Erros de Sempre

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Olha quem está de volta, pessoal. Estive com um bloqueio terrível na última semana, mas o capítulo saiu e eu espero que vocês gostem. Boa leitura. E obrigada pela recomendação, Carol :)

Na manhã seguinte, Isabella acordou bem antes de seu despertador tocar. Levantou, fez sua higiene e colocou uma roupa gasta com um agasalho. Após alimentar Lola, a prendeu na coleira branca que ficava bonita ao contrastar com o pelo cinza azulado e a levou para dar uma volta. Certificando-se de estar com a carteira e o dinheiro, as duas fizeram uma caminhada de 12 minutos pela calçada até avisarem a padaria que já contava com alguns fregueses, apesar de ser tão cedo.

Ela mesma escolheu seus pães e os colocou em uma sacola de papel. Estavam quentes e cheiravam divinamente ao ponto de fazer Lola miar interessada, mesmo que não comesse esse tipo de coisa. Da prateleira, pegou duas caixas de chá e os doces bonitos, dessa vez não chamaram a sua atenção. Provavelmente por ter se empanturrado com eles até a morte na noite passada. Então após ter certeza que não precisaria de mais nada por enquanto, pagou pelas compras e as duas moças seguiram de volta para casa.

— Ai, meu Deus, cuidado! — Gritou colocando uma mão em cada bochecha enquanto assistia a breve cena.

Ao entrarem, Lola correu em direção a sua bola vermelha que estava esquecida em um canto da sala, mas acabou escorregando no piso e chocando-se com a parede antes que pudesse parar a si mesma. Isabella não sabia se ria ou chorava. Aquela pequena ainda a mataria de susto ou algo assim, com certeza. Balançou a cabeça para os lados, lembrando do quanto ela ficava agitada nesse horário e seguiu para a cozinha, ansiosa para preparar o seu café da manhã.

Ela fez ovos mexidos, um pouco de bacon, torradas e colocou um copo cheio de leite na mesa. Isabella não gostava de bebe-lo puro, mas o seu corpo se sentia bem depois que ela fazia. Ela comeu tudo com paciência – pois tinha tempo para tomar banho e se arrumar para o trabalho – encarando mais uma vez as paredes pintadas no mesmo tom pastel de quando comprou esta casa. Não gostava da cor morta e nem dos armários em marrom, mas apesar de aquele cômodo ser um dos seus favoritos na casa para estar, nunca desejou altera-lo. Ela sonhava com a ideia de ter uma cozinha equipada até o teto com utensílios e mantimentos. Ficaria feliz em passar horas entre panelas e temperos, testando receitas e fazendo saborosas refeições para a sua família. Seu marido e filhos. Ela não tinha nenhum deles ainda, mas algo em seu íntimo a fazia acreditar que tais coisas não aconteceriam aqui.

Agasalhou-se melhor naquele dia, pois, o vento frio que fazia lá fora anunciava uma chuva para antes do fim da tarde. Sentiu-se bonita e feminina quando se olhou no espelho. Colocou comida suficiente para que a gata não sentisse fome enquanto estivesse fora e trocou a água do bebedouro. Bateu com o a ponta do dedo algumas vezes em sua testa, obrigando-se a lembrar de limpar a caixa de areia mais tarde e despediu-se de Lola com um afago no pescoço dela.

— Até mais tarde, Lola. Comporte-se para a mamãe.

Isabella trabalhava em Capitol Hill, bem mais perto de onde ficava o seu antigo emprego. Com algum transito, ela demorava cerca de 20 ou 25 minutos para chegar, mas como saiu mais cedo de casa, conseguiria estar lá em pouco mais da metade do tempo. Ela passou pela extensa biblioteca do bairro e também em frente a diversos bares e restaurantes que existiam na rua seguinte, até avistar a entrada do estacionamento do prédio. O lugar era bem antigo, como boa parte dos imóveis importantes de Seattle, mas havia sido reformado há três anos e apesar de algumas coisas no interior terem permanecido como eram – com exceção de alguns reparos –, a fachada era incrível. Moderna, muito limpa e chamava a atenção.

Uma senhora se juntou a ela no elevador e enquanto falava ao celular, pediu para que Isabella apertasse o botão que a levaria até o décimo primeiro andar, o que foi ótimo, pois era o seu destino. O velho edifício contava com quinze andares e a sua agência usava do décimo até o décimo segundo. Os demais eram alugados para outros investidores.

Quando as portas se abriram, ouviu a sutil movimentação entre as pessoas. Ela podia ver o reflexo do seu rosto no piso porcelanato enquanto caminhava até o balcão, onde uma atendente assentia pacientemente para um senhor todo de preto, com uma pasta da mesma cor, pendurada em sua mão. Atrás dela, bem no centro da parede branca, estava escrito Création7 em letras garrafais e cor de cinza.

Nesta agência, eles atuavam em diversas áreas, desde marketing promocional, à eventos, design gráfico e relações públicas. Eram muito eficientes em tudo que ofereciam e apareciam constantemente em excelentes posições nos rankings dos sites de pesquisa e revistas. Por isso eram os mais requisitados do estado.

— Bom dia! — Desejou a todos assim que avistou seus colegas.

— Só se for para você — Resmungou o rapaz loiro, sentando-se em sua cadeira como se o peso do mundo estivesse sobre ele — E é melhor começar a fazer seu serviço, porque o Harry está insuportável desde que chegou.

Elliot é um dos poucos que não simpatizava com Isabella, não importa o quanto ela tentasse se mostrar amigável e solicita. A verdade é que o homem não gostava de ninguém em particular, e aparentemente nem do emprego, uma vez que seu patrão detestava que fosse chamado pelo primeiro nome. Preferia Jackson e fazia questão que todos soubessem para não precisar corrigi-los, mas claro, Elliot não dava a mínima e fazia o que lhe dava na telha. Ela não fazia ideia de quanto tempo ele iria durar ali se continuasse agindo daquela forma desinteressada.

