Erros de Sempre

21 Capítulo 20


Notas iniciais
Sim, eu sei que demorei um pouquinho, desculpem! Mas o capítulo está maior, então ninguém vai ficar com raiva de mim, né? hahaha Boa leitura (:

As pálpebras pesadas de Isabella piscaram para a luz quando seus ouvidos registraram o irritante barulho de uma buzina próxima. Limpando o canto dos olhos com os dedos, ela deixou um bocejo escapar e endireitou a postura para só então lembrar-se que estava na estrada pelas últimas quatro horas.

Diabos, não é à toa que adormeceu! Essas viagens a cansavam.

— Você está acordada agora? — Edward perguntou, soando cauteloso e ela virou seu rosto de sono em sua direção — Você esteve falando enquanto dormia.

— Oh, merda. O que eu disse?

— Nada alarmante, não se preocupe. Você estava murmurando sobre flores e pombas. Talvez uma igreja? — Edward ri devagar. Embora eles tenham dormido tarde e acordado cedo para não pegarem tanto transito, ele não precisou de mais do que uma dose de cafeína para manter-se ligado por todo o caminho. Era realmente impressionante — Foi difícil entender qualquer coisa com esse monte de baba escorrendo da sua boca.

— Ei, eu não estava babando, seu idiota! — Ela grita e cruzando os braços embaixo do peito, inclina o corpo para o lado da janela, ficando de costas para Edward. Mas em segundos, tem o polegar contornando seus lábios, só para ter certeza.

— Você sabe que eu estou brincando. Vamos, babe — Ele chama por cima da sua risada, mas ela não se move até que o sente puxar o tecido de sua blusa de mangas compridas — Apenas venha aqui. Me dê um beijo.

Como se ela pudesse dizer não.

Rolando os olhos, ela se endireita no banco e puxa fora o cinto de segurança para se inclinar sobre o largo console e beija-lo. Edward mantém as mãos no volante, mas se permite fechar os olhos e desfrutar dos lábios macios. Quando ele lhe cede espaço, a língua de Isabella brinca com a pequena abertura, mas não aprofunda o contato – pelo contrário, ela morde como punição e se afasta.

— Agora isso foi realmente desnecessário, Bella. — Ele comenta depois, lambendo com cuidado a área, antes de colocar o carro em movimento outra vez.

— Você totalmente mereceu isso.

— Eu quero dizer sobre o cinto — Edward rosna de volta e ela se apressa em colocá-lo de volta ao lugar. Se atrapalhando um pouco por causa da mudança feita nele para que não pressione a sua barriga, mas fique abaixo dela — Não faça isso outra vez, babe. Sei que não estava reclamando, mas não é seguro até que estejamos devidamente estacionados, está bem?

Segurando a língua para retrucar que ambos estavam parados em frente a faixa de pedestres, ela acenou em concordância. Se o alimentasse com farpas, apenas faria com que o caminho até a casa dos Cullen fosse desnecessariamente pesado.

— Ela está tão quieta lá atrás. Você acha que trazê-la foi uma boa ideia? — Pergunta Isabella, se virando e olhando Lola enrolada em uma bola dentro de sua caixa de transporte — Eu não tenho qualquer remédio para enjoo.

— Gatos não ficam enjoados — Edward bufou uma risada, mas a verdade é que não tinha certeza sobre essa informação. Amanda sempre levou muito bem as viagens que seus pais faziam e ficava eufórica a cada vez. Embora não esperasse a mesma reação de Lola, admitia que ficou surpreso em não ouvir nada dela durante as últimas horas — É sua primeira vez em um passeio tão longo. Assim que puder esticar as pernas e explorar o lugar, voltará a ser a mesma enxerida de sempre. Não se preocupe.

Isabella faz um som de incerteza.

— Eu cogitei pedir para Franco cuidar dela, mas tive medo de ter a porta batida no meu nariz. Nós realmente não nos falamos direito desde que a peguei após o aniversário de Charlie...

— E agora ele sabe que você se aproveitou de sua pequena paixão platônica por Jasper — Edward termina, balançando a cabeça em divertimento. Liga a seta e faz a curva para a direita — Mas eu gosto que estamos trazendo-a conosco.

Diante disso, ela sorriu. Na verdade, foi sugestão dele comprar uma caixa para que pudessem carrega-la para Forks no feriado. Eles não tinham planos de retornar no dia seguinte, então além de deixa-la sozinha não ser uma opção, Edward havia se apegado a gata. Enquanto estava em sua casa, Lola não lhe dava qualquer espaço para não se acostumar com a sua presença e a insistência valeu a pena. Não importa o quanto ele reclamasse, Isabella sabia que a pequena tinha conquistado seu coração a partir do momento em que ele tinha parado de gritar sobre suas calças caras cobertas de pelo cinza.

— Sim, eu também. Embora ache que deveríamos ter falado com seus pais antes.

— Aquela também é minha casa, Bella.

— Não tanto quanto é de Esme e Carlisle.

— Então?

— E se algo acontecer?

— Nada vai acontecer. Você não confia em mim?

— É claro que confio, Edward, apenas penso que ele...

— Bella, pare. O pai vai ficar bem.

Isabella realmente para e não porque ele pede, mas pelo tom da sua voz que encerrou a conversa, demonstrando aborrecimento. Teve vontade de retrucar que o médico era alérgico a gatos, mas se alguém sabia sobre isso era Edward e se ele não estava preocupado, por que ela deveria? Seu humor estava volátil esta manhã, mas ela acreditava que tinha a ver com o cansaço da viagem. Antes, ela era a única se esforçando para não explodir pelas piores besteiras e agora, aqui estava ela tentando aliviar as coisas para Edward porque ele merecia, é claro. Seu namorado não tem sido nada além de atencioso e gentil nas últimas semanas, fornecendo tudo que era necessário, inclusive lhe dando atenção quando seu horário era apertado. Sua falta de animação em estar de volta a Forks deveria vir dos problemas e preocupações que ele sempre tinha.

Erguendo a cabeça para olhar em volta da rua, ela avistou uma pequena loja de conveniência anunciando uma promoção e sua bexiga manifestou-se na mesma hora. Fazendo pressão por cima dos jeans, ela virou-se para o ruivo com os olhos quase suplicantes.

— Será que podemos parar ali por um minutinho?

Edward desacelerou o carro com a pergunta e suspirou.

— Nós estamos há dez minutos de casa. Tem certeza que não pode esperar?

— Sim — Ela geme em resposta — Você não vai ter onde lavar o carro se eu fizer xixi por toda a parte, então é melhor... — Isabella não precisou continuar. Sua ameaça surgiu o efeito esperado e logo ele estava parando.

Apressada, ela tomou a bolsa em suas mãos e empurrou a porta aberta, mas antes que pudesse pular para fora, Edward puxou seu braço com um grito que a fez cair de volta, sentada e com o coração soando nas orelhas. Mas que diabos?

— Edward, o que...

— O que dá na sua maldita cabeça para você achar que pode sair assim? — Ele grunhe, soltando-a antes que cedesse a sua vontade de aperta-la — Você nem olhou para fora antes de abrir a porta! — Edward grita, batendo o punho no volante.

— Ei, calma... — Ela pede, engolindo em seco quando percebe sua segunda imprudência em tão pouco tempo.

— Calma? Isabella, qualquer imbecil poderia atingi-la e joga-la para longe! Você está gravida, pelo amor de Deus. Tenha algum bom senso.

— Eu posso ver e sentir o quanto estou gravida, Edward! — Ela grita de volta, batendo a porta do carro fechada — Agora pare de ser histérico e me desculpe, ok? Eu deveria ter olhado antes de sair, você tem razão. Mas inferno, isso é Forks e a última coisa que penso quando estou aqui, é em um estúpido acidente de transito.

— Não há nada de estúpido nisso.

— Sim, é verdade, não tem. Eu sinto muito — Ela afirma outra vez, mas não recebe nada de volta. Edward apenas fica ali, perdido em pensamentos enquanto encara o para-brisa em silencio — Eu gosto que você cuide tão bem de nós, mas odeio quando perde o controle desse jeito. Nada de ruim vai acontecer conosco, amor.

— Você não pode saber — Ele solta a respiração que parecia estar prendendo desde o começo — Essas coisas... elas acontecem quando menos estamos esperando.

— Eu suponho que sim — Isabella concorda com certa relutância — Mas não precisava ter gritado e enlouquecido desse jeito. Você está sendo muito superprotetor!

— Bem, alguém tem que ser, certo?

Edward lamenta no segundo em que a frase deixa seus lábios, mas assim que ergue a cabeça para olha-la, ela está fora. Inferno. Ele pragueja em voz baixa quando parece que não pode sair do carro rápido o suficiente e acelera sua corrida até ser capaz de agarra-la, novamente, pelo braço enquanto ela tenta terminar de atravessar a rua mesmo com todos os outros veículos passando. Isabella tenta se afastar o toque dele, mas quando ela o sente atrás de suas costas, colocando uma mão espalmada em sua barriga, ela se acalma e abaixa o olhar para os próprios pés.

— Dê-me sua mão, amor — Edward pede, provavelmente farto de parecer um ogro puxando-a o tempo todo e ela não hesitou em obedecê-lo, assim era bem melhor. Conforto passou por ela ao olhar para o seu rosto e constatar alguma tensão, mas nenhum traço de aborrecimento. Depois de olhar atentamente para a sua direita, Edward deu um passo para frente e levou-a. Em segundos, eles estavam na calçada do pequeno comercio — Olhe...

