Erros de Sempre

15 Capítulo 14


Notas iniciais
Espero que gostem desse. Boa leitura, gente. E obrigada, Rafa, pela recomendação :)

Quando Ravi entrou na sala do seu amigo, ele estava abotoando os primeiros botões da camisa social que haviam se soltado durante a conversa que teve com sua secretaria. Sequer podia acreditar em si mesmo naquele momento. Ele estava seriamente cogitando fazer as coisas da maneira como sua funcionaria, amiga e amante, Aubree, queria. A mulher tinha lhe dado um maldito ultimato sobre se estabelecer e parar de trata-la como um pedaço de bunda. Diferente das outras, as joias não a faziam pular de felicidade, para que seus olhos se deleitassem com a visão dos seus peitos fartos balançando. As viagens também nunca eram aceitas, pois ela estava sempre focada demais no trabalho e, uma vez que ele não era oficialmente nada seu – além de chefe –, ela recusou toda e qualquer ajuda sobre o aluguel do modesto flat que encontrou.

Aubree não estava interessada no luxo que poderia obter apenas por deixa-lo tirar a sua calcinha algumas vezes na semana, mas queria um homem que a assumisse em todos os sentidos, inclusive no sentimental. Ela queria perder horas do final de semana, no cinema, para assistir filmes de mulherzinha e ter um ombro masculino para chorar. Queria alguém para apresentar a sua mãe – mesmo que a senhora estivesse há quase 5 anos em uma casa de repouso e já não fosse tão lúcida quanto antes. Queria que ele lhe desse a chance de mostrar que não há nada de assustador em se apaixonar, mesmo que a palavra sempre fizesse sua nuca pinicar. Queria representar mais do que um corpo vazio ocupando o outro espaço da cama e sentir-se menos solitária.

E era por causa disso que Ravi estava cedendo.

Talvez, ele devesse culpar Edward e sua viadagem, de quando cortou todas as garotas de sua vida – exceto sua atual namorada.

Desde que se conheceram durante uma viagem, ele tem assistido o seu amigo se tornar o Jon Hamm de Mad Men – um verdadeiro gênio da publicidade e um dos maiores pegadores da TV. Assim como o Jon é casado e o Edward sempre esteve laçado à Isabella, os dois nunca hesitaram em se envolverem com outras mulheres, sejam elas; vizinhas, clientes, filhas dos clientes ou desconhecidas e além de estranho, o assustava pra caralho, vê-lo bancando o cãozinho de estimação dela pelos últimos meses.

Ele limpou a garganta para chamar atenção de Edward, que estava no telefone e após receber um aceno de reconhecimento, caminhou na direção das garrafas para servir-se de uma dose de Gold Label. Ele quase podia sentir um buraco sendo feito nas suas costas. O advogado detestava que ele saísse do seu lugar para roubar o whisky dele, mas Ravi gostava de beber acompanhado e Edward raramente lhe fazia visitas. O homem estava sempre ocupado.

— Embora ache que você me deixaria de bolas azuis, vestida de Diana, eu não estou disposto a usar cueca por cima da calça — A cabeça de Ravi girou quando ele registrou as palavras ditas para quem quer que estivesse do outro lado da linha. Ele arqueou a sobrancelha, mas Edward ergueu o dedo do meio e continuou — Porque se Emmett conseguir uma foto assim, você será vista como gostosa e eu serei piada pelos próximos quinze anos, Isabella — Edward bufou, encostando-se na cadeira de couro, balançando-a devagar de um lado para o outro enquanto ouvia a réplica — Sim, além do mais, eu supus que nós deveríamos parecer assustadores? Bem, você com certeza pode riscar Mulher Maravilha e Superman da sua lista.

Ravi tomou um assento em frente à mesa enquanto ria das imagens que sua mente criou com aquele pedaço de informação e Edward rolou os olhos para ele.

— Está bem. Você deveria trazer algumas fotografias quando for para o apartamento e então, talvez peçamos uma terceira opinião — Ele ofereceu, o sorriso brincando em seus lábios, disfarçando a expressão cansada em seu rosto. Algo na resposta o fez rir, mas a luz azul do telefone piscando – alertando-o sobre outra chamada – o fez voltar a si — Eu preciso ir. Tenho algumas coisas para resolver antes de deixar o escritório. Sim, claro. Eu também, babe.

A chamada era apenas Maggie, comunicando um reagendamento e o deixando saber que por isso, ele teria as duas horas livres, no início da manhã.

— O que era isso que eu estava ouvindo? Será que vocês estão tentando apimentar as coisas no quarto ou algo assim? — Ravi brincou, entregando um copo do liquido âmbar para ele, assim que o telefone foi colocado de volta ao gancho.

— Antes fosse — Edward brincou junto, com uma risada — Os colegas de Isabella estão organizando uma festa para o dia 31 e ela está escolhendo as nossas roupas.

— Sério? — Ravi o olhou como se não o reconhecesse — Você foi chamado por um cliente que estava na delegacia, enquanto estava envolvido com outro caso e quando finalmente volta para cá, ainda tem disposição para lidar com isso?

— É importante para ela. — A voz de Edward soou como uma repreenda, o impedindo de questiona-lo sobre isso outra vez, mas Ravi bufou.

— Será que a sua namorada não percebeu ainda que você trabalha diariamente salvando bundas por aí? A minha maldita mulher saberia melhor do que me ligar durante o dia para me perguntar sobre merdas como essas.

— É por isso que você não tem uma mulher, imbecil — Edward rosnou, aborrecido com o seu tom e o olhar de tédio do amigo o deixava ainda mais estressado — Isabella sabe que pode entrar em contato a qualquer hora do dia. Se eu posso atende-la, por que diabos não vou querer falar com ela?

De fato, era umas primeiras coisas que ele perguntava quando voltava ao escritório. Se a sua Isabella tinha ligado. É claro que Ravi não entendia nada sobre isso, mas para o seu próprio bem, guardou sua opinião para si e mudou o assunto.

— Então, você foi convidado?

— Eu diria que fui intimado, mas ela não gosta dessa palavra — Edward sorriu, parecendo um filhote e bebeu um generoso gole de Gold, suspirando com os olhos fechados assim que a bebida desceu, relaxando-o — Eu realmente não me lembro da última vez em que estive em uma festa temática, com fantasias e essas besteiras.

— Bem, nós fomos para o Halloween das gêmeas Todd em 2012 — Ravi o lembrou, fazendo suas sobrancelhas estalarem para cima em surpresa — Eu terminei a noite com uma Kardashian um pouco acima do peso e você, dormiu com a Amber Gilbert pela primeira vez. A mulher parecia tão satisfeita consigo mesma, que eu pensei que ela fosse sair mostrando os lençóis sujos para todas as amigas.

Ravi riu, mas uma caneta arremessada em sua direção, o calou. Ele protegeu seu peito com a lateral do braço e xingou Edward que continuou bebendo, agora fazendo uma careta ao se lembrar da ocasião em questão.

— Foi um erro.

— Um erro que você adorou cometer a cada oportunidade.

O ruivo não pode desmenti-lo.

Ele realmente havia se deitado com Amber mais vezes do que gostaria de admitir.

Os dois tiveram sexo por cerca de um ano, até que se aproximaram aos poucos e construíram uma relação agradável, que – sem exclusividade, ciúmes e promessas – funcionava muito bem para ambos. Quando Donald, seu pai, soube do relacionamento íntimo que os dois estavam mantendo, retomou a sua velha amizade com Carlisle e as famílias se uniram outra vez. Os dois haviam estudado juntos e sido amigos por uma vida inteira, Carlisle inclusive, era padrinho de Lisa – a caçula dos Gilbert –, mas ambos se distanciaram quando os Cullen se mudaram para Forks.

