando em si mesma para beija-lo outra vez e toma o elevador para casa.

Era quase fim da tarde quando Isabella se estabeleceu na sala, seus pés descalços sobre a mesa de centro, enquanto algumas almofadas arrumavam a sua coluna.

*********

Enquanto ela encarava a tela do notebook que descansava sobre suas pernas, mantinha presa entre as mãos, uma grande caneca de chocolate quente fumegante. Este era bem diferente dos calóricos e açucarados que costumava preparar, pois, havia pegado a receita em um site fitness quando Ruth começou a esconder seus doces a pedido de Edward. Sorvendo um gole sem um pingo de culpa, ela rolou do dedo sobre o mouse e clicou em confirmar, fechando a aba do site logo em seguida.

Ela tinha acabado de marcar um horário em um salão de beleza próximo. Ir até Leandra simplesmente tomaria muito do seu tempo, sem contar que ela preferia mostrar suas partes intimas para uma desconhecida, em vez de uma velha amiga. Era apenas muito estranho. Sua barriga estava começando a se tornar um empecilho para algumas atividades no dia a dia e foi com muita relutância que Isabella finalmente admitiu, que se depilar por contra própria já não era uma opção. Ela mal podia se ver! E se cortasse alguma coisa lá embaixo? E se pegasse uma infecção? Isabella já cometia deslizes normalmente, grande e inchada seria um verdadeiro desastre. Ela engoliria a sua vergonha e não arriscaria.

Seria por pouco tempo.

Após beber um pouco mais do chocolate e quase ronronar com o calor liquido descendo em sua garganta, Isabella coloca o notebook de lado e Lola rapidamente sai do seu lugar para deitar-se sobre ele. Ela olha para a TV no volume mínimo e ‘assiste’ como se fosse a coisa mais normal do mundo. Balançando a cabeça para os lados, a morena cava os lados do sofá com os dedos, procurando pelo celular que havia perdido em algum lugar. Quando o encontra, ela solta uma risada vitoriosa e realmente ri para o aparelho.

— Sim, eu definitivamente estou ficando... oh! — Ela exclama quando uma nova mensagem chega no segundo em que ela desbloqueia a tela – é Edward. Sorrindo com gosto, ela abre, mas faz uma careta ao ler o conteúdo.

Intrigada, ela imediatamente responde.

Para: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 17:39 p.m.

“Por que eu tenho que colocar na CNN? O que há de errado?”

Ele não demora mais de trinta segundos para responder.

De: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 17:39 p.m.

“Não há nada de errado. É uma surpresa. Agora coloque.”

Isabella bufa para a sua ordem, mas alcança o controle e muda de canal mesmo assim, não tendo ideia do que deveria encontrar. Edward não estava trabalhando em nenhum caso de conhecimento da mídia. O que possivelmente poderia lhe interessar lá? Ela encara a TV quando as imagens saem do programa de auditório e vão para uma bonita repórter loira, que parece atordoada enquanto é empurrada por fotógrafos e outros colegas de trabalho. Todos tentam pegar um vislumbre das pessoas se aproximando, mas os policiais estão contendo a maioria deles – os afastando. A repórter volta a falar sobre a prisão que estão efetuando naquele momento em frente a uma bonita mansão e quando o nome completo de Jackson, ligado ao seu irmão, aparece na parte inferior da tela, Isabella pula para fora do sofá e deixa o controle escorregar para o tapete.

Puta. Que. Pariu.

A morena está pulando em suas pernas e tem certeza que a imagem é ridícula, mas não poderia se importar menos enquanto procura um contato em sua agenda e faz a chamada. Atenda. Vamos, atenta, atenda! Ela está roendo o lado da unha do seu polegar direito enquanto tenta prestar atenção no que a repórter loira está dizendo para o âncora, mas tudo em que ela pode se concentrar é nos grandes portões se abrindo e Jackson saindo algemado, de cabeça baixa e parecendo furioso.

Há dois policiais em cada lado seu, assim como outro que vem logo atrás, discutindo com um senhor mais velho e muito bem vestido. Seu advogado, ela supõe. Seu coração está batendo tão acelerado no momento e realmente há lágrimas pinicando seus olhos. Eles conseguiram? Eles ganharam?

— Bella? — Ela quase se assusta com a voz em seu ouvido e então, ri.

— Está feito! Está finalmente feito... eu n-não posso acreditar.

— Ei, calma aí, garota — Chelsea pede — O que está feito? Fale devagar.

— Jackson foi preso! — Ela grita e começa a passar furiosamente os canais, vendo que a maioria dos programas de noticia estão passando a mesma coisa — Eles estão dizendo que o filho da puta tinha uma empresa de fachada.

— O que? Mas para que? — Chelsea soa incrédula, mas tão feliz que Isabella deixa escapar um suspiro tremulo e volta a se sentar.

— Eu dei a Edward os nomes que você citou na sala do Jackson naquela noite e foi a partir deles que as investigações começaram. Ele estava realmente envolvido com Jason Diaz e ambos estavam contrabandeando vasos chineses ou alguma merda cara desse tipo — Ela começa a explicar, tentando lembrar das poucas informações que Edward tinha lhe dado — Isso vem acontecendo há anos e Edward descobriu que ele possuía uma empresa. Uma que só existia no papel. Jackson alegava que prestou um determinado serviço com ela – que nunca existiu, é claro – e estava “recebendo por isso”, entendeu?

— O desgraçado estava lavando o dinheiro! — Chelsea conclui, parecendo irritada como o inferno, mas não surpresa — Eu sempre soube que ele fazia negócios ilegais com Diaz, mas não tinha ideia sobre isso. Ele, provavelmente, estava se aproveitando da empresa do irmão também. Você acha que vão averiguar?

Ela hesita por um momento e depois rola os olhos.

— É claro que vão. Estou supondo que será a primeira coisa que Harold vai fazer. Na verdade, eu acho que o telefone dele está explodindo nesse momento. Seu nome está vinculado ao irmão em toda matéria que estão exibindo e sinceramente, eu não posso dizer que sinto muito.

— E muito menos eu — Chelsea concorda — É um mal necessário. Assim, a notícia se espalha mais rápido e Harold será obrigado a agir.

— Tem razão.

— Ouça, se isso está acontecendo agora, é porque Edward conseguiu as provas que precisava, certo? — Ela pergunta, receosa, mas não pode evitar. Chelsea não quer se encher de esperanças para vê-lo solto novamente tão cedo.

— Sim, não se preocupe. Um Jackson bravo e algemado significa que Edward conseguiu os testemunhos que precisava — Isabella responde com o peito quase explodindo de orgulho. Ele realmente foi até o fim e cumpriu sua promessa. Jesus, como o amava... — Imagino que a polícia deva estar muito interessada. O Lowrey é um peixe grande e Jason Diaz vem escapando deles há muito tempo.

— Eu não sei, Bella, soa muito bom para ser verdade.

A morena suspira, entendendo o seu medo. Depois de viver tanto tempo com a injustiça, era normal que ela fosse cética e estivesse imaginando que a bunda gorda do Jackson ficasse livre como se ele fosse inocente.

Afinal, era uma possibilidade.

Uma muito, muito pequena possibilidade.

