Era para ser apenas um programa
5 Revelações e desentendimentos
Notas iniciais
Finalmente consegui me encontrar com o Eren. Ele apareceu no final da tarde de sábado. Atendi à porta no segundo toque da campainha para não parecer que estava desesperado o esperando. Pelo espaço da correntinha de segurança da porta, vi que carregava a mochila emborrachada preta à tiracolo. Sorri minimamente: isso era sinal que ele tinha pretensões de passar a noite aqui.
Abri a porta de vez e lhe lancei um olhar de falso tédio.
_Entra — dei espaço e ele entrou, parando alguns segundos na minha frente como se fosse me dar um beijo de boas vindas. Olhei-o rapidamente e ele franziu o cenho.
_Aconteceu alguma coisa? Está bravo comigo? — deu alguns passos para dentro do apartamento e pôs a mochila em cima do sofá.
“Claro que aconteceu! Uma semana inteira sem ter notícias suas! Pior ainda, percebi que não consigo fazer sexo com outra pessoa, mesmo sabendo que nessa semana você esteve com outros homens” — pensei tudo isso mas é claro que eu não disse nada, pois pareceria que eu estava apaixonado pelo Eren.
_Não, não aconteceu nada — respondi e fechei a porta.
Quando me virei de frente, dei de cara com ele sorrindo, os enormes olhos verdes brilhando, fixos em mim.
_Estava com saudades de você — falou e me abraçou, dando um selinho nos meus lábios. Me desmontando por completo, arruinando a minha tentativa de esconder o quanto eu senti a falta daquele moleque.
Retribuí o selinho que se transformou em um beijo simples mais demorado e quando nos separamos, ele estava levemente corado. Me olhou com olhos ansiosos e eu suspirei, girando os olhos nas órbitas.
_Eu também estava — respondi, atendendo aos anseios mudos do rapaz — Está com fome? Podemos encomendar comida.
Eren sorriu.
_Estou! Vamos comer! — exclamou animado e sentou-se no sofá, pegando o celular e abrindo o aplicativo de compra de comida online.
Balancei a cabeça.
“Esses jovens…” — sorri um pouco e peguei o encarte do restaurante italiano do bairro. Era uma cantina tipicamente italiana, com mesinhas de madeira escura e toalhas quadriculadas em branco e vermelho. Muitas vezes eu ia jantar aos sábados e até conhecia os donos.
_Vamos de italiana hoje? — perguntei me sentando ao lado dele.
_Pode ser — Eren largou o celular e pegou o cardápio em papel encerado, olhou tudo e depois me entregou.
_ Acho que quero caneloni — falou e eu assenti, peguei o telefone e liguei para o restaurante. Fiz o pedido: caneloni de presunto e queijo e conchiglioni de frango para mim. E como eu não havia tomado a minha costumeira taça de vinho às sextas, pedi uma garrafa pequena, eles têm um ótimo vinho lá.
Desliguei o telefone e olhei para o Eren que sorria. Mas não era o sorriso bobo que eu estava acostumado a ver no rosto do garoto, era o outro sorriso dele. Aquele meio de lado, quente e pervertido que dá a entender o que está por vir.
_Agora não, só depois do jantar — falei para ele e dei uma piscadinha. Deixando claro que aquilo era apenas uma brincadeira. Estava apenas me fazendo de difícil.
_Depois do jantar pode fazer mal — respondeu e me abraçou, sentando-se de lado no sofá e inclinando o rosto para o meu pescoço, beijando leve o suficiente para me fazer arrepiar.
_Moleque atrevido! — exclamei, passando os dedos de leve por baixo da sua camiseta, subindo pela linha da coluna até a altura das escápulas.
Eren se inclinou mais sobre mim, me prensando contra o estofado, mordeu a curva do meu pescoço e deixou ali um chupão. Arqueei minha coluna puxando a camiseta dele para cima e a tirando pela cabeça. Deslizei as mãos pelo peito liso, olhando com desejo para a musculatura que começava a se delinear no tórax jovem, me alegrei internamente por não ver nenhuma marca ali. O cliente deve ter sido bem cuidadoso, e esse pensamento me machucou mais do que eu achava que machucaria.
_O que foi? — perguntou parando de alisar minhas coxas e me olhando.
Só então percebi que havia parado de acariciá-lo e estava estático olhando para ele como se não o visse.
_Nada — respondi e balancei de leve a cabeça, espantando os pensamentos que não tinham razão de ser. Aquilo não era amor.