— Bom dia, Isabella! Elliot, você realmente deveria respeitar as vontades do seu superior. Já fomos avisados sobre isso... — Miranda repreendeu-o da maneira mais gentil que conseguiu.

Ela é uma das moças mais meigas que Isabella teve a sorte de conhecer. As duas se davam muito bem, apesar de não terem muito em comum, com exceção da aparência. Miranda tinha os cabelos castanhos como o de Bella, mas são de um tom um pouco mais claro, alguns bons centímetros menores e mais lisos também. Era cerca de duas polegadas maior que a colega e tinha os mais bonitos olhos cor de mel, mas usava um par de óculos de grau que não lhe favorecia e quase sempre eles passavam despercebidos.

Já na personalidade... era submissa até o dedo do pé, o que dificultava para que as pessoas a respeitassem, de forma que seu trabalho duro nem sempre era valorizado. Isso irritava Isabella além da conta, mas a moça parecia tão acostumada com essas situações que aquilo já não lhe afetava em nada.

Miranda apenas sorria.

— Você é outra! O que está fazendo, que ainda não começou com a maldita entrevista? Eu não sei por que eles mantêm a sua bunda lerda aqui. — Ele disse, ignorante como sempre.

— Ei, rapaz, olhe o seu tom — Isabella interferiu, sua voz demonstrando que não estava para brincadeira — Enquanto você está no banheiro, enchendo o seu cabelo de fixador, Miranda está diariamente lá fora ziguezagueando pela cidade fazendo o que tem que fazer para deixar o Jackson satisfeito, então eu sugiro que enfie esse nariz metido de volta aos seus papeis e não se meta com ela.

Todas as pessoas ao redor, desocupadas o suficiente para perceber a troca de farpas, largaram tudo que tinham em mãos para observar os dois se encararem por longos segundos, até que cedendo, Elliot revirou os olhos e mostrou-lhe o dedo do meio, arrancando uma risadinha de Miranda que já tinha o seu fiel gravador nas mãos e estava reposicionando a alça da bolsa em seu ombro direito.

— Me morda, cadela.

— Que tal um chute?

— Tudo bem! Agora chega, vocês dois — A moça bateu palmas para dispersar a atenção do pessoal e agarrou Isabella em um tímido abraço — Você sabe que não precisa se levantar por mim, mas eu agradeço muito, Bella.

— Enquanto eu estiver presente, não vou deixa-lo falar assim com você ou com qualquer um que não mereça — Isabella olhou para o loiro que agora estava vasculhando a sua gaveta e voltou-se para a amiga — Ele só está aqui porque tem conexões na agência. Você batalhou por esse emprego porque gosta e precisa, não tem que ficar aturando esse babaca.

— Oh, minha nossa, eu te adoro! — Os olhos da moça brilharam de entusiasmo e as duas começaram a rir, mas pararam assim que Makenna e Nadia chegaram juntas, bebendo os seus cafés da Starbucks ali do lado — Então desistiu de tentar se aproximar?

— Sim, mas devo conseguir ser civilizada.

— Acho que isso funciona bem.

Miranda empurrou o corpo de Bella para frente, em direção à sala que lhe pertencia, afirmando que tinha coisas para fazer e que não era seguro para ela ficar ali quando a gangue estava completa. As duas compartilharam outra risada e se despediram para começarem a trabalhar.

*********

Isabella nunca pensou que esse dia chegaria, mas teve que admitir que Elliot tinha razão. Seu chefe estava mesmo uma fera! Tudo que ia para a sua mesa, voltava rapidamente e com todos os tipos de reclamações. Algumas até equivocadas, mas ninguém tinha coragem de contraria-lo quando o seu humor estava tão alterado. Ela não entendia o que havia de errado, mas com certeza havia, porque durante o seu tempo aqui, nunca viu Jackson agir assim antes mesmo sob muito estresse.

No almoço, ela comeu no lugar de sempre ao final da rua com os seus amigos: Spencer, Hope, Dominic, Miranda e Addison. Todos pediram coisas leves e bebidas quentes para espantar o frio que fazia, uma vez que uma chuva fininha começara a cair há algum tempo.

— Fez algo de diferente ontem, linda? Se divertiu? — Dominic perguntou aproximando-se de Isabella, que não foi capaz de controlar o calor em seu rosto, então riu quando percebeu a maneira como ele a olhava.

Ela podia não a mais experiente na arte de flertar, mas sabia reconhecer quando despertava a curiosidade em um homem e esteve bem ciente sobre os efeitos que causara em Dominic desde que foram apresentados. O homem parecia continuar muito interessado nela, do contrário, ele como Diretor Executivo, não estaria voltando a sentar-se à mesa de um restaurante mais ou menos com seus funcionários duas, às vezes três vezes por semana.

Dominic dizia que talvez por ser mais jovem, era comunicativo e inquieto demais para que os seus companheiros do 12º pudessem atura-lo a esta hora do dia, por isso se dava bem melhor com outro tipo de pessoal, ou seja, os subalternos, como Hope gostava de dizer. Ele sempre fora muito simpático e gentil com todos, sem exceção, mas a surpresa foi geral quando ele se convidou para acompanha-los no lanche pela primeira vez.

É claro que o seu cargo não permitia que estivesse presente em todos os almoços ou reuniões dos atuais amigos, mas estava frequentemente tentando passar aquele curto espaço de tempo com o pessoal, como se fosse um deles – o que sua aparência quase impecável e ternos bem feitos, tornava impossível – e segundo Addison, isso estava começando a gerar comentários, pois nada daquilo tinha acontecido antes de Isabella ser contratada.

Há duas semanas, ela caiu na tentação.

Cedeu às investidas brincalhonas e charmosas do homem, mesmo que sempre tenha detestado misturar trabalho com prazer. Nunca dava certo e a corda sempre arrebentava do lado mais fraco. Ela ficou insegura porque não podia se dar ao luxo de perder esse emprego também, mas Dominic mostrou a cada dia ser um ótimo sujeito e não pareceu ser capaz de prejudica-la se algo desse errado, então achou que valia a pena arriscar.

