Erros de Sempre
26 Capítulo 25
Notas iniciais
No estacionamento, o Sr. Alcorn – o biólogo do sexto andar – empurrava a cadeira de rodas com o seu filho mais novo até o seu carro. Ele não parou, mas abriu um sorriso e movimentou a cabeça em direção ao casal que se aproximava na direção do elevador de onde ele tinha acabado de sair, mas apenas o homem lhe respondeu com outro breve aceno, enquanto isso, a mulher parecia decidida a ignorar tudo e todos – incluindo o ruivo que a seguia com as mãos ocupadas por sacolas estampadas com o logo de um supermercado próximo.
Ele, entretanto, não parecia chateado.
O último vislumbre que o Sr. Alcorn teve dele foi de seus lábios contraindo.
— Bella, aperte o botão — Edward diz quando para atrás de sua noiva que está diante das portas do elevador, com os braços cruzados sobre a barriga e batendo o pé, coberto por uma sapatilha, no chão. Ela bufa e vira a cabeça para o lado esquerdo, embora não haja nada para ver — Você pode apertar o botão, por favor, querida? Essas coisas pesam e estão esperando por nós lá em cima.
Um segundo de hesitação.
Então ela estica o braço, batendo suavemente no ponto vermelho do painel.
— Obrigado.
Silêncio.
— Isabella. — Ele chama.
— Edward. — Ela responde, claramente contra a sua vontade.
O advogado suga o ar pelo nariz, tentando não rir do seu aborrecimento.
— Você não pode estar com raiva de mim por causa disso. É ridículo.
— Sim, inferno, eu posso — Isabella gira e é uma coisa boa que o advogado está usando óculos escuros, pois seus olhos dançam com a diversão de vê-la fazendo beicinho. Se seus malditos braços não estivessem ocupados, ele beijaria a birra fora dela em segundos — Primeiro você discute comigo sobre me deixar acompanha-lo para as compras e então, se recusa a me deixar dirigir quando eu peço para fazê-lo apenas na volta para casa! Você é chato, egoísta e controlador.
— Babe.
Isso é tudo que ele diz.
A morena não estava errada em tudo, apesar de estar errada em tudo.
Edward tinha recusado a sua companhia diversas vezes antes de ceder à sua vontade de ir ao supermercado com ele para comprar algumas coisas que as mulheres precisariam para o almoço tardio, isso porque Isabella tinha reclamado por horas na noite de ontem sobre dor nas suas costas. É claro que, preocupado com sua saúde, Edward não a deixou sair da cama antes das 9 da manhã. Então, a sua ideia de descanso era muito diferente da dela e não incluía leva-la para fora do condomínio desnecessariamente, mas era com Isabella – sua noiva gravida – que ele estava discutindo, então a briga acabou com um “tudo bem” suspirado, porque não eram muitas as vezes em que ele tinha sucesso em contraria-la.
Principalmente com plateia.
E sobre o carro, bem, não ia acontecer.
— Eu te expliquei isso. É para a sua própria segurança.
— Para a minha segurança ou da sua estupida Mercedes? — Seu tom é sarcástico, assim como o sorriso torto que ela exibe após entrar no elevador.
— Para a segurança de ambas — Ele esclarece com cuidado, vendo os olhos dela se estreitarem em sua direção assim que começam a subir — E já que chegamos a isso, eu preciso te lembrar que você atirou uma maldita pedra no meu para-brisa?
— Isso foi há um ano! Você não está sendo justo e sabe disso! Vamos lá, Edward, apenas uma voltinha rápida. Nós podemos ficar no bairro e apenas...
— Talvez quando Haven nascer — Ele corta e a ignora quando abre a boca para protestar — Você está muito grávida e a Mercedes é um carro veloz, Bella. Eu não gosto nem de pensar em suas mãos naquele volante. Ou seja, eu não vou colocar as duas em risco por causa de um capricho seu durante um momento de mau-humor. Mas se isso é importante para você, espere um pouco mais e voltaremos a falar sobre isso quando for mais oportuno. Será que eu fui claro o suficiente?
— Mas... — Ela tenta, soando como um cãozinho que foi chutado.
— Babe.
Seu tom é mais duro agora, então novamente, o silêncio.
Quando chegam ao andar deles, Isabella não está mais fazendo beicinho, apenas parece reflexiva sobre a questão. Ela também não espera por nenhum novo pedido e abre a porta do apartamento, sendo recebida pelos sons da TV alta em algum canal esportivo, risos infantis e vozes femininas familiares.
A casa está cheia e isso a faz sorrir com vontade.
Desde que se mudou, esta é a primeira vez que ela recebe tanta gente.
Era sábado, um pouco depois do meio dia e desde ontem à noite, sua família tinha chegado em Seattle para o final de semana. No mês passado, Renée tinha feito diversas viagens para se certificar que Isabella estava bem com o final da gravidez chegando. Agora com os nove meses completos, ela mantinha a filha presa à pelo menos uma ligação diária e quando convidada para se juntar à filha e o genro por um par de dias, a delegada não hesitou em pegar uma carona com os Cullen.
Agora estavam todos reunidos no apartamento.
E quando ela quer dizer todos, são todos mesmo.
Prova disso é Rosalie caminhando para eles com o Mason pendurado em sua lateral, usando seu fino dedo indicador para cutucar o ouvido direito da mãe.
Isabela ri da cena e a loira rola os olhos, parando em frente a escada.
— Você ainda não está cansado, garoto? — Edward pergunta sorrindo para Mason, que solta o cabelo da mãe quando ouve a voz do tio, mas seu olhar logo cai para as sacolas em suas mãos e ele arregala os olhos com curiosidade.
— Huh...
— Ele vai desmaiar em algum momento após o almoço, não se preocupe — Rosalie avisa, se inclinando e cheirando a cabeça do filho, mas então faz uma careta para o cheiro de cloro nele — Jesus, querido. Eu vou leva-lo para um banho.
— Você se divertiu na piscina, Mae? — Isabella ri, vendo o quão adorável ele estava dentro de um roupão azul e cinza, com alguns Minions – os pequenos seres amarelos que o faziam se acabar de rir a cada vez que assistia – estampados aqui e ali.
Emmett, Rosalie e Mason tinham sido os primeiros a chegar esta manhã. Na verdade, os três eram a razão para ela ter saído da cama às 9 ou do contrário, seu homem apenas a teria mantido ali tanto quanto possível. Renée e Charlie, que já tinham acordado e estavam se deleitando com o café da manhã preparado por Ruth, os receberam. Quando Isabella chegou lá embaixo, ela brincou com Mae sobre ele estar parecendo o Gasparzinho, coberto pelo creme branco do protetor solar que Rosalie espalhava sobre ele – usando apenas uma pequena sunga – enquanto Emmett se dedicava a comer as sobras do café. O garoto havia ligado na noite anterior, perguntando para o tio se estava tudo bem vir mais cedo para usar a piscina do condomínio e é claro que Edward não se atreveu a dizer-lhe não.
— Oh, sim, tia Bella — Ele sorri grande, mostrando que mais uma lacuna onde deveria haver um dente — O papai me ajudou a nadar sem as boias nos meus braços quando a mamãe tinha ido ao banheiro e foi tão irado!
— Uau, que legal, querido! — Isabella diz com admiração.
— Ele fez o que? — Rose late e o sorriso do menino desmanchou, sendo substituído por lábios apertados e um rubor fraco em suas bochechas.
— Bem, eu vou levar essas coisas. — Anuncia Edward erguendo as sobrancelhas.
— Sim, fuja para a cozinha. Eu sei que você não vai ser muito melhor que o idiota do seu irmão — Rosalie zomba, mas Edward apenas sorri e rola os olhos antes de deixa-las sozinhas — Deus, eu odeio quando o Emmett faz essas coisas pelas minhas costas! Ele só tem cinco anos. As boias são para protege-lo.
— Está tudo bem, mamãe. Estávamos nos divertindo — Mae tenta suavizar a situação do pai ao usar a sua voz mais doce. E funciona, porque Rose derrete e imediatamente o beija na ponta do nariz — Papai disse que era seguro.
— Eu sei, garoto. Se ele disse que era, então era, mas eu me preocupo.
— Sim, por isso eu que deveria ter ficado quieto e...
— Não! Você ainda não tem idade para manter segredos com o seu pai — E para Rose, ele não tinha. Ela admitiria que os dois lhe escondessem coisas quando ele fosse mais velho, talvez na pré-adolescência, mas não agora e não sobre a sua segurança — Eu quero que você saiba que pode confiar no seu pai quando ele diz que tudo bem fazer uma coisa, mas que tenha certeza de que você não está liberado para fazer o mesmo sem a presença dele ou a minha.
— Exatamente, Mae. É seguro porque um dos seus pais estão lá. Agora todos estamos felizes que você se divertiu mais cedo — Isabella afirma sorrindo, ganhando um aceno satisfeito da cunhada, então ela sugere — Talvez na próxima, vocês possam mostrar a mamãe bem de pertinho como você tem se saído sem as boias, assim ela não ficará mais tão assustada, não é?
— Sim, tia Bella. — Mason concorda e ela quer mordê-lo quando o observa dobrar e deitar-se sobre o ombro da mãe, se aconchegando. Tão malditamente adorável.
— Ok, estamos subindo — Rose anuncia — Você também vem, Bella?
— Podem ir sem mim. Eu prometi a Esme que prepararia a minha torta — Ela recusa e olha as horas no delicado relógio em seu pulso — Se quisermos come-la na sobremesa, eu tenho que me apressar. Onde estão todos?