Eren então colocou as mãos no meu traseiro e deu um apertão nas minhas nádegas, me puxando mais para ele e me fazendo montar no seu colo. Meu traseiro foi plantado certeiro em cima da elevação da ereção dele e eu não resisti em dar uma rebolada, só para ver Eren ofegar.
Ele então começou a me despir com calma, abrindo minha camisa e me olhando com carinho e saudade. Era até fofo, e fez meu coração se aquecer, o problema era que nós não tínhamos muito tempo, logo o entregador traria a comida e, agora que a chama estava acessa, eu não estava disposto a esperar para depois do jantar.
_Não temos tanto tempo assim, garoto — falei e comecei a abrir a calça jeans, puxando-a para baixo enquanto Eren erguia o quadril para ajudar na remoção da peça. Tirei a box junto e embolei com a calça no chão. Subi as mãos, alisando e apertando as pernas e coxas claras, vendo Eren deslizar o quadril mais para a borda do sofá. Deslizei minhas mãos para cima até uma circular seu membro e a outra brincar com os testículos. Eren se contorceu levemente e gemeu baixo.
E quando eu estava prestes a colocá-lo na boca, fui içado até o sofá e o resto das minhas roupas foram tiradas apressadamente, ergueu minhas coxas, aproveitando para lamber e dar chupões no meu peito, deixando marcas pelo caminho até chegar na minha boca e me beijar vorazmente. Não sei exatamente quando foi que ele se encaixou em mim, apenas senti ele entrando, me preenchendo e forçando minha musculatura a se moldar ao pênis entrando e saindo, me deixando louco de prazer.
Agarrei os cabelos dele e os puxei, mordiscando e sugando o lábio inferior, enroscando minhas pernas em torno do quadril dele para uma melhor tomada.
_Eren… — suspirei gemendo, descendo as unhas para as costas do garoto ofegante em cima de mim, marcando-o com vergões vermelhos.
E quando eu ia dar um impulso e trocar as posições para cavalgar, a campainha tocou. Tomamos um susto e eu empurrei o Eren de cima de mim, fazendo ele cair sentado no sofá com uma cara hilária.
Em dois segundos eu abria a porta do apartamento. A calça meio aberta assim como a camisa, segurando as partes da camisa junto ao peito para que o entregador não visse as marcas roxas e vermelhas que estampavam a minha pele. O causador delas estava nu na cozinha, se eu fosse esperar ele se vestir para abrir a porta, o entregador iria desistir da entrega por causa da demora.
Peguei a comida e paguei o entregador rapidamente e assim que fechei porta e dei as costas para ela, lá estava Eren na minha frente, me pegando pela cintura, me prensando contra a porta, tomando a minha boca num beijo profundo e necessitado, correspondi imediatamente, dando um pulo e me enroscando no quadril dele. As sacolas com a comida foram parar no chão enquanto Eren me prensava contra a porta, se esfregando no meu traseiro.
Ele quase tropeçou nas sacolas quando me virou para o sofá, me jogando de qualquer jeito no estofado escuro onde eu caí já tirando minha calça e vendo ele vir pra cima de mim, me encarando fixamente até segurar minhas coxas e as erguer, voltando a me penetrar de pronto, gemi baixo e ofeguei ao senti-lo todo dentro de mim.
_Mova-se! — mandei e ele me obedeceu, passando a me estocar fundo.
A comida mesmo, foi lembrada muito tempo depois. Quando já havíamos sujado o sofá e caído dele. Estávamos no chão, deitados de costas, suados, ofegantes e satisfeitos.
_Agora sim, deu fome! — comentou Eren, passando a mão na barriga,
Sorri um pouco e me levantei, peguei as sacolas que jaziam de ponta cabeça no chão e levei para a cozinha. Abri as embalagens e coloquei a comida em pratos, levando-os ao microondas. Minutos depois comíamos sentados no chão da sala, ambos nus e meio descabelados.
_Qual era a novidade que você tinha para mim? — perguntei como quem não quer nada, mas na verdade eu estava me mordendo de curiosidade.
_Ah… é algo bom, mas tem a parte ruim, então deixa que depois eu falo.
_Fala agora, ué. Qual o problema? — insisti.
_Nenhum, mas agora eu quero ficar com você e não ficar falando de outras coisas — comentou sorridente.
Eu percebi que Eren escondia algo, mas não insisti. Então outra dúvida acabou com o meu pouco bom humor: e se ele fosse me dizer que algum cliente o havia contratado em regime de exclusividade??? À grosso modo, esses putos exclusivos cobram uma pequena fortuna, como eu iria fazer uma contraproposta à isso? Como eu iria fazer para ter o Eren para mim se eu não tinha tanto dinheiro assim?
