Erros de Sempre

22 Capítulo 21


Notas iniciais
FELIZ NATAL, GENTE! ❤

Isabella suspirou em seu sono e abraçou o travesseiro quando sentiu a parte inferior do seu corpo ser puxada para trás. Todos os cabelinhos em seus braços se arrepiaram quando dedos traçaram vagarosamente as suas costelas e descerem até o quadril. Por baixo da névoa de sono, sentiu um polegar enganchar em sua calcinha e puxa-la, até que ela precisou rebolar um pouco para que a peça fosse retirada. Sua nudez da cintura para baixo ficou óbvia demais para ser ignorada e aos poucos, suas pálpebras tremeram e revelaram grandes e brilhantes olhos castanhos. Excitada para descobrir quais os planos do homem atrás dela, Isabella suspirou quando um peitoral quente e duro se colou em suas costas. Ao tentar virar o rosto, ela foi surpreendida por lábios macios lhe tocando na bochecha.

O hálito quente de Edward a encontrou e foi impossível controlar seu desejo – mesmo de costas para ele, Isabella alcançou sua boca no mesmo instante em que a mão dele puxou sua perna para deixa-la dobrada e encontrou sua buceta ficando úmida. Os dois gemeram com o contato e ela não demorou a começar a rebolar contra os dois dedos em seu canal. Embora não estivesse com pressa e quisesse tomar o seu tempo, ia contra todos os seus instintos ignorar sua mulher sedenta por ele, então Edward soltou a língua da morena com desgosto e concentrou-se apenas nos movimentos circulares e ágeis que estava fazendo em seu pequeno clitóris, enquanto lutava para se livrar da cueca.

Ela ri uma vez que seu pau salta livre e a atinge na bunda, mas o som é rapidamente substituído por um gritinho sensual quando é mordida na carne entre o ombro e o pescoço. Dando-lhe uma palmada de brincadeira que a faz recuperar o bom humor, Edward empurra seu quadril até ter uma visão tentadora do seu bumbum. Ela choraminga quando o sente deslizando por trás e os dois gritam quando, faminta, sua buceta o suga para dentro – acomodando-o em seu calor molhado.

— Por favor, mova-se — Isabella pede, respirando com dificuldade. Embora ele não tenha sido o maior parceiro que ela já teve, mas o segundo, nenhum outro a preencheu completamente e a fez se sentir tão bem. Seu ex gostava se exibir entre os amigos pela natureza ter sido generosa com ele, mas o que não foi revelado a ninguém era o quão mal ele utilizava sua ferramenta — Eu preciso de você.

— Babe — Edward suspira o apelido carinhoso em seu ouvido, investindo com força, a fazendo acomoda-lo por completo – tanto quanto a posição permitia – e jogar a cabeça para frente com um grunhido. O ombro da morena foi vítima dos dentes que insistiam em marca-la suavemente durante o sexo. Achava extremamente erótico vê-la rosada em algumas áreas por causa dele e só o pensamento disso fez seu sangue correr mais rápido, assim como as suas estocadas dentro de Isabella que se o recebia com entusiasmo — Isso está bom?

Um suspiro foi a sua resposta.

Ele subiu com a mão pela pequena barriga de seis meses da namorada e parou ao tocar seus seios. Aquela sempre tinha sido uma das suas áreas favoritas no corpo dela, mas estava sendo extremamente cuidadoso há um longo tempo – eles estavam tão sensíveis e doloridos que só havia duas opções: ele seria cauteloso ou não teria permissão para brincar ali.

Alcançando os mamilos escuros, Edward os acariciou com uma gentileza que nada tinha a ver com os movimentos firmes, rápidos e duros do seu quadril contra Isabella. Os picos haviam mudado de cor – outro bônus da gravidez de sua menina – nos últimos meses, saindo de um tom leve de marrom para chocolate. Ele tinha rido de como a viu ficar insegura sobre isso e sua insistência em permanecer de sutiã na hora de dormir ao perceber que não dava mais para esconde-los. Embora entendesse que deveria ser difícil para as mulheres lidares com as alterações que não eram “muito bem-vindas” em seus corpos, não entendiam porque elas davam uma merda para o que pensavam os homens. Elas estão gerando uma vida, pelo amor de Deus!

— Por favor, mais — Ela chama em um choramingo — Edward, mais rápido.

— Isabella — Edward avisa, mas seu corpo obedece a seu chamado e rosnando, ele acelera seus movimentos para um ritmo tão intenso que os coloca gritando juntos e agarrado ao lençol da cama, ele está quase sobre ela — Você precisa ficar calada. Olhe o que está me obrigando a fazer, porra! — Ele briga quando se acalma e agarra sua orelha com os lábios, fazendo-a tremer com o som da sua respiração.

— Você não vai nos machucar — Ele sabia, mas se continuasse a ouvindo, sabia que perderia o controle de suas ações e a foderia até o cérebro de ambos virar mingau — Vamos, Edward, me tome. Eu preciso gozar. Me faça gozar.

— Maldição!

Quase bruscamente, ele segura seu queixo e puxa o rosto dela para o lado. Isabella o consegue enxergar dessa forma, mas seus olhos se fecham no segundo em que as bocas se encaixam. Tornou-se difícil beija-lo quando Edward estocou nela, esfregando-se na sua bunda para tomar mais profundidade e rebolar, atingindo lugares dentro de sua buceta que a faziam gritar como uma louca. A gravidez a tinha deixado sensível em muitas maneiras diferentes, mas esta, em especial, estava sendo muito divertida de explorar – o sexo saltou de maravilhoso para incrível, rapidamente e quando ambos estão sozinhos no mesmo lugar, essa atividade tornou-se a favorita para passar o tempo. Com o seu tesão aumentando, tem sido complicado para ela manter as mãos longe de Edward e ele tem passado por maus bocados com as fotos provocantes e sensuais que recebe, o fazendo largar o trabalho um par de horas antes.

— Meu Deus — Ela engasga. Sua mão está para trás, segurando o cabelo de Edward enquanto ele brinca com sua buceta, provocando o seu clitóris enquanto persegue o próprio orgasmo — Eu não consigo segurar, Edward. Merda, e-u vou...

— Sim — Ele sussurra com satisfação quando sente o corpo dela enrijecer — Venha nos meus dedos. Faça isso no meu pau — Ela grita e sua buceta torna-se tão apertada que é quase impossível empurrar. A constatação disso o leva para a borda e gemendo alto na nuca dela, Edward banha seu interior — Caramba, babe.

Esgotada, Isabella está choramingando enquanto ele lentamente se move, roçando em suas paredes supersensíveis e fazendo o fimzinho do seu orgasmo se estender até que ela tenta fugir, não aguentando mais. Edward ri e sai dela, mas enlaça sua cintura com cuidado e a puxa novamente, dessa vez a abraçando. Apesar do frio de dezembro, ambos estão suados e ofegantes. Com carinho, ele acaricia seus cabelos e retira alguns fios molhados de seu rosto.

— Está tudo bem? — Edward pergunta, fazendo círculos ao redor do umbigo dela com a ponta dos dedos, mas só recebe um gemido preguiçoso como resposta — Olá, princesa! O papai acordou você? — Ele cumprimenta sua filha ao sentir os movimentos dela na barriga de Isabella, que como sempre, ri da conversa.

Eles foram capazes de senti-la pela primeira vez, cerca de uma semana depois de Isabella completar seus cinco meses. Ela estava mergulhada em sua banheira ridiculamente pequena, momentos depois de fazer o jantar e Edward conseguiu ouvir o seu choro assim que pôs os pés na sala – ele estava pronto para brigar sobre a porta estar destrancada novamente, mas a urgência em saber o motivo de suas lágrimas era maior. Ao descobrir, ele era o único com os olhos transbordando. Isabella gritou, esperneou e o ameaçou durante os três dias seguintes, mas o homem não desgrudava suas mãos da barriga dela quando estava em casa. Até agora, ele ainda não tinha se acostumado com a maneira eficiente que sua filha se comunicava com eles e os alertava sobre algo muito certo, errado ou se apenas queria atenção. Era a garotinha do papai, nenhuma dúvida sobre isso.

— Ela está provavelmente com fome de novo — Isabella murmura, sua voz saindo abafada pelo travesseiro onde seu rosto está caído — Não importa o que eu tenha comido às 3 da madrugada, essa garota ainda vai querer café da manhã.

Edward ri e belisca sua cintura de leve, a fazendo pular e reclamar.

— Seus lanches no meio da noite precisam parar, babe — Ele avisa, chutando os lençóis para o lado — Você tem uma dieta e ela não se resume em sorvete.

— Eu não tomei... — Agora sentada, Isabella cruza os braços embaixo dos seios com insolência, mas um Edward completamente nu que vai até o guarda-roupa para recolher suas roupas para o dia, a distrai completamente.

— Você voltou para a cama cheirando a banana e com o nariz vermelho.

— Eu não... — A morena tenta negar mais uma vez, mas seu olhar cético apenas diz que ele a conhece bem demais e ela geme, vencida — Ela gosta de frutas.

