Erros de Sempre

14 Capítulo 13


Notas iniciais
A melhor parte da quinta-feira dos amantes de EDS chegou. Boa leitura :)

O pé saltitante de Isabella estava chamando a atenção de algumas pessoas, mas ela estava alheia demais para se dar conta de tal coisa. Seu cérebro estava em hiato, mas ainda era capaz de registrar o suficiente do que o Wyatt estava falando, para responder as possíveis perguntas quando ele finalmente terminasse de se exibir.

Boa parte do setor administrativo tinha estado presente na sala de reuniões, debatendo questões importantes para a agência. Todos pareciam muito confortáveis desde que tomaram um lugar nas poltronas e nos espaçosos sofás.

— Essa pesquisa de mercado é uma verdadeira piada — Becky disse, rolando os olhos que quase não eram capazes de ser vistos através da expressa camada de máscara que ela usava diariamente — Eu não tenho tempo para essa besteira, Jack. Vou fazer uma ligação e quando eu voltar, espero ter o maldito orçamento pronto.

Todos observaram a mulher sair, não muito tempo depois que o rapaz encarregado de trazer alguns cafés, deixou a sala. O pescoço dele estava vermelho de constrangimento com a atenção exagerada de Becky sobre ele.

Isabella detestava àquela mulher.

Ela sabia que se tratava de alguém que esteve por perto quando Harold tinha apenas começado a tirar a agência do papel e que por um longo tempo, trabalhou bem para fazê-la crescer, mas a morena simplesmente abominava o seu comportamento. Como se não bastasse seu nome ser uma verdadeira piada, ela – propositalmente, diga-se de passagem – deixava os novatos acreditarem que fazia parte da “hierarquia da empresa” e com isso, ganhava atenção e confiança. A mulher era uma verdadeira puma que, beirando os 40 anos, seduzia descaradamente, uma e outra vez, os homens mais jovens com quem trabalhava.

— Bem, vamos ao próximo tópico. Alguém tem algo a acrescentar?

Com o final do ano se aproximando, vários clientes novos estavam surgindo e para atendê-los de modo que ficassem satisfeitos e não cogitassem a concorrência, seus chefes decidiram que esta era a hora para mais um planejamento estratégico. Isabella deu o seu melhor – dentro do possível – para contribuir com cada plano e Jackson parecia satisfeito com suas observações, o que fez com que ele a deixasse quieta enquanto suas mãos jogavam o aparelho celular de uma mão para a outra.

O texto onde Edward a deixou saber que havia acabado de sair do aeroporto e estaria correndo para o escritório, foi respondido há quase duas horas. Sua barriga estava dando cambalhotas estranhas de ansiedade para vê-lo novamente, como se o homem tivesse voltado de uma missão de meses no Afeganistão e não, do estado vizinho onde esteve por apenas sete dias. Agora, sabendo que estavam na mesma cidade, parecia que a saudade tinha triplicado e seus braços doíam para abraça-lo novamente. Jesus, ela era patética.

A morena pensou em convida-lo para comer ou algo assim, tendo em vista que ambos trabalhavam nas proximidades, mas ela não teve tempo para se ausentar e acabou por pedir um sanduíche natural para ser entregue, o que foi uma escolha muito sábia. Seu estômago ainda estava sensível sobre o álcool da noite passada, então nem tudo soava e cheirava aceitável, mas o suco de abacaxi desceu como um néctar dos deuses, refrescando-a e saciando sua sede infinita por causa da ressaca.

Quando Jackson finalmente liberou-os, ela caminhou para fora lentamente, testando se sua cabeça ainda estava doendo a cada movimento brusco, mas foi com um grande alivio que percebeu o efeito do remédio. De volta ao trabalho, ela soube que – assim como imaginou – Dominic ainda não tinha dado notícias e sequer respondeu às ligações de sua secretaria.

O sujeito deve ter ficado na boate e feito sabe-se Deus o que.

Elas teriam sorte se ele aparecesse amanhã à tarde.

— Ei, Isabella, alguém do RH ligou — Maya avisou quando ela se aproximou e vendo o vinco se formar em sua testa, começou a esclarecer — Realmente não é nada demais, mas eles estarão com menos pessoal desde ontem e gostariam de saber se você poderia lidar com dois novos contratados.

— Eu não sou a pessoa certa para isso.

— Sim, bem, mas eu chequei a sua agenda e não há muito acontecendo, então talvez tenha dito que você podia ajudar — Ela respondeu, envergonhada e temerosa com a sua reação. Isabella tentou negar, balançando a cabeça, mas Maya foi insistente — Eu sinto muito. Sei que deveria ter esperado por você, mas eles já vão ter tudo resolvido na segunda, eu juro.

A maneira como ela soava desesperada, fazia Isabella querer rir. Ela não estava satisfeita que a mulher tenha lhe escalado para coisas que não fazem parte das suas funções, mas não via porquê negar ajuda aos Recursos Humanos. As meninas de lá eram muito agradáveis, então ela pediu os dados dos dois novos empregados para dar uma olhada. Outra vez em sua sala, ela tirou um dos contratos e leu.

Uma vez que o rapaz tinha sido colocado para o setor de Mídia, ela definitivamente não era a melhor pessoa para direciona-lo a um treinamento, mas faria o assim mesmo. Depois de resolver algumas questões em seu e-mail, ela saiu do seu andar e foi para o inferior, onde provavelmente, ele esperava por alguém desde o horário do almoço. Chegando lá, viu que há uns 12 metros, havia uma aglomeração de quase dez pessoas comemorando alguma coisa e abraçando uma jovem moça. Eles estavam segurando e cortando um modesto bolo de padaria, enquanto os outros funcionários pareciam envolvidos em suas próprias coisas e um único rapaz parecendo meio nervoso e perdido, estava chutando de leve um vaso de plantas com a ponta do seu sapato.

— Samuel? — A morena chamou e ele se virou, assustado, a fazendo prender o riso — Olá. Eu me chamo Isabella Swan.

— Boa tarde, Srta. Swan — Ele pegou a mão que ela oferecia e apertou com firmeza, sua expressão era pura empolgação. O garoto pareceria querer mesmo estar ali — Obrigada por vir me receber. Eu teria que voltar novamente na segunda ou terça-feira, me disseram.

— Só Isabella, por favor. Sente-se. — Pediu e indicou um dos dois puffs próximos a poltrona que ela pegaria, mas Samuel escolheu o preto semelhante a uma concha, de courino e quando seu corpo afundou no material, o barulho foi constrangedor e o fez parecer uma criancinha desajeitada. Isabella não pode controlar a si mesma e riu, antes de limpar a garganta — Sim, normalmente eu fico lá em cima, mas nós cobrimos as costas um do outro por aqui. Estou certa de que posso ajudá-lo.

— Claro. E me chame de Sam — Ele pediu, se ajeitando para parecer decente sentado naquela coisa. De repente, algo em seu rosto mudou e ele parecia concentrado demais ao olhar para o dela. Sua expressão confusa o fez explicar — O seu sorriso é lindo.

Isabella corou no mesmo instante.

Era algo que não sabia controlar, mas estava feliz com o elogio. Ela deu uma boa olhada em Samuel e percebeu que ele tinha um estilo bem próprio, não se vestia todo engomadinho como alguns e parecendo um universitário, como outros. Era quase uma mistura arriscada dos dois que acabou por dar certo.

— Obrigada, Sam — Ela respondeu, gostando de vê-lo parecendo mais relaxado e descontraído, mas querendo manter o profissionalismo, voltou a focar no que veio fazer — Bem, aqui é o setor de Mídia, também como o de Pesquisa. Vocês trabalham juntos sempre, então eles os mantém todos em um mesmo andar. Vi no seu currículo que você tem diversos cursos de informática e experiência de quatro anos na área, o que é mais do que o suficiente — Ela falava e ele apenas acenava com a cabeça, concordando com as informações, mas ao mesmo tempo admirava a moça que fazia gestos elegantes com as mãos, o rosto quase sem maquiagem revelava o quão bela era naturalmente — ... e se estivermos de acordo, podemos conhecer seus colegas agora mesmo.