Me senti levemente deprimido, me levantei indo até a cozinha e deixando meu prato sobre a pia, ainda com um pouco de comida, segurei na borda da mesma, respirando fundo e tentando identificar com certa exatidão o que era que eu estava sentindo. Nós não éramos namorados, mas também não era como se eu fosse um cliente… realmente eu não sabia o que estava sentindo nem como enquadrar a nossa relação.
Poucos minutos se passaram antes de me sentir ser envolto pelos braços de Eren que me abraçava por trás.
_O senhor está estranho…
_Ainda me chamando de senhor? — perguntei me livrando do abraço e indo até a geladeira.
Eren baixou a cabeça.
_Eu gosto de te chamar assim.
_Eu sei — me virei para ele, um esboço de sorriso no rosto, acariciei os cabelos castanhos e despenteados — Vem limpar a sala comigo — chamei.
É claro que depois que fizemos no sofá, estava impossível sentar nele: era sêmen pra todo lado. Eren me acompanhou sem muita vontade e eu entreguei um pano úmido para ele.
Quando tudo estava limpo e arrumado, o que fizemos?
Fomos bagunçar o quarto. E só porque o Eren desastrado derrubou produto de limpeza em mim. Eu tirei rápido a camisa e a calça e joguei na máquina de lavar antes que manchassem, andei nu até o quarto em busca de algo seco para vestir, mas enquanto estava na frente do guarda-roupa aberto, fui capturado pelo Eren e derrubado na cama.
_Que isso, garoto? Tá louco?
_Adivinha? — me olhou com olhos famintos, pressionando a ereção na minha coxa.
_De novo? Sai! Agora não — o empurrei, me livrando daqueles braços que mais pareciam de polvo e me sentei na cama.
_Ahh… me dê atenção, senhor — um Eren manhoso pediu com uma vozinha que era impossível resistir e eu me deitei novamente, beijando-o de modo profundo e deslizando as mãos pelo seu corpo.
Pressionei meus dedos nos músculos do abdome dele, traçando uma linha imaginária até o baixo ventre, descendo mais até tocarem a glande úmida, enrolei-os em torno da ereção, movendo. Beijei aqueles lábios por onde saíam gemidos baixos e a respiração ofegante conforme minha mão trabalhava rapidamente na ereção de Eren. Dessa vez fui eu quem dominou, e como era bom dominar aquele moleque.
Ver o jeito que ele me olhava com aqueles enormes olhos verdes, nublados de prazer, como gemia se contorcendo conforme eu me empurrava dentro dele, cada vez mais forte, cada vez mais fundo. Como arranhava minhas costas e abraçava apertado a minha cintura com as pernas enquanto eu o tomava como se não quisesse que eu saísse de dentro dele nunca mais. Para então, depois de muitos minutos, mordendo meu ombro ou pescoço, abafando o gemido alto e se derramar, contraindo a entrada e apertando o meu membro. Era fatal que eu terminaria atingindo meu orgasmo nessa mesma hora, era gostoso demais e eu nunca conseguia me controlar.
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Era início da noite do domingo, estávamos eu e Eren enroscados na cama que foi principalmente o local onde passamos o final de semana. Ele estava deitado sobre o meu peito, naquele cansaço gostoso depois do sexo, eu deslizava preguiçoso as pontas dos dedos pelas costas dele, arrepiando a pele sensível marcada pelos meus dentes e chupões. Nós dois estávamos marcados.
Mais uma vez percebi que Eren não estava no seu normal, não estava tão falante e por vezes lançava olhares furtivos para mim. Havíamos passado o final de semana assim, pegadas firmes, sexo quente, carinhos silenciosos; mas conversa mesmo, era pouca e muitas vezes eu percebia Eren reticente como se quisesse dizer algo e não tivesse a coragem necessária.
Percebi isso o tempo todo deste ontem, mas sempre que perguntava, ele dizia que estava bem. Era óbvio que não estava, algo o estava incomodando e dizer que eu não estava angustiado com isso seria uma mentira gigante.
Minha cabeça imaginava mil e uma coisa, tentando decifrar o motivo por trás desse comportamento e claro, nenhuma delas era coisa boa.
Então, quando ele ergueu os olhos para mim naquela tarde na cama, eu vi que algo iria acontecer e engoli em seco.
_Diga de uma vez, Eren — pedi e sei que minha voz soou dura, quebrando o silêncio das nossas vozes e se sobrepondo ao som baixo da televisão ligada que nesse momento passava uma série daqueles irmãos que caçavam coisas sobrenaturais, não sabia muito bem o nome.
