Erros de Sempre
23 Capítulo 22
Notas iniciais
Isabella viu as portas de vidro do hospital deslizarem para os lados assim que ela alcançou o grande tapete com “Group Swedish Care” em letras vermelhas e maiúsculas sobre ele. O lugar era menor do que todos os outros em que ela já esteve em toda a sua vida, mas ainda era grande e havia muitos funcionários atenciosos e preocupados espalhados ao redor. Esse pequeno tumulto na recepção chamou sua atenção e foi impossível desviar o olhar das duas senhoras por trás do balcão, que pareciam estressadas e em seus limites, enquanto fazia o seu caminho para os quartos. Ambas estavam lidando com os telefones tocando e com o grupo de pessoas exaltadas que exigiam novas informações sobre um determinado paciente.
Parecia exaustivo só de olhar.
Agradecendo por não precisar parar, pois, sabia exatamente para onde ir, ela seguiu para a direita, faz uma pequena curva e percorreu o longo corredor silencioso – sorrindo e acenando para alguns dos seguranças que encontrava. Isabella ergueu o pulso e verificou a hora no relógio. Ela havia perdido preciosos dez minutos do horário de visita, mas faria funcionar, como sempre. Um familiar enfermeiro saindo de um dos quartos, olhou-a de cima à baixo e hesitou por um instante, antes de segurar a porta para deixa-la passar, uma vez que ambas as suas mãos estavam segurando duas sacolas e uma mochila parecendo cheia.
Ela agradeceu e olhando rapidamente para o banco vazio ao lado da porta, Isabella balançou a cabeça para os lados em reprovação antes de entrar.
— Você veio.
Sorrindo diante da voz tímida da mulher, a morena se aproximou da pequena mesa com duas cadeiras no canto do quarto. Ela suspirou quando estabeleceu as coisas e livrou-se do sobretudo que a protegia do frio congelante que estava fazendo lá fora.
— Eu prometi que viria — A morena responde, virando-se para Chelsea — Liguei mais cedo e falei com a sua médica. Você estará recebendo alta depois de amanhã bem cedo, então imaginei que fosse precisar de roupas e outras bobagens. Eu trouxe tudo comigo.
— Nossa, isso é ótimo — Chelsea sussurra, seus olhos curiosos, mas tristes, indo para as sacolas sobre a mesa — Obrigada, Isabella. Você já fez tanto por mim.
— São só algumas coisas usadas — Ela dá de ombros, pensando sobre todas as peças que retirou do seu guarda-roupa, mas que Edward a convenceu a doa-las, pois, não havia uma chance no inferno dela caber naquelas calças e blusas tão cedo — Eu espero que não se importe, mas joguei as suas roupas velhas no lixo porque estavam inutilizáveis. Infelizmente, eu não tive como ir às compras hoje, mas as calcinhas e sutiãs embalados são novos. Não devem ser bonitos, porque Alex escolheu o pacote com uma dúzia de peças sortidas, mas eu acho que servirão.
Chelsea ri e aquilo é bem-vindo aos ouvidos de Isabella, sendo o som tão raro.
— É claro que sim. Está tudo bem. Tenho certeza que qualquer coisa que esteja aí, é melhor do que os trapos que eu estava vestindo — Ela concorda, colocando uma mecha de cabelo castanho arruivado atrás da orelha. Sentada à cama do hospital onde foi internada na semana passada, Chelsea tem uma cor rosada nas bochechas e as olheiras fundas estavam desaparecendo. Os olhos também estavam mais brilhantes, seu aspecto era saudável e até era perceptível que havia ganhado peso — O Sr. Cullen sabe que você está aqui?
Isabella rola os olhos com a menção do namorado.
Edward não gosta que ela fique muito tempo fora de casa ou esteja frequentemente no Swedish Care, por isso, procura resolver tudo sem a sua presença, mas não tem sido capaz de evitar que Isabella visite Chelsea. As duas haviam se tornado amigas e ele não podia ir contra o seu argumento de que era simplesmente deprimente estar trancada em um quarto de hospital, quando não se tinha mais ninguém no mundo. Tendo ouvido em primeira mão o estado da mulher quando a encontraram na rodoviária, negociando com um traficante menor de idade, uma maneira de obter dinheiro para deixar a cidade, Edward a colocou em um hospital onde tinha um contato de sua confiança e apresentou documentos falsos e temporários para que a localização dela não fosse vazada para um dos homens que a estavam procurando.
Chelsea chorou como um bebê quando Alex, um negro alto, de ombros largos e cabelos quase raspados, a colocou em um carro e dirigiu para longe da rua movimentada. Ela tinha certeza de que ele era um dos homens de Jackson e que ele finalmente ia tê-la, mas estava fraca e doente demais para lutar contra. Alex, o sujeito contratado por Edward, recebeu ordens para leva-la diretamente para o GSC para que Chelsea pudesse receber todos os cuidados médicos mais urgentes e ele ainda ficou encarregado de vigiar o lado de fora do quarto para que ninguém suspeito entrasse. Edward achava desnecessário e gostaria de se poupar do trabalho de explicar isso para a direção do lugar, mas Isabella insistiu, afirmando ter assistido filmes onde coisas ruins aconteciam quando se eram descuidados e para a surpresa do advogado, Alex parecia muito satisfeito com sua nova função.
O casal preferiu ignorar aquilo.
— É claro que ele sabe — Isabella ri — Eu vim de casa em um táxi e aceitei que ele viesse mais tarde para me levar de volta. Nós vamos jantar com alguns amigos.
— Oh, isso é bom — Ela sorri e olha para baixo, começando a brincar com as unhas recém cortadas na borda do lençol — Só Deus sabe o que eu faria para ser capaz de devorar um grande hambúrguer agora...
— Eu pensei que você fosse vegetariana? — A morena pergunta, estreitando os olhos, enquanto se aproxima e se senta no final da cama de solteiro.
— Eu era, mas quando se está com fome, ser exigente não é uma opção.
Um pouco sem jeito, Isabella engole em seco, desviando o olhar para a janela do corredor, onde ela observa através das persianas, a figura de um homem passando.
— Eu imagino — Ela mente, porque não faz ideia do que é estar no lugar de Chelsea – alguém que perdeu o trabalho, a casa, tudo – e ainda passar fome. Isabella estava apenas muito feliz que essa situação era passado — Me desculpe.
— Está tudo bem. Graças a vocês, — A ruiva enfatiza, segurando a mão de Isabella bem apertado e olhando em seus olhos — Eu estou tendo um recomeço.
Apesar de ter acordado em torno de médicos e profissionais sérios, Chelsea não confiou facilmente nos dois, pois não os conhecia e ninguém, há muito tempo, não estendia a mão para ela sem esperar algo em troca. Ela ouviu, chocada, o relato de Isabella sobre a noite de Halloween e o medo em sua voz tirou suas dúvidas sobre ambos estarem do lado de Jackson, mas seu cérebro se recusava a acreditar que o casal estava disposto a ajudá-la a se reerguer – começando por protege-la daquele homem asqueroso.
— Tem certeza que vai ficar bem na casa da tia do Alex?
— Eu tenho, sim. — Chelsea sorri, porque não imagina estar mais segura do que na presença do homem que vem assistindo seus movimentos há dias.
Quando presenciou a discussão sobre para onde movê-la quando estivesse deixando o hospital, ele gentilmente se ofereceu para leva-la até a casa de sua tia-avó materna. Além de viver em Edmonds – uma cidade a meia hora de distância de Seattle, a velha senhora mora sozinha desde o falecimento do segundo marido e Alex poderia manter um olho sobre ela o tempo todo. Isabella, preocupada com a amiga, desaprovou o arranjo. Ela não sabia quais as intenções de Alex em manter Chelsea tão próxima, mas não deixaria que outro homem se aproveitasse dela enquanto pudesse evitar. Edward tomou seu tempo para explicar que Alex estava sendo pago para cuidar de Chelsea até que tudo fosse resolvido e seria mais fácil para ambos sumir por um tempo. Assim, os homens de Jackson poderiam ser levados a acreditar que ela tinha mesmo conseguido sair da cidade.
— Está certo, mas certifique-se de estar sempre com o celular carregado para que possamos manter você informada do que está acontecendo por aqui — Isabella pede, apertando a mão de Chelsea de volta. A mulher estava ciente de que seu namorado estava coletando informações e provas contra Jackson para tê-lo finalmente respondendo à justiça por alguns de seus crimes — E eu também quero receber notícias suas, é claro. Apenas... descanse. Nós cuidamos do resto, ok?
— Ok.
Chelsea se inclina para frente ao mesmo tempo em que Isabella se aproxima e beija a sua testa. A ruiva encosta o rosto na altura do peito dela e ouve as batidas do seu coração enquanto aceita de bom grado os braços em volta dos seus ombros. Com a gravidez avançando, Isabella se sente extremamente maternal e tem bancado a ‘mãezona’ de todo mundo, incluindo Chelsea. É claro que a mulher, assim como ela própria, não se sente à vontade ao ser sustentada por terceiros, mas como realmente não havia outra alternativa, Edward levantou a possibilidade de tê-la trabalhando para ele quando tudo isso acabar e se for do seu desejo, ela poderia pagar-lhe de volta apenas o que ele gastou com as contas médicas.
Não parecia justo, mas ela aceitou.