Sam não tinha ouvido quase nada, mas isso ele resolveria depois. Concordou prontamente e caminhou ao lado dela, amando o cheiro sutil de seu perfume que ficava mais forte a cada vez que ela movia os cabelos de lugar.

Ele foi muito bem recebido pelo o pessoal, teve suas principais obrigações esclarecidas e não era nada que ele já não tivesse feito, então sentiu-se em casa. Soando muito confiante e experiente, a deixou saber que tinha tudo ordem e não iria mais tomar o seu tempo. Isabella brincou, afirmando que seria a primeira puxar a sua orelha quando seus superiores reclamassem de algo, mas lhe desejou boas-vindas e sorte com os colegas, sabendo o quanto uns e outros eram maldosos com os recém-chegados.

O resto da tarde passou rapidamente.

Maya estava certa sobre não ter muito a ser feito e isso deixou Isabella com tempo para pensar. Ela ignorou as mensagens de Alice porque não estava no humor, mas trocou algumas com Edward, combinando que eles não sairiam, mas se encontrariam em sua casa. Ele pegaria o jantar e levaria, assim que terminasse o seu último compromisso. A morena estava tensa ao responder os textos, principalmente quando lhe enviava uma piada de duplo sentido ou a deixava saber dos planos que ele tinha para mais tarde.

Tanto quanto seu corpo reagia às vontades de Edward, ela precisava esclarecer as coisas antes de recebe-lo com os braços abertos.

Ela já tinha sido cega sobre ele uma vez, quando na adolescência, aceitou que era normal o atleta mais valioso da escola, estar interessado e supostamente apaixonado pela antissocial do menor grupo. Se tivesse levado em consideração os olhares incrédulos que as pessoas davam quando os viam juntos, talvez tivesse chegado à verdade muito mais rápido e quem sabe, evitado as más decisões que tomou por causa do coração quebrado.

Desta vez, ela se recusava a fazer papel de boba só porque estava amando.

*********

Ao entrar em casa, ela percebeu que quase todas as suas almofadas estavam não chão, bem como um porta-retrato caído sobre o tapete e Lola estava dormindo bem longe da cena do seu crime, como se nada tivesse acontecido. Isabella colocou tudo em seu lugar, tirou as botas e as colocou em um canto do quarto para alongar os seus dedinhos – feios, segundo ela –, que passaram o dia todo amassados. Ela trocou a roupa por um babydoll de algodão confortável e depois de alimentar a gata, sentou-se no divã próximo à janela, para ler outro capitulo de um romance.

Um par de horas mais tarde, seu telefone tocou.

Ela correu para a sala e no mesmo instante, ouviu as batidas na porta.

Isabella atendeu enquanto ia abri-la.

— Querida?

— Oi, mãe.

Ela cumprimentou e sentiu o chão ser varrido dos seus pés.

Edward a pegou com um só braço e ela riu, ao segura-lo pelo pescoço. O casal compartilhou um saudoso beijo faminto e agitado, antes de se atrapalharem com as sacolas e de ele roubar o telefone de suas mãos.

Ela o deixou por causa da empolgação explicita.

Aqueles dois não se falam desde o mês passado, quando seus pais resolveram fazer uma visita rápida – por causa da palestra que Charlie queria assistir com um grupo de seus estudantes. Após deixarem o auditório da UW, eles ligaram para ela que, conseguiu sair algumas horas antes do trabalho para encontra-los. Edward ficou muito empolgado em saber que ambos estavam na cidade, o que não deixaria de surpreende-la nunca. Isabella era incapaz de entender como o ruivo ficava a vontade perto dos seus parentes com tanta facilidade, enquanto ela precisou de tempo para agir normalmente em torno de Esme e Carlisle, mas podia ser diferente? Renée o tratava como um verdadeiro filho e não a surpreendeu quando o casal mais velho foi convencido por ele, a ficar até o dia seguinte para fazerem algo à noite.

O advogado a pegou na porta da Création7 para encontra-los.

— Olá, pessoal! — Renée cumprimentou ansiosamente quando os viu chegando juntos, com os dedos entrelaçados. Edward dá em Bella, um puxão conhecedor que a faz rir de sua mãe e os três entram na cafeteria.

Mais tarde, Edward apareceu com quatro entradas que estavam sendo vendidas de última hora e pelo dobro do preço no Facebook, para Jekyll & Hyde.

Tratava-se de um musical baseado em um clássico da literatura inglesa: O Médico e o Monstro, de Robert L.Stevenson, que sempre foi dos preferidos de Charlie.

O livro que conta a história do “médico que toma uma poção e se transforma em um monstro” é um dos poucos livros de terror que se tornaram influentes desde o século XVIII e teve como inspiração, a “vida dupla” de um escocês, chamado William Brodie. De dia, o homem era um conhecido marceneiro; mas à noite, roubava as casas dos habitantes de Edimburgo. A realidade que a obra apresenta, é que o Mr. Hyde – o monstro – não surgiu do efeito da misteriosa “poção”, pelo contrário, ele já existia dentro do nobre Dr. Jekyll. A única coisa que a poção fez, foi trazê-lo para o exterior. Assim como nos dias de hoje, as pessoas usam as drogas – licitas ou ilícitas – para vencer as suas inibições.

Eles levaram quase meia hora para chegar até o Teatro Renton Civic, mas aproveitaram a peça tanto quanto os bufos impacientes de Renée, permitiram. Dizer que ela não apreciava qualquer tipo de arte, era um verdadeiro eufemismo e Isabella, quando parava para pensar, mal podia se lembrar de um par de vezes em que a viu ouvindo música por conta própria. Mas ao contrário de sua mãe, ela adorou o espetáculo e foi uma das primeiras a ficar de pé para aplaudir os artistas quando tudo acabou. Ela nunca tinha lido o livro, mas se divertiu com os pequenos spoilers e explicações que Charlie sussurrava em seu ouvido na cadeira ao lado. A parte mais interessante, porém, foi quando ela percebeu os olhares aguçados de uma mulher, um pouco mais jovem que ela, para o seu namorado. Isabella estava ciente demais que Edward chamava mais do que o suficiente de atenção feminina para si, não importa onde estivesse, mas esta mulher estava literalmente torcendo o pescoço para encara-lo, optando por ignorar a mão dos dois, juntas sobre o descanso da cadeira. Ela virou na direção do advogado e viu seus olhos vidrados no que acontecia no palco. Ele parecia sereno enquanto assistia e apenas o aperto em seus dedos, o fez desviar a atenção para Isabella. Ela sorriu e inclinou-se em sua direção, apreciando quando seu homem não hesitou em encontra-la no caminho para dar-lhe um delicioso, molhado e profundo beijo, cheio de promessas.

Ela o amava.

— Espere, deixe-me ver se eu entendi... — Renée pediu, parando apenas há alguns passos da porta de saída do teatro — O Dr. Jekyll e Hyde são a mesma pessoa?

— Sim, querida. — Charlie respondeu com paciência, enquanto a puxava pelo cotovelo, fazendo-a sair do caminho das pessoas que tentavam ir.

— Mas como...

— Mamãe, naquela época estavam começando as teorias psicanalíticas. É por isso que o livro abordou a questão, você sabe, do bem e do mal dessa maneira diferente. Eu tenho certeza que você entendeu. — Isabella disse e acariciou os braços de Edward, no segundo em que ele a abraçou por trás e rodeou a sua cintura.

— E foi exatamente aí que surgiram os debates sobre comportamentos duvidosos, até que mais tarde, chegou-se nos transtornos que temos conhecimento hoje — Edward explicou, não escondendo o seu sorriso divertido ao ver as expressões confusas de Renée. Coçando a cabeça, ela parecia não querer nada mais do que dar o fora dali o quanto antes — Há filmes, caso você queira entender melh-

— Não! — Ela gritou, calando-o antes que os olhos do marido brilhassem ainda mais com a ideia. Renée não se sentiu culpada quando viu seus ombros caírem. Ela era uma mulher prática que estava fortemente envolvida em seu trabalho, ao que parecia... a vida inteira. Enquanto Charlie estava nos livros, números e planos de aula, ela gostava da ação de fazer a justiça acontecer. Os dois eram como água e óleo em muitos sentidos e ele sabia disso desde o começo, então não via razão para dar-lhe a impressão errada agora — Será que podemos ir? Essas pessoas cantam bem e a história é ok, mas eu ainda estou faminta e entediada até a morte. — Disse, se agarrando ao professor que sorriu quando sentiu a mão da esposa acariciando o seu peito, coberto pelo suéter oliva.

