Era para ser você
9 Problema de audição
Notas iniciais

Nostalgia.
Senti-me nostálgica, conforme meus passos faziam barulho e eu subia as escadas velhas do meu prédio. Senti saudade de casa, saudades dos meus pais.
Enfiei a chave na fechadura, e pisei dentro do meu apartamento. Mal tive tempo de retirar a chave do miolo, antes do meu celular tocar. Como se alguém lá em cima, tivesse lido meus pensamentos – ou emoções – o identificador de chamadas me disse que era minha mãe ligando.
— Alô?- atendi.
Passei a meia hora seguinte conversando com ela sobre tudo – ou quase – porque precisei dar voltas para não contar por acidente o que vinha omitindo nos últimos meses. Eu amava minha mãe, e bom Deus ela era a mulher mais compreensiva que já pisou na terra, mas me mataria se soubesse tudo que omiti dela e do papai nos últimos meses. Ela não era boba, sabia que eu estava escondendo algo, porém não tinha certeza do que.
Nunca contei a ela sobre Dylan, ou que tinha quase teria perdido o lugar onde morava se não fosse por Meredith, e também não contei que fui proibida de entrar nas aulas. Tudo que a deixei saber era em sua maior parte uma grande mentira açucarada. Por isso não a culpei pelo grito que deu quando falei que estava em um novo emprego.
— Eu não entendo. Tu não tinhas dito a mim e ao teu pai que amava teu emprego?- afastei o celular do ouvido e sorri ao ouvir seu sotaque.
Pelotas era minha cidade natal. Uma cidade no Sul do país que a maior parte das pessoas nunca nem ouviu falar. Depois de sair de lá, nunca mais ouvi o sotaque característico a não ser na minha própria voz ou conversando com minha mãe. Era estranho porque nunca achei que sentiria falta.
— É uma longa história, mãe. — Eu realmente gostei do meu emprego por um tempo, até que isso explodiu na minha cara, meus pais, entretanto só conheciam a versão gostar da história. E era melhor assim. De repente me senti cansada, e quis contar tudo a ela. Sem ocultações, sem açúcar cobrindo o amargor, mas não podia ou ela enlouqueceria, e provavelmente entraria como imigrante ilegal no país apenas para se assegurar que eu estava bem. E então depois de ter feito isso faria meu pai cometer algumas mortes. – O salário nesse emprego é melhor – conclui o assunto. Não era mentira, o salário como secretaria era melhor do que eu ganhava no hotel como camareira. Não muito, mas um pouco melhor. — Como está o papai?
Ela soltou um suspiro. – Não mude de assunto, guria. Eu posso sentir que algo está errado, diga-me o que há.
Fechei meus olhos sorrindo. Ás vezes eu achava que minha mãe era sensitiva.
Quase dei risada ao me perguntar, o que minha mãe hippie e calma diria se soubesse que agredi meu chefe.
— É sobre o meu chefe- comecei deslizando pela parede e sentando no chão. Estiquei as pernas e brinquei com a barra do meu vestido.
— O que sobre ele querida? – perguntou-me com preocupação genuína. Senti-me com dez anos de idade novamente, reclamando sobre os valentões da escola.
— Ele é um idiota – grunhi e ri. – Um verdadeiro idiota, mãe. Lembra-se daquele vizinho que a gente odiava?
Minha mãe fez um barulho de horror com a boca. — O que maltratava os animais de rua? Tão ruim assim meu amor?
Era um pouco de exagero colocar Gregory Mabuchi na mesma lista que alguém como nosso antigo vizinho, exceto que bem, ele podia ser assim tão odioso ás vezes.
— Talvez eu esteja sendo um pouco exagerada – admiti a contragosto.
Ao fundo da ligação escutei a voz do meu pai, e logo em seguida minha mãe riu.
— Vou passar o telefone para o seu pai, está bem? – segundos depois meu pai estava falando comigo ao celular. – Hei boneca, como vai? – me cumprimentou.