Na mesma noite em que encontraram Chelsea, desidratada, gripada e severamente anêmica, Isabella ficou sabendo que ela esteve escondida praticamente por todo o mês de dezembro na casa de um primo de segundo grau. Também desempregado, o homem cedeu-lhe seu sofá por algumas semanas, mas logo começou a fazer pedidos... inapropriados, e ameaçar coloca-la na rua, caso suas propostas fossem recusadas. Ela conseguiu se esquivar e evita-lo por algum tempo, mas quando em uma determinada noite, ele contou-lhe sobre um senhor ter aparecido fazendo perguntas e oferecendo dinheiro, ela percebeu que era a hora de fugir de uma vez por todas.
Agora Chelsea estava quase completamente recuperada e havia se tornado Veronica Ranson – o nome que Alex teria tido, se viesse como uma garota, segundo seus pais. Eles gostaram da brincadeira e ao compartilhar o sobrenome como família, tornaria mais fácil para explicar a presença dela na propriedade dos Ranson.
E como se ouvisse o seu nome ser chamado...
— Ei, eu não vi você chegar — Alex resmunga ao entrar no quarto, fazendo as duas se separarem para olha-lo. Chelsea, com alegria e Isabella, com aborrecimento — O que está acontecendo?
— Claramente nada está acontecendo, Alex — A morena revira os olhos, fazendo a ruiva rir e com o som descontraído, ele relaxa imediatamente e seu olhar fica suave ao cair sobre Chelsea — Essas coisas em cima da mesa são dela. Tenha tudo arrumado antes de leva-la embora. Eu não acho que vou poder estar aqui para me despedir, então... tenha cuidado ao deixar o hospital.
— Você não precisa dizer — Ele rosna, mostrando seu desagrado. Alex não se importa se ela é a mulher do seu atual patrão, ele simplesmente odeia que questionem suas ações. Trabalhando com segurança há 12 anos, ele não costuma falhar — Sei muito bem o que estou fazendo e não preciso de recomendações.
— Mas você trabalha...
— Para o seu namorado — Alex interrompe, seu rosto sério e frio, não demonstrando qualquer emoção — Você não o vê na minha bunda o tempo todo, certo? Isso porque ele confia em mim. Chelsea está em boas mãos, Srta. Swan.
Pelo dinheiro que você vale, é bom que esteja, ela pensa.
— Está bem, mas o que eu quis dizer antes de você me interromper, — Ela alfineta, levantando uma sobrancelha escura para o seu olhar estreito — É que esta é a primeira vez de Chelsea lá fora depois tudo o que ela passou. Uma pessoa não é só físico, mas também psicológico, Alex — O homem toma uma longa respiração, fecha os olhos por um instante e depois os abre para assentir em compreensão — Tenha certeza de ir devagar com ela e não hesite em me chamar. Estaremos lá.
— Você está prestes a dar à luz — Ele argumenta, sua carranca voltando. Manter Chelsea fora de perigo pelas próximas semanas o ocuparia o suficiente. Ele não teria tempo para se preocupar com o traseiro enxerido de Isabella — Deixe tudo nas mãos do Sr. Cullen e fique fora disso. Ela não é mais sua responsabilidade. É minha.
— Eu ainda tenho algum tempo, Alex. E ela...
— Ela está bem aqui! — Chelsea ironiza, interrompendo. Olha para os dois na disputa de ‘quem manda mais’ e rola os olhos para dissipar a vontade de sorrir. Honestamente, ela nunca tinha vivido nada parecido com isso antes. Pessoas se importando com ela? Tentando mantê-la segura? Disputando? Embora soubesse que Alex estava sendo pago para isso, sua superproteção deixava evidente que ele havia se apegado a ela. Chelsea não havia feito promessas ou lhe dado esperanças sobre um possível envolvimento. Depois do pesadelo em que sua vida se transformou ao conhecer Jackson, a última coisa que ela precisa é de um homem. Dividir uma casa com Alex já seria um grande desafio — Eu sou uma pessoa adulta e não uma criança traumatizada, pessoal. Eu aprecio muito todo o cuidado que estão tendo comigo, mas não vai ser necessário que tomem todas as decisões por mim. Eu vou deixá-los saber se algo estiver errado.
— É claro que vai — Isabella concorda, com uma ponta de orgulho, mas abraça a sua barriga inchada. Ela gostaria que sua filha tivesse a força que Chelsea possui, mas preferia morrer a deixa-la passar por algo remotamente parecido com o que a amiga viveu — Se você passar o dia bem amanhã, poderá sair bem cedo no dia seguinte. Há um transporte pronto esperando?
Ele pigarreia.
— Eu vou ter um amigo pegando a caminhonete na revisão mais tarde.
— Excelente — Ela concorda novamente, balançando a cabeça em aprovação. Alex tem sempre tudo sobre controle. É quase irritante o quanto o homem é eficiente — Aqueles caras ainda estão procurando por ela?
Alex para, incerto sobre compartilhar algo com Isabella.
Ela lê a incerteza em seus olhos.
— Você sabe que vou arrancar isso dele mais cedo ou mais tarde. — Ela encolhe os ombros e sim, ele sabia.
Uma semana foi tempo o suficiente para que ficasse óbvio que Edward não escondia as coisas da namorada. A relação deles parecia sólida e era toda sobre honestidade. Embora Isabella não gostasse de tudo que saia da sua boca, o advogado não media as palavras e lhe dava o que ela queria.
A verdade nua e crua.
— Interrompo?
Alex não precisou dizer-lhe coisa alguma, pois o sorriso que Isabella abriu ao ouvir a voz de Edward vinda do espaço aberto pela porta do quarto, mostrou-lhe que o assunto já tinha sido colocado para trás. Ele moveu-se para a direita, deixando seu chefe visível para as mulheres e o cumprimentou com um aceno respeitoso de cabeça que quase não foi respondido, pois, o homem só tinha olhos para jovem de cabelos escuros e muito gravida. O vestido que ela usava ia até os joelhos, tinha mangas que tocavam seus cotovelos e a iria fazer parecer recatada, se ele não estivesse colado em cada curva do seu bonito corpo. Parecia estranho para Alex que uma mulher inchada e carregando uma criança pudesse ser sensual, mas esta era a palavra certa para descrever Isabella essa noite. Ela havia se produzido para o seu homem, mas sua beleza natural estava ali na ausência da maquiagem em excesso e sua barriga perfeitamente redonda a deixava adorável. Ela poderia ser desconfiada e uma dor em sua bunda na maioria das vezes, mas era linda e o Sr. Cullen, era definitivamente um homem de sorte.
— Olá, Edward — Chelsea cumprimenta o advogado com entusiasmo. Ela solta a mão de Isabella que se remexe para sair da cama e com um sorriso, o assiste alcança-la em um abraço no meio do caminho — Estávamos apenas discutindo sobre a minha saída. Eu estou animada sobre finalmente deixar esse lugar.
— Bom, porque já temos tudo pronto para isso — Ele afirma, beijando o topo da cabeça de Isabella que está em seus braços, mas de costas para ele — Se tudo sair como o planejado, você não vai precisar ficar muito tempo fora. Nós conseguimos algo de concreto e temos provas para que a polícia sequer hesite sobre iniciar uma investigação sobre as atividades de Jackson.
— Sério? — Isabella pergunta com um gritinho e salta para cima, quase atingindo o queixo de Edward. Mas ao invés de ficar com raiva, ele a gira e rouba-lhe um beijo rápido, mas profundo, a deixando confusa — Huh... bem, isso é algo a ser comemorado, certo? Em breve o teremos na cadeia de uma vez! Chelsea?
— Eu ouvi — A ruiva sussurra, as lágrimas engrossando sua garganta. Seu peito doía por saber que nunca seria capaz de agradecer aos dois o suficiente por fazer justiça por ela — Mas só estarei pronta para celebrar quando ganhar a minha liberdade de volta. Quando os canais de TV estiverem estampando seu rosto, mostrando ao país o quão sujo ele é. As pessoas vão finalmente me olhar com compreensão quando eu lhes disser sobre suas perversidades, e não com pena.
— Elas vão entender, querida — Isabella murmura e os punhos de Alex se fechando enquanto ele assiste Chelsea engolir, chamam sua atenção — Mas ei, você não vai ter que se preocupar com ninguém quando estiver trabalhando para o Edward. Eu sei que ele vai chutar as bundas de quem que insinuar alguma coisa.
Com isso, todos riem e o clima fica mais leve.
— Eu não posso simplesmente chutar as pessoas por aí, babe — Edward responde com um falso tom de decepção na voz e a abraça pelos ombros — Eu sou apenas um advogado.
— Vamos, você não estaria fazendo tudo isso se fosse um simples advogado, Edward, mas modéstia combina com você. — Chelsea retruca, piscando para ele.
— Exatamente. E você ainda pode ameaçá-los! — Isabella retruca, atingindo seu abdômen com as costas da mão, mas ao sentir o quão duro ele estava por baixo da camisa, seus pensamentos tomam outro rumo e de repente, ela se vê com pressa para sair — Hum. Eu acho que deveríamos ir. Suponho que você nos reservou uma mesa?
— Sim, eu fiz e já devem estar nos esperando — Ele puxa a manga do paletó e encara o relógio por um tempo, antes de amaldiçoar — Se não formos agora, nós vamos nos atrasar.
Ela solta um risinho.
