Erros de Sempre
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Quando a juíza Eleanor Cox bateu o martelo na sala de audiência, dando o veredito final no julgamento, todos se levantaram e procuraram pela saída mais próxima. A última vez que ela o tinha feito, foi para pedir ordem e por pouco, o seu cliente não pôs tudo a perder por estar constantemente interrompendo o advogado, ao não concordar com as alegações, mas agora eles estavam livres.
Era nítido que Ryan Dawson estava certo sobre não ir para cadeia e por isso, não poupava as farpas contra a acusação. Toda essa confiança, estava fortemente ligado ao fato de possuir um dos melhores advogados da Califórnia trabalhando no seu caso, mas também porque, além de muito jovem, era extremamente mimado e desacreditava que a verdadeira justiça existia para aqueles com dinheiro.
Edward odiava estar ajudando a convence-lo disso.
Depois de tomar mais um gole de água, ele começou a enfiar tudo o que usou nas últimas horas, de volta à pasta preta. O suspiro de alivio da mãe de Ryan foi audível e ele quase não resistiu ao impulso de revirar os olhos. A Sra. Dawson tinha sido a única a contrata-lo para ajuda-lo quando o outro representante havia sido demitido por – segundo ela – não ter sido competente e feroz o bastante. O pai não estava disposto a mover um dedo para ajudar o filho, que estava constantemente se envolvendo em problemas, mas havia oferecido os recursos. Esse tinha sido o primeiro incidente onde a vida de mais alguém ficou verdadeiramente em risco e ele achou que o rapaz merecia, no mínimo, receber um choque de realidade.
A situação de Ryan tinha sido delicada.
O rapaz de 22 anos, envolveu-se em um acidente de transito onde uma moça foi atropelada por ele e agora, segundo os seus últimos exames, estava paraplégica por causa de uma lesão. O rapaz foi flagrado por câmeras de vigilância, em diversos pontos dos bairros próximos onde aconteceu o acidente, dirigindo sem o cinto de segurança, ultrapassando sinais vermelhos e falando no telefone. Mas tinha a seu favor, o fato de que, além de não haver uma gota de álcool em seu sangue, ele prestou socorro à vítima e não fugiu do local.
Mas a moça acabou por ter sorte e, consequentemente, eles também.
Souberam que a paraplegia da Sra. Thoms era reversível e então, Edward, elaborou um acordo onde o Sr. Dawson se comprometia a arcar com todas as despesas hospitalares, o tratamento da moça no período de recuperação e com a compra de qualquer equipamento necessário, inclusive, um enfermeiro pelo tempo que achassem necessário. Enquanto isso, Ryan cumpriria a sua pena em liberdade, teria a habilitação suspensa e faria trabalho voluntario por alguns meses. O rapaz foi contra cada ponto, mas vendo que o marido da vítima estava satisfeito com o arranjo e pronto para facilitar as coisas, ele não teve outra escolha a não ser aceitar. E nesse momento, estava indo embora para casa.
Livre.
Mas de carona.
— Você foi excelente, Sr. Cullen — Ele virou, quando ouviu a voz da mãe de Ryan, interrompendo a sua conversa com o assistente da promotoria. Edward se despediu do homem com um aceno e abriu um sorriso educado para a mulher com a aparência doce que enganava muita gente. O garoto tinha a quem puxar — Está claro como água que faz jus a sua reputação. Manterei o seu telefone por perto e com certeza, estarei recomendando os seus serviços aos nossos amigos.
— É muita gentileza, Sra. Dawson.
— Imagine. Você foi o único que conseguiu acalmar àqueles selvagens. O que eles queriam que fizessem com o meu pequeno Ryan era um absurdo! — Ela sussurrou, meio gritando e a expressão de Edward não demonstrou o seu desprezo pelo excesso de zelo da mulher. Era ridículo o quanto ela tentava tornar o seu filho na verdadeira vítima. Por causa da estupidez dele, alguém permaneceria por um longo tempo, preso à uma cama — De qualquer forma, meus parabéns. Estamos muito satisfeitos com o seu trabalho. O meu marido gostaria que viesse almoçar conosco. Conhecemos um excelente restaurante há apenas uma quadra...
O ruivo puxou um pouco da camisa e do paletó para descobrir o relógio de pulso. Passava das três e pouco tinha no estômago, uma vez que estava desde cedo no tribunal. Olhando para a Sra. Dawson, ele sorriu e agradeceu pelo convite, mas afirmou estar atrasado para outro compromisso e não permaneceria ali por mais tempo. Ela assentiu, decepcionada, mas o deixou ir depois de agradecer mais uma vez e informar que estaria esperando que ele os enviasse a conta.
Edward pôde, finalmente, ligar o celular novamente, assim que se encontrou sentado no banco do motorista de seu Mercedes. Ele o deixou em seu colo enquanto retirava o carro do estacionamento e o colocava junto com os demais, no transito barulhento de Seattle. O aparelho começou a apitar com alertas de sua agenda, mensagens e ligações, mas os ignorou enquanto fazia o seu caminho de volta à GANBATTE.
Era um nome verdadeiramente curioso para uma advocacia e chamava a atenção, mas o seu amigo e sócio, Ravi, o fez aprovar e se identificar assim que explicou que a palavra, na verdade é uma expressão valiosa no Japão, que serve para encorajar as pessoas a ultrapassar uma dificuldade e alcançar um objetivo. Algo que soaria como “não desista” ou “aguente firme” em inglês. Levando em consideração tudo o que ambos passaram e viveram para estar exatamente onde desejavam desde o início, aquilo era uma boa representação e seria um lembrete para manter o foco.
O escritório de advocacia ficava em Capitol Hill.
Edward se orgulhava de cada pedra que o lugar possuía. A fachada era bonita, elegante e impessoal em cores escuras, como marrom, preto e cinza. O jardim da frente estava sendo regado assim que ele chegou e com um gesto de cabeça para o senhor que cuidava das flores, ele entrou e passou direto pela recepção, ignorando o sorriso brilhante que a funcionaria lhe deu. A garota ainda era estudante e tinha muita vontade de subir na vida, mas seus métodos não envolviam os livros da UW.
Em outro momento, ele teria achado uma boa ideia, se envolver e disfrutar da companhia dela enquanto se estabelecia na cidade, mas agora tinha outros planos e todos envolviam uma certa morena de olhos achocolatados e unhas fatais. Ele ainda sentia a pele das suas costas arderem quando a água morna banhava as suas costas a cada vez que entrava no chuveiro. Isabella tinha ficado um pouco... selvagem, na parte da manhã, mas ele sorriu porque também lhe causou algum estrago.
Balançando a cabeça, ele entrou na sala.
Ela tinha sido decorada pela mesma pessoa que cuidou do seu apartamento e apesar de ser uma vadia infiel, precisava admitir, a mulher tinha talento. Todo o lugar parecia com ele, desde as cores das paredes, ao material dos moveis e itens decorativos que o lembravam de onde viveu e seus anos ensolarados. Edward fez uma ligeira careta quando percebeu que nada ali o fazia pensar em Forks, a não ser por algumas fotos de família na estante. Sua mesa estava impecavelmente limpa e arrumada, exatamente como deixou. Não havia muito em cima, pois ele gostava de espaço, mas ao encara-la enquanto se acomodava na cadeira, não pode deixar de pensar que se Isabella e ele, tivessem conseguido ir para San Francisco a tempo, hoje ele seria um homem casado e com certeza, haveria evidencias disso por todo aquele lugar. Fotografias, presentes... até mesmo a presença dela. Constante.