Meu pai há muito tinha perdido seu sotaque inglês, só que nunca tinha realmente obtido o sotaque do sul. Era uma mistura de ambos. E terrivelmente familiar, tanto que fez meus olhos marejarem.
Limpei a garganta.
Com saudades.
E fiquei surpresa com isso, fiquei surpresa por sentir falta da minha velha vida no Brasil. Não me entenda mal, gosto do lugar em que nasci, mas gosto mais da pessoa que me tornei aqui em Nova York.
— Com saudades do senhor e da mamãe. Saudades de casa, pai.
Depois de encerrar a ligação, joguei-me no sofá e mandei um SMS para Meredith. Uma mensagem simples de três palavras.
Estou em casa.
A resposta demorou pouco mais de dez minutos.
Estou indo ai.
Sorri e bocejei depois disquei seu número ao invés de digitar com preguiça demais para isso.
— Use sua chave – falei entre bocejos. – É bem provável que pegue no sono antes de chegar aqui. Parece que um caminhão passou por cima de mim.
— O que houve com a antiga solução alô?
Dei uma risadinha ao mesmo tempo em que Thor pulou em cima de mim no sofá. Com a ponta dos dedos cocei a parte de trás de suas orelhas sorrindo ao vê-lo ronronar.
— Pensei em usar o velho modo Meredith e ir direto ao ponto. O que você está fazendo?
Ouvi alguns latidos antes da sua voz preencher a linha.
— Deus Loki na lata tão alto, já vou encher seu prato.
Ri quando seu vira-lata latiu ainda mais estridentemente fazendo-a suspirar dramaticamente.
— Eu sou sua dona não o contrario, estou dizendo para se comportar. Se comporte! – Ri mais alto, porque vivia o mesmo dilema com Thor que tendia a achar que eu era seu animal de estimação.
Thor se enfiou debaixo das minhas axilas ronronando, enquanto Meredith resmungava e colocava ração na tigela de Loki.
— Eu juro Jas um dia ele vai colocar uma coleira em mim e sair por ai desfilando comigo pelas ruas – soltei uma serie de risos. Thor me olhou irritado e miou insatisfeito saltando para longe.
— Estamos no mesmo barco, Thor acha que é meu dono ás vezes.
Meredith fez um barulho de concordância enquanto ria. – Respondendo a pergunta anterior eu estava estudando – abri a boca, mas ela me interrompeu. – Se fizer qualquer piada sobre isso é melhor começar a rezar.
Inferno ela me conhecia bem.
— Nunca passou pela minha cabeça fazer isso. – Não era como se Meredith não fosse uma aluna dedicada porque ela era, é só que ás vezes tendia a deslizar, como na vez que dormiu em cima de uma prova. Eu não podia julga-la, estávamos juntas nisso também.
— Quando você chega? Traga seus cadernos para cá, acho que vai ser bom estudar um pouco também.
Meredith gemeu. – Falta tão pouco para gente conseguir o diploma, e mesmo assim parece tão longe.
Gemi de volta. – Estou com você nisso companheira – murmurei, porém logo uma pontada de melancolia me atingiu. Depois de obter o diploma, eu teria que dizer adeus a Cidade de Nova York, o que significava dizer adeus a minha melhor amiga também. – Venha logo para cá – continuei e pela forma que o silêncio se estendeu Meredith provavelmente estava pensando o mesmo que eu.
Ela suspirou. – Vou ter que levar Loki comigo, você sabe como ele fica emotivo toda vez que o deixo sozinho em casa.
Sorri. – Sem problemas – eu amava a bola de pelo. – E Meredith?
— Sim?
— Eu tenho sorvete, traga a calda.
Ela riu e soltou um barulho de apreciação antes de desligar.