E ela estava certa.

Dominic não tem lhe tratado diferente depois que passaram uma longa tarde juntos em seu apartamento e não fez nada para levantar suspeitas em seus colegas, de que algo tinha acontecido entre os dois. Continuavam amigáveis, paqueravam, brincavam durante as refeições e jogavam conversa fora. A sua vontade de tê-la não havia cessado porque foi capaz de experimentar um pouco do que Isabella tinha a oferecer, pelo contrário, mas não estava disposto a rodeá-la como um cão faminto para obter um pouco mais. Bella era sua amiga, em primeiro lugar.

— Na verdade, sim. Compareci a reinauguração da confeitaria da Angela e depois fui jantar com o Jasper, mas foi apenas isso mesmo e você?

Ela quis sorrir da careta que ele fez ao ouvir o nome de outro homem na conversa. Nic já tinha ouvido falar nesse tal Jasper algumas vezes e morria para saber o que ele esse cara representava para Isabella, mas achava muito cedo para questionar isso ou qualquer coisa intima, já que a própria não sabia muito sobre ele.

— Isso parece bom, Bella. Eu fui visitar a minha irmã mais velha que deu à luz ao seu segundo filho há alguns dias. Ainda não tinha tido tempo de visita-los, apenas os vi rapidamente no hospital no dia do nascimento. É um lindo garotão! — Exclamou feliz e ela se viu presa em seus olhos claros.

Gostou de ver sua empolgação ao falar do sobrinho. Será que ele queria ser pai?

Apesar de Edward ter praticamente a estragado, ela era uma grande admiradora da beleza masculina, mesmo sem segundas intenções. O exterior de Dominic era para ninguém colocar defeito. Tinha o cabelo castanho escuro, liso em um corte moderno que estava sempre na mais perfeita ordem, não importava a hora do dia. Sua pele era morena clarinha, de um bronzeado que com certeza não foi pego em Seattle. O rosto era liso como o de um bebê, ela jamais o viu sequer com uma sombra de barba por fazer, indicando o quanto ele se importava com a aparência. Talvez fosse até um pouco perfeccionista. E era bom na cama.

— Isso é muito doce. Você não teria fotos aí, teria? — Isabella ganhava uma aura totalmente diferente quando se referia a crianças e isso não passou despercebido.

— Você tem sorte que eu estou sempre pronto para tudo — Dominic piscou antes de vasculhar o bolso à procura do celular e com os toques rápidos do polegar, destravou a tela e encontrou as últimas imagens capturadas ontem à noite — Esse é o pequeno Evan. Ele não abriu os olhos ainda, mas tem um rosto bem expressivo.

Isabella riu e se derreteu sobre Evan e sua mãe, que o tinha bem acomodado nos braços e sorria para a câmera. Os dois eram muito parecidos, embora ela não tivesse reconhecido quaisquer traços de Dominic neles, exceto pelo cabelo escuro.

— Eu adoraria ter tido irmãos que me dessem belos sobrinhos para mimar, mas Renée não... nasceu para ser mãe — Ela disse enquanto lhe entregava o celular e apenas não se arrependeu de ter dito aquilo daquela maneira, pois distraiu-se com os dedos dele tocando-a. Parecia que ela guardava mais mágoas da mãe do que se deixava saber. Isabella pigarreou e continuou — Ele é lindo.

— E muito saudável. Você precisa ver como seus pulmões são fortes. O menino quase estourou os meus tímpanos quando a minha irmã não saiu do banheiro rápido o suficiente para alimenta-lo — Eles dois riram do garotinho impaciente após pagar por suas refeições — Será que você estaria livre essa noite?

— Eu não tenho certeza. Por que?

— O sobrinho do Jackson é um grande amigo meu e acaba de assinar os papeis do divórcio. Ele quer comemorar mais tarde e algumas pessoas da agência foram convidadas — Ele explicou guardando a sua carteira no bolso de trás da calça e levantando-se para puxar a cadeira dela — Bebidas após o expediente soa bem para você?

Isabella ponderou a questão por um momento.

Ela tinha certeza de que aquele não era um convite do tipo “vou foder os seus miolos no final da noite”, mas também não estava certa sobre ser uma saída de amigos. Isabella não queria que ele tivesse expectativas para então, na hora, perceber que ela não se deixaria levar dessa vez. Sem contar que, de acordo com o que foi dito, os seus superiores estariam presentes. Não seria um pouco estranho?

— Vamos lá. Por favor? Eu prometo comprar aqueles coquetéis de frutas que vocês tanto adoram — Sua expressão a lembrou de quando Lola tentava convence-la a lhe dar uns petiscos a mais e isso a fez rir, quase cedendo — Terei certeza de que eles sejam todos coloridos, tenham canudos e aqueles guarda-chuvas bonitinhos.

— Está bem. — Concordou e riu outra vez.

O sorriso de Dominic teria deixado qualquer uma tonta, mas apenas a fez enrubescer. A pele macia de sua bochecha ficou quente quando ele a acariciou levemente e então, aproximou-se para deixar um beijo no local avermelhado.

— Obrigada. Eu vou fazer com que seja bom.

A voz acalorada dele próxima de seu ouvido fez seu braço ficar arrepiado. Ela não sabia ao certo se ele estava prometendo que a noite não seria chata por estarem ao redor dos ricaços viciados em trabalho ou se teria algumas surpresas. Merda.

Um coral de “hmmms” e risadas descaradas interrompeu o momento e a deixou sem graça ao ponto de caminhar ao seu lado o tempo inteiro de cabeça baixa. Dominic, notando seu embaraço, voltou a puxar assunto e após ouvi-la soltar um pequeno suspiro de alivio, eles fizeram o caminho de volta à agência conversando sobre o sucesso que foi um trabalho finalizado há alguns dias.

