Erros de Sempre
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Pela segunda vez naquele dia, Isabella teve cuidado ao abrir os olhos.
Mas diferente de antes, sua preocupação não era com a luminosidade ou apenas preguiça de sair da cama – agora, ela sequer sabia aonde estava. Entretanto, a maciez contra seus ombros enquanto se mexia, a acalmou. Apesar da confusão em suas memórias e sem ter certeza sobre quem a colocou para dormir, estava claro que ela não se encontrava na parte de trás de uma caminhonete ou no chão de alguma calçada.
Os travesseiros ao seu redor eram familiares, assim como o seu cheiro sutil.
Suas pálpebras tremeram com dificuldade e ela estava quase se rendendo, quando um movimento a assustou e selou o negócio. Ela sentou-se bruscamente, ao mesmo tempo em que encolhia as pernas, ficando longe do que quer que tenha tocado as solas dos seus pés. Um miado soou próximo e ela inclinou-se para o lado, tateando no escuro até encontrar o abajur. A luz quase a cegou, lhe obrigando a virar o rosto para o outro lado e fazer uma careta que aliviou apenas quando registrou a presença de Lola ao seu lado.
— Oi, gatinha. Vem aqui.
Ela não precisou de outro comando e subiu em suas coxas. Lola se esfregou na barriga de Isabella, agora coberta com uma camisola de algodão cinza, com alças finas e decote em U. A morena não tinha a menor ideia de quando veio para casa e porquê tinha trocado de roupa, mas parecia que ela havia chegado de uma longa viajem e seu corpo estava fadigado. Se não fosse pelos barulhos ouvidos através do corredor, ela com certeza voltaria para baixo da coberta, mas a ideia de que havia mais alguém ali enquanto dormia, a aterrorizava.
Como se tivesse pensado em voz alta, a porta se abriu.
Edward suspirou de alivio quando a viu finalmente acordada e ela franziu a testa, mais confusa do que antes, mas quando seus olhos registraram a caixa de remédios em sua mão, tudo voltou em flashes rápidos e dolorosos. Suas mãos foram para a cabeça e apertaram as têmporas, enquanto várias imagens – de Angela, Rosalie, rostos sem nomes e Edward – se misturavam, até aos poucos começarem a fazer algum sentido. Ela lembrou-se que os olhos assombrados do namorado, foi a última coisa que viu antes de apagar no meio do estabelecimento de sua amiga.
Merda. Que situação foi se meter.
— Por que você não me disse que era anêmica? — Edward pergunta. Sua voz é calma, mas ela vê em sua expressão que ele está se controlando para não explodir ou algo do tipo — Todo esse tempo e nenhuma palavra. Eu não gostei de ficar sabendo sobre a sua saúde através de terceiros.
— Terceiros?
— Sua mãe — Ele cospe e ela imagina a conversa não tenha sido agradável — Eu precisei ligar para ela, porque não sabia como a ajudar a minha namorada. Você apagou nos meus braços, suando e branca feito um fantasma, mas eu ainda não tinha a menor ideia do que estava errado com você. Jasper não estava disponível quando tentei ligar e ela era a minha única opção.
— Okay. Então ela te diss-
— Da sua falta ferro? Sim, ela disse, depois de gritar comigo. O problema, Isabella, é que durante todos esses meses em que estou com você, não a vi tomando a sua medicação nenhuma vez — Ele acusa — Você poderia me explicar isso?
A voz dele deu uma estremecida e Isabella se sentiu tentada a rir de como o homem parecia querer esgana-la. Ela limpou a garganta e fechou os olhos por um instante, tentando clarear a mente embaralhada pelos últimos acontecimentos. A morena tinha a vaga lembrança de ter tomado seu remédio um dia após a viagem de Edward, mas isso fazia tempo demais e não podia estar certo. Ela era responsável com a sua saúde e se alimentava muito bem – sempre que possível. Edward respeitou o seu momento enquanto ela fazia os cálculos e esperou, até que ela se deu por vencida e admitiu que havia esquecido de toma-los.
Ele não se alterou na resposta.
— Você, provavelmente, parou de toma-los porque seu estoque havia acabado. Comprar mais, deve ter fugido da sua mente no meio das suas atividades na agência e em seu segundo emprego, como babá da Angela.
— Ei, não fale desse jeito.
— Eu falo como diabos eu quiser! — Ele repreende, se alterando e expulsando uma rajada de ar, antes de olhar para o teto e cobrir o rosto com as mãos — Você assustou o inferno fora de mim, Isabella — Ele vira e a olha — Eu nunca te vi daquele jeito em toda a minha vida e se for preciso, eu vou me encarregar de medicá-la todos os dias, para não passar por isso de novo. Até agora, eu não sei como consegui trazê-la para casa sem bater o carro, com você desmaiada no banco ao lado, porra. Isso foi...
Isabella se sentiu culpada com a sua expressão de agonia.
Ela sabia que tinha o assustado, mas era estupidez pedir desculpas por passar mal. A verdade é que também estava surpresa sobre como havia sido relapsa com sua saúde e ele não estava completamente errado em se aborrecer. Ela tem deixado que seus compromissos com o trabalho tomem todo o seu tempo durante o dia e a gravidez de Angela exigiu muito de sua atenção. Edward não era o primeiro a alfineta-la sobre isso e só após uns puxões de orelha, ela foi capaz de suavizar.
— Desculpe, amor. Eu realmente não percebi que estava há tanto tempo sem tomar o ferro. Vou ficar mais atenta sobre isso, está bem? Eu apenas não quero brigar — A expressão furiosa de Edward, suavizou com a admissão dela e ele não esperou nem mais um segundo para se aproximar da cama e puxa-la para os seus braços. Isabella foi de bom grado e riu quando Lola, aparentemente enciumada, cutucou-o com a pata como se pedisse por espaço para ela própria. Edward a ignorou, mas quando ela tentou escala-lo, ele cedeu e manteve suas duas garotas próximas — Eu estou dormindo há muito tempo?
— Sim, já passa das nove.
— Wow, isso é...
— Você precisava descansar — Ele lhe apertou e beijou um pouco acima de sua testa, antes de afasta-la para pegar um copo de água esquecido no criado mudo à sua direita — Eu fiz uma ligação e consegui que o remédio fosse entregue. Eu não seria capaz de deixa-la sozinha para compra-los, mesmo sabendo que precisava deles.
A morena sorriu, agradecida e colocou a palma da mão para cima, quando ele tirou um comprimido de sulfato ferroso. Ela tinha tentando alguns até mais caros, mas seu organismo não os recebeu muito bem e esse é o único que veio a funcionar. Em silêncio, Edward a assistiu beber o copo inteiro de água e ela sentiu-se subitamente tímida ao ser observada. Era questão de tempo até que ele perguntasse sobre o episódio de mais cedo e não estava totalmente segura de que queria falar sobre assunto com ele. Ela nunca o tinha feito antes e isso a assustava.
— Você tem plano de saúde?
— Como é?
Sua cabeça estalou para cima e um sorriso brincou em seus lábios, com a pergunta repentina. De tudo que achou que ele fosse questionar, nada era parecido com isso.
— Plano de saúde. Eu quero marcar uma consulta para você em breve e preciso de algumas informações — Isabella abriu a boca – provavelmente para protestar, mas ele não estava cedendo sobre isso — Você vai ao médico, refará os seus exames e veremos se o seu problema se agravou ou por quanto tempo ainda irá precisar da medicação antes de estar bem novamente.
— Bom, sim, eu tenho.
— Quem te atendeu da última vez?
Ela sugou o lábio superior enquanto pensava e deu de ombros.
— Um clinico geral.
— Certo, estaremos vendo um nutrólogo, dessa vez.
