Erros de Sempre
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Chupando de maneira barulhenta um dos últimos goles do seu Gingerbread Frappuccino, recém adquirido na Starbucks pela qual passaram, Isabella empurrou a porta da Pottery Barn Kids com a mão livre. Ela ainda não gostava de café e nem a gravidez foi capaz de mudar isso, mas gostava das combinações interessantes que eles faziam. Essa, por exemplo, de café com xarope de gengibre e misturados ao leite e gelo, surpreendeu seu paladar – o fato dele estar coberto por chantilly e noz moscada moída era um bônus.
Quando sua visão se ajustou à claridade da loja e registrou o pequeno paraíso que ela era, seus olhos se encheram de lágrimas. Era grande, mas tão repleto de coisas que te deixaria confuso sobre para onde olhar primeiro, e aconchegante como o quarto gigante de criança. Próximo dela havia uma mesa branca preenchida com bichos de pelúcia, eles estavam ao lado e em cima um do outro, formando uma espécie de pirâmide. Em seus pés, cestos para fraudas sujas? A morena deu de ombros, ainda não familiarizada com tudo sobre o mundo de bebês.
— Edward tem tanta sorte que sua irmã não pode vir — Esme diz se aproximando por trás dela, que ainda continua parada a alguns passos da porta — Ele jamais teria confiado a ela o seu cartão de crédito. Alice teria gastado uma fortuna aqui.
Isso é algo que ela não argumentaria.
Embora aqui tenha tudo que ela possa precisar, Isabella insistiu em passar em duas lojas menores e mais baratas antes, para adquirir algumas coisas de um valor mais razoável. Era assim que ela era e Esme achava adorável. As duas tiveram um ótimo momento escolhendo várias roupinhas. Talvez por ser esposa de um médico, mas principalmente por ter tido três filhos, ela entendia tudo sobre medidas, tecidos, os pesos mais comuns para os recém-nascidos e quais marcas de fraldas eram confiáveis, não irritavam a pele ou provocavam qualquer alergia. Ela era uma verdadeira bênção, uma vez que sua única amiga com experiência ainda estava presa na maternidade com o garoto Aiden.
— Que ela não nos ouça, mas estou feliz por isso — Isabella afirma, sussurrando próximo à mulher mais velha como se a outra pudesse ouvi-la — Eu sei que Alice irá encher a minha filha de mimos por conta própria, então não preciso dela deixando o irmão 20 ou 30 mil dólares mais pobre. Isso é ridículo, certo?
Ela estremeceu para enfatizar, fazendo a sogra rir e apertar o seu ombro em apoio.
Educada e sempre simpática, Esme acenou para a vendedora que as olhava de longe e a moça finalmente decidiu se aproximar. Ela imediatamente perguntou se as duas precisavam de ajuda e quando ouviu a afirmação, lhes questionou sobre o que gostaram de ver primeiro. Aqui, elas iam escolher os móveis para o quarto da bebê. Isabella já conhecia as dimensões dele e sabia muito bem o que ficaria bem no espaço ou não. Edward, apesar de interessado em participar disso com ela, não foi permitido devido ao trabalho e prometeu não se envolver muito, mas pediu para que ela não ficasse presa ao típico rosa que toda mãe procura para suas filhas e focasse em seu gosto pessoal.
E ela podia fazer isso.
— Desculpe a demora — Alguém ofegou ao seu lado. Ela virou e sorriu para Rosalie, enquanto ela puxava os cabelos loiros para cima e tentava mantê-los firmes no rabo de cavalo que usara desde cedo. Hoje ela vestia uma calça jeans apertadas, uma blusa de mangas compridas e a gola foi adornada com um colar longo, com um crucifixo prata na ponta — Eu precisei estacionar em outro lugar. Emmett teria um derrame se eu tomasse outra multa esse mês.
Sim, bem, ela tinha aprendido rapidamente que Rosalie não era uma boa motorista.
Na verdade, Isabella tinha sérias dúvidas sobre como ela conseguiu sua carta.
— Está tudo bem — Ela riu e olhou para Esme, que apontava para a parte de cima de uma larga estante, indicando querer alguma coisa — Nós estávamos indo olhar os berços agora. Você chegou bem a tempo de nos ajudar.
— Oh, excelente — A mulher suspira, se recompondo e logo um sorriso doce toma conta do seu rosto ao olhar em volta. Enquanto Isabella pensou que esse tipo de programa seria uma tortura para ela, Rose pareceu muito bem em todos os momentos e deu sua sincera opinião quando solicitada, sem fazer cara feia ou ficar triste por estar ajudando a escolher coisas para uma criança que não era dela, mas sim de Isabella – de quem ela não gostava tanto — Eu os adoro, mas não tive a chance de comprar um quando decidirmos adotar o Mason. Ele já era um menino grande e tivemos que optar por algo bem maior para acomoda-lo. Agora ele dorme em uma bicama personalizada do filme Cars. Você sabe, uma mistura de Lightning McQueen, Chick Hicks e Mater? Bem, é isso. Ele gosta de chamar o melhor amigo para dormir em nossa casa uma vez por mês, então é confortável para ambos.
Essa tinha que ser a conversa mais longa que ela já teve com Rosalie.
Ela estava satisfeita com a maneira como a loira parecia estar ficando confortável em torno dela, porque quando as duas apareceram em seu apartamento para leva-la para comer, ela tinha ficado um pouco receosa. Isabella deveria ter um ótimo momento escolhendo as coisas da filha, mas como as duas tinham compromisso após as compras, ela decidiu que poderia tolera-la. E para a sua surpresa, Rosalie foi surpreendentemente agradável pelas próximas horas. É claro que elas ainda não eram nada como amigas, mas se pegou rindo com a loira em um par de ocasiões e estavam constantemente conversando sobre o progresso de Mason na escola, uma vez que ele começou a ver um profissional para falar sobre como ele tinha rápidos acessos de fúrias, bem como não dormia em paz durante toda a noite.
Ela ficou feliz pelo pequeno que tinha ficado muito animado com a ideia de ter uma prima – um bebê para brincar.
Nos próximos trinta minutos, elas olharam diversos modelos de berço, dos clássicos aos modernos, mas o que chamou a atenção de Isabella foi um totalmente branco que poderia ser convertido em uma pequena cama quando Haven ficasse maior. As mulheres apoiaram a sua escolha, principalmente quando ela terminou de escolher o colchão e um kit para o berço – também branco, mas estampado com vários tipos de doces: pirulitos, gomas e rosquinhas. A próxima coisa na lista era a cômoda, então a vendedora as levou para onde estava a que fazia par com o berço e duas se juntaram às compras, uma estreita com quatro gavetas e outra bem maior e mais larga, com cinco. Então vieram os abajures, um pequeno criado mudo com espaço para encaixar livros e as cortinas nos mesmos tons que o kit – branco, lilás e coral.
— Eu aconselho a você conseguir uma boa poltrona também, Bella.
Ela vira para Esme que cheirava um travesseirinho.
— Sim, você não vai querer ficar de pé quando ela decidir que dormir é superestimado — Rosalie ri ao apontar a câmera do celular para os brinquedos de pelúcia que elas tinham separados, entre eles: um urso, um pássaro e algo muito parecido com um bezerro filhote — E amamentar. Onde você vai amamentar?
Isso é algo que ela não tinha pensado ainda, mas agora, via que Esme tinha razão e uma cadeira confortável para acomoda-la durante as mamadas de Haven e as longas madrugadas acordadas era essencial. Enquanto Rosalie tirava fotos para que Edward fosse capaz de ver mais tarde o que Isabella tinha escolhido, ela e Esme compraram todos os artigos de higiene e produtos para banho que a morena gostou. Eles tinham cheiro de limpeza e céu e se sua filha cheirasse qualquer coisa parecido com aquilo, ela não seria capaz de deixa-la sair dos seus braços nunca.
— Você já acabou? — Rose perguntou, mordendo o lábio e parecendo um pouco apreensiva ao encontra-la no caixa — Emmett me mandou uma mensagem de texto e não vai se capaz de pegar Mason, então eu terei que me apressar um pouco.
— Oh, então nossos planos mudaram? — Esme soa desanimada enquanto arruma o cachecol em torno do seu pescoço.
— Não, eu vou deixa-lo com a minha mãe. Eles devem ficar bem.
— Ok, falta pouco aqui, mas vocês sabem que eu posso muito bem pegar um táxi, certo? — Isabella dá de ombros, mas ela realmente gostaria de uma carona. A maioria de suas coisas seriam entregues em algum momento amanhã, mas ainda havia muitas sacolas de roupas, sapatos e acessórios.
— Imagine! Nós a pegamos em casa e a entregaremos em segurança — Esme retruca, batendo de leve em seu braço, ofendida pelo pensamento tolo. Ela jamais seria irresponsável ao ponto de deixa-la ir sozinha após uma tarde cansativa onde todas passaram tantas horas de pé — Rose, querida, ligue para escola de Mason e avise que chegaremos alguns minutos atrasadas. Nós devemos pegar transito.
Um pouco contrariada, a loira concorda e se afasta para fazer a ligação.