— Talvez você devesse ter ficado no carro. — Ela solta, cruzando os braços, focando em uma lata de lixo para não ter que encara-lo e isso a faz perder o olhar de tristeza que atravessou o seu rosto.

— Não foi a minha intenção ser rude com você, eu apenas...

— Você foi! E não só gritou comigo, mas insinuou que eu não me preocupo com ela. Como você se atreve, Edward? — Ele se encolhe diante de suas palavras e das próprias ações, seus lábios formando uma linha dura — Eu posso não ser como você esperava que a mãe do seu filho fosse e ok, eu fui um pouco imprudente, mas caramba! Eu jamais faria nada para nos colocar deliberadamente em perigo.

— O que diabos você está falando? — Edward enrijece e a alcança, trazendo-a para os seus braços e segurando o seu rosto com as duas mãos para força-la a olha-lo enquanto ele admite — Nunca mais repita isso! Não há outra pessoa no mundo com quem eu queira viver isso, compartilhar essa experiência de ser pai, além de você — Ele afirma e sem resistir, planta um beijo demorado de boca fechada em seus lábios, como se para acentuar sua afirmação — Nós dois não temos experiência com bebês e fraldas, mas eu estou aprendendo e a cada vez que percebo o quanto eles são frágeis e como qualquer maldita coisa no mundo pode leva-las de mim, eu me apavoro completamente. Me desculpe.

Isabella estremece com o medo de algo acontecer com sua garotinha.

Deus não seria tão injusto ao ponto de fazê-la passar por algo assim de novo.

Puxando-o pelos ombros, ela afunda o rosto em seu pescoço. Inspirando devagar até que o cheiro dele a acalme novamente. Isabella o sente beijar o topo de sua cabeça e suspira antes de afasta-se um pouco, só o suficiente para olha-lo.

Com um pequeno sorriso, o deixa saber que aceitou suas desculpas.

— Eu posso lidar e entender as suas inseguranças, apenas não fale comigo daquele jeito novamente, está bem? Nós estamos seguras porque temos você. Não havia nenhuma chance de um carro me tocar só porque...

— Eu quase atropelei alguém desse mesmo jeito.

— ... estava com... espere, o que foi que você disse?

— A minha cabeça estava cheia e eu não estava pensando direito. Não deveria ter tocado na moto naquele dia, mas eu fiz e coloquei a vida de pessoas em risco — Ele conta, seu rosto tomado pelo arrependimento — Eu estava indo muito rápido e sequer vi o carro. Eles estavam parados, assim como nós e quando pisquei, ela estava do lado de fora rindo para alguém através da janela. Uma adolescente tão despreocupada quanto você, amor, que não me viu vindo e se eu não tivesse sido rápido o suficiente para desviar, sabe-se Deus o que teria acontecido com ela.

— Edward, eu sinto muito — Ela murmura, finalmente entendendo a razão de ele ter ficado tão assustado. As lembranças daquele momento deveriam tê-lo tomado com força — Ela ficou bem? Você saiu ferido?

Ele assente para ambas as perguntas.

— Sim, a garota não teve sequer um arranhão e eu... — Edward limpa a garganta e olha em volta, querendo evitar o assunto — Bem, você não notou nada faltando em mim, não é, Bella? — Ele brinca e enlaça sua cintura para impulsiona-la a começar a andar em direção a loja.

— Quando isso aconteceu?

O ruivo hesita por um momento antes olha-la e sorrir.

— Há bastante tempo.

— Mas então....

— Ei, eu acredito que alguém estava apertada.

Agora que você falou.

Ela fez uma careta quando sua bexiga a alertou de que estava para estourar.

— E por que você está vindo também?

— Preciso comprar cigarros.

— Mas eu pensei que você estava parando!

— Eu estou parando, babe. Só quero me prevenir.

Sim, é claro que a vinda para o final de semana também estava o deixando inquieto.

As coisas nunca acabaram muito bem com toda a família dele reunida e desta vez, haveria o acréscimo Swan. Ela também não estava confiante que a Ação de Graças seria passada sem qualquer tipo de drama. Carlisle estava animado para recebe-los e dar uma olhada em Isabella por si mesmo. Ele ainda não sabia o sexo do bebê, mas parecia mais ansioso a cada dia para livrar-se da culpa de esconder a gravidez de sua esposa. Isso quase a fazia sentir culpa, mas Edward foi firme em querer contar-lhes em um momento especial.

Eles se despediram e enquanto o advogado desaparecia na frente da loja para efetuar sua compra, Isabella tomava a pela lateral onde bem no final havia uma única porta com buracos. Por um momento ela pensou sobre eles estarem a apenas 10 minutos de casa, mas não seria capaz de aguentar – teria que fazer ali mesmo.

Ao chegarem, Isabella olhou ao redor e constatou que nada havia mudado.

O exterior da casa dos Cullen continuava intacto. Pequenos jarros de plantas enfeitavam o caminho que levava até a porta da frente, pintada em um tom escuro de vermelho, assim como os detalhes das janelas em meio às paredes brancas. Isabella tinha várias lembranças de ser pressionada contra uma daquelas colunas cujo o teto da entrada era apoiado. Seus lábios formigavam com as memórias vívidas de um Edward adolescente e faminto por contato físico, mantendo-a presa ali, completamente refém dos seus beijos e ela mal podia esperar para revive-las.

Quando o som do porta-malas se fechando é ouvido, ela gira a tempo de ver o advogado jogando a bolsa de couro dele sobre os ombros e puxando a mala média dela sobre suas rodinhas. Ela não perdeu seu tempo tentando ajuda-lo. Edward não permitia que ela pegasse nada mais pesado que um pacote de arroz quando estava em sua presença. A frustrava muitas vezes.

Isabella o assistiu subir os batentes e gritar por sua mãe.

Indo para o banco de trás, ela rapidamente notou que Lola estava alerta, pronta para sair da pequena caixa. A gata que, agora liberta, estava um pouco intimidada com o local novo, seguiu a dona assim que ela pegou suas coisas no banco da frente e correu quando viu Edward descer.

— O que há de errado?

— Ela não atende.

— Bem... você não está com as chaves?

— Não aqui. Desde quando mamãe costuma trancar as portas durante o dia? Quero dizer, é Forks, certo? — Edward pergunta como se fosse óbvio e rola os olhos antes de descer os degraus — Vamos dar uma olhada na parte de trás. Ela pode estar na cozinha.

Seguindo sua liderança, a morena caminha ao seu lado pela lateral da casa até a porta dos fundos. Ela observa o ruivo girar a maçaneta e com um clique, eles são capazes de entrar na espaçosa e iluminada cozinha de Esme Cullen. Assim como Edward esperava, algo estava acontecendo ali. Havia diversas vasilhas espalhadas ao redor, o chiado de uma panela de pressão no fogo, o barulho de um martelo atingindo a carne e várias cascas de legumes caídas e pisoteadas no chão.

Seus olhos não demoraram a focar na figura de Esme.

Ela estava espalhando pimenta sobre um pedaço de carne vermelha suculenta sobre uma tábua ao lado da pia e sequer os tinha ouvido chegando. Aproveitando-se disso, Edward colocou a bagagem deles encostada à parede e quase nas pontas dos pés, se aproximou da mãe. Isabella tapou os ouvidos e gargalhou com o grito de surpresa da sogra ao ser bruscamente abraçada e levantada do chão, mas assim que a mulher reconheceu o seu “agressor”, o som foi substituído por um choramingo dramático onde ela resmungava de saudades e apertava o filho do meio.

— Eu também senti a sua falta. — Edward afirma, sufocado.

— Querido, você parece tão magro — Esme avalia, tocando em várias partes diferentes de seu corpo — Tem certeza que está se alimentando direito por lá? Eu sei muito bem que basta vocês terem uma folguinha de mim que tudo sai do controle. Será que preciso ir a Seattle, Edward?

— Não, mamãe. Eu estou muito bem, obrigado, apenas ocupado. Agora o que você precisa, é cumprimentar a Bella ali. — Ele avisa, apontando para a morena que os observa com diversão.

— Oh, meu Deus! — Esme exclama, como se só agora se desse conta que tinha mais companhia. Largando o filho completamente, ela vai para Bella que a recebe de braços abertos, ansiosa por um pouco do seu carinho — É tão bom recebe-la de volta, Bella. Estou extremamente animada em ter a casa cheia!

— Obrigada, Esme.

— Você teve hospedes no ano passado, mamãe — Edward a lembrou e olhou para Isabella para explicar — Ela convidou uma dezena de parentes da Califórnia para jantar na última Ação de Graças, mas os quartos não foram suficientes e havia gente dormindo até no escritório do meu pai.

— Ora, você não tem do que reclamar, garoto! Você sequer estava aqui — Ela o estapeou no braço, mas acabou sorrindo para o casal — Eu só tive Alice conosco, na verdade. Emmett e sua esposa estavam o visitando em San Francisco, mas este ano a família está completa — Esme afirma olhando diretamente nos olhos de Isabella, deixando claro que ela era mais do que bem-vinda em seu lar — Oh... mas o que no mundo é isto?

Os dois seguem o olhar de Esme para um ponto no chão e encontram a gata cinza concentrada em usar a língua para limpar sua pata esquerda dos cascalhos do jardim. Com a rosto avermelhado de vergonha, Isabella se agacha para pega-la em seu colo e recebe uma breve lambida em sua bochecha como recompensa.