— E eu gosto de você — Ele murmura com carinho enquanto se aproxima e Isabella não perde tempo. Ela engatinha de quatro até estar na borda do colchão e de joelhos diante dele. Coloca os braços ao redor do pescoço do namorado e aceita de bom grado o beijo gentil que ele tem para dar — Gosto muito e não quero ter que dedura-la para o Dr. Wallis, então seja uma boa menina e se comporte.

— Eu vou — Ela ganha outro beijo de tirar o fôlego ao concordar e recebe um novo tapa na bunda quando Edward se afasta para vestir um calção, afirmando que começaria a preparar a comida — Esqueça o café da manhã, volte para cama.

— Não posso, babe. É quase meio-dia e eu tenho um encontro com um cliente para o almoço, então mova a sua bunda para o chuveiro — Ele aponta para o corredor com a cabeça e abre a porta do quarto para uma Lola gritando seus miados para chamar a atenção — É muita mulher para eu dar conta sozinho...

— Você precisa de uma mão?

— Inferno, não — Ele rosna de brincadeira, vendo-a mencionar outro homem com aqueles olhos castanhos maliciosos. Seu olhar cai sobre o corpo nu dela, em pé em seus joelhos enquanto arrulha para a gata e seu pau salta para a vida — Vamos, babe, colabore comigo — Edward geme — Chuveiro! Eu já estou atrasado.

— Eu já estou indo! — Ela grita, revirando os olhos e empurra a língua para fora quando ele lhe dá as costas.

*********

— Você não deveria estar preparando algo para comermos? — Isabella pergunta ao puxar a cabeça para fora da água derramando do chuveiro, quando o sente dentro do banheiro.

Ela ouve a batida da tampa do cesto de roupa suja e então, Edward pula atrás dela.

— Está feito — Responde o ruivo depois de colocar um pouco de sabão liquido nas mãos, ensaboa-las bem e começar a lavar o corpo da namorada — Encontrei uma mistura para waffles no armário, mas estamos sem leite. Você tinha razão. O pouco que tinha estava azedo — Ele concorda e a vira de frente. Os olhos de Isabella ficam enevoados de tesão quando ele separa seus lábios inferiores e circula a entrada da sua buceta com o dedo do meio — Que tal me enviar uma lista de alguns mantimentos para que eu os pegue no supermercado mais tarde?

Isabella tropeça para trás quando dois dedos a penetram e Edward a acompanha nos passos enquanto ela encosta na parede para ter algum apoio. Ele gira dentro dela, a fazendo engasgar e segurar seus ombros, enfiando as unhas na pele quando a familiar queimação do orgasmo começa a se construir.

— Babe?

— Edward, você está seriamente falando sobre compras enquanto me fode com os dedos no chuveiro? — Ela pergunta, incrédula e grita quando o polegar dele começa a mexer em seu clitóris rápido demais — Meu Deus, pare!

— O que há de errado em ter uma conversa com a minha menina enquanto a faço gozar? — Seu pau está duro, cavando na barriga dela, mas ele soa sério como se nada no mundo o incomodasse – inclusive os minutos que ele está perdendo de seu compromisso para fazê-la vir, porque é incapaz de resistir — Você é minha e se eu quero brincar com o seu corpo, eu posso fazê-lo quando eu achar melhor.

— Você...

— Estou certo, Isabella? — Ele não lhe dá uma chance para responder. As bocas se chocam e as mãos de Isabella se emaranham nos fios de cabelo cobre, ensopados em sua cabeça. Seus mamilos roçando no peito de Edward, o beijo faminto e os dedos implacáveis dele é simplesmente muito para lidar — Eu estou certo, babe?

— Sim! — Ela grita, sem fôlego quando liberta de seus lábios e então grita novamente — Porra, sim. Sim. Oh, meu Deus... — Edward apenas acaba de torcer um pouco e encontrar o seu ponto G, dando-lhe um orgasmo ainda mais forte que o anterior. As pernas dela enfraquecem, mas já esperando por isso, o ruivo a mantém de pé embaixo da água e beija delicadamente o seu pescoço enquanto lava o sabão que a está deixando escorregadia.

Sentada no vaso sanitário, dentro de um roupão, ela escova os dentes e o observa terminar seu próprio banho. Edward fica de costas o tempo todo, sentindo seus olhos deslizando por sua pele. Seu pau ainda estava alerta e louco para se enterrar nela, mas não havia tempo sequer para cuidar do problema, então vê-la com aquele olhar de “mais” em seu rosto iria simplesmente arruiná-lo e atrapalhar todos os seus planos para o dia. Ele não tinha vergonha de admitir que estava ficando viciado no avanço do apetite sexual da sua menina.

Após dois orgasmos, Isabella está leve e preguiçosa, por isso não se incomoda com o silencio que se instala enquanto os dois se arrumam. O tempo parece parar enquanto ela usa o secador de cabelo, por isso, quando Edward entra completamente vestido, penteado e perfumado no banheiro para se despedir, a morena se surpreende. Os dois se beijam em meio as afirmações que ele faz questão de fazer todas as manhãs. Isabella se compromete a enviar mensagens de texto ao longo do dia para deixa-lo saber que está bem, a comer nos horários certos, ligar sem qualquer hesitação caso perceba que algo parece errado e não embarcar em uma das suas faxinas loucas.

— Então você vai me enviar a lista?

— Nop — Ela responde, exagerando no ‘p’ e sorrindo inocentemente diante de sua carranca — Não me olhe assim. Eu não quero que compre coisas para mim.

— Isabella — Ele respira — Nós já discutimos isso. Eu liberei a minha empregada de fazer compras e deixar refeições prontas para mim, porque você é a única que tem me alimentado. Eu estou aqui todo o tempo, usando a sua luz, a sua água quente e a sua geladeira! Nada mais justo do que pagar por isso.

— Isso não é um hotel — Ela retruca — E eu não preciso do seu dinheiro.

— O que você precisa é parar de ser chata — Com um rosnado, Edward ataca seus lábios, deixando-a incapaz de discutir ou resistir e só a libera quando a sente puxa-lo ao invés de empurrar — Você vai me mandar os nomes de todos os mantimentos que estão faltando, do contrário, eu simplesmente vou colocar tudo que me der vontade na porcaria do carrinho e você vai ter que lidar com isso. O que prefere?

Isabella grunhe e soca o seu ombro.

— Que babaca!

— Um babaca que te adora — Ele sorri todo cheio de dentes, a acalmando no mesmo instante — A que horas as meninas chegam?

— Hum... acho que em uma hora ou algo assim — Isabella responde, desviando o olhar para o lado na tentativa de lembrar do que haviam combinado — Angela disse que ia passar na confeitaria para pegar algumas coisas.

— Jesus Cristo, mais doce! — Edward resmunga e seus olhos quase vão parar atrás da cabeça, a fazendo rir e bater em seu peito de brincadeira — Por favor, comporte-se? Você perde o sono quando come tanto açúcar, então fica até tarde em frente à TV e se recusa acordar na manhã seguinte.

— Dramático — Ela suspira, mas sabe que o ruivo tem sofrido com o seu mau humor matinal. Inclusive não a deixou esquecer do pequeno episódio na segunda-feira passada, onde a acordou antes da 7 para caminharem pelo bairro e foi literalmente chutado para fora da cama — Eu não vou fazer promessas que não sei se posso cumprir, mas vou dar o meu melhor para não ceder à tentação.

Edward a encara por um tempo, mas termina por respirar fundo e soltar o ar enquanto balança a cabeça. Ele sabe que não vai conseguir nada melhor que isso.

— Está bem. Apenas não reclame que sua bunda está gorda demais para parecer bem nos seus vestidos — Diz Edward para, em seguida, tropeçar no meio da sala quando uma almofada o atinge em cheio na nuca — Mas que porra é essa, Bella?

— Você TEM que amar a minha bunda gorda, Cullen! — Ela grita, de repente irritada — Você colocou esse bebê em mim, é sua maldita obrigação.

O advogado explode em uma risada, não podendo com tanta fofura, como era Isabella com as bochechas rosadas de raiva e os olhos estreitos – parecendo com Lola quando contrariada. Uma gata furiosa. Uma gatinha deliciosamente furiosa.

— Isso não é um problema, babe — Aproximando-se, ele apanha sua pasta na poltrona e para diante dela, apenas quando seus rostos estão separados por mínimos centímetros — Quando eu voltar, a primeira coisa que vou fazer é coloca-la de volta naquela cama e provar-lhe o quanto eu amo a sua bunda gorda.

— Com palavras? — Ela pergunta, timidamente, mas Edward vê o seu rubor descendo para o pescoço. Alguém está ficando excitada novamente.

— Eu lembro que você gostou de brincar com um par de lenços... — Edward deixa a sugestão no ar, sorrindo maliciosamente para ela quando seus olhos ganham um brilho diferente.

Ela nunca admitiria, mas ficou em êxtase após a experiência de ser amarrada.

Essa noite, aquele bumbum estaria recebendo um pouco mais do que palmadas.