— Emmett, Carlisle e seu pai estão no escritório. Renée e Esme estavam na cozinha, suponho que os outros também estejam — Rosalie dá de ombros, incerta e então vira para o filho — Vamos lá, garoto. Vamos passar um tempo no chuveiro.
Sorrindo, Isabella faz o seu caminho para longe de lá quando os dois já estão no meio das escadas. Sua relação com Rose tem melhorado de tal forma que as duas já se pegam trocando mensagens de texto ao longo da semana. Agora as duas tinham bastante coisa sobre o que conversar e ela já não nota hesitação da loira em discutir com ela algo sobre Emmett ou a tensão em sua voz quando ela traz algo do passado. Com a convivência, ela descobriu o que tinha levado o seu amigo a se apaixonar por Rose – coisa que ela não entendia no começo – e que como todos, a mulher tinha seus próprios problemas para trabalhar.
Assim como Haven estava curando as inseguranças de Edward, o seu filho era incrível em preencher o vazio no peito dela. Quando o assunto vinha à tona, ficava claro que Rose ainda sofria por não ter sido capaz de engravidar por conta própria, mas se recusava a procurar outros métodos porque segundo o seu médico, ela estava bem e uma hora iria acontecer, sem contar que sua mãe não aprovava. Rose também tinha se desculpado mais de uma vez por ter julgado e a tratado mal. Ela admitiu que pior do que nunca gerar seu próprio bebê, era fazê-lo e depois viver com a dor da perda – nisso, Isabella concordava. Sua garota era uma alegria imensa na sua vida, mas nunca a faria esquecer daquela criança que habitou seu ventre por tão pouco tempo. Ela entendia a raiva de Rose, uma vez mal informada. Se seu sonho fosse ter um filho com Edward e não conseguisse, ela odiaria profundamente a mulher que tivesse tido a chance e escolhesse se livrar dele.
Com a compreensão, veio o perdão e dele... a amizade.
Emmett estava nas nuvens com isso.
Era como se um peso gigantesco tivesse saído das suas costas.
Ele parecia realizado com a felicidade do irmão e vibrou como se o seu time tivesse vencido o Super Bowl quando Edward ligou para contar que ela havia dito “sim” ao pedido de noivado. Ao pedido que ninguém imaginava que ele faria – ninguém.
— Ei, você aí — Jasper a interceptou e segurou suas mãos — Tudo bem?
— Tudo, apenas cansada — Isabella responde, encostando na parede do corredor e tomando de volta as mãos para que possa cruzar os braços diante dela — O que está acontecendo lá dentro? — Ela aponta para a cozinha com o queixo.
— Esme está cozinhando algumas coisas e sua mãe estava tentando ajudar, então eu fui mantê-la entretida para que ela pudesse sair do caminho — Ele ri, balançando a cabeça para os lados — Agora ela saiu para atender uma ligação.
— De quem?
— Eu não sei. Algo acontecendo em Forks.
— Oh, certo — Ela afirma, sem interesse — Assim, eu vou preparar a sobremesa.
— Você está realmente bem? Eu posso medir a sua pressão. Vamos para a sala.
— Novamente, está tudo bem, Jasper. E o que? — Ela brinca, desencosta da parede e passa por ele para empurra-lo com o ombro de leve — Você trouxe para a minha casa os seus apetrechos de médico?
— O que eu posso dizer? A minha melhor amiga vai ser mãe em breve, então eu ando com os meus apetrechos. — Jasper corrige, a fazendo abrir um grande sorriso.
— Você é incrível — Ela elogia e abre os braços, pedindo por um abraço. Jasper não hesita e a toma entre os seus com cuidado, então a beija no topo da cabeça — Haven quase já não mexe, mas em compensação, há essas cólicas terríveis e algumas dores na base da minha coluna que demoram uma eternidade para acabar.
— Eu sei, querida, sinto muito — Jasper franze a testa com desgosto em vê-la sentindo dor, mas em geral, as mulheres sofriam um pouco durante o pré-parto e era perfeitamente normal. Bella também sabia disso. Como mãe de primeira viagem, ela sempre mantinha contato com o seu obstetra e recorria à Jasper quando ele não estava disponível e “algo não parecia certo” — Você deveria subir para descansar um pouco.
— Não me diga para descansar! — Ela chora, dramatizando e Jasper ri, imaginando o quando Edward deveria estar deixando-a doida — Apenas vá! Junte-se aos rapazes e os mantenha longe da cozinha. Eu preciso trabalhar em paz.
— Sim, senhora. Apenas... chame se precisar, ok?
Isabella não responde, apenas solta o ar com força e segue o cheiro bom de cozimento para encontrar Esme usando seu avental – o mesmo que utilizava em sua casa e o levava para qualquer lugar que fosse – ralando queijo em uma tigela.
— Ei, meninas. — Ela cumprimenta, caminhando devagar até elas.
Como Jasper havia dito, sua mãe estava ausente.
— Bella. — Alice responde, então toma um gole de sua Budweiser.
Haviam outras duas garrafas vazias o lado dela.
Hum.
— Querida — Esme para, sorrindo em sua direção — Obrigada por ter lembrado a Edward de trazer a massa pappardelle. Eu gosto que você saiba que eu a prefiro quando estou fazendo carne — Isabella sabia porque, quando ela e Edward namoraram no ensino médio, ela jantava frequentemente com os Cullen e se familiarizou com as preferências da sogra — Você está bem com o strogonoff?
— Sim, eu disse a você — Ela confirma, indo para os armários em busca dos ingredientes para a sua torta — Alice, você pode conseguir uma forma para mim?
— Isso eu posso fazer.
— Oh, Bella! Você precisa ver essa garota quando lhe pedi para tirar os bifes do saco e tempera-los. Parecia que eu tinha dito para ela dissecar uma rã ou algo assim. — Esme resmunga, fazendo a morena rir alto.
— É nojento, mamãe. — Alice torce o nariz, rapidamente tomando um assento e agarrando o celular.
— O que é nojento? — Isabella pergunta, seguindo com os preparos da sua famosa torta de chocolate e framboesa. O doce favorito de Edward.
— Ora, ambos! — Ela rola os olhos, estica a mão, alcança a vasilha onde as frutas frescas estão e rouba uma. A morena ameaça bater-lhe com uma colher na segunda vez e depois de rir, Alice a olha por um instante, hesitando antes de dizer — Então, eu estava dizendo a mamãe agora há pouco... hum, Jasper e eu fomos jantar fora na noite passada. No Urbane. Você já ouviu falar? Eles têm coquetéis realmente incríveis lá. Talvez você e Edward possam ir em algum momento e...
— Alice, apenas fale — Isabella corta sua divagação — O que foi?
— Bem, ok. Nós meio que encontramos o Ravi.
Esme suspira.
— Meio que encontraram? — A morena repente, não erguendo os olhos da massa.
— Tudo bem, nos encontramos o Ravi no restaurante. Eu esbarrei em cima do homem, literalmente — Ela coloca um cotovelo na ilha e descansa o rosto na palma da mão, assistindo Bella trabalhar — Eu suponho que ele não faça essa coisa de encontro duplo, mas ele estava acompanhado de uma mulher e um casal.
— Interessante.
E era.
Edward só tinha falado com Aubree uma vez desde a sua mudança e ela tinha tido notícias sobre o ex, é claro. Ravi lhe deixou mensagens ameaçando entrar no primeiro avião e ir procura-la em San Francisco se ela não o atendesse, então ela cedeu e lhe explicou pela centésima vez porquê os dois não dariam certo. Ravi fingiu entender, mas voltou a procura-la uma semana depois.
Coisas foram ditas. Coisas ruins e então, ele resolveu respeitar a sua decisão de ir.
Se a mulher que Alice viu ao seu lado era um novo caso, talvez ele tenha seguido em frente e isso era bom. Era sinal que ele finalmente entendeu a ambos.
Aubree e Edward.
— É, bem... ele perguntou por vocês. Me pediu para dizer a Edward que atendesse as suas ligações, mas eu não disse. Ainda não. Você acha eles deveriam se falar?
Isabella a observa levantar a bunda do banco e caminhar até a geladeira, de onde ela retira uma nova cerveja. Ela não tenta não fazer uma careta por isso.
Alice é uma garota de vinho.
— Eu não sei.
— Eu acho que eles deveriam conversar — Esme dá sua opinião ao retirar a grande panela do fogão e as duas a assistem despejar o macarrão no escorredor — Posso entender que você não esteja pronta para perdoar o Ravi e muito menos acolhe-lo entre nós, Bella, mas acredito que ele mereça uma conversa franca com Edward.
— Mas Esme...
— Querida, você querendo ou não, ele foi fundamental para a recuperação do meu filho anos atrás. Veja, eu odeio essa palavra: recuperação. Ele não estava doente ou algo parecido, mas alguma coisa estava quebrada naquele rapaz e Ravi lhe deu foco quando o encontrou — Ela continua a fazer o seu ponto — Embora pareça, ele não é um homem ruim. Acredite em mim, eu o recebi na minha casa e sei do que estou falando. Um pouco perdido? Sim, é claro, mas não ruim.
Isabella abaixa a cabeça, repentinamente cansada.
— Eu estou com a mamãe nisso — Diz Alice, com firmeza — Eles são amigos há dez anos, Bella. Você acha que isso não significa nada para Edward? Eu sei que ele finge estar bem com isso, mas você o conhece tão bem quanto qualquer um de nós... ele sente falta de Ravi. Eu acho que você deveria encoraja-lo a dar uma chance a amizade dos dois. É meio que sua obrigação.