— Nós temos mais uma parada antes de ir para casa — Edward anunciou, rindo da namorada batendo palmas, mas Renée gemeu — Me diga, delegada, como alguns grelhados e cerveja gelada, parecem para você?

— Como o paraíso... — Ela respondeu. Agora seus olhos brilhavam, fazendo todos riem e cruzarem a rua — Será que isso já estava planejado?

— É claro que sim — Edward piscou, abrindo um sorriso charmoso que a tinha como uma mocinha enquanto o observava abrir a porta para ela entrar no carro — Você sabe muito bem que eu não te deixaria na mão.

Enquanto ele dava a volta para o lado do motorista, ela cutucou a filha que estava sentada no banco do carona enquanto limpava as imperfeições da maquiagem no espelho retrovisor.

— O que foi?

— Se você deixa-o escapar dessa vez, Isabella, não importa a sua idade, eu vou tê-la apanhando na bunda em meus joelhos! — Ela sussurrou/gritou, fazendo a morena arregalar os olhos com a veemência da ameaça e rir, assentindo em concordância.

Isabella estava mais do que disposta a atar aquele homem a ela.

Algum tempo mais tarde, eles estavam acomodados em uma agradável mesa no LTD Bar and Grill, tendo seus copos preenchidos até a borda por uma agradável garçonete, cujo o bom humor vinha das gorjetas extras que estava ganhando. Estava lotado para uma quinta-feira. Vários homens e mulheres se apertavam contra o bar para conseguir uma boa olhada em um das TVs que transmitiam futebol americano. Era divertido, para Isabella, ver que todos os caras acompanhados – por suas companheiras ou amigos – tinham os olhos voltado para o jogo, mesmo que o volume fosse praticamente nulo.

Seu namorado era um deles, mostrando que não deixou o vício para trás.

E por falar em vicio, Renée juntou-se a uma discussão com a mesa ao lado, sobre o time adversário e sempre buscava auxilio com Edward, que tentava explicar toda vez que ele só jogou beisebol. Ela fazia um “pshh” com a boca, balançando a mão em desdém e o incluía na conversa mesmo assim, exibindo o quanto o homem foi bom durante a adolescência. Chocada, Isabella a ouviu comentar sobre alguns dos títulos que ele ganhou e ela sequer sabia.

A delegada soava como uma mãe orgulhosa e se Edward não estivesse absolutamente adorável com um certo rubor em suas bochechas, ela poderia ter ficado enciumada.

— Você vai mesmo comer isso sozinha? — Edward perguntou novamente, logo após abaixar a sua garrafa na mesa e encarou o seu prato, cuja metade estava repleta de batata frita.

— Sim, agora você pode, por favor, tirar os olhos do meu sanduíche? — Ela rosnou, ciumenta com a sua comida que parecia deliciosa para ter conseguido em um bar esportivo.

— Tudo bem, não precisa me morder — O ruivo riu da seriedade em seu olhar quando notou que ele estava um pouco interessado demais em seu sanduíche de peito de frango frito — Eu só estou surpreso. Isso é tudo. Estou bem servido aqui com as minhas asas.

Para enfatizar, ele se serviu de mais uma, fazendo Isabella salivar. Ela tinha tentado roubar algumas, mas ao experimenta-las, resolveu deixar para lá. O molho que as cobria era de tomate e estava um pouco apimentado, o que normalmente ela gostava, mas este simplesmente parecia estranho – mas isso não parou Edward. Os dois homens as devoraram rapidamente, antes mesmo de chegarem na metade dos primeiros períodos.

— Você é um provocador. — Ela disse, fazendo soar como um xingamento e ele riu outra vez, estendendo a mão para toca-la na bochecha e Isabella derreteu-se contra ele.

— Você tem repolho no seu dente, babe — Ele falou baixinho, sorrindo diabolicamente, mas se encolheu quando Renée gritou seu nome — Eu sinto muito! Era brincadeira — Ele se desculpou com as duas, ganhando olhares sujos de ambas, até que ele pressionou tantos beijos no pescoço de Isabella – contra a sua vontade –, que ela finalmente cedeu e a implicância entre os dois foi deixada para lá — Você quer que eu consiga outra Coca? Esta parece ter ficado quente.

— Claro. Obrigada.

Edward beijou a lateral da sua cabeça antes de sair e ela pôde ver o seu pai, na cadeira ao lado da dele. Seus braços estavam cruzados atrás da cabeça e seu peito empurrando para frente. Isabella não sabia dizer se ele estava se exibindo ou apenas relaxando, mas parecia totalmente à vontade com a esposa batendo papo com o pessoal ao lado há pelo menos uma hora. Sua mãe ria de alguma coisa, parecendo mais jovem do que ela jamais viu e se agarrava a sua cerveja como se fosse um maldito oásis. Ao que parece, a mulher precisava de uma noite como essa há mais tempo do que se deu conta e como Charlie não era o tipo de cara que fazia programas como esse, ela estaria aproveitando ao máximo até a hora de ir.

Isabella era a única sóbria no caminho de volta.

Dirigindo para o Queen Anne, seu objetivo era deixar seus pais em casa e seguir para o apartamento de Edward. Charlie havia dito que poderia pagar por um hotel, mas ela foi insistente em ceder-lhes a casa, uma vez que era mais do que bem-vinda para dormir com o namorado. Renée vibrava a cada demonstração de afeto entre os dois dentro do veículo, principalmente porque Edward tornou-se excessivamente amoroso depois de bêbado e não os poupou dos comentários maliciosos. Isabella riu a cada vez que Edward ficou vermelho e negou veementemente todas as coisas que uma Renée sem filtro, o acusou – mesmo que ele fizesse tais coisas com muita frequência.

O ruivo era um verdadeiro homenzinho da sogra.

Mas talvez apenas tivesse medo, afinal de contas, ela andava armada e pronta para estourar as bolas de qualquer pervertido que fizesse coisas nojentas com sua filha. Ao pararem, Charlie estava embriagado demais para reclamar alguma coisa, então apenas grunhia e cochilava contra a janela.

— Por que você está excitado?

— Porque você é uma mulher muito bonita — Edward cantou, sua voz ligeiramente rouca enquanto a observava de joelhos à sua frente, removendo os sapatos dos seus pés. Eles estavam no seu apartamento há alguns minutos e sua menina já estava tirando as suas roupas fora. É claro que ele ficaria duro — Correndo o risco de soar machista ou apenas babaca, eu preciso dizer... te ver me olhando de baixo, me dá vontade fazer coisas muito más com você, Isabella.

— Coisas muito ruins? — Ela pergunta, umedecendo os lábios em falsa inocência.

— Pecaminosamente ruins. — Ele rosna.

— Uhmm. Sentindo-se criativo hoje, Sr. Cullen?

Ele se abstém de responder e então, a segura pelos braços e impulsiona para cima, fazendo-a se levantar do chão. Ela agora está mais alta e tem seu vestido justo, amontoado em seus quadris, lhe dando uma visão completa de suas coxas lisas e o início da calcinha. Edward prende um gemido porque quase pode sentir seu cheiro.

— Eu vou lhe dizer o que, babe. Por que você não vai até o meu closet e nos traz uma caixa de lenços que está junto das minhas gravatas? — Ele sugere, mas a escuridão em seus olhos a deixa saber que é mais uma ordem do que um pedido — Eu os tenho há algum tempo e finalmente descobri uma utilidade para eles.

— O que? — Isabella engasga quando entende, mas ainda está sorrindo quando se afasta alguns passos para trás. Ele fica de pé e começa a abrir os botões da camisa, enquanto a observava recuar — Você quer me amarrar?