Isabella o acompanha até a porta, com Lola entre eles, também tentando se despedir e lhe beija mais uma vez, antes de parar na soleira apenas tempo suficiente para vê-lo sair na Mercedes. Um sorriso ganha espaço em seus lábios quando percebe que isso estava se tornando um costume. Desde que tinha deixado a agência, foram poucas as vezes em que estiveram no apartamento de Edward. Embora lá fosse mais confortável – para ambos – e espaçoso, ela gostava de estar em sua pequena casa e ter acesso fácil a Edward, uma vez que eles podiam se comunicar um com o outro, mesmo que aos berros, estando em cômodos diferentes.

A outra vantagem era exatamente essa.

A rotina que criaram parecia de um casal juntos há pelo menos 5 anos e era de esperar que as coisas entre os dois esfriassem quando a gravidez deixou de ser uma novidade. Eles não estavam prontos ou tentando se tornar pais. Apenas aconteceu e logo quando tinham acabado de reatar.

Sua garotinha podia ter colocado tudo a perder, mas apenas os solidificou.

Seus dedos grudentos de chocolate estavam deslizando na tela do celular quando três batidas foram ouvidas. Então mais três, uma pausa e mais três. Bufando, Isabella afasta o prato com farelos de waffles para o centro da mesa e empurra o dedo indicador sujo na boca, para lamber o resto da calda. Ela ouve risos femininos muito antes de chegar na porta e quando a mesma é escancarada, as mulheres gritam e invadem sua casa, tirando-a do caminho com um forte abraço.

— Olhe o seu tamanho, porra! — Elena grita, com os olhos esbugalhados de admiração sobre a barriga de Isabella que, segundo seu médico, era perfeita para o seu corpo – talvez até um pouco pequena.

— Bem, muito obrigada. — A morena revira os olhos, quase se arrependendo de ter aceitado participar de uma tarde de meninas com aquelas duas, mas tudo se torna melhor quando Elena geme após receber um tapa na cabeça por Angela.

— Estamos ficando violentas? — Ela ergue a sobrancelha para Angie que apenas dá de ombros e abre espaço na sala, jogando suas bolsas no sofá. Elena se volta para Isabella — Desculpe. Você sabe que não quis dizer isso, mas caramba, garota... você não estava assim na última vez que te vi.

— Isso porque eu tenho um bebê crescendo dentro de mim — Ela responde com um tom doce nada sincero que faz a amiga rir e tentar abraça-la novamente, mas um estouro alto as separa novamente — O que há com todos esses balões?

Trancado em sua mão esquerda, Elena tinha vários barbantes ligados a balões com gás hélio no formato de corações cor de rosa e pendurada no outro braço, estava mais uma de suas bolsas extravagantes – praticamente vazia. Embora estivesse embrulhada até o pescoço por causa do frio de dezembro e fosse muito desnecessário, Elena era obcecada por elas, pois, afirmava que lhes davam poder e elegância no trabalho. O que era bom porque, segundo ela, seus colegas eram babacas machistas e tarados que a julgavam por sua aparência.

— Eu só queria mostrar que estou excitada por você estar trazendo outra garota para o nosso grupo. Eu sempre soube que a Angela era uma traidora — Elena envia um olhar sujo para amiga que gargalha, não levando sua ofensa a sério e acaricia com prazer a barriga pontuda esticando o tecido da sua blusa de lã — Escute, onde podemos obter alguma madeira? Está um frio do caralho aqui dentro!

— Eu não estou sentindo.

— Eu concordo — Angela admite, estendendo um copo para Isabella, que aceita com um sorriso, mas o mesmo se perde assim que ela destampa e vê o conteúdo — O que foi? Nós pegamos um pouco de chocolate para você.

— Edward — Isabella geme, cheirando o liquido quase fumegante em suas mãos. Parecia tão delicioso, mas ela tinha prometido — Ele disse que me deixou livre por tempo demais para comer o que diabos eu quisesse no começo, quando descobrimos a gravidez. A realidade é que ele não tinha muita opção, sabe? O homem era incapaz de me negar alguma coisa — As mulheres riem, Isabella das lembranças e as outras porque só podiam imaginar como ela tinha enrolado o advogado em torno do seu cedo — Mas isso acabou e ele me fez jurar que eu me comportaria esta tarde. Acho que prefiro comer o que vocês trouxeram.

— Ok, dê-me isso. Eu preciso me aquecer e pelo visto, não vamos ter algum álcool por aqui, não é? — Elena pergunta, tomando o chocolate das mãos da amiga e recebe olhares céticos das duas gestantes – Okay, então — Só para ter certeza.

— Então a sua lareira não funciona, Bella? — Quando elas se estabelecem nos sofás, Angela pergunta e geme ao se encostar em algumas das almofadas.

— Às vezes, quando ela quer, eu suponho — A morena encolhe os ombros, quase constrangida por não possuir um sistema de aquecimento decente — Na verdade, não mexo nela há algum tempo, mas podemos tentar se for realmente necessário.

— Não, tudo bem. Apenas mantenha todas as janelas e portas fechadas e nos consiga alguns cobertores. — Elena esclarece, a fazendo suspirar.

— E eu pensei que tê-las aqui seria divertido.

— Mas vai ser! Trouxemos comida, filmes de mulherzinha e cosméticos — Ela argumenta e apela quando vê que a morena não parece impressionada — Eu sei que estou soando como uma cadela folgada, mas vou fazer suas unhas para compensa-la. Seja honesta comigo, Bella, há quanto tempo você não vai a um salão e fica bonita para o seu homem?

Ela não sabia, mas fazia um bom tempo.

Isabella não se importava de cuidar dela mesma em casa, apesar de que quase sempre tinha uma hora marcada com Leandra, em uma frequência satisfatória. Mas agora que o dinheiro estava se tornando um problema, ela não deveria se dar ao luxo de pagar por algo que poderia ser resolvido por um custo mínimo. Pendendo a cabeça para o lado, ela estudou a proposta de Elena e decidiu que era uma boa ideia. Se teria mesmo que aguenta-la durante toda a tarde, deveria mantê-la ocupada. Ter as unhas dos pés feitas seria um toque realmente agradável, uma vez que tem ficado estranho alcançá-las desde que sua garota estava ficando maior.

— Está bem. Me mostre o que você tem.

Sentindo-se vitoriosa, Elena cai de joelhos no tapete e começa a puxar para fora de uma das bolsas que Angela havia colocado na mesa de centro, vários esmaltes de tipos, cores e tamanhos diferentes, assim como outros produtos para limpeza e hidratação, acessórios para corte e reparos. Isabella se junta a ela para escolher o que ficaria melhor, constantemente pedindo a opinião de Angie que parecia cansada. Sua gravidez mais avançada estava deixando-a exausta e é claro que o fato de ela não ter aberto mão da confeitaria por completo, contribuía muito para isso. A morena agradecia por, pelo menos, sua vida pessoal estar entrando nos eixos. Seu relacionamento com Stella estava progredindo muito bem desde que ambas haviam se unindo contra a família dela. Não de uma maneira ruim, é claro, mas Stella finalmente os fez entender que estava falando sério sobre permanecer ao lado da namorada e que amava aquele garoto como se fosse seu. Se seus pais quisessem vê-la feliz, apoiariam sua decisão, do contrário... ela não teria outra escolha além de mantê-los a distância. Como isso não era uma opção, o casal engoliu o namoro. O pai de Stella, mais empolgado que a mãe. Tendo criado ela e mais duas mulheres, ele estava ansioso para conhecer o rapaz de Angela.

— Eu ainda não posso acreditar que ele se chama Edward! — Isabella sussurra para Angela, ambas encolhidas embaixo de um grosso edredom que ela tinha retirado do armário.

As três mulheres, após passarem horas lixando os pés umas das outras, tirando cutícula e assoprando unhas, colocaram Uma Linda Mulher para assistir.

— O inferno de uma coincidência, não é? — Angela pergunta de volta, mas não desvia os olhos da TV. Ela ainda ficava constrangida por ter insinuado que o namorado da sua amiga, naquela época, não a beijava por um motivo semelhante ao que acontecia entre a Julia Roberts e Richard Gere no filme — Espero que não acabe aí e o seu também esteja gostoso assim quando alcançar os 40.

— Ele tinha 40 nesse filme?

— 41 — Elena corrige, falhando miseravelmente em não cuspir todo o cookie em sua boca enquanto fala — Eu estou fora desse negócio de “problemas paternos”, mas maldição, eu não hesitaria em sentar no colo desse cara. Ele é quente!

— Sim, ele é.

Angela concorda com um suspiro apaixonado e as coloca para rir.

— Hmmmm — Elena começa, abrindo um sorrisinho pra lá de malicioso — Será que sua vagina muito gravida está sentindo falta de alguma ação de verdade?

— O que? Não! — Ela nega, sentando-se ereta, mas embrulhando-se ainda mais na tentativa de esconder a vermelhidão em seu rosto — Eu tenho ação suficiente.

— E você, Bella, como o seu homem está reagindo agora que há uma terceira pessoa na equação? — Ela pergunta, mas logo entra em pânico — Porra, não, isso saiu estranho pra caralho! O que eu quero dizer é que, bem... eu não sei. É estranho quando vocês estão fazendo algo e de repente ela te cutuca?

