Notas iniciais
Como é que vocês vão pessoas?

Uma pequena coisa pode fazer uma diferença.

Uma diferença infinita.

Pesquisei como chegar a Empresa Mabuchi Empreendimentos e Publicidades. Qual metrô deveria pegar para chegar no horário certo. Ativei meu despertador para tocar 05h45min. Levei meu tempo escolhendo uma roupa bonita. Alimentei meu gato Thor com comida o bastante para o restante do dia e saí para meu primeiro dia de trabalho.

Uma coisa teria feito toda a diferença.

Pesquisar quem diabos era o meu chefe.

Eu não fiz isso na minha entrevista de emprego. Estava sem internet, e tudo que eu fiquei sabendo foi o que a encarregada das entrevistas contou.

Como todos os outros presentes no dia eu sacudi a cabeça e concordei com tudo.

Gregory Mabuchi salvou a empresa de uma crise quando assumiu a presidência.

Isto é tudo que sei sobre o meu chefe até hoje.

A única coisa que não fiz foi o que me colocou em uma enrascada.

Uma foto.

Uma maldita foto teria me poupado de uma grande dor de cabeça.

Cruzei os braços sobre o peito, e mudei meu peso de uma perna para outra testando uma posição confortável.

Olhei diretamente para ele.

Depois de conseguirmos o contrato, nós fomos direto para a sala da presidência.

Bastardo arrogante estava me cozinhando em fogo brando porque isso foi há alguns minutos atrás e desde então tudo que ele tem feito é mexer nos papéis em sua mesa.

Limpei a garganta, cansada de qualquer que fosse o jogo que ele estivesse jogando.

Ele nem olhava para mim, descaradamente me ignorando.

Descruzei os braços e cerrei os punhos encostando o corpo na parede.

Suspirei. — Tudo bem. O que estou fazendo aqui, afinal? — Isso fez com que ele finalmente olhasse para cima, olhasse para mim.

Não era o melhor momento para o meu temperamento mostrar suas garras, mas bom Deus o homem me enlouquecia sem nem precisar falar.

— Desculpe? — ele estava divertido e falsamente inocente.

Girei os olhos mentalmente. Ele estava jogando comigo.

— Eu estou aqui parada enquanto me ignora. Porque quis que eu o acompanhasse se vai continuar cuidando da sua vida enquanto eu — apontei para mim mesma em um gesto de mão irritado — continuo de pé observando-o monopolizar meu tempo, como se fosse o dono dele.

Seus olhos pretos franziram em fendas, quando sorriu.

Ele realmente sorriu!

— Oh, quanto grosseria, eu não lhe convidei para sentar? — perguntou apontando para uma das cadeiras pretas em sua cadeira. Sua voz trabalhou duramente para ocultar a diversão.

Ele estava se divertindo em me antagonizar? Há pouco tempo, parecia querer me ver tão longe quanto possível e agora estava achando-me engraçada.

— Estou bem de pé — afirmei.

Eu não estava, mas me sentia compelida a contraria-lo.

Seus ombros largos encolheram de forma indiferente. — Como queira.

— Eu salvei a reunião — falei. Não era hora de ser modesta. — Nós tínhamos um acordo.

Alguém bateu na porta e sem pensar eu fui até ela abrir. Uma garota loira e sorridente estava do outro lado. Perguntei-me se o seu sorriso grande não fazia seus lábios e bochechas doerem.

— Oi — cumprimentou ofegante como se tivesse corrido para chegar até ali. Dei um passo para trás e abri mais a porta deixando-a entrar na sala.

Seus olhos foram instantaneamente para Mabuchi e rolei meus olhos pelo quão afetada por sua aparência e presença ela pareceu ficar.

—Eu sou a sua nova secretária! — sua voz estava tão sorridente quanto seus lábios.

Disparei minha cabeça da loira bem vestida para Gregory incapaz de formar pensamentos coerentes. Meus olhos quase saltaram das orbitas.

— Você deu a sua palavra! — praticamente gritei para ele.

Qualquer diversão sumiu, e seu rosto virou uma mascara.

— Eu sinto muito, — começou, porém não estava olhando para mim, estava olhando para a loira sorridente — mas houve um engano, eu não preciso de uma nova secretária.

— O que? — o queixo da mulher caiu, e eu senti uma pontada de culpa.

Gregory não repetiu, apenas pediu para que ela saísse, e assim ela fez.

Direto como da primeira vez em que me demitiu.

Céus.

Não precisava ser tão grosseiro — pensei

— Não precisava?

Oh porcaria eu tinha dito em voz alta.

Olhei ao redor da sala, e notei um sofá preto parecendo incrivelmente confortável perto da parede. Caminhei até ele. Apesar de não querer mais ficar de pé, eu não queria sentar onde ele havia dito para fazer. Depois de sentar, encontrei seu olhar agora frio.

— Eu não sei como funcionam as coisas em seu pequeno mundo, mas no meu não há porque perder tempo se eu posso ser direto.

Engoli em seco. As palavras ausentes por um segundo.