Edward se mexeu na cama e ficou de costas para ela, foi incapaz de vê-la revirando os olhos. Ela queria apontar que não havia nenhum problema com o médico que a diagnosticou, mas não seria de todo ruim ver outra pessoa e tirar suas dúvidas sobre um par de outras coisas que vem sentindo. Ele estava na beira do colchão, inclinado, enquanto guardava as caixas na gaveta e Lola já estava adormecida aos pés da cama, ignorando aos dois. Isabella passou os olhos pelo quarto, encontrando sua roupa de antes. Ela estava jogada sobre o divã embaixo da janela e isso, a fez voltar para a confeitaria onde Rosalie estava. As lembranças a fizeram encolher, mas não pode deixar de encarar a nuca de Edward enquanto perguntava.
— Afinal de contas, o que você estava fazendo lá?
O advogado levantou, apanhando o copo vazio antes de virar.
Edward passou a mão por sua testa e a olhou.
— Rosalie me ligou para agradecer por ter cuidado de Mason na noite passada e pediu desculpas pela maneira que ele agiu com você. É claro que, ela me deixou saber que não estava satisfeita por eu ter te convidado para passar a noite, mas não queria que o filho machucasse você ou a mais alguém — Ele explica e suspira, parecendo tão cansado quanto ela. Isabella estava tentada a interrompe-lo e chama-lo de volta para cama. Deus sabe bem que, depois da tarde que ela teve, tudo o que mais queria e precisava, era de algum conforto e uma boa noite de sono — Ela disse que estava apanhando algumas caixas de cupcakes para levar para a aula no dia seguinte e me perguntou se, uma vez que eu estava fora do escritório, não poderia dar-lhe uma carona até em casa. Eu disse que tudo bem.
— Você não sabia que aquela era a confeitaria de Angela.
— Não sabia — Ele confirma. Edward esteve apenas na casa da mulher, uma vez para conversar sobre o pai do garoto dela e outra, para buscar a namorada — Eu tinha acabado de chegar para pega-la, quando vi vocês. Ela parecia bastante chateada e até um pouco enjoada, mas quando te vi agarrar seus próprios joelhos e sua cor... Isabella, parecia que o sangre tinha sido drenado do seu corpo. Eu pensei que fosse surtar no momento em que te agarrei e você olhou para mim, mas não me reconheceu. Acredito que gritei coisas bastante... desagradáveis, para ela, mas não me arrependo de nada. Tenho certeza que, o que quer que ela tenha dito, apenas piorou o que você estava sentindo e isso n-
— Ela falou sobre a criança.
Após a interrupção, houve um longo silencio no quarto.
Talvez o ronco natural de Lola fosse a única coisa capaz de impedi-los de ouvir se um alfinete fosse jogado ao chão. Isabella estava com as pernas dobradas e encarando as mãos em seu colo. Parecia perdida em pensamentos, enquanto ouvia claramente, a voz da mulher repetindo uma e outra vez aquela monstruosidade.
— Ela disse que eu fiz um aborto. Que eu matei o meu bebê.
Sua visão ficou turva com as lágrimas não derramas e ela virou o rosto de lado, a tempo de ver Edward enrijecer completamente. Ele estava de costas para ela, há alguns passos da cama e podia ser facilmente confundido com um pilar de gesso.
Essa era a primeira vez que ela presenciava a sua reação quando o fruto do seu pecado de adolescência, era mencionado. Após a descoberta da traição, Edward não ficou muito tempo em Forks para descobrir sobre a sua gravidez e eles nunca discutiram o assunto desde que voltaram a se encontrar. Isabella, por muito tempo, teve que conviver com a ausência do filho que estava aprendendo a amar. O assunto era um verdadeiro tabu e acabou por decidir que era melhor afastar aquilo, assim como todas as outras lembranças que aquela cidade trazia do seu passado. Aos poucos, ela aprendeu a seguir com a vida e imaginou que não era saudável falar sobre ele, principalmente porque as pessoas ao redor, não sabiam nada sobre isso. Jasper foi seu suporte durante todos os anos de faculdade e seus pais se afogavam em culpa toda vez que que sua gravidez não planejada era trazida à tona, então, ela enterrou a memória do seu bebê bem no fundo do seu coração – onde os dois não podiam ser incomodados por mais ninguém.
— Por que ela diria algo assim? — Ela tentou mais uma vez e aflição em sua voz, foi suficiente para tirar Edward do lugar escuro onde ele estava.
Ele se virou lentamente, mas não foi tempo o suficiente para desfazer a expressão de dor em seu rosto. Isabella abraçou a si mesma porque ela não conseguia imaginar como era difícil para ele e saber que era a causa disso, a entristecia demais. Edward não deveria ter que passar por isso. Nenhum deles deveria.
Talvez não devesse ter falado nada.
Se Rosalie apenas tivesse mantido a boca fechada...
— Ela não sabe muita coisa — Edward responde e sua voz enrouquecida quebra seu coração. Ele não a olha enquanto fala — Nós realmente não falamos sobre o que aconteceu, mas Emmett não queria se casar com ela, com segredos entre os dois, então lhe deu a versão resumida.
— Versão resum-id-da? — Ela pigarreou quando sua voz falhou com o choro entalado na garganta e seus olhos capturaram o movimento da mão de Edward, fechando-se em punho.
Ela não sabia se ele precisava socar alguma coisa de raiva e frustração ou estava se controlando para não tocá-la. Ela queria muito ser tocada. Ela queria ganhar consolo, mas esperar isso dele, nesse momento, era pedir demais.
— Onde havia um bebê e depois, não havia mais — Isabella ofegou sobre como a perda de seu filho podia ser explicada tão... rapidamente, como se não tivesse significado no mundo e as lágrimas começaram a cair. Era um choro silencioso, mas seu coração parecia estar gritando em seus ouvidos — Nós nunca insinuamos que tivesse sido culpa sua. Rosalie apenas deve ter deduzido, uma vez que soube quem era você e como as coisas aconteceram, que uma adolescente fez o que tinha que fazer para seguir em frente e nós nunca a fizemos pensar o contrário.
Isabella soluçou e cobriu a boca enquanto o corpo balançava sem controle. Ela não saberia dizer se Edward contou-lhe algo mais, pois novamente, tudo perdeu o sentido a sua volta e por pouco, ela não sentiu seus braços a rodeando. O ruivo, de repente, estava de volta à cama. Aninhando-a como um pai faz com uma criança assustada sobre sonho ruim. Ela agarrou-se ao tecido de sua camisa, se certificando de que ele não a deixaria enquanto ela quebrava. O que ela estava sentindo, era uma das piores sensações do mundo, porque sabia que seu sofrimento causava dor no homem que a segurava, no homem que amava – por mais de uma razão.
— Me desculpe — Ela pediu, enfiando o rosto molhado em seu peito. Edward a abraçou mais apertado, mas não respondeu, contribuindo para o choro aumentar. Não precisava ser um gênio para perceber que ele obteve sucesso em lidar com o fato de que sua namorada havia tido uma noite com o seu irmão, mas não estava pronto para superar que ele a engravidou — Deus, Edward, desculpe.
A mão dele se infiltrou entre seus cabelos e ele manteve o aperto firme, enquanto a abraçava e beijava duramente o topo da sua cabeça. Isabella sabia que um homem tinha que ter estômago para aliviar a sua aflição de perder o filho que esperava do seu irmão mais velho. Edward era um bom homem e a amava.
Sempre amou.
Hoje, tinha total certeza disso e mesmo que ela quisesse, mesmo que sua alma tivesse a necessidade de ouvir aquelas doces palavras, ela não precisava de nada mais que as suas ações para se sentir querida. A relação dos dois passou por altos e baixos desde o início, há dez anos e agora não seria diferente. Eles tinham muito chão pela frente, muita coisa para passar por cima, aprender a aceitar, esquecer e perdoar – mas com a diferença de que agora, ninguém os colocaria um contra o outro. Ambos estavam cientes de seus defeitos e qualidades, dos erros, acertos e as consequências deles, que ainda traziam em suas costas e se aceitavam assim.
Eles sobreviveriam. Ela podia dizer.
— Respire — Edward pediu depois de um tempo. O choro havia diminuído. Ela não sabia que ainda tinha tantas lágrimas guardadas para isso, mas a camisa ensopada dele, era evidencia. Seus soluços ainda estavam lá e, às vezes, quando tentava puxar o ar, engasgava — Está tudo bem. Já passou. Eu não vou deixar que você precise lidar com Rosalie nunca mais. Ela vai aprender a cuidar da sua própria maldita vida.