— Você tem alguma objeção? — Edward pergunta e continua se aproximando enquanto se despe, ao mesmo tempo em que encerrá-la sem que ela se der conta de que está correndo para a parede mais próxima — Porque eu não tive, quando você me ligou para avisar que Charlie e Renée estavam aqui — Ela arqueou uma sobrancelha, em dúvida sobre como eles vieram parar na conversa, mas o advogado continuou — Eu tive um longo dia, mas não me importei em colocar algum esforço para que seus pais tivessem um bom momento na nossa cidade. Eu fui divertido e um cavalheiro, enquanto só podia pensar em te empurrar no banco de trás do meu carro e fodê-la dentro desse vestidinho provocador, mas me comportei. Então por que você não é uma boa menina para mim e simplesmente faz o que eu peço?

— Mas Edward...

— Eu garanto — Ele interrompe, entortando o sorriso, sabendo que aquele gesto a faz sentir coisas lá embaixo — Essas paredes não ouvirão nenhuma queixa sua quando a tiver imóvel e pingando embaixo de mim. Talvez elas te ouçam implorar.

— Merda — Ela suspira, esfregando a garganta com a mão depois de engolir em seco — Eu não sabia que havia essa veia dominante em você...

— Eu gosto de brincar — Ele se aproxima, mas perde o sorriso quando aplica um tapa forte na coxa, perto da bunda, a fazendo pular com um grito — Agora vá!

Isabella corre em direção ao closet, seu coração pulsando tanto que ela podia jurar ser capaz de ouvi-lo, ao invés de sentir. Suas mãos tremem quando ela alcança a gaveta certa e quando finalmente sente a umidade em sua calcinha, percebe que Edward não é o único animado para isso. Agarrando a caixa lacrada, ela caminha de volta ao quarto ainda sob a surpresa de como ele soltava quando bebia e ao vê-lo apenas usando uma boxer escura, de costas enquanto joga os travesseiros para fora da cama, ela afirma a si mesma que terá que embebedá-lo mais vezes.

— Eu sinto muito em ouvir isso — A voz pesarosa de Edward trouxe-a de volta de suas memórias e só agora, vendo-o sentado no sofá com Lola em seu colo, que ela percebeu há quanto tempo eles estavam ali — Realmente? Isso é péssimo. Você acha que seria de alguma ajuda, se eu falasse com ele ou algo assim?

— O que está acontecendo? — Isabella perguntou, acenando para chamar a sua atenção, mas ele apenas a olhou e voltou-se para Renée.

— Eu não tinha quaisquer planos de ir a Forks antes do natal — Ele comunica, soando pensativo e deixando-a mais intrigada ainda. Por que ele precisaria ir até lá? — Já que você tem certeza, é claro que sim. Oh, bem, se depois de sentar para falar sobre impotência sexual não gerar qualquer resultado, eu não sei o que fará — Ele riu — Eu tenho certeza que a lição foi aprendida.

Ela ouve a risada da mãe e se acalma, mas senta no braço do sofá para tentar ouvir mais da conversa e Edward lhe dá um olhar feio pelo seu enxerimento.

— Carlisle deve aparecer aí pelos próximos dias — Edward avisa, murmurando concordâncias com o que quer que Renée esteja dizendo do outro lado, assentindo com a cabeça algumas vezes — Não é incomodo algum. Vocês são família.

Isabella mordeu o lábio, sentindo seu olhar sobre ele suavizar. Ele a desarmava quando parecia tão envolvido. A fazia acreditar que ambos estavam sob a pele um do outro. Sem retorno. Que ele a queria para a vida toda. Que talvez, a amasse.

— Sim, estamos indo jantar agora. Tudo bem, eu faço — Ele concorda e afaga Lola, que ainda de olhos fechados, levanta a cabeça para apreciar o toque — Boa noite, Renée. É sempre bom falar com você. Até mais.

— Você vai me dizer agora, o que é que a minha mãe queria? — Ela solta com ironia enquanto o observa afastar Lola e sair do sofá, para abrir as sacolas com comida que ele trouxe.

Cheirava muito bem.

— A universidade ligou mais cedo, avisando que o seu pai não tinha se sentido bem e havia passado algumas horas na enfermaria, já que se recusou a ir para o hospital — Ele comunicou, continuando a puxar as embalagens para fora. Isabella ficou tensa com a notícia, mas procurou se acalmar, porque pela reação dos dois, nada grave tinha acontecido com Charlie — Ele está bem agora, descansando depois do esporro que levou de Renée — Edward riu ao olhar para ela e Isabella quase vacilou. Puta merda. Ela sentia sua falta como uma louca — Vou pedir para Carlisle falar com ele e induzi-lo a novos exames. Está claro que o seu pai não parou de fumar como prometeu. Eu deveria ter dito algo quando o vi olhando todo desejoso para a minha carteira. Foi uma grande estupidez deixa-la a vista, não foi?

— Provavelmente — Isabella concorda e continua — Mas Charlie não é nenhuma criança a procura de doces proibidos. O que diabos ele quer? Um aneurisma arterial ou algum tipo de câncer? — Ela explode.

— Ei, babe, acalme-se. Eu disse que ele está bem — Edward afirma, ao soltar a comida para puxa-la, fazendo-a encaixar-se entre seus braços. Ele a abraça novamente e segura sua cabeça em seu ombro. Os dois permanecem assim por quase um minuto inteiro antes de ela empurra-lo para trás com toda sua força — Mas que diabos foi isso?

— Onde você estava? — Isabella pergunta. O ruivo observa sua postura e reconhece que de repente, a mulher está furiosa. Ele franze em confusão.

— Eu estava em casa. Agora, por que você está assim?

— Para de mentir para mim, Edward! — Isabella grita, o fazendo empalidecer — Com quem você estava? Você a trouxe de Chicago, foi isso? Eu posso sentir o maldito cheiro dela em você, porra.

— Espere aí um segundo, o que isso significa?

— Para um advogado tão reconhecido, você está fazendo papel de ridículo — Ela zomba, enviando-lhe um olhar de desdém — Eu te liguei ontem e uma mulher atendeu, Edward.

— Ontem à noite?

— Sim. Para a sua casa.

— Eu não tinha ideia. Se eu soubesse, teria retornando imediat-

— Esse não é o maldito ponto, Edward! — Ela grita novamente, silenciando-o — Eu liguei para o meu namorado e uma mulher, que eu não tenho a menor ideia de quem seja, atendeu parecendo toda intima. Que porra é essa?

O ruivo respirou fundo, seu rosto ganhando um tom escuro que não tinha nada a ver com vergonha. Isabella viu suas narinas dilatadas. Não era um bom sinal.

— Você não pensou em simplesmente perguntar quem era? Não verificou se estava comentando um engano ou coisa parecida, antes de tirar conclusões?

— Não era um engano. Aquela mulher estava na sua casa.

— Sim, estava. Na verdade, haviam duas mulheres na casa. — Ele responde seco e o coração dela se quebra com a fria afirmação. Como ele se atreve...?

— Seu imbecil! — Ela xinga — Eu vejo que fiz muito bem em sair ontem à noite.

— Você saiu? Para onde? — A fúria se dissipou por um instante, dando lugar a surpresa e curiosidade.

— Eu fui para uma boate com Jasper — Ela deu de ombros e forçou um sorriso safado em seus lábios — O Dominic estava lá também. Nós dançamos bastante.

— Isabella! — Edward rugiu, se aproximando e ela se afastou, por medo. Não que ele fosse agredi-la ou algo assim, mas ela nunca sabia o que diabos ele faria quando estava com tanto ciúme. Ela não deveria ter dito o que disse assim, mas precisava que ele sentisse na pele aquela queimação ruim no peito ao imagina-la com outro — O que porra deu em você?

— O que, achou que eu ficaria em casa no meu dia de folga sem fazer nada?

— Eu achei que você fosse ficar descansando — Ele admitiu, com o olhar meio atordoado — Sei que gosta de preparar comida no seu tempo livre. Talvez cozinhasse para o Jasper ou algo assim, mas definitivamente não cogitei que você passaria a noite se esfregando naquele filho da puta!

— Será que eu pareço com a porra da Martha Stewart?

— Isabella...

— Sem Isabella, Edward. Você tinha mulheres na sua casa e está seriamente irritado por que eu saí para dançar com os meus amigos?