Isabella joga a cabeça para trás, dando uma longa risada porque esse era um dos seus principais medos – que Edward perdesse o desejo por ela quando ficasse cada vez mais óbvio que sua criança pura e inocente estava vivendo dentro dela. Ela não era uma grande fã de pornô, mas sabia que existiam homens que se excitavam muito diante de uma mulher gravida. Ela iria perguntar isso para o seu namorado? Absolutamente não! As coisas aconteceram naturalmente. De repente, havia uma protuberância entre eles, mas Edward parecia muito empolgado para atender as suas exigências sexuais, muito obrigada. A única diferença relevante era a emoção em seu rosto quando ele conversava com sua garota ao senti-la muito agitada – durante ou depois da relação. Era doce e sempre a levava às lágrimas, porque como se ouvisse e entendesse, ela sempre atendia ao pai.

— Eu me senti estranha na primeira vez que aconteceu — Ela admite, com um suspiro — Pensei que tinha sido imprudente, que havia machucado ela e quase entrei em pânico, mas Edward me acalmou e repassou comigo toda a conversa que teve sobre isso com o meu médico. Se eu estou satisfeita, a minha bebê está satisfeita e ele fez questão de explicar para ela, mais de uma vez, que tudo o que faz com o meu corpo é para mostrar o quanto está feliz comigo. Com nós duas.

— Oun, isso é tão doce!

— Doce? Eu não esperava menos de um cara com essa profissão. Ele está claramente enrolando a filha para comer a mãe dela — Elena retruca e ri quando uma almofada passa raspando em sua bochecha — Me ignorem. Eu estou apenas com um pouco de inveja. Vocês, grandes e comendo demais, então tendo mais sexo do que eu. Apenas não é justo! — Ela faz beicinho.

— Oh? — É a vez de Isabella se endireitar, de repente interessada no assunto. Quem pode julgá-la? Desde que saiu do emprego, não há mais muito disso – papo de meninas e fofoca – acontecendo — Vocês estão com problemas?

— Não. Talvez... eu realmente não sei.

— Venha aqui, agora — Angela ordena, se livrando do cobertor e abrindo um pequeno espaço entre elas no sofá para encaixa-la. Parecendo tensa, Elena se levanta do chão, expulsa os farelos da roupa e senta no meio das duas — O que está acontecendo?

— Nada. Realmente, meninas, deve ser coisa da minha cabeça.

— Isso não soa certo para mim — Isabella lamenta e empurra seu ombro para encoraja-la — Vamos, apenas diga. Talvez possamos ajudar.

— Eu não acho que possam — Ela discorda rindo, mas prossegue — Tyler está um pouco ausente. Se atrasa para as refeições, perde as minhas chamadas e não tenta transar comigo com a mesma frequência de antes, o que é um absurdo! Ele não me deixava em paz nem mesmo quando sua mãe estava vivendo com a gente. O que eu deveria pensar?

— Você acha que ele está tendo um caso? — Isabella pergunta exatamente o que estava na mente de Angela, soando incrédula — O imbecil não se atreveria!

— Eu não acho que ele esteja me traindo, mas acredito que exista uma tentação e que mais cedo ou mais tarde, ele pode acabar... cedendo.

— Não! — Ela grunhe, levantando do sofá e ficando diante das duas, com uma das mãos na cintura e a outra apontando diretamente para Elena — Tyler é louco por você há anos. Está para nascer uma mulher que vá desviar a atenção dele.

— Você diz isso porque não deu uma olhada na Camila — A loira suspira pesadamente e antes que Isabella tivesse a chance de perguntar quem diabos era aquela, ela explica — Os dois trabalham juntos e estão disputando por uma promoção.

— Bem? Isso não faz sentido. Por que ele dormiria com o inimigo? — Angie pergunta, arrancando uma risadinha dela.

— Camila é gananciosa. Eu não estou dizendo que ela está apaixonada por Tyler e quer nos destruir, mas ele é seu único concorrente e eu temo que ela possa usar seus atributos físicos de merda para distrai-lo — Ela esfrega a testa como se só pensar no assunto a causasse mal-estar e as amigas se olham, entendendo aonde ela quer chegar — A vaca o comeria e o cuspira fora assim que alcançasse o seu objetivo, sem sequer pensar em como ficaríamos depois disso.

Elas ficam quietas por um longo momento. O silencio sendo cortado apenas pela trilha sonora do filme anunciando o seu final, até que Angela opina.

— Eu não tenho a melhor experiência com caras, mas conheço vocês há muito tempo e duvido que o Tyler seria capaz de jogar o que vocês têm, fora, por um casinho no local de trabalho. Vocês são perfeitos juntos.

— Obrigada.

Elena sorri com carinho, mas voltando ao seu estado meio ogra, agarra a cabeça de Angela e deixa um beijo barulhento em sua bochecha, a fazendo resmungar e tentar empurra-la para longe.

— Eu estou com ela, mas você precisa manter seus olhos bem abertos e cavar fundo até descobrir a razão por trás do comportamento dele — Isabella a aconselha, olhando com seriedade e Elena balança em concordância — Tyler pode estar apenas desligado do resto, focado nessa promoção e você surtando por nada. Mas do contrário, me ligue. Eu vou arrebentar com a bunda daquele idiota.

— Você não... — Elena tenta dizer, mas Angela a interrompe com uma risada.

— Ela totalmente faria! Acredite em mim, você não quer deixa-la brava agora. No começo do mês? Eu fui com ela ao veterinário para que Lola pudesse ser vacinada. Então um homem de meia-idade entrou com seu gato, perguntando o valor da castração e a ela surtou! Perguntou-lhe o que ele acharia de ter suas bolas murchas cortadas fora e se ele estivesse ok com isso, ela se ofereceu para fazer o serviço.

— O q-que? — Elena pergunta, tentando respirar entre o riso e Isabella rola os olhos para o alto, não vendo a menor graça sobre ter defendido o animal.

— Eu juro! O coitado parecia que não conseguia sair de lá rápido o suficiente.

— Jesus....

— Isso é o suficiente — A morena bate palmas, dando como encerrado a gritaria das duas — Eu posso ter ficado um pouco temperamental, ok? Mas são meus hormônios. Culpe a eles! Tudo me irrita, então eu percebo que estou sendo uma cadela com as pessoas e começo a chorar. É tão confuso! — Ela geme — A minha mãe quase não me liga mais e Charlie parece achar que é mais seguro me enviar mensagens. Eu... eu não sei como diabos o Edward ainda está me aguentando.

— Ele é um santo. — Angela afirma, balançando a cabeça para cima e para baixo.

— Ele é o pai — Elena corrige, astutamente — É sua maldita função, principalmente porque desde que ele se mudou da Califórnia para cá, não tem feito outra coisa além de virar a vida da Isabella do avesso. Primeiro, o idiota entra no escritório dela e rouba seu chefe. Não se dando por satisfeito, ele invade o espaço pessoal dela, enfia a porrada em seu melhor amigo e exige que ela lhe dê uma chance.

— Não foi bem assim que... — Isabella tenta interferir, mas é cortada com um tapa em seu antebraço, que a faz pular para longe — Ei, não bata na gravida!

— Então não o defenda — Elena estreita os olhos para ela — Será que ele não podia esperar um ano para colocar um bebê em você? Vocês estão juntos há meses.

Angela bufa e empurra os óculos de grau sobre a ponta do nariz, inclinando-se para a mesa de centro na tentativa de alcançar um financier – um bolinho de amêndoas.

— Eles se conhecem desde adolescência, Elena. Estudaram por anos na mesma escola e classe. Antes de se separarem, estavam prestes a deixar a cidade juntos. Eu não vejo onde está o problema.

— O problema é que o Edward não lhe deu tempo para descobrir se ficar com ele é o que ela realmente quer — Elena insiste e a morena desaba no sofá de dois lugares, coçando a cabeça de Lola que salta imediatamente para o seu lado — Como um verdadeiro homem das cavernas, ele a engravidou e agora os dois estão ligados para o resto da vida. Exatamente como ele queria, mas e ela, Angie?

— Isso é fácil de responder — A pequena mulher afirma, encolhendo os ombros como se não fosse grande coisa. Ela olha para Isabella que está cavando buracos em suas coxas e limpa a garganta para chamar sua atenção — Bella, você viveu por dez anos longe desse homem. Você pode nos dizer agora se há alguma possibilidade de querer novamente essa distância entre vocês dois?

— De jeito nenhum! — Ela responde sem hesitar, seu pulso ligeiramente acelerado com a possibilidade de não estar em torno de Edward novamente.

Vendo que era uma batalha vencida, Elena se joga dramaticamente para trás e cobre os olhos com o braço. Sua mão esquerda está imitando os movimentos da boca de Angela enquanto ela dá o seu apoio a amiga, dizendo-lhe o quanto seu namorado é um bom homem e como será um ótimo pai para a criança deles.

— Por que você está sendo tão negativa? — Elena ouve a voz de Isabella antes de sentir o seu lado afundar. Lentamente, ela descobre os olhos e encara o beicinho da morena, arrependendo-se imediatamente de ter dito alguma coisa.

— Eu sinto muito. Você sabe que eu apenas me preocupo.

— Não, você está descontando suas frustrações sobre Tyler em outro cara.