— É por i-sso que ela me de-t-esta, não é? — Ela fungou, após passar, discretamente, as costas da mão embaixo do nariz para se limpar. Erguendo o rosto, ela encontrou o do ruivo, que estampava uma falsa calma. Ele podia enganar seus clientes, amigos e parentes, mas a ela? Nunca conseguiria — Rosalie não suporta que eu tenha engravidado do marido e na cabeça dela, matado o nosso filho. É claro... ela odeia que eu esteja com você, de volta à sua família e buscando o meu “final feliz”, quando vem perdendo cada batalha em ter o dela.
Edward assentiu e usou o polegar para acaricia-la.
A morena derreteu em seu toque e esfregou a bochecha em seu pulso, como Lola faria em busca de carinho. Ela sentiu um beijo delicado ser colocado sobre o seu olho esquerdo e isso a fez querer chorar novamente, mas seus olhos se abriram de repente e ela precisou engolir em seco com a angustia no rosto dele.
— Eu sinto muito, amor — Isabella disse, segurando a mão dele no lugar, quando Edward tentou escapar do que ela tinha a dizer — Eu gostaria que pudesse ter evitado tudo isso. Você já estava lidando com muito naquela época e não precisava de mais — Ela admite a verdade. Carlisle, chateado com Emmett e ela, naquela época, não poupava os comentários sobre a situação do filho mesmo quando eles estavam presentes. Vivendo um verdadeiro inferno em Forks, tudo se tornou ainda pior, por saber que Edward estava passando por momentos difíceis na Califórnia, enquanto digeria que eles haviam o traído e que os três eram o assunto da cidade — Eu queria ter sido capaz de ir embora, sabe? Talvez isso tivesse feito diferença, os meus pais não me queriam com eles mesmo — Ela dá uma risada amarga e ele aperta sua nuca em um aviso para parar — Mas sua mãe não permitiu que eu me afastasse. Ela me colocou sob suas asas e me protegeu daquelas pessoas. Eu tinha certeza que causaria menos estragos se fugisse para longe, mas não podia levar o neto deles embora. A vida me amarrou a vocês novamente...
Você está destinada a ser uma Cullen.
Edward fechou os olhos com o pensamento e jogou a cabeça para trás, não se importando quando ela bateu na parede acima da cabeceira da cama – ela já estava explodindo de qualquer maneira.
Há muitos anos, ele não passava por um susto como o que teve mais cedo.
Encontra-la perdendo os sentidos quando – apenas horas atrás – havia gastado o seu pouco tempo livre na parte da manhã, junto com ela em sua cama, era última coisa que esperava. Da porta de entrada da confeitaria, Edward viu que ela não estava bem e então, algo nas palavras de sua cunhada simplesmente a fez desabar e agora, ele entendia o porquê. Rosalie gaguejou desculpas e pareceu verdadeiramente preocupada com sua namorada, principalmente quando as pessoas se aproximaram, oferecendo ajuda e perguntando sobre ligar para emergência. A espinha de Edward gelou com a ideia de tê-la dentro de uma ambulância, mas para a sua sorte, ela tentou recuperar os sentidos ainda em seus braços. Isabella não obteve sucesso e assim que ele a deixou segura em seu carro, ele tinha a recepcionista do hospital onde Jasper trabalhava, em espera, enquanto procurava por Renée na delegacia.
Quando soube da sua anemia, ele não sabia se deveria ficar aliviado ou mais preocupado, mas sua língua coçava com a vontade de gritar coisas ruins para ela. Queria pedir-lhe para não ser tão malditamente estupida com a própria saúde, porque a ideia de tê-la doente de algo maior que uma gripe, o deixava inquieto e assustado. Renée também estava aborrecida do outro lado da linha e comparava as falhas e manias entre pai e filha. Edward estava ciente das dificuldades que Charlie tinha de manter a sua promessa contra o vício e ele esperava que Isabella não tenha deixado de se medicar de propósito ou, inferno... ele a faria se arrepender.
Assim ele gostaria que fosse, mas a cada vez que olhava para o seu corpo esgotado e adormecido, algo apertava em seu peito e não se via fazendo outra coisa, além de cuidar dela. Por isso, ao chegarem na casa dela, ele teve a certeza deixa-la limpa e confortável na cama, antes de repor seus remédios e encontrar alguma comida forte o suficiente para lhe dar um pouco de cor.
— Ei, você ainda está aí? — Sua voz pequena o chamou e ele esticou seus lábios em um pequeno sorriso, assentindo em resposta — Você pode me perdoar?
Edward pigarreou, empurrando-a um pouco distante para que ele pudesse se mover no colchão e sair. Quando o fez, agachou-se na altura da cama e segurou a mão dela – que parecendo desolada, deslizou pela cabeceira, até ficar com a cabeça encostada no ferro e o corpo meio torto.
— Babe, isso é passado — Ele finalmente admitiu, mas não a deixou saber que estava afirmando aquilo para os dois — Eu não gosto das atitudes que você tomou, mas realmente, quem sou eu para julgar? — Ele deu de ombros, tentando não ser tomado pela raiva de ter sido babaca no ensino médio e estragado a coisa mais bonita que já teve em sua vida — Acredito no seu arrependimento em ir para cama com Emmett, porque estava com raiva de mim e eu tenho certeza que ter um bebê dele também não estava nos seus planos, mas eu tenho que admitir... isso foi duro.
— É claro que foi, nós fiz-
— Deixe-me terminar, por favor — Ele pede, entrelaçando seus dedos nos dela e é o suficiente para acalma-la — Eu não posso passar uma borracha em cima de tudo e eu não vou negar que eu invejo e odeio, na mesma medida, o vínculo que Emmett e você criaram naquele dia — Isabella sentiu seus olhos molhados e queria chutar a própria bunda por estar chorando novamente, mas como poderia não fazê-lo com ele admitindo suas fraquezas? — Aquela foi a época mais difícil da minha vida e eu achei que fosse perder a cabeça, mas acredite, eu realmente lamento o que aconteceu. Você pode me achar um idiota por isso e talvez eu seja, mas não me sinto à vontade conversando sobre isso. Sei que é algo importante, mas eu levei anos para aprender a ignorar e esquecer essa parte em especial, do que houve entre vocês, então... se não for absolutamente necessário, não fale dele comigo.
Ele.
Edward – de todas as pessoas – era o último que ela esperava que o tratasse como uma pessoa e não como um objeto que se perdeu na mudança, como todos os outros faziam. Esqueça isso, eles diziam.
Seu bebê não era uma coisa.
Isabella piscou, atordoada com a honestidade dele e confusa sobre como se sentir diante do seu pedido. É suposto que alguém que você goste e vice-versa, queira saber, discutir e ouvir sobre tudo relevante em sua vida, mas Edward não era qualquer um. Ele foi o único que teve a namorada dormindo e ficando gravida de um Cullen que não era ele. A morena viu o quanto Esme e Carlisle ficaram devastados e cada vez mais tristes com o seu comportamento. Viver em um estado diferente do dele, foi uma verdadeira bênção, pois, tinha absoluta certeza de que era fraca demais para conseguir enfrentar as consequências do que fez com ele.
— Tudo bem. É claro. — Ela concordou.
Os olhos dele eram pura gratidão.
— Eu estava uma bagunça naquela época, mas nem por um momento, quis que você e o seu filho fossem separados de alguma maneira, Bella.
— Eu sei — Abrindo um sorriso triste, ela fungou uma última vez, antes de respirar fundo e tentar forte não voltar à estaca zero — Obrigada por isso. Significa muito para mim.
Ele a fitou com carinho.
— A minha menina foi muito forte.
Isabella gemeu e foi até lá, encostando sua testa na dele.
Ela o beija lenta e delicadamente, ambos com os olhos abertos.
— Você também.