— Alice... — Esme suspira, mas Isabella interrompe.
— Olha, gente, eu sinto muito, mas não estou no humor para isso agora — Ela respira lento com a dor nas costas, mas termina a sua torta — Eu sei que Edward não estava bem quando deixou Forks, vocês não precisam me lembrar disso, ok?
— Na verdade, não, Bella. Você não tem nenhuma ideia. — Alice rebate.
— Minha filha! — Esme briga, olhando feio para Alice e amolece ao ver o olhar chocado de Isabella para ela — Querida, não dê ouvidos...
— O que, mãe? Ela precisa saber. O Edward nunca fala sobre isso. E caramba, sim, eu queria chutar Ravi nas bolas por feri-lo dessa forma, trazendo tudo à tona novamente, mas o cara estava tão errado em desconfiar da Bella? Foi ele quem tirou o meu irmão da miséria e lhe deu um emprego de verdade. Ele sabe.
— Alice, chega!
— Eu não acredito que ele fez aquilo por inveja. Ravi só estava preocupado.
Isabella não entendia.
Tudo bem que ninguém – exceto eles três – sabia dos detalhes da discussão que afastou os rapazes. A decisão deles de esconder que Ravi tinha feito, de propósito, Edward pensar que ela estava se encontrando com Dominic quando já tinha voltado a se relacionar com ele, foi unânime. Ambos sabiam que o advogado tinha feito aquilo para magoa-lo por se sentir traído, então para não deixar a história mais longa do que já era, apenas admitiram à família que ele tinha insinuado que Edward estava muito envolvido na paternidade de Haven, quando podia não ser o seu pai biológico e isso porque Isabella tinha uma vida sexual ativa antes de se comprometer com ele. Todos ficaram surpresos, até revoltados com a atitudes de Ravi e tomaram as dores do casal. Bem, todos... menos Alice, aparentemente.
— Isso não foi o que aconteceu, ok? — Ela se vira para Alice, não se importando em esconder o seu aborrecimento — E eu não sei porque diabos você está defendendo esse homem quando ele acusou a sua única sobrinha de ser uma bastarda!
— Bem, sinto muito, Bella, mas não é a primeira vez que você engravida de um alegando estar apaixonada pelo o outro, né? — Alice ri um pouco com os lábios na ponta da garrafa pela metade de cerveja.
E é isso.
— Qual é a porra do seu problema? — A morena estoura, pulando para fora do seu banco, mas se apoia quando uma dor toma conta do seu quadril — Eu não posso acreditar que você apenas disse isso.
— E muito menos eu — Esme diz, soando escandalizada com o comportamento da filha mais nova — Você não tem respeito, Alice? Ela é a noiva do seu irmão!
— Mas a noiva do meu irmão não sabe do que diabos ela está falando, mamãe, porque nunca perguntou! — Ela retruca e bate a garrafa sobre o mármore, fazendo barulho e se vira para a cunhada — Por que você nunca quis saber o que aconteceu com Edward quando ele deu o fora de Forks e nos deixou para trás? Aposto que tem medo de ouvir sobre o quanto ferrou com a vida dele por ter aberto suas pernas para Emmett. E é por isso que Ravi não confia em você!
— Ok, isso é o suficiente — Esme levanta as mãos, dando-se por vencida e contorna a ilha, então pega Alice pelo braço e a sacode — Você soa como uma bêbada patética e está insultando a dona da casa. Eu não te criei para isso, garota.
— Eu estou fodidamente com fome! Onde é que está... — Uma voz masculina retumba na cozinha quando Emmett entra, enérgico como sempre, mas ele para assim que percebe o clima — Cheguei em má hora? Qual é o drama dessa vez?
— Oh, nada, estamos apenas esclarecendo algumas coisas. — Alice explica.
— Emmett, meu filho, você pode conseguir um pouco de água para Bella?
Ele olha para a morena que aparenta não estar se sentindo bem e se apressa.
— É claro.
— Como eu estava dizendo, Bella, eu realmente não aprecio que Ravi tenha feito o meu irmão reviver aquela merda que vocês o fizeram passar, mas eu não o culpo. Quando ele encontrou Edward naquela viagem, o homem não era mais o mesmo!
— Ah, pelo amor de Deus, porra — Emmett amaldiçoa, esquecendo a água e fechando a geladeira com força, fazendo a mãe pular de susto — Vocês estão falando sobre isso? Por que diabos foram desenterrar essa história maldita?
— Oh, cale a boca. Eu só estou dizendo a ela o porquê de Edward ter perdido as estribeiras quando Ravi lhe disse que Haven não era dele. Mas que puta déjà vu, não?
— O que? — Isabella respira.
— Emmett, me ajude a tirar Alice daqui. — Esme pede, sem sucesso em puxa-la para fora da cozinha, pois a mulher se afastava dela e permanecia sentada achando estar tendo uma conversa casual com Isabella.
— Não sejam dramáticos. Eu estou chegando no x da questão aqui. Você quer saber, não quer, Bella? — Alice pergunta, dobrando a cabeça para o lado para tentar ver o rosto da cunhada. Quando a morena assente lentamente, ela continua — Pois bem, como você está ciente que Edward foi embora dias após vocês dois nos dizerem que haviam dormido juntos, eu vou pular essa parte. Quando ele chegou na Califórnia, as coisas não melhoraram.
— Uma merda que eu vou deixa-la ficar aqui assombrando a Isabella. — Emmett ruge e cruza a cozinha, mas não vai para a irmã, e sim para a cunhada. Ele tenta fazê-la se afastar dali, quando vê que seus passos são incertos, ele xinga e não vê outra escolha além de senta-la novamente.
Nesse meio tempo, Alice continua.
— Meus pais estavam tão preocupados com ele, Bella! A minha mãe foi cortada por Edward quando resolveu tomar conta de vocês dois. Então os problemas com os seus pais começaram. Tivemos que te acolher, uma vez cientes da gravidez e ei, eu estava bem com isso, mas não estava bem com o meu irmão sofrendo há dois estados de distância, onde ninguém podia alcança-lo — Isabella puxa o ar, mas ele não vem fácil e queima a sua garganta. Junto com a dor, vem as lágrimas e logo ela se pega com a visão turva — O papai era o único a quem Edward ouvia, mas ele começou a beber e os meus pais decidiram que era melhor ele viajar até a Califórnia e contar a Edward sobre o bebê. Seria como arrancar um band-aid, sabe?
Isabella não sabia.
Nisso, Alice tinha razão.
Ela nunca tinha perguntando a Edward sobre como tinha acontecido, porque imaginava que tivesse sido uma grande bagunça. Ela não precisava de mais culpa naquela época ou quando eles estavam se reconectando. Até mesmo agora, as consequências das suas ações ainda eram um caroço difícil de engolir.
— Você sabe que está tudo bem agora, não é? — Emmett sussurrou no ouvido dela, vendo que sua irmã não pararia e Isabella assentiu, sem conseguir falar — Isso não importa mais agora. Vocês estão bem e vão se casar. Foque nisso.
— Então o papai viajou. O apartamento em que Edward morava era decente, mas estava uma merda. Era o mesmo que ele tinha escolhido para ficar com você, se vocês dois aí não tivessem... bem, continuando — Ela engole um novo gole de cerveja e engasga, mas se recupera no segundo após Esme tomar a garrafa dela e caminhar para o lixo — O papai se hospedou lá por uns dias para ver como ele estava se saindo e é claro que o Edward fingiu que tinha tocado a vida, estava estudando e indo a festas. Então, o papai foi chamado de volta e ele não teve escolha a não ser contar para o meu irmão que você estava gravida.
— Merda, merda, merda... — Ela sussurra, seus olhos grudados no chão.
— Ele ficou tão feliz, Bella.
Sua cabeça chicoteou para cima tão rápido que sentiu tontura.
— O que?
— Eu entendo a descrença, mas sim, é verdade. O Edward ficou radiante quando soube da sua gravidez e como um desequilibrado, começou a fazer planos de voltar com o nosso pai para acertar as coisas com você e leva-la para San Francisco.
— Mas...
— Sim, é claro que isso foi antes do papai esclarecer que o bebê era de Emmett.
O coração de Isabella despencou abruptamente.
Ela quase era capaz de senti-lo fazendo todo o caminho para baixo.
— Eu gosto que ele tenha sido o único a ver a sua cara de decepção. Eu não posso imaginar como ele se sentiu ao ir para o céu e ser arrastado de volta ao inferno em menos de cinco malditos minutos — Alice murmura com pesar, mostrando sentimento pelo o irmão — Em um momento, ele ia ser pai e tinha tudo para recuperar a namorada, então no próximo... ele entende que mesmo não querendo, Emmett roubou a sua chance. Não havia mais volta. Não haveria mais vocês.
— Oh, Deus... — Isabella lamenta com um suspiro tremulo e Emmett a abraça, sussurrando coisas em seu ouvido para consola-la — Eu sinto muito.
— Está tudo bem, querida — Esme se aproxima deles e toma o rosto da morena em suas mãos, se sensibilizando com suas lágrimas — Você não teve culpa. Não pediu por nada disso.