Coloquei meu telefone ao meu lado no sofá e esfreguei os olhos olhando ao redor do meu minúsculo apartamento. Eu devia o lugar em que morava a ela. Embora tivéssemos nos visto várias vezes na universidade, nunca realmente tínhamos nos falado ate que a ajudei depois de uma bebedeira. Nós nos tornamos amigas depois disso, mas a garota mal me conhecia e deu a indicação sobre meu antigo emprego – só de pensar em Dylan meu estomago afundava, e embrulhava. Meredith se culpava como se eu ter sido assediada pelo meu chefe com uma mente doente fosse culpa sua. Diabos eu a amava como uma irmã e apesar do pouco tempo em que nos conhecíamos ela que me ajudou a arrumar um lugar para viver. Cobrou um favor de um velho cliente chamado Brent – dono do meu apartamento. Ele estava em divida desde que ela o ajudou em uma briga de bar.
Trabalhar em um bar dava acesso a um monte de informações, e criava ligações conclui em admiração depois disso.
O apartamento era pequeno, porém confortável. Possuía um quarto, banheiro e cozinha/sala de estar embutida. Mesmo com o tamanho de uma caixa de fósforos, o preço que ele cobrava para mim era certamente menor do que o de mercado. Fora isso a maior parte dos moveis são dele já que quando ele se mudou para casa da noiva não queria levar consigo mais do que o necessário.
Brent era um cara legal, mas se não fosse por Mer eu duvidava que ele me deixasse atrasar o aluguel três meses seguidos.
Eu devia muito a ela.
O engraçado é que tive que mudar do meu país natal, para encontrar alguém como ela.
Tirei as sapatilhas e esfreguei meus olhos que estavam ficando cada vez mais pesado, rendendo-me ao cansaço eu os fechei em seguida.
— Oh Deus Loki eu disse não!
Pulei assustada e desperta.
Meredith praguejou de algum lugar perto de mim e logo em seguida um barulho se fez ser ouvido acima dos latidos de Loki.
— Ah cara – gemi sentando. – Porque você está tentando quebrar minha casa?
Mer riu e arrisquei um olhar em sua direção. Havia vidro espalhado a todo lugar, suco de laranja em seus pés, e Loki tinha a mais inocente das expressões enquanto piscava os grandes e redondos olhos castanhos para mim.
Olhei para os cacos e depois para Meredith erguendo minha sobrancelha. – Vou querer saber como aconteceu?
Ela balançou a cabeça, sorrindo sem jeito. – Não, mas eu posso resolver.
Acho difícil, a menos que você tenha trazido uma cola superpotente consigo, e cate cada pedaço de vidro do que costumava ser uma linda jarra do chão.
— Ignorando meu bom senso- comecei com um meio sorriso lançando um novo olhar para o chão. – Como isso aconteceu?
— Bem, – explicou ela – eu estava com sede e resolvi tomar algo enquanto esperava por você acordar – apontou para Loki com a mão e atirou para ele um olhar feio para ele que escondia o rosto entre as patas – e a bola de pelo ali resolveu pular em cima de mim, sabe-se Deus por que. Não vai surtar? – prosseguiu juntando os cacos espalhados com cuidado.
Balancei a cabeça. Como poderia se tendia a quebrar uma porção de louça o tempo todo sem nem perceber?
— Isso depende. Trouxe a calda de sorvete?
— Geladeira.
Sorri. – Então sem surto. Cuidado para não se cortar porque – me interrompi quando notei uma mancha em sua calça jeans. – Hum, Mer você está naqueles dias?
— O que? – ela franziu as sobrancelhas. – Não.
Pigarreei e peguei alguns jornais velhos da mesa de centro e fui ajuda-la com a bagunça no chão. A maior parte dos jornais estava ali por causa dos classificados. Eu ficava olhando para as vagas de emprego tentando conseguir alguma chance em algum. Foi assim que encontrei a vaga nas empresas Mabuchi.
— Sua calça jeans está manchada.
— Merda. Sério? Eu vim todo caminho até aqui caminhando a pé até aqui.