Preocupada com o menino e não querendo aborrecer Rosalie, consequentemente estragando o progresso de mais cedo, Isabella engole seco diante do valor gasto na loja e passa o cartão que Edward deixou sobre o seu travesseiro com uma nota dizendo que ela não deveria ser econômica. De mãos cheias, ambas as mulheres encontram a terceira encostada à porta do seu carro enquanto digitava em seu celular. Ela suspira de alivio quando as vê e rapidamente ajuda a guardar as compras. Uma vez que estão todas prontas, ela gira a chave na ignição e quase bate em alguém ao dar ré, fazendo suas caronas rirem e a pessoa do lado de fora, xingar.
— Tia Bella!
A morena sorri com o cumprimento de Mason ao saltar no banco de trás, ao lado dela. O menino insiste para que a mãe o deixe sentar como um adulto, mas ela é firme sobre ele precisar ficar no assento de elevação com encosto – Isabella sabia que aquilo servia para que ele ficasse mais alto e fosse capaz de usar o cinto do carro de maneira segura. Fazendo beicinho, ele se deixou ser amarrado, mas logo que estavam em movimento, ele iniciou uma conversa com a tia sobre tudo e nada.
— Você acha que ela está pronta para sair agora? — Sem timidez, Mason espalma a pequena mão sobre a barriga redonda de Isabella e a olha cheio de esperança.
— Eu temo que não, querido — Ela diz e acaricia onde a cabeça de Haven parece estar pressionando — Ainda temos algumas semanas até conhece-la.
— Mas por que, tia? Ela está aí há um monte de tempo! — Ele pergunta, retirando a mão e cruzando os braços diante do peito, como se estivesse chateado que a prima não quisesse nascer — Quando os meus pais me derem um irmão, eu não vou querer esperar tudo isso. Se ele for igual a Haven, eu já vou ter parado de fazer xixi na cama quando ele resolver deixar a barriga da mamãe. Não, não mesmo!
As mulheres reagem ao mesmo tempo.
Rosalie endurece no volante.
Isabella suspira.
E Esme, como de costume, salva o momento.
— O que isso quer dizer, Mason? — Ela finge uma voz escandalizada — Você, desse tamanho, ainda está molhando a sua cama?
— Opa... — Ele sussurra, deixando seu olhar cair para baixo e Isabella não pode se conter, ela ri quando nota o topo das suas bochechas em um rosa profundo.
— Ele está parando — Rosalie diz, após limpar a garganta e pisca para o filho através do retrovisor. Ele abre um sorriso de agradecimento se vira para a sua mochila — Mason vai ao banheiro várias vezes quando Paul vem passar a noite e então não há vontade de fazer xixi, mesmo que esteja sonhando. Ele tem tentado fazer disso uma rotina, mas acontece de esquecer de vez em quando...
— Sim, isso é absolutamente normal — Isabella concorda e cutuca o lado de Mason com o cotovelo — E eu tenho certeza que aqueles três garotos chatos da sua turma ainda usam fraldas, sabia? Agora, você sim é um homemzinho.
Ele arregala os seus olhos com alegria da possibilidade.
Mason tinha lhe contado na última vez em que se viram, que havia um trio de garotos na escola que implicavam com ele o tempo todo, mas tendo um pai como Emmett e um tio como Edward, ele não demorou a aprender a se defender desses moleques. Uma conversa com a professora e o aumento de confiança foi o suficiente para dar um basta na situação, mas a ideia de eles ainda usarem fraldas para não molharem as calças o fazia se sentir infinitamente melhor.
Tia Bella era a melhor.
Quando ela é deixada no condomínio, eles se despedem com beijinhos no rosto e Esme promete ligar no dia seguinte, para saber o horário conveniente de aparecer para ajudá-la a montar os móveis e organizar tudo.
Rose apenas diz adeus e não se oferece para aparecer.
Isso seria forçar um pouco as coisas e ela sabia disso.
Infelizmente, o porteiro não está em seu lugar quando Isabella entra no prédio e é com pesar que ela toma o elevador com os braços cansados por sustentar tantas sacolas. Ao sair de lá, ela amaldiçoa que não tenha pensado em tirar a chave da bolsa quando estava com as mãos livres, mas não é muitos momentos depois que ela percebe que a porta está apenas encostada.
Empurrando-a com o pé lentamente, Isabella dá um passo para frente, incerta sobre o que fazer, porque ela trancou o apartamento. Sabia disso.
Mas e se alguém invadiu? E se alguém estivesse lá dentro?
Seu celular começa a vibrar no mesmo instante, a fazendo dar um pulo para trás. Piscando para se situar, ela faz um pouco de malabarismo e consegue alcançar o aparelho antes que ele pare de tocar. O número não é restrito, mas também não é conhecido. Ela não costuma atender ligações como essa, mas decidiu arriscar. Se algo estivesse mesmo errado em casa, seria bom ter alguém na linha.
— Alô?
— Isabella? É você?
A voz masculina questionou com certa urgência em seu tom.
— Desculpe... eu não sei quem está falando. — Ela responde, hesitando.
— Aqui é Ravi — O homem revela, a surpreendendo. Sua sobrancelha se ergue, em dúvida. Por que esse homem ligaria para ela? — Eu consegui o seu telefone com Maggie porque preciso perguntar sobre Edward. Você sabe onde ele está?
— Hum... provavelmente no escritório. Tentou telefonar para lá?
Seus ouvidos captaram algo mais do que a voz tensa de Ravi, o som de alguma coisa caindo e a curiosidade fala mais alto, a levando para dentro. Ele continuava falando, mas Isabella era incapaz de prestar atenção enquanto tentava ajustar seus olhos à penumbra da sala.
O corredor estava iluminado.
A luz da cozinha também estava acesa, mas tudo mais... estava coberto pela escuridão.
— ... que ele. Você entendeu? — Ravi perguntou, falando mais alto.
— O que?
— Eu estou te dizendo para não ir para o apartamento.
— Bem, é um pouco tarde para isso. Eu já estou aqui. O que há de errado, Ravi?
Ele grita alguma coisa, mas tudo fica em segundo plano quando ela registra pela primeira vez que tudo está fora do lugar. Coisas jogadas, reviradas e destruídas.
As sacolas e o telefone escorregaram para baixo com um baque enquanto um suspiro assustado escapa dos seus lábios entreabertos de surpresa.
Suas mãos tremiam enquanto ela olhava o lugar de norte a sul, encontrando mais bagunça. Só os quadros estavam na parede, mas todo o resto... Jesus.
O que no mundo tinha acontecido ali?
O som de uma porta batendo com força a faz pular de novo e dessa vez, Haven se mexe, mostrando que não está gostando as emoções que a mãe está sentindo, mas não havia nada que pudesse fazer. Aparentemente, Isabella não estava sozinha no apartamento e ainda era cedo para decidir se isso era uma coisa boa ou não.
Embora congelada no lugar, seus pés estavam inquietos para se mover para longe dali e não é até que ela visualiza uma silhueta se aproximando, vindo de onde ficava o escritório, que o seu lábio inferior treme e a vontade de chorar vem forte.
— Edward? — Ela gagueja. Por favor, seja você. Seja você.
A figura se mostra masculina e ela percebe que ele carrega algo. Um taco? Uma arma? A iluminação alcança um bom ângulo e uma garrafa de vidro é revelada.
— Sou eu.
A voz dele é fria como gelo e não parecia interessado em tranquiliza-la.
Isabella colocou a mão na barriga e uma sobre os seus lábios quando conseguiu dar uma boa olhada no namorado. Edward estava com o rosto machucado. Havia sangue seco em sua pele e manchas coloriam a sua camisa branca e amassada, na parte do colarinho. Seu primeiro pensamento foi que ele tinha se envolvido em um acidente, mas quando Edward ergueu os olhos e encarou sem nenhuma emoção, ela entendeu que havia muito por trás dos seus hematomas e era ruim. Bem ruim.
— O que aconteceu com você, querido?
Ele riu, mas não havia humor em seu riso.
— Um amigo aconteceu.
— Mas quem... oh, meu Deus! Ravi fez isso com você? — Ela perguntou, tanto incrédula quanto enfurecida — Eu imaginei que ele não fosse levar bem a sua decisão de deixar Aubree ir, mas isso? Você me prometeu que as coisas não iam chegar a esse ponto, Edward.
— Eu menti — Admite com um dar de ombros. Ele ergue o braço e leva a garrafa até seus lábios. Preenche suas bochechas com o liquido cor de âmbar e engole com um barulho de quem não está apreciando a bebida, mas precisa dela — Embora não pudesse prever o que aconteceria – e acredite, fui pego de surpresa –, tive minhas suspeitas e não quis preocupa-la. Mas você não vai me culpar por isso, vai, Bella? Não quando é a única de nós dois que tem sido desonesta há tanto tempo.
Isabella não tem a menor ideia do que está sendo acusada, mas sua barriga fica gelada. Haven se move outra vez, quase dolorosamente e ela se força a andar para frente, tentando alcançá-lo e tropeça em algumas sacolas. Ao perceber, Edward dá mais um daqueles risos estranhos que lhe causam um mal-estar e vai para trás, colocando mais distância entre os dois.
Uma distância segura.
Mas segura para quem?
— Certo... claramente algo mais aconteceu — Ela deduz, tardiamente — Algo sobre nós. O que está acontecendo, Edward? Por que você não me deixa chegar perto?
— Eu não tenho certeza se vou querer o seu toque outra vez.
Seu coração afunda.
Sua mente trabalhava rápido, mas era impossível chegar a uma conclusão para algo assim acontecer. Ela não tinha feito nada que colocassem em risco a relação dos dois, então por que Edward estava tão chateado? O que diabos tinha acontecido?