— Elas estavam acompanhadas pelo pai. — Ele rosna, perdendo o controle e ela estremecesse com o seu tom. As palavras sendo assimiladas e acalmando um pouco a sua euforia.

— Pelo p-pai?

— Exatamente. O homem é o meu cliente e se uma delas atendeu o seu telefonema, foi enquanto eu estava no banho. Por insistência dele, estávamos indo comemorar. Eu não sabia que as garotas estavam vindo até que os três apareceram na minha porta.

— Você podia ter cancelado.

— Era tarde. E além do mais, por que eu faria isso? Não é como se eu fosse comer uma delas sobre a mesa de um restaurante com o cara que me pagou uma fortuna na última semana, assistindo.

— Eu apenas...

— Você apenas deduziu que apesar de eu ter estado com você há meses, eu te trairia na primeira oportunidade em que estivesse sozinho — Ele conclui para ela, que deixa o olhar cair, sentindo-se culpada — Eu não posso acreditar nessa merda.

— Desculpa. Você tem razão... eu exagerei. Edward, nós...

— Só me responda uma coisa — Ele pede, olhando-a com seriedade — Ontem, você fez alguma coisa da qual se arrepende?

— O que? Edward, não! Eu jamais...

— Mas eu sim, não é? — Isabella grunhe quando ele a interrompe mais uma vez, mas o deixa terminar — Você acha que eu ficaria com mais alguém, quando não tenho feito nada além de te dar motivos para confiar em mim!

— Como você confia em mim? Você tem ciúme até da minha sombra.

— Ciúmes, porque eu... — Edward parece em pânico por um momento, mas rapidamente se recupera — Sentir ciúmes é muito diferente de te acusar de traição. Francamente, Isabella, de nós dois, eu sou aquele com histórico de infidelidade?

Ele viu quando seus ombros caíram drasticamente.

Isabella perdeu toda a postura e seus olhos ficaram brilhantes com lágrimas não derramadas. Ele não sabia se porque havia lhe machucado ou porque ela finalmente percebeu o seu ponto. Edward estava bravo feito o inferno por saber que ela, possivelmente, esteve nos braços de outro homem na noite passada, mas o que mais doía era que ela tenha pulado para essas péssimas conclusões ao seu respeito, quando tudo o que tem feito é tentar fazê-la feliz. Suprindo todas as suas necessidades, uma vez que ele não é capaz de dar-lhe o que ela tanto deseja. Será que é por isso que ela esteve com outro? Para deixa-lo doente ou porque está cansada de esperar e todo esse show é uma maneira de empurra-lo para longe? Seja qual tenha sido sua verdadeira intenção, era exatamente isso que ela estava conseguindo.

Dando as costas, ele apanhou as suas chaves na mesa de centro, ignorando toda a comida que havia comprado e foi em direção a porta, parando apenas quando a ouviu fungar atrás dele, chamando o seu nome.

— O que?

— Para onde você está indo?

— Sair. Eu não quero ficar perto de você agora.

— Edward, não diga isso.

— Eu te avisei — Ele girou a cabeça, o suficiente para ter uma visão dela. Ele quase cedeu e correu para abraça-la, quando viu seu rosto molhado e contorcido em tristeza — Eu vou ser sempre honesto com você — Ela chorou e se aproximou, tentando alcança-lo, mas ele já tinha a porta aberta e vê-lo soltar o ar com força, a fez repensar a sua decisão — E se o meu perfume é tão importante assim para você, vai gostar de saber que eu cheiro como Alice. Ela está no meu apartamento, se entupindo de sorvete como uma adolescente porque o seu amigo terminou com ela — A boca aberta de Isabella se fechou com um estalo e ele balançou a cabeça para os lados — Ele é outro com quem eu tenho que me entender muito em breve.

Isabella gritou e chutou quando a porta se fechou com força atrás dele.

— Porra, porra, porra!

Como no mundo alguém fodia com a própria vida dessa maneira? Edward saiu chateado como ela não via há muito tempo e sequer podia exigir algo. Ela não podia acreditar no quanto tinha sido infantil e estupida. Enxergando vermelho desde que eles se abraçaram na entrada, ela mal tinha consigo pausar enquanto ele conversava com sua mãe. Tudo que queria saber era de quem pertencia aquele cheiro a qual ele estava impregnado. Era doce e parecia caro, mas nem por um segundo, Alice passou por sua cabeça. Quando se lembrou das mensagens dela que estavam registradas em seu celular, teve a confirmação de que Edward não estava mentindo sobre isso. Inferno, como se não bastasse, ela ainda insinuou coisas sobre Dominic enquanto estava amedrontada pelo que quer que Edward tenha feito em sua casa. Isabella esperava vários tipos diferentes de explicações desagradáveis. Coisas que a fariam querer atingir a cabeça dele com um vaso, que justificasse a sua insegurança, mas sabendo que as duas garotas estavam em sua casa apenas esperando para sair para um jantar acompanhadas do próprio pai, a deixou mais envergonhada do que ela tinha ficado em uma década.

Tinha sido tão ridícula.

Isabella não tinha ideia de como a noite de hoje acabaria, mas com certeza, não pensou que seria com Edward saindo ferido e chateado de sua casa.

Suas panturrilhas doeram.

Isabella olhou em volta, perdendo a noção do tempo em que esteve encarando a porta por onde ele saiu. Seu peito estava apertado e doendo, como alguém prestes a ter uma parada cardíaca ou algo assim e as lágrimas desciam sem qualquer esforço da sua parte. Ela caminhou até a janela mais próxima e afastou a cortina para dar de cara com o espaço vazio onde o carro dele deveria estar. A comida abandonada na mesa ainda cheirava bem e para a sua surpresa, fez seu estômago se manifestar. Ela não tinha comido o suficiente hoje e foi difícil de resistir quando percebeu que ele tinha comprado em sua lanchonete favorita. Como se ela precisasse de mais alguma coisa para se sentir culpada. Revirando as embalagens usando o garfo de plástico, a morena comeu em meio as lágrimas, se perguntando sobre o que diabos deveria fazer a seguir. Ele com certeza precisava de um espaço, até mesmo para ser capaz de perdoa-la – mesmo que não estivesse certa se ele tinha essa intenção.

Ela não o perderia por causa de um mal-entendido, certo?

Com medo, ela pega o telefone e digita os seus números, mas cansada de ouvir o barulhinho da chamada sendo completada pela terceira vez, desliga. Ela tenta novamente e mais uma vez, apenas chama e vai para a caixa postal. Na quinta, o aparelho foi desligado e a ideia de estar sendo ignorada por ele, dói feito o inferno, mas ela aguenta porque sabe que nada é como ele está se sentindo nesse momento. Se ela já estava apreensiva por ter que ficar sem um Edward – supostamente – infiel, era malditamente apavorante que o seu namorado, que tem sido aberto como um livro aberto com ela, se fosse de vez.

Para: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 21:24 p.m.

“Vamos conversar. Você precisa saber que eu sinto muito.”

Para: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 21:47 p.m.

“Eu fui estupida.

Você está certo... eu não tinha uma só razão para pensar que você faria algo assim. Eu estava carente, sentindo sua falta e não conseguia falar com você. Me desculpe por pensar o pior.”

Para: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 21:58 p.m.

“Você pode, pelo menos, me atender? Edward, nada aconteceu entre Dominic e eu. Nós nos encontramos por acaso, conversamos por alguns minutos enquanto tomávamos uma bebida e eu apenas dancei com ele. Perto dele, na verdade. Nós nem sequer nos tocamos. Merda... apenas...por favor.”

Para: Edward Cullen +(630-723-5017)

Hora: 22:17 p.m.

“Volta.

Eu te amo.”

Isabella caiu na cama em um choro sem controle, ensopando a fronha do travesseiro pressionada contra sua bochecha. Lola deitou-se ao lado dela e ficou olhando-a de maneira estranha, como se não soubesse o que diabos estava errado e apenas assistiu sua dona desabar. Desde que eles começaram a sair, ela não tinha tido motivos para chorar. Os dois brigavam, passavam a noite sem se falar e xingavam. Muito. Mas ela nunca chorava, porque sabia que ele estaria lá na manhã seguinte pronto para fazer as pazes.