Eventualmente, Amber começou a alimentar os sentimentos românticos que tinha pelo advogado desde a adolescência e as discussões acaloradas sobre ele não ter interesse em retribui-los, acabou afastando o ‘casal’ a ponto de os encontros mensais se transformarem em apenas algumas vezes ao ano. A gota d’agua para Edward, foi quando ele descobriu que ela tinha encontrado a caixa que ele, acidentalmente, deixou fora do cofre – onde sempre a mantinha. Lá, estavam as suas mais bonitas e dolorosas recordações e Isabella dominava as fotografias. Amber não demorou a perceber que a morena era a causa da ausência emocional de Edward e apesar da raiva de que outra mulher – uma que não estava presente – ocupava o coração do Cullen, ela fez de tudo para substitui-la e quando não conseguiu, recorreu aos extremos, chegando ao ponto de tingir o cabelo de cor semelhante. Tomando aquela decisão, ela apenas martelou o ultimo prego do caixão em que o não-relacionamento deles estava. De início, a moça não aceitou o fim do que eles tinham, mas vendo o tratamento frio que estava recebendo, admitiu para si mesma que era hora de seguir em frente e preferia ter a amizade dele, do que nada. Os dois passaram a se encontrar apenas quando as famílias se reuniam ou quando Donald precisava de seus serviços. Era impossível evita-la ou a Lisa, que sempre foi um doce de garota – totalmente o oposto da hiperativa Alice.

Edward pensou que Amber foderia as coisas para ele novamente, quando Isabella a descobriu em sua casa. A coisinha ardilosa sequer lhe avisou que alguém tinha ligado durante a sua ausência, provavelmente para não ouvir sobre tomar esse tipo de liberdade em sua casa e com isso, ele tinha uma mulher insegura, brava e ciumenta feito o diabo, o esperando em Seattle.

Edward gostava do temperamento de Isabella e de como, muitas vezes, ela não aturava as suas merdas e sabia colocá-lo em seu lugar, mas ouvi-la lhe acusar de traição e ainda de ir vê-la, cheirando a outra mulher, tinha feito o seu sangue esquentar de uma maneira que ele realmente quis sacudi-la. Infidelidade era algo que deixava o seu estômago doente e desde que ele próprio teve que viver sob os efeitos que isso traz, jamais faria – de propósito – alguém passar por tal coisa. Mesmo que esse alguém fosse a razão de ele saber disso, em primeiro lugar.

Saber que ela tinha passado a noite anterior, acompanhada de vários homens desconhecidos – assim como ela lhe contou no dia seguinte, referindo-se a eles como “seus novos amigos” – e ainda como bônus, tendo o Dominic como parceiro de dança, não o deixou mais calmo. Edward queria caça-lo e enfiar o punho em seu rosto, repetidas vezes até que ele entendesse o recado sobre ficar longe de sua menina, mas agir como um homem das cavernas só a teria ainda mais puta e se os dois irritados ao mesmo tempo, no mesmo cômodo, acabariam dizendo coisas que não deveriam e foi por isso que ele foi embora.

Ele gostaria de ter sua Amanda na garagem, esperando-o para um passeio que clarearia a sua mente e o faria racional de novo, mas a Mercedes também fez um bom trabalho ao leva-lo pelas ruas de Seattle até que o vento frio acalmasse os seus nervos. Voltar para Isabella, não tinha sido uma decisão dele, apenas impulso. Depois de uma semana longe, Edward não estava indo dormir longe dela, mesmo que algumas paredes fossem colocadas entre eles. Deixa-la na cama, toda necessitada e angustiada, tinha sido a coisa certa a fazer. Sua namorada não merecia o alivio do orgasmo por estar sempre esperando o pior e ele também se privou de se tocar ou afundar em seu corpo macio, como punição por ter plantado aquelas duvidas em sua cabeça há muitos anos atrás.

Edward não gostava de sentir culpa.

E ele tinha certeza de que não deveria sentir, porque ele estava tentando.

Sentir-se o merda mais poderoso do mundo a cada vez que Isabella dizia que o amava, já estava se tornando normal. Foram raras, as ocasiões onde isso aconteceu e muitas delas, eram quando a morena pensava que ele já tinha dormido. Isabella sentia-se mais à vontade para relevar os seus sentimentos quando achava que ele não estava ouvindo, porque sabia que não receberia as três palavras de volta. Edward tinha certeza de que a mataria, se ele as pronunciasse, mas não quisesse dize-las, então ele beijava a vida para fora dela, tentando demonstrar em suas ações o quanto a mulher o tinha.

Completamente.

Ela poderia ter tudo. Do corpo até a alma, ele pertencia àquela bela mulher de olhos castanhos, desde que ela mantivesse seu coração intacto.

Isso, Edward não estava disposto a dar novamente.

— Ei, cara.

Com um estalo de dedos bem diante do seu nariz, o ruivo pulou.

— Porra. Você não tem que trabalhar como todo mundo aqui?

— São 16h — Ele deu de ombros — Você sabe que eu sempre paro para lanchar nesse horário.

— Sim, como uma maldita criança. Exceto que ela não se alimenta do whisky alheio no meio da tarde — Edward repreendeu e terminou de engolir o seu próprio, batendo o copo vazio na mesa. Ele tinha reposto a bebida, uma vez que havia esvaziado o resto da garrafa na quinta-feira, depois de discutir com Bella. Esse tinha sido o seu esconderijo até a madrugada — O que você quer, afinal?

— Eu vim buscar a papelada que pedi.

Edward o encarou em silencio, mas apontou para a pasta amarela no canto e Ravi saltou sobre ela, como se fosse o diário da sua irmãzinha – se ele tivesse uma.

— Você leu?

— Além de achar isso desnecessário, não é da minha conta.

Ravi o olhou com a expressão em branco.

— Você também pesquisou sobre o amigo da Isabella. Que diferença há?

— Eu queria saber o quanto ele tinha em comum com o Jackson — O ruivo retrucou, puxando a manga da camisa para descobrir o relógio e verificar as horas. Ele precisava estar em casa antes das seis — Você, por outro lado, está agindo como um perseguidor.

— Só quero ter certeza que ele não representa perigo para Aubree.

Ravi estava um pouco obcecado com o vizinho da sua secretaria, desde que soube pelo porteiro, que o cara que esteve ajudando-a com suas compras por um par de vezes, tinha histórico de dar um tempo difícil às suas ex namoradas, mas pelo o que Edward conseguiu de seu passado... o homem realmente tem dedo pobre para mulher e não podia culpa-lo por algumas de suas atitudes. A verdade, é que pela primeira vez, Ravi está com medo de que alguém possa roubar a atenção de Aubree e talvez, convencê-la de que existe mais caras – e menos babacas – do que ele, pelo mundo. Seu amigo que costumava gostar de compartilhar, hoje, não cogita a possibilidade de deixa-la disponível para outro e está tão cego, que em breve a pedirá em namoro porque quer, mas alegará que está marcando território.

— Então?

— Ele parece decente — Ravi responde a contragosto e fecha a pasta com violência, fazendo Edward soltar uma risada — O que foi?

— Eu que te pergunto. Você não deveria estar contente por ele ser inofensivo?

— Você não entende que nesse caso, ser bonzinho só o torna mais perigoso?

Edward riu mais, ignorando o xingamento de Ravi antes de deixa-lo sozinho.

*********

Às 18h30m, ele deixa o escritório.

Um pouco mais atrasado do que gostaria, ele pega o seu carro e atravessa o transito no começo da hora do rush e se arrepende de não ter ouvido Maggie sobre contatar um dos estagiários. Edward chamou o mesmo rapaz que tenta lamber o seu saco durante toda a semana e após avaliar a sua postura ao receber um novo cliente e identificar que tipo de serviço é mais adequado no seu caso, ele pôde ir embora.

O ruivo abafa um bocejo ao entrar no apartamento e se encosta ali por um instante, deixando o silencio e a temperatura agradável envolve-lo os poucos. Seu breve momento de paz, porém, é interrompido por um grito seguido de um conjunto de frases que ele não conseguiu identificar. Desprendendo-se da parede, ele retira o paletó e aproxima-se das escadas, subindo em direção ao som da TV ligada.

Juliet estava tentando fazer a cabeça de Mason passar pelo buraco da camiseta, enquanto ele se desviava para não perder o que quer que ele estivesse assistindo.

O garoto era parecido demais com o seu pai.