— O que?
Ele não responde.
— Você não quis dizer isso.
— Eu quis. E eu disse... — Seus lábios se curvam para o lado, em um sorriso triste. O olhar cai sobre a sua barriga e volta para o seu rosto rapidamente, o fantasma do sorriso desaparecendo e dando lugar a um maxilar cerrado — Isso vai depender, é claro, das respostas que me dará quando ouvir exatamente o que quero saber de você.
— O que é? Diga! — Ela exclama, beirando o histerismo. Isabella não lida bem com ameaças, ela teve muitas delas no ensino médio e deu um jeito em cada uma, mas a ideia do seu futuro com Edward estar ameaçado a aterrorizava — Pare com essa merda enigmática e me diga de uma vez por todas o que há de errado.
— Como quiser — O ruivo toma um novo gole, agora não fazendo questão de esconder a sua careta ao sorver o whisky. O que o faria precisar de coragem liquida para falar? Seu homem nunca teve papas na língua. Merda, ele não estava bem — Então, você teve um caso com Dominic?
Ela piscou, atônica.
Então era isso? Toda essa situação... era por ciúmes?
— Mas que diabos, Edward?
— Responda! — Ele rosna, mostrando como realmente se sentia.
Raiva.
— Não! Nós nunca tivemos um caso, ok?
Isabella quase podia ouvir como ele mastigava os dentes. Seus ombros balançaram por um momento e ela pensou por um breve segundo que Edward poderia estar se controlado para não segurar em seus braços e sacudi-la, mas ele não faria isso.
Nunca.
Suspirando, ele repete.
— Eu não estou com paciência para jogos, Isabella, então vou perguntar só mais uma vez e espero que me responda com sinceridade agora. Você foi ou não foi amante daquele homem?
— Eu não fui amante de Dominic. — Ela afirma, sem hesitar, mas sua testa franze com as únicas perguntas que gostaria de fazer. O que o levou a pensar isso? Jasper era o único que sabia que a relação entre os dois tinha saído do profissional, mas ele jamais soltaria isso sobre Edward sem seu consentimento.
— Então vocês não transaram? — Ele soa cético, um pouco decepcionado.
— Eu não disse isso.
A resposta evasiva dela o coloca no limite.
— O que você pensa que está fazendo, porra? — Ele grita, seu rosto em uma máscara furiosa — Me diga a verdade! Olhe nos meus olhos e me diga que nunca dormiu com aquele filho da puta. Você é mesmo capaz de fazer isso?
— Eu fiz, ok? — Ela grita de volta, suas mãos tremendo violentamente. Haven chuta. Isso não deveria estar acontecendo. Ela também estava com medo? — Eu fiz sexo com ele uma única vez, mas mesmo que tivessem sido dez, como diabos isso pode ser relevante para nós? Dominic não significa absolutamente nada.
— Você tem certeza? — Com o corpo rígido e quase quebrando o pescoço da garrafa com a mão direita, ele olha novamente para a sua barriga inchada.
— Que merda isso quer dizer? Jesus Cristo, você está bêbado e machucado. Apenas vamos lá para cima e eu vou cuidar de você — Ela suspira, cansada e olha para as escadas — Amanhã nós falaremos sobre os seus ciúmes descabidos.
— Oh, sério? Então é isso o que é? — Edward debocha, parecendo ficar mais irritado com a confirmação do seu momento com Dominic e joga a garrafa para o lado. Ela não vai muito longe ou quebra, mas aterrissa no tapete e o liquido agitado derrama para fora — Você finge e mente bem na minha cara quando eu afirmo sobre o idiota quere-la, me faz parecer como um adolescente imbecil que precisa mijar na sua perna para marcar território quando eu estava com a razão o tempo todo e diz que tudo não passa de ciúme descabido? Você está pressionando muitos dos meus botões, porra! Cuidado.
Ela engole em seco e seus olhos ficam marejados.
Isabella quer chuta-lo. Talvez abraça-lo.
E definitivamente acabar com tudo isso.
Por que justo que agora?
Embora necessite toca-lo, ela não o faz. É a decisão mais sábia agora.
— Nós estávamos na mesma página sobre não ir adiante com o que aconteceu e eu realmente não achei que era grande coisa mantê-lo como amigo — Isabella diz, fazendo uma careta sobre como uma simples omissão estava se voltando contra ela — E tire esse olhar traído da sua cara, porque eu não estava transando com ele pelas suas costas. É ridículo que eu tenha que lhe fazer um relatório sobre quem esteve na minha cama antes de você tirar a sua cabeça da bunda e perceber que ainda me ama! — Ela grita, transformando-o em uma bonita estátua humana.
Mas Edward não demora a se recuperar. Ele estreita os olhos, de modo que a morena quase não é capaz de ver suas íris e se aproxima dela lentamente. Isabella resiste ao impulso de ir para trás – sendo puro reflexo – e permanece no lugar até mesmo quando o advogado fica a menos de cinco centímetros de distância. Seus rostos estão quase nivelados e quando o olhar dela cai sobre os lábios dele, onde há um machucado, Edward abre um sorriso perigoso, gostando de vê-la tentada.
— Ravi me contou sobre a noite onde a encontrou no bar de um hotel com ele — Os olhos dela se arregalaram com realização e seu corpo estremece quando os dedos dele roçam seu ombro, para enviar parte de seu cabelo para trás — Sim, essa noite. Você não imaginou que aquele homem e o meu melhor amigo fossem a mesma pessoa, certo? Talvez você devesse. Eu preferia não ter sabido que você estava fodendo Dominic através dele.
Jesus, aquele desgraçado! Ela sabia que ele não ia muito com a sua cara, mas caramba. O que ele ganharia tentando separar os dois? Era alguma vingança idiota por tomar todo o tempo de Edward ou ainda se tratava de Aubree?
— Aquela...
— Vocês pediram um quarto e passaram a noite juntos — Edward interrompe, subindo com a mão pelo pescoço dela até chegar em sua mandíbula. O polegar dele alcança seus lábios e ele o esfrega com força, mas lentamente, como se quisesse limpar o fantasma de uma impressão que Dominic possa ter deixado ali — Ravi disse que tinha que me encontrar no dia seguinte. Obviamente, eu já estava em Seattle. Então era isso? Você estava transando com outro cara enquanto eu passava por cima da sua merda e tentava te encaixar de volta à minha vida?
— Não! Isso está errado — Ela agarra o seu antebraço e aperta, implorando para que ele veja a verdade em seus olhos — Eu disse a você, aconteceu apenas uma vez e foi no lugar de Dominic. Muito antes de encontrar Ravi naquele bar. Sobre o quarto, sim, nós solicitamos um porque tínhamos bebido demais e...
— E você certamente não tinha dinheiro para um táxi, certo? — Ele puxa o braço de volta — Apenas diga. Era um teste? Você queria saber se eu estava lá a sério antes de chutar o idiota, então ficou jogando com os dois para não sair perdendo?
— Não! — Ela engasga — Você só apareceu na agência no dia seguinte. Não tínhamos nos falado desde Forks. Edward, ele mentiu para você — O ruivo engole com dificuldade, assimilando a informação. Sabia que Ravi disse tudo o que disse com raiva, mas ele seria tão baixo ao ponto de mentir para prejudica-los? Ele estava certo sobre todo o resto, então por que tornar as coisas piores? Não era o suficiente o ter feito duvidar que sua Haven era de outro homem? — Edward, por favor, abra os seus olhos — Ela pede, se atrevendo colocar as mãos sobre o seu peitoral e agarra a sua camisa quando ele tenta se afastar, sendo tomado pelo remorso ao ver lágrimas deslizando lentamente pelo bonito rosto dela — Eu sei que cometi um erro gigante com você no passado, mas eu aprendi com as consequências dele. Eu não estava lá, mas tenho certeza que essa pessoa que o Ravi pintou esta tarde não é quem eu sou. Você me conhece! Houve outros homens, eu admito, mas quando você veio e de repente estava em todo lugar... eu não era capaz de querer algo mais. Uma noite de sexo estúpido quando tinha tudo que mais desejei por dez anos logo ali? De jeito nenhum. Por favor, Edward... você vai acreditar em mim?
Enquanto Isabella falava, ela também lutava para acabar com qualquer distância entre os dois e quando um silencio desconfortável paira no ar, Haven resolve se fazer presente novamente. Chutando ao ponto de Edward ser capaz de senti-la em seu abdômen, por estar encostado a ela. Ainda sem responder, ele colou ambas as mãos nas laterais na barriga dela, sentindo a pequena mudar sua posição e com um suspiro pesado, como se tivesse prendendo o ar por todo esse tempo, ele deixa seus ombros desabarem e o corpo perde a postura de defesa em campo de batalha.
Ela, por sua vez, cobre as mãos dele com as suas, trêmulas e aperta.
— Então?
— Ok... — Ele sussurra, roçando os dedos nos dela, quase hesitante.
— Ok?
— Sim, ok, Bella. Eu estou tomando a sua palavra.
— Bom — A morena suspira — Eu não estou te agradecendo por acreditar em mim. Você deve confiar em mim, Edward ou o que está acontecendo entre nós, não tem sentido — Ela afirma com a voz mais firme que é capaz de usar no momento. Quando os olhos deles se encontram, Edward parece devidamente castigado, cansado e ainda chateado, mas o rápido brilho de vergonha passando por eles, a satisfaz — Mas eu vou dar-lhe algum crédito porque foi meu erro esconder isso e dar brecha para a sua... desconfiança. Mas eu te amo e nunca mentiria sobre isso. Desde que voltou para Seattle tem sido você.