— Bem, esta é a Lola. Ela está ficando... conosco? — Diante do rosto inseguro da mulher mais velha, sua afirmação soou mais como uma pergunta. E se ela fosse perigosa para Carlisle? E se eles a odiassem? Por que ouviu o Edward? — Mas é claro que se isso for um problema, eu posso deixa-la com meus pais.

— Bella, eu te disse que ele ficará bem.

— Sim, com certeza — Esme confirma, elevando a mão para acariciar a cabeça de Lola — Carlisle não tem nenhuma crise alérgica há anos. Suponho que seja porque quase não temos esses bichanos no bairro, mas sei que se ele ficará muito bem. Ela pode ficar, desde que você a mantenha fora da cozinha e longe da sala de jantar, tudo bem?

— Muito obrigada — Isabella responde e faz cócegas na barriga peluda da gata, colocando-a deitada em seus braços como um recém-nascido — Viu só? Seja boa e vai poder estar comigo e com o papai pelo final de semana.

— Papai? — Esme engasga com uma risada e as pontas das orelhas de Edward ficam manchadas de vermelho. Ele coça a cabeça na parte de trás, murmurando um “não é nada” e desvia de Bella para alcançar as malas esquecidas.

As duas mulheres estão rindo agora.

— Lola é completamente apaixonada por ele. Seria difícil mantê-los separados.

— Ainda bem que não fizemos, então — Esme concorda com outra risadinha diante do filho envergonhado, mas vendo o puxão brincalhão em seus lábios — Edward, o seu quarto está pronto. Há tolhas novas no banheiro e eu desocupei o guarda-roupa para vocês. Toda a velharia está encaixotada no porão. Você não se importa, verdade? Não é como se coubesse naquelas roupas de qualquer forma.

— Claro, mãe, obrigado, mas eu poderia ter feito...

— Bobagem! — Ela o corta, balançando a mão — Agora vão. Subam lá para cima e fiquem confortáveis. Eu ainda tenho um monte de trabalho para fazer aqui.

— Eu volto em um minuto, Esme — Isabella anuncia quando Edward balança em concordância e se vira para sair — E por favor, aceite a minha ajuda. Os meus pais também virão mais tarde e Deus sabe que Renée não é capaz fazer nada comestível — Ela acrescenta com pesar quando Esme faz menção de descarta-la — Eu adoraria cuidar da sobremesa.

— Pois muito bem. Como quiser — Ela concorda com um suspiro. Estava acostumada a preparar grandes refeições para sua família e também por ficar sempre à frente do bufe nos eventos relacionados ao hospital, mas Isabella sempre seria uma companhia muito agradável. Ajuda lhe daria alguns minutos extras de descanso também — Enquanto você não volta, vou começar a providenciar alguns aperitivos para os rapazes, antes que eles ataquem a geladeira como os ursos famintos que são.

— Okay — Isabella solta Lola no chão — Eu volto logo.

A morena caminha, seguindo os sons de risadas masculinas e assim que alcança a sala de estar, vê seu namorado parecendo incrédulo sobre algo que seu pai está lhe dizendo. Carlisle está bonito em suas roupas casuais, mas elegantes, assim como a esposa e parecia ainda mais bonito. Edward era a cópia fiel de sua mãe, mas vendo os dois lado a lado, era possível ver com clareza todas as semelhanças – na postura, gestos e como o canto de seus olhos se enrugavam em todo sorriso. Logo atrás deles, está Emmett caído em um dos sofás, muito à vontade com os pés, cobertos por tênis, jogados sobre o vidro da mesa de centro. Concentrado em alguma leitura em seu iPad, ele não a viu chegando, mas meus olhos pularam exatamente para o seu rosto quando uma voz infantil gritou no topo dos seus pulmões.

— Big-Bells!

Antes que ela pudesse reagir, Mason voou, tão rápido quanto suas pequenas pernas podiam leva-lo e se Isabella não tivesse o pegado e erguido em seus braços primeiro, ambos teriam ido ao chão com o impacto.

— Ei, garoto. O que estão te dando para comer? Como você está grande!

Ela ri quando o menino envolve seus braços ao redor do seu pescoço e a abraça.

— Isabella — Edward, agora ao seu lado, rosna de brincadeira e encaixa as mãos embaixo das axilas do sobrinho, para puxa-lo de cima de sua namorada. Tentando não chatear o garoto, Edward o joga para cima com um impulso, o fazendo gritar de surpresa e alegria, mas o pega rapidamente de volta e prende em seus braços — O que eu lhe disse sobre segurar coisas tão pesadas?

Devidamente castigada, Isabella acena para afirmar que entendeu. Ela empurra seus lábios para fora, fazendo um biquinho e Edward não resiste ao convite. Com um gemido baixo em sua garganta, ele se aproxima e a beija, tendo certeza de não amassar o sobrinho entre eles. O contato não dura muito. Mason, cansado daquela demonstração de carinho, ri e coloca as mãos no rosto de cada um – empurrando-os separados. Em seguida, Carlisle se junta.

— Ora, ora! Alguém está ciumento — O homem cantarola ao se aproximar – sem especificar a quem se referia. Seus olhos caem sobre a namorada do filho e o sorriso em seus lábios para ela é genuíno — Bella, minha jovem, me deixe olhar para você. — Ele pede com seus olhos brilhando.

O abraço é rápido, assim como o beijo que ele deixa carinhosamente em sua testa, uma vez que sente a bolinha em seu estômago o cutucando. O casal, juntamente de Mason que sacode as pernas com impaciência, assiste com emoção quando o médico estende a mão e toca a barriga de Isabella pela primeira vez. Ele parece prestes a quebrar diante da mais clara evidencia de que seu primeiro neto de sangue está realmente ali – seguro e crescendo.

— Sem bem-vinda novamente — Ele sorri cheio de dentes para Isabella, cujos os olhos estão marejados — Você parece mais linda a cada vez que a vejo.

Um tom rosado toma conta dela e rindo, Edward envolve um braço em sua cintura. Ele a mantém assim e com Mason em seus braços, ele dá a Carlisle uma visão semelhante de como estará em alguns anos quando sua família estiver formada. Era algo que o médico ansiava há muito tempo, mas estava perdendo as esperanças de ver acontecer.

— Precisa de alguma coisa, querida?

— Muito obrigada, Carlisle. Na verdade, eu estava indo lá para cima quando esse rapaz saltou sobre mim — Isabella usa os nós dos seus dedos – o indicador e o médio – para apertar o nariz de Mason, que balança a cabeça para os lados na tentativa se se livrar — Será que nós fomos os últimos a chegar?

— De fato, sim — Ele afirma, agora torcendo as mãos uma na outra, como se para aquece-las. A essa altura, ela tinha notado que a casa estava um pouco fria. No final de novembro, a temperatura descia, os preparando para o inverno e ela já podia prever neve para os próximos dias — Alice está fora há algumas horas. Esme tem planos para uma sopa no jantar, mas acabamos ficando sem abóbora. Mas essa demora...

— Alice sendo Alice — Edward rola os olhos com diversão — Ela provavelmente está se atrasando de propósito para não ter que ajudar a mamãe.

— Oh! — Isabella bate na testa quando lembra que Esme está, provavelmente, esperando — Eu prometi que voltaria para preparar a sobremesa. Edward, nossas coisas já estão no quarto?

— Hum... não exatamente.

— O que isso quer dizer?

— E aí, Bella! — Uma voz grave grita e quando ela vira, encontra um sorridente Emmett — Ele quer dizer que me mandou levar as coisas lá para cima enquanto tinha uma conversa privada — Emmett fez aspas com os dedos para enfatizar a palavra “privada” e apontou com a cabeça para o pai — Com o velho homem aqui. Vocês estão planejando casar ou algo assim?

— Emmett Cullen! — Carlisle repreende.

— O que? Não negue que pensou a mesma coisa! — O filho mais velho insiste.

Emmett sempre teve a língua extensa demais para caber em sua boca. E se fosse esse o plano do irmão? A surpresa teria sido arruinada.

— Não há nenhum casamento acontecendo, imbecil — Edward retruca e Isabella quer se bater por se permitir sentir um incomodo no peito com a constatação. É claro que ele não iria propor só porque ela estava gravida. Edward não era esse tipo de cara. Ele não fazia nada porque era obrigado ou influenciado. Mesmo que eles não estivessem em um relacionamento romântico, o ruivo jamais abandonaria suas responsabilidades como pai, mas também não tomaria as de um parceiro por causa da criança — Eu só precisava deixar o pai a par sobre algumas coisas do escritório. Fique longe do meu negócio.

— Que diabos ele tem a ver com o seu escritório, cara? — Emmett perguntou, olhando para o par como se eles tivessem fumado alguma coisa estragada e vendo o embaraço de Carlisle, Isabella resolveu interferir.

— Ei, Emmett! Bom te ver também — Ela diz e aponta para a sua camisa esportiva um pouco maior do que o ideal, chegando ao meio de suas coxas — Parece que você está pronto para o jogo.

— Inferno, sim! — Ele grita e bate as mãos juntas, ganhando um gritinho de Mason, também de empolgação — Nós estamos realmente famintos aqui por alguns touchdowns, certo, homemzinho? — Emmett se aproxima e ergue a mão para um high-five com o filho que grita um “yeah!”, tentando enrouquecer a voz.

Garotos.

— Ótimo — Ela balança a cabeça — Posso me juntar a vocês?