— Para alguns gentileza não é perda de tempo- alfinetei com um pouco mais de petulância do que previa. — E com certeza não faz mal algum.

— Gentileza não é importante no meu meio de trabalho.

Cruzei as pernas, e coloquei as mãos sobre os joelhos.

Gentileza não era importante? Minha mãe pessoalmente puxaria as orelhas dele se o ouvisse dizer aquilo.

— Sua opinião, senhor. Eu tenho a minha própria sobre isso e certamente ela é divergente a sua.

— E qual seria?

Fitei minhas sapatilhas douradas. Ele estava jogando comigo novamente? Porque não fazia sentido alguém que não gostava de perder tempo, querer ouvir o que eu achava sobre boas maneiras. Senti que tudo que eu dizia era analisado em sua mente repetidamente. Como se estivesse me testando. Eu não tinha palavras para contra ataca-lo então decidi ir por outro caminho.

— Tendo em vista sua necessidade em não desperdiçar um segundo, acho que é melhor irmos direto ao ponto.

Senti orgulho de mim mesma por alguns segundos por ter dito algo que meramente soava com algo que ele diria. Seu sorriso arrogante fixou-se em seus lábios. A diversão brilhando por um segundo em seus olhos.

— Agora, isto é algo inteligente. Estou surpreso.

Suas palavras cavaram um buraco direto no meu ego. Ele estava me chamando de burra? Mordi a língua para não dizer o mar de obscenidades que estava pensando.

Sorri forçadamente olhando para NYC através do vidro da janela.

— Meu emprego.

Notei que ele levou a mão à boca como se contento um sorriso quando balançou a cabeça e disse:

— Ah sim, seu emprego.

— Eu o quero de volta. — Parte minha estava ficando cansada de repetir a mesma coisa o tempo todo. Esperei por sua resposta, ainda fitando a janela panorâmica, quando nenhuma venho me obriguei a olhar para ele. Tive um sobressalto ao notar que estava me olhando. Novamente foi como se eu estivesse sido testada. — Tenho certeza que provei meu ponto. Eu mostrei que posso ser útil para a sua empresa.

Aparentemente ficar na mesma sala que meu chefe estava me deixando um pouco mais arrogante e segura de mim do que o normalmente sou. Ou isso ou o batom que Meredith me fez passar.

Uma batida se passou e ele não disse nada. Seus dedos começaram a brincar com uma caneta. Ele me observou como se silenciosamente decidisse algo, que eu nem podia sequer começar a atender.

Comecei a vacilar.

Acho que eu precisava de mais uma camada de batom vermelho.

Diga alguma coisa, maldição! — quis gritar.

Suspirei e esfreguei meu rosto. Era apenas uma desculpa para quebrar contato visual. E eu tinha consciência que ele sabia disso.

— Chega — falei mentalmente — se ele não disser nada eu vou embora. A situação toda estava ficando ridícula.

A realidade rolou seus olhos para mim em zumbaria.

— E como vai continuar a se sustentar, garota tola? — ela indagou entediada.

Não faço ideia, respondi.

Limpei a garganta.

— Senhor?- Céus eu odiava chama-lo assim. Sempre chamei meu pai de senhor por respeito, assim como sempre tratei os mais velhos dessa forma. Mas com ele era diferente. Eu me sentia submissa. E odiava me sentir impotente. — Nós tínhamos um acordo. O senhor me deu a sua palavra — ajustei uma mexa de cabelo solto atrás da orelha. — Meu pai me disse a vida toda que a palavra de um home, é um dos seus bens mais valiosos.

Minha confiança estava caindo por terra, e mais do que tudo eu o odiei por isso.

Mabuchi piscou surpreso. — É um ensinamento sábio — admitiu a contragosto. — E certamente concordo com isso, porém eu não lhe dei minha palavra, senhorita. Nada foi realmente prometido.

Ele tinha sua palavra. Mais ou menos.

— Observe através da minha perspectiva — pediu calmamente. Franzi a testa. — Há uma jovem no sofá da minha sala, me pedindo seu emprego de volta — ele cruzou as mãos sobre a mesa e deu um pequeno quase inaudível suspiro. — Esta mesmo jovem que embora tenha auxiliado em uma reunião importante que começou fadada ao fracasso, porém que teve uma guinada um tanto quanto imprevisível, apenas um dia atrás me ofendeu, e agrediu-me. Consegue ver as coisas como eu estou vendo? Eu prometi analisar a situação senhorita, e estou fazendo isso.

Meu sangue correu mais rápido pelas minhas veias. Quente e rápido.

Se mantenha sob controle — a minha parte racional ordenou. Já minha parte explosiva estava implorando para entrar em ação. Implorando para joga-lo pela janela quando a cena do elevador passou pela minha mente como um filme.

— Não aja como se a malita culpa fosse minha — rosnei. Ele não pareceu surpreso com a minha explosão. Bom. Eu tinha mais coisas a dizer.

Dane-se o emprego, eu podia muito bem pedir esmola no sinal que seria menos humilhante do que ficar rastejando sobre o senhor terno caro.