— Angela! — Ela grita, indignada — Eu não faria isso.

— Você faria, mas não de propósito.

— Que seja — Elena faz uma careta, não querendo ceder — Eu me preocupo de verdade com a Isabella e o fato de que o Sr. Perfeito aí ainda não abriu seus belos lábios para dizer que a ama, me deixa com dúvidas. Você pode me culpar?

Sobre isso, Angela não tinha o que argumentar.

No momento em que as palavras deixaram a boca de Elena, a tensão tornou-se palpável na sala. A postura de Isabella as deixou saber que esse não era um assunto que ela queria discutir com as duas ou pelo menos, não estava à vontade para falar sobre ele – o que fazia Elena pensar que esteve certa o tempo todo.

— Garota, eu não estou tentando magoa-la — Ela começa, buscando uma das mãos de Isabella para segurar — Mas vocês pularam etapas aqui. Eu não acho que o coração do Edward estava realmente pronto para perdoar e aceita-la de volta, embora todo o resto estivesse. Isso é o suficiente? Alguém que só gosta de você?

O som daquilo apenas não pareciam certas.

— Ele faz mais do que gostar de mim, Elena. O Edward me ama — Ela afirma com um sorriso que cede um pouco dos lados quando recebe um olhar de pena de volta — Você está certa sobre ele não ter dito as palavras e uma vez, eu realmente achei que precisava delas, mas estava tão enganada! A maneira como ele me olha quando estamos no quarto ou o jeito como me segura para dormir, me dizem tudo o que eu preciso saber. É exaustivo ficar me preocupando sobre a reciprocidade dos meus sentimentos, principalmente quando sei que os nossos nunca serão iguais porque isso não existe em casal nenhum. Eu estou feliz com a maneira como ele me valoriza, me protege e investe em nossa relação — Angela suspira com a confirmação, seus olhos brilhando de emoção por vê-la tão confiante sobre o que tem em mãos — Palavras? Quem me garante que serão verdadeiras? Um toque, um beijo, até mesmo um abraço... nesses eu confio. Então, eu vou estar do seu lado quando você decidir chutar as bolas do Edward porque ele deixou a nossa garçonete flertar com ele ou porque me fez chorar ao esquecer o dia dos namorados, mas por favor, não insinue novamente que ele estragou a minha vida.

— Bella...

— Nós arruinamos tudo e agora estamos tendo uma segunda chance.

Elena franze a testa, mas assente. Angela e ela são suas melhores amigas, mas nunca souberam os detalhes que a fizeram deixar Forks ou de como o término do namoro com Edward foi tão ruim, envolvendo o seu irmão e um outro bebê. Ela manteria as coisas assim. Não precisava reviver essa situação agora.

— Você pode, por favor, parar de observar pela janela? — Isabella pede a Elena voltando para sala, horas depois, em novas roupas. Seu banho ‘rápido’ havia durado mais do que o esperado simplesmente porque a água estava deliciosamente quente.

Ela odiava admitir, mas as meninas tinham razão quanto a temperatura da casa.

— Não é ilegal olhar.

— Não é ilegal, mas é inútil — Ela retruca com uma risada. Alcançando o celular sobre o aparador, ela confere suas mensagens, mas abre apenas as de Edward, para não deixa-lo preocupado à toa. Me divertindo com as garotas, ela responde, Vou tirar uma soneca quando forem embora — Jasper ainda não voltou de viagem.

— Oh — Elena murcha, afastando-se do vidro e deixando a cortina cair — Ainda está no Texas com a sua cunhada? Legal. Isso é, provavelmente, um bom sinal.

— Sim, eu também acho.

Jasper viajou para casa com Alice na manhã do dia 24, uma vez que ele tinha tido um pouco de dificuldade em deixar o hospital antes disso. Foi um verdadeiro pesadelo pegar um voo em cima da hora e em uma data como essa. Alice, estava nervosa beirando o histerismo, tomando cada coisa como um sinal de que essa viagem não daria certo, mostrando um lado dela que ninguém tinha visto antes. Apesar disso, eles embarcaram e foram para o Sul sem maiores problemas. Ela tinha postado em uma rede social o quanto estava impressionada com a cidade e confidenciado à Bella que a casa dos Whitlock-Lowrey era impressionante. Algumas áreas ainda estavam sendo reformadas, mas em geral, estava digna de um bilionário texano, que segundo a sua amiga, revelou-se uma incrível pessoa.

Muito diferente de seu irmão mais novo.

— Então, quando o médico gostoso está voltando? — Elena questiona, se agachando em frente à TV para retirar o DVD do terceiro filme que assistiram essa tarde – Clueless –, suspirando sobre como a Alicia Silverstone era uma verdadeira boneca nos anos 90 — É realmente uma pena ter que ceder o meu útero para alguém, só para sentir o prazer de tê-lo me examinando.

— Elena!

— Talvez você devesse — Angela volta para a sala, o celular na mão e as bochechas coradas. Ninguém precisava ser um gênio para saber com quem ela esteve falando — Ser mãe está na moda e isso salvaria o seu relacionamento fracassado.

— Oh — Elena ofega dramaticamente, colocando a mão no peito como se tivesse sido ferida, então Isabella revira os olhos ao ver que estão brincando e procura um lugar para sentar quando sua menina começa a ficar inquieta — Sua lésbica do mal! No que aquela mulher tem te transformado? Minha doce Angela se foi!

— Ah, cale a boca.

— Vê, Bella? Ela não implica com o Edward.

— Frustrações com o Tyler. — Isabella sorri pressionando o lado esquerdo do estômago onde está sendo cutucada.

— Ei, não diga isso em voz alta. Eu não quero que ele tenha ideias.

— Oh, imagine nós três dando à luz em curtos intervalos de tempo — Angela chora fazendo Isabella rir. Elena parecia apavorada só com a possibilidade — Seria tão legal! Uma ótima história para contar na reunião de 10 anos da nossa turma da faculdade.

— Não vai acontecer — A loira enfatiza, gesticulando com as mãos como se quisesse convencer a si mesma daquilo — Porém, se o pequeno Aiden quiser um irmão quando eu estiver nos meus trinta, nós podemos trabalhar em algo.

O rosto de Angela se ilumina com a ideia.

O nome tinha sido escolhido apenas por ela. Uma vez que Benjamin tinha aberto mão dos seus direitos legais sobre o filho, ele não tinha uma opinião sobre isso ou qualquer outra coisa. O mais triste? Ele sequer havia tentado entrar em contato depois que as reuniões acabaram e tudo estava feito. No fundo, Angie esperava que esse fosse se arrepender de rejeitar seu próprio sangue e ainda acredita que ele o fará em algum momento, mas será tarde demais. Se Aiden sentir por ele, um terço do desprezo que hoje ela sente, o garoto nunca irá querer qualquer envolvimento com Benjamin Malek e qualquer um que faça parte de sua família.

— Eu acho que é hora de ir — Elena anuncia, encarando os ponteiros do seu relógio de pulso e elas concordam — Hoje é o meu dia de folga no trabalho, mas uma dona de casa tem sempre algo para fazer — Ela rola os olhos e levanta, começando a juntar todas suas coisas espalhadas pela sala — Eu adorei conversar com vocês, meninas. Obrigada pelos conselhos. Essa noite, eu vou tirar a cabeça de Tyler de sua bunda e lembra-lo exatamente do que ele está perdendo.

— Hmmmm — Isabella cantarola com malícia, recebendo uma piscadela de volta. Elena termina e passa a recolher as embalagens de tudo o que comeram ao longo das últimas horas, mas a morena não move um dedo para ajudá-la – sua coluna está a incomodando bastante — Nós devemos fazer isso novamente.

— Sim, eu senti falta de vocês — Angela concorda — Você sumiu, Elena.

— Fazer compras com você é brutal! — A loira se defende, fazendo Isabella acompanha-la na risada. Se alguém podia competir com Alice nesse quesito, era sua amiga Angela. Exceto que Angela as fazia visitar muito mais lojas em busca de preços ‘camaradas’ — Eu disse que não voltaria a sair com você até que tudo do Aiden já estivesse pronto e mantive a minha promessa.

— E você realmente acha que vou convida-la para ser a madrinha?

— Agora não brinque com isso — A boca de Elena escancara em choque — Eu mereço ser a madrinha dessa criança! Eu o comprei uma bicicleta.

— E ele nem nasceu ainda — Angela rosna, mas então balança a cabeça e se volta para Isabella, que as assiste com um sorriso fraco nos lábios — Você está se sentindo bem, Bella?

— Sim, apenas um pouco de desconforto.

— Nós não vamos mais ocupar o seu tempo — Elena sorri, enganchando sua espaçosa bolsa no braço e a ajuda a levantar do sofá — Obrigada por nos receber. E eu... bem, eu sinto muito por aqueles comentários. Eu estava sendo estupida.

— Isso é quem você é, querida — Isabella murmura com carinho e abraça lentamente, rindo, então faz o mesmo com Angela — Dirijam com cuidado. E boa sorte com Tyler. Me deixe saber como as coisas estão indo.

— Claro.

— Fique bem, Bella!