Ele fecha os olhos, se inclina e encosta a testa na dela.
— Eu deveria saber — Ele ri pelo nariz, sem nenhum humor — Não havia espaço para mais ninguém. E só para constar, também tem sido só você para mim, Bella.
Ela desconversa.
— Ravi tem sido seu melhor amigo por todo o tempo em que estive ausente e não posso julga-lo por permitir que ele entre em sua cabeça, babe. Apenas... não o deixe permanecer.
— Eu não vou — Edward admite — Nós já causamos danos o suficiente, certo?
— Bem, eu suponho que tudo isso teria sido evitado se tivéssemos falando sobre Dominic meses atrás — Ela murmura, ainda meio sem graça de ter tido o seu ‘segredo’ relevado tão repentinamente — Desculpe.
— Não — Ele se afasta e a olha com seriedade — Você estava certa antes. Eu não precisava saber sobre todos os outros, mas caramba Isabella, a ideia de você encontra-lo e receber presentes dele deixa a minha pele arrepiada. Eu não posso... por favor, não me peça para aceitar...
— Ei, está tudo bem — Ela o tranquiliza, segurando seu rosto. A raiva diminuiu, mas seu peito continuava apertado pela maneira como a noite tinha começado. Sua casa destruída, o namorado bêbado, a acusando de ter jogado com ele e a sombra negra pairando sobre eles, ameaçando pôr um fim a tudo — Isso é passado. Dominic está fora do quadro há muito tempo, ok? E eu sei que deveria ter falado sobre isso antes. Também foi meu erro tentar manter uma amizade com ele quando isso ainda não tinha sido discutido com você. Sério... eu não acho que teria encarado bem a situação se fosse o contrário. Eu sei que teria colocado a cadela em seu lugar e você dormiria no sofá por um longo, longo tempo só por pensar sobre isso.
Edward ri de verdade, pela primeira vez, deixando o clima mais leve.
A morena passa os braços ao redor do seu pescoço e o puxa para um abraço.
— Então, o que isso faz de você, Swan?
— Um pouquinho hipócrita? — Ela sugere, enfiando o nariz ali e fungando.
— Só um pouco?
— Sim, um pouquinho.
— Que seja um pouco, querida — Ele cede, sua voz soando levemente divertida. Ele percebe que Isabella está descansando todo o peso sobre seu corpo e finalmente lembrando do que ela esteve fazendo durante a tarde, bem como percebendo as sacolas ao redor deles, Edward xinga e afasta com cuidado — Você parece exausta.
— Eu estou... nós tivemos um monte de diversão hoje e essa foi a nossa primeira briga em muito tempo — Ela murmura e usa ambas as mãos para limpar as bochechas molhadas, mas lhe dá um fraco sorriso — Haven também está um pouco inquieta. Acho que estou apenas sobrecarregada com tudo.
O ruivo endurece ao ouvi-la, solta todo o ar pelo nariz e a segura com força pela nuca antes de puxa-la e pressionar seus lábios em sua testa, apertando os olhos com força. Amaldiçoando Ravi em sua mente por transforma-lo de volta no mesmo homem patético, medroso e revoltado com a vida que encontrou em um pub informal no centro de Yokohama, com sua bunda bêbada de shochu falando sobre como sua ex namorada tinha partido o seu coração. Ele tinha aprendido a lidar com as suas medas e traumas há muito tempo atrás. A vida boa e pacifica que ele levava com Isabella tinha contribuído para que suas inseguranças não aparecessem, mas Ravi o conhecia mais que seus próprios irmãos. Ele sabia exatamente onde ir.
Para machuca-lo.
Para muda-lo.
— Eu não sou um cara bom. Eu tentei, mas não sou.
— O que? — Ela sussurra, se afastando dele com cuidado e cautela — Por que você está dizendo isso, Edward? Você teve seus momentos, mas ei, quem é que...
— Ravi disse que Haven podia não ser minha — Ele solta, fazendo a boca dela se escancarar de surpresa – agora ela é a única petrificava em meio a sala quebrada que viu o pior dele na última hora — Ele insinuou que a nossa garota poderia ser de Dominic e agora, falando isso em voz alta, posso ver o quão ridículo isso soa, mas... se você tivesse confessado estar com ele naquela época, eu teria acreditado.
Seus dedos entrelaçados com os dele foram a única coisa que a impediram de cair no chão duro quando ela tropeçou para trás, chocada e absolutamente magoada. Isabella queria culpar Ravi e dizer que ele era uma péssima influencia para Edward e embora fosse, ele não era capaz de controla-lo. Aquelas eram palavras pensamentos e sentimentos dele. Como Edward pode ter sido capaz de duvidar da paternidade de Haven? Foda-se! Não importava se havia dormido com Dominic ou com quinze por cento do Condado de King, ela nunca o faria assumir uma criança que não era dele. Que tipo de mulher ele achava que ela era? E se era assim que ele a via, por que diabos havia aberto as portas de sua casa?
— Você. É. Um. Idiota — Ela rugiu, pontuando cada palavra com um novo empurrão sobre o seu peito. Edward não revidou dos pequenos socos que estavam lhe machucando — Nós fizemos ela. Na porra de um beco escuro enquanto você ainda insistia em me ver como alguém que abriria as pernas sempre que quisesse, mas não era digna de fazê-lo tentar me amar de novo, mas ela é sua!
— Babe...
— Não venha com babe para cima de mim! Agora não. Eu quero ouvir você dizer, Edward — Ela exige — Diga que ela é sua e que Deus me ajude, mas se eu ouvir uma única vibração de dúvida em sua voz, essa é a última vez em que você me vê.
— Ela é, porra. Haven é minha filha. Minha.
— Sim, ela é! — Isabella chora e sua mão atinge um lado do rosto de Edward com um tapa dolorosamente alto — Eu não quero ouvir nada como isso novamente. Você entendeu? E o seu melhor amigo é um porco egoísta. Isso foi muito baixo! Você não deveria ter acreditado nele. Como pôde fazer isso, querido? Como?
Por longos segundos, ele não respondeu, seu interior agonizando com a dor em sua voz. Ele tinha feito isso – não Ravi ou qualquer outra pessoa. Ele era o responsável por suas lágrimas e a confiança quebrada. Ele havia os colocado numa situação de merda que agora teria que trabalhar a sua bunda para tira-los. Edward não tinha dúvida que se Isabella pudesse ler sua cabeça confusa e fodida nesse momento, ela seria capaz de entende-lo, mas para isso ele teria que se abrir com ela sobre seus fantasmas e isso não é algo que estava disposto a fazer agora ou muito em breve.
Ele lidaria com isso de outra maneira.
— Eu me assustei — Edward admite, umedecendo os lábios secos e rachados. Sua língua tocou o corte, lhe trazendo um conforto necessário e a lembrança de quem o tinha colocado nessa bagunça em primeiro lugar — É ridículo, mas eu fiz. Quando ele colocou sobre a mesa a possibilidade de eu estar vivendo algo que não merecia, simplesmente pareceu certo. Eu te tratei mal. Errei com você desde o começo, dez anos atrás. O que fiz para receber isso agora? Você de volta, um bebê e uma família só minha? Por que de repente parecia tão familiar que o destino estava me pregando uma peça – me alimentando com esperanças só para puxar o meu tapete depois? Eu sei que não justifica, mas voltei para aquele lugar e... foda-se, Bella! Eu não sei. Me desculpe.
— Você sabe que não é nada disso! — Ela afirma, franzindo o cenho — Você mudou, seguiu em frente e me perdoou, exatamente como eu fiz há muito tempo. Se as coisas estão dando certo para nós agora, não é sua função parar para analisar cada mudança e seus porquês, mas vive-las. Nós perdemos tanto tempo, Edward....
— Perdemos — Edward concorda com um balanço de cabeça — Mas você precisa saber que eu nunca neguei Haven. Ela é tudo para mim, babe, literalmente. Foram os piores minutos que vivi em longos anos, mas quando cheguei aqui, não havia mais dúvidas. Eu sabia que ela era minha e podia sentir isso em cada batida do meu coração, mas estava furioso com Ravi e sobre o que ele me fez. Porra, eu nem acho que seria capaz de deixa-las ir se não fosse realmente o meu sangue correndo em suas veias nesse instante e isso é só um pouco do quanto eu as adoro.
— Amor.
— Não, ouça — Ele pede, pegando sua mão ao nota-la mais calma. Isabella não o impede de toca-la, suas lágrimas tinham secado e mesmo magoada, ela estava cansada demais de continuar brigando quando havia alguém que merecia a sua fúria muito mais do que o homem na sua frente — O que Ravi fez foi infeliz, mas eu não deveria ter deixado o ciúme subir à cabeça ou qualquer outra merda que vivemos antes. Isso está no passado. Meu erro, querida. Eu sinto muito por isso.
— Eu posso ver.
— Bom — Ele suspira, aliviado — Gostaria de poder voltar e ignorar tudo isso. Eu não deveria ter pensado o pior e... eu sinto tanto, babe. Você pode encontrar uma maneira de me perdoar? Sei que não mereço. Acredite em mim, a culpa de ter cogitado a possibilidade da nossa garota não ser uma parte minha me punirá o suficiente. — Edward passa os dedos rapidamente no nariz, após fungar e desvia o olhar para baixo, piscando.