— Hum...

— Babe...

Eles parecem incertos sobre como responder e Edward a chama com um sorriso fraco, meio sem graça, mas Mason é o único a ser sincero.

— Claro que não, Bells! — O tom definitivo do menino a fez arquear uma sobrancelha em sua direção, fazendo-o lembrar-se da própria mãe e suas bochechas coram imediatamente — É que meninas não veem futebol.

— E eu posso saber por que não?

— Porque elas não entendem? — Mason pergunta de volta, como se ele mesmo não soubesse o porquê de ser contra ter companhia feminina mais tarde.

Com isso, Isabella fez questão de jogar um olhar sujo sobre todos os três homens, os punindo por educarem o garoto dessa maneira. Eles encolheram os ombros como desculpa e Emmett teve a cara de pau de assobiar, desviando o olhar para a janela na lateral, como se procurasse por algo. Se ela não tivesse planos, definitivamente criaria raízes ali e ensinaria uma coisa ou outra a eles sobre machismo. Ela não era uma fã, mas tinha conhecimento sobre esportes no geral.

— Oh, vocês têm sorte que eu vou estar ocupada em breve, mas por causa disso, nada sai da cozinha até segunda ordem — Isabella afirma com um sorriso largo e malvado, fazendo todos gemerem e lamentarem a falta de comida — E Edward? Eu preciso me trocar. As malas. Agora!

O ruivo, ao notar que as coisas poderiam realmente esquentar – não no bom sentido – entre eles, se não contornasse a situação imediatamente, coloca Mason não chão com cuidado e se apressa para tomar as bolsas jogadas sobre o tapete no centro da sala. Revirando os olhos na direção do pai e do irmão que, visivelmente se divertiam com a cena, ele apenas segue Isabella para o andar de cima pela escada. De repente, o balanço dos seus quadris era mais importante do que qualquer papel que sua família estava fazendo sobre ele agora. Fodam-se eles. Isso é incrível.

— Jesus Cristo... eles nem estão morando juntos ainda e o garoto a segue abanando o rabinho como um cão — Emmett zomba, observando os dois desaparecem — Eu deveria saber que se alguém seria capaz de adestra-lo, seria a menina Swan.

— Deixe o seu irmão em paz — Carlisle pede, soando propositalmente cansado. Ele estava ficando velho demais para aguentar as briguinhas entre os filhos — É só a segunda vez de Edward em casa.

— Sim, eu vou dar-lhe isso — Com um aceno de cabeça, Emmett cede. Ele cruza os braços abaixo do peito com uma carranca pensativa enquanto observa o filho pular e tentar agarrar a ponta do tênis — Ele parece diferente, não é? Nada como o pirralho cheio de tesão que vivia se esgueirando para encontrá-la quando a mamãe o queria em casa, mas também diferente do cara com quem me encontrei pela última vez em Seattle.

— Eu concordo — O médico diz com uma risada lembrando-se de um Edward mais novo, empolgado com absolutamente tudo, como se nada pudesse dar errado em sua vida. Tão ingênuo — Eu admito que me assustei quando Esme me contou que ele estava se envolvendo com Isabella novamente. Como algo saudável poderia vir daquilo? Honestamente, eu não tenho ideia de como eles contornaram o que aconteceu ou se realmente o fizerem, mas valeu a pena aguardar.

— É, eles perderam muito tempo com o drama. Está bem que a gente fez merda, mas diabos, por que ele apenas não me deu uma baita de uma surra, dormiu com um par de putas para se vingar e rastejou aos pés da Bella por perdão? — Os olhos castanhos de Emmett rolaram para cima — Não, o idiota tinha que mantê-la afastada por fodidos dez anos.

— Sim, porque foi simples assim, certo? — Carlisle virou-se para o filho, dando-lhe um olhar incrédulo que o fez baixar a bola — Você não pensaria duas vezes antes de cair de joelhos em frente a uma Rosalie gravida do seu irmão.

Emmett deu de ombros, fingindo que o pensamento não lhe incomodava.

— Eu não tenho problemas em criar o filho dos outros.

— Você está fugindo do ponto aqui.

— Sim, papai, eu entendi. Jesus! Você não tem que me castigar de novo sobre o que eu fiz — Ele afirma, visivelmente perturbado com o assunto — Isso é passado. Está claro que todo mundo seguiu em frente, do contrário, os pombinhos não estariam aqui. Apenas... não traga mais isso à tona.

— Bom, isso era exatamente o que eu gostaria de pedir a você — Edward havia pedido para que ele preparasse o terreno para que o anuncio fosse feito tão cedo quanto possível, mas não era uma tarefa fácil de fazer sem levantar suspeitas — Seu irmão está em um bom lugar agora e deve ser estranho para Bella estar na nossa casa depois de tudo, então vamos manter as coisas calmas hoje, sim?

— É claro.

— Não precisamos de alarde. Temos algumas mudanças acontecendo...

— No escritório, certo?

Carlisle comete o erro de hesitar por um segundo.

— Eu sabia que aquele idiota estava mentindo! Você sabe de algo, não é? Vamos lá, papai. Você tem que me contar. Estamos todos em família aqui. É algo grande?

Se o médico não soubesse que ele iria insistir até obter alguma informação, ele riria. Seu filho mais velho sempre foi bom em guardar segredos na infância, mas isso era importante para Edward. Embora nada o fizesse mais feliz do que espalhar ao redor que Isabella estava a 4 meses de dar à luz ao seu neto, ele esperaria.

— Rapaz, você é mesmo neto daquela mulher.

— A mamãe não gosta que você fale assim da vovó.

— E quem é que vai contar para ela?

— Wooow! Nós temos um gatinho? — Mason grita com total adoração, atraindo os adultos e o olhos de Carlisle quase saltam do rosto quando ele vê o animal nos braços do garoto.

— Onde você conseguiu essa coisa? — Ele pergunta, cobrindo boa parte do rosto com o antebraço quando Mason se aproxima, feliz da vida com seu novo amigo.

— Não é uma coisa, vovô. É um gatinho.

— Uma gata, filhão — Emmett corrige — É uma fêmea.

— Sério? Podemos tê-la? — Ele ergue o rosto para o pai, os olhos gigantes de empolgação com a possibilidade de ter um animal de estimação — Mamãe disse que há uma gaveta livre na minha cômoda. Podemos coloca-la para dormir lá!

— Sim, eu não acho que seja uma boa ideia — Emmett nega — Sua mãe não é uma grande fã e sabe quem mais não iria gostar disso? A Bella.

— Será que vocês...

— Mas por que? — Mason interrompe o avô. A gata esfregando-se contra o seu pescoço sendo a única coisa o impedindo de fazer um grande beicinho para chorar.

— Porque ela é a dona — Ele explica, surpreendendo aos dois. Emmett vira para o pai e explica — Imagino que Edward disse que estava tudo bem trazê-la, já que estamos todos ficando para o fim de semana.

O rosto de Carlisle fica vermelho e, novamente, ele esfrega o nariz.

— Pois muito bem. Eu suponho que esteja tudo bem invadir a cama deles mais tarde quando eu não estiver conseguindo respirar. — Ele resmunga, mas se deixa derreter um pouco sob o som de Mason rindo com a gata.

O menino é um verdadeiro solitário.

Como ele poderia ficar com raiva de algo que o faz tão feliz?

— Apenas... mantenha essa coisa fora do meu caminho — Ele pede com um suspiro. Mason o ignora e Emmett sorri da alegria do filho — Eu vou estar no escritório. Me chame quando você convencer a Bella a nos alimentar.

— Ei, por que eu? — Ele grita quando o pai se afasta.

— Quem começou a banir as mulheres do jogo? — Diante do silêncio do homem grande, Carlisle volta a caminhar — Então estamos entendidos, garoto.

*********

Arrumar as coisas no guarda-roupa de Edward tinha levado mais tempo do que ela imaginava. Embora sua mãe tenha dito que se livrou das coisas velhas, ela tinha esquecido uma caixa cheia de recordes da adolescência dele e os dois tiveram um bom tempo desenterrando lembranças. O casal pendurou e guardou as roupas e sapatos juntos, mas Edward caiu na cama logo em seguida. Ele agarrou a namorada e tentou fazê-la desistir de descer, pois era visita e deveria ser tratada como uma, mas embora o quarto estivesse quente e convidativo, a morena estava animada sobre passar um tempo com Esme. Sem condições até mesmo para insistir, Edward sorriu cansado e adormeceu enquanto ela ainda o observava.

Ela expulsou as botas para substituí-las por sapatilhas confortáveis.

Após completar o quinto mês de gestação, suas roupas e calçados começaram a ficar inadequados. Ela estava usando as peças mais largas, mas com o a gravidez revelada de uma vez por todas ela teria liberdade de providenciar as coisas mais charmosas que as roupas de maternidade poderiam oferecer.

Esme lhe deu um sorriso amoroso quando Isabella apareceu entre os legumes, não parecendo nenhum pouco chateada com seu atraso e se ela fosse justa, deveria que admitir que a mulher tinha mesmo tudo sobe o controle e não parecia perturbada com a ideia de alimentar um pequeno batalhão – considerando que Emmett valia por dois pares de pessoas. Lembrar-se disso a fez olhar para o relógio no alto da parede. Quantas horas até os seus pais chegarem? Ela se sentia um pouco ingrata por chegar à cidade e não dizer oi. Isabella cogitou ficar com eles e voltar para jantar, mas sabia que esta era uma das raras folgas de Renée e seu pai merecia um tempo a sós com a esposa. O que eles fariam com essas horas livres? Ela preferia não saber.