— Agora, o que eu disse sobre ser bomzinho com a Juliet?

Mason pulou e procurou-o com os olhos.

Ao encontra-lo na soleira da porta, observando a cena, abriu um largo sorriso cheio de dentes de leite. A babá foi incapaz de segura-lo, quando ele escorregou para fora da cama e correu na direção do tio, ignorando a camisa amontoada nas mãos da mulher, que apenas balançava a cabeça, resignada.

— Tio Edward! — Mason gritou ao alcança-lo e Edward sorriu ao agachar-se para pega-lo em seus braços. O menino era magro, mas tinha um conjunto de ossos pesados. Mais uma vez, era parecido demais com o pai.

— Ei, garoto. Você cheira bem.

— Eu tomei banho, tio. — Mason informou, levantando o braço e para mostrar a axila branca e sem um único pelo. Edward riu e aproveitou-se da situação para enfiar o nariz lá, cheirando e fazendo o sobrinho se contorcer entre várias risadas altas. O som bonito era tão contagiante que Juliet juntou-se aos dois.

Edward o desceu novamente e gemeu, fazendo uma careta, quando suas costas doeram. Quando ele tinha ficado tão velho? Jogando o paletó em cima da cômoda, o advogado entrou no quarto, tendo cuidado para não pisar na abundância de brinquedos espalhados pelo carpete. Mason estava no quarto de hospedes, mas claramente estava decorando o lugar como se fosse o seu próprio. Edward olhou para a TV do seu quarto, cuja ele arrastou para este, assim que aceitou cuidar do garoto como um favor à Emmett, e desligou-a.

— Hey! — O pequeno se queixou, cruzando os braços e olhando não mais tão calorosamente para o tio — Eu estava assistindo.

— E agora você está indo jantar — Edward respondeu, sem se alterar com as expressões nada amigáveis do sobrinho. Ele o ouviu murmurar um “está bem” por trás de uma bufada e Juliet se aproximou por trás, para pentear o seu cabelo ainda molhado — O você fez para ele comer? — Ele olhou para a moça, que sorriu.

— Eu preparei uma sopa deliciosa. Fiz o suficiente para vocês dois.

— Sopa? — Edward franziu, olhando para Mason e depois, de volta para ela — Como aquele caldo quente que tomamos quando estamos resfriados?

— Isso seria uma canja, Sr. Cullen — Juliet respondeu, seus olhos sorrindo com a diversão de corrigi-lo — A Sra. Rosalie exige que o menino tenha uma sopa de hortícolas ao menos uma vez por semana, então eu pensei qu-

— Bem, mas a Rosalie não está aqui, então... — Ele fez suspense, sabendo que estava sendo observado por Mason, que remexia os pés em ansiedade — Acho que nós teremos pizza!

Mason saltou com os braços no ar, comemorando quando a palavra ‘pizza’ foi gritada e estava tão contente, que ignorou a dor no couro cabeludo, enquanto dançava com a escova presa os seus fios loiros.

Edward revidou os olhares feios de Juliet com um sorriso charmoso que fazia a jovem corar e abaixar a cabeça. Ele sabia que a babá não discutiria, porque entre os dois cunhados, ela temia desagrada-lo mais. Edward percebeu, das outras vezes em que tomou conta de Mason, que a moça se sentia intimidada – pelo seu tom de voz e principalmente, sua aparência. Ele sempre conseguia desarma-la para evitar que suas aventuras e brincadeiras foras de hora com o sobrinho, chegassem ao ouvido de Rosalie, já que a mesma não tem sido muito amável com desde que saiu de lá.

A amizade deles havia sido severamente comprometida, o que ele lamentava bastante. Há anos, ela vem sido seu ombro direito nos assuntos que Ravi não o compreendia ou podia ajuda-lo. É claro que Rose nunca escondeu a sua antipatia por Isabella – que até então, não conhecia –, mas sempre foi muito compreensiva sobre os sentimentos de Edward por sua paixão de escola e, era ela quem o colocava para cima e o fazia desistir dos planos de procurar pela morena, sempre que ele estava embriagado e carente. Em troca, Edward se comprometeu por completo em recuperar a relação de antes com o seu irmão. Segundo Rose, a sua ausência na vida de Emmett tinha causado danos em sua personalidade e o feito adquirir traços autodepreciativos, que não condiziam com a maneira positiva e extrovertida que ele tinha, de viver a vida.

Dessa maneira, os três se ajudaram até o momento presente, onde ele não nega estar chateado por sua amiga e cunhada, ter preferido ficar na defensiva e afastar-se, ao apoia-lo no que o estava fazendo feliz. Com exceção da própria criança, Rosalie sempre teve o que quis, com muita facilidade – desde homens à objetos e suas vontades sendo feitas. Talvez fosse essa a razão da sua relutância e ciúme com suas posses. Ela era uma mulher religiosa, que acredita em perdão e segundas chances, então tem sido uma verdadeira incógnita para todos da família, o motivo para que ela não queira deixar Isabella se aproximar.

E enquanto sua atitude continuasse sendo infantil, Edward a trataria com nada mais do que a consideração que ela merecia.

— Eu vou tomar um banho. Você pode me garantir que esse chão estará limpo quando eu retornar? — O ruivo perguntou ao garoto que mastigava de boca aberta, uma bala que o tio encontrou em um dos bolsos — Pare com esse som!

— Desculpe — Mason respondeu, pigarreando após engolir o doce — Sim, tio, eu vou guardar os meus brinquedos, desde que o senhor não esqueça que eu tenho quinze minutos para brincar, antes de ir dormir.

— Juliet disse que eram apenas dez — Ele mudou sua postura, de agachado – querendo ficar na altura do garoto – para de pé. Juliet havia sido especifica em suas recomendações antes de ir embora. Mason desviou o olhar assim que percebeu o quanto o tio era alto e balançou os pés, inquietamente — Você está mentindo para mim, Mason? — Edward insistiu, reconhecendo os sinais.

— Eu não... — O pequeno começou a afirmar com ímpeto, mas diante da expressão do homem, ele confessou — Sei.

— Como não sabe?

— A mamãe me coloca para brincar por dez minutos, mas é sempre tão pouco — Ele se queixou, amassando o rosto e brincando com a borda do edredom que cobria o colchão — Eu pensei que se dissesse que eram quinze, o senhor deixaria.

— E como no mundo, você sabe que dez é menos que quinze?

Isabella, que estava encostada – e escondida – à porta, observando os dois, começou a rir, chamando a atenção dos rapazes para ela. Mason arregalou os olhos com interesse e um sorriso doce imediatamente se abriu nos lábios de Edward.

— O que você acha que eles fazem no jardim de infância? Colorem o dia todo? — A morena perguntou, se aproximando e acenando com os dedos para o pequeno que a observava com curiosidade, embora tentasse disfarçar.

— Eu admito que sim. — Edward confessou, ainda sorrindo e enlaçou a sua cintura. Ele ficou de costas para o sobrinho e beijou-lhe na boca, fazendo-a suspirar, amolecendo imediatamente em seus braços.

— Eu não sei. Vocês estão me deixando confuso — Mason resmungou — É apenas algo que o papai me disse para repetir quando chegasse a hora.

— Oh? — Isabella soltou outra risada, mas tentou abafar o som no ombro dele.

— Bem, o seu pai é um otário — Edward afirmou e chiou, quando recebeu um tapa de Isabella no meio das suas costas — Ei, mas o que foi que eu fiz?

— Essa é uma palavra feia.

Mason respondeu em seu lugar, mas o tio desdenhou com a mão.

— Não, palavras feias são chamadas de palavrões — Ele explicou — “Otário” é apenas uma maneira carinhosa de chamar o seu pai. Acredite, ele fez por onde merecer o apelido.

— Ok, chega! — Isabella bateu palmas, fazendo Mason lembrar de sua professora, sempre que ia separar uma discussão na sala de aula — Desculpe ir entrando assim, mas a porta estava apenas encostada. Alguém a...