Pedir para passar a noite em sua casa foi, novamente, o seu eu impulsivo falando. Ele estava bem com o seu plano de manter uma distância saudável entre os dois, para que ambos pudessem pensar sobre como agir a respeito da avalanche de sentimentos que tomava conta sempre que estavam juntos no mesmo cômodo, mas não pode dizer que se arrependia de ter arriscado.
Depois que pegou a sua menina no colo e a carregou até o quarto, os dois se livraram sem pressa do peso desnecessário daquelas roupas e caíram sobre as cobertas em meio a beijos lentos e abraços apertados. Edward ainda não tinha palavras para descrever a sensação de bem-estar que o tomou apenas em segura-la. Porque foi o que ele fez. A noite inteira. É claro que Isabella deixou evidente que estava disposta a fazer muito mais que isso, mas apesar da tentação de tê-la roçando a pele nua na dele, entrelaçando as pernas e se abrindo, ele queria apenas sentir o corpo dela, acaricia-la e beija-la tanto quanto pudesse. A morena não reclamou, entretanto. Ele podia jurar que algo no fato de ele precisar se reconectar com ela, sem usar o sexo para isso, a emocionou.
Isabella dormiu com os lábios dele roçando o seu ombro e costas.
Acostumado a ser um grande madrugador, Edward acordou cedo e por alguns minutos a assistiu se mexer em seu sonho e então, se aconchegar a ele uma e outra vez. Em algum momento da manhã, ele cansou de agir como um voyeur esquisito e começou a ficar excitado com o seu corpo ficando exposto a cada vez que ela se remexia. Então antes que pudesse se conter, estava entre as pernas alvas, abrindo os lábios do seu sexo e passando a sua língua nele. Ela despertou com um longo gemido e não demorou a enfiar os dedos em seu cabelo, exigindo mais.
Pela primeira vez em um longo, longo tempo, fizeram sexo lento e demorado, agora se beijando tanto quanto eram capazes de aguentar.
Enquanto Edward usava o banheiro, ela correu para fazer o café da manhã. Eles comeram o que ela preparou, novamente na pequena mesa da cozinha, mas dessa vez, na companhia da gata maluca de Isabella que era hiperativa nas primeiras horas do dia.
Então, para não perder o velho costume, começaram a brigar enquanto davam um jeito na louça. Edward estava em paz. Mais satisfeito, literalmente impossível e verdadeiramente achou que nada seria capaz de tira-lo do sério... até que ouviu a sua menina exigir a maldita caixa de bombons de volta.
— Não, Bella. Pode esquecer.
— Você não pode fazer isso!
— Eu fodidamente não entendo. Por que isso é tão importante? — Ele perguntou, exasperado com a carranca em seu rosto — Você quer os doces tanto assim? Eu te compro outros. Uma dúzia de caixas. Que tal aquelas merdas onde o chocolate cai em cascata? Posso muito bem lig-
— Aí está o problema, eu não quero os seus chocolates — O seu coração deu uma parada brusca e o calou no mesmo segundo, mas vendo que a sua escolha de palavras tinha sido terrível, Isabella se apressou em corrigir — Huh... desculpe, Edward! Não foi isso que eu quis dizer. Veja bem...
— Isso só pode ser brincadeira! Então eu devo ficar quieto enquanto você recebe presentinhos de outros caras? Não está acontecendo, Isabella — Ele gritou, batendo a palma da mão na parede, ao lado da cabeça dela que deu um salto no lugar, engolindo em seco — Essa merda termina aqui e agora. Você vai deixar todos saberem que há alguém mantendo a cama aquecida e a sua buceta ocupada...
— Edward! — Bella rosnou, ficando vermelha de raiva e vergonha.
— Eu não ligo, porra. Se ficar atrás do seu rabo o tempo todo, vai impedir que outra merda como aquela aconteça, então eu o farei dessa vez. — Edward disse, sua voz rouca e todo o seu corpo enrijecido a prendia. Ele viu nos seus olhos quando o entendimento caiu sobre ela e antes que pudesse agir, sua boca cobriu a dela em um beijo louco e duro.
Isabella segurou os seus braços, assustada com a mudança no comportamento, mas quando a raiva retornou, ela o empurrou com tudo o que tinha de si, torcendo para ser o bastante. Edward estava preparado para todas as suas tentativas, mas gemeu quando unhas afiadas feriram as suas costas sob o tecido da camisa e no minuto seguinte a dor, ele estava abrindo as pernas dela com o seu joelho e roçando o topo da sua coxa no sexo quente, coberto apenas por uma calcinha branca e sem graça.
Foi a vez de ela gemer contra seus lábios e mesmo furiosa com sua insinuação de merda, não conseguiu impedir o seu quadril de levantar para encontrar a perna dele outra vez. Edward percebeu que ela estava cedendo, quando suas mãos pararam de ataca-lo, para puxar com força o seu cabelo, trazendo o rosto dele mais para perto.
Qualquer um que os flagrasse naquele momento, pensaria que estavam tentando engolir um ao outro, e Edward adorava que a sua menina estivesse sempre em sintonia com ele, não importa o que. Mesmo com raiva, a morena não estragou o momento em que ambos estavam a ponto de explodir de tesão. Porém, Bella não tinha amnésia pós-orgasmo, então ele sabia que sem dúvidas, teria sua bunda chutada depois. Então, pensando nisso, ele a ergueu em seus braços e a levou em direção ao banheiro, tentando não tropeçar em Lola e leva-los ao chão.
— Merda.
— O que? — Bella engasgou, sentindo a ponta do pau dele roçando na sua entrada. As costas dela estavam grudadas no azulejo do banheiro, nua e suspensa por Edward que agora amaldiçoava.
— Eu não acho que tenho mais camisinhas...
— Urrrg — Ela gemeu, se remexendo para tentar aplacar o incomodo no seu sexo, mas quando suas palavras foram finalmente registradas, ela abriu os olhos e apontou para o balcão — Na terceira gaveta, você vai encontrar algumas.
Sem nem piscar, Edward a colocou no chão, ignorando o seu suspiro de decepção. Ele vasculhou o local indicado e encontrou três pequenas embalagens esquecidas. Quando retornou ao box, com sua ereção coberta pelo látex, sua menina estava pacientemente esperando com as mãos apoiadas no vidro, a bunda empinada para trás e uma expressão luxuriosa no rosto... apenas esperando por ele.
Caralho.
Ele não registrou os segundos antes de estar em volta ao doce calor de Isabella.
Com o seu choramingo de aprovação, ele segurou a lateral dos seus quadris e impulsionou para dentro e fora, uma, duas, três... seis, nove, onze vezes... foi intenso e rápido. Edward precisava fode-la para se acalmar, para reafirmar em seu interior que aquela mulher curvada era dele. Isabella percebeu, através da névoa de prazer, que a sua coluna estava incomodada por ficar naquela mesma posição pelos últimos 20 minutos. Então, quando sentiu os dedos do ruivo apertarem a sua carne e gemer alto, ela trabalhou em seu clitóris até que seu pau engrossando dentro dela em seu próprio orgasmo, a empurrou da borda.
Eles tomaram um banho sem conversar, mas assim que ela se cobriu com uma toalha, Edward a tomou nos braços novamente, ignorando quando ela explicou que podia andar perfeitamente, e a colocou ao lado da cama bagunçada. Ele se livrou dos lençóis sujos e voltou a deitar no colchão, arrastando-a junto.
— Eu sinto muito por ter falado daquela maneira.
A morena que estava deitada em seu ombro, suspirou. Ela levantou o rosto e deitou a cabeça no peito dele, olhando diretamente para o seu rosto do ruivo. O corpo dele não estava mais tenso, mas o seu rosto não era mais tranquilo como antes de irem para a cozinha. Ela o encarou em silencio por alguns segundos e assentiu.