Sozinha em casa, Isabella verifica se há ração para Lola e lhe dá alguns petiscos para não tê-la miando através da porta em pouco tempo. Ao chegar no quarto, ela percebe que o efeito do banho quente está passando e embora esteja bem agasalhada, o lugar está realmente frio. Sua cama com os lençóis ainda amassados a chama, mas antes de cair sobre ela, a morena alcança o celular e sorri diante da nova mensagem de Edward, em resposta a que ela mandou. Ele está, novamente, a lembrando sobre a comida faltando na cozinha e embora ache sua preocupação muito doce, a ideia de vê-lo lhe dando coisas faz o seu estômago ficar enjoado.

Aos 18 anos, Isabella já era independente e não aceitou ajuda da família, exceto quando se tornou realmente necessário. Mesmo sabendo que nunca haveria igualdade de salários na relação deles – já que Edward havia feito uma pequena fortuna na última década e ainda ganha muito bem –, a ideia de estar sendo sutilmente sustentada, a incomodava bastante. Presa às consultas médicas, viagens rápidas à Forks para que Renée e Charlie pudessem participar mais da gravidez e em receber a família Cullen que os visitavam duas vezes ao longo do mês, ela perdeu um tempo precioso e encontrar um novo emprego não se tornou uma tarefa fácil. O dinheiro no banco que antes parecia suficiente, hoje estava se tornando escasso. As contas estavam se acumulando e a deixando preocupada. É claro que quando Edward descobriu o motivo por trás do seu estresse, disse que iria cuidar das suas despesas. Ela foi veemente contra, afirmando que daria um jeito – embora não tivesse ideia sobre isso de haver um jeito – e que logo essa fase ruim passaria. Para sua surpresa, ele ouviu pacientemente os seus argumentos e deixou a mesa após beija-la na bochecha. Isabella estava confiante que havia ganhado essa, até notar que sua bolsa foi aberta e as faturas dos cartões haviam sumido.

Suspirando, ela senta no colchão e anota em um caderno tudo que é capaz de lembrar sobre suas compras do mês e não hesita em colocar entre parênteses, o nome das marcas mais baratas – porém, boas –, mas tem certeza de que Edward eventualmente perceberá o seu truque e a fará pagar por isso de alguma forma. Usando a câmera do celular, ela tira uma foto da folha e manda com um agradecimento, seguido de um emoji de um grande coração vermelho. Rindo, ela cai nos travesseiros quando recebe uma carinha mandando um beijo de volta.

Mais tarde naquele dia, Isabella acorda perdida por não se dar conta de adormecer.

Bocejando, a morena estica os seus membros tanto quanto possível e fica satisfeita ao sentir que o incomodo em suas costas passou. Ela se arrasta para fora da cama e liga o abajur do criado-mudo ao lado para iluminar o cômodo e sai para o corredor. Isabella xinga quando pisa em um dos brinquedos de Lola e chuta para perto da parede, onde não possa machucar ninguém – se comprometendo em apanha-lo na volta. Ela alivia sua bexiga rapidamente, lava o rosto para se livrar da vontade quase incontrolável de dormir novamente e segue até a sala, acendendo a maioria das luzes enquanto passa.

— Isso vai ficar feio. — Ela sussurra quando um trovão ressoa pela casa.

Ainda está frio, graças a tempestade que está caindo lá fora, mas não é de todo ruim. Apenas diferente da neve que tem deixado a cidade branca desde a semana passada. No último domingo, eles celebraram o natal e apesar da insistência de ambas as famílias, Edward e Isabella decidiram permanecer sozinhos em Seattle. Era o primeiro deles como casal e ambos desejavam a privacidade que não tiveram ao passar a Ação de Graças com eles.

Todos ficaram durante todo o final de semana em Forks, com exceção de Rosalie, Emmett e Mason, que partiram logo após o almoço no sábado. O dia seguinte a gravidez ser revelada foi incrível. Esme ainda estava no sétimo céu com a ideia de ser avó novamente e mimou os jovens pais ao extremo. Embora fosse impossível não notar que o irmão mais velho de Edward estava distante, ele participou de todas as atividades em conjunto e gastou a maior parte do seu tempo com a esposa e o filho – como se quisesse lembrar o que tinha e não focar no que perdeu. Rosalie, por sua vez, estava mais receptiva a respeito de Isabella estar ganhando seu espaço de volta aos Cullen. Ela confidenciou ao cunhado que a raiva de sua namorada era fruto da ideia equivocada que tinha em sua cabeça de que a mulher havia abortado um filho de Emmett. Uma parte dele que ela adoraria ter conhecido e criado, se Isabella realmente não o quisesse.

Ela também admitiu que as duas nunca seriam grandes amigas, porque quer tenha se passado dez anos ou não, Isabella teve Emmett e isso é algo que, não importa o quanto os quatro queiram, não vai ser apagado do passado e ela se sente desconfortável a cada vez que pensa no assunto. Isabella entendia isso e aceitava, pois, estava satisfeita com a maneira em que a relação delas estava funcionando. Entre pequenos favores, conversas paralelas e o amor que ambas sentiam por Mason, elas descobriram que não era tão difícil suportar e conviver uma com a outra.

Isso era o suficiente e Edward estava orgulhoso.

Isabella ainda estava surpresa por ele não ter saltado sobre Emmett quando os viu agarrados no meio da noite. Ela pensou que seu coração fosse saltar pela garganta quando retornou para o quarto e o encontrou desperto, até preocupado com o irmão. Ela apressou-se em explicar que havia acordado com sede e ao encontra-lo, foi incapaz de ignorar e deixa-lo sozinho, embora fosse o que ele queria. Emmett foi sincero ao dizer que se sentiu oprimido. Embora ficou muito feliz por Isabella estar de volta à vida do seu irmãozinho, ele não esperava esse tipo de avanço tão cedo e muito menos que a notícia fosse causar tal bagunça em seus sentimentos. Ela não pensou nem por um segundo que Emmett não queria que ela estivesse gravida ou que sua reação fosse por inveja. Era apenas estranho que uma vez eram os dois nessa mesma casa, fazendo planos para uma criança deles e algum tempo depois, ela já não existia, como se uma borracha tivesse sido passada sobre o destino de ambos, retirando aquela partezinha especial.

Os dois conversaram por uma longa hora e Isabella passou para ele, tudo que lhe foi dito e ensinado enquanto teve sessões com a terapeuta da faculdade – uma que ninguém sabia que ela visitou por um tempo. Emmett tinha uma boa cabeça e não foi difícil convence-lo que aquele bebê não era suposto ficar nesse mundo e viveu apenas o suficiente para muda-los, como pessoas e para melhor. Que Rose não teria cruzado o seu caminho e Mason poderia estar na mão de outras pessoas nesse momento. Pessoas que poderiam não ser tão boas para ele. Como o grande idiota que era, após todas as palavras bonitas, ele enxugou as lágrimas e pediu desculpas por seu momento frutinha. Na manhã seguinte, ele estava melhor e no sábado, ainda mais. Fez piadas, deu um bom momento a todos e pareceu verdadeiramente animado sobre essa coisa de ser tio e afugentar os garotos do jardim de infância que começarem a olhar demais para a sua sobrinha.

Agora, depois de acender algumas velas, na tentativa de aquecer o lugar, Isabella arrasta uma das cadeiras da mesa até o seu quarto. Ela a situa de frente para o guarda-roupa – com as portas abertas – e faz mais duas viagens até a cozinha para buscar caixas vazias. Na gaveta do criado-mudo, ela encontra uma fita adesiva larga o suficiente e uma caneta preta de ponta grossa. Tendo tudo o que precisava em mãos, ela amarra o cabelo em um rabo de cavalo bem alto em sua cabeça, mas antes que possa se sentar, o celular acende e vibra, chamando sua atenção.

Era uma mensagem de texto muito clara de Jasper.

Ele gostaria de saber se ela seria capaz de busca-los no aeroporto amanhã.

Isabella responde que sim e rapidamente pede pelas informações do voo para saber que horas deve estar lá, antes de apagar a conversa. Se Edward visse, com certeza a proibiria de ir, o que não quer dizer que ela o obedeceria, mas os meteria em um inferno de uma briga. Ele sabia o quanto a irritava receber ordens, mas constantemente estava perdendo a batalha contra o seu ‘eu superprotetor’ e quase a sufocava com suas restrições sem cabimento, então sim, havia uma série de coisas que Isabella fazia por suas costas – todas seguras o suficiente.

Pelo o horário marcado no canto superior da tela, ela sabia que tinha pouco tempo até que ele chegasse em casa. Provavelmente não estava de volta ainda por causa da ida ao supermercado, então uma vez sentada de frente para a montanha de roupas e acessórios que possuía, Isabella começou a trabalhar. Ela não parou de separar as coisas velhas e inúteis, até abrir sua caixa de joias e encontrar duas pequenas fotografias da sua mais recente ultrassonografia. Agora era capaz de ver sua garota melhor e sabia que o seu pequeno corpo já apresentava pelos nas sobrancelhas e cílios. Edward estava mais do que ansioso para descobrir se ela teria o seu cabelo arruivado ou os fios escuros de Isabella.