— Está tudo bem, babe — Ele murmurou, correndo a ponta do nariz na pele macia de sua bochecha — Eu estava indo tomar um banho. Depois que deixar as suas coisas no quarto, pode manter um olho no Mason para mim? — Ele perguntou, beijando-a no pescoço.

Isabella se contorceu para fora do abraço de Edward, para não embaraçar a si mesma diante do menino. Principalmente, quando ele tem ficado mais vocal com o passar dos meses. A morena não o queria relatando as “coisas” que a viu fazer com o tio, para a sua mãe de temperamento volátil.

— Claro.

Após pedir para que ela ficasse à vontade, Edward os deixou a sós.

O garoto a estudou por um instante e então, foi na direção dos brinquedos de aparência cara, que estavam espalhados pelo chão. Indecisa sobre ajuda-lo ou não, ela apenas se virou e pegou a bolsa que estava esquecida na entrada. Pendurando-a nos ombros, ela rumou para o quarto principal – onde Edward dormia. Ouvindo-o no chuveiro, ela se livrou do cardigã cinza e comprido, que estava deixando-a com calor e mudou as botas para chinelos de dedo. Isabella encaixou o celular no bolso de trás da calça jeans e amontoou as mangas da blusa na altura do cotovelo. Ela estava arrumando o cabelo em um coque quando o barulho da campainha a assustou.

A quietude no apartamento facilitou que ela ouvisse os passos rápidos no corredor e isso foi o suficiente para que ela corresse para fora, na tentativa de impedir que Mason atendesse a porta antes dela.

— Mason, não! — Ela gritou, no quarto degrau e Mason parou com a mão no corrimão. Ele olhou para cima e a observou descer as escadas, um dedo na boca e a expressão de culpa no rosto — Você não pode fazer isso sem adultos por perto.

— Okay. — Ele rapidamente concordou.

A pessoa do lado de fora, insistiu e Isabella, depois de acariciar os cabelos loiros e macios de Mason, foi abri-la. Ela deparou-se com um sujeito usando uma larga camisa vermelha e um boné da mesma cor, segurando duas caixas de pizza. Ele quase as jogou em seus braços e mal-humorado, resmungou enquanto ela procurava pela carteira de Edward e tirava algumas notas de lá, para paga-las. Após recusar o troco, a morena caminhou para a cozinha com a criança em seu encalço, provavelmente faminta.

— Nós não vamos sentar ali? — Mason perguntou, apontando com o dedo pequeno, para a mesa impecável do tio, que raramente era usada.

— Huh, não. Eu pensei em vermos algum programa de televisão, enquanto comemos — Ela disse, segurando uma garrafa de Coca que já tinha sido aberta — Está tudo bem assim? — Perguntou, surpresa com os bons modos da criança.

Ele deu uma risadinha, voltando a mordiscar a ponta do dedo.

— Você é como a vovó Esme.

— Sim? — Isabella girou a tampa e serviu o liquido em um dos copos, olhando para ele e para Mason, que a observava de volta — No que nós nos parecemos?

— Ela também me deixa comer em outros lugares da casa, quando vamos visita-la em Folks — Mason adoravelmente responde — A minha mãe gosta de comer na mesa, para que possamos orar e agradecer pela comida.

Eles ficam em silencio por apenas um instante.

— Você ora, Bella?

— Eu? Eu, ahn...

— Oh, ela ora sim, constantemente — Edward responde ao entrar na cozinha e deixa Isabella corada com o seu olhar malicioso — A Bella se comporta muito mal algumas vezes e à noite, ela se ajoelha para pedir desculpas.

— Edward! — A morena ralha, batendo em seu braço quando ele – novamente – a agarra por trás, rindo contra a orelha e apertando a sua cintura. O cheiro de limpeza que vinha dele quase a distraiu — Você não tem nenhum respeito?

— Eu só estava te ajudando — Ele responde, soando todo inocente. Ela estava pronta para retrucar, quando a barriga de Mason fez um som que assustou aos dois. O rosto do garoto está rosa quando olham para ele — Salvo pelo gongo, eu acho. — Edward ri, afastando-se para abrir uma das inúmeras gavetas e quando volta, trazendo um cortador junto com ele, Mason está enrugando a testa em um pensamento muito profundo.

— O que foi, querido? — Isabella pergunta, distribuindo refrigerante nos demais copos – sendo um deles, de material plástico para o garoto.

Edward assiste e sorri para si mesmo. Ela estava sempre atenta ao que todo mundo precisava e o surpreendia que, mesmo sem ter tido contato com crianças pequenas – até onde sabia – por toda uma vida, sua namorada conhecia o que era melhor para elas. Isabella seria uma grande mãe, algum dia.

Dos meus filhos.

Que diabos?

Edward engasgou com a própria saliva e enquanto ela batia em suas costas, esfregando a mão ali na tentativa de acalmar a sua tosse, Mason explica.

— Eu não entendo — Afirma, soando chateado — O que “salvo pelo gongo” quer dizer?

— É uma expressão que usamos quando algo, supostamente ruim, está para acontecer, mas por alguma razão repentina, isso muda e o problema é evitado.

Isabella explica de bom grado e sorri quando o garoto parece satisfeito, mas é claro que Edward tinha que abrir a boca grande para vir com as suas teorias.

— Sim, bem, basicamente é isso, mas essa expressão originou-se através das pessoas que morriam de medo de serem enterradas vivas — Ele conta e se vira, para enfrentar os olhares incrédulos de ambos. Edward dá de ombros ao cortar a primeira pizza, cujo queijo ainda derretia e começa a servir nos pratos — Esta era uma preocupação real das pessoas há muitos séculos. Então, um sino começou a ser anexado aos caixões, para que se alguém fosse declarado morto erroneamente e acordasse momentos após ser sepultado, poderia toca-lo e ser salvo.

— As pessoas são enterradas vivas de verdade? — A mão de Edward congelou no ar quando ele ouviu a voz amedrontada do sobrinho, mas antes que pudesse fazer algo sobre isso, Isabella passou por ele, quase derrubando-o de propósito.

— Não mais, Mae¹ — Ela responde, tomando o garoto para si e ele abraça as suas pernas com força, escondendo o rosto — A história que o tio Edward contou é muito, muito antiga. Isso foi bem antes dos seus pais nascerem. Até mesmo seus avós e bisavós.

— Eu sinto muito, amigo, não queria te assustar — O ruivo pede, soltando os talheres e se abaixando para ficar na altura dele. Aos poucos, Mason larga as pernas de Isabella, que dá um passo para trás, deixando os dois se entenderem — Essa é apenas uma coisa boba que li na internet. Não há nada com o que se preocupar. Você sabe que o tio Edward jamais deixaria algo acontecer com você, certo?

— Então... eu posso continuar cavando buracos no quintal com a mamãe? — Ele pergunta, o dedo de volta à boca, enquanto pensa nas manhãs de sábado onde ajuda a sua mãe com as plantas que sua avó Esme, recomenda.

— É claro. Continuará divertido e nada vai acontecer.

— Promete?

— É claro.

— Mas é promessa de dedinho? — Mason estende a mão direita, onde fecha todos os dedos, exceto o mindinho que balança, provocando.

Os adultos riem, mas Edward concorda.

Depois que os dois formalizam a promessa, Isabella limpa a garganta e pede ajuda para levar tudo para a sala. Mason, como um menino crescido, leva o seu próprio prato com a pizza de queijo extra – toda cortada – e guardanapos. Edward leva os talheres e os três copos de refrigerante, cheios até a borda. Quando a morena chega até eles, trazendo com ela os recipientes com molho, os encontra sentados no tapete e ambos estão atentos à cena de Hotel Transylvania que estampa a enorme TV. Ela encontra um lugar próximo ao namorado e assim que se estabelece, deixa um beijo demorado e carinhoso em sua bochecha – roubando a sua atenção do filme infantil.

— O que foi isso?

— Você comprou uma pizza para mim — Ela responde, estranhamente emocionada com seu gesto. Como ninguém nunca parecia ser fã de cebola, Isabella raramente comia o seu sabor favorito e descobrir que ele não apenas lembrou, mas pediu uma para ela, a deixou feliz. Edward a conhecia muito bem e sequer percebia que estava atento às suas necessidades. Até as que não eram sexuais — Obrigada. Tem até prosciutto! — Ela geme, salivando pelo presunto italiano temperado e envelhecido.