— Sim, Bella, foi um merda o que aconteceu e eu não te culpo por nada — Alice diz com uma voz cansada e Isabella não pode evitar, ela bufa com descrença. Em um segundo, ela é afiada como uma faca e no outro já soa doce — É sério, eu te amo como uma irmã, mas preciso que você entenda que o homem que te pediu em casamento esteve miserável por muito tempo por essa merda. Então, se o cara pisar na bola de vez em quando, não seja uma cadela e tente ajuda-lo, ok? Essa função tem sido de Ravi por anos, mas se você não vai permitir que os dois sejam amigos de novo, essa se torna a sua maldita obrigação.
— Você. Precisa. Se. Calar. Agora.
Um suspiro escapa de Esme quando ela reconhece a voz do filho do meio.
Ela ergue o olhar e balança a cabeça lentamente quando o vê furioso.
Absolutamente furioso.
Alice era a sua irmã, mas ela não deveria fazer a sua mulher chorar.
Nunca.
— Hum, oi, Edward. Eu estava...
— Eu sei exatamente o que você estava fazendo, Alice, apesar de não ter pego o show desde o começo. Agora, você tem cinco segundos para explicar o que no inferno há de errado com a sua cabeça, porra! — Ele grita, mas seus olhos caem sobre Isabella que soluça. Quando ele olha para Emmett, o homem se afasta imediatamente e lhe dá espaço.
— Eu estava apenas tentando avisa-la para cuidar de você.
— Eu não preciso de cuidados, Alice, que diabos?
— Está tudo bem, Edward, deixe-a — Isabella pede, agarrando a blusa dele e escondendo o rosto em seu peito. Quando ela respira o seu cheiro, tudo parece imediatamente melhor — Alice só me deixou ciente de algumas coisas.
— Não. Alice estava cavando uma história que foi enterrada por uma razão.
— Emmett, não piore as coisas. — Esme pede.
— Eu me preocupo com você, Edward. Se Isabella não sabe com o que está lidando aqui, ela não vai saber o que fazer quando algo der errado com você. Alguém deveria ter dito a ela o quanto isso te machucou ao ponto de subir na porra de uma moto e sair dirigindo por aí feito um maluco!
Então realização bate sobre Isabella.
— O acidente...
— O que, babe? — Ele sussurra, empurrando seu queixo para cima.
— Você me falou no dia de Ação de Graças que tinha sofrido um acidente com a moto onde quase atropelou uma garota que saiu de repente de um carro — Isabella repete, lembrando do quão nervoso ele ficou quando ela não tinha prestado atenção suficiente antes de sair — É disso que ela está falando? Você não viu a garota por que estava perturbado com a minha gravidez? Edward, você podia ter morrido!
— Esse é o meu ponto — Alice olha para Isabella como se ela finalmente tivesse resolvido a equação — Ele poderia, por ser estúpido e deixar vocês dois levarem a melhor.
— Não — Ele nega com veemência, então se aproxima do rosto de Isabella até que são obrigados a fechar os olhos e apenas se sentirem — Sim, eu estava chateado com tudo o que estava acontecendo, mas as minhas irresponsabilidades são minhas, querida. Cada decisão que tomei, certa ou errada, não partiu de ninguém exceto eu, ok?
— Ok... — Ela confirma, porque sim, ele está certo — Por favor, não faça nunca nada assim de novo. Você quer quebrar a sala novamente? Tudo bem, podemos redecorar depois, mas nunca mais dirija quando está fora de si. Eu não sei o que faria se...
— Eu aprendi a minha lição, babe, é por isso que peguei um táxi — Eles sorriem quando Edward interrompe, mas seu rosto duro não a engana – ele está tudo, menos satisfeito — Agora se você terminou de dar o seu ‘aviso’, Alice, eu aconselho que junte a sua merda e me encontre no escritório em quinze minutos. E eu quero dizer isso. Se você não estiver me esperado quando eu terminar com Isabella, eu venho busca-la e deixe-me esclarecer isso... — Ele estreita os olhos, deixando a irmã desconfortável no banco alto — 1, você não vai fodidamente gostar e 2, os pais não vão me impedir.
— Sim, Edward. A leve daqui — Esme pede, esfregando as têmporas — O almoço vai ser servido em breve, mas antes, Isabella precisa descansar um pouco.
— Não! Eu tenho que terminar a torta.
— Foda-se a torta, Bella, por Deus — Edward revira os olhos e a agarra o seu braço com firmeza, mas com cuidado e a puxa perto. Ele desliza um braço ao seu redor e caminha para fora da cozinha, mas chama por cima do ombro — Emmett?
— Deixe comigo.
Isabella não sabe o que o dialogo misterioso significava, mas ela não estava preocupada no momento. Ela só precisava descansar e colocar sua cabeça em volta do que tinha acabado de acontecer. Atento às suas necessidades, Edward a guia para fora dali e no caminho, eles encontram Renée. Imediatamente ela percebe que algo não está bem com a filha, mas o casal disfarça e mentem juntos, alegando que Haven estava deixando-a mais cansada do que normal – o que não era cem por cento invenção. Isabella não se sentia realmente bem há quase 48 horas.
— Você quer subir? — Edward propôs, mas não se surpreendeu quando ela disse que não. As escadas não eram boas amigas de Isabella. Se ela estava no andar de cima, fazia de tudo para não precisar descer e se estava embaixo, só iria para cima quando fosse realmente necessário — Tudo bem, vamos para o sofá.
Acostumado com o processo, o advogado reposicionou as almofadas de modo que ela não sentisse dor ao deitar e lentamente abaixou Isabella ali. Ela chutou para fora as sapatilhas e gemeu baixinho enquanto se ajustava no conforto do sofá. A TV estava ligada em um programa onde os comentaristas estavam falando sobre um jogo que tinha acontecido no dia anterior e ela imaginou que Jasper estava assistindo. Agora, ele não voltaria, pois, eram raros as vezes em que as pessoas se aproximavam quando ela e Edward estavam em algum tipo de... momento.
— Eu queria que estivéssemos na cama para poder abraça-la.
Isso a faz sorrir.
Isabella abre os olhos e olha para o noivo com carinho.
— Faremos isso mais tarde, querido — Ela promete — Você pode me ajudar a relaxar um pouco agora? As minhas costas estão me matando.
— Babe — Ele resmunga, fazendo careta por odiar não poder fazer muito mais por ela. Ao sentir suas pernas se remexerem sobre o seu colo, ele não hesita em tomar uma e começar a massagear dali até os pés gordinhos — Será que isso é bom?
— Oh, tão bom. — Ela geme, suas pálpebras tremendo para fecharem.
— Jesus, consigam um quarto — Jasper grita de algum lugar, fazendo Isabella rir depois de muito tempo — Seu pai está vindo aí. Ele vai chutar a bunda de Edward se vocês dois não pararem com isso no sofá! Ela ainda é o seu bebê, cara, respeite.
Edward bufa, mas não lhe dá qualquer atenção. Focando nos suspiros de apreciação da noiva, ele segue com a massagem e enquanto ela é feita, Isabella realmente amolece um pouco e quase não é capaz de manter os olhos abertos. O advogado registra o burburinho de pessoas atrás deles. Mason está gritando sobre algo, pedindo atenção e Rose o mandando falar mais baixo. Emmett se queixa sobre todos terem ficado sem sobremesa, então alguém o golpeia para cala-lo.
— Acho que o meu pai está colocando a mesa. — Edward anuncia baixinho.
— Você pode ir comer com a sua família, amor, eu estou bem.
— Eu não vou sozinho — Ele enruga a testa — Você está sem fome?
— Sim — Na verdade, ela tinha um pouco de fome, mas o desconforto barrava seu apetite e ficar deitada parecia muito melhor que um prato de comida — Desculpe.
— Tudo bem, nós podemos comer mais tarde — Ela não responde, então Edward hesita um pouco e estende a mão para acariciar o topo da sua barriga — Eu vou falar com Alice agora. Você vai ficar bem aqui?
Isso chama a sua atenção.
— É claro que sim, Edward. Eu estou ótima — Colocando a mão sobre a dele, Isabella lhe dá um pequeno aperto, seguido de um sorriso despreocupado que o acalma instantaneamente — Por favor, pegue leve com ela, sim? Eu percebi que algo sobre Alice não está certo e embora ela tenha sido um pouco cruel em suas palavras, a sua irmã não fez muito mais do que me contar o que vocês optaram por me esconder esse tempo todo.
— Não era a sua maldita função falar sobre isso com você e Emmett está certo, nós não falamos sobre essa história porque eu não quero falar sobre a história! — Ele pontua, novamente irritado com a merda da sua irmã — Eu não sei o que deu nela para trazer isso à tona sem mais nem menos, mas Alice deveria ter sido mais prudente e não coloca-la sobre stress.
— Nós estávamos falando sobre Ravi — Ela explica e Edward endurece, em parte por surpresa. Já fazia um tempo que ele não tinha quaisquer notícias do homem — Sua irmã o encontrou na outra noite e ele disse que gostaria de conversar. Esme acha que você deveria ouvi-lo e Alice também, mas porque acredita que ele tinha razão em ficar com um pé atrás comigo, você sabe, por causa de tudo...
— Aquela idiota! — Ele ruge, mas baixo para não chamar a atenção e aperta os olhos fechados antes de puxar o ar para os pulmões. Edward não pode acreditar que Alice apenas tomou as dores de Ravi. Ele sempre tenha sido bom com a sua irmã e tanto Alice quanto sua mãe, eram gratas pela maneira como Ravi o colocou sobre os trilhos e lhe ajudou a usar a raiva e frustração para subir em sua carreira, por isso, podia entender que não concordassem que ele deveria corta-lo da sua vida de uma vez, mas novamente... elas não sabiam que Ravi tinha mentido — Eu vou contar a verdade para Alice e eu tenho certeza que ela vai lamentar todas as suposições que fez antes de abrir a boca na cozinha. Você está bem com isso? Se quiser, eu...