— Então, onde está Rosalie?

Sentada em uma cadeira alta de frente para a ilha da cozinha, Isabella descansou o braço na pedra de granito. Sua mão ainda segurava a faca que usava para cortar as charlotas.

— Eu lhe disse para deitar-se um pouco — Esme responde, ainda de costas e lavando os talheres. Se a mulher acumulasse a louça suja, independentemente do tamanho generoso desse cômodo, as duas se veriam incapazes de continuar trabalhando — Mason pode ser complicado, às vezes, na hora de dormir e Rosalie estava com dor de cabeça devido à falta de descanso.

— Hum...

Isabella lembrava vagamente de uma noite onde acordou no meio da madrugada para encontrar Edward retornando para o quarto, em seu apartamento, parecendo tenso. Segundo ele, Mason teve um pesadelo e acordou chamando. Ela não tinha ouvido uma única coisa e sentiu-se um pouco culpada por não ter estado lá por ele, mas na manhã seguinte, o garoto parecia cheio tão animado quanto uma criança de 5 anos poderia ser. E se o que Esme lhe disse era verdade, o mesmo tinha acontecido hoje. O pequeno Mae sequer se lembrava de ter sentido medo durante o sono, mas seus pais sofriam as consequências.

— Ela é realmente boa com crianças, você sabe? — Esme elogia, mostrando seu apreço pela nora — Tem três sobrinhos os quais adora, um deles já é adolescente, mas ainda recorre a ela para um par de coisas — Ela ri e Isabella abre um sorriso diante da versão de Rose que todos amavam, mas que ela não teve a chance de conhecer — Nós sempre soubemos aqueles dois seriam pais excelentes, por isso os apoiamos muito na decisão de adotar Mason.

— Eu vejo como Emmett é com ele. Aquele homem não vai parar no primeiro...

— Ele não vai — Esme concorda e sua risada alegre enche a cozinha. Ela gostava de ser avó? Claro que sim. Isabella não tinha ideia porque estava temerosa. Apesar das circunstâncias terríveis na qual engravidou pela primeira vez, aquela senhora foi a única que nunca a fez se sentir como um problema — Eu não acho que Mason esteja pronto para ter um irmão e muito menos eles para se dividirem com outra criança, mas imagino que nos próximos anos a família estará crescendo.

Na verdade, muito antes disso, Esme.

— Você acha que eles serão capazes de ter... — Isabella pousou os dedos na boca, petrificada por estar sendo tão indelicada — Me desculpe! Isso foi horrível.

— Está tudo bem, querida. Outras pessoas perguntam, por que você não poderia? Embora eu aconselharia a não questiona-la diretamente — Ela responde engolindo em seco — Rose tende a ser... sensível.

Sensível? Ela usaria algumas palavras, mas com certeza esta não seria uma delas.

— Mas respondendo a sua pergunta, sim, eu absolutamente acredito que em algum momento isso vai acontecer.

— Bom. Eu realmente espero que sim.

— Eu não posso imaginar nada que faria Emmett mais feliz do que ver a esposa grande e inchada com seu filho dentro dela — Ela diz, seus olhos ganhando um brilho sonhador enquanto tirava da geladeira mais duas cebolas médias, dois talos de aipo e salsa fresca para que Isabella as picasse em seguida — Mas de qualquer forma, eles sempre têm uma opção. A primeira vez não foi fácil...

— Eu lembro de Edward ter comentado alguma coisa — A morena responde com um gemido enquanto tenta abrir um frasco de castanhas torradas — Algo sobre o pai biológico do garoto ter aparecido o querendo de volta, talvez?

— Sim, aquele bastardo — Esme rosna com raiva, surpreendendo Isabella. A mãe de seu namorado quase nunca xingava e ela sentia-se quase empolgada de ter presenciado uma das raras exceções — Mas esse não foi o real problema, porque aquele homem não poderia fazer uma única coisa para recuperar Mason, então ele apenas nos assustou um pouco, mas Edward conseguiu colocá-lo em seu lugar.

Isabella sorriu com orgulho.

— Eles tiveram alguma dificuldade em seguir com a adoção, porque apesar de Rosalie ter se mantido nos trilhos, sua ficha criminal a colocou em uma posição delicada com o serviço social.

Dito isso, Isabella pulverizou suco no chão. Sua garganta coçou e ela tossiu, engasgada com a informação. A santa Rosalie possuía uma ficha criminal? A mesma que se vestia com decoro, empinava o nariz e julgava as pessoas que não tomavam as mesmas decisões que ela, como se estivessem na idade média? Caramba, ela não viu isso vindo.

— Deus, Bella! Você está bem? — De repente, uma Esme preocupada estava atrás dela, esfregando suas costas enquanto o ataque de tosse diminuía — Respire devagar... isso mesmo. Sente-se melhor agora?

— S-sim — Ela responde em meio a pigarro — Eu acho que desceu pelo lugar errado. Oh, olhe essa bagunça...

— Tudo bem, querida, acontece.

— Certo, apenas me deixe pegar algo para limpar isso.

— Não precisa. As toalhas estão bem ali.

— Mas...

— Sente sua bunda aí — Esme ordena e calada, ela volta enquanto a observa se inclinar para as portas de um armário — Como eu estava dizendo, é claro que apesar dos dois possuírem empregos estáveis e uma casa quitada, os idiotas iam cismar com algo que aconteceu há tantos anos.

— Muitos mesmo?

— Sim, na adolescência — Oh, então ela também tinha sido uma jovem imprudente? Mas que hipócrita! Levou toda a sua força para Isabella não revirar os olhos — É claro que a mãe de Rose não foi de qualquer ajuda durante as entrevistas. Ela sequer queria que eles adotassem. Dizia que se Deus não permitiu que a filha engravidasse, é porque ela não estava apta para isso. Você pode acreditar nessa mulher? Eu não suporto ficar em sua presença.

Outch. Agora isso foi cruel, ela precisava admitir.

Embora nunca tivesse conhecido a Sra. Hale, sua primeira impressão sobre ela tinha sido péssima. Que tipo de mãe diz isso para sua única filha? Isabella quase sentiu pena da loira, mas se era sob esse tipo de influência em que viveu até sua idade adulta, ela podia começar a entender algumas de suas atitudes – mesmo que não as justificassem.

— Mas fomos capazes de convence-los a tomar a decisão certa quando chegou a nossa vez — Esme continuou, voltando da lavanderia sem os panos sujos após deixar o piso novamente impecável — A reputação de Carlisle é muito boa. A de Emmett, exceto por algumas brigas na faculdade, praticamente impecável e dado os fatos, seria ridículo que nos negassem Mason por alguma besteira.

— Eu fico feliz que eles tenham cedido — Isabella afirma com um suspiro, vendo tudo pronto para ser cozido e misturado para tornar-se o recheio do grande peru que Esme tinha em cima de uma tábua de corte — Mae é um garoto incrível. Eu mesma não sou capaz de imagina-lo fora da minha vida.

— Sim, eu te entendo, querida — Esme responde com um sorriso e desenruga o avental que usava por cima do vestido — Ouça, o que você acha de um molho de cranberry para colocar sobre o peru mais tarde?

Isabella fez uma careta ao sentir o gosto adocicado e azedinho em sua língua.

— Tudo bem, ficamos com o gravy, então. — Esme ri.

O molho feito com a gordura que cai do peru enquanto está assando, com uma base de farinha e caldo de frango também não parecia muito mais saboroso, mas ela deu de ombros.

Esme resmunga quando ambas ouvem um veículo se aproximando e por um segundo, Isabella se preocupa que o carro de Edward tenha ficado no caminho, mas o pensamento some em sua mente quando o rangido do portão da garagem sendo erguido chega até ela.

Quando a porta dos fundos se abre pela segunda vez naquela manhã, é Alice que entra por ela, seguida de Jasper cujos braços prendiam uma abóbora embaixo de cada um. Assim como Emmett e o filho, seu amigo estava em jeans e uma camisa esportiva. A dele, era cinza, com detalhes em azul escuro, assim como “Cowboys” estampado no centro em letras maiúsculas. Interiormente, Isabella orou para que o Dallas não fosse enfrentar o Steelers esta noite ou a família estaria com problemas. Ela já tinha visto como Emmett era competitivo.

Alice a agarrou em um abraço, quase a derrubando e a elogiou por um tempo, seu cabelo e fazendo comentários sobre sua pele – ignorando a mãe que reclamava sobre sua demora desnecessária e a falta de interesse em ajudá-la a preparar a refeição. Enquanto isso, Jasper ia e vinha dos armários, carregando novas panelas para Esme. Ela tocava a bochecha dele com carinho e o chamava de bom menino, fazendo o jovem médico enrubescer, mas apesar disso, Isabella pegou cada olhar especulativo que ele estava lhe dando.

Quando os homens no outro cômodo, gritaram, as orelhas de Jasper se ergueram como as do Scooby Doo quando o Salsinha balança aquela caixa de biscoitos e Esme sentiu-se obrigada a liberar o rapaz para se juntar aos outros na sala. Após um beijo na bochecha de Alice e outro na testa de Bella, ele voou para fora da cozinha, as deixando sozinhas para conversarem sobre coisas de mulheres.

E assim fizerem.