— De nada, amor.

Completamente alheio a maneira carinhosa como a chamou, ele beija seus lábios rapidamente e volta a comer, ignorando a faca e apanhando a massa inteira com a mão. Os olhos de Isabella ardem com lágrimas e sua garganta aperta com a vontade repentina de balançar as pernas e agitar os braços como uma garotinha ao ganhar a sua sonhada viagem à Disney.

Ele se importa. Eu sabia que sim.

Notando o silêncio ao seu lado, Edward vira e para, ao notar algo estranho.

— Ei, você está bem?

Rapidamente, Isabella tosse e limpa a garganta, disfarçando seu estado.

— É claro — Ela tranquiliza com um sorriso e ergue a mão para toca-lo no maxilar. A barba começando a apontar, arranha sua pele e se Mason não estivesse do outro lado, ela simplesmente saltaria sobre ele e comemoraria a sua pequena vitória — Eu me engasguei com a borda. Está um pouco dura.

— Ah — Edward reflete e olha o seu prato — A minha está bem. Quer trocar?

A morena ri e alcança o seu copo, trazendo-o para tomar um gole.

— Não, obrigada. Eu sei que você não gosta de cebola.

— Eu não gosto — Ele concorda e se inclina para beija-la novamente — Apenas certifique-se de que escovou os dentes antes de ir para cama. Seu hálito matinal já é ruim o suficiente sem — ai! — O ruivo grita e dá uma risada divertida, quando a namorada o espeta na coxa com um garfo. Ele esfrega o local e tenta agarra-la, enquanto a morena faz beicinho e se afasta, fazendo birra sobre a brincadeira.

Um par de horas depois, o garoto – gemendo em agonia – cai contra o sofá.

As mãos pequenas seguravam a barriga saliente, mas ele ainda olha desejoso para a caixa onde outros pedaços estavam abandonados. Tentado, ele estende a mão para alcança-los, mas Isabella é mais rápida e a tira de sua frente, fazendo-o ofegar.

— Hey, eu estava indo comer isso!

Isabella balança a cabeça para os lados, negando devolver e com um sorriso de desculpas, fecha a caixa. Ele já havia comido bastante, inclusive da dela e a verdade é que a mulher estava cansada demais para passar a noite toda no banheiro quando a comida decidisse sair. Ela também imaginava que Rosalie não ficaria feliz quando soubesse que – além de estar com o filho dela sem o seu consentimento – a morena o deixou comer besteiras até que ficasse doente.

— Você teve o suficiente por hoje, Mason.

— Não! Eu ainda estou com fome. Me dê isso.

— Acredite em mim, se você comer mais alguma coisa, vai passar mal — Ela explica, afastando-se quando o menino – aparentemente nervoso – se aproxima para tentar roubar a caixa de suas mãos. Os olhos castanhos já estavam repletos de lágrimas e ele fungava enquanto pulava para alcançar a comida — Já chega, querido. Vamos apenas limpar você e...

Isabella, tentando sair daquela situação, dá as costas para Mason e tenta ir até a cozinha, mas antes que pudesse passar pela mesa de jantar, sente um brusco puxão em sua camisa e sendo pega de surpresa, não consegue se equilibrar a tempo de evitar cair. Ela grita com o susto ao sentir a pancada do chão em sua bunda e, no segundo que a dor se espelha pela área, Edward surge confuso com as mãos ainda molhadas e cobertas de sabão. O ruivo franze ao vê-la, mas assim que registra a comida fria espalhada no piso e Mason varrendo o apartamento em busca da saída mais próxima, o entendimento cai sobre ele e seus olhos escurecem de raiva.

— Edward, está tudo bem — Isabella mente — Eu apenas...

— Você nem mesmo tente. — Ele rosna em resposta ao se aproximar para ajudá-la. Ela engole antes de segurar a sua mão e Edward a tira do chão, abraçando e tateando o seu quadril com cuidado, como se seus toques fossem alivia-la.

— Eu quero a minha mãe... — Eles ouvem Mason dizer baixinho e a cabeça de Isabella gira para olha-lo. Enquanto ele esfregava seus olhos, ele parecia apenas uma criança estressada e sonolenta. Ela realmente não esperava por sua agressão.

— Sim, você terá notícias dela muito em breve — Edward promete, virando-se para o garoto encolhido na lateral do sofá maior — O que aconteceu aqui foi inadmissível, Mason. Não se pode tocar as pessoas dessa forma! Você machucou a Isabella e ela não tem feito nada além de ser agradável com você.

— Ela roubou a minha pizza e... — Ele teima.

— Pare, Mason! A única coisa que eu quero ouvir de você agora, sãos as suas desculpas para Isabella. — Edward avisa, soando tão sério e furioso que o garoto estremece de medo. A morena assiste a cena sem saber exatamente como proceder, mas quando o os ombros do garoto caem, ela percebe que ele se rendeu.

— Eu sinto muito.

— Mae...

— Você não parece muito arrependido para mim. — Edward insiste friamente, cruzando os braços embaixo do peito, parecendo ainda maior para o garoto.

— Mas é verdade, eu sinto! — Ele choraminga e se volta para Isabella — Eu não queria te machucar, apenas para-la. Me desculpe.

A morena morde o lábio ao vê-lo começar a chorar e tenta se aproximar, mas é impedida pelo braço de Edward que a empurra delicadamente para trás.

— Tudo bem, Mason, desculpas aceitas. Apenas... não faça algo assim de novo.

Ele balança a cabeça, afirmando, e seu lábio treme com o choro.

— Me espere no quarto, por favor? — Edward pede, segurando o rosto da namorada e acariciando a pele com seus polegares, ela murmura que sim e os lábios dele pressionam a sua testa por um longo instante — Eu estarei lá em um minuto.

Edward se aproxima de Mason e o pega no colo. Vendo como o menino agarra o seu pescoço e amolece, ele decide não prolongar a discussão e enquanto sobre as escadas, o deixa saber que está de castigo sem direito a brincar – mesmo que ele estivesse cansado demais para querer tal coisa – e que amanhã, ele não o levará para casa em seu carro como prometeu, mas fará seu pai vir busca-lo. Mason geme em desgosto, pois estava ansioso em passear na Mercedes do tio e quando é colocado na cama, ele chora e chuta sem se preocupar com o que está atingindo.

Respirando fundo, Edward o segura de maneira em que nenhum dos dois possa se ferir, até que o garoto se cansa e enquanto choraminga, cai em um sono profundo. Ele o observa por um instante, intrigado com suas ações. Mason já tinha se exaltado algumas vezes na presença dele. O menino – normalmente muito tímido – costuma ficar sensível e estressando inexplicavelmente. Ninguém sabe o que causa a sua falta de controle, uma vez que ele é doce na maior parte do tempo, mas algo lhe diz são consequências das criações que teve antes de chegar ao seu irmão e cunhada. Suspirando, ele o cobre com o edredom grosso e verifica as janelas, como de costume. Antes de sair, deixa aceso, o abajur ao lado e a porta entreaberta para qualquer eventualidade durante a madrugada.

Edward se sente exausto enquanto faz a pequena caminhada do quarto para o seu próprio e tudo que deseja, não é nada mais que fechar seus olhos e só abri-los quando o sol já estivesse alto na manhã seguinte, mas quando ele foca na figura de Isabella, empurrando a calça jeans para baixo e expondo a bunda cheia e firme, coberta parcialmente por uma calcinha azul-marinho que ele apostava que combinava com o sutiã, seu sangue esquenta como o de um adolescente na puberdade.

— Agora isso é o que eu gostaria de ver ao entrar aqui — Isabella ofega quando sente as mãos de Edward em sua barriga e a voz dele, sendo sussurrada contra sua nuca — Me deixe ajudá-la a tirar essa roupa.