— Sim, você pode contar, apenas não envolva Dominic — Ela respondeu rapidamente e Edward assentiu, concordando — Eu deveria estar chateada por você nunca ter me contado sobre o que aconteceu, mas estou mais triste por ter nos colocado nessa situação. Eu sinto muito pelo que fiz você pensar.
Seu peito doía por imaginar como aquele momento tinha sido para ele.
Sua ex namorada gravida, mas não dele, do seu irmão.
Cristo.
Alguém lá em cima não estava feliz com Edward.
— Querida, por favor, não seja ridícula — Ele sai do sofá e cai no chão ao lado dela, ignorando o incomodo nos joelhos. Ele toca o seu rosto quando os olhos dela começam a lacrimejar — Não foi sua culpa. Eu demorei um pouco para entender isso, mas você não queria ficar gravida do meu irmão. Você não estava feliz com tudo o que estava acontecendo, enquanto eu estava fodido na Califórnia. E eu não estou dizendo que gostei de viver tudo aquilo, mas não sou estupido e sei que mereci um pouco do que sofri por ter sido o namorado de merda que fui.
— Eu bati em você com um capacete — Ela argumentou, sua voz tremendo com a vontade de chorar e mesmo vendo-a sensibilizada, Edward não se aguentou diante da memória e começou a rir — Eu estou falando sério! Aquilo deveria ter bastado.
— Okay, babe, concordo com você — Ele sorri, inconscientemente tocando e acariciando o queixo que foi prejudicado na época — Mas não é saudável ficar voltando para o passado o tempo todo. O que foi feito de bom ou ruim, nos trouxe até aqui, certo? Você é aquela que acredita que as coisas acontecem por alguma razão e que talvez, por não sermos maduros o suficiente na época, o nosso relacionamento não iria a lugar nenhum. Nos últimos dez anos, eu fiz coisas incríveis com a minha carreira e você se aproximou dos seus pais, bem como fez ótimos amigos, trabalhou e conseguiu sua própria casa!
— Mas eu trocaria isso tudo para não ter ficado tanto tempo sem você...
— Eu também diria a mesma coisa — Ele concorda, então se aproxima e encosta a testa na dela — Mas isso foi antes de Haven. A verdade é que agora eu não alteraria uma única coisa no nosso passado se, em algum momento, eu soubesse que a teria assim... na minha casa, com o meu anel pendurado em seu pescoço e gravida da minha garota. Os últimos dez anos foram ruins porque eu não tinha qualquer esperança de tê-la de volta, mas se eu tivesse alguma ideia de que seria assim, caramba, babe, eu esperaria mais dez! Qualquer coisa por você, Bella.
— Qualquer coisa por você também, Edward. — Ela promete, sussurrando contra os lábios dele que estão passeando sobre os seus, apenas acariciando.
— Bom — Ele a beija — Então deixe tudo para trás. Por mim. Se você pôde me perdoar por ser um babaca mentiroso, eu posso perdoa-la por bagunçar as coisas com Emmett e assim nós seguimos em frente, de uma vez por todas, ok? Você vai me dar uma criança e me fazer o homem mais completo desse mundo quando se tornar a minha esposa, então esqueça os caminhos escuros pelos quais passamos e foque onde chegamos. No presente. Em volta de todos que nos amam.
— Sim, querido — Isabella concorda com um sorriso — E você me ama.
— Eu sou louco por você — Ele admite, rosnando de brincadeira e empurra um novo e apaixonado beijo em sua boca, se deliciando com o familiar cheiro de pitangas — Mas agora a minha noiva vai desculpar a minha ausência, mas eu tenho contas a acertar com a bunda bêbada da minha insuportável irmã.
— Tudo bem.
— Descanse um pouco, babe. Eu vou estar de volta em breve.
Eles se beijaram uma última vez antes dela se aconchegar e focar na TV.
Cerca de 45 minutos mais tarde, ela sentiu uma mão em seu ombro e ao piscar, Isabella se deparou com Edward vestido em suas roupas formais, novamente se agachando para ficar na sua altura. Ele tocou de leve o seu cabelo, mas não sorriu.
— Ei, querida.
— O que está acontecendo?
— Eu recebi a chamada de um cliente — Edward suspirou e ela entendeu que ele precisava ir. Seu noivo era um advogado criminal, o que significava que seus clientes tinham que chama-lo quando entravam em problemas e isso não tinha hora para acontecer. Edward tinha que ir até eles, muitas vezes antes mesmo das autoridades serem chamadas e ficava fora por um tempo — Isso não deve demorar, entretanto, então eu estarei de volta em duas horas, tudo bem?
— Sim. Você falou com Alice? — Ela pergunta, meio sonolenta.
Edward suspira.
— Tivemos uma longa conversa. Ela tem algumas coisas acontecendo e acabou descontando em quem não deveria. Também está arrependida de como falou com você, uma vez que lhe contei o que realmente aconteceu, mas não se preocupe com Alice. Eu disse que ela deveria te dar um tempo. Depois vocês... conversam.
— Depois — Ela repente, pensativa — Por mim, tudo bem.
— Ok, babe. Ótimo. Eu pedi para a sua mãe ficar com você. E caso-
— ... qualquer coisa aconteça, eu devo chama-lo no celular — Ela interrompe com uma risada baixa, acostumada às ordens dele — Eu sei, Edward. Pode ir tranquilo.
Balançando a cabeça para a sua impertinência, ele se inclina para frente e a beija na testa.
— Eu te amo. Te vejo mais tarde.
Com uma caricia em sua barriga, ela o assistiu partir e a porta da frente bater.
Uma hora mais tarde, Isabella acordou do seu cochilo com Renée sacudindo-a de leve. A morena gemeu para ser deixada em paz, suas costas haviam começado a doer novamente, assim como o seu útero parecia se contrair e ela não estava no melhor humor para conversar, mas quando a mãe insistiu sobre ter preparado um prato com um pouco de comida, ela fez um grande esforço para sentar-se e aceitar a refeição.
— Obrigada, meu bem. — Renée agradeceu, aliviada ao vê-la comendo.
Mason juntou-se a ela. Se sentou em frente a mesa de centro e começou a golpear seus bonecos com outros bonecos maiores, fazendo sons de socos com a boca.
Algumas colheradas mais tarde, ela viu que algo definitivamente estava errado.
Tanto que isso não passou despercebido por seu sobrinho que, arregalando os olhos e ofegando como nos filmes, levantou-se em um salto e se aproximou dela.
— Oh, está tudo bem, tia Bella. Você não precisa chorar, ok? Vou pegar uma toalha. E o seu segredo está a salvo comigo — Mason promete, então se aproxima mais e sussurra — Eu não vou contar para ninguém que você também molha as suas calças.
Em meio a dor, ela consegue rir enquanto se apoia no braço do sofá e levanta.
— Na verdade, querido, seria uma boa ideia chamar a sua avó.
Mason franze a testa e olha para a grande mancha no estofado.
— Oh, Deus. Agora, Mason! — Ela grita com a nova contração, assustando-o para fora dali e o ouve chamando por sua mãe — Certo, garota, devagar aí. Eu entendi.
Estava na hora.
*********
Ina-fodidamente-acreditável.
Edward rosnou ao passar por uma enfermeira grande que mantinha à sua frente um carrinho semelhante a esses que usam no serviço de quarto de hotéis. A mulher estava impedindo que ele dobrasse à esquerda do corredor, mas quando abriu a boca para adverti-lo sobre a sua pressa ao caminhar em um hospital, o advogado já tinha driblado os seus contornos e seguia em direção a sua família que estava toda reunida em frente a um quarto.
O quarto 2406 para ser mais específico.
— Como ela está? — Edward perguntou a Charlie, que acabara de fechar a porta atrás dele, parando ao seu lado.
— Oh, menino, você está aqui — Seu sogro desnecessariamente constata. Como ele é capaz de estar relaxado e sorrindo quando sua filha estava prestes a expelir uma criança por suas partes intimas, ele não tinha ideia — Isabella está bem, não se preocupe. Apenas mal-humorada. E eu diria que um pouco faminta.
— Não podemos conseguir alguma coisa para ela comer? — Alice pergunta, chamando a atenção do irmão que sequer havia notado a sua presença.
Ela estava de pé, acolhida por Jasper que estava atrás dela, descansando o queixo em seu ombro e parecia pensativo. Seus pais, ambos estavam sentados em um banco com espaço para mais três pessoas, ocupado por Rosalie que tinha Mason distraído com um celular em seu colo e Emmett logo ao lado, bocejando.
— Ela não está autorizada a comer, amor.
Jasper explica e o estômago de Edward aperta.
Ele esteve preso no trabalho pelas últimas cinco horas, muito mais do que achou que precisasse ficar e há quatro, sua mãe havia ligado para informar que Isabella estava com contrações e que levariam para o hospital. Nervoso, ele ficou no telefone com a noiva durante todo o caminho e quando disse que largaria o que estava fazendo para ir até ela, Isabella o proibiu. Ela foi firme sobre ele não estar perdendo nada, uma vez que examinaram o seu colo do útero e descobriam que só tinha quatro centímetros de dilatação. Ia ser um tempo até a ação realmente começar, mas ele não dava a mínima e queria estar com ela. Dez minutos de argumentos depois, Edward cedeu e voltou ao trabalho, mas não antes de fazer sua mãe prometer mantê-lo atualizado sobre tudo através de mensagens de texto. Assim, ele terminaria o mais rápido possível e iria encontra-las em seguida.