Mais tarde, Mason entrou em uma toalha branca simbolizando uma bandeira da paz para o pai, que vinha logo atrás, fingindo descaradamente estar arrependido só para obter um pouco de comida. É claro que nenhuma delas foi capaz de resistir os olhos grandes e curiosos do garoto vasculhando todos os pratos já prontos e dispostos no balcão, então Isabella organizou em uma travessa com vários pãezinhos recheados, recém-saídos do forno e semelhantes a um brioche.

Enquanto ela trabalhava na sobremesa, uma saborosa torta de maçã, Alice aproveitava a privacidade de estar só com as duas para revelar à mãe que havia aceitado o convite de Jasper para ir ao Texas no mês seguinte. Dizer que Esme ficou surpresa com a decisão, era um eufemismo. A filha era viciada em trabalho e em dezembro, as coisas ficavam agitadas na revista. Vê-la se ausentar de boa vontade para passar algum tempo com o rapaz era... promissor.

Isabella tinha certeza que os dois voltariam comprometidos.

— Alguém pode me dizer de quem é aquela... — Uma voz suave interrompeu uma onda de risos das mulheres — Ah, é claro — Rosalie azedou ligeiramente ao ver Isabella com o rosto sujo de farinha ajudando a sua sogra em seu lugar — É bom vê-la novamente, Isabella. Como tem passado?

Dentro de uma calça jeans de lavagem clara, sapatilhas e uma blusa de frio na cor de canela, as duas mulheres estavam muito parecidas visualmente. Exceto que Rosalie usava um bonito cachecol para proteger seu pescoço e mantinha os fios dourados presos no topo da cabeça em um coque desleixado, enquanto Isabella tinha o cabelo solto – um pouco bagunçado – emoldurando seu rosto.

Bem, se ela ia ser cordial...

— Oi, hum, eu estou bem — Ela sorri de leve — Lola está incomodando você?

— Lola não incomoda ninguém. — Alice rola seus olhos.

— Apenas Carlisle — A loira retruca, parecendo quase satisfeita — Por sorte, ele ainda tinha remédios suficientes. Você não acha que teria sido prudente avisa-lo com antecedência, Isabella, uma vez que estava trazendo para a casa dele um animal que desperta sua severa alergia?

E aqui vamos nós.

— Eu n-não... — Ela gagueja sentindo o rosto ficar quente de vergonha. Ela sabia que era uma má ideia! — Eu apenas confiei no que Edward me disse.

— E ele estava certo — Esme interrompe as duas, sua voz soando quase desdenhosa — Pare com isso, Rosalie, você sabe muito bem que não há nada de severo no problema do meu marido. Ele estará espirrando algumas vezes ao redor e isso é tudo. Carlisle só tem que se manter longe dela.

— Isso vai ser meio difícil com a gata empoleirada nas costas de Edward. — Diz a loira, achando graça da situação e caminha até a pia, onde molha uma esponja para começar a limpar.

— Ele já acordou? — Isabella pergunta e novamente ergue os olhos para o relógio. Surpreendida, ela suspira com a quantidade de horas que passou ali sem perceber.

— Sim. Está com os outros vendo TV e não importa o quanto Mason tente chamar a atenção daquela coisa, ela é toda sobre Edward.

As mulheres riem.

— Você se sente melhor, Rose? — Alice a olha com carinho, mas com a menção da sua dor, ela fez uma careta e aperta as têmporas, balançado suavemente a cabeça para dizer que não — Nós temos Tylenol aqui em algum lugar. Vou procurar.

— Sim, faça alguma coisa, querida — Esme pede com uma falsa doçura que tem as mulheres rindo mais uma vez, exceto Alice — Tirar selfies com o seu celular não é realmente de grande ajuda.

— Mamãe, por favor, nós fazemos aquilo que fazemos de melhor — Ela balança a mão ao redor para demonstrar — Eu estou atualizando as redes sociais, escrevendo para os parentes e recusando convites para cear. Você fez a comida.

— Merda... — Isabella sussurrou por baixo da respiração e olhou para Rose que, surpreendentemente, compartilhou com ela um sorriso sem graça.

— Alice, quer mesmo que eu relembre que você não era tão jovem assim na última vez em que a tive nos meus joelhos por me dar uma resposta como essa? — A voz da Sra. Cullen esfriou — Eu não ligo para a sua idade ou para o quanto o seu corpo esticou, quando você está na minha casa, você me respeita e faz o que eu mando. Estamos entendidas? — De olhos arregalados, Alice assente — Bom. Agora dê o fora da minha cozinha e consiga o maldito remédio de uma vez.

Em um piscar de olhos, não há sinal que ela esteve ali.

O silencio continua até que Esme solta:

— Agora eu mandei ver, não foi?

Isabella deixa sair a gargalhada que estava prendendo e Rosalie se perde, se juntando às duas. Ela tinha lágrimas nos olhos, não apenas pelo o olhar aterrorizado de Alice ao ser repreendida na frente das amigas, mas porque Esme é uma grande figura e raramente age como todos esperam.

Novamente, Alice demora mais do que o necessário para voltar, mas após ter Rosalie medicada, ela – com o rabo entre as pernas – se une a cunhada na limpeza dos utensílios. Até que tudo está pronto, desde as refeições – em sua maior parte – até a organização, é tarde e os homens invadem a cozinha.

Alguns com fome, outros apenas com saudade.

O caso de Edward.

— Eu não posso acreditar que você apenas passou a tarde aqui e ainda cheira tão malditamente bem — Ele resmunga com o nariz pressionado contra a pele delicada do pescoço de Isabella que se se arrepia com o contato. Ela tem respondido malditamente bem aos seus toques, o tempo todo. Era delicioso — Eu gostaria que nós pudéssemos subir para o quarto agora e então...

— Ei, bro! Quer um pouco?

O casal abraçado olha para Emmett que ergue uma caçarola para oferece-la. Edward bufa, mas Isabella sente o roncar de sua barriga contra as suas costas. Ele acena para o irmão que volta a se servir junto com os outros e aperta a namorada contra a seu pau, mostrando que o estômago não era o único desperto no momento.

— Vamos lá, eu vou fazer o seu prato.

Isabella o puxa pela mão, mas ele a puxa de volta, fazendo-a retroceder uns três passos. Confusa, ela olha para trás.

— O que?

— Você já fez o suficiente por hoje, babe. Vá para sala — Ele ordena, apontando para a saída com a cabeça — Espere por mim. Vou colocar a nossa comida.

Isabella sorriu agradecida para ele, sabendo que não fazia sentido discutir e embora tivesse ficado sentada boa parte do tempo, estava mesmo um pouco cansada. Ela acompanhou Jasper até os espaçosos sofás na sala de estar e se acomodou. A TV transmitia propagandas aleatórias, mas o som era alto, uma vez que estava ligada a um home theater. Aos poucos, um por um foi chegando e tomando seu lugar.

O advogado foi um dos últimos a voltar e a fez rir tentando equilibrar dois pratos em seus braços, mais um copo de refrigerante e uma cerveja aberta para ele. Enquanto Emmett alternava entre as dezenas de canais que transmitiam notícias sobre os jogos e estádios, Jasper estava tentando convencer Alice a deixar de fazer beicinho e comer. Rose e Mason eram os únicos sentados no tapete. Carlisle saboreava a refeição com calma ao lado de Esme e de vez em quando, se inclinava para soprar-lhe elogios em seu ouvido. A mulher mais velha suspirava de prazer e se derretia em seu ombro. Edward, observando os pais, balançou a cabeça e sorriu antes de beber um gole da Budweiser.

Aproveitando-se da distração, Isabella segurou em seu queixo e pressionou os lábios nos dele. Edward a beijou de volta, mas a freou quando ela passou a língua e tentou infiltrar-se em sua boca. A morena riu e escondeu o rosto em sua camisa.

— Sua trapaceira — Ele grunhe baixinho e cutuca seu lado, leve o suficiente para incomoda-la, mas não para fazê-la pular — Você só pode ter um gosto.

— É tudo o que eu preciso... por enquanto.

— Oh, cara. Isso é muito bom — Emmett geme de boca cheia. Ele estava em seu segundo prato, este mais abarrotado que o primeiro e quando sua mãe tentou fazê-lo se conter ou não teria espaço para o jantar, o homem grande apenas riu como se dissesse “não seja tola” — Eu preciso vir para casa mais vezes.

— Ele tem razão, garotas, a comida está maravilhosa — Carlisle elogia com um sorriso satisfeito — Obrigada, querida — Ele beija demoradamente a bochecha da esposa e pisca para Isabella — E a você também, mas é claro que não precisava.

— De nada. — Ela responde, encolhendo-se contra Edward que ri baixinho e abraça de lado, adorando senti-la contra ele — Alice comprou as abóboras. — Isabella diz, quase timidamente e todos riem do seu lembrete, mas sua amiga realmente lhe sorri em agradecimento.

— Sendo assim, eu também mereço algo por deixar a cozinha de volta a como se não tivesse sido usada. — Rosalie diz em tom de zombaria e Esme envia-lhe beijos barulhentos, mostrando o seu apreço por não ter que lidar com aquilo.

— Mas então, podemos partir para a sobremesa?

— Jesus Cristo, homem, controle-se — Jasper grunhe, acotovelando-o — Se continuar comendo desse jeito, dentro de um minuto você vai estar peidando em volta de nós como um maldito cavalo.

Rosalie estremece com nojo.