— Da última vez que chequei, eu era perfeitamente capaz de fazer isso sozinha. — Ela ri, tentando bater as mãos dele para fora do seu corpo, mas era inútil. Edward já estava levantando a sua blusa e arremessando-a pelo quarto.

O coque foi desfeito e os seus cabelos escuros caíram para os lados. Ele afastou os fios para que pudesse lamber a pele do seu pescoço, seu nariz afundou naquela área e o cheiro da fruta continuava lá, enlouquecendo-o. Em um gemido estrangulado, Edward segurou seus quadris e a puxou para ele, fazendo-a estremecer, mas quando ela tentou ir para longe, ele percebeu que havia algo de errado.

Dando um passo para trás, ele viu uma bolsa de gelo em cima do récamier em frente à cama.

— Você precisa de uma compressa? — Ele pergunta, sua excitação diminuindo a medida em que a preocupação aumenta. Afastando-se dela, ele inclina a cabeça para o lado e percebe que manchas começaram a surgir do lado esquerdo do seu bumbum.

— Sim, isso sempre me fez bem. Você se lembra como eu era no ensino médio...

— Eu sinto muito, babe — Edward corre seus dedos para cima e para baixo na pele avermelhada, tão suave quanto possível. Ele ouve o seu suspiro e puxando-a pela mão, a guia para o outro lado da cama — Deite-se de bruços, por favor.

— O que você vai fazer?

— Ajuda-la.

Dando-lhe uma olhada por cima do ombro, Isabella sobe no colchão com um joelho e arrasta-se até estar no centro. Sua barriga pressionada no lençol macio. Ela deita o rosto e seus olhos encaram os vários travesseiros perfeitamente organizados contra a cabeceira. Na parede, mais acima, estava uma tela de extremo bom gosto, cujas cores estavam em harmonia com os demais tons do quarto.

— Eu estou tão bravo com o Mason agora — A voz rouca de Edward a faz piscar, mas antes que pudesse responder alguma coisa, ele continuou — Ele assustou a minha mãe na primeira vez em que surtou e, tudo porque Emm esqueceu o robô estúpido do filme Transformers em casa. Ele não gostava tanto assim da coisa, mas ainda fez um escândalo sobre isso. É claro que ninguém saiu machucado... — Ele termina mais baixo e Isabella treme quando a bolsa fria gruda em sua pele. A sensação é extremamente incomoda no início e dói, mas a maneira como ele desliza, pressiona e massageia, a relaxa em alguns instantes.

— Tenho certeza que ele se sentirá mal amanhã quando acordar — Ela se mexe, empinando um pouco a bunda quando o gelo incomoda ao passar muito tempo em um só lugar — Apenas tenha certeza de que os pais dele saibam e façam algo sobre isso. É um pouco assustador que uma criança se enfureça tão rápido.

— Sinto muito, babe — Edward diz novamente e acaricia as costas dela. Seus dedos constantemente escorregando para a lateral, até encontrar o seio coberto pelo sutiã frágil — Eu deveria ter mantido um olho nele e não deixado vocês sozinhos.

— Pelo amor de Deus, Edward, ele tem 5 anos! — Revirando os olhos, ela se levanta em seus cotovelos e se vira para olha-lo — E ele foi ótimo durante o filme. Sei que Mason é um bom garoto, embora, eu precise admitir que fiquei indecisa por um momento entre chorar junto com ele ou estrangula-lo.

Edward gargalha, seus olhos apertados com diversão.

— Não ria! — Repreendendo, Isabella sacode os pés, mas o movimento fez seus glúteos balançarem tentadoramente, deixando Edward fora do ar por um segundo — Isso demonstra o quão despreparada eu sou para cuidar de uma criança.

— Oh, sim? — Ele pergunta, dando-lhe uma tapinha no lado sadio de sua bunda e ao invés de irritar-se, ela empurrou em sua mão, querendo mais — Bom, porque eu tenho algo aqui realmente crescido que precisa dos seus cuidados.

É vez de Isabella rir com o seu duplo sentido nada sutil, mas a som vai diminuindo a cada puxão que ele dá em sua calcinha, até que o pequeno pano seja puxado de entre as suas pernas e vá parar no chão. Ela tenta se virar, mas no minuto seguinte, Edward está livre das suas próprias roupas e está montado em suas coxas. Ele ignora a sua pergunta sobre como ficou nu tão rápido e grunhe contra as suas costas, onde deixa beijos lentos e leves por todo o lugar. A sua mão direita está intencionalmente escorregando para o pequeno espaço entre as pernas dela para tocar o seu sexo. Quando ele a encontra molhada e quente, espalha uma lambida pela linha da coluna – terminando na nuca, onde ele morde, a fazendo gemer.

Isabella se ergue em seus cotovelos mais uma vez e a combinação dos beijos com os seus mamilos roçando no colchão, através do tecido fino, está deixando-a ansiosa e inquieta para obter mais dele. O ruivo sai de cima dela apenas para abrir as suas pernas e puxar seu quadril para cima. Com um gritinho, Isabella está com a parte superior do corpo, descansando na cama e a de trás... está deliciosamente empinada. Enquanto beija levemente o machucado da morena, seus dedos estão explorando as dobras molhadas dela, que o ouve rosnar em aviso a cada vez que se move – involuntariamente. Quando seus dedos estão revestidos com a excitação de Isabella, Edward arrasta seus lábios até sua abertura e lhe rouba o fôlego ao simplesmente empurrar a língua na estreita entrada. O rosto da morena se incendeia com a ideia de que seu namorado está – literalmente – afundando em sua bunda, mas é incapaz de fazer algo para detê-lo, porque além de a sensação fazer seus olhos revirarem, ele é implacável ao mover-se dentro dela e se retirar unicamente para lamber seu clitóris e provoca-la. Ele a tem gemendo, estremecendo e rebolando no seu rosto em segundos e quando ele aplica pressão na outra entrada – a de cima, enquanto chupa o pequeno feixe de nervos, ela grita de tesão.

Isabella está tremendo, com dificuldade para manter-se erguida, mas Edward a mantém firme e lambe a carne sensível até fazê-la gozar, pedindo para parar.

Grosseiramente, ele limpa o excesso do orgasmo de Isabella com as costas de sua mão e ela desvia o olhar da cena. A morena estava respirando pesadamente, com vontade de se aninhar nos lençóis e adormecer – enquanto ainda experimentava os efeitos do intenso prazer – mas quando viu que Edward havia afastado estava deitado em seus travesseiros, com a mão trabalhando habilidosamente em si mesmo enquanto a observava, ela soube que ainda não havia acabado.

Com as pernas tremulas, ela conseguiu se erguer e rastejou até ele, só parando quando estava montada em suas pernas e seu membro – ainda sendo masturbado – estava perigosamente apontando para a sua entrada faminta e escorregadia. Edward, abrindo um sorriso de predador excitado, pincelou o seu pau entre os lábios do sexo dela, arrancando um choramingo manhoso quando se chocou com seu clitóris sensível. Ele repetiu o ato algumas vezes, vendo o prazer em seu rosto, mas sua paciência durou pouco e assim que ele tinha posto a camisinha, estava afundando em seu corpo. Os olhos dela se abriram para encontra-lo encarando o ponto onde se uniam, parecendo fascinado e louco pela maneira como ela se abria para recebe-lo. Os dois gemeram quando Edward estava completamente dentro e ele segurou em sua cintura, usando-a para mantê-la firme enquanto impulsionava para cima com força e bastante precisão.

Isabella desabotoou o sutiã e no segundo em que seus peitos estavam nus, eles foram aprisionados pelos lábios de Edward – um de cada vez. Ela agarrou os seus cabelos e o deixou lamber e morder a sua pele, como felino que ele era. Seu leão gostava de prova-la de todas as maneiras e ela aproveitava cada segundo. Eles gemeram, se esfregaram e empurraram pelo o que pareceu uma eternidade, até que chegaram juntos ao ápice, mas ainda muito longe de estarem satisfeitos.