É claro que ela perdoava.
Isabella sempre soube que ele não seria uma pessoa fácil o tempo todo, mas o aceitou com suas cicatrizes emocionais, principalmente porque tinha sido a principal causadora. Não era justo que ela fosse a única a enfrenta-las? Esse era um desses momentos onde não podia se deixar levar e precisava ser sensata pelos dois. Ao contrário de muitas das outras discussões que tiveram, nessa ela não teve o desejo de machuca-lo – embora seu corpo tenha expressado a sua revolta e o atingido na face. Hoje, ele perdeu um melhor amigo e esteve muito perto de perder as duas. Isso deveria assusta-lo o suficiente para não ter algo assim acontecendo novamente. Edward pode não ter procurado ajuda no passado para falar sobre os seus problemas de confiança, mas ele o faria em breve. Ela se certificaria disso. A verdade é que foi uma surpresa e realmente um alivio quando ele acreditou em sua versão dos fatos.
Pobre rapaz.
Ele parecia no limite tentando se agarrar a qualquer fio de esperança.
Edward queria estar errado e ele, provavelmente, nunca em sua vida ficou tão feliz por isso. Seu erro novamente a magoou, mas ela era uma menina grande agora e não desistiria fácil como antes. Ela não fugiria ou o deixaria fazer o mesmo.
As coisas não se tornariam magicamente mais fáceis porque eles estavam evoluindo. Eventualmente eles diriam coisas ruins um para o outro e se arrependeriam depois. Desde que eles se esforçassem para melhorar e não magoassem um ao outro propositalmente, sempre haveria um pedido de desculpas.
Mas sim, ela estava indo castiga-lo por hoje.
— Hum, eu não sei — Ela moveu os ombros, olhando ao redor e fingindo estar indecisa, o colocando em alerta na hora — Hoje foi meio que uma grande coisa. E eu acho que é seguro dizer que desde que estamos vivendo juntos agora, eu deveria ganhar joias e flores para o pedido realmente ter o efeito esperado, você não acha?
Edward a olha, mas estreita seus olhos, não tendo certeza sobre ela estar falando sério ou não. Isabella era uma garota, afinal de contas. Ela gosta de besteiras femininas e coisas bonitas para usar, então era possível que ela quisesse ser um pouco adulada, principalmente quando as coisas saíssem do controle como hoje.
Com um sorriso, ele decidiu.
Sim, ele lhe daria alguma coisa.
— Você está completamente certa, babe — Entrelaçando os dedos nos dela, ele a puxa e rola os olhos para o seu cuidado em não pisar em uma das dezenas sacolas que estavam jogadas ao lado deles — Vou recompensa-la por isso. Eu juro. Agora você pode verbalizar o seu perdão, por favor? Deixe o meu coração mais leve antes que eu desista e beije esse beicinho fora dos seus lábios.
Ela ri. Tira a mão da dele e enrola em sua nuca, aproximando-o.
— Está desculpado, querido. Agora me beije.
Ele beija. Com força.
Um suspiro de surpresa escapa de Isabella e ela precisa de alguns segundos antes de finalmente abrir os lábios e se entregar àquela boca incrível. O lábio cortado a arranhava, mas tudo bem porque não estava sangrando. Edward a segurou tão perto quanto era possível, sentindo seu ritmo cardíaco suavizar enquanto sentia a sua filha ondulando na barriga da morena, lembrando que ele lhe devia também.
— Você deveria ir descansar agora — Ele decide quando finalmente a libera — Eu vou estar com você mais tarde.
— Para onde você está indo?
Ele não pode evitar. Sorri para a pontada de pânico em sua voz.
— Eu vou dar uma volta.
— Não, Edward, você bebeu. Um monte! Eu não vou te deixar sair de carro dess-
— Relaxe, babe, eu não vou usá-lo. Eu só preciso... limpar a cabeça.
Isabella hesita, não gostando de tê-lo longe depois de tudo, mas acaba por suspirar e assentir a cabeça. Edward agradece com um sorriso tão amável que ela o toma em um forte abraço. Se ele precisa de espaço, ela lhe daria. Ela também sorri quando sente seus lábios em seu pescoço e se contorce em seus braços quando Edward deixa, pelo menos quatro, beijos barulhentos ali.
— O que?
— O som é engraçado e faz cócegas.
— Boba — Edward ri, balançando a cabeça levemente, mas a endireita assim que percebe que ela está novamente descansando sobre ele — Agora vá lá para cima, tome um longo banho e coma alguma coisa. Não se preocupe comigo, ok?
— Vai estar de volta em breve?
— Sim.
De volta. Para casa. Para elas.
Depois do expurgo.
— Então eu vou — Ela não pensou em discutir — Fique seguro.
*********
Isabella despertou de um sono sem sonhos ao sentir suaves beijos serem deixados na sua nuca, aquecendo a pele com um hálito morno seguido de murmúrios que os ouvidos captavam, mas seu cérebro não compreendia. Um cheiro agradável chegou até o seu nariz, que franziu de leve e fez com que um pequeno e lento sorriso se espalhasse por seus lábios ligeiramente ressecados.
Ela os umedeceu.
E foi então que ela ouviu.
— Me desculpe — A voz disse, dando fim ao seu sorriso — Eu sinto muito, babe — Ele dizia, mas Isabella não conseguia encontrar uma razão para fazê-lo — Por favor, querida. Olhe para mim. Diga que acabou agora.
Edward.
O pai da sua bebê.
Ela sentiu a sua falta. Onde ele estava? Ela esperou por...
— Edward? — A morena abriu os olhos quando a realidade caiu sobre ela.
— Aqui — Ele sussurra e desce os lábios pelo topo das costas dela e se arrasta para o ombro até deslizar pelo seu braço esquerdo – o único exposto na sua posição de lado, a qual deixava Haven mais confortável — Eu estou aqui com você.
— Você está bem? A que horas você voltou? Eu, hum, acho que adormeci.
— Eu também acho, babe — Edward concordou e ela podia ouvir o sorriso em sua voz — Eu estou em casa há cerca de uma hora. Obrigada pelos sanduíches, a propósito. Você não precisava ter feito nada.
Ainda de costas para ele, Isabella balança a cabeça se lembrando dos sanduíches de frango com queijo que ela preparou mais cedo – três, dois menores para ela e um grande para Edward, no caso dele chegar com fome. Após a sua saída, ela seguiu com o plano e passou um longo tempo de molho na banheira, coberta por água quente e bolhas cheirosas de sabão, ouvindo um pouco de música suave para relaxar. Seus dedos dos pés estavam enrugados quando ela resolveu deixar o banheiro e isso apenas porque uma fome absurda a despertou. Fraca, por várias razões, suas pernas tremeram e dificultaram a descida pela escada. Isabella estava considerando simplesmente sentar em um daqueles batentes antes de algo dar errado, mas assim que atingiu o andar de baixo e viu novamente o rastro de destruição do seu namorado, ela enrijeceu como pedra.
Ela estava tão aborrecida que muitas das suas coisas foram destruídas.
Ela apanhou as sacolas do chão, feliz que não havia nada danificado com a queda e as colocou no sofá, sabendo que não tinha quaisquer condições de subir com aquilo. Quando alcançou sua bolsa, encontrou também o celular com a tampa da bateria ao lado do aparelho. Ele estava desligado e quando posto para funcionar, começou a vibrar enlouquecido com alertas de sua caixa postal. A maioria era de Maggie, mas também havia Ravi. Sentindo o sangue esquentar, ela quase pressionou a tela para retornar à ligação e dizer-lhe um par de coisas, mas sua mente estava esgotada demais para acompanha-la em uma discussão acalorada.
Em vez disso, Isabella digitou uma mensagem para Edward e enviou.
Dez minutos depois, ainda não havia recebido uma resposta dele.
Suspirando, ela levanta e segue para a cozinha que, para a sua sorte, está imaculada como deixou antes de sair para as compras. Bom. Ela não tinha tanta certeza se iria fazer as pazes rapidamente com Edward se ele tivesse fodido ali também.
Isabella se surpreendeu quando percebeu que sua fome havia diminuído após ser exposta novamente as consequências das palavras vis de Ravi e após um lanche rápido, ela apagou as luzes e subiu para o quarto, decidindo ignorar toda a bagunça até o dia seguinte. Lola estava deitada no tapete em frente à cama, dormindo – o que ela fazia por mais da metade do dia – e não despertou quando a dona se sentou no colchão e usou o pé para acariciar a sua cabeça. A morena roubou uma olhada para o relógio no criado mudo e franziu a testa quando percebeu que ele já tinha se ido há pelo menos duas horas. De quanto mais tempo ele precisava? Para se distrair, ela encostou-se entre os muitos travesseiros e ligou a TV do quarto.
O desejo de ligar para Jasper veio imediatamente. Estava passando Top Gun – o seu filme favorito. Ele estava assistindo? Ainda trabalhando? Isabella, de repente, sentiu falta de conversar com o seu melhor amigo. Parecia que eles tinham envelhecido vários anos nos últimos meses. Ela já não era mais capaz de cruzar a rua para encontra-lo, adormecer em seu sofá e acordar sendo carregada para a sua cama, onde eles dormiriam com as pernas entrelaçadas e na manhã seguinte ele reclamaria sobre como os pelos nascendo em suas pernas estiveram lhe arranhando durante a madrugada. Aquele idiota, ela pensou e sorriu. O que ele pensaria sobre a situação de mais cedo? Embora ele e Edward tenham finalmente chegado a uma relação harmoniosa entre si, ela tinha certeza de que o médico não aceitaria bem o seu momento de dúvida sobre a paternidade da filha. Isabella não estava feliz com isso também, mas é claro, é sempre mais fácil para as pessoas de fora julgarem.