— Não, babe. Você está enganada — Ele sorri tristemente e depois de um carinho em seu rosto confuso, se levanta e pega o copo no criado mudo — Eu vou pegar algo para comermos. Você precisa ir ao banheiro ou algo do tipo?
A bexiga dela respondeu à sua pergunta, tornando-se pesada e incomoda. Ela balançou a cabeça para indicar que sim, gostaria de ir e segurou em seu braço como apoio, enquanto rastejava de joelhos sobre o colchão até ter seus pés plantados no chão. Seu corpo estava cansado, mas as pernas pareciam firmes e depois de um tempo, Edward, cansado de discutir sobre ajuda-la lá dentro, aceitou apenas acompanha-la até a porta – mas a morena o ouviu do lado de fora por alguns instantes, antes de seus passos se tornarem cada vez mais distantes.
Olhando no espelho, ela fez careta para o seu reflexo. Seu cabelo estava uma bagunça, a fazendo questionar o seu sono de mais cedo. O rosto continuava pálido, sem cor alguma – diferente de seus olhos, avermelhados por dentro e inchados por fora. Enquanto a banheira enchia, ela segurou na barra da camisola e levou-a pela cabeça, jogando-a sobre o balcão junto da calcinha. A água havia ficado um pouco mais quente do que o ideal, mas ela não se importou e afundou o corpo nela, acreditando que aquilo ajudaria a desperta-la de uma vez por todas.
Usando uma toalha para apoiar a cabeça e não machucar o pescoço, Isabella ficou confortável na pequena banheira e arrastou as mãos por sua pele aquecida, sem realmente estar se lavando. Ela repetiu em sua mente, os trechos mais importantes da sua conversa com Edward e soltou um suspiro – involuntário – de alivio, por ele não ter lhe afastado física nem emocionalmente. Sua mente estava vagando e a imagem de uma Rosalie inconformada apareceu quando tinha a mão direita sobre a barriga, cobrindo o pequeno umbigo.
Embora suas conclusões estejam equivocadas, agora toda a antipatia da mulher por ela, fazia algum sentido. Ela não culpava Emmett por não entrar em detalhes sobre o que aconteceu e por isso, gostaria de ter um momento de esclarecimentos com sua esposa.
Seu bebê estaria aqui sim, se ela pudesse ter tido uma escolha.
Há dez anos atrás, no dia 14 de julho, Isabella saltou do carro que Esme a tinha emprestado – um antigo, que foi esquecido na garagem depois de ter seus reparos feitos. Em outro momento, ela gostaria de usar as suas pernas para caminhar, mas levando em conta as situações constrangedoras que estava vivendo a cada vez que encontrava com um novo morador da cidade, ela acatou de boa vontade quando Emmett disse-lhe para usar o carro e de preferência, com os vidros sempre levantados. As pessoas estavam sendo tudo, menos compreensivas e gentis, desde que a melhor amiga da Jessica e ex de Tyler – Lauren Mallory –, espalhou na escola sobre ter visto a filha da delegada e o mais velho dos Cullen, saindo do mesmo quarto na manhã seguinte à festa; ambos parecendo culpados e de ressaca.
Ela não sabia porque a garota não tinha aberto a boca antes, mas de fato, Mallory possuía um timing perfeito e quando a fofoca se espalhou por Forks, ela tinha três testes de gravidez escondidos debaixo da cama – todos com o mesmo resultado positivo. Quando seu celular começou a tocar, registrando números que sequer conhecia, ela percebeu que era tarde demais para se acovardar.
Edward, que até então, ainda a procurava semanalmente para tentar uma reconciliação, precisava saber a verdade e tinha que ser através dela.
O punho do ruivo estava afundando no rosto do irmão, no momento em que as palavras deixaram a sua boca. Ele não quis ouvir as desculpas e muito menos, as explicações. Edward queria vingança e descontou em Emmett toda a sua revolta com os dois. Esme chorou, implorou e pediu, mas ele não parou – furioso porque o outro sequer tentava se defender. Os irmãos rolaram no chão da sala até que Carlisle interveio e conseguiu separa-los. Tendo seus ombros abraçados por Alice, ela chorou enquanto ouvia todas as duras palavras direcionadas a ela. Emmett tentou mais de uma vez, fazê-lo ouvir a razão e ter calma, mas em seguida, o arremessador do time de beisebol da escola já estava tomando todas as providencias para deixá-los para trás o quanto antes.
Da maneira mais educada que conseguiu, Carlisle proibiu a entrada dela em sua casa pelas próximas duas semanas. Isabella voltou a estudar, tendo que aguentar os olhares e comentários dos alunos que também possuíam teto de vidro, mas não hesitavam em julgá-la e espalhar mais rumores pelo lugar. A situação com seus pais era ainda menos agradável. Charlie não escondia a sua decepção e Renée estava sempre de cara fechada, mal-humorada e evitava falar com a filha tanto quanto possível. Mais tarde, a morena descobre que Edward foi embora para Califórnia sem dizer adeus e quando ela planeja uma maneira de ir embora também, sua mãe descobre os testes e o céu desaba sobre a sua cabeça.
Charlie tentou mantê-las nos trilhos, mas Renée surtou com a gravidez da filha e as duas tiveram a discussão de suas vidas. No calor do momento, a mulher mais velha revelou o seu arrependimento em ter deixado com que os dois voltassem para Forks e a garota afirmou que ela não seria um problema. A delegada afirmou que isso era ótimo, porque nem em seus sonhos, estaria tomando conta de uma criança gerada fora do casamento por sua filha menor de idade e que ainda, o pai não estava por perto para assumi-la.
As coisas saíram do controle quando o pai do bebê foi revelado.
Renée a expulsou de casa e quando Charlie tentou impedi-la, foi ameaçado com o fim do casamento. Isabella, quando o viu hesitar e recuar, disse-lhe para procura-la quando ele recuperasse suas bolas que estavam penduradas na estante de sua mãe. Ela enfiou em uma bolsa, algumas das poucas coisas que tinha e ligou para Emmett. Isabella contou-lhe tudo e apesar de o momento ser o menos oportuno, ele não ficou chateado com ela ou com a existência daquele pequeno ser. Esme teve uma reação muito semelhante à de seu filho e a acolheu em seu lar, mesmo que seu marido não achasse que fosse uma boa ideia e procurasse outra solução.
Os dias seguintes foram de adaptação e, embora, tenha ficado triste por Charlie ter sido o único a tentar entrar em contato, ela sentia-se feliz por estar ao redor de pessoas que não a recriminavam e estavam verdadeiramente animados com a chegada de um membro novo – mesmo que as consequências da existência dele, não eram ser sempre positivas.
Isabella não deixava a casa dos Cullen se não sua presença não fosse necessária na escola. O ano letivo estava no fim e apesar da preparação do baile, ela e a família do seu filho seguiram sendo a fofoca local. Quando o disse-me-disse se tornava muito para aguentar, ela matava as aulas e passava o dia na companhia de Esme.
Ela estava no final da sua oitava semana, quando seus pais começaram a se aproximar. O estado emocional de Isabella era uma verdadeira montanha russa e mesmo que seu coração estivesse machucado e repleto de magoa, ela os aceitou de volta. Charlie ainda parecia em choque toda vez que a olhava, mas Renée – embora estivesse sempre tímida e receosa – tratou de cuidar de todas as suas necessidades. Ela voltou a morar com eles algum tempo depois e manteve-se afastada dos Cullen por algumas semanas, uma vez que Emmett perdeu suas últimas ligações e ela ouviu os comentários de que Carlisle e Esme tinham precisado viajar.
Naquela sexta-feira à tarde, Isabella tinha estacionado em frente a um chaveiro. Ela passeou pelas lojas do centro de Port Angeles, pois a cidade era agradável no verão e fez escolheu algumas coisas, mas pensando em Edward, Isabella entrou em uma loja de artigos esportivos. Ela imaginava que, focado na faculdade de Direito, ele sentiria falta dos fãs, dos jogos e do time. Então, para lembra-lo que ele viveu coisas agradáveis nos seus últimos anos, resolveu encontrar algo especial para o seu aniversário. Por dias, ela debateu sobre isso e acabou só indo comprar algo na data exata, mas realmente não se importava que o presente fosse chegar algum tempo mais tarde. Sua dúvida era se ele apreciaria o gesto ou odiaria.