— Eu quero os chocolates de volta — Anunciou pela terceira vez e o sentiu ficar rígido embaixo do seu queixo, mas ela não dava a mínima — E é mais por causa da sua atitude do que pelo o que eles significam. É um presente de um amigo que lembrou de mim durante uma viagem, Edward, não há nada de subliminar nisso e você não pode nem agora, nem nunca, tomar coisas que não lhe pertencem.
Você me pertence, ele quis dizer, mas engoliu e continuou olhando para frente.
— Está bem, eu os devolverei — Ele prometeu, a voz quase saia entre os dentes, mas a maneira como a pequena mão dela acariciava o seu abdômen, o distraia — Mas eu não quero que isso se torne um habito. Você não gostaria de me ter recebendo coisas das minhas amigas — Isabella ia retrucar, mas ele revirou os olhos e continuou — Eu tenho amigas, sim e irei impor a elas, qualquer limite que você achar que seja necessário. Espero que o privilegio seja concedido a mim também ou mais merdas como aquela vão acontecer.
Ela tentou não sorrir, mas deixou seus lábios se alargarem. Esse era o homem a quem ela amava. Edward dava sinais que sequer percebia. O fato de ele, nessa situação, estar colocando-a em primeiro lugar, já significava muito e pelo bem da relação que eles estavam construindo há tão pouco tempo, ela evitaria que coisas assim voltassem a acontecer, sem prejudicar ou ser radical demais com as suas amizades. Todos eles a faziam bem e estavam aqui antes do Cullen aparecer, então ele também teria que ceder algumas vezes.
— E não volte a insinuar aquilo de novo, por favor — Ela pediu e Edward sentiu-se um merda pelo o olhar magoado em seu bonito rosto. Ele não sabia que era um homem ciumento até pouco tempo. Era um pouco reservado sobre Bella quando eram adolescentes, mas aquilo não se compara ao que sentia hoje em dia ao pensar em outro homem abordando-a com segundas intenções. Precisava ver isso com calma — Você realmente acha que eu quero isso? Digo, te trair?
— Não — Isabella se surpreendeu com a verdade em sua resposta. Ele realmente acreditava que ela queria permanecer fiel. Edward abriu a boca, parecendo querer dizer algo mais, mas franziu a testa, fechou-a e molhou os lábios — Desculpe. Podemos esquecer o que aconteceu mais cedo? Estávamos tendo uma manhã tão boa...
— Tudo bem. — Ela concordou, beijando um pouco acima do seu mamilo e abriu um sorriso tímido, disposta a não deixar que aquele momento estragasse o dia.
— Sinto muito por aquilo — Ele disse outra vez, agora segurando o seu rosto e puxando-a para mais perto, até que os seus lábios estivessem quase colados. Ele os beijou rapidamente e lambeu, gemendo em seguida — Eu não sei o que diabos estou fazendo, babe. Preciso que você me ajude.
Isabella assentiu, seu coração comprimido pela angustia em sua voz e determinada a ajuda-los a passar por aquilo – e pelo o que mais fosse –, subiu no corpo dele para beija-lo com mais facilidade. Os dedos de Edward seguraram o cabelo úmido dela e controlaram o ritmo do beijo até que o peito dele parou de doer.
Em seguida, Bella o expulsou de sua casa.
Edward coçou os olhos quando ouviu baterem na sua porta e murmurou para entrarem. Maggie veio com um sorriso, carregando a sua inseparável e nada discreta, agenda amarela com o rosto do Frajola na capa. A sua secretária era obcecada por gatos e tinha ganhado aquilo, da filha mais nova, no dia das mães e tem usado no trabalho sem se importar com os olhares curiosos que recebia.
Talvez devesse entregar Lola a ela para criar, mas Bella nunca acreditaria que a coisa cinza e esquisita tinha simplesmente fugido.
— Eu não estava lá fora quando você chegou.
— Tudo bem, faz apenas um par de minutos — Ele deu de ombros e encostou-se na cadeira, fazendo-a balançar um pouco para trás — Tem algo aí para mim?
— É claro que sim — Ela bufou, colocando uma pequena folha em sua mesa e virando-a até que estivesse de frente para ele — Você teve três novas ligações de possíveis clientes; uma mulher que foi detida ao ser pega armada no quintal da suposta amante do marido, uma garota menor de idade que furtou uma loja de conveniência pela segunda vez em um mês e há também esse calouro da Seattle University, que foi encontrado com drogas após o colega de quarto quase ter morrido com uma overdose no dia anterior.
— Jesus Cristo...
— Sim, bem — Maggie riu e franziu o nariz, empurrando os óculos de armação vermelha mais para cima, no nariz — Eu não tinha anotado mensagens tão interessantes antes de trabalhar para você, Edward. As pessoas estão fazendo coisas loucas desde que vocês surgiram na cidade. O que diabos está acontecendo?
— Eu não causo problemas, querida, eu os resolvo. Qualquer um. — Ele piscou para sua secretaria que ofegou e fazendo um gesto para ele ‘deixar disso’ com a mão, virou a cabeça para o lado, rindo.
Essa brincadeira de duplo sentido deles começou durante a sua entrevista e ainda dura até hoje porque ele adora vê-la corando. Magnolia está na casa dos quarenta há algum tempo e deve ser apenas alguns anos mais nova que a sua mãe, é casada com um homem grande e careca que trabalha como segurança em um banco e, mãe de um adolescente e uma jovenzinha de 8 anos. Ela também possui uma aversão a cores neutras e está sempre vestida tão colorida quanto a profissão permite, atraindo olhares por onde passa. O seu jeito extravagante, gentil e sincero de ser, atraiu Edward de cara e logo ele a quis cuidando de suas coisas.
— Aqui vamos nós. — Ela suspirou ao ouvir o telefone tocar novamente em sua própria mesa.
— Pode ir, Maggie e obrigado. Vou cuidar disso.
— Sem problemas, Edward.
Quando a senhora deixou a sua sala, ele dobrou o pescoço de um lado para o outro, estalando os ossos antes de ligar o computador para voltar ao trabalho. Na próxima semana, eles estariam recebendo um par de estagiários no final do curso de Direito, que foram recomendados pelo pai de Ravi. O ruivo não tinha a menor ideia de como o velho homem tinha olhos e ouvidos em todos os lugares, mas estava disposto a receber a dupla, a qual ele já tinha em mãos as informações acadêmicas e pessoais. O rapaz que pretende torna-se um advogado criminal, veio na última sexta-feira para conhecer as instalações. E quanto a moça, que deseja estar na área de direito do consumidor, não teve a chance de conhece-la.
Edward retornou as ligações.
Aceitou o caso da mulher armada e recusou o do universitário.
Pretendia fazer o mesmo sobre a garota ladra, mas seus pais estavam tão desesperados para ajudá-la antes que fosse tarde demais, que acabou cedendo e marcando um encontro com eles para amanhã de manhã, seu único horário disponível naquele dia, uma vez que precisava estar na Crèation7 pela tarde.
Ele tinha acabado de enviar uma mensagem de texto para Isabella, quando sua porta foi escancarada sem cerimônias e Ravi entrou, indo direto para o pequeno bar que ele mantinha na sala. Assistiu o homem se servir de um whisky sem gelo e se acomodar em uma das duas cadeiras à sua frente.
— Eu achei que você fosse voltar no final de semana.
— Sim, se você verificasse o celular como uma pessoa normal faz, saberia que as coisas correram melhores do que eu esperava e com isso, podia estar de volta mais cedo — Ravi sorveu um gole da bebida, para então, sacudir os ombros em contentamento — E eu trouxe Aubree junto comigo.