— Agora não seja pessimista, garota — Ela repreende, abaixando o volume da TV quando os apresentadores começam a conversar entre si, discutindo o tempo de prisão estimado e as repercussões para o negócio — Você viu com os seus próprios olhos que o meu homem não faz nada pela metade e ele passou meses procurando um meio de fazer Jackson pagar. Eu sinto muito que não seja pela atrocidade que ele fez com você, mas é alguma coisa, certo?

— É claro! Desculpe, Bella, eu não quis parecer ingrata — Chelsea diz baixinho, devidamente castigada — Eu não posso colocar em palavras o quanto sou grata a vocês dois. Edward fez algo que, caramba, eu nunca saberia nem como tentar. Você precisa dizer obrigada a ele para mim, ok? Diga também que eu trabalharei um ano inteiro de graça para tentar recompensa-lo.

Isabella joga a cabeça para trás e ri.

— Isso não é necessário, mas eu direi de qualquer maneira. Ei, agora que temos as coisas começando a se resolver aqui, você está pronta para voltar?

— Hum...

— Por que isso não soa promissor? — Ela pergunta com suspeita e Chelsea ri, culpada. Seu silencio diz tudo que Isabella quer saber — Eu imaginei que Alex fosse fazer muito mais do que cuidar de você. Aquele bastardo sorrateiro!

— Isabella! — A ruiva exclama tentando parecer ofendida, mas suas risadinhas denunciaram o quanto ela gostava de ver os dois implicando um com o outro — Alex tem sido incrível para mim e para a minha autoestima.

— Eu pensei que você quisesse dar um tempo. Você sabe, de homens e...

— Mas eu quero! Ou pensei que queria. O que eu estou tentando dizer, Bella, é que Alex está me devolvendo algo que perdi quando Jackson me tocou pela primeira vez e eu simplesmente não posso deixa-lo ir ainda.

Isabella suspira ao pensar nas consequências de um envolvimento entre eles.

— Eu entendo. E gostaria de dizer que estou feliz com isso, mas em partes, não estou porque me preocupo com o seu futuro — Ela admite, apertando o lábio inferior com os dentes — Alex apenas não parece ser do tipo de cara que namora.

— E você acha que eu não percebi isso? — Chelsea ri, fazendo a amiga balançar a cabeça sem compreender como ela pode parecer tão despreocupada e bem com isso. Ela deveria estar procurando estabilidade depois do caos que viveu e não um homem que pode bagunça-la ainda mais — Nós não temos uma abundância de coisas para fazer por aqui, então conversamos todas as noites. Ele tem se aberto para mim e eu sei sobre suas aventuras, assim como sei que ele mudaria isso se encontrasse a pessoa certa.

— Você acha que é essa pessoa?

— Bem, eu não vejo porque não poderia ser — A voz de Chelsea parece um pouco irritada agora — Somos bons amigos. Para a surpresa de todos nós, temos muitas coisas em comum, mas ele respeita a minha decisão sobre ir devagar quando o assunto é homens e relacionamentos.

— Isso é realmente bom — Isabella diz, pensativa enquanto acaricia o pelo do pescoço de Lola, que se aconchegou em sua perna quando decidiu que não estava confortável — Eu estou supondo que vocês não estão envolvidos fisicamente.

— O que? Não! Ele não acha que eu esteja pronta e embora, às vezes, a tentação seja imensa, acho que concordo com ele. Mas eu tentei beija-lo uma vez...

Isabella está se espreguiçando quando começa a rir.

— Tentou? E o que aconteceu?

— Era tarde da noite e nos encontramos, sem querer, na cozinha. Após compartilhamos um lanche rápido, eu ataquei. Ele ficou petrificado por um momento e quando finalmente parecia que ia reagir ao meu beijo, a tia dele apareceu e nos flagrou. Oh, eu fiquei tão envergonhada, Bella! Pedi desculpas e corri para o meu quarto.

— Agora você está sendo tola, Chelsea — A morena rola os olhos ao alcançar a caneca esquecida desde as mensagens do advogado, e a esvazia com dois goles — Que teria motivo para sentir vergonha? Ela é uma viúva, pelo amor de Deus. Sabe muito bem que casais fazem muito mais do que trocar beijos na madrugada.

— Não é por isso. É que... ela sabe o que aconteceu comigo e me ver beijando o sobrinho dela poderia fazê-la pensar mal de mim. Quero dizer, eu fui violentada! Eu deveria estar traumatizada, ter medo do Alex e não sentir o meu coração batendo forte no meu peito toda vez que vejo ele, certo?

— Talvez, mas as pessoas são diferentes, garota. Eu fico feliz pra caramba que ele te faça se sentir segura o suficiente para despertar essas reações em você. Apenas não deixe que ninguém te olhe feio porque você está lutando contra o que te aconteceu, ok? Você sobreviveu a um chefe de merda, a violência e as ruas. Não há absolutamente nada de errado em querer normalidade em sua vida. Mesmo que isso inclua um certo moreno que é uma verdadeira dor na minha bunda...

— Exatamente... ah, Bella, ele faz com que eu me sinta bonita, valorizada e querida. Tudo isso sem entrar nas minhas calças — Ela enfatiza — Diga-me se isso não é algo pelo qual eu deva manter a minha mente aberta.

— Certo. Tudo bem! Vocês têm a minha bênção.

Isabella dá um suspiro dramático e após ouvir o riso de Chelsea, ela a ouve falar com mais alguém por alguns instantes e aproveita para ir até a cozinha.

— Bella, eu preciso ir. Alex chegou com os mantimentos e quer a minha ajuda para guarda-los. Na verdade, ele disse que também quer conversar.

— Edward deve ter contado as novidades.

— Eu também acho. De qualquer forma, obrigada por ligar. Essa foi a melhor notícia que eu poderia ter recebido — A ruiva cantarola, parecendo muito mais feliz agora com Alex em casa. Isabella quis revirar os olhos, mas isso faria dela uma hipócrita. Pensando nisso, ela eleva os olhos para o relógio na parede e se acalma ao ver que não falta tanto tempo para Edward voltar — Quando decidirmos o nosso próximo passo, agora que Jackson se foi, eu vou entrar em contato.

— Certo. Mande um, huh, abraço... para o Alex.

— Eu mando, sim. Tchau!

Ela está com a orelha quente quando finalmente desliga.

Satisfeita com o rumo das coisas, ela liga a torneira e lava a sua caneca, sorrindo enquanto sente o início dos movimentos da filha. Ela tira uma maçã suculenta da geladeira e marcha para o andar de cima para trocar de roupa e continuar com o dia, agora muito mais animada do que antes.

*********

Isabella empurra a porta de vidro com o ombro e entrou no cômodo iluminado.

A academia do condomínio de Edward era quase tão grande quanto a que ela tinha frequentado no ano passado e no anterior, mas a superava em todo o resto. O piso brilhava de tão limpo e não havia odor de suor ou qualquer tipo de sujeira. Uma parede inteira era repleta de grandes janelas que mostravam um jardim muito bem cuidado no lado de fora, com arvores, arbustos bem verdes e outros surpreendentemente floridos para a época do ano. Quatro esteiras e duas bicicletas estavam de frente para elas, agraciando os ocupantes com a bela vista.