Ele queria uma cópia fiel dela.

Tocando o papel mais uma vez, ela sorriu.

Quando sábado chegou, Isabella ficou preocupada. Ela realmente não estava podendo arcar com superproduções e vetou presentes entre os dois. Edward ficou furioso! Ele queria passar o primeiro natal dos dois a enchendo de mimos e bajulações, mas sabendo que não poderia retribuir a altura, ela foi irredutível e ficou decidido que ambos passariam a data fazendo coisas especiais um para o outro, desde que não envolvesse bens materiais.

Naquela noite, Edward a levou para jantar em um restaurante italiano, muito bem recomendado por um cliente e não se arrependeram da escolha. O lugar era bonito, aconchegante e elegante, mas não ao ponto de deixa-la se sentindo um peixe fora d’agua. O atendimento foi incrível e Isabella deu boas risadas com suas tentativas falhas de aprender a língua nativa do Maitre, um senhor muito simpático, e a comida estava divina. Ela até usou a desculpa de “estar comendo por dois” para obter um pouco mais. Isabella pensava que tinha sido clara sobre não gastar muito dinheiro um com o outro, mas isso não impediu o advogado de reservar as quatro mesas próximas à dele para ficar mais à vontade com ela no restaurante. Ele se absteve de beber em cada refeição para não tenta-la, pois sabia que ela sentiria desejo de um bom vinho para acompanhar seus pratos. A sobremesa foi pedida e embrulhada para viagem e a volta, muito rápida. Edward tentou deixa-la nua no segundo em que pisaram em casa e seu estômago afundou quando ela lhe disse que tinha uma surpresa. Ele não fazia ideia do que se tratava, mas foi instruído a tirar a roupa e esperar ser chamado. Cerca de 10 minutos depois, ele ouviu seu nome ser gritado e apenas de boxer, entrou para encontrar velas aromáticas espalhadas no quarto, a cama com novos lençóis brancos e Isabella em uma sexy lingerie de renda que nunca tinha visto antes. Por uma hora inteira, Edward foi submetido a uma massagem erótica, o que ele apelidou de ‘tortura’ porque era o que parecia, uma vez que não era permitido tocar em Isabella mesmo quando estava duro como aço. Toda a experiência valeu a pena. Além de sentir seu corpo livre de toda a tensão acumulada no escritório, Edward estava a ponto de querer fodê-la tão duro que ele acabaria permanentemente preso dentro dela.

Quando eles terminaram, a calcinha de Isabella era só trapos e o sutiã tinha o fecho quebrado. Ela, exausta e mole, adormeceu antes mesmo de ele acabar de apagar as velas. Edward cheirava a sexo e óleo de massagem, mas não estava pronto para se livrar disso ainda e embrenhou-se nos lençóis para abraça-la por trás e dormir entre os seus cabelos. À meia-noite, Isabella foi acordada com beijos na linha de sua coluna. Incerta sobre estar sonhando não, ela permaneceu quieta até que Edward lhe pediu para abrir os olhos, pois era natal e tinha algo para lhe dar. A morena sentou-se na cama com um pulo. Ele não ouviu uma palavra do que que ela disse?

— Edward, eu avisei a você! Não deveríamos comprar...

— Shh, babe, relaxe — Ele pede. Seu sorriso cheio de dentes brancos a amolece por dentro. Por que ele tem que parecer um adorável garotinho sonolento? — Eu não disse que comprei algo para você, mas que tenho algo para te mostrar.

— Eu estou confusa.

Ele sorri mais largo ainda com a sua admissão e se vira. Mordendo o lábio, Isabella assiste quando ele derruba o corpo na borda da cama e procura por alguma coisa embaixo dela. Ela ouve sons de plástico, algo como uma sacola, então Edward grunhe voltando a se sentar e em seu colo há uma caixa quadrada, mas não muito alta. Há uma um laço enfeitando a tampa e com os olhos brilhando em expectativa, Edward a entrega em suas mãos.

Isabella ri quando sacode um pouco a caixa. É leve, quase como se estivesse vazia. Seria alguma pegadinha? Não. Edward parecia nervoso demais. Ele sequer estava olhando para os seus peitos descobertos – uma área que ele admirava com muita frequência desde que haviam crescido.

— Babe, vamos, abra!

— Ok, tudo bem — Ela concorda — Vamos ver...

Quando a morena puxa fora a tampa, há papeis brancos e inúteis protegendo o conteúdo. Ela não sabia o que esperar, mas quando finalmente alcança o que tem dentro, seus olhos ficam úmidos e ela tem que concordar com Edward. Ele não gastou um centavo comprando um presente para ela, mas sim, para a sua filha.

— Você gostou?

Edward soava inseguro, mas soltou a respiração quando recebeu um sorriso tremulo como resposta. O cheiro infantil e viciante de bebê vem à tona quando ela tira a roupinha da caixa. Era possuía três partes: calça azul clara, bodysuit rosa sem mangas e um minúsculo moletom branco com capuz e estampa com flores nos mesmo tons das outras peças. Algo que ela usaria em uma boneca, mas podia imaginar a sua garotinha ali dentro.

— É claro que gostei! É o primeiro presente dela... — A voz de Isabella falha no final e é preciso limpar a garganta. Sua barriga esfria só de pensar que no próximo natal ela já estará dando brinquedos para a garota — Edward, é realmente lindo. Muito obrigada — Ela sorri grande e se inclina para beijar docemente os seus lábios. Ele segura sua nuca e coloca a língua em sua boca antes que ela possa sair e faz o beijo durar muito mais — Onde você conseguiu isso?

Ele dá de ombros, parecendo envergonhado.

— Eu nunca tinha entrado em uma loja dessas antes, mas acabei parando em frente a uma na terça-feira e a vitrine me chamou atenção. Havia... tanta coisa — Ele arregala os olhos e Isabella ri porque podia imaginar a reação dele — Você precisava ter me visto perguntando a vendedora se era possível um ser humano caber naquelas roupas, mas ela me garantiu que era o tamanho certo para um recém-nascido, desde que ela nascesse no tempo certo. O que vai acontecer, porque nós já conversamos sobre isso. — Ela solta uma nova risada quando o vê estreitando os olhos para sua barriga, como se usasse algum método esquisito de telepatia para falar com a filha deles e avisa-la de algo.

— Eu acredito que ela esteja certa — Isabella afirma, pegando o moletom, apertando em suas mãos e levando até o nariz para fungar ruidosamente. Edward sorriu em aprovação como já tivesse feito isso antes — É com esta roupa que a nossa garotinha virá para casa conosco, Edward. Ela ficará tão linda.

— Como você, amor — Ele concorda, soando agradecido — Exatamente como você.

*********

— O que no mundo você pensa que está fazendo? — Ela tem que balançar a cabeça ligeiramente para voltar ao presente quando ouve o rosnado furioso de Edward.

Os olhos dela caem sobre a sua figura encharcada da chuva e seus lábios fazem um ruído estranho quando ela tenta aperta-los para impedir a risada que ameaça escapar. Ela sorri para ele e se vira na cadeira para tentar fazer uma piada sobre o seu estado, mas Edward grunhe novamente e pisa duro em sua direção.

— Eu espero que aí em cima esteja um rato do tamanho de um cachorro, porque só isso justifica toda essa bagunça e você estar de pé nessa cadeira alta! O que diabos você está pensando? — Ele briga, mas a segura para ajudá-la a descer. Como se para enfatizar o seu ponto, a cadeira desliza um pouco no piso e Isabella enrijece quando o vê fechar os olhos — Sabe o que poderia acontecer se você caísse e não tivesse ninguém em casa para te socorrer?

Seu rosto perde a cor e ela abraça a si mesma, se perguntando porque estava constantemente se colocando nessas situações.

— Eu sinto muito, mas precisava desocupar a parte de cima também — Ela diz segurando a lapela do paletó de Edward e ele respira, a olhando de volta — Você está todo molhado. O que aconteceu? — A água desliza entre seus dedos e pinga no chão, se juntando a poça que ele tem sob os seus pés.

Edward passa a mão pelos cabelos, os jogando para trás com facilidade.

— A chuva aumentou e eu precisava tirar as compras do carro. Então, quando cheguei à porta, não consegui encontrar as suas chaves e enfim... — Ele suspira e olha em volta. Há roupas em caixas, objetos em sacolas e sapatos espalhados no tapete. Franzindo a testa, ele pergunta — Por que você não disse que pretendia fazer doação? Tenho certeza que há algumas coisas em casa que eu poderia dar.

— Porque eu não vou! — Sua resposta soa incrédula. Se Isabella se livrasse de tudo que tinha empacotado, não teria muito mais para vestir — Vou encontrar algum lugar para coloca-las amanhã, mas acho que já é hora de começar a organizar as coisas por aqui. Três meses passam muito rápido, Edward.

— Três meses... — Edward pronuncia as palavras devagar, seus olhos no paletó que ele está desabotoando. Isabella se apressa para ir até suas costas e livra-lo da peça. Ele sente sua barriga pressionando suas costas e de repente, a questão fica muito clara — A nossa filha nasce no começo de abril.