— Ela cedeu?
— Eu pensei que isso estivesse implícito, Edward — Ele revirou seus olhos apertados e suspirou pensando na moça — Voltar sem ela, não era uma opção e eu estou finalmente me sentindo melhor nesse lugar, mesmo que agora, a mulher esteja querendo servir as minhas bolas em uma bandeja de prata.
— A Aubree? Eu não consigo imaginar isso. O que diabos aconteceu? — Edward arqueou uma sobrancelha, repentinamente curioso.
A secretaria de Ravi na Califórnia era uma das criaturas mais doces que ele já conheceu. Se ela estava à beira da violência, ele havia feito algo de muito ruim.
— Eu a ameacei.
— Repita isso.
— Não é o que você está pensando, Cullen. Eu apenas... veja bem, eu falei com riqueza de detalhes sobre todas as vantagens que ela teria no campo profissional se estivesse ao meu lado aqui e lembrei-a que não havia nada a prendendo naquela cidade, exceto o trabalho que... eu ameacei tirar, caso ela continuasse sendo uma cadela.
— Resumindo, você disse que ela se ela não te acompanhasse, estaria desempregada?
— Huh... acredito que sim.
— Que imbecil — Ele balançou a cabeça para os lados, ignorando o olhar de Ravi em sua direção. Ele mesmo fazia merda de vez em quando, mas seu amigo tomava as piores decisões quando se sentia encurralado — Você será um filho da puta de muita sorte, se Aubree te deixar encostar nela novamente depois disso.
Ravi, que já é extremamente branco, ficou pálido e terminou de jogar o whisky goela abaixo. Se ter Aubree vivendo em outro estado, estava o matando, tê-la por perto sem poder ficar com ela, o deixaria na mais profunda miséria. O que diabos tinha feito?
— Onde você a colocou?
— Em um hotel. Eu ofereci o quarto de hospedes no apartamento, depois de oferecer o meu próprio, é claro, mas... ela não quer estar muito perto de mim no momento — Ravi coçou o couro cabeludo com força, ficando nervoso de novo — E se eu tiver estragado tudo?
— Tenha calma. Aubree está irritada e magoada com a sua atitude de merda, Ravi. Ela precisa de tempo e espaço agora — Edward passou os dedos na barba começando a apontar em seu queixo — Você precisa tomar uma decisão sobre essa mulher. Trazê-la para Seattle apenas para passar com outras bem na sua cara, não é bacana e eu mesmo vou leva-la de volta se isso acontecer.
— Que porra é essa, Cullen? — Ele perguntou, se erguendo da cadeira.
Edward não hesitou em fazer o mesmo.
— Ela é apaixonada por você e fazê-la mudar de vida para alimentar os seus caprichos sem dar-lhe nada de volta, que não seja o seu pau, é cruel e eu não vou assistir a isso, por mais que eu goste de você como um irmão.
— Não se meta nas minhas coisas — Ravi rosnou baixinho — Você não ama a Isabella e eu fui o primeiro a encoraja-lo a procura-la. Esqueceu disso?
— Você não me enviou para ela com as melhores intenções. Queria que eu a fodesse até o esquecimento e então, voltasse para a vida de antes. Isso não conta muito, certo? — O ruivo respondeu com ironia, pegou o telefone e ligou para que Maggie viesse vê-lo assim que lhe providenciasse alguma comida — E tem razão, eu não a amo, mas pretendo chegar tão perto disso quanto for possível.
E seguro para mim.
Ravi o encarou em silencio por algum tempo, sem saber o que dizer sobre aquilo a ele e a si mesmo, então aproveitou quando Magnolia se retornou, para ir embora com uma curta despedida. Precisava de um drink e pensar... ou talvez, de uma mulher.
Edward não gostava que Ravi estivesse chateado com ele, mas o homem precisava de um grande empurrão para tomar a decisão certa. Um forte chacoalhar como o que Renée lhe deu quando esteve em Forks.
Ele resolveu o com Maggie tudo o que precisava e vinte minutos depois, recebeu a confirmação e as informações necessárias. Comeu, fez mais algumas ligações e se encontrou um cliente agendado, cujo o problema era muito complicado para o seu pouco tempo disponível, então acabou por passar o caso para um dos seus colegas, tão competente quanto ele. Além de ter aceitado mais dois trabalhos hoje, ele ainda tinha Jackson mantendo as suas mãos cheias de merda.
Saindo quase quarenta minutos antes do horário, o advogado correu com o carro de volta para casa. Ele estava muito animado para mais tarde. Inclusive, cumprimentou cada conhecido com quem cruzou durante o trajeto até o seu apartamento, tentando parecer apenas cordial com as três jovens moças com quem dividiu o elevador. Uma delas tinha um bebê de no máximo, cinco meses em seu colo, mas nem os gritinhos da criança, a fizeram desviar a atenção de Edward.
Quando estava trancando a porta novamente, o telefone tocou. Ele olhou para trás e viu a pequena luz vermelha piscando na mesa de centro. Sendo guiado por ela, o ruivo tirou o aparelho da base e levou até o ouvido depois de atender.
— Sim?
— Edward, filho? Sou eu.
Ele estava na parede, tateando-a para encontrar o interruptor e na terceira tentativa, as luzes da sala foram ligadas, quase cegando-o.
Ele suspirou. Era Esme.
— Oi, mãe. Como a senhora está?
Sentando-se no agradável sofá de dois lugares, Edward puxou um pouco o tecido da calça para que folgasse na parte das coxas. Então, começou a empurrar os sapatos para fora dos pés, enfiando seus dedos no tapete felpudo.
— Excelente, querido. Eu estive ligando para o trabalho, mas você já tinha saído. Esse parece ser o único lugar onde sou capaz de encontra-lo — Sua voz era brincalhona, mas havia alguma censura — Seu celular é inútil.
— É o que tenho ouvido dizer — Ele riu e usou a mão livre para abrir os botões da camisa. A temperatura no apartamento estava agradável, mas precisava de um banho em breve ou se acabaria se atrasando — Então, o que está acontecendo?
— Bem, você sabe como qualquer coisa em Forks se torna um grande evento, certo? As pessoas estão em polvorosa com o boato de que irão abrir uma Subway até o final do ano ou algo assim — Ela riu, o som caloroso e melódico, fazendo o rapaz abrir um sorriso com a descontração da mãe — Apenas o fato de que o Sr. Olson finalmente descobriu que o filho mais velho deles, é na verdade, do Reverendo Charles, foi capaz de desviar a atenção um pouco disso.
— Uau. A cidade deve estar pegando fogo.
— Não me fale sobre isso. As mulheres se encontram no mercado apenas para comentar sobre como Irene enganou a todos por tanto tempo, que o Sr. Olson tem sorte de já estar divorciado ou seria um escândalo e por que não viram a semelhança entre o Reverendo e o garoto antes — Esme imitava a voz das mulheres, fazendo o filho rir do outro lado, sabendo exatamente como suas antigas vizinhas se portavam — Oh, querido, acabei de me lembrar. Nós estamos tendo problemas com aquele maldito carro novamente. Achei ‘que você deveria saber.
— Eu pensei que o papai o tinha na manutenção no mês passado?
— Exatamente! Aquele mecânico é um charlatão, eu disse a Carlisle, mas ele me perguntou o que eu entendia sobre automóveis e veja bem, eu estava com as minhas agulhas de tricô nas mãos, Edward... — Ela deu uma pausa, fazendo os lábios do filho contraírem para gargalhar — Enfim, agora ele está na mão de outra pessoa, que por um valor mais alto, nos prometeu tê-lo pronto até amanhã à tarde. Parece bom? Tenho certeza de que nós chegaremos a tempo.