— Isso é muito injusto. Nós estamos aqui há muito tempo. — Alice protesta.
— Bem, querida, é assim que as coisas são — Esme murmura, segurando a mão do marido e entrelaçando os dedos nos dele. Carlisle olha para baixo e sorri — Você veio tão rápido que nós mal tivemos tempo de conseguir alcançar o hospital, mas o seu irmão? — Ela pergunta e olha para Edward com carinho, embora seus olhos brilhassem com diversão — Esse garoto me teve com fome, ansiosa e exausta por mais de dez horas. Até onde eu sei, Isabella está indo muito bem.
— Por todos os meios, eu os aconselho a não entrarem lá com alimentos — Charlie alerta, erguendo as sobrancelhas e balançando uma caixa vazia com a parte superior transparente. Se Edward estivesse certo, haviam biscoitos ali — Ela ameaçou atirar um sapato em mim se eu continuasse a comer na sua frente.
Os Cullen riem.
— Sim, eu não a vejo tão... agressiva, desde a adolescência. — Eles ouvem de Renée quando ela abre a porta e sai para fora. Ninguém perde que há farelos em sua blusa, então Edward apenas deduz que ela também foi expulsa do quarto — Agora você não furou nenhum sinal vermelho para chegar até aqui, certo, Edward? Sua mãe lhe disse que tínhamos tudo sobre o controle. — Ela repreende.
— Você quer dizer que ela não chamou por mim nenhuma vez? — Ele desafia, não respondendo que de fato, sim, ele havia ignorado um ou dois semáforos.
— Você sabe, mas gosta de ouvir, não é? — Renée sorri ao erguer o braço e tocar a bochecha dele com a palma da sua mão. Edward era um rapaz muito amado por ela e isso nunca foi segredo para ninguém. Embora fosse ‘durona’ e não gostasse de falar sobre os seus sentimentos como normalmente as mulheres faziam, ela chorou no telefone quando eles ligaram para lhe contar sobre o pedido de casamento. Isabella se emocionou com as palavras de felicidade da mãe, sabendo que este era um sonho dela sendo realizado. A delegada sempre disse que não estava ficando mais jovem, mas que partiria feliz se a deixasse com um homem bom, que amasse e cuidasse de sua filha. O homem em questão sendo Edward só confirmava as suas suspeitas de anos atrás: nada aconteceu por acaso entre esses dois. Eles encontraram o amor e o levariam para as suas sepulturas — É claro que ela choramingou um pouco, mas apenas quando as dores a pegam de surpresa.
— Merda — Ele xinga baixinho, pensando no que ela podia ter passado nas últimas horas sem ter a sua mão para segurar — Eu vou ficar com ela, então.
Edward puxa a maçaneta da porta para baixo, sentindo a mão de Renée dar tapinhas em seu ombro para dizer que tudo bem e empurra, tendo imediatamente a visão de sua noiva em uma cama. Ele estremecesse ao registrar seus olhos fechados, seu rosto bonito torcido em uma careta de dor e os lençóis sendo amassados entre os seus dedos.
Ela geme, então ele força seus pés a se moverem e a alcança em três passos.
— Ei.
— Edward — Isabella chora, agarrando em sua camisa e o trazendo para perto. Ele se inclina para frente e beija demoradamente a testa dela, não se importando com o suor começando a molhar o seu cabelo ao redor dali — Eu não entendo.
— O que você não entende, babe? — Ele pergunta, sentando na beirada da cama, do lado esquerdo dela e empurra os fios de cabelo para longe do seu rosto.
— Haven me fez molhar as calças e arruinar o seu sofá, agora ela não quer sair!
Edward gargalha da sua frustração.
O detalhe do sofá não passou despercebido, mas isso era assunto para outra hora.
— Ela provavelmente está envergonhada. — Ele brinca, piscando.
— Ou estava esperando por você. Nós assumimos que... oh! — Ela ofega e agarra o braço de Edward com tanta força que ele pula, não esperando por aquilo. Ele se desespera um pouco e tenta se soltar para chamar uma enfermeira, mas Isabella não o solta por pelo menos um minuto inteiro — Deus, eu odeio isso...
— Isso foi uma contração?
Isabella abre um sorriso fraco para o seu tom assustado.
— Sim.
— E quantas você já teve?
— Eu aposto que ela não está contando — Uma nova voz se faz presente no quarto e eles olham, encontrando o médico de Isabella sorrindo para o casal. Edward acena com a cabeça, mas ela apenas volta a fechar os olhos. A morena não está no humor para brincadeiras. É simplesmente irritante quando as enfermeiras aparecem super animadas por ela estar tendo um bebê em breve, quando ela tem que lidar com a dor, o desconforto e o enjoo antes de qualquer coisa — Nesse momento as contrações podem durar até um minuto e meio cada uma. Os intervalos serão provavelmente de três em três minutos.
— Ótimo. — Ela resmunga.
— Isso quer dizer que falta pouco, Isabella — Jason sorri novamente para ela, então olha o seu relógio e volta a encara-la — Eu te aconselho a aproveitar esse tempo entre as contrações para tentar relaxar. Edward pode ajudá-la a encontrar uma posição confortável para que possa esperar. E se sentir vontade de gritar, xingar ou gemer, por favor, sinta-se livre para isso. Nós estamos longe das outras mães aqui e se isso for deixa-la mais à vontade, perfeito.
Ela gostou dessa parte. E o Dr. Wallis também estava certo.
Quase duas horas depois Isabella estava com dez centímetros de dilatação.
E a ação começou.
Em algum momento, quando as contrações voltaram após uma pausa, ela sentiu uma pressão entre as suas pernas e entrou em pânico quando entendeu que tratava-se da cabeça da sua bebê. Isabella tinha recebido a sua peridural há algum tempo e lhe foi recomendado que não prendesse a respiração, apenas fizesse força quando seu corpo sentisse vontade, então ela fez por várias vezes em uma única contração.
— A cabeça já está coroando.
Alguém diz e Isabella se solta para trás, cansada.
— Você está indo muito, muito bem — Edward elogia, se aproximando para ficar diante do rosto dela que está avermelhado e suado pelo esforço. Eles tinham sido transferidos para a sala de parto e ele era o único com permissão de ficar ao lado dela. Embora em outro momento ele teria ficado maluco por vê-la experimentando tanta agonia, Edward estava excitado demais para conhecer sua filha — Só mais um pouco, babe. Empurre só mais um pouco e vamos ter a nossa garota aqui.
— Eu não quero f-fazer isso de n-novo — Ela chora, respirando pesado e seu noivo assente, sabendo que ela não está falando sério — Eu estou falando sério, porra! Eu não vou mais ter os seus bebês — Edward abre a boca para retrucar, porque veio de uma família com três irmãos e de jeito nenhum estaria se contentando com um único filho, mas Isabella é instruída para empurrar novamente e ele resolve ignora-la. Tomando fôlego, ela alcança a mão do ruiva e empurra, sentindo a sensação de ardor aumentar em sua vagina — Oh, Deus. Oh, Deus! Eu não...
Ela grita, agarrando nas barras ao lado da cama e Edward assiste, fascinado e assustado quando a cabeça da criança finalmente aparece e o médico começa a manuseá-la. O seu estômago vira e uma ameaça de vomito sobre à sua garganta de tanto nervoso. Ele volta a sua atenção para Isabella e lhe dá tanto conforto quando é possível. Então ela grita novamente, esticando o pescoço e apertando os olhos com força enquanto empurra, mas esta é a última vez, pois em seguida, o médico a tem em seus braços. Um pequeno bebê ensanguentado que berra ao primeiro sinal de que não está mais no conforto do útero da sua mãe.
— Eu consegui — Ela respira, incrédula — Eu não acredito que acabou.
— Você conseguiu, babe, meus parabéns — Edward sorri, optando por ignorar as lágrimas vazando dos seus olhos. Ele se aproxima da sua mulher e a beija inúmeras vezes, só parando quando uma enfermeira se aproxima e coloca a bebê – mais limpa do que antes – sobre Isabella — Jesus, querida... ela é tão linda.
— Ela é. Olhe esses dedinhos! — Isabella pede, fungando. Suas próprias lágrimas quase não a deixam ver direito, mas é impossível não se emocionar sobre como sua filha ficou mais calma ao ser embalada nos seus braços — Ela tem o seu nariz.
Edward ri, porque sim, é verdade.
Haven tem cabelo e os fios são claros, contrariando a imagem que ele tinha criado em sua mente. Ela estava avermelhada e ainda suja, mas o rosto era sereno e redondo. A pele parecia extremamente delicada e sua boca era semelhante à da mãe, mas seu minúsculo lábio superior era mais cheio que o inferior.
Perfeita.
— Ela tem que ser a coisa mais linda em que já pus meus olhos. — Ele suspira, se vendo incapaz de parar de olhar para a sua garota, principalmente quando ela se mexia e fazia sons de desagrado com a boca, então Isabella tinha que envolve-la.
— Isso porque nós a fizemos — Sua noiva ri. Ela aparentava estar muito cansada, mas o seu bom humor havia retomado e parecia pacifica a respeito de tudo que passou nas últimas horas – não era para menos, agora que finalmente tinha o seu pacote de luz em seus braços — É tão bom tê-la aqui. Nós te amamos muito, bebê.