_N-nad… — começou a falar e desviou os olhos para o lado.
_Fale logo. Odeio mentiras — o interrompi.
_Não estou mentindo… — falou baixo e se levantou, ficando sentado na cama, meio inclinado para o lado, apoiando o peso do corpo sobre um braço apenas, que se mantinha esticado, deixando-o semi erguido.
_Está sim, à partir do momento em que você diz que não tem nada quando está mais do que evidente que tem — me sentei também.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas sentindo o clima em torno de nós ficar cada vez mais pesado.
_É sobre a tal novidade? — quebrei o silêncio constrangedor.
_Uhum… — ele murmurou de cabeça baixa.
_Então fala.
Eren suspirou.
_Eu arranjei um emprego.
Suavizei a expressão, isso não era motivo para todo esse drama. Uma hora ele ia sair dessa vida, era o plano dele desde o começo. Senti um alívio tomar conta de mim.
“Garoto bobo” — pensei
_E daí? — perguntei
_Vai ficar difícil: escola, emprego… — ele falou baixo, sem me encarar. Ao contrário de mim que mantinha meus olhos fixos nele.
_E daí? — repeti a pergunta.
_ Daí que eu não terei tanto tempo assim. Isso fazia parte dos meus planos, mas… agora que eu conheci o senhor… está difícil dizer...
Eu devia ter percebido que havia algo errado. O que eu tinha a ver com isso tudo? Eu não era impedimento de nada. Mas quando eu falei, a única coisa que saiu ainda foi uma tentativa de achar a solução.
_Mas teremos as noites, pelo menos algumas na semana e os finais de semana — falei, acreditando que o que o estava deixando assim era a possibilidade de nos vermos menos ainda. Mas não, eu estava bem enganado.
_Não vamos poder nos ver, Levi — ele ergueu os olhos para mim e eu notei que ele me chamou pelo nome, algo raro quando estávamos apenas conversando — Eu estou saindo da agência, não vou mais fazer programa.
Aquilo doeu mais do que eu imaginei que doeria. Franzi o cenho.
_Como é?
Percebi que ele engoliu em seco.
_Não poderei atender mais… — murmurou num fio de voz.
Senti a raiva ferver dentro de mim, mas sabia que externamente ninguém veria diferença alguma na minha expressão sempre impassível.
_É isso o que somos? É … é isso? Somos apenas contratante e “prestador de serviços”? — falei frio e seco, fazendo aspas com os dedos indicador e médio de ambas as mãos, mas por dentro eu me retorcia: raiva, mágoa, medo e muita muita dor. Tive vontade de socar um.
Ele arregalou os olhos.
_N-não fale assim.
_Como não? — questionei-o — Não pensei que você achava que a gente se enquadrasse nisso…
_Eu… pensei que… — ele gaguejou, ficando muito corado, mas eu não dei chance.
_Então você é o meu puto? Como assim, se eu não pago por você? É tão promíscuo que dá de graça?
_NÃO SOU PROMÍSCUO! NÃO ESTOU NESSA VIDA PORQUE QUERO!!
_O motivo não importa, o fato é que você é um prostituto. Vende seu corpo por dinheiro para qualquer um que ligue contratando. Se bem que eu errei… pelo jeito você deve fazer porque gosta, já que continua dando a bunda mesmo sem receber nada em troca…
Eren ficou vermelho, profundamente vermelho, até quase atingir uma tonalidade quase roxa, mas não gritou mais.
_Nem sempre — falou — Às vezes me pagam para eu comer alguma bunda mais velha.
_Todas as bundas que você comeu devem ser mais velhas, seu pirralho de merda — falei ofendido.
_Inclusive a sua!! — me falou com raiva na voz.
_Isso faz parte do seu serviço, se eu mandar você lamber o chão aonde eu piso, você terá que obedecer. Quem paga é quem manda!
_O senhor não paga….
_E por que nunca me cobrou?? Se era apenas uma merda de um programa, devia ter cobrado logo o valor por isso aí — fiz um movimento de desprezo com a cabeça, indicando o próprio Eren.
Me arrependi das minhas palavras no primeiro segundo que elas saíram da minha boca ao ver o estado que ele ficou. Minha intensão nunca foi ofendê-lo, mas na hora as palavras escaparam dos meus lábios antes mesmo que eu pudesse pensar no peso que elas teriam.
_Eren… — murmurei, tentando adoçar a voz.
_O senhor me acha tão desprezível assim? — murmurou com a cabeça meio baixa.
Suspirei.
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