— Claro, mãe. Vocês desistiram sobre a ideia do hotel, certo?
— Eu pensei em fazer as reservas depois do jantar, mas... você tem certeza que não vamos incomoda-lo? Não queremos invadir a sua privacidade, querido.
Os pais de Edward estavam vindo para Seattle na quinta-feira e não por convite dele, mas deixaria se hospedassem em qualquer lugar, quando tinha espaço de sobra no apartamento. As visitas de Esme sempre eram muito... intensas, mas ele se sentia querido e ainda guardava saudades dos anos em que ele se manteve distante. A culpa também corroía seu peito por ser a razão do afastamento entre os dois e qualquer oportunidade de ter a mãe por perto, ele agarraria.
— Está tudo bem. A presença de vocês aqui não me atrapalhará em nada.
— Oh, bem, sendo assim... claro, meu bem.
— Certo. Agora eu preciso ir, mamãe.
— Sim? Alguma garota em especial?
O tom de voz brincalhão e malicioso de Esme o fez ter certeza de que ela sabia exatamente o que ele estava indo fazer. Ele sorriu e verificou o relógio de pulso outra vez, antes de pular para fora do sofá. Estava ficando fodidamente tarde.
— Você poderia dizer isso.
— Tudo bem, mas eu não preciso alerta-lo sobre carregar proteção, certo? — Ele parou no caminho quando se lembrou das camisinhas que precisou pegar emprestado com Bella, porque não havia mais em sua carteira — Não se atreva a puxar para fora, Edward, isso é lenda. Foi assim que fizemos você, apenas algum tempo depois de Emmett nascer. Carlisle estava com pressa e me convenceu de q-
— Mamãe, eu não estou indo conversar com você sobre isso! — Ele estremeceu, seus olhos arregalados sobre como o assunto passou de camisinhas, para sêmen, gravidez e sexo entre seus pais. Argh, nojento pra caralho.
Esme soltou uma divertida gargalhada.
— Edward, meu filho, você não tem idade para pirar sobre isso. Sou mãe de três crianças e só não houve uma quarta, porque fiz o seu pai tomar providencias sobre isso. Você sabe que, se tiver herdado metade do talento de Carlisle para trans-
— Mãe, pelo amor de Deus! — Edward gritou, fazendo a rir novamente. Seu pai deve ter chegado no momento seguinte, pois, ouviu segundos de silencio e então, o familiar som de beijos e vozes sussurradas — Eu realmente preciso ir. Acho que... espero vocês na quarta.
— Uhmm, um segundo, amor... Sim, Edward, com certeza... Nossa, espere um pouco... Nos vemos na quarta, querido... Carlisle, o que você...
A linha ficou muda.
Edward soltou o telefone como se ele estivesse pegando fogo e correu para o banheiro. Precisava de um longo banho imediatamente.
E lavar os ouvidos com água sanitária.
*********
— Mas isso vai ficar incrível! — Isabella exclamou, apaixonada pelas fotos que via no tablet de Jasper. Além das plantas, havia desenhos de cômodos e uma espécie de maquete de como o lugar ficaria depois que as alterações fossem feitas.
— Vai mesmo. Ela está toda animada como um leitão rolando na lama, por causa dessa reforma, o que me deixou meio confuso no início — Jasper deu de ombros, após franzir o cenho por um segundo — Eu nunca pensei que ela fosse querer mexer na casa, por causa das lembranças e das histórias de todas as pessoas que já viveram ali...
A residência dos Whitlock tem sido por décadas, semelhante a uma casa de campo com seus modestos três quartos, um quintal agradável e uma abundância de terreno que não era utilizado para nada desde a morte do pai de Jasper. Ela estava localizada em um bairro de classe média afastado do movimento intenso de Houston, onde todas as casas eram afastadas umas das outras, garantindo privacidade e silêncio. A avó materna de Jasper tinha ganhando-a como presente de casamento e próximo ao seu falecimento, deixou a propriedade para Valeria – que era a sua única neta casada – em seu testamento.
— As coisas estão definitivamente ficando sérias, se a sua mãe permitiu que o Lowrey fizesse uma reforma desse porte — Isabella observou, suas sobrancelhas arqueadas de surpresa e interesse. Ela se levantou, foi até o espelho na parede, alguns centímetros acima do aparador e verificou as ondas em seu cabelo. Ela não teve tempo de arruma-lo o suficiente, mas teria que servir — Quero dizer, o homem está investindo uma grande quantidade de dinheiro ali. Eles vão morar juntos?
— Acredito que quando ela falou sobre as suas compras para a decoração do quarto das gêmeas, estava tentando ser sutil sobre isso, me dando a chance de entender por mim mesmo sem termos uma conversa... estranha — Ele sorriu da empolgação de sua mãe. Ela estava animada com a ideia de ter crianças para cuidar, além do próprio Harold que a tem mimado sem limites. Depois da ampliação, a casa contaria com um novo andar, teria 5 dormitórios ao todo, 4 banheiros e 1 lavabo — Eu estou feliz por eles e porra, mais ainda por termos mais espaço. Eu não aguentaria duas pestes correndo de um lado para o outro quando eu voltasse.
Eles riram.
— Qual é, seja um bom irmão mais velho.
— Ah, eu não sei sobre isso — Ele balançou a cabeça para os lados. Jasper gostava de crianças pequenas, mas não se via pronto para lidar com pirralhas que não estavam muito longe da pré-adolescência. Porra, não. Ele aceitou Isabella porque ela era adulta e não lhe causaria problemas — Mas não se preocupe, eu serei legal. Você sabe que não resisto a meninas bonitas.
— E por falar nisso, o que houve com você e Alice? Eu não soube dela desde o final de semana, mas enviei algumas mensagens.
Jasper fez uma careta, desviando o olhar da amiga e bagunçou os cabelos curtos, mas que já precisavam de algum corte. Ela não era a única a estar sem notícias de Alice. O domingo não havia acabado bem para eles e ele estava lhe dando um pouco de espaço, antes de procura-la para resolver as coisas.
— Tivemos um desentendimento que a levou a gritar e bater as portas... da minha própria casa — Ele bufou com a lembrança e olhou para Bella, que tinha um sorrisinho nos lábios, imaginando a outra garota bagunçando ao redor — Nós tivemos um sábado incrível, muito focado em nós mesmos, mas você estava certa. Estava muito cedo. O que? Não faça essa cara. Eu reconheci aquele olhar em seu rosto quando a viu na minha cozinha como se fosse dona do lugar.
— Pois bem, o que há de errado?
— O que há de errado na terra, além das guerras, pobreza e desastres naturais? Mulheres, é claro! — Ele respondeu, nervoso e ignorou o olhar feito que ela lhe enviou — Alice encontrou o meu caderno e fez um show em cima disso.
— Oh, merda.
Sua carranca se desfez quando compreendeu a situação.
Jasper possuía um pequeno caderno repleto de números de mulheres que ele vem juntando desde que começou a faculdade. É como uma lista telefônica para foda. Sempre que ele estava se sentindo solitário, carente ou entediado, aquilo o tirava do buraco e fazia sua noite muito mais divertida. Ela podia imaginar a cara da sua amiga ao ler os comentários ao lado ou abaixo do nome das garotas. Jasper costumava escrever adjetivos para representa-las e nunca esquecer se haviam sido desagradáveis ou boas companhias.
Isabella não gostava ou realmente aprovava esse tipo de registro, mas precisava defende-lo sobre não ser um babaca e dar-lhe notas sobre o seu desempenho sexual.