Gostaria de poder apagar aquela conversa de sua mente, mas gostaria principalmente de nunca ter dado motivos para Edward cogitar algo assim. Ele ficou maravilhado com Haven quando soube da sua existência, mas isso porque não havia nenhum outro na jogada, mas agora que Ravi soltou sua língua grande e venenosa? Era outra história. Ter sido mãe do seu sobrinho fez coisas loucas com o homem – não que ele falasse sobre isso. Nunca. Mas ela podia ver de vez em quando, porque era impossível fingir o tempo todo. Edward colocou um monte de esforço para superar a coisa do seu irmão ter dormido com ela e teve muito mais sucesso do que a cunhada. No momento, Rosalie a aceitava na família e até parecia satisfeita com o relacionamento em que as duas estavam construindo, mas isso não quer dizer que ela assistia ao marido e Isabella interagirem com um grande sorriso no rosto, por isso, a morena evitava pressiona-los demais.
Mas se tinha uma coisa que ela sabia, é que condenariam Edward se soubessem do que aconteceu hoje e é por isso que ela não diria uma palavra a ninguém. Eles eram um casal há quase um ano – um que dividia o mesmo teto por tempo integral – e precisavam agir como tal, sem deixar ninguém intervir em seus problemas.
Eles ficariam bem. E ela mal podia esperar para Haven chegar.
Edward bateria a cabeça na parede por ter dado ouvidos a Ravi.
E aquele grande idiota nunca chegaria perto de sua filha.
Por causa dele, as coisas firam tensas.
E por causa dele, houve uma possibilidade de sua garota vir ao mundo com os pais separados sem uma razão real para que isso acontecesse, exceto a inveja alheia.
Bem, boa tentativa, Ravi, mas não.
Não nessa vida.
— Era só um pouco de pão e frango — Ela finalmente responde e boceja alto, seus olhos piscando lentamente contra a vontade de fecha-los — Me ajude a virar?
Edward não respondeu, mas afastou-se de suas costas e a ajudou a rolar para o outro lado, então ela enfiou as mãos no colchão e empurrou o corpo para cima, sentando-se apoiada nos travesseiros. O seu coração bateu tão forte que doeu quando ela virou na direção do advogado, os seus machucados ficando escuros e tomando formas.
Edward havia tomado um banho também, o seu cabelo estava uma bagunça úmida e bonitinha. Ele tinha manchas azuis e algumas roxas próximas às costelas e ela sabia disso porque o seu bonito torso estava nu pela falta de camisa. Como de costume, Edward vestia apenas uma calça, uma das favoritas dela – a que ele usava sem cueca e a deixava tão baixa que Isabella sabia disso só mesmo de olhar. Ela engoliu em seco, puxando seus olhos dali e tentando ignorar o calor se acumulando entre suas pernas. Seu homem não merecia sexo hoje, então precisaria controlar os seus hormônios.
Sim, culpe a gravidez.
A coceira entre as suas pernas não tem nada a ver com o quão bonito era o seu corpo e como malditamente bem ele o usava para satisfazê-la, muito menos ela sobre a sua curiosidade a respeito do pau dele estar ou não descansando livre ali.
Claro.
— Você parece como merda. — Ela brinca diante dos olhos quentes de Edward ao ver que estava sendo descaradamente verificado.
— Eu me sinto como merda. — Ele concorda com um sorriso brincando em seus lábios. Seu olhar desceu para o pescoço dela e parou por um momento em seu decote. Isabella sabia o que ele estava vendo. A sua camisola era bastante simples, mas o corte na parte superior deixava os seus peitos enormes em evidencia.
— Você vai acordar ainda pior amanhã.
— De alguma forma, eu duvido disso — Edward responde, seu sorriso se alargando como se ele soubesse de um segredo e ela não — Eu vi as coisas que você trouxe para casa. Vai parecer estranho que eu tenha aberto todos os shampoos e os cheirado como um viciado? Jesus, querida, produtos de bebês tem que ser uma das melhores coisas que eu já experimentei na minha vida.
Isabella ri, balançando um pouco para trás e apertando os olhos.
— Você desmaiaria se entrasse naquele loja, então — Ela sorri, lembrando da loja e então, seus olhos se arregalam — Ai, meu Deus, como será o cheiro da maternidade com todos aqueles bebês juntos e um ao lado do outro?
— Eu não sei, querida — Ele solta uma risada vendo como a mente da morena trabalha. Então, ele se inclina para frente e sua grande mão alcança o seu pescoço para puxa-la em sua direção — Mas nada, nunca, vai se comparar a você para mim.
E ele a beija.
Isabella geme com surpresa, mas não hesita em corresponde-lo. As mãos dela subiram para o cabelo arruivado, em seguida, Edward empurrou a língua para dentro e ao sentir seu gosto, fez um som rouco no fundo de sua garganta que deixou a calcinha dela praticamente inutilizável.
— O quarto está tão quente — Ela respira, os rostos quase colados e olhando para ele com as pálpebras tremendo — Em parte, somos nós, mas está realmente quente.
— Há velas acesas, babe — Edward responde com uma risada, então investe para frente e a beija novamente, agora rápido e profundo — Você não as notou?
Como poderia? Eu acordei e você estava seminu ao meu lado.
— Mas por que há velas? — Ela choraminga, ignorando a pergunta e empurrando-se para ele em busca de mais — Será que nós ficamos sem eletricidade?
— Bella — Ele ri novamente e encosta a testa na dela, seus ombros balançando com o riso silencioso. Quando ele a encara, seus olhos estão brilhando com divertimento e algo mais, então novamente o seu olhar cai para entre os seus peitos por um pequeno instante — Você é absurda, querida. Olhe ao redor.
Ela obedece.
Ela olha.
E o que vê a faz sugar o ar com tanta força, que ela se engasga.
— Edward?
Há velas espalhadas no chão e sobre os móveis, deixando o quarto claro e quase alaranjado, mas também há centenas de pétalas de rosas espalhadas desde a porta até a cama, então elas dão a volta para o outro lado e preenchem todo o piso. Algumas delas são brancas e outras vermelhas, de um tom profundo. Aos seus pés, descansa um buquê de tamanho médio que ela não tinha a menor ideia de como tinha conseguido passar despercebido até agora. Os caules foram bem aparados e estavam firmemente presos por um material tão branco quanto as próprias rosas.
Quando ele fez isso?
— O que... Jesus — Ela respirou e piscou várias vezes, tentando não se fazer de boba e começar a chorar — O que isso quer dizer? Por que...
— Você disse que queria flores.
A voz suave de Edward a atraiu e ele tinha aquele olhar compreensivo em seu rosto. Ela lembrou-se, então, do que disse após a discussão e sorriu, meio travessa.
— Esse é o pedido de desculpas? Porque eu lembro claramente q-
— Sim, eu sei — Edward a interrompe e se aproxima. Ele estende a mão e ela sorri, achando que será novamente puxada para um beijo de tirar o fôlego, mas franze o cenho quando ele toca a corrente em seu pescoço — Você disse que queria flores e joias. Agora que você tem ambos, acredita que o seu namorado estúpido está arrependido das coisas que fez? Agora você vai dizer sim para mim, Bella?
Então a ficha cai.
Ela não estava usando uma corrente antes.
Isabella deixa a sua cabeça cair para frente e assim faz o seu queixo quando ela se depara com uma delicada corrente que vai até o vale entre os seus seios e novamente, há lágrimas em seus olhos – agora em abundância – quando seus dedos trêmulos alcançam o falso pingente.
Falso, porque na verdade se tratava de um anel.
Um lindo anel.
Um anel de diamantes.
Um anel de noivado.
— Edward... — A voz dela é um sussurro tão leve que se Edward estivesse um pouco mais distante, não teria ouvido — Isso quer dizer que você... que você...
— Eu não estou te pedindo em casamento, Bella, apenas porque isso quer dizer que você pode recusar e não há a menor chance que estou aceitando um não como resposta — Ele explica casualmente, fazendo seus olhos aumentarem de tamanho com a sua franqueza — Isso pode parecer um pouco desesperado dado os últimos acontecimentos, mas eu quero que saiba que eu estive carregando isso comigo há um par de meses, esperando por um momento propicio para lhe dar — Edward estende a mão e alcança o anel equilibrado sobre os dedos dela. A pedra do diamante brilha encantadoramente ao refletir as chamas das velas — Eu não estou tentando prendê-la a mim por ter provado hoje que posso ser um idiota e fazê-la querer se afastar em um piscar de olhos, mas tentando lhe passar segurança. Você é a minha mulher e estamos tendo uma bebê. Isabella, eu tenho sonhado com isso por pouco mais de uma década e agora que tenho em minhas mãos, eu quero me certificar que você sempre saiba o quanto isso significa o mundo para mim.
— Haven e eu? — Ela pergunta timidamente, fungando enquanto lágrimas silenciosas escorrem pelo contorno do seu nariz e se acumulam embaixo do queixo.