— Agora ainda mais — Ele concorda, se abaixando e deixando um beijo gentil na cabeça da criança — Eu gostaria que pudéssemos mantê-la por mais tempo.
— Nós não podemos?
— Não, ela precisa ir. Provavelmente agora — Ele avisa, vendo uma mulher se aproximando. Com um sorriso de desculpas, ela estende as mãos para alcançar sua filha. Isabella hesita por um instante, não querendo soltar, mas ao notar que está começando a tremer, entrega Haven a enfermeira que a leva para os próximos cuidados — Isso é normal. É por causa da adrenalina — Edward explica, a fazendo sorrir do seu conhecimento de pai de primeira viagem — Eu deveria ir avisa-los.
Sim, sua família.
Devem estar todos apreensivos pela notícia.
Cansada, ela suspira e descansa na mão que ele tem encostada ao seu rosto.
— Tudo bem. Eu suponho que não estou indo a lugar nenhum.
— Não, você não — Ele brinca e a beija. Os lábios dela se movimentam muito pouco e os olhos que foram fechados, fazem um grande esforço para abrir. Então com um último selinho, Edward se afasta — Agora descanse, babe. Você está segura e o seu trabalho acabou por enquanto. Eu vou contar para eles a boa notícia.
— Certo — A morena concorda e sorri ao se despedir — Eu te amo.
— Eu também te amo, babe. Muito.
Ela suspira e fecha os olhos, ignorando que ainda há gente trabalhando nela.
— Isabella?
O advogado que já havia alcançando as portas, olha para trás e chama.
— Sim?
Ele sorri grande e bonito.
Tão grande como ela nunca tinha visto antes.
— Obrigado.
*********
— Eu só estou dizendo que você fez um ótimo trabalho naquele lugar pelos últimos anos e que ninguém te julgaria, caso decidisse descansar agora, querido.
Isabella suspira lentamente ao som da voz da sua mãe, mas não abre seus olhos. Eles ainda estão pesados de sono, porque era impossível dormir direito naquele quarto. Embora Edward tenha pagado por um lugar seguro e agradável, os procedimentos ainda eram os mesmos e sempre havia alguém por perto. Suas sonecas eram constantemente interrompidas, mas pelo menos agora ela era capaz de dormir em posições diferentes – pois Haven tinha lhe privado disso há algum tempo – e nunca havia barulhos vindos dos outros quartos no corredor.
— Renée, eu gosto do que eu faço e sou bom nisso — Charlie murmura, tentando manter a voz baixa e coça a parte de trás cabeça, fazendo um ruído — Você é mais do que bem-vinda a vir comigo e ver com os seus próprios olhos que Marta não é uma ameaça. Ela é apenas uma mulher gentil e uma velha amiga.
Oh, sim. Bem, o interesse de Marta era notícia velha.
Aparentemente Charlie era o único que não percebia que a senhora, apesar de respeitar o seu casamento, o via com os outros olhos ou pelos menos achava que era mais saudável ignorar essa informação, uma vez que trabalhavam juntos.
— Eu não tenho um problema com essa mulher — Renée mentiu, fazendo os lábios de Isabella levantarem em um sorriso preguiçoso. Sua mãe tinha um grandíssimo problema com a diretora da faculdade onde o seu pai lecionava, mas ela era a única a quem Renée confidenciava os seus ciúmes. Isabella tentou lhe dizer que não havia necessidade de se preocupar com essa senhora. Seu pai era um cara bem ‘conservado’ para a sua idade e Marta não deve ser a única a ter esse pensamento, mas isso não queria dizer que qualquer uma delas faria um movimento. O relacionamento dos seus pais era sólido e assim como Edward e ela, eles só ficaram mais firmes após tantos anos de briga e distancia — Só estou sugerindo que você se espelhe na decisão de Carlisle. Logo ele terá muito mais tempo para dedicar a sua família e seus projetos pessoais. Inclusive, se você largasse as classes, poderia estar muito mais presente na vida da sua neta.
Oh-oh.
Ela apenas puxou o cartão vovô babão para usar contra Charlie.
O homem chorou quando viu Haven pela primeira vez no colo de Isabella e sua esposa parecia que ia estourar de orgulho ao ver tanto da filha nos traços da garota, embora tenha havido um pouco de discórdia sobre isso. Esme estava certa de que ela era muito parecida com Edward quando pequeno e Renée se recusava a ceder, embora a mulher tivesse fotos para comprovar. Carlisle foi o mais controlado de todos – enquanto a maioria gritou, chorou e arrulhou para a bebê, ele manteve-se ao redor com um sorriso satisfeito no rosto. Feliz pelo acréscimo na família – sua primeira neta de sangue – e pela maneira como a criança uniu a todos como se nunca uma palavra ruim tivesse sido dita entre eles.
— Vocês podem, por favor, discutir os planos de aposentadoria de Charlie no corredor ou em outro momento? Isabella precisa descansar.
Esse foi Edward sussurrando.
Ouvi-lo pela primeira vez nas últimas horas a fez sentir saudade e quando ela abriu seus olhos e piscou para o cômodo, lembrou-se do porquê de estar com saudade.
— Eu não posso acreditar em você — Isabella riu, atraindo os olhos de todos no quarto; seus pais, o noivo e Alice que estava em seu notebook, em uma poltrona no canto da parede — Será que lhe deixaram ciente que há um lugar para Haven ficar e dormir que não seja os seus braços?
Edward sorriu, erguendo um pouco a filha.
Ele inclina o rosto para baixo, beija e funga na cabeça da sua bebê pesando 3,1 kg e medindo 48 centímetros. Sua cor é de um rosa saudável e ela está vestida em seu pijama branco com "a outra garota do papai" escrito em seu estômago e peito em um bonito tom de azul, que combina exatamente com a touca que cobre o seu cabelo e suas pequenas orelhas. Haven está profundamente adormecida em seus braços, como de costume e Edward aparenta estar satisfeito, como se tivesse nascido para ser o seu berço sobre pernas, não parecendo cansado, embora tivesse olheiras.
— Isso é culpa sua. Você gosta de dormir sobre mim, assim como ela.
— Tal mãe, tal filha. — Alice concorda com uma risadinha.
— Touché — Ela rola os olhos, mas sorri para Edward que está de pé em frente à sua cama. Sorrindo para o pacote de luz em seus braços, ela empurra as mãos em punho no colchão e impulsiona para cima, ignorando a dor no corpo. Infelizmente, a fizeram crer que o parto normal não a deixaria tão dolorida como uma cesariana e em partes, ela acreditava, mas isso não significa que 24 horas depois, Isabella já estava pronta para outra – ela ainda sangrava e tinha dores no útero, mas tudo era normal, segundo o seu médico — É muito tarde?
— São quase dez, querida — Renée responde ao se aproximar da filha e usa os dedos para pentear os fios selvagens para trás — Rosalie esteve aqui com Emmett para visitar as duas, mas não quisemos te acordar. Ela precisava voltar logo para Mason que estava com sua mãe. A pobre mulher não se sentia muito bem.
— Oh, tudo bem — A morena assente, um pouco decepcionada, quando seu pai chega mais perto e abraça a sua mãe por trás. Os olhos de Isabella passam pela suíte lentamente, notando que tudo está como antes, exceto por... mais flores e agora balões coloridos — Ei, que bonitas! Quem mandou isso?
— O vaso menor é de Miranda — O ruivo explica, então aponta com o queixo para os balões — Estes e o vaso maior, são de Dominic. As outras flores são de Elena.
— Isso é gentil. Lembre-me de telefonar para agradecer amanhã.
Isabella sorri com carinho para Edward.
Completamente focado no sono da filha, ele nem piscou sobre o fato de Dominic ter lhe enviado flores ao saber que ela havia dado à luz. Embora isso não fosse motivo o suficiente para aborrece-lo, o ciúme do seu noivo o fazia ignorar a razão algumas vezes, mas agora... apenas parecia que todo o resto não importava mais.
Era bom que essa questão tenha sido resolvida de uma vez por todas.
Agora só faltava uma e seguiriam sem nenhuma sombra pairando sobre eles.
Só faltava resolver Ravi.
Com isso, a morena olha para Alice que tinha tirado os óculos de grau e estava mordendo uma das pernas, olhando reflexivamente para a tela do seu notebook.
— O que você está fazendo?
— Comprando coisas de bebê. — Edward responde, ainda de cabeça baixa, mas Isabella quase pode ouvi-lo rolando os olhos.
— Alice não está... — Ela começa a negar, mas hesita — Está?
— Bem, eu não tinha nada para se fazer! — A mulher se defende, fazendo Charlie bufar e esconder o som sobre uma tosse fingida — Você dormiu por horas. Edward não me deixa ficar com Haven e a mamãe já foi para casa. Eu vi algumas coisas que a minha sobrinha poderia precisar e pensei “que diabos?”, então comprei.
Isabella geme, desabando contra o travesseiro.
Ela estava certa de que sua filha não precisaria de mais nada antes do seu primeiro ano, pois, Alice e Esme nunca faziam uma visita sem trazer-lhe alguma coisa. Chegou ao ponto de que ela precisou armazenar algumas das coisas em seu próprio armário, porque as cômodas de Haven estavam completamente preenchidas. O quarto foi arrumado no dia seguinte após os moveis chegarem e Edward insistiu sobre passar pela experiência de montar o berço sozinho. Foi uma exaustiva noite, mas ele conseguiu. O quarto da garota estava absolutamente lindo e parecia uma doceira com toda aquela decoração de fazer o dente doer.