Esme fecha os olhos e Carlisle aperta sua coxa, controlando a vontade de rir.

Jaspi disse uma palavra feia.

— Eu não disse.

— Sim, você disse.

— Eu não. — Ele nega estufando o peito para fora.

— Você sim! — Mason grita de volta e Rose tem que envolver a mão em seu rosto para fazê-lo parar. A criança não gostava de ser contrariada — Diga a ele, mãe.

— É uma palavra feia na minha casa, Jasper.

— Ainda bem que não estamos lá, certo?

— Agora chega vocês dois! — Esme grita, seus olhos pulando de um rosto para outro, incrédula que todos estivessem se comportando como crianças do jardim de infância — Vocês rapazes, levantem suas bundas daqui e recolham os pratos. Eu quero tudo na lavadora agora mesmo.

Os homens gemeram em conjunto, mas não se opuseram porque sabiam melhor que isso. Carlisle foi o primeiro a começar a empilhar a louça suja, Jasper se juntou logo em seguida e Emmett precisou tomar um tapa atrás da cabeça para sair do lugar e deixar de importunar Mason na tentativa de escapar da tarefa.

Enquanto isso, Edward estava usando a língua no ombro de Bella para deixa-la excitada e incomodada entre as pernas, ignorando a mãe e a cunhada totalmente.

— Amor, por favor.

— Eu quero você — Ele sussurra ao contornar a clavícula dela. Se alguém olhasse, pareceria um toque inocente, mas Edward roçava propositalmente o pulso nos seios doloridos. Aquela área só estava ficando mais cheia e ele adorava atormenta-la ali até leva-la ao orgasmo — Vamos lá para cima. Eu não estou mais cansado.

— Desculpe, mas nós temos planos — Isabella geme em sua boca quando ele rouba-lhe um beijo cheio de más intenções — Alice quer fazer o nosso cabelo e todas essas coisas de, hum, meninas...

— Eu posso te dar o inferno de um tempo muito melhor que a minha irmã.

— Sim, tenho certeza que sim, amor. — Ela ri e o olha por baixo dos cílios. Seus dentes prendem o lábio inferior, dando-lhe um ar sensual que faz as bolas de Edward doerem.

— Ah, não! — Alguém grita e assusta os dois. Quando olham, encontram Emmett carrancudo usando o avental da mãe — A não ser que você possua a vagina nessa relação, o seu lugar é na cozinha limpando com a gente e não pressionando a Bella no sofá.

— Foda-se, idiota.

Ele xinga, seu sangue subindo por ser interrompido com Bella pela segunda vez, mas assim que sua mão macia o toca no rosto, ele esfria de um jeito bom.

— O idiota tem razão, Edward.

— Claro que tenho. Vamos, mova a sua bunda para cá!

— Cale a boca — Ela grita de volta, então se inclina e beija a boca do ruivo repetidas vezes até senti-lo amolecer — À noite, babe. Eu prometo, ok?

A noite chegou antes mesmo que ela pudesse soltar a respiração.

No banheiro, Isabella lavou e raspou cada parte importante de seu corpo – ordens de Alice. Ela estava prestes a ligar o chuveiro para tirar toda a espuma quando a cortina foi afastada abruptamente e ela quase saltou para fora de sua pele. Com mandíbula travada, Edward a atacou por trás, a fazendo dar um gritinho, seguido de um longo gemido quando ele estapeou sua bunda. As mãos dele escorregaram para frente e suas pernas se afastaram por contra própria quando ele usou dois dedos para afastar seus lábios, enquanto os outros testaram sua umidade e esfregaram a pequena protuberância na parte superior do seu sexo. O pau duro de Edward estava na base de suas costas, tão pronto para ela que a deixou se contorcendo para senti-lo em seu interior. A essa altura do campeonato, era fácil a deixar excitada e sentir a evidencia do desejo do ruivo por ela contra sua pele aquecida era mais do que o suficiente para deixa-la maluca. Isabella empinou a bunda e se mexeu para cima e para baixo, fazendo o eixo de Edward deslizar entre o estreito vão entre as bochechas. O homem grunhiu de tesão e não resistiu a dar-lhe outro tapa – agora em sua buceta fechada.

— Por favor...

— Você não tem que pedir — Ele rosna, soando ofegante e necessitado. Puxando o seu quadril para trás, encontra sua entrada e empurra de uma vez — Ah, porra!

Edward não foi fundo o suficiente para machuca-la, é claro, mas também não deu-lhe tempo para se acostumar a tê-lo ali. Isabella estava quente, molhada por dentro e havia insistido para que ele não a tratasse diferente por causa da gravidez, então assim ele tem feito. A tomando exatamente como o tesão exige.

Sensível, Isabella tinha certeza que chegaria lá apenas sentindo-o deslizar para dentro e fora de seu corpo, mas o ruivo não recuou. Ele brincou com seu clitóris até que ela estava gritando contra os azulejos e as pernas tremulas quase não a sustentava. Edward a segurou e estocou, perseguindo seu orgasmo que veio rápido e duro como um tiro, o fazendo jogar a cabeça para trás e fechar os olhos.

Transar sem camisinha com ela ficava melhor a cada vez.

Isabella resmungou sobre estar sonolenta quanto Edward a fez encostar em seu peito para terminar de lava-la da evidencia do sexo. Ela riu quando foi levemente beliscada na cintura após dizer que talvez fazer no chuveiro não tinha sido uma boa ideia e depois que Edward a ameaçou de relembra-la sobre a quão boa foi, ela conseguiu fugir, alegando que ambos se atrasariam para o jantar. O que era uma grande verdade. Os homens passaram o resto do dia rendidos a programação de Ação de Graças na FOX e NBC, enquanto isso, suas mulheres ficaram presas no quarto de Alice vendo roupas e sapatos para usarem, mesmo que o plano inicial fosse ficar confortável e relaxar.

Edward ouviu o burburinho das pessoas antes de atingir o topo das escadas.

Ele desceu um pouco à frente de Isabella, mas sua mão estava em suas costas e o olhar atento ao movimento de seus pés ao pisar nos degraus, vestidos em um daqueles saltos sexy e desagradáveis. Tentando arduamente não irrita-la, ele não fez nenhuma repreensão. Isabella estava belíssima e de jeito nenhum a faria se sentir menos feminina que as outras mulheres da casa por causa de sua superproteção, então sorriu e beijou sua boca de uma forma que lhe tirou o ar, a deixando saber que ele aprovava tudo o que via.

Novamente, sua família estava reunida na sala de estar.

A TV ligada tinha toda atenção de Emmett que não parecia constrangido em ignorar todos os outros enquanto esperava os Steelers começarem a jogar. Olhando seus trajes novos e o modo como Rosalie estava cavando buracos em suas costas com os olhos, ele podia dizer que havia sido o inferno de uma briga para fazê-lo retirar a estupida camisa do time. Algo cheirava incrivelmente bem, despertando o seu estômago. Isabella o apertou quando avistou sua mãe ao lado de Esme. As duas estavam vendo uma das telas que ela havia adquirido em Portland, de um velho pintor local.

Beijando sua têmpora, Edward a libertou e a observou caminhar na direção delas.

Isabella estava maravilhosa em um longo vestido esmeralda que, segundo ela, combinava com seus olhos. O tecido era bem marcado abaixo do busto, mas solto em todo o resto e atingia seus calcanhares para exibir a sandália preta. Possuía um modesto decote, onde descansava um longo colar que fazia parte de um conjunto com os delicados brincos de diamante. Também era trançado nas costas, formando um “x” e mostrando mais pele do que o ideal. Ela parecia uma deusa esta noite, com seus cabelos em algum penteado que sustentou os fios em um coque atrás da cabeça e vários cachos escapavam dele.

Uma visão.

Contra sua vontade, Edward tirou os olhos dela e se dirigiu para Jasper que estava sentado, jogando seu celular de uma mão para outra. Ele parecia entediado como a merda, enquanto Alice estava na poltrona à esquerda com Mason de pé entre as suas pernas. Ele foi capaz de ouvi-la implorando para o que o garoto deixasse a gata em paz ou sua camisa polo estaria arruinada. Os dois homens iniciaram uma conversa fácil e em seguida, Rosalie se juntou a eles. Em algum momento, a loira colocou a mão sobre a coxa de Edward e lhe de um sorriso gentil que foi retribuído sem hesitação. Os cunhados ainda não tinham retornado a antiga relação – antes de Isabella aparecer –, mas estavam chegando lá.

Quando Emmett começou a saltar em seus pés, como se estivesse se aquecendo, ao ver seus jogadores entrarem em campo, todos começaram a rir. Edward ergueu a cabeça para cima quando sentiu seu pescoço ser acariciado e seus olhos brilharam para a visão da namorada atrás dele, de pé atrás no sofá. Não importava o ângulo estranho, a mulher era linda. Sentindo o olhar sobre ela, a morena se abaixou e deixou um beijo na sua testa. Com isso, Esme anunciou que estaria indo tirar o peru do forno e apenas a menção da sua comida os fez retirar a atenção do início do jogo e responde-la. Renée, um pouco indecisa sobre ir ou ficar, resolveu acompanha-la e ajudar com alguma coisa, uma vez que não havia contribuído com o jantar para o bem de todos.

— Renée disse que eu parecia diferente — Isabella sussurrou no ouvido do ruivo ao inclinar-se novamente — Embora nunca tenha recebido o prêmio de mãe do ano, ela é boa em seu trabalho e sabe que algo está acontecendo aqui.