Havia um espaço completamente desocupado de aparelhagem. Em frente, um largo espelho ocupava toda a parede. A do lado esquerdo estava coberta por uma imagem de um casal de costas, se exercitando ao ar livre, servindo como incentivo. Uma passada rápida de olhos por toda a academia e Isabella memorizou onde ficavam os colchões para yoga, as bolas suíças, os pesos e todas as demais coisas que ela não usaria. O lugar estaria vazio se não fosse por uma mulher que imitava os movimentos que a personal fazia na grande TV pendurada. Ela parecia estar na casa dos 30, tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo e se movia com precisão. Ela parecia uma mulher de negócios descontando as frustrações do dia em seu abdômen e não deu qualquer sinal de reconhecer a sua presença, embora Isabella soubesse que era impossível ignorar uma gravida em roupas de ginástica.

Segurando uma garrafa plástica cheia de água, a morena se aproximou das esteiras e as examinou. Continuavam bonitas. Provavelmente não eram novas, mas caramba, elas pareciam ter acabado de sair da loja. O mais importante de tudo, é que apesar dos inúmeros botões que a coisa possuía, Isabella conseguia entender e configura-la para o básico. Quando se mudou, ela conversou com Edward sobre voltar a se exercitar, mas ele foi veementemente contra.

O homem que não podia suportar a ideia de ela carregar uma sacola de compras, não a permitiria fazer qualquer outro tipo de esforço, mas ela chegou a um acordo com o seu obstetra e conseguiu o sinal verde para uma corrida. Entretanto, ele a alertou sobre os perigos da sobrecarga e que poderia machucar os joelhos. Uma vez que na gravidez, o corpo feminino produz hormônios que afrouxam as articulações, ela ficaria mais suscetível a lesões e com isso, Edward quase perdeu sua mente. Foi preciso um tempo para convence-lo que ela seria capaz. Os dois visitaram a academia do condômino juntos três vezes até que ele fosse capaz de relaxar sobre ela fazendo tudo sozinha.

Pressionando o dedo na tela do seu celular, firmemente preso ao seu braço, Isabella começou a caminhar sobre a esteira, ouvindo a música fazer todo o caminho pelos fones de ouvido. Ouvindo uma playlist, repleta de hits para colocá-la no clima, ela deixou sua mente vagar de volta a Jackson e sua queda. Um sorriso puxou seus lábios ao lembrar-se do seu rosto incrédulo ao ser encaminhado para o carro da polícia. Ele não tinha visto isso vindo. O sujeito que estava acostumado a ter tudo como queria, agora teria um monte de explicações para dar e se suas preces fossem atendidas, dividiria uma cela deprimente com outros criminosos. Será que eles olhariam para Jackson como ele olhou para Chelsea e decidiu que podia possui-la? Ela deveria estar tão feliz celebrando com Alex agora. E quanto a Viola? Ela estaria chocada por saber que seu marido era mais sujo do que ela suspeitava?

Isabella quase podia ouvir o burburinho na agência.

O rosto brincalhão de Dominic apareceu na sua frente, a fazendo suspirar.

Eles não se falavam desde que se encontraram para um almoço, semanas atrás. Ao contrário do que seu namorado pensava, ele não tinha tentado seduzi-la ou pior, apenas parecia solitário. Mia realmente tinha o deixado e retornado a Paris. Com essa decisão, ele colocou um fim no “arranjo” que os dois haviam feito desde que se conheceram e Dominic estava honrando a sua palavra em manter distância da mulher por quem foi apaixonado. Isabella sabia melhor do que ninguém o que ele estava passando e seus conselhos para ele foram sábios. Apesar de manter Edward em seu coração por dez longos anos, ela seguiu com a sua vida e foi feliz em inúmeras ocasiões.

Ambos acreditavam que alguém novo e menos egoísta cruzaria o seu caminho.

E essa sim, valeria todos os esforços para mantê-la ao seu lado.

No final da refeição, quase constrangida, Isabella abriu o jogo com ele a respeito dos sentimentos do seu namorado. Não era surpresa para ele que um homem como Edward fosse ciumento sobre o que lhe pertencia, principalmente quando “o que” em questão, era uma mulher atraente e agradável como Isabella. Ele foi compreensivo e após assegurar que não tinha nenhuma intenção em atrapalhar a relação de ambos, comprometeu-se em se afastar um pouco. O coração de Isabella pesou com a culpa. Por que ela tinha que perder um bom amigo quando os dois não queriam nada mais do que a amizade e companhia um do outro? Ela se colocou no lugar de Edward novamente e o coração dela doeu. Com a ausência de Dominic, ela podia lidar, mas com o olhar decepcionado no rosto do namorado, não. Ela não estava mais por conta própria. Isabella tinha uma família agora e tudo a respeito deles seria uma prioridade sobre as demais coisas. Sempre.

Os amigos se despediram com um abraço rápido e após receber um beijo respeitoso na bochecha, ela o observou partir.

Agora, com a máscara de Jackson finalmente caída, ela podia imaginar o quanto de responsabilidade teria sobre seus ombros nos negócios.

Uma luz piscando através das janelas trouxe Isabella de volta ao presente assim que a música mudou em seus ouvidos. O jardim estava repleto de postinhos, fazendo um ótimo trabalho para iluminar os caminhos para pedestres e ciclistas, mas um deles estava falhando, dando sinais de queimar em breve. Olhando para sua esquerda, ela só enxerga o vazio. A mulher séria e frustrada tinha ido embora silenciosamente, deixando-a sozinha. Isabella sentiu uma pontada de insegurança. Uma coisa era se exercitar sem os olhos de falcão de Edward sobre ela, outra era fazer tudo completamente sozinha, sem ter a quem pedir ajuda se algo desse errado. Como se para tranquiliza-la, Haven moveu-se delicadamente, a fazendo sorrir. A caminhada tinha energizado a sua garotinha? Bem, agora ela tinha alguma companhia e, pensando nisso, Isabella aumentou a velocidade da esteira e acelerou seus passos, sentindo o suor escorrer entre os cabelos acima de sua nuca.

Durante a próxima hora, a morena faz inúmeras paradas para beber água e pequenas pausas para descansar. Seu pique não é o mesmo de anos atrás, isso é certo. O seu médico havia ficado um pouco receoso em libera-la para tais atividades, amedrontado por ela não estar sendo acompanhada por um profissional, uma vez que ela já tinha sofrido um aborto e ainda tinha que lidar com os momentos de fraqueza por causa da anemia, mas não a impediu de dizer adeus ao sedentarismo.

Seu celular vibrou em sua pele, interrompendo a música por menos de um segundo. Ela desligou a esteira e sentiu alivio quando seus passos diminuíram. Apesar dos seus tênis serem apropriados para correr e possuírem bons suportes para as suas solas, seus pés estavam começando a doer. Se ela chegasse em casa com eles inchados, Edward ficaria furioso. Desprendendo o telefone, Isabella desceu com cuidado. Com a sua barriga ainda crescendo, era fácil perder o equilíbrio.

Seu peito estava subindo e descendo, quando abriu a mensagem de Edward perguntando onde ela estava. Ele já tinha voltado? Ao olhar para as horas na parte superior da tela, Isabella engasgou. Merda! O tempo tinha voado.

Apressando-se para a saída, ela não se preocupou em responder.

— Eu tenho métodos mais agradáveis para deixa-la suada e quente. — Edward diz, não se esforçando para esconder o seu olhar de desagrado ao vê-la chegando exausta, mas amoleceu logo em que percebeu sua barriga totalmente exposta pelo top que escolheu usar. Tão linda.

— Muito ruim que você não tenha chegado antes — Ela lamenta de brincadeira e resiste à tentação de se jogar no sofá ao seu lado, onde Lola estava dando-lhe cabeçadas na perna para conseguir sua atenção — Eu quero monta-lo para mostrar o quanto estou feliz com o que aconteceu nessa tarde, mas estou nojenta. Preciso de um banho e roupas limpas.

Edward sorri grande para a sua confissão.

— Gostaria de ajuda?

É realmente doce que ele sempre se lembre de que ela aprecia um banho longo em sua banheira para relaxar após fazer exercícios.

— Não, está tudo bem. Uma ducha vai ter que servir. Eu estou faminta.

— Bom — Ele se levanta após passar a mão sobre a cabeça de Lola, fazendo suas orelhas dobrarem para trás — Eu vou esquentar a comida enquanto você se limpa, então vamos comer e conversar.

— Edward, você na cozinha... — Ela começa, hesitante, fazendo os olhos dele se estreitarem — Bem, vamos apenas dizer que você não é tão diferente de Renée.

Rolando os olhos e tentando esconder sua diversão, ele se aproxima dela.

— Eu posso dar conta de usar o micro-ondas — Por causa do seu salário decente, Ruth não estava exatamente de acordo em apenas limpar a casa alguns dias por semana, então fica mais do que feliz em cozinhar quando Isabella está indisposta. Ela armazena a comida na geladeira e deixa à disposição deles — Agora traga essa boca aqui. Você não estava quando cheguei para me receber com um beijo de boas-vindas.

Isabella não discute e fecha os olhos ao inclinar-se para ele.

Mesmo limpo e perfumado, ele não se incomodou quando ela enrolou seus braços ao redor de seu pescoço e o puxou mais para perto. Apenas Haven os impedia de ficar realmente próximos. O beijo durou menos do que ela gostaria, mas foi o suficiente para deixa-la ansiando pela hora de ir para a cama. Acariciando a sua bochecha, ela sorriu ao olhar em seus olhos e dizendo inúmeros obrigadas, salpicou selinhos por todo o seu rosto. Edward riu, feliz em ter agradado sua mulher e afastado de uma vez por todas aquela nuvem negra que pairava sobre ela desde que havia sido testemunha do sofrimento de Chelsea, meses atrás. A primeira etapa tinha acabado e isso lhe trazia uma satisfação imensa, mas apesar disso, Edward ansiava por muito mais. Ele – que tinha se afeiçoado a garota ruiva – queria vê-lo queimar pelos seus pecados como as bruxas fizeram. Ele só se sentiria em paz quando o desgraçado fosse julgado e condenado de uma vez por todas.

— Eu falei com a minha mãe mais cedo — Edward anuncia quando eles finalmente se largam. Enquanto Isabella caminha rumo às escadas e desprende o seu cabelo do coque, ele anda ao seu lado — Antes que ela ou a minha irmã começassem a perturbá-la, eu liguei e perguntei sobre seus planos para amanhã.

— Ela virá muito cedo? — A morena pergunta, hesitando. Esme era uma madrugadora, afinal de contas. Isabella? Nem tanto — Alice irá conosco também? Eu estou tão cansada! E sei que ela vai me arrastar para todos os lugares...

— Eu sei que está, babe. Haven está tomando muito de você. Tem certeza que quer continuar com isso? — Ele pergunta, parando com uma careta.

— São só caminhadas três vezes por semana. Estou bem.

— Certo — Edward concorda a contragosto e segura em sua mão para ajudá-la a subir os dois primeiros degraus — Alice vai estar ocupada. E quanto a mamãe, não se preocupe. Ela disse que chegará em torno de meio-dia, então virá busca-la para as compras.

— Ok. Isso é bom. Você a convidou para ficar conosco, certo?

Como Renée não tinha tempo e muito menos disposição para esse tipo de programa, Esme se ofereceu para viajar até Seattle e ficar por uns dias, a fim de ajudar Isabella com as primeiras compras para a bebê. O tempo está ficando curto e apesar de Edward já ter escolhido um quarto, ainda não haviam comprado móveis ou qualquer outra coisa para Haven. Como mãe de primeira viagem, ela seria muito grata pela ajuda, uma vez que só entendia o básico sobre as necessidades de um recém-nascido e podia apostar que Esme, sendo zelosa como era, ia querer sua primeira neta rodeada de conforto e beleza.

— Eu fiz, mas Alice a roubou primeiro — Ele rolou os olhos, mas não estava verdadeiramente chateado — Agora suba, babe. Coloque uma daquelas bonitas camisolas. Eu estou ansioso para tirar de você.

Ele não tirou, foi o primeiro pensamento de Isabella ao despertar com o som de um baque, algo arrastando no chão e uma maldição. Coçando os olhos, ela os abre e sorri diante de visão de Edward dentro da calça de um terno limpo, pulando em um pé só. Ele havia se machucado? Ela pisca em direção as janelas completamente cobertas pelas cortinas novas que ela tinha comprado. Agora que estava oficialmente morando com Edward, não havia realmente necessidade de poupar o resto do seu dinheiro no banco, então ela tinha usado uma parte para adquirir coisas do seu próprio gosto para decorar a casa. Ele estranhou no início, é claro, mas se adaptou e gostou da “vida” que o apartamento ganhou desde que as bugigangas coloridas dela se espalharam ao redor.

— Bom dia. — Ela diz, sua voz rouca de sono.

A cabeça de Edward se ergue e ele abre um pequeno sorriso ao vê-la.

— Ei, querida. Eu acordei você?

— Sim, mas está tudo bem, eu preciso ir ao banheiro de qualquer forma — Isabella boceja, afasta os lençóis e coloca os pés no chão — Por que você estava amaldiçoando tão cedo?

Edward bufa olhando para os seus sapatos, onde Lola está enfiando os dentes.

— Preciso me lembrar de fechar a porta quando viermos dormir.

— O que ela fez dessa vez?

— Sua gata escolhe os melhores lugares para se deitar, Bella — Ele gira os olhos, o aborrecimento já esquecido — Eu estava me vestindo e quando a vi, era tarde. Para não tropeçar nela, desviei rápido e bati com o pé na poltrona. Essa porra dói.

— Oh, pobre bebê! — A morena adoça a voz propositalmente, como uma mãe faria com um filho, e se aproxima dele com pena em seus olhos enquanto observa seus lábios tremendo para rir de seu teatro — Será que machucou algum dedo? Você precisa de mim para beija-lo?

— Para beija-lo? — Ele repente, agora interessado — Bem, eu posso pensar em um lugar que precisa desses seus cuidados com mais urgência que o meu dedo.