Isabella ficou encantada e extremamente agradecida quando ele retirou o paletó e a cobriu quando a chuva começou a cair com um pouco mais de força. A mão em suas costas a guiava para os lugares seguros da calçada, onde não estava escorregadio demais e ao chegarem no prédio, ele se despediu com uma caricia em seu cabelo.

O resto do expediente foi mais calmo do que as primeiras horas da manhã, mas ela já se sentia exausta. Alongou os braços da maneira que a jaqueta jeans permitiu e sorriu ao lembrar que segunda-feira já era dia de pagamento. Isso era incentivo suficiente para que ela terminasse o dia com um pouco mais de entusiasmo.

Mais tarde, quando saiu com o carro, avistou Miranda aos beijos com o namorado em frente ao prédio. Eles se conhecerem logo quando ela entrou para agência. O rapaz parecia ser tudo o que a amiga precisava: charmoso, educado, um pouco dominante e possessivo, mas carinhoso. Ela era um doce de mulher, mas muito tímida, reservada, do tipo realmente recatada e Isabella já tinha lido em algum lugar que algumas mulheres com essas características, entre outras, geralmente se atraiam por homens com pulso firme para comandar e guia-las.

Como estava fora desse grupo, não é o que ela se via querendo para a vida. Tudo em excesso a deixava completamente louca, mas se esse estilo fazia a moça feliz, sentia-se bem em saber que ela estava com um cara que cuidava dela e a respeitava como merecia.

Quando chegou em casa no começo da noite, seu celular já piscava com 2 ligações não atendidas e havia uma mensagem não lida. Ficou surpresa quando descobriu se tratar se Dominic, questionando se deveria busca-la em casa ou se ela preferia ter o nome do lugar para ir por contra própria. Isabella não tinha dado o seu número a ele e muito menos seu endereço, o que lhe fazia crer que ele estava usando os privilégios de chefe para vasculhar seus dados. Aquilo não era muito legal e por um minuto inteiro, questionou-se se estava fazendo a coisa em sair mais uma vez com aquele homem, mas estava certa de que manter-se em uma distração saudável era exatamente o que precisava.

Para: Jasper Whitlock +(630-738-8022)

Hora: 18:15 p.m.

“Onde você está? Tenho um encontro com um cara do trabalho mais tarde. Preciso de ajuda com o que vestir. Rápido, rápido!”

— Que negócio é esse de encontro? — Jasper chegou em sua casa 15 minutos depois, batendo a porta não parecendo nada feliz com a notícia e Isabella deu de ombros antes de soltar Lola sobre o sofá.

— Não se trata realmente de um, mas o Dominic me chamou para ir a uma... comemoração? Eu não sei. Alguém acabou de se divorciar e quer começar os dias de solteiro enchendo a cara.

— Aquele sujeito que fica te cercando durante o almoço? Tem certeza que é uma boa ideia? — Ele aproximou-se de Isabella, mas parou quando Lola soltou um miado alto para chamar a atenção dos dois e lhe olhou de cara feia — Essa coisa ainda me odeia.

— Não seja ridículo. Foi você quem a trouxe para mim. Não foi, querida? — A morena pegou a gatinha que subia pelas almofadas, tentando alcança-la e lhe fez carinho no pescoço, como ela gostava — Nós já saímos uma vez antes e tudo ficou bem. Você vive dizendo que preciso parar de lamber as minhas feridas e viver um pouco, por que não com o Dominic?

— Porque aceitando sair com ele por duas vezes consecutivas, pode passar a ideia errada. Pode parecer que você está querendo mais.

— Nada que uma conversa não resolva — Deu de ombros — Dominic não parece estar buscando uma alma gêmea ou esposa nesse momento, então tenho certeza que ele vai entender que não eu queira continuar com isso.

— Bem, quem diria que você estaria fugindo de compromissos, hein?

— Eu estou fugindo de problemas, isso sim — Ela levantou os ombros e estremeceu para dar ênfase — Mas não há nada de errado em sair para alguns drinks, uma boa conversa e alguns flertes não tirarão pedaço de ninguém. Agora, vai me ajudar? Eu quero parecer bem.

Jasper a olhou por alguns instantes e piscou antes de suspirar.

— Só me prometa ter cuidado — Ele pediu — E me avise se o babaca passar dos limites com você. Eu dou um jeito no engomadinho em um piscar de olhos.

— Jasper, por Deus, não exagera. — Isabella revirou os olhos.

— Eu só estou...

— Cuidado de mim. Sendo um idiota ciumento. O de sempre — Ela suspirou e lhe deu as costas para caminhar de volta ao quarto, onde estava separando algumas opções de roupa para mais tarde — Confie em mim. Eu só fiquei com ele, porque Nic é realmente um ótimo sujeito e eu estava meio solitária. Também precisava provar a mim mesma que o Cullen não é o único capaz de me dar um orgasmo decente, entende?

— Eu realmente não quero falar sobre os seus orgasmos — Jasper murmurou, empalidecendo um pouco. Balançou a cabeça para afastar as imagens que se formavam da sua irmã com homens a tocando e... — Porra. Tudo bem, você venceu. Vamos encontrar algo que faça esse homem querer beijar o seu chão.

— Isso! Esse é o espirito — Ela bateu palmas — Eu te amo pra caramba.

— É melhor você amar. — Jasper resmungou indo até o guarda-roupa.

Algum tempo mais tarde, Isabella respondeu a mensagem de Dominic, pedindo o endereço do lugar onde iam se reunir. Após conversar com Jasper sobre a situação que se encontrava e o que realmente queria, decidiu que se ele fosse busca-la em casa, iria parecer um encontro e não queria sentir-se obrigada a convida-lo para entrar na volta.

— Coloca um blazer para o caso de sentir frio. — Ela ouviu assim que saiu do banheiro vestida em um playsuit preto de cetim que só ia até o topo das suas coxas.

— Não é com os meus braços que estou preocupada.

— Você está muito linda, bebê. É curto, mas difícil de tirar, caso o idiota tente — O loiro piscou e enfiou a mão na vasilha com pipoca que descansava em seu colo — Por via das dúvidas, eu confisquei as camisinhas que estavam na sua bolsa.