*********

Despertando com a sutil movimentação, Isabella abre os olhos devagar, testando a luminosidade do quarto – o que é bom, porque ela não demora a perceber que as cortinas foram escancaradas. Mesmo que o sol esteja escondido entre as nuvens cinzentas da cidade, a claridade era quase ofuscante e desagradável para esta hora da manhã. A morena ergue-se com dificuldade, sentindo seu corpo relaxado da noite de ontem e um movimento aos pés da cama, capta a sua atenção.

— Bom dia — Edward cumprimenta vestido apenas com uma boxer. Há um volume interessante ali, mas ela fez biquinho quando não o vê prestes a arrebentar o tecido. Ela aprendeu a gostar de sexo matinal — Você dormiu bem?

— Bom dia — Ela limpa a garganta — Sim, obrigada... você pediu comida? — Isabella tinha intenção de perguntar se ele havia tido uma boa noite de sono também, mas foi incapaz de esconder sua surpresa ao ver a linda bandeja que ele depositou sobre o colchão.

— Se eu pedi comida? Não estamos em um hotel, Bella. — Edward brinca e engatinha pela cama, até estar próximo dela e com as pernas dobradas, rouba um pãozinho da cesta e o empurra em sua boca com um gole de suco para ajudar.

— Francamente, Edward — A morena zomba e rolando os olhos, pega a tigela com iogurte e aveia, com dois pequenos morangos maduros no topo — Se você e a minha mãe tem algo em comum, além do gosto por bebida, é ambos serem um verdadeiro desastre na cozinha. Eu não acho que você saiba passar um café.

— Você provavelmente está certa. E eu posso ter encomendado o café da manhã antes de irmos dormir. — Ele dá de ombros, não se preocupando em parecer ofendido.

Isabella faz um som característico de garotas adolescentes quando acham algo extremamente fofo e se inclina para beijar rapidamente os lábios de Edward.

— Bem, eu certamente estou grata por não precisar cozinhar tão cedo.

— De nada. Imaginei que você fosse precisar descansar um pouco mais — Ele responde com malícia e a vê corar com as lembranças da madrugada agitada que tiveram. Esticando o braço, ele alcança um papel ao lado do açucareiro e entrega para ela — Isso é para você. Foi o Mason que fez.

Isabella desdobra o papel e o conteúdo a derrete.

Era um desenho típico de uma criança muito nova, onde as varetas e riscos formavam um garoto de boné sobre uma bicicleta, com um homem adulto ao seu lado e uma mulher não muito distante dos dois. Na parte superior do desenho, estava escrito “T, B & M” seguido de um coração pintado em vermelho.

Ela sorriu e virou para Edward, que estava observando-a pela visão periférica.

— Eu suponho que esta seja sua bandeira branca?

— Sim, ele fez antes de ir e me pediu para dizer que está realmente arrependido pelo incidente da noite passada — O ruivo responde, afastando a bandeja assim que ela deposita o copo de suco vazio lá — Eu vou leva-lo para pedalar em algum momento na semana que vem. Acredito que este foi um convite para juntar-se a nós.

— Eu adoraria — Isabella não hesita em responder, aliviada que Mae não tenha ido embora a odiando. Ela verdadeiramente gostava do menino que podia ser silencioso como um gato e então, agir hiperativo nos próximos minutos — Você disse que ele já foi? Espere, que horas são? — Ela gira para tentar alcançar o celular no criado mudo, mas Edward a puxa de volta para cama.

— Ainda é cedo.

— Você está mentindo! — Ela geme, porque de repente, Edward está em cima do seu corpo e não importa quantas vezes ela o teve na noite passada, senti-lo assim nunca é demais — Eu sempre me atraso para o trabalho quando venho dormir aqui.

— Shh, babe. Fique quieta — Ele interrompe, passando o nariz no vão entre os peitos dela, parcialmente descobertos pela camisola amassada — Eu estou tentando te mostrar algo mais que sua mãe e eu temos em comum.

— Oh, o que seria isso?

— Nós dois somos loucos por você. — Ele jura.

Isabella enlaça o pescoço de Edward enquanto ele assalta a sua boca impiedosamente. Sua língua tem gosto de geleia de uva e novamente, ele consegue que o seu horário para chegar na agência seja a menor das suas preocupações.

*********

— Por que você é tão cadela?

Isabella vira em seus sapatos e encara um Elliot mal-humorado. Miranda está ao lado dele, mas não parece chateada, apenas ansiosa e dando-se por vencida, ela suspira os chamando para entrar em sua sala. A moça guincha, mas é repreendida pelo colega e se cala com uma risadinha baixa.

— Eu não tenho certeza de que ela está recebendo pedidos no momento — Ela alerta os colegas e Elliot rola seus olhos, resmungando que Isabella nunca era de grande ajuda — Se você conseguir que Maya largue aquele maldito celular, onde ela passa a tarde lendo os resumos das novelas, ela poderia me ajudar a acabar o trabalho mais cedo e então, eu poderia ir até a confeitaria. Que tal isso?

— E por que eu? — Ele pergunta com uma careta.

— Porque você não tem feito nada além de reclamar — Miranda ri novamente e ignora o olhar sujo de Elliot enquanto concorda com a amiga — Vamos, por favor? Se eu conseguir que ela concorde em fazer os doces, nós poupamos tempo e hoje mesmo, eu já vou tê-los encomendados. Não teremos com o que nos preocupar.

Elliot pondera por alguns instantes e se levanta.

— Que seja. Mas você está me devendo uma.

— Eu acho que não — Isabella retruca com um sorriso doce, mas falso e de cara feia, o homem deixa a sala, murmurando coisas para si mesmo — Cara, eu realmente não sentiria falta dele, se Jackson o chutasse para fora daqui.

— Isso faz duas de nós — Miranda sussurra como se mais alguém estivesse ouvindo e levanta para pegar na bolsa, uma folha do seu bloco de anotação colorido — Aqui estão anotados os pedidos do pessoal e o dinheiro que temos para cobrir as despesas. Você precisa de companhia para ir?

A morena sorri para ela, sempre solicita e preocupada.

— Não, obrigada. Eu vou te ligar mais tarde para deixa-la saber como foi.

Isabella cola a nota na tela do computador e só a pega de volta horas depois, quando tem terminado todas as suas obrigações do dia. Cumprindo a sua promessa, Elliot conseguiu com que tivesse ajuda e ela deixa o prédio faltando quase uma hora para todos serem dispensados.

No caminho para a confeitaria, ela bate na testa ao perceber que mesmo tendo passado tanto tempo na companhia de Edward, não lembrou de perguntar a opinião dele sobre as roupas para usar no Halloween. A verdade, é que estava ficando sem opções. A festa seria na próxima segunda-feira e de acordo com as outras garotas da agência, as fantasias estavam escassas. As pessoas estavam alugando com antecedência e elas só encontraram disponíveis, as mais comuns e clichês. É claro que suas colegas não desistiram da busca, mas sem tempo, Isabella tinha certeza de que recorreria a ajuda de Alice no final das contas – o que seria desagradável, uma vez que Jasper e ela ‘tem se evitado’.

Seu amigo parecia infeliz quando eles saíram juntos antes da grande briga, mas ela não pensou que ele realmente iria colocar um fim na relação.

Alice foi passar o final de semana após o termino, em Forks e lá, foi extremamente mimada pelo pai e o irmão mais velho – Emmett – que realmente não tinha Jasper como uma das suas pessoas favoritas, então quando ela retornou à Seattle, estava mais determinada do que nunca a não ceder. Ela acreditava que as pessoas não deveriam mudar ao entrarem em um relacionamento e se o Whitlock não era capaz de aceita-la e ama-la como ela era, não a merecia e eles estariam melhores assim.

Separados.

Seria sensato se cada um estivesse cuidando da sua vida, mas Ali não vivia conforme dizia e chegou ao ponto de dar entrada no hospital onde Jasper trabalha, apenas para vê-lo e provavelmente, para sondar se ele já havia deixado alguma das enfermeiras enxeridas entrar em suas calças. O homem também não era exemplo de maturidade ao usar as redes sociais enquanto está com o coração partido. Ela perdeu as contas das vezes em que rolou os olhos para cada indireta e flerte com moças aleatórias apenas para causar ciúme na ex. Isabella não tinha ideia de até quando o jogo de gato e rato continuaria, mas ela não podia imagina-los passando as festas de final de ano separados, então era apenas questão de tempo.