Alice costumava fazer pedidos extravagantes para Edward pagar, na tentativa de puni-lo por seus atrasos – que eram mínimos, mas ela não se importava que não fossem propositais e que ele tivesse uma boa justificativa. Isabella apenas esperava que Jasper a mantivesse sob controle até que pudessem alcança-los no restaurante.
— Caramba, eu vou sentir sua falta — Ela murmura, apertando Chelsea em um novo abraço — Tem certeza que não posso vir vê-la amanhã? Talvez pudéssemos cortar o seu cabelo e...
— Isso não é necessário, Bella — Edward briga, sabendo que a pergunta foi para ele — Chelsea não é uma fugitiva da lei. Você precisa parar de ler seus livros de suspense, querida. Só estamos movendo-a para fora de Seattle por precaução e não porque esses homens estão respirando em nossas nucas. Está tudo bem.
— Que seja — Ela resmunga, fazendo uma careta que tem a ruiva rindo do pequeno estresse — Você se lembre do que eu te disse. Pode me ligar a qualquer momento.
— Menos à noite — Edward afirma, enrolando um braço na cintura de Isabella e puxando-a para longe de sua amiga — À noite, elas são completamente minhas.
Isabella quase derrete sobre seus pés ao senti-lo envolver sua barriga. Como de praxe, sua garotinha moveu-se para concordar com o papai e chuta próximo ao seu umbigo, a fazendo soltar um gemidinho. Embora adorasse cada movimento de sua filha, não era fácil se acostumar com alguém se movendo e lhe esticando. Enquanto Elena parecia entediada, Alice gritou na primeira vez que viu uma ondulação em seu estômago protuberante e saiu murmurando coisas sobre aliens e histerectomia.
— Com licença? — Uma quinta e desconhecida voz se faz presente e vários pares de olhos encaram a porta, onde uma enfermeira robusta sorri com educação — Eu sinto muito, mas o horário de visita acabou. Eu preciso que desocupem o quarto.
— É claro — Alex concorda, acenando para a mulher que sorri um pouco mais aberto após checa-lo não tão sutilmente quanto parecia querer — Sr. Cullen, enquanto as meninas se despedem, eu posso ter uma palavra lá fora?
— Sim, vamos. Hum, Isabella? — Edward chama a namorada e ela o olha por cima do ombro — Vou espera-la na recepção. Por favor, não demore.
— Eu não vou.
Ele a olha e então, sorri para Chelsea.
— Faça uma viagem segura, Veronica — Ele deseja, vendo um flash de surpresa em seus olhos, mas rapidamente ela percebe que a enfermeira segura a porta por onde Alex tinha passado e compreende — Você terá notícias nossas em breve.
— Obrigada, Edward.
Dando mais uma olhada para a morena, ele deixa o quarto e as duas ficam sozinhas novamente.
— Então, Veronica — Isabella ri com ela — Descanse e tente, eu sei que é difícil, mas tente esquecer as coisas que aconteceram nos últimos meses. Isso agora é passado e você estará segura com Alex. Eu não acho que a tia dele será um problema...
— Eu também não.
— Pois bem. Considere isso como suas merecidas férias. Você precisa se lembrar de como a vida normal é — Ela acaricia o rosto da ruiva com um cuidado, mas seu sorriso é triste — E você ouviu o homem. Em breve teremos aquele desgraçado na cadeia.
— Deus, eu espero que sim — Ela suspira e levanta a mão para o pescoço, acariciando toda a área como se sentisse sufocada — É horrível que eu tenha que ficar presa quando ele foi o único a cruzar todos os limites.
— É muito injusto, querida, mas acredite em mim, ele vai ser punido — Isabella promete com um suspiro. Embora fosse impossível conseguir provas de que Jackson a tinha estuprado, ela tinha certeza de que Harold acreditaria na palavra dela e da vítima, principalmente quando o irmão estivesse sendo acusado de alguns dos seus demais crimes. Ele não o perdoará nem moverá um dedo para ajuda-lo, tinha certeza — Lembre-se, eu estou a uma ligação de distância.
— Sim, muito obrigada, Bella — Agarrando a morena em um forte abraço, Chelsea soluça em suas costas — Eu não tenho ideia do que teria acontecido, se vocês dois não tivessem vindo por mim. Eu... — Ela funga e se afasta para limpar o nariz. Isabella tem os olhos cheios de lágrimas e seus hormônios estão fazendo festa — Vou dar um jeito de retribuir tudo, ok? Mas uma coisa é certa: você sempre poderá contar comigo. E é claro... isso se estende a essa adorável garotinha aqui.
Isabella sorri tocando a barriga.
Ela também tinha certeza de que Chelsea conheceria sua filha e seria parte de sua vida. Ela havia tido um ano abençoado com segundas chances e estava mais do que empolgada em presenciar a sua nova amiga tendo a dela.
As mulheres continuaram conversando, fazendo planos e recomendando coisas uma para a outra, até que Isabella salta ao ouvir passos do lado de fora. Ela se despede de Chelsea com pressa e corre para fora do quarto, suspirando de alivio ao ver o rosto irritado da enfermeira. Era apenas mais agradável enfrentar isso do que aguentar os sermões de Edward ou receber os olhares zangados de Alex.
*********
— Vocês estão atrasados — Alice acusa assim que os vê se aproximando da mesa, ocupada apenas por ela e seu namorado, mas a visão dos vários pequenos pratos e taças lhe diriam outra coisa — É o aniversário de Jasper, pelo amor de Deus. Custa mostrar um pouco de respeito e chegar no horário combinado?
Jasper bufa uma risada, claramente não se importando e beija o ombro da companheira, tentando fazê-la se acalmar – funciona. Ela vira, sorri e relaxa.
— Não é o aniversário dele, Alice, só estamos celebrando hoje — Isabella corrige. A data certa é dia 15 de janeiro, mas Jasper esteve muito atarefado para ceder aos apelos de sua namorada sobre organizar uma festa, então tiveram que se conformar com um jantar de comemoração, alguns dias depois — Você deveria ficar contente que seu irmão decidiu nos trazer para cá. Jasper detesta ter esse tipo de despesa e ele não pagaria por um lugar assim só porque ele está um ano mais velho.
Edward ri, balançando a cabeça para os lados e puxa uma cadeira para Isabella se sentar. Ela o faz com cuidado, levanta a cabeça para sorrir um agradecimento, o observando acomodar-se ao lado e receber o garçom de Alice à sua direita.
Isabella usa o momento para olhar ao redor e apreciar o interior do restaurante. Era um desses difíceis de conseguir reserva, então ela quase entendia a empolgação de Alice. A decoração era simples, mas sofisticada. Muita madeira, tons escuros, tons claros e pisca-piscas pendurados – muito sutis. Grandes prateleiras ocupam as paredes à sua direita do chão até o teto, armazenando garrafas e mais garrafas de vinho e espumante. Ela gosta da atmosfera. Infelizmente, as mesas são próximas demais umas das outras, mas as pessoas são calmas e estão muito envolvidas em seus próprios jantares para prestarem atenção no grupo ao lado, o que torna a situação mais confortável.
— Bem, isso é verdade. Jesus, querido, você é um verdadeiro mão de vaca.
— Ei, eu não sou — Jasper estreita os olhos para os outros dois quando nenhum discorda de Alice e apenas observam — Eu não sou! Aniversários nunca foram grande coisa para mim e isso é tudo. Por que gastar o meu salário em um lugar como esse, quando posso pedir minha comida favorita e descansar na minha casa?
— Pare de agir como se você fosse pobre, pelo amor de Deus — Alice geme, cobrindo o rosto com as mãos — Você é médico e trabalha em um ótimo lugar. Já quitou a sua casa e não tem um carro. Você, inclusive, tem um padrasto bilionário! Quantas pessoas podem se dar ao luxo de dizer a mesma coisa? Apenas admita.
— Você disse certo, eu tenho um padrasto que é bilionário — Jasper enfatiza cada palavra para fazer o seu ponto — Não que seja da sua conta, mas depois que o meu pai morreu, nós precisávamos de dinheiro o tempo todo e tínhamos que economizar cada centavo ganho. Eu trabalho desde muito cedo e quando vim para Seattle, estava por contra própria. Tinha que arcar com as minhas despesas e enviar uma quantia mensal para minha mãe, então eu realmente sinto muito se a minha cautela não condiz com os seus costumes, Alice. Nem todos fomos privilegiados.
O rapaz que está recolhendo os pratos das entradas do casal, limpa a garganta levemente, mas diante do silencio na mesa, soa como um pigarro muito alto para chamar atenção. Na tentativa de descontrair, Edward que tinha as sobrancelhas erguidas, pergunta o que eles tinham comido e Jasper é o único a responder. Alice ainda está encarando seu colo, com as bochechas avermelhadas e completamente sem graça pelo seu comentário maldoso. Isabella não tenta socorre-la dessa vez. Ela, assim como provavelmente todo mundo, está cansada das discussões entre os dois, que são sempre pelos motivos mais tolos. Alice era uma boa garota, mas ela precisava amadurecer para respeitar as diferenças que havia entre ela e o namorado.
— Então, como foi o compromisso hoje à tarde? — Jasper pergunta, olhando diretamente para Isabella. Ela lhe contou sobre Chelsea depois de deixar Alice em seu apartamento, após pegar a ambos no aeroporto. Desde então, ele tem se mantido atualizado sobre o estado de saúde da mulher.
— Tudo ocorreu bem — Ela confirma, sorrindo e acena para que o garçom não preencha a sua taça com vinho como fez com as outras. A mesa provavelmente não fazia um bom trabalho em expor sua barriga, por isso o entendia — Ela estará sendo transferida para um lugar seguro em menos de 48 horas.
— Ótimo. Vocês fizeram um bom trabalho com ela.
— De quem vocês estão falando? — Alice pergunta, se aproximando quase timidamente de Jasper, que não a recusa, mas respira pesado.
— Não de quem, do que — Edward corrige e oferece o menu para Isabella segurar. Ela pega e olha para as opções para seu prato principal — Aqui, babe. Como você se sente sobre peixe essa noite? Eles têm uma excelente truta aqui — Ele recomenda e se vira para Alice — Charlie tem estado de olho em uma tela há muito tempo na internet e quando ele soube que estava à venda aqui, nos pediu para ajudá-lo. Ele tem um fraco pelas artes. Você o viu conversar por horas com a mamãe durante o brunch, após a Ação de Graças, certo? — Edward rola os olhos, com diversão — Bem, ele desembolsou uma quantia significativa para tê-la, então eu estive cuidando para que não houvesse erros ou enganos durante a compra e também me comprometi a mantê-la segura até que ele mesmo possa vir à Seattle para pega-la. Bella ficou encarregada de encontrar um lugar apropriado para mim.
Jasper pisca, um pouco atordoado com a facilidade como aquela informação veio do nada. O homem sequer titubeou e ele estava falando com sua irmã. Olhando para Isabella, ele deixa seus olhos se arregalarem um pouco. Isso não deveria ser preocupante? Se o sorriso contido nos lábios de sua amiga fosse uma resposta, seria ‘não’. Tudo bem... diante da mágica que ele tem visto Edward fazer de um tempo para cá, era compreensível o porquê de ele ser bem conhecido em seu meio.
— Oh, isso é gentil da sua parte — Alice murmura, agora distraída enquanto decide o seu pedido, mas quando Jasper relaxa em sua cadeira, ela volta sua atenção a ele — Acho que eu também vou de peixe. Eu ainda não perdi o maldito quilo que ganhei na festa de réveillon. O que você vai pedir, amor?
A conversa é restaurada depois que o garçom vai embora com os pedidos e Alice encontra três pessoas, duas com quem trabalha e um velho conhecido. Ela se empolga nas apresentações e passa um longo tempo exibindo seus amigos. Isabella percebe que a tensão entre ela e o namorado acabou quando ele demonstra seu ciúme, quase colocando-a sentada em seu colo ao ver que o um dos homens está descaradamente admirando o decote profundo do vestido de Alice.
— Então, Jasper, como foi passar um tempo com a sua mãe? — Edward pergunta quando sua irmã está concentrada em seu Twitter e Isabella tinha ido ao banheiro.
— Foi incrível. Eu não tinha percebido o quanto sentia sua falta antes de agarra-la em meus braços — O loiro sorri suavemente como se recordasse do exato momento e Edward balançou a cabeça em concordância. Ele lembra da sensação de receber o carinho de Esme, anos atrás, quando tornava-se impossível continuar a evitando e ela simplesmente aparecia em San Francisco — Eu não a tinha visto tão feliz desde que a última vez que nos encontramos. Três anos após acabar a faculdade, se não me engano. Nossa!
— Isso é bastante tempo. Posso imaginar como foi tê-lo de volta em casa. Agora, eu estava um pouco curioso sobre Harold — Confessa o advogado — Bella me disse que era a sua primeira vez o encontrando pessoalmente. Como foi isso?
Jasper solta uma risada e encolhe os ombros, como se não fosse grande coisa.
— Ele é um sujeito... extravagante, por falta de palavra melhor. Assim como as gêmeas, que se deram muito bem com Alice. A minha mãe não está acostumada com esse tipo de coisa, então ela é aquela que coloca ordem e põe limites neles.
— Tenho certeza que sim. A dona Valeria não suporta gente pomposa! — Isabella concorda ao voltar para mesa. Antes que Edward possa fazer algo, um garçom rapidamente puxa a cadeira para a morena sentar. Ela agradece com um largo sorriso, mas seu namorado apenas rola os olhos para o pobre rapaz.
— Babe — Ele diz ao se inclinar para Isabella que, derretida, coloca o rosto de lado para aceitar seu beijo na bochecha — Você acha que ela terá dificuldades de se adaptar à vida do Harold? O homem não fez o seu dinheiro ao se esconder em uma cidade no interior do Texas, cara. Ele não deve ficar parado por muito tempo.
— Pois é, aí é que está, Edward. Os dois estão muito apaixonados. Eu não lembro de ter visto a mamãe daquele jeito quando casada com o meu pai e Harold não faz nada para deixa-la desconfortável. Ele tem pessoas cuidando dos negócios.
— Pessoas de confiança como seu irmão Jackson?
Isabella tenciona por um momento com a menção do seu antigo chefe e suspira.
— Logo mais ele não será mais um problema.
— E quanto tempo isso vai levar? Mamãe mencionou nos visitar em meados de março ou abril e é claro, Harold está vindo com ela para mostrar-lhe Seattle.
Olhando para a sua comida, Isabella lembra das palavras de Edward e se ele estiver certo, Harold teria que vir para a cidade muito antes do que ele espera. Notando seu silencio, ela vira e o encontra fazendo uma careta desgostosa para o celular.
— Ei, o que há de errado? — Ela pergunta, tocando seu antebraço. Concentrado, Edward pula um pouco e Isabella não esconde o riso, o fazendo sorrir — Desculpe.
— Tudo bem, amor. Estou apenas... respondendo um e-mail.
— Alguma má noticia?
Isabella odiava parecer curiosa, mas gostava quando Edward se abria e conversar com ele sobre seus problemas, a fazia se sentir útil. Como uma boa namorada, ela o ajudava a encontrar soluções.
— Ravi chateado comigo não é nenhuma novidade. — Ele afirma com sarcasmo e bate o aparelho na mesa, interrompendo por um momento a conversa de Alice com Jasper. Sua irmã o olha feio, mas ele não finge se importar.
— Ele te mandou um e-mail? — Ela franze o cenho, mas tem uma expressão engraçada no rosto — Mas vocês são melhores amigos. Isso parece tão...
— Impessoal? — Edward interrompe acertando em cheio — Bem, é exatamente assim que Ravi é na maior parte do tempo, o bastardo.
— Hum, entendo. Na verdade, eu estava pensando sobre ele. Não é um pouco estranho que estejamos juntos há algum tempo e eu nem o conheço ainda?
Edward se cala, tentando disfarçar a tensão nos seus músculos.
A verdade é que Ravi nunca quis conhecer Isabella e já tinha recusado um par de convites deles para encontra-los nos lugares. O homem era um advogado incrível e também boa gente, mas não era a pessoa mais fácil de se lidar. Edward não era estúpido, sabia que, de forma muito infantil, ele se ressentia com sua namorada por ‘acabar com seus dias de solteiro’. Os dois sempre foram muito unidos e apesar do trabalho exaustivo, se divertiam como adolescentes nas noites da Califórnia. Ao vir para Seattle, tudo tinha ido por água abaixo porque apesar de não ter sido o seu plano desde o começo, Edward não foi capaz de deixar Isabella, uma vez que a teve. Agora ele não só estava prestes a dividir um lugar com ela, como também seria um pai.
Ravi tinha perdido sua importância e isso estava gerando uma serie de mal-entendidos entre os amigos. Como se não bastasse, sua vida amorosa estava um caos e os problemas familiares surgindo. Agora, ele mal dava as caras no escritório.
— Eu tenho certeza que você vai, babe, apenas em outro momento — Edward encaixa sua mão embaixo da dela, que descansava em cima da coxa direita, e entrelaça os dedos — Ravi está fora do estado há algumas semanas. O seu pai não tem se sentido bem e se recusa a voltar para Yokohama para descansar.
Isabella fez o som de um choramingo, como um cachorro que teve sua pata pisada e deita sua cabeça no ombro de Edward, enquanto o assiste apertar sua mão. Isso era ruim. De pais teimosos, ela entendia muito bem. Charlie só teve alguma melhora quando tomou um longo sermão de Carlisle sobre continuar fumando.
— Sinto muito. Espero que ele melhore logo.
— Eu também. Ele é um cara legal — Alice diz, de repente envolvida na conversa e apanha sua taça de vinho. Um gole foi o suficiente para esvazia-la — Nós nos falamos brevemente, uma vez, mas sei que ele não pestanejou antes de contratar Edward para trabalhar com ele. Somos todos gratos por isso.
— É verdade — O ruivo confirma com um pequeno sorriso — Ele confia no julgamento do filho, que foi o único a me oferecer o emprego e bem... o que eu posso dizer? Esse rosto abre muitas portas.
— Ahhhh!
Todos zombaram ao mesmo tempo, rindo e rolando os olhos.
— Mas então, Valeria está vindo? — Ele puxa um novo assunto após beber um gole de água para limpar sua garganta.
— Oh, ela quer vir, sim — Alice confirma com uma caretinha de menina contrariada — Ela quer ter certeza que Jasper e eu não estamos vivendo juntos.
— O que? — Isabella ri.
— Isso é sério? — Edward parece um pouco cético ao perguntar.
— Absolutamente. Mamãe sempre deixou claro que não me quer dividindo o teto com qualquer vagabunda – sem ofensa, querida – e defende a ideia de ter um longo relacionamento antes de tomar a decisão sobre casar.
Edward está borbulhando de rir com o desgosto da irmã e Isabella continua empurrando-o com o cotovelo, tentando fazê-lo parar, mas seu riso é contagiante e logo estão todos comentando que a sogra que Alice arranjou ia coloca-la na linha por bem ou por mal.
— Eu posso imaginar o que ela pensa sobre nós. — A morena reflete, brincando com o pingente pendurado em seu curto colar.
— Não que ela deva ter uma opinião sobre isso, Bella, mas o fato de você ter engravidado ameniza um pouco as coisas. Ela está feliz com vocês formando uma família, mesmo que o relacionamento não esteja oficializado no papel.
Isabella sorri, sem jeito, mas seu coração pesa. Ela gostaria de poder dar essa satisfação a Valeria e a si mesma, mas não tinha ideia se isso seria possível.
O jantar segue tranquilo.
A sobremesa é um pequeno bolo nos sabores favoritos de Jasper e as mulheres da mesa realmente levantam para cantar parabéns para um homem adulto, enquanto este sente vontade de afundar o rosto no doce e sumir. Edward ri da felicidade da namorada ao obrigar seu melhor a amigo a assoprar as velas.
— Então, vocês gostariam de se juntar a nós? — Alice pergunta, abraçando a cintura de Jasper quando enquanto ela espera pelo seu carro — Estamos indo beber.
— Nada muito agitado. Apenas um pouco de música e algumas cervejas. — Jasper sorri para Isabella que está em uma posição semelhante com Edward, mas seu rosto cansado descansa em seu peito.
— Obrigado, mas vamos passar — Edward responde pelos dois, os olhos focados no rapaz estacionando sua Mercedes em frente ao restaurante — Isabella não dormiu bem na noite passada...
— E isso foi sua culpa.
Jasper geme de desgosto, fazendo Isabella rir e acena para o carro.
Eles apertam as mãos e trocam acenos antes de cada um seguir para uma parte diferente da cidade. Em frente à casa, Edward carrega a morena adormecida para dentro e a libera do seu vestido sedutor, gemendo com sua escolha de lingerie.
Se ao menos pudesse acorda-la...
Um ronco estupidamente fofo escapa dos lábios dela quando o ruivo faz menção de tocar sua calcinha e rindo, ele a deixa em paz para se livrar de suas roupas. Minutos depois, o ruivo a tem embalada em seus braços e adormece sentindo seu calor.
*********
Três dias mais tarde, Isabella está plantada no meio da sala de estar de Edward, quando o seu celular vibra no bolso da calça jeans – a única das mais antigas que lhe cabe atualmente. É verdade que nesse momento da gestação, ela tem optado por vestidos, mas essa peça era mais folgada que as demais e realmente confortável. A outra vantagem é que a cor diminuía o tamanho dos seus quadris.
Ela quase opta por ignorar a ligação, mas rapidamente reconhece o número.
Intrigada, ela atende.
— Alô?
— Oi, Bella! — A voz feminina e familiar a cumprimenta — Aqui é a Maggie. Eu estou ligando apenas para saber se você precisa de alguma coisa.
— Será que o Edward pediu para você me checar?
— Ele sugeriu — Maggie responde, pensativa e a morena cai na risada — Realmente, querida. As coisas no escritório estão tão agitadas hoje. Tenho certeza que isso fugiu de sua mente. Eu liguei para poder tranquiliza-lo mais tarde.
— Diga ao Edward que tudo está bem. Eu vou me instalar agora.
Realmente não havia motivo para preocupação.
Isabella chegou em seu apartamento há cerca de meia hora e o porteiro, Cecil – um agradável senhor grisalho, com um sorriso amável e de um senso de humor surpreendente – foi muito prestativo e apressou-se em ajuda-la com todas as suas malas. Ele não permitiu que ela carregasse nada além de sua bolsa do carro até o elevador e fez três curtas viagens até que todas as caixas estivessem organizadas na sala e as malas próximas à cama do quarto principal, o que foi incrível. Se Edward descobrisse que ela sequer tentou subir as escadas com algo tão pesado... – Isabella estremeceu com o pensamento de sua fúria.
— Ótimo. Você não quer que eu peça um pouco de comida?
— Maggie — Ela suspira — Você não é paga para fazer essas coisas.
— Eu sou paga para deixar o meu chefe satisfeito, Bella. E não fale como se eu não me importasse com você. Eu quase espremi o homem quando ele me confirmou a sua gravidez. Estou tão empolgada em vê-los indo morar juntos!
Ela também estava.
Colocando seus pés para funcionarem, Isabella avalia o lugar pela milésima vez. Ela nunca foi uma garota ambiciosa, mas estaria mentindo se dissesse que não se imaginou morando em um lugar assim algum dia. O completo oposto de sua casa em todos os aspectos. Ela sequer era capaz de imaginar o quanto as pessoas pagam de aluguel para viver ali. A conta de luz deveria ser um absurdo! Era tudo muito... claro. O tempo todo. E tenha plena certeza que o dinheiro que Edward gastou em seus móveis e peças de decoração, a fariam uma mulher rica – ou quase isso.
Vivendo com ele, teria que se acostumar com tais luxos, certo?
Seu estômago ficava enjoado quando parava para pensar que estava dependendo dele para tudo. Quando estavam juntos, seus pais sempre trabalharam e ajudaram um ao outro, mas mesmo que ela conseguisse um emprego após a bebê nascer, era muito improvável que Edward fosse precisar ou aceitar um centavo dela. Eles não tinham discutido os detalhes a respeito das contas ou de sua independência financeira, ambos estavam animados demais com a simples ideia de dividir o mesmo teto oficialmente. O coração de Isabella tinha inchado de alegria quando ele revelou que este arranjo teria sido feito mais cedo ou mais tarde, com ou sem gravidez e isso só reforçou seu pensamento sobre Edward ama-la. Elena estava enganada em julga-lo. Por que outra razão um cara que teve acesso livre à sua casa, a chamaria para viver com ele quando estão juntos há menos de um ano?
Edward a queria como sua mulher. Namorada não era mais suficiente.
— Sim, isso é um grande passo — Ela afirma após limpar a garganta — Eu não poderia estar mais feliz, Maggie. É algo que imaginei para nós há muitos anos e pensei que estivesse perdido. Parece surreal que ele me queira... assim.
— Bobagem, menina! — Maggie bufa — As coisas não vão ficar mais fáceis só porque vocês estão vivendo juntos agora. Pelo contrário. Essa fase do relacionamento vai exigir muito de ambos, principalmente com essa criança chegando em breve, mas eu posso ver um lindo futuro para os três.
— Você pode? — Ela pergunta, quase emocionada pela fé da funcionaria de Edward a quem se apegou tanto.
— É claro que sim. E o que mais posso ver, é trabalho se acumulando na minha mesa — A mulher resmunga — Você tem certeza que não quer nada?
— Não, obrigada, Maggie. Eu comi bastante no café da manhã. Estou sem fome.
— Bem, eu vou dizer a ele que você se alimentou e não há razão para se preocupar.
— Diga também que o amo. — Ela pede, mordendo o lábio inferior enquanto mexe nervosamente no copo esquecido na mesa lateral, ao lado do sofá.
— Oh, eu vou e isso vai fazer o seu dia — A senhora solta uma longa risada e depois suspira — Foi bom falar com você, querida.
— Até mais, Maggie.
Isabella realmente não tinha muito o que fazer no apartamento.
Ruth, a mulher encarregada de limpar o lugar na ausência de Edward, tinha passado no dia anterior e limpado todos os cômodos a pedido do patrão. É claro que o advogado tinha se certificado de tudo estar pronto antes de ela se mudar, porque a conhecia muito bem e sabia que ela tentaria se fazer útil de alguma maneira – mesmo que doméstica.
Então, só obravam as malas.
Desanimada, Isabella subiu para o andar de cima e franziu o nariz para o silencio incômodo. Seu bairro sempre foi tranquilo, mas as casas eram pequenas e próximas, a rua um pouco estreita, então sempre havia um ruído para distrai-la. O apartamento era muito espaçoso para duas pessoas, principalmente quando uma estava ausente por boa parte do dia, mas seu coração aqueceu ao lembrar-se que em breve sua filha estaria ali, enchendo o lugar com seu choro e sons de alegria. Levaria um tempo, mas Edward e ela seriam capazes de formar um lar ali.
As horas seguintes foram gastas explorando o closet de Edward.
Ela quase lhe mandou uma mensagem de agradecimento quando percebeu que haviam esvaziado uma parte dele para que suas coisas pudessem ser guardadas. Olhando ao redor, Isabella percebeu que nunca havia namorado um cara que possuísse um daqueles, mas seus ex com certeza não tinham a mesma quantidade de roupa que Edward. Era raro encontrar um homem que podia rivalizar nisso com uma mulher, mas seu namorado claramente tinha uma boa vantagem sobre ela. Seria impossível guardar tantos ternos em um guarda-roupa comum como o que ela usava antes, então realmente foi uma boa ideia tê-la mudando para lá e não o contrário.
Suas costas ardiam quando havia acabado com os sapatos, as bolsas e as roupas mais elegantes que possuía, as formais e sua lingerie. Ainda faltavam as casuais, seus pijamas e a maquiagem, mas ela precisava de uma pausa. Voltando para o quarto, ela encontrou Lola profundamente adormecida na poltrona próxima a grande janela que ocupava boa parte da parede à sua esquerda. Indo até ela, Isabella afastou as cortinas e suas sobrancelhas levantaram com a surpresa – a vista era maravilhosa! Por que ele a mantinha coberta? Balançando a cabeça, ela deu um passo em direção a cama e sua filha escolheu aquele momento para chuta-la. Silvando com a sensação, a morena esfrega a barriga suavemente e vagarosamente caminha. A bebê segue se agitando, mas não lhe causa dores e quando suas costas finalmente provam novamente a maciez do colchão, seus olhos quase rolam para trás de prazer. Se aconchegando nos travesseiros, ela deita de lado e fecha olhos para conversar com sua garotinha. Isabella lhe conta os detalhes da mudança, descreve o apartamento e adormece enquanto fala sobre a área de recreação que seu pai deseja fazer para que ela desfrute dos inúmeros brinquedos que terá.
Quando ela acorda, é noite.
Isabella não sabe ao certo que horas são, mas parece um pouco mais tarde do que gostaria e ainda tem sono. Seu estômago está roncando de fome e os miados de Lola a alertam de que tem sido um pouco negligente com sua gata.
Ela pensa ligar para algum lugar e pedir o jantar, mas antes, segue para o banheiro em busca de uma chuveirada rápida. A água morna e agradável faz milagres com o seu ânimo e quando ela termina, sua vontade de preparar a própria comida vem à tona. Seria agradável fazer algo bem caseiro para a primeira noite deles onde agora é sua casa.
Sim, Edward iria gostar disso.
— Descalça, gravida e com pouca roupa na minha cozinha — Isabella guincha de surpresa quando braços passam por baixo dos seus e circulam a sua cintura. Mas embora seu coração esteja batendo furiosamente, seus ombros relaxam sob a voz de Edward — Hmmm. É errado que eu goste demais disso?
A morena aprecia a pontualidade. A comida estava quase pronta.
— Soa um pouco machista, sim. — Ela ri, usando a espátula para mover os pedaços de peito de frango refogando na manteiga. Ao lado do fogão, há uma tábua com pimentões, cebola verde e cogumelos cortados.
— Ah, tudo bem. Mas se vale de alguma coisa, eu também adoro vê-la por trás quando está vestida naquelas saias sexy, apertadas e longas que usa para trabalhar.
Isso lhe rende uma gargalhada e por um segundo, Isabella descansa a cabeça em seu peito, o deixando abraça-la com um suspiro de contentamento. É bom finalmente ter companhia, principalmente a dele. Tinha sentido a sua falta.
— Sim, não é preciso ser um gênio para ver onde a sua mente está, Cullen.
— Sempre em você — Edward afirma e deixa um beijo barulhento em seu rosto antes de afastar-se para ir até a geladeira. Enquanto ela mistura os outros ingredientes com o frango; manjericão, creme de leite, dois tipos de pimentas diferentes, alho em pó e sal, ele se refresca com uma garrafa de água — Maldição, babe. Isso cheira muito bem. Eu acho que Ruth pode ficar com um pouco de ciúmes.
Algo no estômago de Isabella dá cambalhotas e não é a sua filha.
Também não é a primeira vez que recebe elogios dele, mas caramba, se não era bom vê-lo satisfeito com o seu desempenho em sua casa – na casa deles. Ela não estava pisando em ovos para agrada-lo com medo do acordo ser desfeito, porque Edward não quis conversar muito sobre o assunto.
Uma vez que ele lhe deu todos os motivos para se mudar, era como se a decisão já estivesse tomada. Ele não queria dar-lhe a chance de dizer não.
— Agora que estou sob seus cuidados, estou começando a pensar que vou precisar de horas extras na academia — Diz ele com um sorriso de menino no rosto enquanto brinca com a tampa da garrafa — O meu corpo não vai continuar firme e bonito se eu me debruçar sobre tudo que você vai preparar a partir de agora.
É provavelmente verdade.
Edward possuí uma cozinha muito agradável e ampla. Equipada com muito mais do que o básico e não é segredo para ninguém que cozinhar de vez em quando, a relaxa. É claro que agora a sua disposição não era a mesma, mas como sua presença ali não era temporária, haveria muitas oportunidades para o ruivo explorar seus dotes culinários. Isso com certeza acrescentaria algumas medidas nele.
— Quem disse que é bonito? — Ela brinca, inclinando o ombro com desdém.
Edward não se ofende e ri.
Ele larga a garrafa quase vazia no balcão e caminha de volta até ela em passos lentos de predador. Isabella o sente mais do que vê, mas foca na comida e acrescenta o macarrão cozido à mistura. Enquanto ela mexe, as mãos de Edward apertam o seu quadril e a puxam para que ela sinta sua ereção acordando para dizer olá. Isabella aperta a espátula com força, mas não faz nenhum comentário.
— Se não me falha a memória, você foi a única implorando e chorando para me tocar na quinta-feira quando suas mãos estavam atadas e o meu rosto entre as suas pernas — Ela estremece tanto com a memória, quanto com a voz dele em seu ouvido, enrouquecida de propósito — Será que isso está certo?
— Sim... — Ela engole em seco e balança a cabeça para sacudir os cabelos, fazendo Edward se afastar. Se ele continuar, os dois vão acabar pulando o jantar — Esse é o meu segundo lugar favorito no apartamento.
— Sim? E qual seria o primeiro? — Ele pergunta com genuína curiosidade, esquecendo a provocação de antes.
Quando ela desliga o fogão e vira, há esse sorriso malicioso em seus lábios enquanto seus olhos o percorrem de cima à baixo, aprovando a maneira como sua gravata está desfeita e pendurada em seu pescoço, os primeiros botões da camisa abertos e os cabelos desengrenhados de um dia intenso de trabalho.
Jesus, o homem parece bom o suficiente para comer.
— Vá para cima e tome um banho — Ela umedece os lábios — Após comermos, posso te mostrar exatamente qual o meu lugar favorito e o porquê.
Sendo descarado, Edward ajusta suas calças sem um pingo de constrangimento, mas um rubor escurece as bochechas dela. O volume a chamando.
— Por que você não sobe comigo, então?
— Eu já estou limpa — Ao perceber que seu olhar está despindo-a do pouco que veste, ela se apressa em correr para o outro lado da cozinha e abrir algumas portas dos armários na busca dos pratos — E por favor, não demore. Eu estou faminta.
Após o pedido, Isabella cantarola uma canção que sua mente acaba de criar e não volta a prestar atenção em Edward, mas é capaz de ouvi-lo murmurando algo como “se eu tirar sua calcinha, terei certeza de que já não está tão limpa” e sua boca fica seca porque é verdade.
Ela suspira quando fica finalmente sozinha e começa a pôr a mesa.
Edward retorna quinze minutos depois, sem camisa e com os cabelos úmidos. Há essas pequenas gotas escorrendo por seu peito e se perdendo no cós da calça de pijama e Isabella não quer outra coisa, a não ser lambe-lo. Sua mão deslizando no ralador e quase sendo cortada é o que a traz de volta a realidade e rapidamente termina de polvilhar o queijo parmesão no prato – optando por não usar no dela.
Após a refeição, apesar de cansado, Edward cuida para que a louça seja limpa, enquanto ela guarda as sobras em vasilhas. Quando terminam, os dois se aninham no sofá em frente a grande TV que sempre era usada apenas pelas visitas. Lola faz uma breve aparição para receber carinho do ‘papai’, mas logo se aventura pelo apartamento novamente, ainda explorando e se adaptando.
É difícil encontrar uma posição confortável tendo que dividir o mesmo lugar com o ruivo, mas Isabella descansa as costas em seu peitoral mesmo sabendo que em breve terá que mudar. Ela gosta quando Edward usa os dedos para afastar os fios de cabelo de seu ombro, expondo o que o moletom permite de seu pescoço. Quando ele decide explorar a pele com os lábios, os tremores começam.
— Sinto falta da sua boca.
— Eu não te dei um beijo de boas-vindas — Ela murmura, girando um pouco para que seus rostos fiquem de frente um para o outro — Você gostaria?
— É claro. Eu não sabia que tinha direito a um — Diz ele, usando o polegar para traçar o lábio inferior dela – cheio, vermelho e suculento — Talvez devêssemos fazer disso uma regra. Ao chegarmos em casa, temos que ser recebidos com um beijo.
Isabella sorri, mas faz uma careta e morde o dedo dele de brincadeira.
— E se estivermos chateados?
Edward não hesita.
— Será um bom incentivo para fazermos as pazes.
— Eu acho que você está certo.
— Estou, agora me deixe beija-la.
Ela deixou.
Ambos os lábios se moldaram perfeitamente. Edward os beijou, lambeu e provocou, até que Isabella estava soltando esses pequenos suspiros enquanto suas pálpebras tremiam. Em sintonia, os corpos deles se ajustaram para um ângulo melhor e assim que o seio dela roçou no braço dele, ela ofegou e Edward não podia ignorar a oportunidade. Segurando seu rosto, ele lambeu o lábio superior e empurrou a língua para dentro. Ele sentiu uma mão pequena encostar em sua nuca e então, dedos começaram a traçar caminhos por todo o seu cabelo. Era tão sensual e relaxante que precisou espremer os olhos para evitar gemer. Tentando causar o mesmo efeito, ele não hesitou em agarrar o peito cheio que tinha acabado de provoca-lo. Então, enquanto a beijava, Edward rolava o polegar sobre o mamilo durinho coberto apenas pelo tecido do moletom. Seu pau inchado em suas calças estava implorando para ser liberto, mas não parecia certo ainda. Então vagarosamente ele desceu o zíper do moletom de Isabella e o abriu, expondo seus seios pesados e sensíveis, bem com como a barriga que fazia o seu ritmo cardíaco aumentar.
Isabella riu em sua boca, provavelmente pensando que eles iriam se aventurar no sofá, mas não houve mais nudez. Os beijos de Edward desceram por sua garganta e fizeram um trabalho fantástico em excita-la ao descerem para a clavícula e seus peitos. Eles foram beijados, tocados e apertados, mas seus mamilos estavam sendo propositalmente ignorados – o que a levou a choramingar e xingar. Seus hormônios eram capazes de substituir rapidamente o desejo por raiva, então Edward não seguiu provocando-a por muito mais tempo e abocanhou cada biquinho. O sexo dela estava úmido e quente, obrigando suas coxas a se juntarem para obter algum alivio, o que o teve rindo – som vibrando em sua pele, a fazendo gemer, mas também havia um sorriso em seu rosto.
O casal parecia adolescentes testando as bases enquanto aproveitavam a ausência dos pais dela na casa e ambos estavam prestes a correr para o andar de cima, quando um zumbido os atrapalhou. Isabella foi a primeira a bufar com aborrecimento, pois sabia que era o seu telefone.
O do advogado sempre tocava. E bastante alto.
— Oh, não...
Edward ri quando ela se afasta e senta fazendo beicinho.
— Foi melhor assim, babe, teríamos acabado machucando você aqui.
— Eu estava muito bem, obrigada — Rolando os olhos, ela alcança o zíper e o puxa para cima abruptamente e quando o mesmo fica emperrado, ela xinga e tenta puxa-lo a força — Essa porcaria!
— Devagar aí. Você vai acabar arrebentando isso — Edward repreende e segura ao riso ao afastar suas mãos de lá para ajudá-la. Isabella ficava de muito mau-humor quando estava com tesão e nada era feito sobre isso. Alguns podiam se aborrecer junto, mas ele achava bastante bonitinho, na verdade — Aí. Pronto.
— Obrigada — Ela agradece quando está coberta — Ei, será que você tem notícias da Chelsea? Eu não ouvi nada desde que eles partiram.
— Hum, sim — Edward se inclina para frente e alcança o controle remoto na mesa de centro. Havia um par de livros ao lado – romances de época – e ele se perguntou por um momento se Isabella os tinha esquecido ou já estava redecorando — Alex tem enviado mensagens de texto e ligou esta manhã para dizer que tudo está calmo.
— Calmo? Então por que ela não ligou?
— Ela tentou, babe. Alex disse que sua tia a monopolizou durante os primeiros dias e que as duas estão se dando muito bem. Segundo ele, a mulher está dando uma de casamenteira para cima dos dois, ignorando que ele está lá a trabalho.
— A trabalho, sim, claro — A morena ironiza com um sorrisinho e puxa uma almofada para o seu colo. De frente para Edward, ela apoia os cotovelos e descansa o rosto em uma mão enquanto o espera continuar — Então eles estão seguros?
— Claro, amor, eu disse a você. Jackson quer colocar as mãos em Chelsea para ensinar-lhe uma lição, mas eu não acho que ele a mataria, se a alcançasse.
— Bem, eu fico feliz que não tenha arriscado deixa-la aqui. Se você está certo sobre os amigos que Jackson tem feito, o destino dela seria muito pior que a morte se fosse... passada... para eles — Ela engole e abaixa o olhar. Edward puxando a respiração com força deu a entender que compreendia e concordava — Eu só quero que ela seja feliz.
— Ela será. Acredite em mim, manda-la para fora da cidade foi uma medida preventiva. Até Alex achou que o movimento era desnecessário, mas ambos sabemos que ele não se oporia a ficar com Chelsea sem nós por um tempo.
— Com certeza. — Ela ri pensando homem em questão.
Isabella não o conhecia bem, mas sabia que era confiável e até lhe agradava trocar farpas com ele a cada nova visita. Era solteiro, tinha 37 anos e sem filhos. Era de boa aparência, mas tinha um perfil solitário e mesmo sendo natural de Seattle, tinha passado boa parte de sua vida fora do estado. Alex estava seriamente cogitando a possibilidade de viver na cidade permanentemente e, talvez estivesse sendo apenas romântica, mas a morena suspeitava que conhecer Chelsea tinha espantado todas as dúvidas sobre essa decisão.
Ele ficaria.
— E Jackson tem outras coisas em sua mente agora.
— Ele tem?
— Sim. Um colega ouviu que ele estava contratando um advogado para cuidar de seu divórcio. Eu fiz algumas ligações e descobri que é verdade. Viola está chutando sua bunda e tentando arrancar-lhe a porra toda. — Ele ri alto e o som soa tão quente, tão bonito que Isabella quase deixa passar a verdadeira questão.
— Ela realmente está o deixando?
— Sim. E aposto que essa é a razão para ele tentar encontrar a Chelsea. Se Viola conseguisse que ela fosse ouvida pela mídia e a justiça... Jackson estaria perdido.
— Eu acho qAHHH — Um bocejo inesperado interrompe Isabella — Merda.
— Vamos lá, babe. Você precisa descansar.
— Não! Para onde você vai? — Ela pergunta, manhosa, e tenta agarrar em sua calça para evitar que ele se levante, mas Edward ri ao segurar suas mãos e se afasta — Ei, eu não esqueci o que estávamos fazendo! Volte aqui.
— Podemos terminar isso lá em cima, amor — Edward murmura ao se aproximar da parede e desliga a luz, escurecendo a sala que só conta agora com o brilho da TV e de um abajur — Vamos, você parece cansada.
— Tudo bem... — Ela concorda a contragosto e calça seus chinelos — Pode procurar o meu celular, por favor? Eu não me lembro onde deixei.
Edward vira, para a sua esquerda, tendo quase certeza de que o viu no aparador de madeira. Ele rapidamente o encontra.
— Isabella.
Ela para após subir alguns degraus da escada e olha para trás.
— O que?
— Por que Dominic está tentando te encontrar? — Ele pergunta, estreitando os olhos.
— Hum. Eu não sei do que você está falando, Edward.
— Ele te mandou um texto. Querendo encontrar com você para almoçar. Você não tem nada para fazer com esse cara!
— Por favor, não seja ridículo. Dominic é apenas um amigo, você sabe disso. A gente não se fala pessoalmente desde outubro. É normal que ele queira me ver.
— Não, porra, não é — Ele retruca, apertando o celular com ciúmes — O que aconteceu, a francesa o deixou novamente? Agora ele está atrás de você?
Provavelmente, ela pensou. Não a parte sobre estar atrás dela, é claro.
— Ele é uma boa pessoa, amor. Foi agradável durante o meu tempo na agência. Dominic ficou sabendo da minha gravidez através do Facebook! E ele é meu amigo. Isso não é legal...
— Que seja. Eu não confio nele — Edward resmunga e caminha até ela. Segurando no corrimão, Isabella espera que ele suba as escadas — Você não deve se encontrar sozinha com ele, está bem? E por favor, delete a mensagem.
Ele entrega o celular.
— Ok — A morena diz, gira o aparelho e digita rapidamente. Após alguns segundos, ela desliga e sorri para o namorado — Pronto.
— Você acabou de marcar um encontro com esse sujeito?
Edward soa incrédulo, o que é engraçado e por isso, os lábios dela contraem.
— Não é um encontro, é um almoço! — Isabella explica e vira as costas, decida a ignorar o seu drama — Por que você tem que ficar bravo sobre isso?
— Porque ele quer entrar nas suas calças, eu te disse isso! — Ele grita, a perseguindo em direção ao quarto. Lola, que está em cima da cama, se levanta com o grito e corre, após observa-los por um segundo — E você concordou em deletar a mensagem.
— Eu deletei, depois que eu respondi — Isabella suspira e novamente, usa o zíper do moletom com agressividade. Em um piscar de olhos, ele está aberto e dando uma visão provocativa a Edward de parte dos seus seios e sua barriga — Eu não vou me afastar de um amigo que não que representa mais do que isso para mim, apenas porque você é ciumento, Edward. Somos todos adultos aqui.
— Sim... — Ele murmura, umedecendo os lábios e distraído com a pele que ela está mostrando — Mas é, hum, fácil para você dizer isso quando eu não sou aquele com amigas bonitas me convidando para jantar!
— Então você o acha bonito? — Ela provoca, mas a piada perde a graça quando ela vê que Edward está perdendo a paciência. Uau, ele não gosta de Dominic mesmo — Tudo bem, querido. Eu entendo o seu ponto, mas há uma diferença entre almoço e jantar — Realmente não há, não para eles. Isabella ficaria chateada ao saber que ele iria encontrar uma mulher atraente para uma refeição e isso fazia dela uma hipócrita. Mas realmente, o que aconteceu entre os dois foi encerrado e superado há muito tempo, então qual o problema em manter a amizade? — Eu marcarei em algum lugar perto do escritório e vou encontra-lo em seguida. Assim, você vai ouvir sobre o ‘encontro’ e verá que não perdi nenhum pedaço.