Isabella estava deixando a loja, quando dois rapazes passaram por ela e o mais alto, não parou para se desculpar por ter esbarrado rudemente em seu braço. Acariciando o lugar da batida, ela fez o caminho para o carro, mas antes que pudesse ir muito longe, gritos a prenderam no lugar. Ela virou e viu algumas das pessoas que estavam lá dentro, comprando e experimentando coisas, saírem correndo. Algumas gritavam e outras apenas tinham olhares espantados em seus rostos e quando ela viu o mesmo homem que esbarrou nela, sair pela porta e enfiar a mão dentro do seu casaco, ela não precisou de mais explicações. A morena girou e tentou fazer suas pernas correrem para longe dali, assim como as pessoas em volta estavam fazendo, mas em meio ao pequeno tumulto, alguém a derrubou na calçada, fazendo-a sentir uma pontada desagradável com a queda. Suas mãos estavam ardendo quando ela se levantou e havia várias pedrinhas presas à sua pele, mas ela não se importou e pulou no carro assim que teve a chance. Ela sequer lembra de colocar a chave na ignição. O susto estava fazendo o seu coração martelar nas orelhas. Em todos os seus anos de vida, ela nunca tinha presenciado um assalto e isso, normalmente, não acontecia.
Com esses questionamentos, ela arrancou para fora dali e deixou Port Angeles.
Foi apenas quando ela já estava perto o suficiente de Forks, que percebeu algo muito estava errado. Isabella estava desconfortável e úmida entre as pernas, mas ela não via qualquer razão para estar suando tanto assim e preocupada, ela encostou para dar uma olhada em si mesma. O sangue era inconfundível no jeans de cor clara. Ela paralisou de medo e sequer lembra como conseguiu ligar para Emmett.
Isabella orou para estar errada, mas sabia que estava perdendo o bebê.
Seu médico a manteve no hospital, preocupado mais com o seu estado emocional do que qualquer outra coisa. Carlisle e ele, estavam empenhados em convence-la de que não houve culpados. Eles disseram que ela era incapaz de evitar, porque infelizmente, isso era muito comum nas primeiras 24 semanas de gestação. A queda não causou danos significativos e o momento de stress também não foi severo o suficiente para causar o aborto – era muito difícil especificar a causa e foi considerado espontânea.
Esme, assim como sua mãe, ficaram do seu lado o tempo todo.
Isabella teve uma nova discussão com ela. Seu temperamento estava fora de controle e não ajudava que a delegada parecesse quase aliviada que já não existisse uma criança ali. Renée tentou justificar que estava apenas preocupada com o futuro da filha, tão nova, tendo que passar por tudo aquilo e a Isabella afirmou que estava pronta para as responsabilidades – que diferente dela, estava verdadeiramente feliz em cria-la e jamais a jogaria nos ombros de outra pessoa.
Emmett e ela, ficaram mais unidos com o passar dos dias e realmente só se largaram quando ele foi para a faculdade. Os dois tornaram-se bons amigos desde que descobriram que seriam pais e ele tinha mostrado um lado que sequer seus familiares conheciam. O rapaz estava empolgado com a ideia de ter feito algo. De ter alguém para cuidar e amar incondicionalmente, principalmente quando sabia que seria recíproco, então os dois sofrem e se ergueram juntos, dia após dia. Isabella ficou para trás e só chegou em Seattle com algum tempo de atraso. Determinada a deixar as pessoas cruéis e as lembranças ruins no passado, ela trocou seus números de contato e cortou relações com os Cullen.
Quando começasse uma família, nenhum deles estariam envolvidos novamente.
Era o que ela pensava.
*********
Isabella sentou no sofá e colocou uma almofada em seu colo para acomodar o generoso prato de guisado que haviam servido para ela. Ele era fundo e branco. A comida, colorida e segundo Edward, estava cheia das proteínas que precisava para sentir-se melhor. A carne parecia suculenta e cheirava muito bem, abrindo seu apetite negligenciado por todo o dia. Aproveitando que refeição estava carregada de ferro, ela comeu mais do que o suficiente para uma pessoa, com suco de uva – não porque combinasse, apenas porque estava com um gosto incrível.
Edward lhe enviou um olhar sujo quando a viu afastando os aipos para o canto do prato e fazendo cara feia, ela os comeu sem realmente mastiga-los muito, mas as batatas estavam incríveis. A morena se sentiu uma outra pessoa depois de alimentada e os longos 40 minutos de banho também a ajudaram a sair recomposta de lá. Isabella substituiu a camisola de algodão, por um conjunto de malha com uma blusa sem mangas e um short curto que atraiu olhares interessados e nenhum pouco puros de seu namorado, mas era claro como cristal que ele não se aproximaria com essas intenções após presenciar o seu colapso de mais cedo.
A morena o expulsou da cozinha, quando ele tentou impedi-la de levar a pequena louça acumulada na pia e de propósito, Isabella se insinuou para ele, passando as mãos por todo o seu abdômen e beijando o seu queixo. E é claro que, Edward estava fora do cômodo em segundos, afirmando precisar do próprio banho.
Não muito tempo depois, seu melhor amigo apareceu em sua porta.
O homem estava um trapo, mas a agarrou em um abraço apertado quando a viu. Engatada à sua cintura, ela o levou até a poltrona, mas precisou se mudar para o sofá, pois Lola – aparentemente fingindo de morta – recusou-se a sair do lugar para que Jasper sentasse. Eles se acomodaram e Isabella contou-lhe o que havia acontecido. Pela segunda vez no dia, ouviu todo o sermão de como havia sido inconsequente por ter interrompido o uso do medicamento sem estar totalmente livre da anemia, até que a curiosidade falou mais alto.
— Como ele está indo?
Isabella não precisava de nomes.
— Eu realmente não sei — Ela admite e esfrega o rosto — Acredito que Edward está bem. Ele tem agido normalmente durante toda a noite, antecipado cada necessidade minha, sido gentil e muito prestativo, mas...
— O que?
— Quando ele para e fica perdido em pensamentos, eu pego o olhar em seu rosto. Eu não gosto do que eu vejo lá, Jasper.
— Vamos lá, o que você esperava? — Ele a olhou com pesar. Por muito tempo, Jasper o repugnou e sua mente só veio mudar sobre ele, no dia em que os dois entraram em uma briga, meses atrás – quando Edward, inesperadamente, se abriu com ele. O homem tinha sido um grande imbecil, mas ele pagou por isso — Você sabe que eu nunca julguei o que você fez quando adolescente, mas caramba, bebê, eu preciso ser honesto aqui. Eu não acho que voltaria para a mulher que quase deu à luz ao meu sobrinho. Quero dizer... porra.
Isabella sentiu suas bochechas avermelharem enquanto ela concordava, envergonhada. Seu amigo havia expressado um monte de vezes a sua surpresa quando Edward se estabeleceu em Seattle e não tentou nada contra ela – pelo contrário. Em parte, essa era a sua grande preocupação. Ele temia que o advogado tivesse grandes planos de vingança pela “humilhação pública” que ela os fez passar. O homem ficou por anos, afastado do lugar onde seus pais viviam e não apenas pelas memórias que cada esquina despertaria, mas pelas pessoas que se recusavam a deixar a história morrer e debochavam sobre ele ter sido enganado pela namorada estranha e como o irmão não perdia tempo ou não fazia nada pela metade. Se seus pais sentissem a sua falta, tinham que voar até a Califórnia.
— O Edward está trabalhando nisso. Apesar de não querer, eu não posso evitar que ele se sinta mal sobre tudo o que aconteceu, mas sei que ele está lutando contra e não vai permitir que isso nos afaste, depois de termos chegado até aqui — Jasper a encara, mas assente, porque além de não querer desencoraja-la, ele também acredita que o ruivo não vai dar para trás agora. Mas mesmo assim, ele morre de curiosidade para saber seus reais sentimentos ao observar Bella interagir com Mason, principalmente com Emmett por perto — Eu sei que ele não irá me deixar essa noite, mas eu estou tentando nos dar algum espaço. Eu preciso descansar e não quero sobrecarrega-lo.