Desnecessário dizer que Angela ficou com inveja quando viu pela primeira vez.
Ela mal podia esperar para ter uma menina e poder copiar a sua ideia.
Mas isso era um plano de, pelo menos, cinco anos mais para frente.
— Alice, eu aprecio isso, mas você precisa parar. Principalmente agora.
A moça bufou e rolou os olhos comicamente enquanto fechava o notebook.
— Eu já disse que estou confortável, Bella. Eu gosto de crianças e de coisas de crianças, mas não tenho a minhas próprias e não pretendendo mudar isso tão cedo, então você vai ter que aprender a lidar com isso — Alice explicou, exasperada por já ter ouvido sobre “se controlar” mais do que um par de vezes — Fale com Rosalie. Ela vai fazer você entender que é melhor ir com a maré e não lutar contra.
— Bem... — Isabella murchou, lembrando que Alice já tinha um sobrinho antes de Haven nascer e lhe arrepiava os pelos do braço só de pensar no quanto ela havia se metido na vida de Emmett e Rosalie quando Mason estava vindo para casa.
— E além do mais, eu estou trabalhando sobre ser mais responsável com o meu dinheiro. Jasper não gosta de como eu gasto aleatoriamente, embora eu possa pagar pelo que compro, então... tenha calma comigo, ok? Eu vou chegar lá — Alice responde e repete — Principalmente agora.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Alice foi capaz de se desculpar com Isabella algum tempo antes de toda a família fazer o seu caminho para o hospital. A morena não estava no clima, mas foi capaz de compreender que a cunhada não estava em um momento bom momento após ter sido demitida. O álcool apenas soltou a sua língua. É claro, ela gostaria de ser sabido da “história de Edward” de outra forma, mas saber já era bom e ela desculpou Alice quando a viu arrependida de ficar do lado de Ravi.
Para a surpresa de todos, porém, Isabella admitiu que Alice não estava errada em tudo. Se ela fosse uma boa mulher para Edward, se preocuparia com os seus sentimentos em relação ao amigo e o aconselharia a ter uma conversa definitiva com ele para chegarem a algum lugar. Se Ravi foi bom para o seu noivo por tanto tempo como Esme e Alice alegaram, ela esperava do fundo do coração que aquele homem não tenha se perdido ao longo do caminho.
Aquele cara, sim, valeria a pena conhecer.
E para isso, ela estava disposta a sondar o terreno.
Só assim veriam se ele merecia ser perdoado pelos seus erros.
Uma batida na porta a tirou dos seus pensamentos.
Ao olhar para a esquerda, ela viu e sorriu para a entrada de Jasper no quarto.
— Ei, bebê, é bom encontra-la acordada — Ele cumprimenta — Como você está?
— Eu me sinto bem, querido. Venha aqui, me dê um abraço.
— E eu me sinto incomodado — Edward rosna, interrompendo a interação dos dois, mas acostumado, Jasper o ignora e se aproxima da melhor amiga — Quantas vezes preciso pedir para você parar de chamar a minha mulher desse jeito?
— Quantas vezes você precisa pedir para entender que é uma perda de tempo?
— Você é um grande idiota. Se eu não...
— Ei, parem vocês dois — Charlie chamou, olhando de um para o outro — Edward, você sabe que o homem é família. Não seja todo superprotetor com a minha filha agora. É tarde para isso. E você, Jasper, não o provoque de propósito.
— Sim, senhor — O loiro concorda e pisca para Isabella com bom humor — Eu vim para ver como você estava e levar Alice para casa — Ele olha para a mulher em questão e sorri — Eu estou com o seu carro, amor, mas não o deixei no estacionamento, então é melhor nos apressarmos se não quisermos ser multados ou tê-lo movido de lugar. Você já está pronta?
Enquanto a mulher salta e se arruma, Isabella faz beicinho.
— Mas você mal chegou!
— Eu sei, mas é tarde e estou meio cansado, Bella — Ele se desculpa, fazendo carinha de coitado e beija demoradamente a sua testa — Amanhã à tarde, após as consultas, eu vou ter um monte de tempo livre e vou passar no apartamento.
— Tudo bem, desde que leve sorvete. — Ela concorda de má vontade, cruzando os braços embaixo dos peitos pesados com o leite materno.
— Agora dê-me aqui a minha afilhada — Jasper pede a Edward que endurece por um longo momento antes de suspirar e deixar a filha ir. Renée e Charlie riem de como ele a coloca nos braços do loiro como se a menina fosse de vidro, então fazendo cara feia, ele vai até a noiva — Sorvete, hein? Algum motivo especial?
— Apenas fome — Ela resmunga, deslizando para à esquerda para dar mais espaço ao advogado quando ele senta ao seu lado — Eu estive enjoada até hoje de manhã, mas agora sinto que posso comer todo o menu do IHOP!
— Tudo bem, babe, eu vou conseguir um pouco de comida para você — Edward promete, coloca os dedos embaixo do queixo dela e ergue seu rosto para cima, então ele a beija calmamente antes de tornar a olhar para Jasper e Haven — Eu vou sair para comprar alguma coisa para o seu jantar. No caminho, vou chamar a enfermeira para vê-la, ok? Tenho certeza que está na hora de Haven mamar.
E como se entendesse o pai, a garota escolher aquele momento para despertar e gemer nos braços de Jasper. Ele sorri largamente para a criança e conversa com ela, até que Alice reaparece e cutuca suas costas, alegando estar pronta. Isabella recebe a filha alegremente, imediatamente sussurrando coisas doces para acalma-la antes de abrir o decote do vestido hospitalar, fazendo Edward arregalar os olhos.
O homem tem um sério problema com amamentação em público.
Ele não gosta que ninguém veja os seios da morena.
E não surpreendentemente, todos são expulsos do quarto naquele instante.
— Você precisa de ajuda? — Ele oferece, com a carteira na mão.
Isabella olha para ele e sorri, sacudindo a cabeça. O movimento faz os seus cabelos balançarem e ficarem mais selvagens, o que a deixa fodidamente linda e Edward não é capaz de manter-se quieto. Ele mergulha para baixo e a toma a boca da noiva de uma maneira muito mais profunda que o beijo anterior. Para ele, era doloroso pensar que ainda tinha muitas e longas semanas longe dela, quando seu corpo implorava por isso, para se conectarem como antes – como um só.
— Eu te amo, porra, tanto.
— Eu também te amo, querido — Ela ri contra os seus lábios e empurra um selinho rápido ali — Apenas não amaldiçoe na frente de Haven.
— Você sabe que ela não pode entender, certo? — Edward pergunta segurando um sorriso — E muito menos repetir.
— Bem, eu prefiro não arriscar. Ela parece prestar bastante atenção em você.
— Oh, temos alguém com ciúmes aqui? — O ruivo provoca, arrastando o nariz da sua bochecha até a mandíbula, para então esconder o rosto no pescoço dela, a fazendo gemer com a sensação do seu hálito quente ali — Não fique, babe. Eu sei que nós não tivemos um momento a sós desde ontem e provavelmente não teremos nos próximos dias com toda a família ao redor, mas na primeira oportunidade que surgir... eu vou mostrar o quanto eu te amo e como sinto sua falta.
— Não podemos. — Ela lamenta.
— E não vamos, mas você sabe melhor que ninguém que eu posso ser criativo, certo? — Ele morde fracamente o pescoço dela, a fazendo ofegar e então se afasta com um sorriso de inocente de quem apenas não acabou de excitar sua noiva sensível e muito hormonal — Alimente a nossa garota, amor. Eu vou ficar fora por algum tempo e então, na volta, eu vou cuidar de você.
— Ok...
— Seja boa para a mamãe.
Edward usa o dedo para acariciar a bochecha de Haven e assim que ele deixa o quarto, a bebê começa a ficar inquieta e resmungar nos braços da mãe. Isabella a posiciona perto do peito. Por reflexo, Haven agarra um de seus dedos e se recusa a soltar, fazendo a morena rir. Imediatamente a menina se remexe, procurando o peito como se farejasse o cheiro do leite como um filhote de cachorro.
— Agora você não é mais tão a garotinha do papai, não é? — Ela brinca ao encaixar o mamilo entre os lábios da filha. A sensação ainda é estranha – muito estranha, mas menos dolorosa do que a do primeiro dia — Eu não posso te culpar. Se pudesse, também ficaria grudada nele tanto quanto possível, mas você também é esperta. Sabe exatamente quando vir para mim. O papai não mata a sua fome.
Haven suga com ferocidade, agitando os minúsculos pés.
— Você é tão linda. O seu irmão teria te adorado, sabia? — Isabella funga, sentindo lágrimas em seus olhos. Sempre tão emocional — Hoje, ele estaria com dez anos de idade. Na segunda-feira, ele iria falar sobre você para os amigos com muito orgulho. E por toda a sua vida, ele teria te protegido e amado.
Ela chora, então ri, mas se apressa para limpar quando uma gota cai sobre o rosto de Haven. Enquanto em sua mente, Isabella visualiza a imagem do garotinho, ela tira a touca para fora da cabeça de Haven e acaricia suavemente, alimentando-a.
— Mas eu tenho certeza que onde quer que ele esteja agora, ele irá guiar e cuidar de sua irmãzinha para se certificar que você viva tudo que ele não viveu, ok? Seu pai e eu vamos ajuda-lo nisso.
Te amando tanto quanto é humanamente possível.
— Bem-vinda, Haven Grace.
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