— Ai, meu Deus — Ela riu — Você está seriamente torcendo para que eu não transe essa noite.

O som da risada dele a acompanhou enquanto voltava para o banheiro e encaixava os brincos em suas orelhas. A maquiagem estava feita, agora só faltava um pouco de perfume, dar um jeito no cabelo e colocar as sandálias.

— Bem, eu só trabalho amanhã após às 14h, então vou aproveitar a noite para beber enquanto atualizo umas séries e não quero fazer isso, tendo que me lembrar constantemente que a sua boca pode ou não estar em lugares inapropriados da anatomia desse cara — Jasper respondeu tentando parecer tranquilo sobre o assunto que lhe dava arrepios. Não gostava de saber quando ela faria sexo, isso o deixava incomodado e ciumento, mesmo que toda experiência segura era válida para tirar o Cullen da mente dela. Apenas queria ser capaz de conhecer os caras antes e intimida-los para garantir que não machucassem o seu bebê — Manterei o celular por perto. Ligue se precisar.

*********

Isabella sorriu quando conseguiu fazer o aquecedor funcionar. Geralmente, ele a deixava na mão e sempre nas noites mais frias do ano. Apesar do transito estar agitado, ela conseguiu chegar ao seu destino em menos de quinze minutos e foi imediatamente recebida por um manobrista simpático que se ofereceu para estacionar o carro. Segura de estar com a bolsa e o celular, tentou identificar os países nas bandeiras penduradas logo na entrada do prédio e assustou-se quando ouviu o seu nome ser chamado, não muito distante de onde estava.

Dominic vinha descendo uma escada do outro lado do lobby, sorrindo abertamente enquanto a via caminhar em sua direção. Eles se encontram na metade do caminho e o homem a abraçou bem intimamente, como nunca tinha feito em público antes.

Isabella gostou de como ele estava vestido e perfumado.

Estar nos braços dele era... bom.

— Você está... suas pernas — Dominic gaguejou, seus olhos passando por ela inteira sem saber onde parar e arrancou uma risada alta da morena, que o empurrou no braço — Sério. Você está ótima, linda.

— Obrigada. Você também não está nada mal — Respondeu, mordeu o lábio e olhou para os lados — Pode me explicar agora por que estamos em um hotel?

Este lugar fora completamente reformado e tinha uma boa estrutura. Todos comentam sobre a comida e a bonita vista que os quartos têm. Por um longo minuto, ela ficou receosa quando recebeu o endereço do Crowne Plaza – um dos melhores hotéis de Seattle – em seu telefone, mas não contou nada a Jasper. Ele teria mentido sobre o convite? Suas intenções eram outras? Dominic não precisaria enganar uma mulher para ter sua companhia para passar a noite ou algo do tipo, então resolveu seguir com o planejado e questionar sobre isso depois.

— Claro. Imaginei que estivesse se perguntando — Ele sorriu meio sem graça e colocou mais uma vez, a mão em suas costas para guia-la em direção ao restaurante, onde todos os outros estavam — Como eu te disse mais cedo, o Patrick acabou de se divorciar e está vivendo aqui há algumas semanas, já que a ex esposa conseguiu ficar com a casa. Achou que era mais cômodo nos trazer aqui.

— Entendo.

E entendia mesmo. Agora fazia mais sentido.

O restaurante não estava cheio, talvez por causa do horário, mas de longe os homens puderam ser vistos. Estavam se retirando de uma enorme mesa, que mais parecia várias juntas umas das outras e acenaram quando os viram. Ela reconheceu Jackson, seu chefe e ficou meio incomodada pela sua escolha de roupa. O que fazia fora do trabalho não era do interesse de ninguém, mas não se sentia à vontade mostrando tanta pele na frente do homem que lhe empregara e tinha que estar perto todos os dias.

— Você quer jantar?

— Oh, não. Eu já comi, mas obrigada — Ela não tinha realmente jantado, mas devorou dois mini sanduíches enquanto estava com Jasper, então por não estar faminta e vendo que todos já acabaram suas refeições, achou melhor pular aquilo — Para onde estamos indo agora?

— Ele reservou o bar para que tivéssemos privacidade e mais espaço. Acho que você conhece alguns deles, certo? — Dominic apontou para os homens que agora cumprimentavam belas e jovens moças vestidas de uma maneira que fazia Isabella parecer estar usando um longo vestido de gala.

— Sim, mas não posso dizer que fazem parte do meu círculo de amizade — Ela ironizou levantando as sobrancelhas e eles riam indo em direção ao balcão, onde um barman depositava algumas doses em uma bandeja — Tem certeza que tudo bem eu estar aqui? Todos parecem muito... — Ela deixou a frase morrer. Sentia-se um pouco descolada em meio àquelas mulheres que pareciam ter um propósito puramente ‘profissional’ para estarem ali com aqueles senhores das mais diversas idades, mas todos com contas bancarias recheadas até o limite.

— Eu não gostaria que você estivesse em qualquer outro lugar, exceto aqui.

Eles sentaram nos bancos altos, ficaram de costas para os demais e de frente um para o outro. Pediram suas bebidas – ela, um mojito de melancia e ele, um Hendrick's com pepino – e iniciaram uma conversa leve para conhecer um ao outro melhor. Sentiu-se quase aborrecida por já ter compartilhado a cama com o homem, mas não saber detalhes importantes sobre ele, então ela cavou a sua história de vida. Quando as perguntas intimas começaram, omitiu que havia sido traída e apenas disse que o trabalho esfriou o relacionamento, deixando claro que ambos queriam coisas diferentes. Não era bem uma mentira. Seu ex queria algo diferente.

Corpos e órgãos genitais diferentes, aparentemente.

Descobriu que Dominic está solteiro há quase quatro anos, mas há alguém com quem ele mantém contato e tem interesse. A moça vive em Nice, na França e mora com o pai que não aprova a união dos dois. Isabella ficou surpresa com a sinceridade dele ao falar que tem sentimentos por outra mulher e aquilo a deixou muito mais confortável para se abrir e estar com ele.