Desta vez? Não estava tão certa.

Sentia-se como se tivesse dado dois passados para trás, voltando a ser a Bella de 17 anos, insegura com sua aparência e temendo as outras garotas do colégio, mas Edward não foi nada além de bom para ela e sua família e é assim que ela retribui. Ele tem trabalhado forte para superar o passado de ambos e ela simplesmente o trata como merda. Seus soluços fizeram o seu corpo tremer e enrolando-se nas cobertas, a morena fechou seus olhos e finalmente adormeceu de cansaço.

Ela estava tendo um sonho.

Ela sabia que era um sonho, porque de repente, estava feliz.

Seus olhos estavam fechados, mas ela sabia que estava no topo da junção de muitas rochas e o mar estava há metros e mais metros abaixo dos seus pés. A brisa em seu rosto a fazia sorrir como uma garotinha e no momento em que abriu seus braços, pronta para abraçar o mundo, sentiu algo quente em suas costas e então, rodeando-a por toda parte. Ela estava presa a um agradável calor que a fez suspirar, sentindo-se finalmente completa, mas quando abriu seus olhos, tudo que viu foi... escuridão.

Isabella se debateu na cama, mas algo a prendeu pela cintura. Ela tentou gritar, mas uma respiração quente em seu pescoço a fez desistir. Lábios macios tocaram a pele sensível atrás de sua orelha, a fazendo estremecer de prazer e empurrar o quadril para trás. Ela encontrou algo duro pressionando contra sua bunda e sorriu ao ouvir o gemido de Edward. A mão que estava em sua barriga, subiu na direção dos seus peitos e envolveu um, quase rudemente, para depois brincar com o mamilo que não demorou a enrijecer com os toques. Ela ainda estava sonhando?

O ruivo segurou o seu cabelo e puxou a cabeça para trás, a fazendo soltar um gritinho e sua orelha foi novamente atacada pela língua dele. Os dentes mordiam a pele para provoca-la e às vezes, com uma pitada de força a mais para puni-la. Momentos depois, a mão dele a virou na cama, fazendo-a ficar de costas e então, os lábios de Isabella foram tomados com violência. Ela sentiu o gosto de whisky em sua língua. Não era uma bebida que agradava o seu paladar, mas tudo com Edward parecia muito bem para ela, por isso o beijo foi correspondido com entusiasmo. A medida em que os gemidos, a temperatura e os toques foram ficando mais intensos, seu coração se encheu de alegria com a concepção de que estava acordada.

— Você está mesmo aqui? — Ela ofegou e ele riu baixinho.

— Mhm. Será que você estava tendo sonhos sujos comigo?

— Edward, você precisa me ouvir... — Ela pede, mas engasga quando seus dedos habilidosos se infiltram através do short e alcançam o cós da sua calcinha. Isabella estremece quando a pele dele toca a dela, agora nua. Ela geme.

— Eu tenho certeza que estou ouvindo — O ruivo afirma e usa o dedo do meio para invadir suas dobras, grunhindo em seu ouvido, sendo vítima do próprio prazer ao senti-la molhada para ele — Como você consegue estar sempre pronta?

— Porque eu sou sua, Edward — Ela suspira, se contorcendo com a provocação acontecendo no seu sexo. O dedo dele desliza, circula, aperta, finge penetrar e começa tudo de novo, nunca lhe dando o alivio que precisa — Nada aconteceu ontem à noite. Eu v-voltei para, huh merda, casa com... com o...

— Jasper? — Ele pergunta, antes de fechar os lábios em torno do seu mamilo.

— Isso! — Isabella grita, finalmente achando uma utilidade para suas mãos, que antes, amassavam o lençol. Ela agarra os cabelos enfurecidos de Edward enquanto ele morde e lambe o bico do seu peito através da blusa. O gosto não parece incomoda-lo e logo ela está com o tecido úmido em toda a área e sensível, pensando que uma vez que sua língua atingir a carne, ela estará realmente perdida.

— Você não vai mais sair com esse cara, não é, babe? — Edward pergunta e acaricia o seu clitóris com a quantidade certa de pressão para fazê-la pular do colchão, mas a sua perna entrelaçada na dela não permite que ela vá muito longe.

— O que? Mas eu...

— Não é, babe? — Ele insiste, aumentando a velocidade e logo a tem gritando que “sim, sim, sim” enquanto arqueia, desesperada pelo orgasmo se construindo — Boa menina. Da próxima vez, eu quero que me leve com você. Eu gosto de vê-la dançar, babe. A maneira como você mexe o seu corpo, mhmm, nós teríamos tanta diversão no banheiro. Você gosta deles, não gosta, Isabella?

— Edward, por que você ainda está vestido?

— Porque nós estamos conversando. — Ele sorri, arqueando uma sobrancelha enquanto aperta o peito dela, puxando para cima e massageando com cuidado.

— Eu não quero conversar!

— Bom, então cale a boca e escute — Ele manda, efetivamente calando-a com um beijo que a faz cair de volta aos travesseiros. Edward tira a mão de dentro da sua calcinha e engole o choramingo dela, lutando para afastar os seus joelhos e monta-la — Eu tive longos dez anos para comer a buceta que eu quisesse, Isabella, mas há um longo tempo, esta é a única na qual eu estou interessado. Você me entende? — Ele pergunta e empurra seus quadris, estocando nela por cima da roupa. O zíper da sua calça quase estourando causou na morena o efeito que ele desejava e mais uma vez, ele a tinha concordando — Se eu estou com você, não vou cair na primeira que aparecer, não importa as quilométricas pernas que a venham carregando até mim.

— Ela tinha pernas longas? A mulher do telefone?

— Sim, mas eu gosto de corpos menores e com mais curvas.

Isabella bufou.

— Você transou com ela?

— Sim, eu fiz, babe — Ele beija e mordisca a sua garganta ignorando a maneira como o corpo dela enrijeceu embaixo do seu — Há muito tempo atrás.

— Você é um babaca! — Ela grunhe, empurrando-o pelos ombros.

— Mas sou seu. Você compreende? — Ele se afasta o suficiente para que ela possa enxergar a verdade em seus olhos. O mata que ela esteja constantemente forçando-o a dizer as palavras que ele não quer admitir, mas é isso. Isabella Swan o tem pelas bolas e nenhuma outra mulher é páreo para ela. Enquanto essa admissão o transforma numa grande bagunça, a faz feliz e vê-la bem, é mais importante, então Edward continuará dizendo até que ela se convença — Eu sou para você. Sempre fomos um para o outro e eu não vou deixar ninguém – incluindo você, foder com isso novamente. Entendeu bem?

— Sim, eu sinto tanto, Edward. Tanto.

A boca de Edward cai sobre a dela no segundo seguinte.

Os dois se beijam furiosamente e gemem, enquanto ele continua estocando, esfregando o seu pau duro no centro necessitado da morena, que implora com seus pequenos miados contra seus lábios. Eles empurram um no outro, até que ele se afasta quando Isabella está estremecendo violentamente.

Surpresa, ela se ergue em seus cotovelos para observa-lo ir até o guarda-roupa. Seu queixo está no chão quando ela o vê pegando um travesseiro e um cobertor limpo.

— Edward, que diabos? Volte aqui!

— Eu acho que não, babe. — Ele lhe dá um sorriso comedor de merda que a enche de fúria e por muito pouco, ela não arremessa o abajur em sua direção.

— Você precisa terminar... isso.

— Eu estive fora por uma semana, trabalhando e quando passei por aquela porta, você não foi nada menos do que uma cadela comigo — Ele desnecessariamente informa, impassível — Você realmente acredita que merece um orgasmo?

— Edward, eu não estou no humor para os seus joguinhos. Apenas ve-

— Bom, porque eu estou fodidamente falando sério aqui — O tom de voz dele muda, sua expressão ganhando um ar quase frio que faz a sua petulância diminuir — Eu estou indo dormir no sofá e você não tem permissão para se tocar, entendeu?

Isabella sentou-se.