— O que você disse? — Edward pergunta com humor.

— Que nós conversaríamos mais tarde — A morena dá de ombros, sabendo que não mentiu — Pensei que ela insistiria, mas acho que viu que eu não queria continuar com aquilo na frente da sua mãe, então ela deixou o assunto morrer.

— Ótimo — Ele diz, pensativo — Você quer se sentar?

— Onde? Os lugares ao seu lado foram tomados.

— Babe — Edward diz lentamente, abrindo um sorriso sensual — O meu colo nunca está ocupado para você.

Isabella não responde e tenta lhe dar um olhar sujo de volta, mas seus lábios tremendo não lhe dava qualquer seriedade. Em seguida, Carlisle se juntou, vindo de seu escritório com Charlie. A morena soltou os ombros do namorado com um gritinho e correu na direção do pai que aceita o seu longo abraço muito satisfeito.

Edward balança a cabeça. Sua filha não seria a única filhinha do papai aqui.

— Aqui, cavalheiros — O médico oferece copos para whisky, mas distribuí uma boa quantidade de vermute em cada um — Algo para abrir o apetite.

O sabor de baunilha, anis estrelado, laranja eram ótimos.

Ninguém ficou apenas na primeira dose.

Mesmo quando Esme retornou, avisando que tudo estava pronto, todos concordaram em ficar por mais um tempo. Acabaram assistindo os dois primeiros períodos do jogo – os Steelers estavam dando uma surra nos Colts e as reações de Emmett eram hilárias demais para serem interrompidas. Pouco mais de meia hora depois, na mesa ricamente decorada e bem servida, todos sentaram-se e Isabella se juntou a eles após colocar ração para Lola na lavanderia – onde não corria o risco de ela quebrar nada ou os incomodaria.

Esme deu as boas-vindas a todos e começou com os agradecimentos. Mason estava impaciente. Ele nunca teve que esperar tanto para comer, mas sua mãe fez um bom trabalho em distrai-lo. As pessoas seguiram seu exemplo e o estômago de Edward começou a dar voltas de nervosismo. Ele, assim como Jasper e Alice, nunca tiverem suas chances, uma vez que depois de Isabella, tudo virou um caos.

— Bem, esse ano... — A morena limpa a garganta, sorrindo para os rostos agradáveis voltados a ela — Foi surpreendente, por falta de palavra melhor. As mudanças vieram uma atrás da outra e é bom poder dizer que foram boas em maioria. É surreal estar aqui entre vocês novamente, porque eu quase não posso me lembrar da última vez em que sentei nessa sala de jantar, então eu gostaria de dizer que sou grata pelas segundas chances. A vocês, Cullen, que me receberam de braços abertos e por no passado, nunca me julgaram apesar das minhas terríveis decisões. A vocês, mãe e papai, por não me deixem passar por nada sozinha e todo o apoio — Os Swan sorriam para a filha e Charlie enviou-lhe um beijo — Jasper, você tem sido o meu pilar por tanto tempo agora, que se eu realmente for listar as razões pelas quais eu sou grata em tê-lo comigo, ficaremos presos aqui até o natal. Mas eu te adoro. Você é o irmão que eu nunca pensei que existisse ou precisava. E principalmente... — Ela toma uma longa respiração, colocando a mão embaixo da mesa e entrelaçando os dedos nos de Edward antes de olha-lo — Eu agradeço por você ter voltado, perdoado, ajudado e inúmeros outros verbos. Nós fizemos grandes besteiras um para o outro, mas concordamos que a maior dela foi termos ficado tanto tempo afastados. Sou grata por você. Eu amo você. E amo mais ainda o lindo bebê que fizemos juntos.

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Bem, inferno, se sua doçura não colocou lágrimas em seus olhos.

— Espere aí, o que? — Alice perguntou, sua confusão quebrando a bolha do casal, mas então as duas mulheres mais velhas saltaram com gritos histéricos.

Isabella foi roubada em segundos e engolida em um grande abraço triplo. O ruivo olhou para o resto da mesa e o misto de reações era surpreendente. Ele teve medo que o sorriso de Carlisle fosse partir seu rosto, o que o fez virar para Charlie e o homem parecia mais perdido que uma freira num clube de strip. Jasper parecia atordoado, mas feliz demais e Alice, quando a ficha finalmente caiu, se juntou às mulheres aos berros. Mason, bem... só observava. Seu coração doeu um pouco ao avistar Rosalie quieta e rígida, com os olhos presos em seu prato limpo enquanto Emmett a abraçava pelos ombros e sussurrava coisas. Pelos minutos que se seguiram, o casal recebeu tapinhas nas costas, parabéns, beijos e abraços de todos – incluindo Rose, provavelmente a contragosto. Esme chorava como uma criança, com seu pai agarrado a ela por trás, olhando para Edward com orgulho e Renée não estava em um estado muito diferente, embora a pose de delegada durona continuasse lá.

Charlie parecia estar com dificuldade – pela segunda vez – de encarar que sua filhinha era, na verdade, uma mulher adulta e agora seria mãe, mas quando os dois conversaram em particular, Edward viu o quanto ele estava emocionado. O jantar foi retomado após a euforia. Isabella estava fodidamente radiante. Esme, como a vovó babona que sabiam que ela seria, fez o prato de Isabella, empurrando-lhe de tudo um pouco e para descontrair entre eles, Emmett choramingou por não receber tratamento semelhante. Ninguém o notou tenso, exceto por uma pessoa.

— Eu ainda não posso acreditar. Isso sim é o inferno de uma maneira de terminar o ano. No próximo, teremos mais alguém aqui conosco! — Disse Alice.

— É verdade. Tanto tempo sem ter nenhuma ideia... — Renée se admirou — Nós estamos muito, muito felizes por vocês, crianças. Há tanto tempo desejei isso.

— Sim, você não parava de falar que estava na hora de eu me estabelecer com alguém e começar a minha própria família.

Isabella rolou os olhos e Edward riu, beijando sua bochecha.

— Nós pulamos algumas casas, mas estamos dando-lhe isso, Renée.

— E eu estou contente que ela tenha esperado por você, rapaz.

A noite se seguiu tranquilamente. Embora os homens estivessem discutindo o desempenho dos jogadores, Edward estava interessado nas informações que Isabella estava dando sobre ela mesmo e a bebê para as outras. Ele estava amando vê-la sendo mimada e coberta de atenção por sua família, principalmente porque ela não o deixava de fora das questões importantes e o chamava com carinho.

Era tarde quando todos subiram.

A maioria, estava ligeiramente embriagada, pois todos quiseram comemorar e esvaziaram algumas garrafas de vinho. Edward só teve duas taças durante a refeição e sua namorada ficou bem com um suco de fruta. Os Swan foram convidados para passar a noite. Eles não pareciam à vontade para ficar, mas aceitaram o brunch de Esme para o dia seguinte.

O casal e Lola subiram para o quarto.

Dado a exaustão de Isabella, eles não tinham planos de nenhuma ação na cama, então a gata foi permitida no espaço inferior do colchão. Abraçando o corpo macio dentro de uma camisola de cetim, Edward sussurrou palavras doces no ouvido de sua menina.

— Eu amo que você esteja aqui agora — Ela geme em resposta e se aconchega mais a ele — E eu também sou grato por tê-la na minha vida, babe.

Em algum momento da madrugada, Edward acorda sem sequer ter percebido que tinha dormido. Quando seus olhos se adaptam a escuridão, ele percebe que está sozinho na cama – exceto por Lola dormindo de lado. Preocupado sobre um súbito mal-estar de Isabella, ele deixa o quarto, passa pelo corredor e tenciona ao ouvir um som baixo de choro. Que porra? Novamente nas escadas, ele para assim que consegue uma boa visão da bagunçada sala. No sofá, próximo a lareira acesa, estava Isabella e Emmett. Juntos. E abraçados.

Ele esperou pela dor. Pelo ciúme desenfreado e as memórias ruins que vinha tentando enterrar há tanto tempo, mas para a sua surpresa... nada veio. Enquanto ele olhava para os dois, não conseguia sentir nada além de compaixão pelo sofrimento do irmão e quando viu Isabella retroceder, ele deu um passo para cima.

Não queria ser visto.

Na volta para o quarto, além de simpatia e um pouco de tristeza, Edward estava orgulhoso de si mesmo.

Talvez Isabella não tivesse cometido outro errado em ter fé nele.

Talvez ele pudesse mesmo, algum dia, ser o homem que ela precisava.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Olá, pessoal. O capítulo foi bem familiar, não é? Sei que estavam todos – ou a maioria – esperando um ataque da Rosalie, mas embora ela não tenha ficado “feliz” com a situação do casal, quem quebrou um pouco no fim foi o Emmett. Acredito que mesmo que o Mae o faça muito feliz, deva ser no mínimo estranho, ver a mãe do seu filho “perdido” gravida novamente. Talvez ele e Rose sejam mais parecidos do que a gente percebeu, mas lidam com isso de maneiras diferentes. Enfim! Gostei particularmente da perceptível mudança de Edward, como vimos no final. Tendo em vista como ele é meio ciumento – ha, meio, né? –, era de se imaginar que ele piraria um pouco ao ver aqueles dois meio agarrados no meio da noite, mas ao que parece, o nosso homem está feliz demais para ser um babaca. Ótimo! (: Eu espero que tenham gostado. Falem comigo nas reviews, ok? Um bom final de semana para vocês.