— Você está ferido em algum lugar ao sul, Edward? — Ela provoca, deslizando a palma da mão descaradamente do centro do seu estômago até a protuberância aumentando em suas calças.

Ele assobia com o contato e incha um pouco mais.

— Não estou ferido, apenas negligenciado.

— Sim? — Ela sorri, recebendo a indireta com bom humor. O casal não tem feito sexo nos últimos quatro ou cinco dias, isso porque ela vem se cansando muito facilmente e Edward não a pressionou para nada mais que um afago, é claro. Isabella tinha lido em suas pesquisas que algumas mulheres perdiam o interesse nas relações sexuais com o parceiro, mas o problema não era esse. Apenas, às vezes, dormir parecia muito melhor do que um orgasmo. Sabendo que seu namorado não se sentia da mesma maneira, ela desfivelou o seu cinto. Ele estava sofrendo com bolas azuis no momento — Eu acho que posso fazer algo para corrigir isso. E se estiver certa, amor, você terá um bom dia no trabalho.

Acontece que ela estava certa.

Isabella sentou-se na beira da cama e agarrando na bunda de Edward, o trouxe para ficar entre suas pernas. Ela fez um trabalho incrível com a boca que o deixou de pernas bambas e sorrindo à toa. Ele tentou retribuir o favor quando ela retornou do banheiro, mas os círculos embaixo dos seus olhos o impediu de levar isso adiante. No meio da madrugada, eles receberam uma chamada no telefone fixo. Ele atendeu com o coração na mão, temendo por algo estar errado com a sua família, mas era apenas Stella tentando conseguir falar com sua namorada. Ela ligou para avisar que Angela havia entrado em trabalho de parto pouco depois da meia noite e que havia dado à luz ao pequeno Aiden, um garoto gordinho e muito saudável. É claro que sabendo da notícia, Isabella prendeu a pobre mulher na ligação intermináveis minutos, tentando saciar a sua curiosidade sobre a maneira como o filho de sua amiga parecia, como ela estava agora e sobre o parto.

Eles haviam decidido com o Dr. Wallis que Isabella teria Haven através de um parto normal. Embora a ideia de fazê-la sofrer as tão famosas e temíveis dores, o deixasse nervoso e irritado, ele teve que concordar que havia muito mais prós do que contras. Os riscos de infecção eram bem menores, assim como a recuperação era rápida. Em pouco tempo seria capaz de ter suas meninas em casa, seguras.

Quando Stella finalmente conseguiu se despedir, ele precisou ouvir os detalhes até tê-la sucumbindo ao sono no meio de uma frase, mais ou menos como aconteceu essa manhã quando ele a colocou de volta na cama e saiu para o trabalho.

— Olá, Sr. Cullen.

Edward acenou com o queixo em resposta para a garota da recepção.

Ele quase se envergonhava de não lembrar seu nome, mas no fundo, sabia que era melhor assim. Ela não perdia uma oportunidade de falar com ele ou oferecer ajuda, mesmo quando suas funções eram outras. Ele estava muito ciente que não era o único a prender o seu interesse, uma vez que seus colegas comentavam que algumas esposas estavam desgostosas com o comportamento dela diante de seus maridos, mas para o azar de todos... ela era uma boa funcionaria e não havia dado nenhum motivo para ser demitida, então os homens que não estavam interessados foram aconselhados a ignora-la. Edward, obviamente, era um desses.

As pessoas acomodadas na pequena sala de espera o cumprimentariam com respeito. Alguns aguardando uma chance de falar com ele. O advogado abriu um sorriso educado em resposta – o primeiro nas últimas horas. Pouco passava das duas da tarde, mas Edward já se encontrava farto e estressado.

Ele não tinha um bom pressentimento para o fim do dia.

O que seus colegas diriam se ele tirasse algum tempo de férias? Seriam contra, agora que Ravi estava ausente, mas não podiam impedi-lo. Com a data do nascimento de Haven se aproximando, a ideia de ficar em casa ajudando e cuidando de Isabella, longe dos problemas intermináveis que as pessoas lhe traziam, parecia cada vez mais tentadora.

— Menino! Como você demorou — Maggie briga ao avista-lo. Hoje ela está bonita e tem uns óculos com armações amarelas em seu rosto, que segundo ela, combina com a blusa roxa de seda — A reunião está prestes a começar. Então, você precisa retornar a ligação do advogado do... bem, do Sr. Alley. Ele disse que precisa esclarecer alguns detalhes com você sobre o depoimento do seu cliente.

Ele suspirou, assentindo.

Alley era o homem com quem ele vinha falando nos últimos meses, tentando convence-lo a se entregar para a polícia e servir como testemunha chave de um par de crimes cometidos por Jackson. Ele era um ninguém que acabaria morto em um beco escuro e esquecido, mais cedo ou mais tarde e definitivamente seria pego por seus “camaradas” caso abrisse a boca para os policias sobre qualquer coisa que tenha visto. A diferença que é Edward tinha contatos e podia mantê-lo seguro por tempo suficiente para que Alley fizesse as pazes com a justiça, bem como recomeçasse sua vida da maneira honesta como ele vem mostrando interesse. A chance que ele lhe deu foi a única coisa que o convenceu a ceder e se deixar ser preso, ao invés de fugir e se esconder, como foi ensinado a fazer. Agora, apesar de ter lhe recomendado um bom advogado, Edward se comprometeu a ficar de olho no cara, principalmente para ter certeza que ele cumpriria com sua parte no acordo. Em troca, os responsáveis pelo caso de Jackson estavam mantendo-o no mais absoluto anonimato para que sua vida não corra quaisquer riscos. Seus delitos também serão negociados, dependendo do quanto ele poderá oferecer em troca.

— Tudo bem. Alguém mais?

— Sim, eu recebi atualizações sobre o caso Levin. A audiência foi marcada para a próxima terça-feira, às 9h da manhã. Hum, o que mais? Oh, sim. Três possíveis clientes ligaram, eu dispensei dois deles, dizendo-lhes que a sua agenda estava cheia até meados de março e os transferi para o Ray.

— E o outro? — Ele juntou as sobrancelhas, abaixando o olhar para o relógio de pulso.

— Ele insistiu que você desse uma olhada antes de recusar. Disse que foi enviado por um velho amigo seu da Califórnia. O mesmo que brigou comigo porque não quis lhe dar o número do seu telefone residencial. Aquele babaca!

Edward umedeceu os lábios, se perguntando sobre quando havia dado tanta liberdade a Maggie que a permitia se referir assim a um dos seus clientes mais antigos e importantes. Cansado demais para tentar discutir suas péssimas maneiras, ele apenas assentiu, dizendo que esperaria pelas informações do homem após a reunião e fez o caminho para a sua sala, mas é claro, Maggie o seguiu tagarelando.

— Você acha que sua mãe e Bella passaram aqui após as compras?

— Por que? Você tem notícias delas?

— Não, estava apenas me perguntando sobre quando verei Esme novamente.

— Em breve, eu suponho. Elas têm muito o que fazer hoje, mas mamãe não irá embora sem conferir o escritório antes — Ele dá de ombros — É assim que ela é.

— Você tem tanta... — Maggie é interrompida pelo som de seu telefone tocando entrando pela porta escancarada — São eles novamente, procurando por você.