Bufei soltando uma risadinha, e desviei os olhos do seu rosto, caso contrário seria impossível manter minha expressão séria.
— Quer tomar banho e se trocar? Acho que tenho algumas roupas suas comigo da última vez que passou a noite aqui.
Acontecia com frequência. Tanta ela dormir no meu apartamento, quanto o contrário.
— Sabe o que isso significa?- miou com as bochechas vermelhas balançando a cabeça. Ergui as sobrancelhas e coloquei os cacos maiores dentro do jornal.
— Hã?
— Todo mundo que viu minha bunda sangrenta sabe que estou no meu ciclo menstrual – ela jogou a cabeça para trás rindo. – Que vergonha!
Meredith bunda sangrenta!
Cobri o rosto rindo tanto que fiquei sem ar.
— Quantos anos você tem? Isso não é engraçado – censurou, contendo uma nova gargalhada. Abanei-me com um dos jornais, enxugando as lágrimas que tinham surgindo nos meus olhos.
— Graça nenhuma – falei mordendo o interior da minha bochecha tentando soar séria, só que assim que olhei para o rosto dela, uma nova gargalhada passou pelos meus lábios.
— Cresça Jasmim!
Levantei as mãos para cima em sinal de rendição. – Tá legal vou para de rir. Juro!
Meredith virou os olhos. – Vou tomar banho, e quando voltar vou querer saber de cada detalhe do seu dia, vadia.
***
20 minutos depois, fiel a sua palavra Meredith estava pressionando-me por detalhes. Estávamos lado a lado na minha cama, um pote de sorvete napolitano com calda de chocolate no nosso meio. Loki e Thor deitados no chão aos pés da cama.
Nós tínhamos adotados nossos animais de estimação ao mesmo tempo. Adotei Thor em um abrigo de animais onde Meredith é voluntária, e ela por sua vez adotou Loki depois de encontra-lo na rua em uma caixa, desnutrido e terrivelmente machucado. A escolha dos nomes foi nosso humor estranho falando mais alto, e achávamos isso hilário.
Enfiei minha colher mais profundamente dentro do sorvete congelado. – Se eu mata-lo você me ajuda a esconder o corpo?
Meredith riu e um pouco de sorvete caiu da sua boca, caindo na minha perna nua. Fiz uma careta de novo, mas acabei rindo quando ela mostrou a língua.
— Eu ajudo a esconder o corpo, e ainda sirvo de álibi – assegurou com uma piscadela. – Só preciso saber quão odioso olhos puxados é primeiro.
Ergui minha sobrancelha, levando uma generosa colherada de sorvete á boca.
Anuí. – Vai mesmo chama-lo assim?
Minha melhor amiga deu de ombros, os olhos risonhos. – Até achar um apelido diferente. Não mude de assunto.
— Comer sorvete está me lembrando da espanhola – ri e comecei a contar a ela da reunião e de como servir de tradutora. Rimos tanto em certas partes que chegamos a engasgar. Era incrível como isso podia ser engraçado agora, quando horas atrás quase me deu um aneurisma.
— Quimica Perfecta? Nunca ouvi falar dessa marca, mas estou apostando que é grande. Depois a gente pesquisa no Google para ter certeza.
Assenti com a cabeça concordando. – A partir de agora, estou tomando o Google como meu melhor amigo.
— Obrigada! – Mer estreitou os olhos e torceu o cabelo ainda úmido do banho.
Zombei rindo. – Você vai ser para sempre minha favorita.
Ela rolou os olhos de uma forma engraçada e dramática que só ela era capaz de fazer. – Estou me abstendo de comentários por enquanto. Depois que ele disse que o emprego era seu outra vez o que aconteceu? – Thor miou e nós esticamos nossos pescoços para ver o que havia de errado. Ele estava tentando usar Loki como cama e Loki por sua vez não estava muito feliz com isso. Olhei para Meredith vendo que não era nada grave.
Coloquei uma nova colher de sorvete na boca.