— Sim, eu vou tentar falar com ela mais tarde. Tenho certeza que com um gênio daquele, se eu esperar até amanhã, a mulher vai achar que eu desisti dela.
— E que voltou a usar o caderno.
— Porra, sim.
— Também vou tentar falar com ela, mas não se preocupe muito. Alice vai entender quando ouvir uma explicação decente, mas se você realmente estiver interessado em mantê-la... esses números precisam ir.
— Todos?
— Mas é claro! — Ela falou um pouco mais alto, dando-lhe aquele olhar “você está falando sério?” que o fez encolher — Vocês precisam conversar e acima de tudo, conhecerem um ao outro. Não é justo que você largue tudo apenas porque conheceu uma mulher nova, assim com ela não deve fazer mudanças ainda, mas é certo como o inferno que ela não vai te dar uma chance, sabendo que possuí essa lista que pode substitui-la em um piscar de olhos.
Ele levantou-se com uma determinação que a fez rir.
— Você está certa. É claro que está — Ele aproximou-se e segurou os lados do seu rosto, fazendo o seu cabelo levantar na altura das orelhas e lhe deu um beijo estalado e demorado na testa, antes de solta-la com um sorriso nos lábios — Vou colocar algum sentido na cabeça daquela garota e você, divirta-se, está bem? Ligue para mim se precisar que eu use os meus punhos nele de novo e eu estarei pronto.
— Sai daqui!
Ela o expulsou, empurrando suas mãos para longe e rindo, o assistiu ir embora.
Isabella se olhou novamente no espelho.
Ela usava um vestido floral preto, curto e solto em seu corpo, pois não sabia quais os planos de Edward. Sua mensagem de texto só dizia que ela deveria vestir algo e estar pronta em uma hora. Ela respondeu, mas ele não lhe deu mais detalhes. Por isso, não querendo parecer afoita demais, optou por usar algo simples que a deixasse bonita. A sandália de salto grosso a permitirá estar bem em um restaurante e também, para uma caminhada. Ela esperava que isso o agradasse.
Lola roçou em suas pernas, a olhando como uma criança prestes a fazer beicinho. Ela estava ansiosa para revê-lo também. A morena não ficou surpresa por ela ter caído nos encantos de Edward, como quase toda a população feminina desse estado, uma vez que o homem era realmente muito bom de se olhar e a gata era extremamente dócil. Isabella nunca entendeu porque Jasper e ela não conseguem se dar bem, mesmo que ele tenha sido aquele a lhe presentear com a pequena bola cinza ainda filhote, mas estava feliz que o Cullen tenha sido aprovado.
Cerca de 20 minutos depois, ela estava voltando do banheiro, onde tinha aliviado a sua bexiga ansiosa e colocado o cardigan preto, quando ouviu as três batidas idênticas. As duas correram e Lola foi a primeira a chegar, mas não importava, porque ela foi a única que abriu a porta para que um dos homens mais sensuais desse país pudesse entrar. Deus todo poderoso...
Edward estava de dar água na boca essa noite.
Seu cabelo era uma bagunça incrível e atraente. Ele usava calças jeans escuras, sapatos também, uma blusa branca com frases em outro idioma na estampa e jaqueta preta, que deixou seus ombros ainda maiores e largos. Ele não parecia em nada com o mesmo homem que esteve brincando de advogar durante todo o dia, mas sim, um daqueles motoqueiros de filme de corrida. Extremamente apetitoso.
— Ei, você! — Ela cumprimentou, feliz.
— Olá, minha menina — Ele abriu um sorriso lindo e inclinou-se para baixo, tomando seus lábios em um beijo doce, intenso, mas de curta duração — Eu vejo que você está pronta — Isabella murchou um pouco quando ele fez uma careta ao encarar as suas pernas expostas, mas não estava prestes a pedir desculpas. Ele a convidou para sair e não lhe disse para onde estavam indo. O que diabos ela deveria fazer? — Talvez você prefira colocar uma calça?
— Não, eu vou assim. — Ela teimou, cruzando os braços embaixo dos peitos e olhar dele caiu ali no mesmo instante, distraindo-o por um momento.
— Mhmm. Tem certeza?
— Tenho, Edward, vamos logo!
Ela colocou as palmas das mãos em seu peito e o empurrou para trás, o fazendo descer o batente contra a sua vontade e Isabella usou os preciosos segundos para trancar a porta, ignorando os miados melodramáticos de Lola. Antes que ela sequer pudesse fazer o movimento de se virar, Edward já a tinha presa entre seus braços. Suas costas coladas à madeira fria, fazendo com que ela arqueasse para longe apenas para esbarrar com o torso duro do ruivo e arfar.
— Eu não estou com pressa — Afirmou, enrolando um braço ao redor da cintura pequena. Ele afundou o rosto no pescoço dela, pegando um pouco daquele cheiro incrível e quando a sentiu tentar empurra-lo, começou a trabalhar com a boca na pele delicada. Lambendo, assoprando e mordiscando, fazendo-a estremecer. Edward levantou a cabeça para dar-lhe uma olhada e quando a viu umedecer os lábios, atacou. O beijo desconcertante deixou sua mente nublada. Ele tinha a mão livre tateando-a por cima do pequeno pano preto que levantava e se tornava mais curto com qualquer movimento brusco. Edward só foi capaz de solta-la quando a sentiu maleável novamente — Você está mais calma agora?
— Sim... — Ela murmurou, olhando para os lados, verificando se ninguém tinha a tinha visto ser devorada na porta de casa.
— Ótimo, porque eu não estava criticando a sua escolha de roupa, babe... — Ele estendeu a mão e acariciou a bochecha corada dela, que estava morna mesmo com a temperatura mais baixa do lado de fora — Apenas fiquei preocupado sobre como faremos para que você não mostre mais do que o necessário quando montar.
— Montar? — Ela engasgou e Edward riu do seu susto.
— Tire a sua mente da sarjeta, Bella. Eu estava me referindo à essa beleza aqui. Vou te levar para dar uma volta. Isso soa bem?
Edward se afastou e ela arregalou os olhos quando se deparou com a máquina ao lado dele. Um pouco chateada, ela não tinha sido capaz de registrar que há alguns metros de onde estavam, no meio fio, havia uma linda Ducati preta com amarelo e ligada, à espera deles durante todo esse tempo.
— Puta merda, que linda. Ela é sua?
Ela quase correu em direção a moto e passou a mão sobre o banco macio. Edward aproximou-se e lhe entregou o capacete que antes descansava sobre o tanque. Ela abriu a trava e o encaixou na cabeça, antes de prendê-lo novamente.
— Não, babe. Eu tenho um amigo que coleciona e esta Scrambler está prestes a se tornar a sua nova aquisição — Ele explicou, pegando o próprio capacete e imitando os movimentos dela — O dono estava disposto a deixa-lo pilotar ao redor para testa-la, então eu cobrei um favor e vim levar a minha menina para um passeio.
O sorriso infantil dele quase a desmontou inteira.
Ela se lembrava com perfeição do quanto Edward gostava de dirigir sem rumo, ainda mais se o único teto sobre ele, fosse o céu e as estrelas. Ele a lembrou de como era estar na garupa da Amanda assim que a tinha sentada atrás de si, com as mãos o segurando firmemente. Ela não tinha subido em uma moto depois que eles se separaram, porque além de não ter tido nenhuma oportunidade, esta era uma das coisas que Renée mais detestava que Isabella fizesse.
Na verdade, em sua adolescência, possuir uma motocicleta era o único defeito que Edward possuía, aos olhos de sua mãe. A cada vez que ela pegava uma carona com o namorado para a escola, tinha que ouvir os sermões da delegada antes de sair.