— Os ignore — Edward manda e suspira, endireitando a coluna e começando a arrumar os seus botões — Eu vou encontra-los agora. Você, por favor, organize essas pastas para mim? Não há nada pendente, só preciso delas em seus lugares.

— É claro.

— E se Bella ligar, me chame.

— É claro — Ela repete, com um sorriso malicioso — Boa sorte, garoto.

Revirando os olhos, Edward deixa a sala, se preparando para mais dor de cabeça.

Mais tarde, ele se serve de uma dose de whisky quando fica livre do seu último encontro e retorna para a sua mesa.

— O que diabos você fez?

Sua porta se abriu com um estouro que, se ele não tivesse esperando por algo parecido, teria o assustando. Levando os olhos do arquivo em suas mãos, Edward encarou o seu amigo parecendo absolutamente furioso e talvez, com razão.

— Ei, cara...

— Eu espero que você tenha o inferno de uma boa explicação para aquela mulher estar sentada no lugar da Aubree, trabalhando e me recebendo com um sorriso, como se me conhecesse a vida inteira! Onde. Ela. Está?

Expulsando o ar para fora de seus pulmões, Edward se preparou.

— Ravi, você precisa se acalmar.

— Eu estou calmo, Edward! Me responda, porra.

— Ao menos feche a maldita porta e então, você pode continuar com o seu show. As pessoas não precisam ver isso — Ravi hesita, mas aceitando que o amigo está com a razão quanto a isso, ele vai lentamente até a porta e a empurra fechada sem quebrar o olhar — Você não quer se sentar?

— Eu quero saber onde está Aubree. Ela ficou doente ou algo assim? Aquela inútil em sua cadeira disse que não sabia como localiza-la e que nunca a tinha conhecido. Eu a mandei para casa.

Sentindo a cabeça latejar, Edward fecha os olhos e massageia a testa.

— Bem, você apenas lhe fez um favor, mas amanhã ela estará de volta.

— Não! Aquele lugar é de Aubree. O que porra você fez, Edward?

— Aubree se foi, Ravi — Ele solta, mas amaldiçoa quando vê seu amigo perder a cor diante dos seus olhos — Eu não quis dizer assim, idiota, mas ela foi embora. Eu a mandei de volta para a Califórnia e há algumas semanas, ela está vivendo novamente em San Francisco. Provavelmente procurando um novo emprego.

Ele havia tentando ajuda-la, assim como pretendia fazer com Chelsea, mas Aubree não aceitou mais do que a passagem de volta para casa. Ela não queria ter nada a ver com Ravi, seus amigos ou seu antigo trabalho.

— Mas... por que? — Ravi parecia desconsolado e se Edward não o conhecesse tão bem, sentiria pena, mas sabia que ele apenas tinha sido pego de surpresa.

— Porque ela não estava feliz. Ela não quis se mudar para Seattle como nós dois queríamos. Você a forçou e eu sempre fui contra isso.

— Você não sabe nada sobre a Aubree, porra. Eu não acredito nessa merda... — Era verdade, ele não acreditava. Seus olhos mostravam o quanto ele estava se sentindo traído no momento, mas Edward sabia que ele superaria. Ele só não estava feliz que seu brinquedo tinha sido tomado enquanto estava fora — Nós estávamos chegando a um acordo e agora você arruinou tudo!

— Que acordo, Ravi? Mais um daqueles em que você seria o único beneficiado?

— Isso não é da sua conta.

— Sim, é e agora está feito. Aubree se foi e você precisa seguir em frente. Não era isso que você queria? As mulheres, as noitadas e a liberdade sem ter que se preocupar com os “dramas” femininos dela? Pois bem, aí está! De nada.

— Seu filho da puta, você não tinha o direito! — Ravi grita e empurra uma cadeira para o chão com violência, fazendo Edward se levantar vagarosamente da sua com um olhar de alerta em seu rosto — Eu ia convence-la a me aceitar. Eu estava tão perto disso, tão perto de dobra-la, mas você tinha que me apunhalar pelas costas.

— Eu te fiz um favor, Ravi, mas entendo que não reconheça isso agora. Você e Aubree não funcionam fora da cama. São perigosos para a sanidade um do outro. Enquanto ela estava definhando ao te imaginar passar noites com outras mulheres, você estava ficando agressivo e ciumento. Esse não é o Ravi que eu conheço, cara.

Esse não é o Edward que eu conheço — Ele retruca, olhando para o ruivo raiva e nojo — Eu sabia que você tinha mudado, mas merda, eu não imaginei que fosse tanto. Antes de cair nas teias dessa mulher, você teria tido a sua bunda chutada por minha causa sem pensar duas vezes e agora? Porra, agora você é o único a me trair.

— Eu não fiz tal coisa. E não coloque Isabella nessa conversa! — Edward rosna, fazendo Ravi gargalhar.

— Hipócrita de merda.

— O que foi que você disse?

— Eu te chamei de hipócrita, porque é isso que você é, Edward! — Ravi grita, sem se preocupar se seus sons furiosos estão ultrapassando as paredes da sala — Você mudou por causa dela, deixou de ser o meu melhor amigo por causa dela e como se não bastasse, tirou de mim umas das poucas coisas que eu verdadeiramente me importava? Você consegue imaginar como vai ser difícil trazer Aubree de volta agora, inferno? Seu imbecil do caralho. Eu deveria quebrar a sua cara.

— Aubree não estava feliz, Ravi — Edward retruca, ignorado toda a merda que saiu da boca de seu amigo. Ele estava com raiva e era compreensível. Edward sabia melhor do que usar essas palavras contra ele no momento — Ela estava sofrendo.

— E quanto a minha felicidade?

— Aí é que está o problema, cara, você só se importa com o que você precisa! Passou todo esse tempo tentando moldar a Aubree em uma pessoa que ela não é apenas para não deixa-la livre para outro homem. Isso é tão egoísta que... porra, Ravi. Eu pedi para Isabella conversar com ela e ent-

— Puta que pariu, eu sabia! Foi ela que convenceu Aubree a me deixar, certo? A minha mulher não tomaria essa decisão sozinha — Ele anda de um lado para o outro no centro da sala, extremamente perturbado. Enquanto isso, Edward mordia sua língua para não esfregar na cara de Ravi que Aubree nunca foi mais do que sua companheira de foda e isso porque ele quis assim — Você, é claro, caiu como um pato no teatrinho que as duas montaram. Deixe-me adivinhar... Isabella disse que Aubree se sentia solitária, que tinha dificuldades para fazer amizades na cidade e sentia falta de casa? Que eu era um bastardo infiel e queria se ver livre de mim?

Era quase isso, na verdade.

Aubree sentia falta de San Francisco, sim, mas mais ainda de sua mãe – a quem ela não tinha tido a chance de visitar desde que se mudou para Seattle. Ela não reclamou sobre infidelidade, pelo simples fato de saber que Ravi nunca foi seu para ser infiel, mas ela queria a chance de ter alguém que fosse só dela. Isso nunca aconteceria se os dois trabalhassem juntos e vivessem no mesmo lugar. Edward sabia disso e por isso decidiu dar fim a obsessão de Ravi, antes que as coisas viessem a sair do controle com o passar do tempo.