Sua expressão era de uma criança, cuja a mãe acabou de negar a sobremesa e os lábios dele se contraíram para sorrir do quanto ela ficava adorável quando contrariada, mas se controlou. Ele voltou a ficar de costas, procurando entre as coisas dela, a velha calça de moletom que costuma usar quando dorme aqui, enquanto a ouve amaldiçoar como um homem e chutar as cobertas para longe.

— Eu te odeio. — Ela chora, fazendo beicinho enquanto abraça as pernas contra o seu peito — Eu fodidamente odeio você.

— Isso é o seu tesão falando por você, babe. Nós dois sabemos que isso não é verdade — Edward pisca o olho esquerdo e ele é tão bonito que ela sente vontade de soca-lo e beija-lo até ficar sem fôlego — Seja paciente e eu vou cuidar de você quando estiver pronto para perdoa-la.

— Não se brinca assim com uma garota, Edward. — Ela se queixa.

— Não se tira um homem do sério como você fez — Ele lhe dá um olhar frio e caminha para fora do quarto — E na próxima vez, tenha a maldita certeza de que trancou a casa antes de vir para cama. Incapaz de retrucar a repreenda, ela se cala e o assiste sair do cômodo para logo depois, ligar.

Maldito seja.

*********

Isabella desperta do seu agradável sono, com o familiar som do despertador apitando. Seus olhos estão praticamente colados enquanto ela repassa os últimos acontecimentos de ontem. Ela se lembra de como ficou rolando na cama com suas mãos inquietas para desafiar o aviso de Edward, uma vez que estava certa de que não conseguiria dormir sem cuidar daquele problema primeiro. Porém, a mulher realmente não estava ansiosa para desafia-lo e ficar de castigo por mais tempo, então logo se viu caminhando pontas dos pés, apenas para encontra-lo profundamente adormecido no sofá.

Ele estava de bruços e Isabella precisou tapar a boca para não fazer barulho ao rir de Lola dormindo em suas costas. Edward deveria estar tão cansado que sequer percebeu o peso. Ela aproximou-se, sua raiva esquecida, e acariciou os cabelos macios até que eles estivessem modelados – ao contrário da bagunça de antes. Ele fez um ruído de apreço enquanto seus dedos passeavam, mas não acordou e por longos minutos, ela ficou ali ninando e acariciando-o, porque ele tinha razão...

Ela foi péssima em recebe-lo após essa viagem.

Este era outro erro que não estava disposta a repetir.

A segunda vez em que Isabella acordou naquela manhã, foi com os movimentos de sua gata brincando pelo quarto com a sua bola vermelha favorita, aquela com outras duas bem menores dentro que quando se chocam, fazem o barulho que a atrai. Quando ela alcançou o celular no criado-mudo e seus olhos se fecharam no horário, ela quase caiu para fora do colchão – pelo tanto que havia dormido. Para a sua sorte, a roupa de usar no trabalho já estava separada e dobrada na poltrona. Tudo que precisava fazer, era preparar seu café da manhã e tomar um banho e para a sua surpresa, quando passou pela sala, Edward ainda estava profundamente adormecido. Tentando não fazer barulho, ela foi para cozinha e começou a preparar a massa dos waffles e cortar frutas frescas para servir com eles.

Isabella umedeceu os lábios quando se aproximou do sofá e viu Edward esparramado nele, com um dos braços jogados acima da cabeça e o outro, cruzando o abdômen bonito e foi quando ela percorreu as ondulações pecaminosas com o olhar, que se deu conta de que seu namorado não estava vestindo nada por baixo daquele lençol. Sua buceta apertou contra a sua vontade, com as lembranças da noite passada e ela não resistiu a puxar o lençol para longe, expondo a sua gloriosa ereção matinal. Ela colocou um joelho no sofá, se apoiando no encosto e foi pegando cada espaço que podia, tentando não desperta-lo.

Edward suspirou, mas não se moveu quando ela o tocou.

Sua mão bombeou o seu pau até que ele deixasse de ser extremamente macio, para ficar firme e pronto para foder. Jogando o cabelo para um só lado do seu ombro, ela se abaixou e mantendo os olhos em seu rosto, lambeu a cabecinha. Ela sorriu, vitoriosa, quando Edward gemeu e virou o rosto para o outro lado. Continuando com os movimentos com a mão firme próxima à base, Isabella começou a descer de boca aberta em seu comprimento, polegada por polegada do ruivo que começava a grunhir em seu sono, mexendo o quadril e apertando as mãos.

Não demoraria nada para ele acordar.

A morena o tomou profundamente, até que a ponta do seu nariz tocou os poucos pelos que Edward mantinha. Ela fez um som de engasgo quando chegou ao seu limite e isso despertou. A cabeça de Edward pulou para cima, seus olhos ainda nublados de sono, se abriram e assistiram atentamente como ela o engolia, cobrindo seu pau de saliva, para então chupa-lo ao secar as bochechas.

— Será que eu morri enquanto dormia? — Ele gemeu, a voz rouca deixando Isabella ainda mais atiçada e prontamente, ela intensificou seus golpes com a língua, se divertindo ao usa-la para brincar com o buraquinho por onde o pré-gozo vazava com abundância — Eu estou na porra do céu.

— Bom dia. — Ela cumprimentou, cantarolando depois de solta-lo com um “pop” que fez seus olhos escurecerem. A barriga de Edward estava toda contraída e parecia que ele iria esgana-la, se ela parasse por aqui.

Isso a fez rir e voltar a masturba-lo.

— Oh, minha Bella, o que aconteceu com você? — Ele perguntou, ofegando por ar quando sua namorada montou a sua perna e começou a se esfregar nela descaradamente enquanto o chupava forte. Os olhos de Edward reviravam atrás das pálpebras e ele estava se segurando para não gozar tão rápido quanto ele estava morrendo de vontade para fazer — Merrrrrrda.

Sim, era isso.

Acordar dessa maneira semanalmente seria o seu único pedido de natal nesse ano.

Ela sacudiu os ombros, sorrindo inocentemente antes de responder.

— Eu gostei de vir e encontra-lo nu.

Edward quase gritou como um molequinho recebendo o primeiro boquete, quando ela assoprou na cabeça sensível e molhada, para depois envolve-la com os lábios e quando seus dentes arranharam de leve todo o caminho do seu pau, era tarde demais para ele. O ruivo estava se libertando em sua boca maravilhosa e tremendo por causa dela. Suado e profundamente relaxado por causa da diabinha que limpava o canto do lábio com o polegar, apenas para provoca-lo.

— Feliz em agradar, Srta. Swan — Ele brincou, esticando a mão para puxa-la. Isabella veio de bom grado e logo estava deitada em cima dele, seu rosto sobre o peito, onde ela ouvia as batidas do coração se acalmarem e voltarem ao ritmo normal, aos poucos. Até que quando estava ficando sonolenta e preguiçosa, Edward deu-lhe um tapa na bunda que a fez saltar de leve — Vamos, levante-se.

— Para onde estamos indo? — A morena perguntou quando, ainda pelado, ele a tomou em seus braços e deixou a sala.

— Para o chuveiro. — Ele responde, roçando o nariz na orelha dela. Sua respiração, a fazendo rir com as cócegas.

— Eu tenho o nosso café da manhã pronto, Edward...

— Mas eu quero mostrar o quanto eu senti sua falta, babe — Edward responde ao coloca-la sentada no balcão. O frio em sua bunda sequer a incomoda, porque ela se sente muito quente por causa do efeito das promessas naquelas palavras — Eu estou pronto agora para desculpa-la por ser tão impertinente. O que você acha disso?

— Eu acho que o café pode esperar.

*********

As portas do elevador se abrem e três pessoas saltam para fora, enquanto duas entram com pressa. Isabella é uma das que sai e Miranda está ao seu lado, dando outra volta no pescoço com o cachecol de crochê colorido que – por um milagre – está casando muito bem com seu vestido. Provavelmente porque a peça é preta de cima à baixo. Ela tosse e funga, deixando Isabella ouvir o som desagradável do congestionamento nasal. A mulher está fortemente gripada e mesmo que o sol fraco esteja lutando com as nuvens cinzentas no céu, o clima não deixa de ser um pouco frio demais para alguém doente.