— Estou feliz que ele tenha estado lá para você, bebê — Ele diz ao sair do sofá e se agacha na frente da morena, que sorri pequeno e aperta seu ombro — Sei que nós temos nossos próprios problemas, relacionamentos e merdas para arrumar, mas eu ainda sou o seu melhor amigo, então é minha obrigação alerta-la de algo.
— Sim?
— Sim — Jasper afirma — Apenas esteja certa de que nada mudou entre nós. Eu ainda vou te proteger e te ajudar, então quando e se, você precisar de qualquer coisa, eu vou estar aqui.
— Por que isso agora?
— Eu só estou dizendo — Ele dá de ombros — Ninguém te culparia por querer um tempo de tudo isso. Você não tem que aguentar as merdas da Rosalie. Se você achar que, em algum momento, está sendo muito para você lidar, estou à disposição.
Ela riu com vontade.
— Ok, eu vou deixa-lo saber quando eu estiver pronta para fugir pelo país com você, como fizeram em In Time.
— Ótimo — Ele concorda e depois, abre aquele famoso sorriso que conquista todas as suas pacientes e as deixam quentes— Mas convenhamos que eu sou muito mais macho que o Justin Timberlake.
— Isso é você que está dizendo.
Jasper a empurra, mas está gargalhando com ela.
Mais tarde, Isabella estava voltando para o quarto, quando ouviu a voz de Edward e da soleira da porta, ela entendeu que ele estava em uma ligação. Seu cenho franziu quando ouviu o nome da sua mãe e tentando não invadir a privacidade dele, ela forçou os seus pés a se moverem para longe dali antes que fosse pega bisbilhotando. Ela gostava que eles se dessem tão bem, mas não ficava à vontade com a possibilidade dos dois estarem falando sobre ela, mas não podia ser egoísta.
Depois das coisas que Edward precisou recordar hoje, era natural que ele precisasse de alguém para conversar e desabafar – alguém que não fosse ela, assim como teve Jasper. Ele ainda ficou por cerca de uma hora, trocou algumas palavras com o seu namorado, mas na maior parte do tempo, apenas lhe fez companhia e a distraiu com relatos sobre o hospital e o pessoal.
Pegando seu próprio celular, ela descobriu algumas chamadas perdidas e mensagens não lidas. A maioria era de Angela e ela sorriu com a preocupação da amiga. A morena respondeu-lhe com um texto rápido, afirmando estar se sentindo bem e que estava sendo cuidada, assim como pediu desculpas pelo transtorno na confeitaria. Usando uma de suas redes sociais, Isabella entra em contato com Maya, pedindo para deixar a agência saber que ela estaria tirando o dia seguinte para fazer exames médicos e não poderia ir trabalhar.
Ela tinha acabado de colocar o jantar para Lola, quando sentiu braços rodeando a sua cintura e puxando-a para cima. Ignorando seu pulo, Edward roçou a barba rala em seu ombro nu e respirou na altura da sua orelha, a fazendo tremer. Ele riu da sua reação e distribuiu beijos por todo o pescoço alvo, ao mesmo tempo em que a guiava na direção do corredor. Isabella não sabia que havia chegado no quarto, até que sentiu a suavidade do colchão. Surpresa, ela viu Edward subir em cima dela e roubar-lhe o fôlego com um beijo com os mais mistos significados. Ela detectou cuidado, paixão e talvez um pouco de desespero, antes de ele voltar a provoca-la no pescoço. Edward sabia que aquela parte de seu corpo era muito sensível e a deixava excitada. Ele também parecia louco para possui-la, mas quando a sentia estremecer e a via implorando, parava o que estava fazendo e beijava sua boca até tê-la calma novamente.
Os dois ficaram sobre as cobertas, trocando beijos, caricias, mordidas e risos cúmplices até que a morena começou a bocejar. Edward a trouxe para o seu peito, cobriu-a com zelo e observou adormecer.
Quando acordou no meio da noite, encontrou-o ao seu lado, mas completamente desperto. Ele tinha o notebook sobre as suas pernas e ela segurava firmemente o seu antebraço direito, atrapalhando a sua escrita, mas ele não fez nenhum movimento de afasta-la. Quieta, ela o observou trabalhar nas coisas que, muito provavelmente, ele interrompeu para ficar ao seu lado durante o dia. Ela gemeu quando, sonolenta, fechou os olhos e aproximou-se mais do corpo dele.
O ruivo tocou a sua bochecha por um momento e sua caricia foi a última coisa que registrou antes de apagar novamente.
*********
— Você está sendo chata sobre isso. — Isabella resmungou enquanto estudava as roupas penduradas nas araras.
— Vai ficar tudo bem! — Alice afirma pela milésima vez e puxa um vestido preto, composto, porém, justo o suficiente para deixar a sua amiga parecendo moderna, sensual, mas fiel à personagem — Eu teria feito muito mais por você, se tivesse vindo até mim mais cedo, mas como não foi o caso... apenas aceite.
Ela estendeu o cabide na direção da morena que, relutantemente, aceitou.
As duas almoçaram juntas, horas atrás e começaram a busca para uma fantasia decente para usar na festa. Amanhã era Halloween e ela deveria ter tudo pronto – inclusive as suas roupas – mas aqui estava com Alice, encontrando uma maneira de ficar parecida com a Audrey Hepburn. Sua amiga tinha contatos e não demorou muito até que ambas tivessem acesso a uma loja voltada à moda vintage, especificamente para os anos 60 e 70. Ela precisou dar o braço a torcer e admitir que Alice havia mandado muito bem ao trazê-la aqui. Tudo era muito de bom gosto e além de não precisar gastar um centavo com nada, não sairia parecendo uma imitação barata. Até porque... de barato, o seu colar de pérolas e diamantes, não tinha absolutamente nada. Ela estava apreensiva em sair usando aquilo, uma vez que não lhe pertencia, mas Ali lhe disse que todo mundo fazia esse tipo de coisa, para divulgar as marcas e desde que ela tivesse cuidado, tudo correria muito bem.
— Eu preciso mesmo usar a tiara? — Isabella perguntou, em dúvida quando viu a peça coberta de cristais, juntar-se a pilha com sapatos, luvas, bolsa e sobretudo.
— Eu ouvi claramente quando você me pediu para deixa-la igual a Holly Golightly. Então, se se ela usasse uma coroa na cabeça como uma maldita princesa, apenas para tomar café da manhã, você estaria saindo daqui com uma — Alice explica, parecendo estar a um fio de perder a paciência e sabendo o que era melhor para ela, Isabella apenas concorda com a cabeça em silêncio — Isso é tudo. — Ali diz para a moça que sorri ao empurrar um documento de responsabilidade para elas e depois de um par de assinaturas, tudo foi resolvido.
Ela estava satisfeita em brincar de ser uma socialite de New York, ao fantasiar-se da pequena Audrey em Bonequinha de Luxo. Este tinha sido o seu filme favorito para assistir com sua melhor amiga na infância, em Denver e estava ansiosa para se ver montada diante do espelho. Esperava que Edward a achasse bonita.
E por falar nele...
— E quanto ao Edward?
Alice bate à porta do carro e checa as horas em seu relógio, bagunçando o seu cabelo na parte do trás, quando algo no horário não a deixa nada feliz.
— Ele está praticamente pronto, Bella — Ela afirma enquanto a morena as põe de volta ao transito. Elas estavam voltando para o trabalho de Alice — Já que ambos estavam precisando de ideias fáceis e de última hora, eu sugeri Psicopata Americano e ele pareceu quase empolgado com a ideia.
— Oh, eu não conheço.
— Bem, você verá que não há muita diferença entre os dois. Ei! — Ela grita quando recebe um beliscão na coxa, mas explica — O Patrick é um sujeito muito bonito e elegante, se você quer saber. Apesar de ser um serial killer, é reconhecido por ser um rico executivo na Wall Street. Tudo o que eu preciso acrescentar no Edward, é um machado que não represente perigo e o faça ser preso. Terno, ele já possui vários.