Edward, com os braços cruzados e de cara feia, ainda não parece convencido.
— Por favor? Não fique com raiva de mim. Eu tinha planos para nós.
— Está bem! Você venceu — Ele solta o ar de uma vez e é recompensado com um sorriso amoroso e cheio de dentes — Mas você tem que vir para mim assim que tiver acabado de comer. Nada de sair de lá para outro lugar com ele, entendeu?
— Entendi.
— E que planos são esses? Eles envolvem massagem, você falando sacanagem e adormecendo sem cumprir nada do que foi dito?
— Ei, não seja malvado! — Ela franze a testa, mas suas bochechas esquentam de vergonha — Isso só aconteceu uma vez porque eu estava exausta.
— Certo — Ele ri, restaurando o clima bom de antes e se aproxima. Fazendo um beicinho falso, Isabella se deixa ser agarrada, mas não reage aos selinhos que ele empurra em seus lábios — Agora me diga, o que você gostaria de fazer?
— Isso.
Sorrindo, Isabella dá tapas ritmados no peito dele como brincadeira e corre em direção ao criado-mudo, no lado em que dorme. De longe, Edward vê quando ela retira da gaveta uma pequena caderneta e sem esperar por ele, sobe na cama.
— Você não vai me contar o que é? — Ele pergunta, ao colocar os joelhos no colchão e começa a engatinhar em sua direção.
Ela sorri em resposta, cheia de malícia ao observa-lo, mas afirma que sim.
— Eu pensei que podíamos ver alguns nomes — Isabella explica — Você sabe, para ela. Os próximos meses serão... ocupados, e eu não quero mais esperar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!O rosto de Edward se ilumina com a ideia de nomear a filha.
— E isso vai nos ajudar? — Ele se acomoda ao lado dela, com as costas apoiadas em alguns travesseiros e aponta para o objeto em suas mãos.
— Sim. Eu o comprei no outro dia. É um livro com nomes para crianças e seus significados. Eles não estão em ordem, então seria divertido escolher uma página aleatória e decidir por um nome que esteja nela.
— Mas novamente, por que não podemos chama-la de Amanda?
— Porque não, Edward! — Ela bufa, estapeando-o para longe quando o ruivo tenta pegar o livro dela — Você precisa parar de insistir nisso.
— Mas Bella...
— Mas nada — Ela rola seus olhos e vira para o namorado — Já é esquisito o suficiente que você tenha nomeado a sua cadela com o nome da sua avó. Você não está fazendo o mesmo com a nossa garota. Amanda está vetado.
— Se Amanda está, Holly também! — Ele retruca, abrindo um sorriso extremamente satisfeito enquanto assiste o rosto dela desmoronar.
— Oh, cara, você está sendo vingativo.
— Eu não estou — É claro que ele estava. Holly Golightly era sua personagem favorita na infância. Lembrar-se da sua escolha de fantasia para o Halloween, deixou bem claro que ela ainda gostava muito do filme e se ela estava desconsiderando usar o nome de sua avó paterna em sua filha, nada mais justo que ir contra este — Ela era uma pessoa muito amável e querida, você sabe?
— Eu sei, querido — Ela afirma, acariciando sua coxa. Isabella tinha chegado mais para perto dele, porque não estava chateada. Holly nunca tinha passado por sua cabeça, mas o deixaria acreditar que sim, para seu próprio benefício — Então, como vamos fazer isso?
Ele estuda o pequeno livro fechado em seu colo.
— Talvez você deva joga-lo para cima e deixar cair. Onde abrir... escolhemos.
— Tudo bem. Isso é bom.
Eles não esperam mais.
Ambos assistiram o livro virar de ponta cabeça no ar com o impulso de ser jogado e rapidamente cai de volta, quica na perna de Isabella e vira para parar no espaço entre as de Edward. Ele a pega com cuidado para não fecha-lo sem querer e quando o olha, encontra pelo menos trinta nomes.
Masculinos e femininos. Quinze de cada lado.
— Nós podemos prestar mais atenção naqueles que começam com A, pelo menos?
— Edward... — Ela ri.
— Vamos, por favor. Se for assim, eu prometo que não vou me envolver demais quando formos decidir o nome do nosso filho.
— De que filho você está falando? — Isabella quase gritou, o olhando como se uma segunda cabeça fosse surgir de seu pescoço a qualquer momento. Ele estava pensando em adotar um cachorro ou alguma coisa assim?
— O nosso próximo bebê — Ele responde como se fosse óbvio com aquele ar de “dã” enquanto lia os nomes impressos — Banjo? Você está brincando comigo?
Ela também não sabia que raios de nome era Banjo, mas esse não era o ponto.
— Edward, eu nem vou me dar ao trabalho de discutir sobre um segundo bebê com você. Esta nem saiu de dentro de mim ainda. Apenas... não. Pare bem aí.
— Tudo bem, babe, como quiser — Ele soa distraído quando concorda e aperta os olhos para o livro — Então, como você se sente sobre Agnes? — Mais uma vez, Edward ganha aquele olhar e diante do seu silencio, ele pergunta — O que foi?
— Agnes é péssimo! Era o nome da diretora da escola onde estudei na quinta série. Ela era velha, rabugenta e odiava gatos. Quero dizer, como alguém pode odiar aquelas pequenas coisinhas e ser uma boa pessoa? É impossível, Edward.
Bem, sendo assim...
— Você gosta de Ava?
— Sim, eu acho doce — Ela responde — O que mais?
— Bom. Temos Adele e Alexandra. São nomes fortes, bonitos.
— Eu também acho, podemos manter Ava e Alexandra. Embora não tenho certeza se gosto da ideia de começarmos a chama-la de Alex por aí.
Edward ri junto com ela e se inclina para beijar o topo de sua cabeça.
— Alisha?
— Hum, não. Meio estranho.
— É uma pena, porque esse foi o último com A nessa parte do livro.
— Então talvez Ava...
— Ei, hum, eu sei que havia falado sobre a coisa da letra, mas... — Ele coça a nuca e usa os dedos para agitar o cabelo. De repente nervoso, Edward se ajeita na cama e olha da namorada para a sua barriga, totalmente nua — E se a chamarmos de Haven¹?
— Agora isso é interessante — Ela reflete e fita o vazio por um instante. Não era o nome mais comum do mundo, mas o som tinha algo de muito agradável em seus ouvidos. Ela poderia se acostumar com isso, com certeza — Ok. Eu gosto dele.
Edward, que estava novamente coçando a parte de trás da cabeça, sorri largo.
— É sério? — Sorrindo de volta, Isabella assente e grita logo em seguida, quando o ruivo a puxa e toma os lábios dela em um longo beijo apaixonado — Obrigado.
— De nada, amor. Você acha que a nossa família vai gostar? — Ela pergunta enquanto se aconchega nele e deita a cabeça em seu peito.
— Acredito que sim. Embora não vão entender.
— Oh, tudo bem, eu entendo.
— É mesmo?
Ele parece surpreso e com isso, Isabella força sua cabeça para cima, a fim de olhar em seus olhos enquanto fala. A morena sorri com carinho.
— É isso que ela representa para você, certo? O que nós passamos a ser desde que descobriu que éramos duas agora em sua vida? Eu vi sua mudança, Edward. O meu medo de te contar que estava grávida era enorme, mas a partir daquele dia, algo... se acalmou em você. Embora eu gostaria de ser aquela a ter todo o crédito, foi a nossa garotinha que tomou as más lembranças e a sua dor.
— Querida... — Ele sussurra, sua testa franzida com força quando ergue a mão para acariciar o rosto de Isabella, afastando os fios escuros — Eu possuí muitas coisas ao longo dos anos, mas nada, absolutamente nada me satisfez tanto quanto esse presente que ganhamos — Isabella também considerava esse bebê um presente. Chegando de maneira inesperada, parecia que a vida estava tentando compensa-los por longos dez anos separados — Ela está me curando. Ainda há algo de torcido e feio aqui, mas essa garota e você estão tomando todo e qualquer espaço dentro de mim. Não tenho mais tempo para memórias ruins.
— Então parece que eu tenho muito o que agradecer a ela.
Rindo, ele junta os nós dos dedos no nariz de Isabella e aperta.
— Ela não, Haven.
— Haven Grace? — Ela propõe, timidamente.
Em resposta, Edward abre um largo sorriso.
Seus olhos brilham e ele parece emocionado em poder chamar a filha de algo que não seja ‘a bebê’ ou ‘minha garotinha’.
— Você é incrível, amor — Ele elogia, se inclinando para beija-la em agradecimento e como se estivesse com ciúmes por apenas a mamãe receber carinho, a garota chuta inesperadamente, fazendo Isabella soltar um gritinho — Sim, é isso mesmo que você ouviu — Ele ri, abre a mão para coloca-la sobre a barriga bonita e sente as vibrações embaixo de sua palma — Nós estamos ansiosos para conhece-la, Haven Grace Cullen.
¹Haven é um nome próprio. Também é uma cidade localizada no estado americano de Kansas. E significa "refúgio", o que dá sentido à última conversa do casal.
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