— Haven e você, querida. A melhor coisa que já fiz em toda a minha vida — Ele afirma com um sorriso caloroso que faz seus braços doeram para abraça-lo — Eu tive um monte de tempo para pensar essa noite e percebi que estou longe de ser o homem que você precisa, mas eu sou egoísta e vou mantê-la mesmo assim, sob a promessa de continuar trabalhando a minha merda para aprender a ser melhor e digno da sua confiança. O episódio de hoje? Em breve será apenas uma das muitas lembranças que aprendemos a deixar no fundo da nossa mente porque o presente é muito mais interessante — Edward promete e ela se pega assentindo em concordância — Por favor, case-se comigo? Eu vou recompensá-la todo o maldito tempo que a vida nos fez perder e vou fazê-la feliz por todo o caminho. Eu juro.
Ele levanta o anel para mais perto do seu rosto, oferendo a ela.
— Você está pedindo ‘por favor’ para eu casar com você?
— Sim, mas não se preocupe. É apenas simbólico. Você vai se casar comigo.
Isabella dobra ligeiramente para frente e chora uma risada.
Quando se recupera, ela olha para ele com seus olhos cintilando com lágrimas frescas, mas sua felicidade está estampada por todo o seu rosto, em seu sorriso.
— Está tudo bem, Edward. Eu não estou insatisfeita. Concordei em vir para cá sabendo como você era e ciente de que nem tudo seria perfeito, embora você esteja muito perto disso — Ele amolece com isso e seus ombros cedem um pouco, fazendo a perceber pela primeira vez o quão ansioso estava — Eu aprecio muito, mas não preciso que mude qualquer coisa por mim.
— Mas eu vou — Ele promete novamente — É o que vocês merecem, mas só vão ter isso de mim porque, mais uma vez, eu sou egoísta e eu te amo profundamente.
Ela pisca. Duas vezes.
Ele sorri. Torto.
Ela ofega e chora.
— V-você... você me a-ma! — Ela grita e coloca as mãos sobre a boca, abafando o som. Edward continua sorrindo para ela, mas sente como se uma faca tivesse sido cravada profundamente no seu peito ao assistir sua reação àquelas três palavras. Isabella parecia tão feliz como se ele apenas tivesse dito que Papai Noel existia. Sim... muito tempo perdido. O que havia de errado com ele? — Você disse que me ama.
— É claro que eu te amo, minha menina. E sei que fui uma grande idiota ao-
— Sim! — Isabella interrompe com um novo grito.
— Sim, eu sou um grande idiota? — Ele pergunta lentamente, arqueando a sobrancelha com uma expressão de diversão no rosto.
— Não, Edward! — Ela rola seus olhos, rindo — Sim, eu vou me casar com você.
— Porra.
— Eu sei.
— Você vai se casar comigo.
— Eu vou.
— Diga isso de novo.
Isabella ri, parecendo uma garotinha, sua felicidade transbordando.
Porra.
— Eu vou me casar com você. Eu vou...
Ela é incapacitada de continuar a afirmar sua decisão quando olhar de Edward cai sobre a sua boca e assim como ímã, os dois vão na direção um do outro ao mesmo tempo e se encontram em um beijo caloroso no meio do caminho. Isabella gostaria simplesmente de se fundir a ele, mas a sua barriga não permitia que seus corpos se encaixassem da maneira como costumavam, mas isso não impediu o ruivo de tateá-la onde podia alcançar – em sua bunda, principalmente. Por alguma razão, eles não estavam indo fazer amor – ela podia sentir isso –, mas isso não o impedia tomar o que podia. Entretanto, Isabella não estava reclamando. Com o coração disparado em seu peito, ela segurou em seus ombros e aprofundou o mais recente beijo. Edward gemeu e se ele não tivesse vacilado para o lado, a morena teria continuado a mostrar o quanto apreciava que ele tivesse dito seus sentimentos por ela em alto e bom som, mas ao se afastar, percebeu que o lábio dele estava sangrando e com uma careta, ele pressionava o lugar para tentar estancar.
— Oh, querido, eu sinto muito — Ela se sentou de volta e viu o liquido vermelho se acumular — Espere um pouco.
Girando para o seu lado direito, Isabella se inclinou para o criado-mudo e puxou aberta a primeira gaveta. Seus olhos rapidamente encontraram uma caixa de lenços ainda lacrada, mas o seu trabalho em abri-la foi bastante ágil. Logo ela tinha se voltado para Edward e substituído o dedo dele por um amontoado de papel que lentamente começava a escurecer com o sangue. Assim não parecia doer, então ela sorriu para ele e recebeu uma piscada com o olho esquerdo de volta. Quando se deu por satisfeito, Edward levantou a mão para afasta-la, mas a visão a fez engasgar.
— Edward, o que aconteceu com a sua mão?
— Nada demais.
— Como nada? Onde é que você estava?
— Na rua, principalmente.
— Eu disse que não queria que você dirigisse!
— Sim, foi por isso que eu peguei um táxi — Ele deu de ombros e encarou as costas da mão. Havia cortes e sim, estavam machucadas, mas tinha sido um mal necessário e ele estava em paz com isso — Não é grande coisa, babe. Eu cuidei disso no banho. Você vê? Eu estou bem.
— Diga-me para onde você foi, Edward — Ela recolhe o lenço usado e insiste, cruzando os braços embaixo dos peitos. O olhar do advogado cai novamente ali, mas agora ela sabe que ele não está vendo seus peitos – ela falaria sobre isso mais tarde — Será que você voltou para o escritório?
Desde que ela se mudou para o apartamento, Edward não fazia mais visitas noturnas ao escritório, mas também não conseguia vê-lo vagando nas ruas por horas só para esfriar a cabeça. Eles estavam bem o suficiente quando ele se foi.
— Eu fui ver Ravi.
— Desculpe?
— Eu disse que fui ver Ravi — Ele repete, soltando um suspiro cansado em seguida — Depois que terminamos aqui e eu soube que ele tinha mentindo de propósito para me fazer brigar com você, percebi que não tinha sido duro o suficiente com ele. Agora Ravi sabe como eu me sinto sobre traição.
— Oh, Edward. Vocês conversaram?
— Se eu quisesse conversar, eu teria ligado para ele, Bella — O ruivo responde rispidamente, fazendo com que ela lhe desse um olhar feio. Castigado, Edward esfrega o rosto com as mãos e respira devagar — Eu queria colocar as minhas mãos nele e dizer que escolhia você e que ainda seria um filho da puta de sorte por ter experimentado tudo que Haven trouxe, sendo ela minha ou não. Eu lhe disse que tínhamos ficado bem porque baixei a minha bola, mas pedi... não, avisei, que ele não deveria aparecer por um tempo no escritório. Um longo tempo.
— E o que ele disse?
— Eu não sei. Foi difícil entende-lo quando ele tinha os dentes soltos na boca.
Isabella não podia se ajudar.
Ela o olhou por três segundos até que seus lábios tremeram e Edward sorriu, então ela se perdeu em uma gargalhada, o levando a rir com ela. Ela odiava que ele tenha tido uma decepção tão grande com uma amizade que foi forte por anos, mas ninguém ia culpa-la por gostar de ver Ravi colhendo os maus frutos que plantou.
— Então, você gostou?
Lá estava o grande sorriso novamente.
— Edward, é incrível — Ela sorriu para o anel, ansiando para colocá-lo. Trava-se de um anel de noivado muito clássico em ouro rosa, de pelo menos 20 K. O diamante solitário não era imenso como ela tinha certeza que Edward gostaria, mas de um tamanho acima do decente e ainda confortável de usar no dia a dia. Ele tinha pensado nela enquanto o escolhia — Mas por que você não colocou em mim?
— Tecnicamente, eu coloquei — Edward sorriu ao se referir a corrente que prendeu em seu pescoço enquanto ela dormia — As suas mãos estão um pouco inchadas e eu estou supondo que continuará assim até que Haven decida sair, então se acontecesse de o anel entrar, eventualmente ele iria começar a machuca-la.
— Oh! Entendi... ele está seguro aqui.
— E você continua noiva.
— Oh, querido Jesus, isso soa tão bem! — Ela cantarola, cobrindo o rosto com as mãos, sacudindo as pernas com animação e Edward ri.
Noiva! Ela mal conseguia acreditar nisso.
— Mas como eu estava dizendo... — Ele alonga a última palavra, captando seu interesse imediatamente. Isabella segue brincando com a aliança e roçando o polegar direito sobre a pedra – cada arranhão superficial lhe dando certeza de que era real — Eu gostei de tudo que vi lá embaixo. E também peguei as fotos.
— Rosalie as enviou.
— Sim, estavam no meu celular. Eu não fui capaz de vê-las antes de voltar para casa, mas você fez muito bem, babe. Os moveis são incríveis.
— Uh... obrigada. — Isabella morde o lábio, quente pelo elogio.
— Quando chegam?
— Amanhã à tarde. Você gostou do berço? O material é ótimo e o colchão parece bastante confortável. Eu estou esperando que isso a convença a dormir à noite.
— Sim, ele era muito bom — Edward ri junto, gostando de ver como ela recusa a deixar o anel ir, mas não podia culpa-la. Ele mesmo mal podia esperar para vê-lo brilhando em seu dedo anelar – o quanto antes era melhor — A primeira impressão que tive foi de que ele era um pouco grande demais, mas lembro da minha mãe dizer que os bebês crescem muito rápido, então é bom que ela tenha mais espaço.