— Eu não consigo imaginar uma razão para que ele a afaste de você.

— O que eu posso dizer? O homem é antiquado — Ele deu de ombros e tomou um gole de sua bebida — Ficou viúvo muito cedo e Mia é tudo o que ele tem. Não vai deixa-la ir tão fácil, mas está ciente de que ainda não desisti — Afirmou, seus olhos brilhando com a ferocidade do desafio, mas então a sua expressão ficou confusa e ele lhe deu um sorriso amarelo — Tem certeza que não te incomodo por estar falando de outra com você?

— Não, está tudo bem — Ela sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha — Eu gosto de saber onde estou pisando. Talvez assim possamos... — Interrompeu-se quando percebeu que o homem que passava, parou dois passos atrás de Dominic e ficou os estudando com curiosidade — Posso ajudá-lo?

— Desculpe, é que você parece tão familiar — O homem respondeu e ela quis revirar os olhos. O que era aquilo? Algum tipo de cantada? — Dominic, eu sinto interromper, mas Patrick me pediu que fosse até ele por um momento.

— Claro. Estarei lá em um segundo — Ele concordou, virando-se para o homem vestido muito mais casual do que da última vez que se viram — Esta é Isabella Swan, uma amiga. Isabella, conheça Ravi Matsuo, o advogado de Patrick.

— Apenas Ravi — O homem corrigiu e sorriu pela primeira vez, aceitando a mão que a morena ofereceu para cumprimenta-la — É um prazer, senhorita.

Isabella sorriu de volta, mas tinha o cenho franzido enquanto o avaliava. Era a vez dela acha-lo um pouco familiar, mas não se tratava de sua aparência. Ravi não tinha sotaque forte, mas sem sombra de dúvidas era oriental. Tinha quase a mesma altura de Dominic. Cabelos tão pretos quanto seus olhos, que eram apertados e pequenos, mas proporcionais ao rosto. Apesar de não despertar nada nela, exceto curiosidade e simpatia, podia-se dizer que era um homem bonito. De onde o conhecia?

— Parabéns pelo... caso. — Ela murmurou após ser deixada sozinha com ele. Ravi tomou o assento do Dominic e pediu a sua própria bebida.

— Obrigado. Este foi o meu primeiro desde que estou em Seattle.

— Oh, entendo. Recém-chegado — Ela refletiu — E de onde você é?

— Sou natural de Yokohama, no Japão, mas vivo em San Francisco há muitos anos — Explicou, fitando os olhos grandes, escuros e curiosos da morena — Tenho um escritório de advocacia na cidade. O meu pai cuida do outro, o mais antigo, em Vegas e acabo de abrir um aqui.

— Nossa, bastante impressionante — Ela ergueu as sobrancelhas ao sorver um gole do seu mojito. Ravi parecia jovem e talvez fosse, por ter um pai que ainda cuidava dos negócios, mas não podia afirmar. Pessoas com essa nacionalidade tinham peles incríveis que não deixavam transparecer a idade. O que deu para perceber, é que o homem era experiente e bem-sucedido. Sentiu a barriga revirar com a ideia de ele pudesse conhecer Edward de alguma forma. Ambos viveram na mesma cidade e tinham a mesma profissão, mas trabalhavam com coisas diferentes. San Francisco era um lugar grande, até onde sabia. Não... seria muita coincidência — Mas por que aqui?

— Honestamente? Por insistência do meu sócio — Admitiu após sorver o ultimo gole de whisky — A taxa de divórcio é muito mais alta na Flórida, mas o homem tem questões pendentes por aqui e conseguiu me convencer.

— Você vai se acostumar com a chuva, cara — Dominic disse e bateu em suas costas ao passar por ele para chegar em Isabella, que sorriu aliviada com a sua volta. Gostou dele, mas algo ainda a incomodava — Se me permite, vou rouba-la agora.

— Mas é claro — Ravi levantou-se e acenou para a morena com a cabeça — Obrigada pela companhia, Srta. Swan. Tenham uma boa noite, vocês dois.

— Igualmente, Ravi.

Isabella colocou o copo vazio sobre o balcão e desceu da cadeira para abraçar a cintura dele. Dominic fez um barulho de apreço quando sentiu os braços dela, a puxou mais para perto e abaixou-se para beijar a sua bochecha. Ela se arrepiou quando os lábios dele fizeram uma caricia até o a pálpebra.

Após pedirem mais duas bebidas, os dois fizeram o caminho do balcão até um sofá desocupado com uma pequena mesa na frente, longe do burburinho que os outros clientes estavam fazendo. Nic confessou que estava arrependido de convida-la, mas apenas porque não queria que ela precisasse ver como aqueles homens se comportavam quando estavam longe de casa e dos olhos julgadores. Ela disse que avisaria quando estivesse desconfortável, então para compensa-la, Nic cumpriu com sua promessa e Isabella perdeu a contas de quanto coquetéis havia tomado. Todos eram doces, frescos e deliciosos... era difícil lembrar-se de que havia álcool naquela coisa.

Quando Isabella percebia que Dominic estava ficando nervoso a respeito das companhias, ela tentava distrai-lo. Deveria saber que um homem recém divorciado não convocaria seus amigos e conhecidos para uma reunião apenas com bebidas e charutos, mas desde que não fizessem nada muito explicito, ela ficaria bem. Então procurando uma maneira de salvar a noite, perguntava sobre a Mia.

O resultado era instantâneo.

O sorriso do homem era impossível de ser contido e o seu olhar sempre passeava ao redor, perdido nas lembranças.