Elas cruzam a rua de braços dados, enquanto a morena aperta as mãos frias da amiga e faz piada sobre isso. As duas seguem conversando sobre seus pais.

Miranda lhe conta que recém divorciado da segunda esposa, o seu pai pretende mudar para Seattle assim que conseguir se aposentar. Ele tem toda a intenção de ficar mais próximo dela e isso vem a preocupando, pois além de ele não gostar muito de Louis, não tem ideia de que os dois estão morando juntos há algum tempo. Segundo o homem mais velho, ele sente que Louis esconde alguma coisa e o acusa de ser manipulador por estar afastando a sua única filha dele, quando a realidade é bem diferente.

A madrasta de Miranda é que lhe dava nos nervos e Louis a proibiu de vê-los, apenas quando descobriu o que a mulher passava a cada nova visita. Isabella totalmente entende o desconforto de ambos e a aconselha sobre conversar bastante com Louis, para que seu pai não consiga coloca-los um contra o outro. Porque afinal de contas, o homem não pode atrapalhar a vida que ela vem construindo, só porque agora o romance dele acabou. Ela também comenta sobre o estado de Charlie e lamenta por não poder ir vê-lo como gostaria. Miranda, após ouvir a história, diz que ela faz muito bem em não ir, ou o professor vai acabar ficando mimado com toda atenção que recebe quando faz algo irresponsável sobre sua saúde. Assim, elas chegam na Starbucks e fazem os pedidos.

— Você parece incrível esta tarde, Bella — Miranda comenta, remexendo na bolsa para encontrar o dinheiro, mesmo que a amiga tenha se oferecido para pagar — Eu admito que achei o Edward bem intimidante, principalmente quando ele começou a trabalhar para o Jackson, mas ele tem te feito tão bem.

— Por que você acha que tem a ver com ele? — Isabella pergunta com um sorriso curioso, mas admite para ela mesma que Miranda tem toda razão.

— Há todo esse brilho pós-coito sobre você.

Isabella engasga com um gole do Latte em seu copo para a viagem. Seus olhos estão cheios de lágrimas quando ela olha em volta para ter certeza de que ninguém a ouviu dizer aquilo. Com o rosto quente, ela limpa a garganta, porque depois de tudo que Edward e ela fizeram no chuveiro esta manhã, ela tem impressão que toda a depravação está estampada em sua testa.

Edward estava inspirado.

— Não há tal coisa sobre mim. — Isabella desmente, abaixando a cabeça quando o rapaz no caixa lhe entrega o seu troco depois de piscar. Ele ouviu, porra.

— Sei que os meus olhos não funcionam muito bem, mas eu tenho certeza que, assim como o meu sobrenome é Doyle, você tem esse brilho diferente de quem foi recém – e muito bem – fodida, então não perca o seu tempo negando.

— Seu sobrenome é Doyle? — Ela tenta desconversar outra vez, mas antes que possa obter uma resposta, esbarra contra algo grande e quase não consegue se equilibrar em seus saltos negros e malditamente altos — Você não... Emmett?

— Ei, Bella! — Emmett late, sua voz alta chamando a atenção dos outros clientes. Ele sorri largo para ela, então franze a testa quando percebe uma mancha no chão — Merda. Eu sinto muito sobre o seu café. Posso lhe comprar outro?

— Está tudo bem, Emm. Ainda há bastante, mas obrigada. — Ela sorri de volta e se afasta quando uma funcionaria chega para limpar a bagunça.

— E quem é sua amiga? — Ele pergunta ao seguir as mulheres para fora do estabelecimento, ignorando que a fila havia aumentado de tamanho.

Isabella os apresenta e eles jogam conversa fora por alguns minutos antes da moça deixá-los, por estar esperando pela ligação de alguém importante.

A morena ficou para trás, conversando com Emmett, já que eles não se viam desde o aniversário de Edward e ela se surpreende quando ele admite que na verdade, está esperando Rosalie sair com o filho do consultório odontológico, que fica no sexto andar do mesmo edifício onde ela trabalha. A pele de Isabella chegava a pinicar sempre que o nome dela era mencionado, mas disfarçava bem e mudava o assunto para Mason. O garotinho era uma coisa doce.

— Embora não exista muita semelhança física, eu vejo muito de você, nele. — Isabella comenta, mordiscando a borda do copo vazio.

— Mas por que haveria? — Ele pergunta com uma risada e então cai a ficha — Oh. Será que Edward nunca te contou sobre Mason?

— Mhm, não. O que teria para me contar?

— Ele não é realmente nosso. Quero dizer, ele é um Cullen, mas não de sangue.

Isabella endireita a postura com a nova informação.

Está bem que o menino realmente não parece com nenhum dos pais, exceto o cabelo claro que poderia ter vindo da mãe, mas ela não fazia a menor ideia que haviam adotado uma criança. Vagamente, ela se recorda que quando se encontrou com Alice e Edward em Forks, eles estavam comemorando o aniversário de três anos de casamento de Emmett e Rose. Mas se Mason já tem cinco, então...

— Ele nunca me mencionou nada.

— Eu vejo. Tenho certeza que foi a pedido de Rosalie — Emm suspira com os olhos no trânsito movimentado — A minha mulher não fica muito confortável em torno desse assunto. Ela acha que fará mal a Mason o lembrarmos de que nem sempre ele esteve conosco.

— Ela tem... — Isabella começa, mas se cala quando percebe sua indelicadeza. A última pessoa que deveria saber coisas pessoais sobre Rosalie, é ela — Desculpe.

Emmett ri do seu constrangimento e bufa antes de responder.

— Ela está perfeitamente bem — Ele afirma com um sorriso doce, demonstrando o amor pela esposa — Os médicos não conseguem encontrar qualquer coisa de errado com o seu corpo ou com o meu. Tudo funciona como deve, mas o bebê simplesmente nunca veio e nós cansamos de esperar.

— Não precisava se explicar.

Ele estala a língua e depois a encara.

— Você está bem com isso?

Ela pigarreia.

— Eu estou feliz por você, Emm — Ela afirma e alcança o seu braço que está sobre a pequena mesa de dois lugares na qual estão sentados — Eu sei que no fundo, era isso que você queria. Uma família. Pessoas para cuidar e amar. Me alegra muito que você tenha conseguido.

— Obrigada, Bella. Eu acredito que você também terá o que precisa mais cedo do que imagina — Ele aperta a sua pequena mão e ela balança a cabeça, negando com um sorriso triste em seus lábios — É claro que sim. O idiota do meu irmão vai lhe dar o que diabos você quiser.

— Eu acho que o que eu quero está fora dos limites. — Ela dá de ombros, tentando disfarçar a dor sutil que se apossa devagar e respira fundo.

— Você está errada. Se alguém foi capaz de mudar o meu irmão por três vezes, essa foi você. Eu sei que o fará querer isso também, Bella.

— Eu não... do que você está falando? — Ela o olha com profunda curiosidade, mas Emmett perde o bom humor instantaneamente.

— Não é a minha história para contar.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Ei, vocês. Essa semana, eu recebi uma “reclamação” sobre os meus capítulos serem longos demais. Ok, eu sei que eles são grandinhos e às vezes eu me empolgo. Juro que não é por querer! Eu tento estabelecer um limite, mas às vezes quando vejo, já passei... e não curto ficar excluindo as coisas. De qualquer forma, se alguém se sente incomodado com isso, eu vou tentar mantê-los nesse limite de 10 mil ou menos e tal, até porque se eu passar muito disso a cada 7 dias, quem acaba doida sou eu, hahaha. Agora sobre esse casal. Sabíamos que teria tretinha, né? Isabella saiu apontando o dedo a torto e a direito, ao invés de conversar com bom senso e o Cullen, não curtiu outro macho rodando sua mulher. Posso culpa-lo? Não posso. Achei o castigo da Bella merecido e às vezes, há males que vem para o bem. Foi fofo ele “expondo” que era dela ♥ Até esse ponto da fic, vemos que os “principais inimigos” do casal, são eles mesmos e não o pessoal de fora, então torçamos para que eles mantenham firmes as rédeas dessa relação. Bom final de semana, gente. Nos vemos nas reviews.