Isabella respirou fundo quando estacionou em frente à confeitaria de Angela.

— Olá?

Ela chamou ao percorrer o corredor onde ficava o escritório que as sócias dividiam. Alguém gritou para que ela entrasse, quando bateu na porta algumas vezes e ao empurra-la, deparou-se com sua amiga recebendo de Stella, uma massagem nos ombros. Isabella repetiu para si mesma que era apenas uma massagem, mas não conseguiu impedir o seu rosto de corar. Ela sabia que as duas estavam ignorando o grande elefante rosa na sala há meses e mesmo que se tratassem de forma diferente agora, pareciam muito assustadas com seus sentimentos para expressa-los em voz alta, mas levando em conta tudo o que Angela esteve passando com Ben e a gravidez, ela não julgava.

— Oi, Bella! — Elas cumprimentaram ao mesmo tempo.

O sorriso de Angie iluminou seu rosto.

— Será que você tem tempo ou até mesmo disposição para me ajudar com umas encomendas? — Isabella pergunta parecendo tímida, mas a realidade era bem diferente — Alguns funcionários da agência estarão dando uma festa no final do mês e eu fiquei encarregada de encontrar alguém para fazer a comida. Você só cuidaria do bolo e de alguns doces, é claro.

— Imagino que você os queira decorados com o tema da festa. — Stella opina com um sorriso e recebe um aceno fraco em resposta.

— Sim, exatamente. Os rapazes estavam pensando em aranhas gigantes e comestíveis, mas as garotas acharam nojento e votaram contra. Agora todos querem um bolo de dois andares, em que o superior forme uma abóbora assustadora ou algo assim.

Depois de um segundo, Angela confirma que aceitara o pedido e pede para a sócia levar a lista para o pessoal da cozinha, assim podem confirmar se eles têm todos os materiais ou se é preciso comprar algo mais. Na ausência de Stella, as amigas conversam sobre o dia de cada uma. A gestação de Angie corre tranquila e seus olhos transbordam quando finalmente o sexo do bebê é revelado.

Um garotinho.

Angela estava assustada com a ideia. Parecia que saber o que estava dentro de sua barriga, tornava as coisas ainda mais reais, mas Isabella pôde ver toda a aura de felicidade sobre ela. A mulher contou em detalhes como tinha sido a sua última consulta e sobre como o bebê parecia no ultrassom.

— Tem certeza de que está tudo bem? — Angela perguntou, alarmada com a palidez repentina da amiga. Ela estava cansada quando chegou, mas agora parecia tão branca como se a morte esteve bem diante dos seus olhos.

— Sim, estou ótima — Isabella sorriu, mas não convenceu. Angie suspirou, com a preocupação evidente em seus olhos — As coisas foram corridas na agência hoje e eu sequer tive tempo para o almoço. Deve ser isso. Ficar sem comer não é bom.

Enquanto as duas falavam sobre as últimas ligações de Benjamin e os encontros com o advogado, o mal-estar dela só foi aumentando. O copo com água que conseguiu não estava lhe fazendo nenhum bem e constantemente ameaçava sair por onde entrou. Então, ansiando voltar para casa e descansar, ela se despede depois de acertar os valores e a data da entrega dos doces.

Isabella está perto da saída quando uma forte náusea a atinge e ela decide sobre ir ao banheiro, mas antes que pudesse dar a volta, seu corpo se choca com outro.

— Mas veja isso. Eu pensei que havia sido uma péssima coincidência, mas agora estou certa de que esse lugar é realmente mal frequentado.

Isabella quase ergue as mãos para o céu e pede por misericórdia quando percebe que se trata de Rosalie. Aquela sim era última pessoa com quem queria lidar no momento. A morena admitiu para si mesma que definitivamente estava passando mal e simplesmente sabia: se caísse morta sobre os pés daquela mulher – pro inferno com toda a sua religiosidade – ela simplesmente passaria por cima do seu corpo frio sem sequer olhar para trás. Quando Isabella vira, a loira a olha com uma curiosidade mal disfarçada – alertando-a de que sua aparência com certeza não era das melhores e nem poderia ser, uma vez que se sentia como merda.

— Eu realmente não quero discutir com você agora.

— Ah sim? Mas na última vez em que nos vimos, você fez bom uso da sua língua para fazer o meu sogro me expulsar do apartamento do meu cunhado, não foi?

— Rosalie, você estava surtando — Isabella rosna, usando a mão para se apoiar na parede. Ela não estava indo abaixar a cabeça para aquela vaca — Nós todos poderíamos ter tido um jantar de aniversário decente, mas você foi a única a arruiná-lo com os seus ciúmes descabidos — Ela acusa e a boca de Rose se abre, pronta para derramar mais veneno, mas Isabella estava farta — O seu marido, assim como todos os outros Cullen fazem parte da minha vida novamente e é perca de tempo tentar lutar contra isso. Tudo seria mais fácil se você apenas... aceitasse.

— Você sabe o que, Bella? — A loira canta o seu nome com deboche — Eu carrego muitos pecados e estou muito longe de ser uma santa, mas não posso fechar os meus olhos para as coisas horríveis que você já fez — Isabella balança a cabeça para os lados, negando, mas a tontura a faz parar — Eu até poderia relevar o fato de que você era apenas uma jovem quando se tornou uma fornicadora...

— Não venha com esse papo bíblico para cima de mim!

— ... E ignorar que você tenha tido o meu esposo, assim como seu irmão mais novo. Nós fazemos besteiras o tempo todo, certo? Eu mesma estava prestes a jogar a minha amizade com o seu namorado no lixo, mesmo que ele não mereça a minha ingratidão, agora o que eu não posso perdoar e está além da minha compreensão...

— Eu não preciso do seu perdão.

— ... é como você tem a ousadia se querer se infiltrar na família novamente depois de tudo. Você é uma afronta, Isabella! Você abortou o bebê de Emmett!

As palavras de Rosalie chegaram até ela como um chute no estômago. Todo o ar em seus pulmões foi expulso quando Isabella dobrou para frente, se apoiando em seus joelhos. Ela podia sentir que alguém estava falando, mas todo o lugar parecia sobre o efeito da câmera lenta em filme mudo e quanto mais tentava enxergar, menos ela via. Isabella abriu as mãos e procurou o sangue, mas tudo que encontrou nas palmas pequenas e brancas, foi suor. Ela ofegou, mas foi incapaz de fazer um som quando alguém, bruscamente, puxou seus ombros e a endireitou. O mesmo alguém gritou em seu rosto e o segurou, dando tapas fracos em suas bochechas a procura de alguma reação. Ela tentou falar, mas sua boca estava seca.

— Eu não sei, porra! O que diabos você fez?

A voz finalmente penetrou a barreira em seus ouvidos e Isabella quis chorar quando seu cérebro a reconheceu. Ela fechou os olhos com força, sentindo-se melhor quando a escuridão a abraçou, mas voltou a abri-los para encontrar tudo turvo. Não desistindo, a morena repetiu os movimentos – cada vez mais lentos – até que a figura apavorada de Edward se materializou na sua frente.

Ele suspirou quando se deu conta de que havia sido reconhecido, mas o alivio só durou até que seu nome escapou de seus lábios em um sussurro fraco e o peso em seus braços aumentou repentinamente quando ela desabou.

Os brilhantes olhos castanhos se fecharam de uma vez.

¹Só para esclarecer que o nome “Mae” que Bella usa para apelidar Mason, se pronuncia exatamente como o mês maio em inglês (may – mei) e não algo como “mãe”.

Notas finais
Adorei as reviews da semana passada. Se todas vocês gostam de capítulos "extensos" e eu também, que assim seja. Mas e esse, hein? Começou muito bem e terminou... assim. Contem-me o que acharam do momento família do casal + Mason e principalmente sobre essa revelação da Rose. Mentira? Verdade? Deem seus palpites. Até mais e bom final de semana. Beijos!