— É possível saber muito sobre uma pessoa através do seu autocontrole — foi sua resposta. Não houve aumento em seu tom. Nenhuma oscilação em sua voz. Ele estava perfeitamente no controle de si.

Ergui minhas sobrancelhas e ri. Verdadeiramente ri.

Eu não queria saber — ou imaginar — o que ele já sabia de mim a partir do meu controle quase nulo. Tenho quase certeza que eu pareci um pouco insana, com meus olhos brilhando de raiva.

— Concordo. E é possível conhecer uma pessoa tão bem quanto a partir da forma que ela age ao redor das pessoas. — Foi sua vez de erguer as sobrancelhas escuras e grossas.

— Prove seu ponto, senhorita — incentivou pressionando os lábios em uma linha dura.

Oh, eu estava indo provar.

— Cadela irritada — murmurei pausadamente. Meu rosto quente com a lembrança de suas palavras. — Isso diz o que ao seu respeito, senhor?

Eu sabia que tinha atirado no ponto quando sua postura vacilou.

— Eu admito que não foi a minha melhor escolha de palavras.

Soltei uma risadinha sem humor. Não foi a melhor escolha de palavras dele?

— O que — interrompi incapaz de poder guardar minha indignação por mais tempo — a sugestão que fez sobre eu ser uma das mulheres que dorme em sua cama faz de você?

Bastardo arrogante bufou exasperado.

— E está me dizendo que isso justifica tudo? Está me dizendo que eu farei uma boa escolha em deixar você voltar para a minha empresa? Seu autocontrole é igual ao de uma criança de sete anos. Como eu posso ter certeza que vai ser capaz de lidar com os empresários que vão entrar e sair da empresa? — puxou a gravata, soltando um pouco o nó como se estivesse sufocando-se. — Não há gentileza no mundo dos negócios.

Seus olhos estavam tão irritados e tempestuosos quanto eu me sentia, mas isso era o único indicativo de qualquer descontrole de sua parte.

Bom Deus o homem era inacreditável. Não se tratava de gentileza.

Joguei as mãos para o alto.

— Você me chamou de cadela irritada — gritei com irritação. — Não se trata de gentileza e sim de respeito. Como em nome de Deus eu poderia apenas sorrir e acenar depois de ser insultada daquela forma degradante? Eu apenas me defendi!

A garota feminista dentro de mim estava batendo palmas e chorando emocionada com meu discurso.

Olhei para o teto por um segundo, tomando respirações calmantes. Ele não percebia o obvio. Tinha feito o mesmo que eu. Eu o insultei agredindo-o, e ele se defendeu me demitindo. Era uma semelhança torta. Uma questão matemática estranha de quem podia mostrar mais poder.

Sua expressão se tornou de repente cuidadosamente neutra, e isso me enervou mais, me deixando com mais raiva porque eu tinha certeza que parecia uma chaleira em ponto de ebulição. Fervendo como o diabo — era a definição que meu pai costumava usar comigo de brincadeira, e agora caia horrivelmente bem ao momento.

— Eu não irei me desculpar — afirmou.

Rolei meus olhos trincando os dentes. — E eu honestamente não esperava que fosse capaz disso.

Uma batida se passou. Soltei o ar pelo nariz, forçando meus ombros a parecerem relaxados e ficarem eretos. Meu coração pulsava loucamente dentro do meu peito, batendo tão rápido que distraidamente me perguntei se iria explodir.

— Eu confesso que não pensei nas consequências de ter lhe agredido — suspirei — mas eu não me arrependo — obriguei meus olhos a fazerem contato visual, querendo que ele visse a verdade do que eu estava dizendo. — A única coisa da qual desejo poder mudar é que o homem a receber meu tapa, não fosse aquele que pagaria meu salário no final do mês.

Peguei minha bolsa do chão, levantei do sofá, alisei as rugas do meu vestido e ergui o queixo. Minha mãe vivia me dizendo que era preciso saber a hora de parar de argumentar, e diabos, ás vezes era difícil para mim, porém eu estava indo seguir o conselho dela.

— Tenha um bom- dia, senhor — meu lábio inferior tremeu quando pensei no peso das palavras, não era um mero comprimento de adeus.

Mordi o lábio esperando que ele não tivesse notado. Eu não iria mais implorar, não se tratava mais de orgulho, era sobre o que minha mãe tinha me dito tantas vezes. Se for pra ser, então será.

Eu estava desempregada novamente.

Gregory Mabuchi tinha sua opinião formada sobre mim, argumentar com ele só serviria para gastar saliva á toa.

Ouvi o suspiro de bastardo arrogante quando alcancei a fechadura e abri a porta.

— Senhorita? — chamou ele.

Não me mexi. Mais alguns passos e eu estava fora. Longe do seu reino maldito, e da sua tirania cretina.

— O que é? — eu nem sei por que eu respondi, não queria mais ouvir nada do que ele dissesse.

Gregory suspirou novamente, e então fez meu coração parar quando disse:

— O emprego é seu.

Notas finais
Gostaram? Então comentem e me digam o que acharam