Ficou em silencio enquanto o ouvia contar sobre como a conheceu. Na mesma semana em que sua irmã, que já reside em Paris desde o divórcio dos pais, o convidou para passar o verão com ela, ele descobriu que o U2 estaria se apresentando na cidade e não perdeu tempo em providenciar os ingressos. Na noite do concerto, ele foi acompanhado da irmã e seu noivo, inseguro demais para deixa-la ir sozinha. No meio do show, a multidão se acalmou e Bono começou a cantar o primeiro trecho de One quando ele tentou achar a garota com quem vinha flertando pelos últimos 15 minutos. Mas quando ele encontrou um par de olhos negros em meio a um grupo de cinco outras jovens, o encarando, ele estancou no lugar.

Ela era linda.

Olhos pretos não deveriam chamar tanto a atenção, no escuro e com pessoas agitadas em volta, mas ela conseguiu isso e muito mais. O cabelo loiro quase branco brilhava a cada vez que as luzes do palco a atingiam. Eles estavam lisos e iam até um pouco abaixo do pescoço. Nic foi empurrado e acotovelado diversas vezes por se recusar a sair do lugar e deixa-la ir, mas ambos permaneceram se olhando durante a música a todo custo.

Desde aquele dia, eles foram inseparáveis por intensas duas semanas. Mia mostrou cada canto especial da cidade luz e se jogou de cabeça naquele romance sem pensar duas vezes, mas tudo foi por água abaixo quando seu pai descobriu o namoro.

Isabella revirou os olhos para o preconceito do homem com americanos, uma vez que sua falecida esposa vivia em SoHo antes mudar-se com ele. Era óbvio que ele teve seu coração quebrado quando a perdeu e em sua cabeça confusa, achava que estava impedindo que a filha passasse pela mesma dor, mas não fazia sentido separa-los. Mia, sendo muito apegada à sua família, não demorou a decidir de qual dos dois ficaria.

— Mas que vaca!

Dominic riu do xingamento de Bella e assentiu.

— Há um tempo atrás, eu tentaria cortar a sua língua fora se a ouvisse dizendo algo assim sobre ela, mas agora já não importa, certo? — Ele passou o dedo indicador pela borda da taça de água, contornando o círculo — Suas atitudes foram compreensíveis quando éramos jovens, mas agora ele não pode controla-la mais.

— Exatamente! Você não pode continuar sendo seu segredinho sujo — Bella franziu ao lembrar que Dominic ainda a encontrava escondido de ambas as famílias, quando precisava ir até o país — Tem ideia de quantas mulheres dariam a mão direita para terem um cara como você apaixonado por elas?

— E você não é uma delas, eu suponho?

— Absolutamente não — Ela soltou e enrubesceu quando Nic arregalou os olhos. O que essa porcaria de bebida fez com o seu filtro? — Não foi isso que eu quis dizer. É que... eu tenho um cara. Quero dizer, eu gosto de alguém que nunca vou ter novamente, só que isso não me impede de sentir, entende? Mas caramba, Dominic, você é incrível. Se eu pudesse escolher a quem...

— Tudo bem, eu entendo — Ele sorriu — Não precisa me consolar.

— É sério. Eu geralmente encontro os ásperos ou aqueles que não sabem o que diabos estão fazendo, então nunca tinha tido alguém tão doce e charmoso antes. E na cama? Ah, tudo com você na cama é tão adorável.

— Porra, Isabella, adorável? — Nic gritou e começou a rir da sua escolha de palavras — Já entendi que não vai rolar outra vez, mas agora você está ferindo a minha masculinidade. Não se referia a um cara como adorável. Nunca.

— Que seja — Isabella revirou os olhos e ficou brincando com o pequeno canudo preto, mergulhando entre os cubos de gelo — O que eu quero dizer é que você é bom demais para ficar preso a alguém do seu passado que simplesmente não se importa. Aceite o conselho de quem sente isso na pele — Ela abriu um sorriso que não tinha nada de sincero e suspirou — Seattle é grande, procure. Viaje. Conheça gente nova. Eu, particularmente, acho que as latinas são muito quentes.

— Quem é ele?

— Ele?

— O cara que está enraizado no seu coração.

— Oh... ele. Bem, eu vou te dar a versão resumida — Ela coçou o nariz e suspirou antes de falar, como se tocar no assunto a deixasse exausta — Me apaixonei por Edward no último ano do ensino médio. Nos tornamos bons amigos e então namorados, mas depois eu descobri que ele tinha apostado com os colegas de time, que se fosse capaz de me fazer transar com ele, ganharia pneus personalizados para a sua moto. Fodidos pneus, cara. Dá para acreditar?! — Ela balançou a cabeça para os lados, inconformada, agitando os cabelos e o encarou com os olhos começando a ficar cheios de lágrimas. Nic sentiu suas mãos apertando em punhos ao observa-la — Ele tinha que gravar um áudio quando estivéssemos... para provar.

— Cristo, Bella. Me diga que você socou o bastardo.

— Eu bati em seu rosto com um capacete — Ela deu de ombros e soltou uma breve risada pelo nariz — Edward nunca me pediu para gravar nada, mas um dia... eu dei a entender que gostaria de nos ver, você sabe, fazendo. Nós fizemos um vídeo caseiro apenas por diversão. Estava escuro e nós ouvíamos mais do que éramos capazes de ver. Então alguns meses depois, isso vazou para toda a escola.

— Filho da puta! Eu pensei que fosse só para os amigos dele.

— E era. Tenho certeza que eles espalharam de propósito — A imagem de Mike Newton olhando-a com um ar superior naquela semana apareceu em sua mente — Quando isso aconteceu, Edward tinha tido o seu celular roubado apenas alguns dias antes, então eu não pensei que ele estivesse envolvido, mas quando soube da aposta... não pude mais acreditar em sua inocência, sabe?

— Eu não te julgo.

— O que ele fez foi horrível para uma adolescente em uma cidade tão pequena ter que suportar. Eu fiquei péssima, mas também muito confusa quando ele não parou de me procurar para pedir perdão e uma chance de se explicar.

— Eu não sei se ouviria uma palavra do sujeito. Você conseguiu?

— Não. De início, eu nem queria. Estava furiosa e magoada. Eu não me importava com as fofocas dos alunos, mas senti vergonha pelos meus pais e dos professores. E então, a coisa mais estranha aconteceu.