— Não foi nada como isso. Aubree se abriu com Isabella e lhe pediu ajuda sobre o que fazer. Então eu deveria simplesmente ignorar o seu estado? E não haja como se eu não tivesse tentando falar com você antes, Ravi.

Se recusando a dar o braço a torcer, ele bufa e ainda com raiva em seus olhos, puxa o nó da gravata com violência, tentando desfazê-la. Ravi tinha chegado na cidade a menos de uma hora e por Aubree não atende-lo, ele veio direto ao escritório.

— Sabe de uma coisa? Nós dois estamos errados, Edward — Afirma Ravi, levantando as mãos ao lado de sua cabeça, em rendição — Enquanto você tem sido um péssimo amigo ao interferir na minha vida e mandar para a longe a minha mulher, eu, na verdade, estive escondendo algo importante de você.

— Sim? E o que é isso? — De pé, Edward está rígido e em seu limite. Por que ele tem essa sensação em seu estômago? Ravi não parece estar brincando.

— Admito que na primeira vez que vi Isabella, não a reconheci de imediato — Ele começa, tomando toda a atenção do amigo. Mesmo que Edward quisesse rir do delírio de Ravi, ele estava curioso sobre até onde isso iria – os dois nunca tinham se encontrado — Ela me pareceu impressionante, mas familiar de alguma forma. Eu não sabia de onde a conhecia, afinal, todas as fotos que você tinha no seu primeiro apartamento em San Francisco só mostrava uma adolescente magra, de cabelos pretos e parecendo quase jovem demais. O oposto do que ela é hoje, você não concorda?

— Eu realmente não sei onde você pretende chegar com essa sua historinha.

— Eu estou lhe dizendo a verdade, Edward — Ravi parou diante da mesa. Sua voz séria, o olhar concentrado e o corpo quase tão tenso quanto o do seu espectador — Um amigo do meu pai pediu para que eu fosse uma espécie de “reforço” no processo de divórcio do filho dele com a megera da sua esposa. Você sabe que não é a minha área, mas encarei isso como um favor pessoal e chegamos a um acordo onde o rapaz saiu vitorioso. Ele quis comemorar e reuniu seus amigos. Todos nos encontramos no bar do hotel onde ele estava vivendo durante o processo. Foi quando avistei um conhecido, que eu finalmente a conheci. Oh, Edward, eles pareciam tão à vontade juntos... realmente bonito de se ver.

Quem? Ele quis gritar. Com quem ela estava?

O sangue parecia lava correndo em suas veias.

O ciúme o incentivando a fazer coisas loucas.

— É com vergonha que assumo que só juntei 1+1 quando você citou o nome dele, aqui mesmo nessa sala, me dizendo sobre como a amizade dos dois o incomodava.

Tão quente quanto ele estava, o estômago de Edward gelou com a realização.

— Dominic.

— Bingo! — O homem mais velho ri, batendo palmas brevemente. Ravi parecia estar se divertindo agora que ele também estava se sentindo traído, não por seu melhor amigo, mas quem era suposto ser sua alma gêmea — Eu gostaria que você tivesse estado lá para vê-los juntos. Eles riam, bebiam e se olhavam. Conversaram durante toda a noite como bons amantes.

— Isso não quer dizer nada — Edward insiste, mas soa ridículo até em seus ouvidos. Embora não quisesse acreditar que Isabella tinha propositalmente escondido seu romance com Dominic, ele queria preservar a pequena chama de esperança que lhe dizia que amigos também se portavam assim. Se Ravi a tivesse visto com Jasper, pensaria a mesma coisa ou pior. Certo? — Você só está com raiva porque ajudei Aubree a fugir e está exagerando na história na tentativa de me machucar. Você quer ver a nossa separação, é isso? Por que, cara? Por que está com ciúmes ou é pura e simplesmente inveja? Seja o que for, eu te aconselho a desistir e voltar, porque não vai acontecer.

— Eu não quero separa-los, seu imbecil! — Ravi rosna — Eu não estava necessariamente pulando de felicidade com o relacionamento de vocês, mas nunca faria nada para afasta-los de propósito. Você foi o único que tirou Aubree de mim. Sem falar comigo. Me apunhalando pelas costas como um ladrão! O que isso te diz? Você não pensou que poderia machucar a mim? Você não se sente mal ao pensar em deixar Isabella?

— Mas você não pode compara-las, Ravi! O que você tem com Aubree é algo puramente carnal. Vocês se dão bem entre os lençóis, maldição, e é só isso! Isabella e eu temos anos de história. Um passado que ainda estamos tentando passar por cima. Não precisamos de mais merda vindo de você! Se você está chateado comigo pelo que fiz, tudo bem, mas pare de tentar joga-la contra mim assim.

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— Porra! — Ravi grita novamente, agora batendo na madeira da mesa com seus punhos fechados. Seu corpo está tremendo de raiva e Edward não está muito diferente, mas ele não tem intenção alguma de chutar coisas que não sejam a bunda do seu amigo em breve. Sim, muito em breve — Faça o que diabos você quiser, então. Acredite nela! A garota escondeu coisas de você antes e está escondendo agora. Ela fará de novo até que você a confronte sobre o seu caso com Dominic.

Não. Dominic estava interessado em Isabella.

É claro que estava. Quem não estaria?

Ele não podia culpar o imbecil por tentar, mas tinha sido apenas isso que Ravi viu. As investidas dele sobre ela. E porra, era horrível ter que ser lógico nessas horas, mas o que diabos ele tinha a ver com suas relações passadas? Edward nunca pensou que ela tivesse se mantido pura e intacta por dez anos. Diabos, ele tinha perdido a conta de quantas mulheres teve só nos últimos três, então que direito tinha de ficar chateado? A única coisa que estava doendo era o fato de ela não ter sido honesta sobre isso antes. Se eles tiveram algo, ele gostaria de ter sido informado. Era justo.

— O que você disser, Ravi, apenas saia. Eu estou cansado e o que quer que você queira discutir comigo sobre Aubree, pode esperar até amanhã. — Ele suspira, baixando a cabeça até que seus olhos encarem seus sapatos. Seu desejo era realmente de ficar sozinho, desabar na cadeira, apagar as luzes e então, acabar com 40% do álcool que tinha em seu bar.

— Você está me dispensando? — Ravi ri, incrédulo — Você acha que eu estou mentindo?

Não, eu não acho. Ao menos não em tudo e isso é ruim o suficiente.

— Eu só não tenho mais nada a lhe dizer, exceto o óbvio. Eu confio em Isabella e você precisa superar isso — Ele massageia as suas têmporas, ainda sem abrir os olhos. Edward pode ouvir a respiração descompassada de Ravi, como um touro bravo em frente a ele — Estamos juntos de verdade e somos pais agora, ent-

— Esse é o x da questão! Exatamente onde eu queria chegar. Você é realmente pai? — Seu questionamento faz Edward olha-lo com fúria brilhando em suas orbes verdes — Eu a vi com ele, cara. Os dois estavam bêbados, rindo e brincando na recepção. Se tocando. E enquanto saía, ouvi Dominic solicitando um quarto.