— Isso parece muito... simples.
— Sim, realmente é, mas apenas porque eu sou ótima.
— E muito modesta — Isabella ironiza, rolando os olhos e acelera quando o semáforo está prestes a ficar amarelo — Tem certeza de que não quer vir?
— Eu adoraria, mas tenho uma espécie de encontro — Alice lamenta e confusa, observa as sobrancelhas da amiga se erguerem. O silencio continuou e ela finalmente entendeu — Oh, não é nada disso! Eu vou estar com Mason amanhã.
— Mason, é claro — Isabella concorda rapidamente com um sorriso, mas sabe que foi pega pensando em outras coisas. Em Jasper, especificamente. Como ele ficaria se Alice começasse a sair com outros homens? Deus, esses dois... — Então, você será a babá do garoto dessa vez?
— Sim, basicamente — Alice vira o retrovisor na sua direção, ignorando os protestos da amiga e usa o dedo para contornar a boca, limpando o batom — Eu vou estar na casa dele enquanto Emmett e Rosalie vão dar uma olhada em sua mãe. Ela não está se sentindo muito bem e como o irmão está fora do estado, alguém precisa vê-la. Mason só atrapalharia. Você sabe como ele pode ser, às vezes.
— Sim, eu me lembro — Ela concorda com um sorriso, estaciona em frente ao prédio onde a revista de Alice funcionava e destrava as portas — O que farão?
— Eu não tenho certeza. O garoto não se prende à TV por muito tempo mais, então no final de tarde, devo leva-lo para conseguir alguns doces ou algo assim.
— Isso parece bem.
— Sim. Ouça, Bella, sobre a Rose...
— Nós não temos que falar disso.
— Eu sei, mas há muito tempo não temos conversas de menina e eu nunca tive a chance de dizer que... bem, você sabe — Isabella não queria voltar a este assunto. Ela já tinha superado, mas a cada vez que recebia um novo “sinto muito”, a fazia reviver aquilo de novo e tudo estava bem — Eu não estava presente, mas Emmett me contou que Edward fez o inferno em sua casa e Rose ficou arrasada.
— Eu não posso dizer que lamento.
— E nem deveria! O que ela fez foi horrível. Todos nós ficamos decepcionados, mas admito que quase senti pena dela por ter que lidar com os meus irmãos absolutamente furiosos — Alice confidenciou e as duas trocaram um sorriso conspiratório. Isabella imaginava que a loira tenha ficado em maus lençóis nas mãos dos dois. Seu namorado não tinha ficado feliz e Emm deve ter se sentido exatamente como ela... — Eu tenho certeza que o Edward já esclareceu isso, mas só quero reforçar que essas coisas não voltarão a acontecer. A mamãe perderia a cabeça se soubesse de algo assim e você faz parte da família. Sabe disso, não é?
Isabella respondeu a puxa-la para um abraço apertado e desajeitado por cima do console do carro. Quando se despediram, ela disse, tentando soar desinteressada, que estava pensando em sair em grupo no próximo final de semana, mas se entregou ao convida-la, pois não lhe deu qualquer chance de recusar. Sua amiga tentou soar evasiva, mas a morena viu o brilho de empolgação nos seus olhos.
Era queria encontra-lo.
Naquela noite, ela foi para o apartamento de Edward.
Eles pediram chinesa e comeram – mais uma vez – sentados no tapete da sala, em frente a grande televisão que, antes de ela começar a frequentar o seu lugar, não era sequer ligada. No seu computador pessoal, Edward encontrou o filme do personagem o qual ele se caracterizaria e que ela estava tão curiosa sobre, então aconchegados no confortável sofá, eles assistiriam empolgados até os créditos. Ao menos, Isabella estava, mas ele dormiu antes mesmo do cara surtar de vez. Ela não se importou, sabendo pela mensagem de texto que recebeu pela manhã, o quão cedo ele havia acordado para cuidar de um cliente e o manteve aquecido em seus braços enquanto seu próprio sono não chegava. Eles não dormiriam muito confortavelmente naquela posição, mas pelo menos, não estavam se separando.
*********
Todos na agência foram liberados algumas horas mais cedo naquele dia.
O clima estava descontraído e ela presenciou algumas pessoas sendo assustadas e pegas em brincadeiras durante o serviço. Na pausa, todos os organizadores da festa se reuniram para confirmar se tinham tudo que precisariam e esclarecer um par de coisas. Não era uma regra, mas cada funcionário poderia trazer um acompanhante, desde que ele fosse maior de idade e bebidas extras eram sempre muito bem-vindas, mas não queriam ninguém embriagado causando problema ou seria a última vez em que fariam algo assim. Quando o horário para as comidas chegarem foi confirmado, todos estavam mais do que prontos para se divertirem.
— Maldição.
Isabella teve que tirar seus óculos escuros para apreciar o homem que estava encostado à Mercedes, abotoando o primeiro dos dois botões de seu paletó, parecendo nada menos que absolutamente delicioso.
Edward estava em frente à sua casa em um Armani de um tom azul-marinho quase negro. A camisa era branca e uma gravata vermelha com alguns detalhes completava o visual elegante juntamente com os sapatos. Seus cabelos estavam penteados para trás, o rosto liso – recém barbeado – e tão cheiroso que ela não resistiu a abraça-lo. Ele riu das desculpas abafadas contra seu peito, onde a morena afirmava não querer amassa-lo, mas por alguns minutos não fez uma única tentativa de solta-lo. Ele reprimiu sua vontade de fazer o mesmo com ela, porque Isabella estava perfeita e parecia ter levado tempo para conseguir o resultado final.
— Você está ótima, babe — Edward elogiou e riu quando a viu colocar os óculos escuros de volta. Ela estava muito parecida com a garota do filme, usando aquele vestidinho justo que fazia sua bunda tentadora e repleta das joias que a deixava cheia de pose, o excitando para vê-la de joelhos — Temos mesmo que ir?
— Sim, querido.
Ele suspirou dramaticamente e abriu a porta do carro para ela.
A ida pareceu curta em meio a conversa animada entre os dois. Edward tinha histórias engraçadas de seus momentos nas festas da faculdade para contar e uma delas fez a morena rir tão alto, que ela emitiu um constrangedor som de ronco e assim, acabou sendo provocada pelo resto do caminho.
Quando chegaram no edifício, Edward pegou no banco de trás, uma capa esbranquiçada, mas transparente – semelhante a essas de chuva. Ela estava suja com respingos de tinta vermelha, que imitavam o sangue e também havia o machado que Alice tinha mencionado. Ele era muito mais leve que um normal e o material da ponta, não seria capaz de machucar seriamente.
Edward fez questão de pegar um elevador que eles não precisassem dividir com ninguém, mesmo que o fluxo de pessoas ali naquele horário, tivesse diminuído drasticamente. Ela imaginou que ele queria alguma privacidade para brincar antes que estivessem com todo mundo, mas o homem não encostou um dedo nela durante todo o percurso e quando as portas se abriram para o andar onde ela trabalhava, tudo tornou-se ainda mais confuso. Mas que diabos?
— Eu acho que você se confundiu. Nós temos... — Edward a impediu de falar ao juntar seus lábios nos dela.
O perfume de Bella impregnando a caixa de metal não o aliviou em nada e de repente, ele achava que chegar cedo demais poderia parecer deselegante.
Agarrando a cintura da sua namorada com as mãos, ele a guiou até sua sala. Enquanto a beijava, impedindo-a de verbalizar as suas reclamações, chutou a porta para fecha-la e tateou as paredes até encontrar o interruptor. As luzes piscaram uma vez, antes de acenderem por completo e quando ele finalmente afastou-se, Isabella arquejou e tocou as bochechas explodindo de calor.
— Edward, o que você está fazendo? — Enquanto ele vinha sorrindo, a pergunta soou estupida até em seus ouvidos. Isabella gemeu quando ele enfiou a mão em seu cabelo e inclinou sua cabeça para o lado, expondo o pescoço que ele tanto gostava de judiar — Eu n-não estou... autorizada a, ahn, ficar aqui.