— Eles fazem — Ela balança a cabeça lentamente em concordância — Eu estava um pouco insegura sobre escolher tudo sozinha. Havia tanta coisa para comprar, Edward! Você viu as toalhas? A sua mãe disse que podíamos mandar bordar o nome de Haven em todas elas. E sobre as cortinas? Eu espero que combinem com...
— Sim, amor, agora sobre isso... eu tenho outra surpresa para você. — Ele interrompe e os olhos dela, cansados horas atrás, brilharam com entusiasmo.
— Oh! Você tem? Mais joias?
— Não — Ele ri, estreitando os olhos. Esse pequeno aro pendurado em seu pescoço o tinha deixado significantemente mais pobre e ela queria mais? Espertinha — Nada de joias por enquanto, mas eu tenho certeza que você vai gostar. Vamos?
— Temos que sair?
Edward não respondeu e se empurrou para fora da cama, se colocando ao lado para ajudá-la a sair, como de costume. Não demorou, provavelmente porque Isabella não ficou constrangida ao se rebolar inteira para fora, ansiosa demais para conseguir o próximo mimo.
Talvez ele devesse ter deixado para amanhã.
Agora ela vai esperar esses tipos de coisa quando ele fizesse merda.
O que não seria tão raramente como gostaria.
Bem, inferno, a quem ele estava enganando?
Errado ou não, Edward lhe daria o que ela pedisse. Joias e o cacete.
— Aonde estamos indo? — Ela pergunta em um tom agudo, toda manhosa.
— Calma.
Pegando em sua mão, ele entrelaçou os dedos nos dela antes de arrasta-la dali. Eles seguiram pelo longo corredor, mas não foram até o final. Edward parou diante de uma pequena mesa onde um bonito vaso decorativo descansava. A morena assistiu com curiosidade enquanto ele deslocava o objeto e uma chave surgia embaixo, um pouco empoeirada. Sorrindo, ele a pega rapidamente e volta a andar com Isabella até que eles param em frente a uma porta.
A de um dos quartos de hospedes.
A do quarto de Haven, especificamente.
— Edward Cullen, o que foi que você fez? — Ela questiona com um sorriso assustado que é recebido com outro ainda maior. Ele sabia que Isabella desconfiaria rapidamente, mas estava feliz por conseguir manter isso escondido pelo último mês.
— Por favor, babe — Ele pede, colocando a chave em seu lugar, girando e ouvindo o clique da porta sendo destrancada. Edward vira para a sua noiva e acena para o quarto com a cabeça — Faça as honras. Eu vou estar bem atrás de você.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ele não precisou pedir duas vezes.
Isabella o jogou para o lado com o quadril e empurrou a porta aberta.
Estava escuro, mas ela tateou a parede à esquerda e atingiu o interruptor.
As luzes acenderam imediatamente, mostrando as mudanças que Edward tinha feito no quarto sem o seu conhecimento e para a sua surpresa... estava tão lindo.
— Oh, meu Deus — Ela sussurra, tocando a boca com os dedos quando sente seu lábio inferior começar a tremer e seus olhos nublam — É tão bonito, Edward!
As paredes que uma vez estavam em bege, agora foram pintadas de lilás e amarelo pastel – três escuras e uma clara. As cores foram escolhidas com cuidado, pois eram leves, mas marcantes e ainda parecia um quarto de criança. O piso havia sido quase completamente coberto por um carpete branco. Pendurados ao lado da janela na única parede amarela, estavam pequenos quadros ilustrados por cupcakes com o fundo roxo e na parede lilás do seu lado direito, havia duas luminárias infantis com desenhos sutis e pequenos de flores. No centro dela, estava o nome de Haven escrito em letras grandes – divertidas, mas elegantes. Algo que você encontraria na fachada de uma confeitaria de luxo e Isabella absolutamente adorou.
— Você gostou? Se não, ainda é cedo. Podemos mudar alguma coisa que...
— Não! — Ela grita e se vira, ficando de frente para ele. Edward se aproxima e segura o seu bonito rosto, usando os dedos para limpar as lágrimas — Está tudo perfeito. Eu adoro as cores e os doces. Como é que você... oh, sua coisinha sorrateira! — Isabella ri e o atinge no peito com o um soco, fazendo ele se encolher ao gritar “ai” — Eu sabia que a sua mãe tinha vindo por uma razão! Você a mandou para ter certeza que eu não apareceria em casa com coisas azuis ou verdes, não é?
— Sim, babe, eu confio em você, mas não podia arriscar.
— Você deveria ter me contado! Oh, mas eu te amo. Deus, eu te amo. Obrigada!
Edward riu, sem nenhuma vergonha de ter designado Esme à missão de compras com Isabella, embora Alice tenha insistido muito, uma vez que foi a única a ajuda-lo com a preparação do quarto. Ela achou doce a sua ideia de juntar as cores favoritas dos dois para tornar o cômodo alegre e convidativo para Haven. Eles tinham trabalhando juntos até altas horas da noite, nos dias em que Edward estava exausto demais para dirigir até Bella e resolvia voltar para o apartamento. Agora, com as imagens que sua cunhada havia lhe enviado, ele podia imaginar tudo em seu lugar – o berço montado embaixo do nome de sua menina. A poltrona de costas para a janela, mas um pouco inclinada para que as garotas pudessem aproveitar a vista. O trocador de fraldas do outro lado de quarto, uma luminária de chão entre ele a pequena estante de livros... as imagens não paravam de saltar em sua mente.
— Eu achei que se a sua fome por açúcar era um indicador sobre o quão doce Haven seria, ela gostaria de algo assim — Ele explica ao se aproximar de suas costas, enquanto Isabella tem a cabeça inclinada para cima ao examinar o ventilador de teto cujas hélices eram brancas, mas a parte da lâmpada era coberta pelas mesmas flores que estavam nas luminárias das paredes — Parece bom?
— Parede incrível — Ela responde, girando em seus braços para ficar de frente para Edward — Nossa, eu preciso admitir... você sabe como pedir desculpas.
— Estou feliz em agradar.
Isabella ri.
— Esse tem que ter sido um dos dias mais loucos das nossas vidas.
— E um dos melhores — Ele afirma, tocando a pele enrugada em sua testa quando ela franze, adoravelmente confusa — Sim, tive um dia de merda e perdi alguém hoje, mas no final das contas... ganhei algo ainda melhor. Eu não estou em condições de reclamar, estou? — A pergunta é retórica, pois, assim que termina, ele se inclina para frente e a toma em um beijo doce e cheio de significado.
— Isso é o que eu chamo de dar a volta por cima — Ela pisca um olho.
— Graças a você, babe. Essa noite só está acabando bem, porque você decidiu nos dar um final feliz — Ele afirma, segurando em seu rosto com carinho, olhando profundamente em seus olhos quando encosta a testa na dela — Eu estaria perdido sem você, sabe disso, não é? Você é sábia quando eu sou estúpido e forte, quando eu fraquejo. Então eu preciso disso – de você, Isabella Swan. Tanto. Eu espero estar mostrando isso direito, mas tenha certeza que eu sou grato por você me ver por trás das marcas. Eu admito: às vezes, não vai ser fácil, porque por muito tempo eu me afundei no trabalho para não lidar com os meus problemas e voltar para aquele lugar terrível e agora vejo como é fácil chegar lá. Eu estive nele hoje. Eu culpei você por me colocar lá novamente, porque eu não estaria sentindo... tudo, se não tivesse te deixado entrar, em primeiro lugar. Eu estaria bem e vazio, mas desde que tenho você e Haven, me sinto transbordando o tempo todo — Ele solta uma risada áspera, passando os olhos pelo quarto — Então eu vou trabalhar nisso por você, porque porra, se isso não é amor, eu não sei o que é.
— Querido, obrigada... eu também te amo!
— Eu sei. Eu vejo — Ele sussurra contra seus lábios e abre os olhos para ver os dela cheios de lágrima, quase transbordando — Ei, não chore.
— Eu senti falta disso, Edward — Mais uma vez, ele amaldiçoou em silêncio por ter alimentado o seu medo por tanto tempo, mas também agradece por não o ter feito quando era tarde demais — Diga de novo?
— Eu te amo — Ele repete — Só você, minha menina.
Isabella sorri e fecha os olhos, perdendo o controle das lágrimas.
— Tudo está perfeito.
— Você ouviu isso, querida? — Edward sorri, adoça a voz ao falar com a sua filha e coloca ambas as mãos sobre o estômago da morena e sente um movimento sutil — A mamãe disse que tudo está perfeito. Exceto que você ainda não está aqui.
Haven, então chuta, fazendo Isabella gemer e Edward sentir o impacto em sua palma.
— O que foi isso? — Ele pergunta, os lábios tremendo para rir.
— Isso é ela dizendo para não apressa-la. Haven estará aqui quando for a hora.
E por isso, ele mal podia esperar.
— Ok, amor, você precisa me levar para o nosso quarto agora.
— Por que? — Ele a segura — O que você vai fazer?
— Nós tivemos uma briga, então fizemos as pazes, você me pediu em casamento, fez o meu coração doer de um jeito bom e há pétalas na minha cama — Ela olha para o advogado como se ele tivesse algum problema — O que você acha que eu vou fazer quando chegar lá, Edward?
— Jesus, eu te amo.
— Sim? Então me mostre.
Foda-se.
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