— Ravi...

— Eu deixei a festa cedo porque tinha que me encontrar com você na manhã seguinte. Entendeu agora, Edward? A sua Isabella estava dormindo com Dominic quando você já estava em Seattle.

E foi isso.

Edward investiu para frente e agarrou Ravi pelas lapelas de seu paletó, o puxando tão rápido que suas cabeças quase se bateram quando suas partes superiores ficaram frente a frente.

— Que porra você está insinuando com isso? Fale! — Ele grita na cara de Ravi que não pode evitar, se encolhe — O que você quer dizer?

— Eu só estou dizendo, cara... quantas vezes mais isso aconteceu e não temos a menor ideia? Ela diz que te ama, mas engravidou do seu irmão uma vez e escondeu. Ela perdeu você e isso lhe custou dez anos — Ravi fala devagar, deixando cada palavra penetrar no cérebro confuso e furioso do seu melhor amigo — E se aconteceu de novo e ela apenas não quis arriscar? Deixou você pensar que...

— Não! — Edward ruge, o empurrando para trás com um soco — Você não se atreva, porra, não ouse dizer isso em voz alta. Haven é minha! Nós a fizemos.

Ravi quase não é capaz de parar a si mesmo antes de cair no sofá com o impulso, mas quando se estabelece no centro do tapete, ele ri, observando Edward sair de trás da mesa e começar a andar e olhar para os lados como um leão enjaulado.

Parece que um nervo foi tocado.

— Ora, Edward, não seja uma mulherzinha — Ele zomba, limpando o canto da boca. Seu lábio está fodidamente pulsando, mas a adrenalina em suas veias ajuda a disfarçar a dor — A camisinha furou uma vez! Uma única vez e ela magicamente engravidou. Você acha que está aonde, em alguma serie maldita da ABC? Só Deus sabe quantas vezes Dominic teve seu esperma derramado naquela buc-

Edward não lhe deu tempo para terminar aquela infeliz frase e saltou sobre ele como um atacante de futebol americano vai para os jogadores do time adversário. Os dois batem no chão com um baque surdo, seguido do ar de Ravi sendo expulso do seu corpo pelo peso de Edward, que não estava preocupado. Pelo contrário, ele queria causar dor. Montando em seus quadris, ele atirou o punho em direção ao rosto do amigo uma e outra vez, cego pelo ódio – Edward só via vermelho. Ele não conseguia pausar a voz de Ravi em sua cabeça desdenhando sobre a paternidade de sua filha e criando para Edward uma imagem de Dominic dentro de sua mulher.

Não, porra. De jeito nenhum.

— Como você se atreve, seu filho da puta?

Seus dedos estão machucados e latejando, mas se ele pudesse escolher, seria só o que ele sentiria – era muito melhor do que essa dor ameaçando explodir o seu peito. Seus braços flexionam, os punhos agem e ele não para nem para tomar fôlego. A menor possibilidade de Ravi estar certo sobre suas terríveis suposições o fazia querer colocar uma parede abaixo. Ele não sobreviveria a algo assim.

De novo não.

— E-d-ward, p-pare.

Ele não para, investe e bate a cara de Ravi para o lado, arrancando-lhe um grunhido de dor. Por que ele não lhe disse antes? Suas suspeitas estavam corretas? Isabella seria mesmo capaz de mentir a paternidade da filha só para não arruinar tudo o que eles tinham construído? Porra, Haven. Sua doce garotinha.

E se... ela... não fosse... tão sua assim?

— Foda-se! — Ele suga uma respiração com a dor em suas costelas quando Ravi consegue soca-lo, o pegando de surpresa.

Outro soco é dado, agora em seu rosto e a pancada o faz desequilibrar para fora. Ravi aproveita a chance para acotovela-lo, ainda deitado no chão, mas recebe um chute no joelho que o faz gritar. Ele ouve Edward murmurar “quem é a mulherzinha agora?” e se não estivesse tão malditamente chateado, riria. O ruivo, por sua vez, não consegue encontrar qualquer graça na situação e segue com seus golpes, atingindo Ravi no estômago e onde mais ele era capaz de alcançar.

Os dois rolando, segurando e afastando um ao outro.

Minutos depois, eles ouvem um grito feminino e Ravi tenta falar, mas Edward não queria saber o que ele tinha a dizer, apenas fazê-lo engolir cada palavra suja. Ele queria fazê-lo pagar pela confusão que estava se expandindo dentro dele. Ele queria compartilhar a dor que sentia ao ser erguido para o céu e derrubado para o inferno pela segunda vez e da mesma maneira.

Tudo estava certo, então, de repente, não está mais.

Está uma bagunça.

Uma dolorosa e fodida bagunça.

— Seguranças! Por favor, aqui. Por aqui. Afastem eles!

Edward reconheceu a voz de Maggie, então, braços fortes e com músculos superiores aos dele o agarrou por trás e o afastou das garras raivosas de Ravi, colocando-o de pé.

Era quase cômico que ele se debateu com mais fúria no chão quando o segundo segurança o pegou, como se estivesse se exibindo agora que havia público e mais pessoas para evitar que ele levasse a surra de sua vida.

Hematomas começavam a aparecer na pele clara.

— Edward, menino? — Maggie chamou, tocando em seus ombros com cuidado para não ser atacada. O seu corpo estava quente e ainda tremia levemente de raiva, o seu olhar havia fugido de Ravi e estava concentrando em algum ponto no chão, mas ele não parecia nada bem — O que aconteceu aqui? Você está machucado?

— Não o suficiente. — Ravi responde, cuspindo aos seus pés.

— É aí que você se engana — Edward se encolhe, fazendo as mãos de Maggie se afastarem imediatamente. Usando o pulso para limpar o sangue escorrendo do nariz, ele ergue seu olhar para o homem que tem sido o seu amigo por quase uma década agora. Confuso, sem saber se o odiava ou o agradecia, por tê-lo condenado ou aberto seus olhos — Em alguns dias, o que eu fiz em você vai desaparecer e tudo voltará a ser como antes. O que você fez comigo bem aqui, essa merda não vai a lugar nenhum, Ravi. Você me condenou de volta ao lugar de onde me tirou.

— Menino... o que? — Maggie chama.

— Não... apenas, não.

Chutando a cadeira caída para longe, Edward – dolorido, sangrando e com os olhos pinicando – alcança o paletó e saí em disparada para fora da sala, deixando-os para trás.

Ele precisava esquecer.

E então, lidar com isso...

Para só depois tomar a decisão que mudaria o rumo de três vidas.

Notas finais
Que sacanagem! Uma coisa é o Ravi revelar que viu a Isabella na companhia do Dominic, outra coisa é insinuar que o bebê que eles esperam não é dele, só para descontar a raiva que está sentindo no cara. O nosso advogado deve ter voltado anos no tempo... De qualquer forma, tivemos a boa noticia da prisão de Jackson, finalmente. Chelsea está se saindo muito bem. O filho de Angela foi acrescentado à mistura e Haven está quase aí, hein? Obrigada por terem (alguns) aparecido no capítulo passado. Espero que tenham gostado desse também e não sumam. Deixem suas reviews. Eu as adoro ♥ Bom final de semana pra vocês.