— O que? O que aconteceu?

— Edward mudou da água para o vinho. Ele já não estava muito próximo daqueles rapazes, mas desde que a coisa toda veio à tona, eles não se falaram mais. Edward ficou agressivo durante os treinos, batia em qualquer um que fizesse piada sobre mim, ou a aposta e tudo isso sem deixar de me procurar — Os dois franziram as testas para aquilo — Minha mãe disse que ele se apaixonou de verdade por mim.

— Eu também acho — Dominic admitiu depois de um longo minuto de silencio. Ele, como a maioria dos amigos, também tinha feito merdas que se arrependia nos dias de hoje e apesar de querer bater no imbecil que fez Bella chorar, não descartava a possibilidade de o rapaz tê-la amado — O que aconteceu depois?

— Eu dormi com o irmão dele. — Confessou em um sopro.

— Mas que porra, Bella?! — Nic gritou novamente.

— Sim. Você não imagina como essa merda ainda morde a minha bunda o tempo todo. Eu me arrependo muito do que fiz, mas isso não é o suficiente porque Edward é incapaz de me perdoar mesmo depois de tanto tempo.

— Isso é demais. Quero dizer, transar com um estranho qualquer para causar ciúmes ou o que quer seja, é uma coisa, mas o próprio irmão...

— Eu sei, eu fui uma cadela total — Admitiu, seus olhos arregalados e marejados — Nós concordamos em manter aquilo em segredo, mas ele descobriu no mês seguinte e... enlouqueceu. A família Cullen tornou-se um caos por minha causa e ele saiu de casa antes mesmo da formatura. Eu fodi com qualquer chance de reconciliação entre a gente.

— Vocês realmente foderam um com o outro — Dominic passou as mãos pelo rosto e esfregou os olhos que já nublavam um pouco devido ao efeito da bebida — E mesmo depois de tudo, continua apaixonada por ele.

— Completamente — Ela riu sem humor e caiu para trás no assento, levantando o rosto para fitar o teto do bar — Nos encontramos na minha cidade, em Forks, após longos nove anos e depois de brigarmos feito cão e gato, saltamos um sobre o outro, só para voltarmos a nos ofender em seguida.

Dominic não queria rir, mas não pode segurar. Aquela história fazia o seu romance estilo Romeu e Julieta parecer um conto de fadas. Se não pudesse ver o quanto Isabella era forte, teria sido pena dela naquele momento. Como homem, entendia que aquilo não era fácil de superar. Para alguns, era um tiro no orgulho e muitas vezes imperdoável.

— Isso é bom. Agora tenho certeza que ele sente algo por você.

— Raiva? Magoa? Com certeza. Tesão? Um pouco. Agora amor...

— Não tenha tanta certeza. Ele pode ter usado esse tempo para aprender a disfarçar melhor — Aconselhou — Estava aqui te ouvindo e ficando chateado por você estar tão envolvida com alguém que não fazia mais parte da sua vida ou a queria, mas agora eu entendo. E não acho que a história de vocês acabou em Forks.

— Não vai acontecer, Nic. Tentei fazê-lo me ouvir, mas Edward só cede ao meu corpo e se recusa a confiar em mim novamente — Ela suspirou e empurrou a cadeira para trás. Levantou-se e apoiou as mãos na mesa quando sentiu que suas pernas estavam tremulas e um pouco pesadas — Eu o quero, mas apenas se deixássemos a bagagem de lado. Isso foi há uma vida atrás, não somos as mesmas pessoas e o tempo está correndo. Não quero continuar lidando com isso.

— Você está com a razão. Mas eu realmente acho que... está tudo bem?

— Sim, apenas... merda. Eu não vou conseguir dirigir desse jeito.

— Eu poderia leva-la, mas não confio em mim mesmo para conduzir um carro nesse momento — Nic esfregou os olhos mais uma vez e levantou-se também. Ele deu alguns passos para a direita, encarou a saída e umedeceu os lábios antes de voltar-se para Bella — Prefere que eu chame um táxi?

— Eu preciso do meu carro para trabalhar amanhã, Dominic. — Ela suspirou e tateou a bolsa para procurar o seu celular. Talvez Jasper pudesse ajuda-la.

— Você me bateria se eu dissesse que posso arranjar um quarto para nós? — A cabeça de Isabella estalou para cima quando ouviu aquilo e arqueou uma sobrancelha para ele, o olhando incrédula — Não é o que você está pensando, caramba. Nós podíamos descansar por algumas horas, comer e quando ficássemos sóbrios, iríamos embora para casa — Explicou e então bufou com a cara desconfiada dela — Eu juro!

— Deus... tudo bem. Só descansar — Ela enfatizou. Dominic suspirou aliviado por não ter que continuar de pé discutindo a melhor opção que conseguiu encontrar e com a voz meio embolada, ela continuou — Mas antes, dê uma boa olhada nesses saltos, porque eles ficarão impressos na sua bunda se você tentar alguma gracinha.

— O que você quiser, Bella. O que você quiser.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Essa Isabella está muito bem de homem, hein? Já não basta ter um ex como o Edward, um melhor amigo como o Jasper, me aparece o Dominic querendo uma amizade colorida. Eita! Qual a impressão de vocês sobre ele? Bem, eu percebi que havia algumas suspeitas e está aí a verdade. A Bella ferida, enciumada e bêbada, dormiu com o Emmett para punir o homem que ela ama. Sim, vocês vão dizer “mas o Edward procurou”, ok! Ele deu início a tudo, mas até eu acho sacanagem o fato dela – mesmo sob o efeito da bebida – ter escolhido o irmão dele pra isso, mas... aconteceu. E o Edward teve que lidar com as consequências sozinho. Mais pra frente nós veremos isso. E por falar nele, sei que devem estar com saudade, mas acalmem-se. No próximo capitulo ele está de volta para acabar com a festinha da Bella e tomar de volta o que sempre foi dele, haha. Nos vemos nas reviews. Beijos.