Suas pernas estavam sendo castigadas pelo vento frio e ela quase se arrependeu de não ter dado ouvidos ao Cullen e colocado uma calça. Eles estavam há alguns bons minutos correndo e atravessando os carros. Só haviam parado em dois semáforos, trocando poucas palavras em cada um. A morena podia dizer que ele estava animado como um garotinho ao testar um brinquedo novo e não podia julga-lo, esta Ducati era incrível. Não tinha dúvidas de que o amigo dele ficaria com ela e teria bons momentos ao pilota-la fora do trafego da cidade.
Edward acelerou, soltando uma risada e Isabella apertou os braços ao redor dele com mais força ainda. Era capaz de imaginar as coisas ele que tinha deixado para trás quando se estabeleceu nos estudos e na profissão. Esse era um hobby que não se encaixava mais na sua rotina e percebendo como ele praticamente vibrava quando via as estradas vazias e apenas milhas e milhas a frente deles, soube o quanto o velho Edward sentia falta das suas antigas aventuras.
Perdendo as contas do quanto já tinha visto de Seattle, ela estava prestes a chamar a sua atenção quando viu que estavam entrando em uma rua estranhamente familiar. Ela não soube se havia estado lá antes, até que pararam no Taco Time. Seu estômago se manifestou apenas em ver as pessoas se empanturrando com burritos através das janelas e ela tomou a deixa para sair, quando Edward desligou a moto. Com um pulo desajeitado, ela estava fora e tendo sua mão agarrada enquanto corriam em direção ao estabelecimento quentinho.
Ela estava inquieta enquanto o Cullen fazia os seus pedidos para um atendente desinteressado. Duas mulheres, há alguns metros deles, estavam envergonhando a si mesmas ao encarar Edward, quase abrindo um buraco no meio das suas costas. Isabella não estava ficando com ciúme de duas mulheres com quase o dobro de sua idade, mas era nojenta maneira como elas observavam cada músculo do seu corpo se mexer e lambiam os lábios com resquícios de molho. Urgh. Ela abraçou a cintura dele mais uma vez, recebendo um sorriso agradável de volta e um beijo na testa que a fez esquecer. Edward tomou sua mão pela segunda vez e a levou para uma mesa não muito distante, onde esperaram a sua comida ficar pronta.
— Eu pensei que nós fôssemos comer aqui?
Ela estava com essa dúvida desde que o ouviu pedindo os pratos para viagem.
— Isso não me passou pela cabeça — Ele negou e então, a olhou com curiosidade e um pouco de desapontamento — A não ser que você queira ficar. Eu apenas pensei que podíamos encontrar um lugar com mais privacidade.
Suas bochechas esquentaram e ela admitiu para si mesma, que enfrentaria até o frio do inverno para manter aquele olhar malicioso em Edward por um bom tempo.
— Claro. Privacidade parece ótimo.
Ele abriu um sorriso matador e ajeitou-se na cadeira. Encostando-se e empurrando o peitoral malhado para frente, fazendo-a encara-lo por um longo tempo.
Edward limpou a garganta.
Sua menina se distraia tão fácil...
— Como foi o seu dia na agência? Eu espero que o Jackson não tenha lhe dado um tempo difícil novamente.
Isabella sorriu diante da sutil ameaça no seu tom.
— Ele não o fez. Na verdade, ficou muito surpreso que eu tenha consigo lidar com tudo que impôs para mim ontem e aparentemente, os resultados de Lauren também foram satisfatórios — Ela contou, começando a rasgar um guardanapo com os dedos — As mudanças de humor dele estão ficando cada vez mais severas. É tão estranho. Em um minuto, o homem está todo cheio de simpatia e no outro, parece que o céu está desabando em cima dele.
— Ele tem muito na cabeça ultimamente, Bella. Eu não quero que você leve o mal temperamento dele para o lado pessoal, porque não tem nada a ver com o seu trabalho — Ele apertou a mão dela, chamando sua atenção — Você é talentosa, uma ótima funcionaria e não precisa aguentar merda de um cara que não sabe lidar com as responsabilidades que vem com os negócios. Se ficar demais, dê o fora.
— O que? Edward, não, eu não posso sair...
— Apenas prometa para mim, babe — O ruivo pediu. Ela não entendia o motivo de ele ficar tenso, mas a última coisa que queria, era vê-lo sério desse jeito, então assentiu — Se você sentir que algo não está certo, que vai se prejudicar de alguma maneira, não hesite em sair. Nós resolvemos o que vier depois.
— Nós?
— Sim. Juntos.
— Edward, está tudo bem. Eu tenho tudo sob controle.
— Se você tem certeza.
Eles desviaram o olhar um do outro para, assim como a maioria dos outros clientes, encarar a TV presa à parede, que transmitia uma matéria no noticiário das 21 sobre uma garota de programa que havia sido encontrada, dormindo ao lado de um empresário morto. Atento aos detalhes, Edward riu amargamente e comentou que ela seria –se não encontrasse alguém decente para representa-la – condenada pelo assassinato mesmo que fosse inocente. Isso chamou a atenção da morena e eles começaram a discutir o porquê de ele estar convencido, em apenas alguns minutos, que a mulher não tinha cometido o crime. Fascinada, ela ouviu seus argumentos e não demorou para estar certa também de que a moça não era a verdadeira assassina, mas estava sendo incriminada.
— Eu tenho uma dúvida.
— Bella, só para começar, não havia indícios de que ela havia ingerido álcool. Quem diabos mata alguém para rouba-lo e adormece ao lado do corpo? Eu sei q-
— Não — Ela riu — Não era sobre isso.
— Tudo bem. Sobre o que era, então?
— Jackson — Uma linha firme formou-se em sua testa enquanto ela pensava, então sua cabeça caiu um pouco para o lado — Ele disse que estava sendo procurado ou algo assim, por uma antiga funcionaria. Eu imaginei que um advogado corporativo cuidava dos interesses da empresa, consequentemente, do proprietário... então, se eu não estiver enganada, por que diabos ele precisa de você para lidar com isso?
Ele hesitou por um instante e tomou uma longa respiração antes de responder.
— Aí é que está, Bella. O seu chefe não está sendo denunciado por uma demissão sem justa causa ou por ter deixado de pagar os salários — Edward sussurrou e passou a mão pelo rosto. Era visível que ele não queria falar sobre isso, mas a expressão confusa no rosto da morena, o fez continuar mesmo assim — Ele está sendo processado por assédio sexual. Então, um advogado criminal, que nesse caso sou eu, é mais do que necessário para livra-lo da prisão.
Ela piscou quando as informações chegaram até o seu cérebro. Sua boca abriu e Edward lhe deu um olhar, advertindo-a sobre o que e como falar.
— Mas isso é tão... espere, você tem certeza?
A pergunta era estúpida e ela não precisou olhar nos olhos dele para obter a resposta. Alice estava certa o tempo. Edward estava envolvido em algo maior do que ela pensou a princípio e ela estava ajudando-os sem ter a menor ideia. Jackson não permitiu que qualquer informação vazasse, pois não havia nenhum comentário sobre nada rolando na empresa. Como ele estava mantendo uma acusação de assédio sexual em sigilo? O que ele faria com a mulher quando a pegasse? Isso não parecia nada bom.
O ruivo empurrou a cadeira para trás, gerando algum barulho e se levantou, indicando o balcão de atendimento com a cabeça.
— A nossa comida está pronta. Vamos embora.
Ele prendeu as duas sacolas no guidão e esperou que ela subisse atrás dele. A morena segurou em seus ombros e encaixou-se na parte de trás. Entorpecida, ela o abraçou segundos antes de ele colocar a moto em movimento e em cerca de 8 ou 10 minutos, estavam estacionando próximo ao Kerry Park.