— Certo o que aconteceu foi o seguinte – fechei os olhos sentindo o sorvete derreter na minha língua, e lembrei o que tinha acontecido depois de Mabuchi dizer que o emprego era meu novamente.
— O que? – perguntei baixinho com medo de ter sido enganada pelos meus ouvidos. Meu queixo ainda travando uma dura batalha para voltar para o lugar.
— O. Emprego. É. Seu – Mabuchi repetiu pausadamente.
Meu coração bateu mais rápido, sem me dar qualquer descanso no seu Tum Tum frenético.
Virei para ele. – Se for brincadeira – avisei minha voz tremendo. – Não tem graça alguma.
Pelo olhar em seu rosto, eu soube que ele estava muito perto de rolar os olhos. – Pareço estar brincando? – indagou impaciente. — Melhor ainda, pareço ser o tipo que perde tempo fazendo esse tipo de brincadeira?
— O que?
Eu estava tão incrédula que queria pegar meu celular da bolsa, e começar uma gravação de vídeo, e quem sabe obriga-lo a escrever uma carta feita a mão com assinatura no final.
Jasmim ainda tem um emprego – ele escreveria. – Ela é tão incrível e eu sou um bastardo tão grande que ela merece um aumento por ter de lidar comigo.
Bastardo arrogante suspirou juntando as mãos na altura da boca interrompendo meu devaneio.
— Estou realmente começando a achar que a senhorita tem algum problema de audição do qual não fui notificado – sua aspereza mal foi registrada na minha mente.
— O que disse senhor? – perguntei só pelo prazer de antagoniza-lo.
— Já acabamos aqui – declarou aumentando o tom de voz como se eu de fato tivesse algum problema auditivo. – Pode se retirar.
Estreitei os olhos.
Idiota.
Abri a boca, fechando-a em seguida percebendo que nada de bom iria sair dela.
Eu não daria sorte ao azar. E em nome do bom sangue de Deus iria acalmar meu temperamento.
Ou tentar...
— Certo – balancei a cabeça. – Realmente não há eu possa fazer senhor?
Vê? Eu era capaz de ser uma boa e educada funcionária.
— Eu já disse que pode se retirar – me dispensou fazendo gestos com as mãos aumentando novamente o tom da voz.
Sorri apertado. – Como queira.
Ser uma boa e educada funcionaria iria ser mais difícil do que eu imaginei.
O resto do dia foi enervante, eu pulava a cada barulho com medo de que bastardo arrogante tivesse se arrependido de sua decisão. Com exceção de sua saída para o almoço, ele não saiu da sua sala nenhuma vez, e reconheceu minha presença com um banal aceno de cabeça antes de chamar o elevador e me dar às costas. Soltei uma gargalhada estridente e aliviada e almocei as duas barras de cereais que tinha na bolsa desde ontem.
Todas as vezes que precisou de mim, ele me chamou pelo telefone, e era impossível não perceber que ele não estava satisfeito com a minha presença, e isso me deixava insanamente feliz. Eu tinha recuperado meu emprego, e de bônus deixava bastardo arrogante mal-humorado.
O que mais uma garota podia querer?
— Você é louca – Meredith assoviou e esfregou meus ombros como se eu fosse um lutador de Box e ela minha treinadora. – E diabos eu estou muito orgulhosa por ter mostrado quem é que manda para o babaca seguro de si.
— Você sabe – raspei o restante do sorvete do pote e coloquei a colher na boca – me elogiar, só vai me incentivar a cometer um homicídio, e eu realmente não queria ir para a cadeia tão jovem.
Meredith bufou. – Pesquise no seu novo melhor amigo Google como cometer um crime sem deixar pistas espalhadas por ai.
Cobri o rosto. – Céus! Você é tão insana quanto eu.
— Mer olhou para o pote de sorvete agora vazio com melancolia e então me dei seu melhor olhar duh. – Por que você acha que somos melhores amigas?
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