— É aqui onde você trabalha.
O ruivo mordeu sua pele e quando ele a ouviu ofegar, colocou-a sentada na mesa, fazendo algumas coisas sobre ela, se espalharem. Os sapatos de salto caíram dos seus pés, fazendo barulho ao atingirem ao chão.
— Sim, mas Edward, espere. Não podemos fazer isso aqui.
— Tudo bem, nós não estamos fazendo isso — Ele nega com um sorrisinho de criança levada que a tem prendendo seu rosto e o puxando para um longo beijo — Eu só quero compartilhar algo com você e então, estaremos subindo para a festa.
A palavra ‘subindo’ foi junto com a parte inferior do vestido de Bella.
Edward a ergueu até que ela tivesse que rebolar para o tecido ficar amontoado em seus quadris, expondo a calcinha de renda no estilo short da mesma cor. Ela revirou os olhos, não sabendo como aquilo era diferente da ideia que ela tinha de sexo, mas esqueceu como se raciocinava quando ele a beijou e introduziu a língua na sua boca, enquanto infiltrava sua mão dentro da calcinha. Ele gemeu e aplicou mais pressão quando sentiu o sexo dela macio, depilado e molhado em expectativa. Seus dedos experientes brincaram ali até que a morena não estava em condições de questiona-lo. Muito pelo contrário, agora ela inclinava e oferecia seu corpo.
— Mas eu não entendo — Isabella choraminga como uma garotinha quando ele a impede de abrir suas calças — Eu pensei que íamos, você sabe...
— Babe, eu não menti quando disse que não íamos fazer.
— Então por que diabos você me deixou excitada e seminua na minha mesa?!
Edward riu de como ela parecia uma gatinha contrariada e guardou a calcinha, que tinha saído há pouco de seu corpo, no bolso de dentro do paletó. Ele olhou para entre as suas pernas e lambeu os lábios antes de abaixar-se para ficar na altura do seu sexo fechado, que estava ficando cada vez úmido na abertura.
— Você sabe o que?
— O q-que?
— Eu odiava cada maldita hora que precisava ficar trancado com Jackson ali ao lado, enquanto sabia que você estava aqui — Ele começa segurando um joelho dela e levanta a perna para afasta-la. Ele repete o movimento com a outra e Isabella engasga sobre como estava exposta, de frente para porta que qualquer um – se sua sorte a abandonasse por completo – poderia abrir — Então como eu não podia expor a nós dois e me aventurar nessa sala com você, eu ficava apenas imaginando como seria te surpreender e toma-la.
— Oh, Deus...
— Mas agora, estamos bem aqui e eu não preciso mais me perguntar como seria, certo, Bella? — Edward usou ambos os polegares para afastar os lábios dela, encarando a carne molhada, suculenta e rosada de dentro — Eu posso me aproximar e lamber a sua buceta para que você grite e imagine que há dezenas de pessoas lá fora, trabalhando e ouvindo a minha língua te foder. Você quer isso?
— Porra, sim. Eu quero – ah! — Seu primeiro grito escapou de surpresa quando o ruivo pressionou um beijo em seu clitóris sensível.
— Ótimo, amor, não poupe a sua voz — Ele recomenda, beijando-a outra vez e precisa usar os cotovelos para que ela não feche as pernas por reflexo — Me deixe ouvir esses sons doces enquanto eu te faço gozar e dou-lhe algo gostoso para lembrar quando estiver entediada.
Amor.
— Eu vou lem-b-brar disso o tempo todo. — Isabella gagueja e teme que seus braços não a sustentem por muito mais tempo. Tanto quanto ela gostaria de deitar e se aproveitar dele, a imagem de Edward entre suas pernas nunca se tornaria velha.
— Boa menina.
Ela choraminga, grita e geme enquanto Edward trabalha em sua buceta. Os dedos longos e agradáveis se juntam a sua língua, certificando-se de que a deixe à beira da loucura. O ruivo sussurra obesidades enquanto a chupa e pausa algumas vezes, para induzi-la a imaginar que há espectadores do outro lado da porta. Colegas com quem ela convive diariamente, sabendo o que está acontecendo lá dentro e suas amigas, esperneando de inveja por não estarem recebendo o melhor maldito sexo oral.
Ela não é exibicionista, mas era impossível rejeitar as fantasias que estava criando e elas apenas aumentavam o seu grau de excitação, levando-a ao orgasmo duas vezes mais rápido que o normal. Isabella está certa de que derrubou algumas de suas coisas na tentativa de afasta-lo do seu sexo, mas o homem está faminto e não satisfeito em fazê-la vir, ele limpou qualquer vestígio de seu gozo e não parou seus movimentos até joga-la sobre uma nova onda de prazer.
Ela adorava que ele a conhecesse tão bem e soubesse exatamente o que fazer para mantê-la no clima e assim ela continuou, mesmo quando Edward estava gentilmente limpando e refrescando-a no banheiro feminino. Isabella até tentou, mas ele recusou as suas investidas, afirmando que não tinha cuidado dela para receber nada em troca, mas se ela estava mesmo empenhada em retribuir, que os fizesse deixar a festa tão antes quanto possível e ele estaria ansioso para terminar o que começou.
As pernas de Isabella estavam tremulas quando eles pegaram, novamente, o elevador. Uma funcionária já estava lá dentro e sorriu para os dois, não parecendo nem curiosa do porquê de eles estarem vindo de lá e assim, ela não teve oportunidade para pedir a sua calcinha de volta.
Quando finalmente chegaram no lugar da festa, Edward retirou o sobretudo dela e pendurou em seu braço. Eles sorriam um para o outro e cumprimentaram um rapaz que, ‘alegre’ demais, recepcionava quem aparecia. Esta não era nem de longe, uma das datas favoritas do ano para Isabella, mas um largo sorriso se abriu em seu rosto quando ela sentiu a batida da música, riu das fantasias e avaliou a decoração. Várias abóboras – iluminadas e cortadas nas mais diversas expressões – decoravam o terraço. Havia barbantes de um lado para o outro, onde estavam pendurados morcegos, miniaturas de esqueleto humano e outros enfeites em laranja e preto.
Ela rolou os olhos e fez cara feia enquanto Edward sofria com uma crise de riso por causa de um cara fantasiado de absorvente gigante com uma grande mancha vermelha nele. Embora fosse suco de groselha, era nojento que ele esbarrasse nas pessoas com aquela coisa, mas os caras estavam achando hilário e constantemente o parava para um high-five. Sorte dele, que não tinha sido o único a vir com algo tão estúpido. Tinha também esse sujeito que – só Deus sabe porque – havia sido pintado exatamente como a bandeira do Canadá e outro, usava uma caixa de leite na cabeça, onde a abertura de seu rosto ficava na parte onde expunham crianças desaparecidas. Sua vontade era de tranca-lo em um armário qualquer e fazê-lo realmente desaparecer pelo resto da noite, mas antes que pudesse continuar a pensar sobre aquilo, alguém tocou em seu ombro, fazendo-a derrubar o manequim vestido completamente de preto, que segurava a própria cabeça.
Ela sorriu quando se virou.
Estava de frente para O Zorro, mas não era difícil de reconhecer Dominic.
— Ei, boneca, gostei da fantasia — Nic disse e ele estava radiante. Ela não sabia se a festa estava tão boa assim ou havia outra razão para isso, mas agradeceu e retribuiu o elogio — Você já tem uma bebida?
— Sim, Edward acabou de ir buscar algo. — A morena respondeu e ele levantou a mão para tocar a pequena tiara em seu cabelo penteado e preso.
— Bem, será que nós finalmente vamos ser apresentados?
— Com certeza, uma vez que eu estou morrendo para saber quem é você e porque as suas mãos estão em cima da minha menina.
Isabella não moveu um só músculo, temerosa pela voz fria e cortante de Edward, mas quando Dominic se vira com largo sorriso, ela só pode encolher e torcer para que o homem não a deixe em apuros.
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