Tensa, ela relaxou assim que viu a vista ao redor deles.
Apesar de morar muito perto da praça, Isabella não pode dizer que gastou um minuto do seu dia, sentando em um desses bancos, mas sabia que este era um lugar famoso entre os turistas e fotógrafos que queriam um bom registro da fotogênica Seattle. Neste horário, o lugar estava quase deserto, mas ela podia imaginar a pequena área verde repleta de pessoas passeando, suas crianças brincando no playground e cachorros correndo com seus donos. Edward a puxou para um banco e ambos sentaram, com as sacolas de comida embalada entre eles.
— Maldição, está sentindo o cheiro disso? — Ele gemeu, ao puxar seu prato com três burritos clássicos, preenchidos com carne temperada, arroz, feijão, queijo Cheddar e outras especiarias — Eu não como nada assim há um longo tempo.
— Você se tornou um riquinho pomposo, Edward. — Ela resmungou, antes de dar uma mordida no seu Taco. Ela teve que segurar um suspiro quando as duas tortillas de milho branco quebraram e encheram a sua boca com carne moída temperada, alface e vinagrete.
— Isso não é verdade, babe — Ele balançou a cabeça, discordando e usou um guardanapo para limpar o canto da boca — A maioria das minhas refeições eram feitas durante reuniões de negócios. Com possíveis ou atuais clientes e eu não acho que pegaria muito bem, leva-los para o primeiro Food Truck à vista.
Ela riu, imaginando a cena. Edward com certeza perderia alguns casos.
— Eu ainda gosto de cozinhar, apesar de achar que fazer comida apenas para mim, é um pouco desmotivador, por isso acabo sempre fazendo uma quantia maior que sobre para o Jasper — Ela explicou, dando de ombros quando seus olhos se estreitaram na sua direção — Mas ele é um grande fã de chinesas e essas coisas.
— Bem, eu não posso prometer que serei de muita ajuda, mas você com certeza tem um novo parceiro para ajudá-la na cozinha e comer com você — Edward segurou o seu queixo e a puxou, enquanto se aproximava para deixar um beijo carinhoso de boca fechada em seus lábios — Mhmm, que gostosa.
— Edward, pare! — Ela ralhou, rindo e empurrando-o de volta para o seu lugar.
Um homem com o braço bem fechado em torno de uma mulher, passou por eles, sorrindo com simpatia para a interação entre os dois e ela, pela primeira vez em muitos anos, assistiu o casal trocando carinhos sem ter inveja. Roubando uma nova olhada para Edward – que agora devorava o ultimo pedaço do seu segundo burrito –, ela sentiu uma dorzinha agradável no peito, tendo a certeza de que nunca mais se permitia sentir aquele vazio novamente. Este homem não estava indo embora.
Quando ele a viu estremecer pela segunda vez em menos de 5 minutos, retirou a grande jaqueta e levantou do banco para vesti-la. A morena tentou recusar, mas vendo que ele começava a se arrepender de tê-la trazido por causa do vento, ela aceitou e continuou a comer, dessa vez, muito mais confortável. Uma vez que terminaram, eles se limparam e Edward a levou para dar uma boa olhada na vista que Karry Park oferecia aos visitantes. Esta também era a sua primeira vez aqui, então ele gostaria de ver tudo. Os dois pararam por um momento quando as luzes da cidade lhes proporcionam um verdadeiro espetáculo de brilho. Os prédios e o Space Needle, iluminados, pareciam incríveis e mesmo com a escuridão da noite, conseguiram observar um barco iluminado da proa à popa, fazendo o seu trajeto em torno da enseada de Puget, cuja as costas pertencem ao estado de Washington.
— Você está gostando?
Edward perguntou, abraçando Isabella por trás, que tinha o rosto inclinado sobre um dos vários telescópios alinhados no parapeito.
— Eu estou. Eu realmente gosto disso — Ela quase choramingou, dando uma última olhada no Monte Rainier antes de virar em sua direção. Parecia que todo o tempo havia mudado para que os dois pudessem estar ali naquele momento. O céu estava limpo, livre das nuvens pesadas que pairavam sobre as suas cabeças quase diariamente e a luz suave da lua banhava a pele pálida de Edward. Os fios dele estavam apontando para toda parte por causa da forte ventania e seu cabelo parecia ter sido substituído por uma juba de leão. O pensamento a fez rir — Temos que ir?
— Sim, babe, está ficando tarde — Ele afirmou, apertando-a em seus braços e beijando o seu bonito nariz ligeiramente arrebitado — Você se divertiu?
— Muito, Edward. Eu adorei isso... — Respondeu, olhando-o de maneira esquisita e antes que ele pudesse questiona-la, ela ficou na ponta dos pés e beijou os seus lábios rapidamente — Eu adoro você.
O advogado, pego de surpresa, ficou momentaneamente sem fala e rindo de como seus olhos estavam arregalados, Isabella segurou em sua nuca e o puxou para um beijo mais profundo, que ele foi incapaz de resistir.
Muito pelo contrário.
Edward a segurou como se ela fosse se desintegrar em seus braços a qualquer momento e sua língua invadiu a boca dela, acariciando e provocando com maestria. Ele envolveu uma bochecha de sua bunda com a mão, tentando manter o vestido pequeno no lugar e lhe deu um forte aperto, que a fez gemer em sua boca. Edward estava prestes a morder o seu pescoço quando um guarda pigarreou atrás dele, apontando sua lanterna para vários lugares perto dos dois, então ele a soltou.
Isabella estava da cor de um tomate quando desejou boa noite ao oficial e se deixou ser guiada até onde a moto tinha sido estacionada. Eles montaram depois de trocarem mais alguns beijos rápidos e em pouco tempo, estavam parando em frente à sua casa.
— Sinto muito, babe, não posso ficar hoje — Edward disse pela terceira vez desde que entraram. Eles caíram em um amasso intenso no sofá e depois, Isabella começou a insistir para que ele passasse a noite — Eu preciso devolver a Scramb... mas que porra há com essa gata?! — Ele gritou e Isabella correu do banheiro para o quarto, terminando de puxar a camisola para baixo.
— Que merda foi essa, Lola? Você acabou de morder o meu braço?
Ouvindo o seu nome pela primeira vez, do homem em sua casa, Lola pulou no seu colo e começou a se esfregar loucamente em seu estômago, serpenteando o rabo no rosto de Edward, que virou para o lado quando sentiu os pelos coçando o seu nariz. Ao seu lado, ele ouviu Isabella rir em meio a “ohh” e “awns”.
— Ela está cansada de ser ignorada — Afirmou, encostando-se no batente da porta para observa-los — Eu pensei que você gostasse de um bichano.*
Edward estreitou seus olhos de maneira ameaçadora para ela.
— Eu vou te mostrar exatamente qual bichano eu quero esta noite.
Isabella endureceu quando viu ele colocar a gata no chão e levantar-se da cama. Ela gritou e correu tão rápido quanto podia, ouvindo-o vir atrás dela.
— Isabella Swan, traga a sua bunda aqui agora mesmo!
Edward rugiu e ela gargalhou.
Esse homem a tinha completamente.
*Para quem não entendeu o trocadilho, em inglês, pussy pode servir tanto para gatos (as) e bichanos, como para o sexo da mulher. Ou seja, “buceta/boceta” em uma linguagem mais descontraída.
**Uma leitora me questionou sobre a palavra "babe" que o Edward usa para falar com a Bella e caso mais alguém tenha tido essa dúvida, trata-se apenas de uma variação também em inglês, da palavra baby. Então, ambas tem a mesma pronuncia e o mesmo significado, certo?
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