— Sim, querido — Isabella responde com paciência, esperando agora que ele chute os sapatos para fora e se livre das meias, para juntar-se a pilha de roupa molhada que ela tem em seus braços — Eu preciso abrir espaço para ela aqui. Infelizmente, só temos um quarto nessa casa, então tenho que fazer funcionar para nós duas.

— Você sabe o que está dizendo, Isabella?

— Bem, você seminu e próximo à minha cama me distrai um pouco, eu admito, mas sei muito bem o que falei, Edward. Por que você parece tão surpreso?

— Porque se você acha que vou deixa-las viver aqui, está muito enganada — Isabella engasga um pouco com sua afirmação e abre a boca para retruca-lo, mas ele apenas balança a cabeça como se estivesse achando engraçado e passa por ela para sair do quarto — Se você tivesse me perguntando isso antes, teria poupado tempo e esforço, mas acredito que é bom que tenha algumas das suas coisas prontas para levar, não é?

— Levar? — Ela grita no corredor, após derrubar as roupas no chão e segui-lo. Edward desaparece no banheiro — Levar para onde?

Ela chega a tempo de ver sua bunda firme e um pouco mais clara que o resto do corpo, enquanto ele segue para o chuveiro e ajusta a temperatura.

— Edward?

Ele mergulha a cabeça no jato forte e a água escorre por suas costas.

Hum. Talvez devêssemos falar sobre isso uma outra hora.

— Para o meu apartamento, amor — Ela ouve sua voz após um segundo — Beth tem passado mais tempo lá do que nós e eu só a pago para limpar o lugar. Tenho dois quartos sobrando e muito espaço para você e nossa filha quando ela crescer.

Crescer? Ele estava pensando tão à frente assim?

— E há também essa pequena biblioteca que eu não uso. Nós podemos converte-la em uma área de recreação. Fica ao lado do meu escritório e eu posso sempre ouvi-la brincar, se a porta estiver aberta. Você não vai precisar ficar subindo e descendo as escadas para checa-la o tempo todo.

Ok. Muito à frente.

Os planos de Isabella não tinham chegado a parte onde a sua filha estaria grande o suficiente para precisar de um lugar para brincar e talvez, de um quarto só dela.

Seu coração estava batendo acelerado no peito.

— Então você quer morar comigo?

Edward desliga o chuveiro. O cheiro ao redor é delicioso. É dele, de limpeza e seu sabote que estava logo abaixo do dela no suporte da parede.

— É praticamente o que está acontecendo aqui, Bella. Eu só tomei a decisão de levar isso para outro lugar — Ele explica — Sua casa era perfeita para uma mulher solteira e que passava o dia fora, no trabalho, mas não é suficiente para nós e Lola. Quem dirá um bebê! — Ele ri, alcança uma toalha limpa e seca o corpo rapidamente antes de envolve-la em seus quadris — Vai ser uma boa mudança.

— Mas... mas...

— Mas o que? — Ele interrompe, vindo em sua direção e empurrando-a para a pia. Assim que a borda toca suas costas, Edward roça o nariz na bochecha dela e sussurra — Você não quer viver comigo? Preparar as refeições naquela enorme cozinha que tanto admira? Encher as paredes brancas com todas essas merdas coloridas e femininas que você gosta? Não vamos mais dormir separados... todas as noites em meus braços, babe.

As mãos de Isabella estão plantadas em seu peitoral e seus olhos bem fechados. As imagens que ele está pintando em sua cabeça são agradáveis. Ela consegue se imaginar abrindo o apartamento para amigos visitarem. A ideia de ter espaço e conforto para receber seus parentes e amigos para jantar é tentadora. Não ter que se preocupar com as necessidades básicas do seu bebê porque Edward estaria sempre lá, também é um alivio em seus ombros e viver com ele como sua mulher... soa como um sonho bom demais para ser verdade. O que há ainda para pensar?

— É que você não pediu.

Ela o olha por baixo dos cílios e Edward ri de seu jogo. Ela grita quando ele a puxa, mas é silenciada com um beijo de fazer seus joelhos se juntarem e eles só se soltam quando o ar no banheiro, de repente, torna-se um pouco quente demais.

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— Você gostaria de morar comigo, Bella?

— Sim — Ela responde sem hesitar, mas seu olhar cai e ela umedece os lábios secos, diferente de suas palmas que estão começando a suar — Quero dizer, se realmente me quiser com você, Edward. Eu não preciso estar colada em seu quadril para que você tenha acesso a nossa filha quando ela nascer. Nós podemos...

— Eu não estou fazendo isso por causa dela — Edward diz e enfia os dedos em seu bumbum para não ceder a vontade de sacudi-la para fora da sua insegurança estupida — Eu ia querer dar esse passo com você eventualmente. A gravidez apenas adiantou as coisas, mas ei, é assim que nós somos, certo? Sempre fazendo o que não é esperado. Por favor, diga que irá se mudar. Que vai viver comigo.

— Edward.

Diga.

— Eu vou. Oh, meu Deus, eu vou! — Isabella grita e se contorce quando ele começa a cutuca-la por todo o lugar, a fazendo chorar de rir com as cócegas. Em segundos, Edward está rindo junto e parecendo muito satisfeito — Pare. Por favor! Eu vou fazer xixi nas minhas calças — Ele para imediatamente e levanta as mãos em sinal de rendição, dando um passo para trás — Jesus....

Isabella realmente fez xixi, mas alguns minutos depois quando finalmente ficou sozinha no banheiro e ele prometeu vestir algo quente e livrar-se das roupas molhadas. Edward a proibiu de entrar no quarto até que ele tivesse secado tudo e lhe pediu para guardar algumas das compras que estavam na mesa, mas a advertiu sobre manter os pés no chão. O idiota a fez corar de propósito ao insinuar que mais tarde, com certeza, a colocaria para subir e montar alguma coisa.

— Oh, Lola, não — Ela chora quando encontra gata comendo o salame fatiado que Edward tinha trazido. Alguns mantimentos já estavam fora das sacolas e essa bandeja estava no chão, caída e com o plástico rasgado por suas unhas — Eu não posso acreditar. Você é uma ladra! Olhe só para isso... o seu pai vai matá-la.

Lola se senta em sua bunda e lambe a pata direita, ignorando-a completamente.

Tomando uma respiração, a morena se coloca em seus joelhos e começa a limpar. Apesar de estar brava com a gata, ela decide guardar o resto para que ela possa comer depois ou aquilo simplesmente iria para o lixo. Seu humor melhora um pouco quando ela percebe que havia mais salame e então, começa a guardar tudo – não passando despercebido que Edward havia comprado as coisas nas marcas que ele achou adequado. Algumas nem ela mesma conhecia.

Quando ele voltou, estava vestido em um pijama. A calça de flanela era azul com preto e cinza, a blusa branca e de mangas compridas. Alguém estava com frio. Ela riu quando foi abraçada por trás e assim que as grandes mãos de Edward tocaram sua barriga, ela sentiu os familiares movimentos da garotinha chutando.

— Isso não é justo. Como ela sabe que é você? — Isabella se queixa.

Rindo, Edward deixa um beijo estalado em sua testa e se vira para a geladeira.

— Isso é coisa de pai e filha, babe. Desculpe — Ele pisca, a fazendo rolar os olhos e cruzar os braços embaixo do peito — O que você quer para o jantar?

— Eu posso fazer uns sanduíches. Não estou com muita fome.

— Parece bom — Ele concorda e tira de dentro todos os ingredientes que gostaria de ter entre as fatias de pão — Você se divertiu mais cedo?

— Eu fiz — Isabella suspira — Angela estava bem, mas parecia tão cansada. Acredito que ela está mais do que pronta para trazer aquele bebê ao mundo.

— Ela vai, muito em breve.

E logo em seguida, será a minha vez, ela pensa com um sorriso.

— O que há são todos aqueles balões na sala?

— Oh, isso é Elena — Ela encolhe os ombros como se aquilo explicasse tudo — Ei, você sabia que a sua irmã está voltando amanhã? Jasper me mandou mens-

Isabella é interrompida pelo som de um celular tocando.

Edward raramente o deixa apenas vibrando ou no silencioso – ele nunca sabe quando seus clientes vão precisar de sua ajuda. Com um sorriso de desculpas, ele deixa a cozinha e corre para atender. Ela usa a deixa para terminar os sanduíches.

Na última camada de presunto, sua barriga já está roncando de fome e quando ela se prepara para dar uma mordida no sanduíche, Edward retorna coçando o cabelo e parecendo nervoso.

— Aconteceu alguma coisa?

— Hum, aconteceu. Eu tenho notícias.

— Sim? — Ela insiste — Sobre o que?

— É Chelsea... nós a encontramos.

Oh, Deus. Por favor, não esteja morta.

Notas finais
O casal tá sério, hein, gente? Isabella até topou morar junto! Essa menininha está fazendo um trabalho incrível para uni-los, mas é lindo que ele assuma que pensava a respeito antes mesmo da gravidez ser descoberta. Acho que ninguém mais separa esse casal. Ou será que tá tudo muito bom... demais? Espero que vocês tenham gostado. Deixem reviews e até o próximo. Beijo e juízo nessas festas de final de ano, hein. (: